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Relações, mesmo que não humanas, são humanas.

Summary:

O Boticário de Ri comparece em um encontro com todos os outros oito trigramas, acontece que o próprio tem difíceis relações com seus companheiros de trabalho.

(Eu inventei completamente a personalidade dos outros Boticários.)

Notes:

Eu sempre fiquei muito intrigada com a ideia dos outros vendedores de medicamentos, como queria ter mais informações sobre eles.

Eu baseia as personalidade deles com o pouco que eu sabia dos oito trigramas, ou seja não muito e 90% Wikipédia.

Se houver qualquer erro ou crítica, por favor me avise, essa é minha primeira fic postada aqui, então conselhos de melhorias são sempre bem vindos.

(obs: eu queria tanto que o fandom de mononoke no Brasil fosse maior)

Work Text:

Esse tipo de espera não era exatamente do agrado do Boticário de Ri, não que isso significa que estar na presença do Boticário de Gon seja um incomodo, mas sua presença imutável e quieta não eram apreciadas no momento. Isso particularmente era um problema interno somente de Ri, o próprio sabia que nada disso estava relacionado ao seu companheiro ao seu lado, na realidade com o passar do tempo Ri começou apreciar a exótica forma de se expressar de Gon, com suas poucas palavras e um olhar que faria se questionar se ele realmente se importava com alguma coisa existente. Mas isso não era o suficiente para acalmar os nervos dele, que o fazia se sentir como aqueles discípulos ingênuos que ainda não possuem total noção do tipo de trabalho que se enfiaram.

Hoje era um dos encontros dos oito boticários dos trigramas, um evento que inicialmente foi sugerido pelo boticário de Etsu, com a ideia de fachada de confraternizar, mas que no fundo todos sabiam que era uma desculpa esfarrapada para ele apenas se divertir com suas façanhas e de bônus conseguir arrastar os outros nisso. De uma alguma maneira todos concordaram, talvez como uma forma de apaziguar o espirito de Etsu, isso não veria ao caso agora, nem o próprio Ri sabe como aceitou comparecer em tal evento. Talvez a única coisa que o fez raciocinar foi que provavelmente o evento se tornaria algo relacionado ao trabalho, negando ou não todos eles tinham algum problema de separar suas vidas com seus afazeres.

Como era de se esperar Gon foi o primeiro a chegar, provavelmente muito antes do horário marcado, e Ri de alguma maneira conseguiu ser o próximo, assim sendo o momento atual, com os dois imóveis apenas esperando. Não é do feitio dele ficar ansioso com algo assim, talvez ele nem esteja ansioso e só queira que o dia acabe logo e que começa-se o próximo, o que acontece é que no último encontro com todos, as coisas saíram do controle, com a parte menos complicada sendo o Boticário de Shin quebrando a mesa do local. Mas na realidade ele não queria era admitir que o que realmente o incomodava, e se contentaria com essas explicações rasas do motivo de seu estado atual.

O próximo a comparecer foi Kan, seus passos calmos sendo o aviso de sua chegada, e Ri não poderia estar mais desafortunado, a dinâmica agora do local passando de silencio relativamente agradável para extremamente desconfortável. Não é que Ri odeie Kan, mas era inegável que suas naturezas opostas iriam confligir, no passado eles eram muito próximos, entrando no ramo em suas carreiras quase que simultaneamente, um laço que olhando em restrospecto seria obvio que estava fadado ao fracasso, eles simplesmente se entendiam demais, mas ao mesmo tempo não conseguiam se adequar um ao outro, eventualmente cada um trazia o pior que havia neles, e silenciosamente cortaram seus elos.

No final isso era um dos motivos de seu estresse de hoje, e agora Ri inevitavelmente não consegue parar de questionar que tipo de lobotomia ele deve ter levado para aceitar esse convite idiota, claramente o arrependimento o irrita tanto que a vontade de voltar atras o consome. Porém de maneira inexplicável ele continua ali, rígido e provavelmente sendo notado por Kan, sendo lido como um livro aberto por ele, algo que ele sempre fazia e que incomodava ambos, afinal ninguém gosta de saber que é indesejado. Gon continuou o mesmo, não sendo abalado pelo ar constrangedor gerado pelos dois boticários, e com certeza não seria ele a tentar quebrar o clima.

Com passar do tempo os outros foram chegando e o silencio foi quebrado, conversa fiada e cheiro de saquê cobriam maior parte do ambiente. Ri até se deu ao luxo de participar de uma boba guerra de braço contra Shin, que durou bons 40 minutos, até que Qián se irrita-se com a demora e a futilidade de tal ato e declarasse empate. Ri decidiu se afastar em um canto mais remoto se deparando com o Boticário de Kon sentado no fim da varanda, observando a paisagem do jardim, esse sendo a companhia que ele mais estimava, era evidente que em sua presença Ri se acalmava, talvez fosse pela própria forma de agir de Kon, sempre tão calmo e gentil. Poderias perguntar a qualquer um presente o que pensavam sobre vendedor de medicamentos de Kon e seria respondido com a mesma resposta sempre, “alguém onde posso me acalmar”, era da natureza de Kon ser sempre tão zeloso. Para Ri, ele era uma especie de refugio, era bom, para dizer o mínimo.

Sem pensar Ri sentou ao seu lado,“Não parece que você está usufruindo muito desse momento” a voz de Kon estava mais leve que o habitual, devido o consumo de álcool, mas dava para notar em seus maneirismo que ele ainda possuía muita sobriedade. “Não sei muito bem o que tem para usufruir aqui” ele diz sarcasticamente, pois apesar de tudo, as coisas estão sendo menos piores do que se imaginava, a fala tira uma leve risada do Boticário de olhos amarelados, muito provavelmente impulsionada pelo álcool, já que o comentário não era particularmente muito engraçado para os padrões de Kon. “Vi que você não bebeu muito hoje” Ri decidiu se manter calado sobre essa observação, já que a resposta não o agradava.

“É por causa de Kan, não é?” Um leve suspiro “Você ainda tem medo do olhar dele” Ri continua em silencio, aquilo não era uma pergunta, era uma observação, Ri sempre detestou mentiras, então negar não era cogitado. Mas era um fato, ele odiava ser observado por Kan, sentia-se nu perante seus olhos, uma forma de entendimento que causava desconforto. No passado era o que o atraia, mas rapidamente virou uma aversão, eles simplesmente sabem demais um do outro de uma maneira que causa repudio, e a ideia de Kan o ver bêbado não era desejada.

Kon o olha com entendimento, não com pena, mas sim acolhedora, silenciosamente Ri deita sua cabeça em seu ombro, se permitindo um momento para respirar. O conforto o finalmente o acalma, eles ficam assim por alguns minutos, sem palavras desnecessárias, Kon não o julgava, ele nunca julgava ninguém. De repente Kon se levanta e se vira em frente ao loiro, levantando a mão em sua direção, o chamando, Ri encara por alguns segundos até aceitar, e assim Kon o puxa para se levantar e o leva para mais ao centro do jardim. O de cabelos avermelhados começa uma singela dança sem música, Ri inicialmente não reage, questionando a lucidez do outro, mas não teria como ele negar algo para Kon, muito menos uma dança despretensiosa no meio do jardim durante um evento que ele nem queria estar.

Foi simples e desajeitado, tanto pelo fato de Kon estar levemente embriagado, tanto pela falta de experiencia em dançar de Ri, não que nunca houve oportunidade, mas ele nunca se sentiu compelido a participar de tal atividade. Eles seguravam as mãos, com Kon sempre guiando, Ri as vezes se sentia uma barata tonta, mas não pode segurar a risada da situação, logo Kon o acompanhou, e a risada se tornou uma gargalhada, nenhum dos dois sabiam ao certo do que estavam rindo, mas não importava. De fora a cena era vergonhosa, com eles parecendo que completamente alucinados, dançando e rindo como lunáticos, mas isso também não importava. Inevitavelmente ambos acabaram caindo no chão, continuaram a rir, mas agora com menos fôlego do que antes.

Eles lentamente se acalmaram e aproveitaram suas posições para observar o céu já anoitecido, a volta do silencio foi agradável, muito mais leve do que comparado com alguns minutos atrás, havia leve sorrisos esboçados em ambos, e suas respirações ainda se regulando. Kon vira seu rosto em direção ao loiro, "Acho que observei errado a situação”, Ri se vira também, com seu rosto estampado de duvidas, ele não sabia ao certo o que o outro se referia, ele não precisou dizer nada para Kon já se explicar. “Você não teme o olhar dele.” a sobrancelha de Ri arqueia, ele não compreendia a afirmação, ele de fato odeia quando o Boticário de Kan o observa. “Você na realidade teme o que está sendo olhado.” Ri não tem nada a dizer sobre isso, ainda digerindo as palavras, mas conseguia enxergar o que o outro queria dizer.

“Você não deveria, é algo lindo de se olhar.”

Humanos se sentiriam sem jeito após um obvio flerte desses, mas Ri raramente age como humano, ele apenas reflete sobre como se sente sendo observado por Kon, é inegavelmente melhor que ser observado por Kan, ele não consegue explicar exatamente, mas algo no olhar é reconfortante, ao invés do súbito sentimento de ter seu lado mais repugnante sendo analisado, parecia que um lado bom e praticamente inexistente estava sendo contemplado.

“Você ta bêbado."