Actions

Work Header

Crawling

Summary:

Não havia um centímetro de seu corpo intocado pela dor. Ainda assim, Aguiar sentia que devia agradecê-la. Com a ardência dominando seu corpo, não precisava reconhecer que o que mais doía não era nenhum de seus ossos quebrados.

 

Mais do que ossos quebrados ou feridas expostas, a batalha contra os Couraças deu a Aguiar feridas muito mais fundas a serem lidadas.

Notes:

essa é minha primeira fanfic publicada, sejam gentis :)

eu queria ter postado isso antes do último episódio, já que se passa pós ep 7, mas me atrasei...

essa fic é esquisitinha, meio presunçosa, reconheço. tem algumas divagações introspectivas que podem parecer confusas, mas queria realmente transparecer na narração toda a confusão vivida por eles. se permitam entrar na mente caótica desses personagens louquinhos.

espero que gostem!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

Não havia um centímetro de seu corpo intocado pela dor. Ainda assim, Aguiar sentia que devia agradecê-la. Com a ardência dominando seu corpo, não precisava reconhecer que o que mais doía não era nenhum de seus ossos quebrados. Talvez seja punição. Não sabia se era o corpo ou a mente o culpado, se é que ainda haja distinção entre eles. Devia ser merecedor daquilo. Eram as consequências de tomar o domínio do que não lhe pertence, deste corpo solitário, faminto por um preenchimento que sua mente não permite saciar. Ou pelo menos não deveria. 

O esquecimento, em um local como esse que agora habitava, era ao mesmo tempo uma benção e um pesar. Não saber o que o aguarda do lado de fora minimizava o pesadelo de ser jogado nesse lugar desesperador. De que importava se morresse? A morte só importa a quem tem a quem voltar. Por outro lado, esse mesmo esquecimento o condenava a existir apenas no agora, movido apenas pelo que sentia. Não há nada mais limítrofe que isso. Às vezes tudo importa, às vezes nada importa.

As lacunas de sua memória não o permitem afirmar, mas duvida que em algum momento de suas vidas tenha experimentado algo tão intenso quanto o fluxo de sangue que presencia. Ali, essas sensações incompreensíveis, eminentes, se aproveitam do desregramento entre corpo e alma para o transtornar. Enquanto podia escolher qual das sensações prevaleceria, Aguiar escolhia a dor. Dessa, ao menos, ele sabia o nome. Conhecia como a um velho amigo, quase esquecido pelo tempo, mas que veio visitar para lembrá-lo que sua companhia é eterna.

Se há algum fio conector entre essa sua existência desdobrada, ele deve ser a dor. Isso explicaria a familiaridade. Nenhuma outra possibilidade o faria escapar dela de qualquer forma. Seu medo o leva à dor, cortantes dentes de vampiro dilacerando sua carne. A fome é dor, corrosão de dentro para fora. E o amor… essa porra é a fome amedrontada. Tudo culmina em dor, assim como tudo começa pelo sangue.

Talvez por isso, sob a luz fraca do luar que lentamente cedia espaço ao amanhecer, Aguiar apertasse as bandagens com mais força do que o necessário. Os nós firmes prendiam tecidos que logo se manchavam de um sangue vermelho que ele já não sabia a quem pertencia.

Sua audição aguçada mal precisou se esforçar para perceber os passos no assoalho. A madeira velha rangia, denunciando o caminhar lento em meio ao silêncio noturno. Sabia exatamente quem era; sabia também que aquela presença queria ser notada, pois a dona dos passos poderia se mover como uma pluma em ventania se assim quisesse. Incrível saber tanto, levando em  consideração os poucos dias de convívio tiveram. Talvez fosse culpa da intensidade que seus sentidos alcançavam neste lugar. Talvez conhecesse aquele outro alguém mais do que poderia acessar.

Jae sentou ao seu lado sem dizer uma palavra, e afastou as mãos grossas de Aguiar das bandagem, assumindo a tarefa.

— Você poderia pedir ajuda — disse Jae, os dedos leves afrouxando os nós dos curativos que mais pareciam torniquetes, deslizando pela pele em carícias suaves demais. Aguiar queria mais. Precisava se afastar enquanto tinha forças.

— Era proposital.

— Não vai sarar se você não der espaço pra pele se regenerar.

— Eu só preciso que não sangre — falou Aguiar, num tom vazio.

— Só não sangrar não é o suficiente para o que temos pela frente. 

Mais um nó era desfeito e refeito. Nunca havia reparado que Jae tinha habilidade em medicina. Se perguntou a quem aquilo estava atrelado. Corpo ou mente? Essas partes sequer eram dissociáveis ainda? Havia uma maestria delicada em seus gestos, como se aquele corpo fosse guiado por algo desconhecido, mais fundo.

Como se adivinhasse a sua indagação interna, Jae disse:

— Eu era enfermeiro. Meu “eu” agente. Me lembrei ontem.

O olhar de Jae permanecia fixo sobre as bandagens no peito de Aguiar. As gotículas atravessavam devagar as camadas do tecido fino. Odiava como o sangue precisava se fazer presente em todo momento nesse lugar. 

A noite era quente como todas as outras. Suor grudava os fios de cabelo desordenados em sua testa, mas, sob o olhar alheio, a sensação de exposição por estar sem camisa fazia até o sopro quente parecer gélido. Queria se cobrir. Mesmo que não houvesse mais nenhum corte à mostra, se sentia escancarado. Parecia que as bandagens não eram o suficiente para esconder suas feridas abertas.

— Até então, achei que não lembrava mais de nada sobre a enfermagem em si — continuou, Jae. — A memória me veio em flashes, sabe? Eram mais momentos, não conhecimentos. Só percebi que talvez eu ainda saiba de alguma coisa agora, cuidando das suas feridas. — Seu riso soou amuado, quase irônico. — Parece que voltaram para me redimir. Me desculpa.

— Não precisa — falou Aguiar. — Eu entendi.

— Entender não é perdoar… Não sou nem merecedora de qualquer forma.

— Perdão é pra erros propositais. O seu único erro, eu cometi também. Foi nosso.

— Você lidou com tudo tão fácil. Eu deveria ter sido mais forte.

— Não sei se eu aguentaria um pouco mais de força — um resquício de humor permeava a fala, meio sombrio, quase indevido diante a todos os acontecimentos recentes, mas mútuo. 

— Eu sei bem que você aguenta — a risada que dividiram era fraca e culposa, um mero ar que escapa o nariz, ainda assim, era quase acalentador.

— Podia até não parecer, mas foi difícil pra caralho pra mim também — Aguiar pausou, como se escolhesse as palavras, sua expressão meio distorcida pelo desgosto. — Aquela mulher… ela entra na sua mente até sem aquela porra de ritual. Enquanto eu tinha o sangue da Ana em minhas mãos, eu pensei em como poderia ser eu ali. Uma parte de mim queria só sucumbir e defender ela, a outra era dominado por uma puta necessidade de proteger vocês. Foi uma batalha de intenções muito mais desgrenhadas do que esperávamos.

Desde que tomara esse corpo, o conflito nunca cessara. Habitar o que não é seu era dilacerante. Lutar por uma causa que mal recorda era dilacerante. Amar pessoas que não conhecia, e que tampouco se conheciam, era dilacerante. Amar sem conhecer a si mesmo era insustentável. Fazia todas as linhas se borrarem e o certo e errado pareciam nada além de inexistente. Entregar seu corpo era dar a chave da própria alma. Não havia nada tão perigoso quanto se entregar assim.

— Por um momento, me senti tripartida. Um “eu-corpo” que não é “eu-mente” com um “eu” alheio tomando conta das minhas ações. Eu amava ela, odiava ela, enquanto quase matava quem amo por ela — Jae traçou os contornos da ferida no braço de Aguiar enquanto falava.

— Eu aceitaria morrer pelas suas mãos… eu entendia cada segundo. Mas só pela dor que vi no fundo dos seus olhos enquanto me atacava, enquanto atacava o Labirinto, pela raiva que senti quando vi ele se virando contra mim, que consegui resistir a voz no fundo da minha mente que me dizia que talvez eu tivesse escolhido o lado errado. Que eu deveria estar com ela.

— Ainda não acredito que fui capaz de fazer aquilo. Isso é doentio.

— Se você não tivesse entregado aquela dinamite, a gente tava fudido. Algo em você lutava pra resistir.

— Talvez ela estivesse errada, no fim das contas. Talvez o amor e o ódio andam lado a lado, mas de alguma forma, o amor ainda se sobressai.

— Imagino que deve ter sido… matar a quem ama é uma dor inigualável. Tua sorte é que o Labirinto é mais resistente do que parece.

— A nossa sorte, minha e do Labirinto, — corrigiu Jae, — é que além de forte, você é rápido e inteligente. 

— É diferente…

— O que exatamente é diferente?

Antes de palavras, a resposta veio em forma de um bufar, uma manifestação cansada da questão que perpassa sua mente desde o momento da primeira facada. Era um caminho perigoso esse que seguiam. Um campo minado onde um passo em falso levaria a resultados desastrosos. 

Sentia que se aproximavam da dor incorpórea que o atingiu antes da lâmina

— Você sabe. A morte dele alí, nas mesmas condições, te afetaria mais.

— Tá colocando palavras na minha boca. 

— Ele te consolaria. Vocês se entendem mais do que ninguém. Passaram pela mesma coisa naquela batalha. Vitimaram um aliado. Apaixonados por ela. Apaixonados entre si.

— E você não tava na mesma? Agora pouco disse que me entendia.

— Você precisa dormir.

— Ficar sem resposta não é o melhor acalento.

Aguiar não deu mais ouvidos, não tinha a intenção de ser rude mas não queria se arriscar. A noite já havia sido cheia o suficiente, dolorosa o suficiente, por que tocar nesse vespeiro? Não sabia se estava pronto.

Não esperava, porém, que quando enfim reunisse forças para dar as costas e seguir seu caminho, se depararia com Labirinto, os observando recostado no batente da porta, seu olhar distante agora encontrando os olhos de Aguiar.

— Há quanto tempo você tá aí? 

— Um minuto talvez. A intenção não era bisbilhotar. Ia avisar que todos já dormiram. — Ele tinha os olhos em Aguiar, enquanto Jae dividia a atenção entre as duas figuras — Por que é diferente? Vai em frente e se recuse a dizer, se quiser, mas…

O caminho que fez até a porta onde Labirinto se encontrava parecia durar quilômetros, mas ao alcançá-lo, desejou que durasse muito mais. Encarar ele tão de perto, sem estremecer em sua postura ou parecer disposto a liberar o caminho, era incômodo. Por que seus olhos nunca se alinhavam às suas emoções em momentos como esse? 

Aguiar foi amaldiçoado com a clareza em seu rosto. Todas as suas emoções eram escritas em seu semblante como um livro de capa transparente. Nada passava despercebido. Labirinto era o oposto. Seu rosto, mesmo trêmulo pelos tiques involuntários, pouco revela sobre si. Não era a primeira vez que o olhava de perto. Na verdade, aquele era quase um hobby pessoal seu; se entretia em tentar ler o seu rosto em toda discussão em grupo. Por isso sabia que a raiva dele era contida, muito diferente da própria. Que sua tristeza não lhe enrugava a testa. Que a felicidade, se chegou perto de senti-la nesses dias infernais, era irrastreável. O fato é que as únicas vezes que viu clareza em seu rosto, um sorriso desajeitado como andar de bicicleta pela primeira vez, foi depois de… Jae.

Mal reconhecia aquele que chegou à base com risada frouxa e cantadas bobas. Definitivamente, não era o mesmo que encontrou numa cela ferrada em São Paulo. Aguiar era o mesmo de quando o encontrou numa cela ferrada em São Paulo? Nada importa. Se as respostas para qualquer uma dessas perguntas viessem fáceis, você não estaria lendo isso.

— Já é tarde. Vão dormir — falou Aguiar, mas sem ousar forçar a passagem e ultrapassar Labirinto. 

— Do que você tanto foge?

Por um segundo, tudo ficou vermelho. Vermelho do sangue da Sabara em suas mãos. Vermelho da fome. Vermelho das bochechas e lábios de Jae. Vermelho do estigma. Vermelho dos resquícios de batom na boca de Labirinto. 

Do que fugia? Não tem como se tornar um desertor de um duelo se sempre foi o terceiro. O outro. Como ousava perguntar isso quando tudo o que Aguiar fazia era se agarrar ao fiapo de racionalidade que ainda lhe restava? Ele não tinha outra opção, essa noite tornou tudo claro. Enquanto estivesse naquele lugar, nunca estaria devidamente satisfeito. Toda tentativa de matar a fome o mataria em dobro. Essa noite foi a prova. Quando sucumbiu às seduções de Escarlata, soube estar caindo em um buraco muito mais fundo do que podia tatear. Nada bom vem sem consequências aqui. Se o amor era dor, sexo era ferida aberta, carne-viva. Tinha noção da cilada. Mesmo assim, não conseguiu resistir ao instinto animalesco que sussurrava: vai em frente.

A luz vermelha dissolvia todas suas restrições cuidadosamente colocadas. Escarlata ao seu lado com uma proposta indecente e Jae logo ali, a uma pergunta de distância. Aguiar podia. Ele queria propor. Por que não? Escarlata era uma ânsia. Jae, um anseio — não eram sinônimos. E nos instantes prévios a aceitação, conjurou cenários. Se perguntou se fora assim que aconteceu com Jae e Labirinto. Quem propôs? Eles sentiam essa mesma vibração? Como Labirinto responderia se a pergunta fosse direcionada a ele? E se fosse ele ao invés de Escarlata? No fim, eram só perguntas vazias. Ele fez o que fez porque pode e quis, enganado por uma falsa sensação de livre arbítrio. Não existe vitória em um jogo sanguinário por essência e o gozo vitorioso quase resultou em sua morte, direto das mãos a que havia se entregado horas atrás. 

Não podia colocar tudo a perder. Não podia arriscar perdê-los de novo. 

— Da primeira vez que eu coloquei a máscara, eu senti uma fome. Era como se cada gota de do meu corpo vibrasse por mais. Achei que era só fúria. Eu queria matar. Sabara bem na minha frente, com meu próprio sangue escorrendo pelo seu queixo, e tudo que pude pensar foi “talvez não sejamos tão diferentes”. Quando tirei a máscara, achei que a sensação sumiria, mas ela ainda estava lá. Diferente. Eu ainda queria o sangue, eu ainda queria causar medo, mas queria mais. Aí vi vocês, chegando de manhã, saciados… e eu entendi — falou Aguiar, e ao fim da fala tinha um sorriso irônico no rosto. — É difícil explicar o que me veio depois. Não era raiva, nem ciúmes. Era uma terceira coisa, pior. A fome que eu sinto quando coloco a máscara já me assombra dia e noite. Não é justo… que vocês me alimentem com migalhas, sabendo que eu vou voltar por mais. Não posso me entregar se as mãos que me recebem são as que me ferem.

— Você não é o único faminto — respondeu Labirinto. — Essa sede constante por sangue… eu entendo. Todos nós entendemos. A máscara me chama a todo instante. Ela me dá certezas quando achei que nunca encontraria, um poder que nunca senti antes. Mas enquanto eu tiver capacidade de tirar aquela porra, mesmo que seja pra voltar a uma situação deplorável e fraca como a que estou agora, eu vou tirar. Por vocês. Porque só o sangue daqueles filhas da puta na minha mão não matava meu desejo de ouvir a sua voz sem a distorção da máscara, de ver o rosto de Jae sem estar coberto pelo capuz…  

Aguiar não sabia dizer se estava perdido demais no eco das palavras de Labirinto ou no seu olhar, que só desviava quando os tiques o interrompia, ou em controlar a vibração em seu corpo que o induzia ao erro. Deve ser esse o motivo que, dessa vez, os passos de Jae se tornam indetectáveis para seus ouvidos treinados mesmo no assoalho barulhento. Foram as suas mãos que anunciaram a presença, abertas em seus ombros tensos, deslizando-as em uma carícia delicada demais para seus músculos rígidos. Jae apoiou o queixo sobre o ombro de Aguiar antes de dizer:

— Você não precisa se contentar com migalhas se o que estamos oferecendo é mais que isso.

Patético. Ainda era fraco. Impulsivo demais. Uma frase e todas as suas restrições vieram abaixo outra vez. Puxou Labirinto pela nuca até que a diferença de altura entre eles não fosse mais um empecilho. A satisfação de Aguiar veio antes do encostar de lábios, ao perceber o semblante impassível de Labirinto ruir com a quebra de expectativa. Surpresa e, então, deleite. Sua boca estava longe de ser macia, tinha gosto de ferro e palavras não ditas, quase tudo que Aguiar precisava provar. Labirinto correspondia com tamanha voracidade que quase o fazia acreditar que o desejava tanto quanto. A presença de Jae, que se afastou minimamente no início do beijo, era quase um incentivo. Devia haver algo de muito errado com eles, era a unica explicação para aquilo parecer tão certo.

Quando, com um suspiro, afastou-se o beijo, o olhar de Jae foi a primeira coisa que buscou. Suas expressões, assim como as de Labirinto, nunca foram fáceis de ler. Não porque não as exibia, pelo contrário, mas por todo semblante parecer conciliar em si um caráter dúbio. Naquele momento, porém, Aguiar não tinha dúvidas do que viu. Era pura satisfação e adrenalina, como receber um presente que por muito tempo desejou. Mas que as análises ficassem para depois, no momento, só queria se render um pouco mais.

As mãos de Jae o seguraram pelo rosto e os lábios, agora, macios foram de encontro aos seus, e o gosto de sangue ainda estava lá. Seu beijo era lento, quase lento demais. Dominava o ritmo como bem entendesse, uma demonstração implícita de controle na mais delicada das formas. Os dedos firmes, que se mantinham em seu rosto, o afastou. Jae não precisava ser mais alto ou mais forte que nenhum dos dois para tê-los nas mãos. Assim, trouxe Labirinto para perto do mesmo modo que trouxe Aguiar. 

Foi no encontro dos três que Aguiar teve certeza: era aquilo que tanto almejava. O gosto de sangue permanecia, denso na língua, recusando-se a ser esquecido. Um aviso. Não havia pudor, apenas mãos exploradoras, suspiros pesarosos e línguas quentes. Era um banquete servido em uma noite faminta. Muito tarde para recuar. Sabia da sede que viria depois, mas nesse instante só lhe restava saborear. Tiraria todo proveito possível da embriaguez de sua saciedade ilusória, mesmo que ela não mais o enganasse. 

Se for o preço de provar esse sabor, estava disposto a pagar com sangue.



Notes:

kudos e comentários são muito bem-vindos! o que acharam?

a ideia pra essa fic veio dps do ep 7. sou apaixonada nessa dinamica triangular complexa e eu PRECISEI escrever algo. ia ser só uma oneshot, mas aí veio o ep 8 me dando mais inspiração pra um angst tóxico do jeitinho q amo, então talvez venha mais por aí.

espero que tenham gostado!!