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Not Strong Enough

Summary:

Matheus fala finalmente com Robilson sobre o que o pai faz com ele.

Work Text:

Matheus tinha perdido a competição. Todos os seus amigos assistindo ele falhar não estava nos seus planos. Segundo lugar? Não era suficiente. Os seus amigos celebraram com ele, até convidaram para um jantar celebratório, mas o Matheus só conseguia pensar em uma coisa. O pai dele vai estar puto.

Mesmo ele não estando lá, Matheus sabia que ele queria que ganhasse todas as competições, até as que ele nem se importava em comparecer. Então disse que estava cansado e que podiam jantar sem ele se quiserem. Precisava dormir, ou algo do tipo… Matheus não lembra muito bem que desculpa ele usou. A única coisa que ele lembra era que quando chegou em casa o pai pediu para ele tirar a camisa, e Matheus fechou os olhos esperando o que era pra vir. Usando as unhas dele, ele abriu a cicatriz de novo, fazendo com que o Matheus gritasse, ele sentia o sangue descer pelas costas dele até que o pai ficasse satisfeito.

Depois ele limpou o máximo que conseguia, e enfaixou como a Marcela havia o ensinado. Estava mal limpado, mas dava para aguentar até secar de novo. Normal. Não tinha problema. Só precisava ser melhor na próxima. Mesmo assim, o pai o mandou voltar para o ginásio para treinar sozinho com as costas doendo como castigo. Então Matheus fez sua mochila de treino e começou a ir a pé para o ginásio.

Lágrimas caíam no chão, e ele sabia que não ia aguentar. Foi aí que ele lembrou que o namorado morava no caminho. Agora a rota era outra. Chegando na casa do namorado, ele sabia que a mãe dele provavelmente estava dormindo, então mandou uma mensagem.

tou aqui fora vida
tem como tu abrir a porta
n queria acordar a sua mãe 😓

Quando recebeu a mensagem de Matheus, Robilson se levantou imediatamente da cama. Era estranho o namorado vir uma hora dessas sem avisar. Ele abriu a porta da frente num solavanco.

Matheus toma um susto, mas age como se nada tivesse acontecido, — Oi amor… desculpa não avisei que ia vir. Aconteceu um negócio no trabalho do meu pai e decidi aproveitar e dormir aqui.

Com o olhar, Robilson o examina dos pés à cabeça e nota a postura forçada dele, — Oi… Você se machucou? — pergunta com uma feição preocupada.

— Ah. — Matheus da uma risadinha tentando acalmar o namorado — Não não, só tou com dor nas costas

A feição preocupada de Robilson não desmancha. — Vem, entra.

Ele entra na casa, dando um beijinho no namorado para tudo parecer normal. Agora de perto, Robilson segura o rosto dele com as duas mãos e passa levemente os dedos pela região abaixo dos olhos de Matheus. — Os teus olhos tão inchados.

Matheus faz um barulho concordando, já começando a desistir de esconder. Nas mãos do Robilson ele se sente tão seguro… — Tá doendo ainda.

As mãos deslizam do rosto, para o pescoço e depois para os braços de Matheus. — Você não estava assim hoje mais cedo… O que aconteceu?

— Não ganhei. — Ele simplesmente responde, se derretendo por completo, ele sentiu que ia chorar de novo.

— Matheus — O coração de Robilson começa a bater mais forte, em desespero. — Posso ver as tuas costas? Ele suspira antes de concordar com a cabeça, ele se vira lentamente e levanta a blusa dele, mostrando as bandagens que estão vermelhas de sangue. As mãos de Robilson começam a tremer, numa mistura de raiva e preocupação. Ele puxa uma das cadeiras da cozinha, pega o kit de primeiros socorros e coloca em cima da mesa. — Senta.

Matheus abre a boca como se fosse discordar, mas vendo a cara do namorado, ele sabia que não tinha escolha. Ele senta na cadeira, soltando um barulhinho pequeno por causa do movimento. Em silêncio e respirando pesadamente, Robilson começa a retirar as bandagens sujas de sangue e revela a enorme cicatriz aberta, crua e castigada, alguns pontos soltos, como se tivessem sido remendados várias vezes e mesmo assim continuavam abrindo, eram marcas de ódio feitas por alguém cruel. Ele estava com medo de estar certo sobre quem era essa pessoa, ele não conseguia entender, se for essa pessoa mesmo, se for o pai de Matheus, como ele era capaz de fazer algo assim com o próprio filho? Com cuidado e carinho, Robilson limpa cada pedacinho das costas de Matheus, depois a enfaixa com bandagens novas. Ao finalizar o processo, puxa uma cadeira para ele próprio se sentar em frente ao namorado, e segura as mãos dele da forma mais delicada que conseguia. — Matheus, você pode me contar quem fez isso?

— Você tem que prometer não ficar com raiva.

— Você sabe que não vou conseguir prometer isso…

Matheus parece segurar o choro antes de falar baixinho — Foi meu pai…

Robilson tranca a respiração e tenta ao máximo se acalmar pelo namorado. Matheus era a prioridade agora, não a raiva que estava dominando o seu corpo. Ele o segura pela nuca, o aproxima para o seu pescoço e esconde o rosto dele ali. Lentamente, começa a acariciar o cabelo dele. Era uma tentativa de um abraço improvisado que não o machucasse mais ainda. — Você sempre vai poder chorar o quanto quiser do meu lado, não precisa se segurar.

Ele finalmente se solta, chorando no ombro do namorado, e agarrando a blusa dele. Matheus não consegue formar frases completas, só soltando — Tá doendo... Robilson continua a fazer carinho nos cabelos dele enquanto o escuta chorar. Ele segura o próprio choro ao ver o namorado ferido e dessa forma tão vulnerável, a culpa o invade por não ter feito nada para protegê-lo. Robilson nunca gostou do pai de Matheus, talvez se tivesse prestado mais atenção ou se fosse alguém mais inteligente, poderia ter evitado isso. Não se sabe quanto tempo passou, se foi 5min ou 5h, os dois continuaram abraçados até Matheus conseguir se acalmar pelo menos um pouquinho. — Vou chamar o Rafael ou o Rowan para nos levar para a Ordem. Está tudo bem para você? — Sussurra perto do ouvido dele.

Ele só balança a cabeça no ombro dele, — Ok…

Sem demorar, mas com muita dor no coração por ter que se separar do namorado, Robilson busca o celular e liga para Rafael. Matheus fica sentado no lugar dele, mexendo com os dedos, nervoso sobre ir pra ordem nessa hora. — Ele disse que está vindo — Robilson volta e se senta mais uma vez na frente do namorado.

— Ok — Matheus concorda com a cabeça, e depois deita no ombro do namorado de novo que também volta acariciar o cabelo dele. Robilson quer muito falar para Matheus tudo que está pensando, mas ele o conhece muito bem para saber que não é um bom momento e por isso ficar em silêncio — algo que sabe fazer muito bem — é a melhor opção. Ele nunca mais quer ver o namorado ser machucado por alguém que deveria amá-lo, nunca mais vai deixá-lo pôr os pés naquela casa sozinho e vai implorar para a Ordem ajudá-los a tirar a mãe dele de lá para que os dois possam se recuperar juntos em segurança, longe daquele homem.

Quando o Rafa chegou, Matheus não falou nada, ficando como ele estava, perto do Robilson. Rafael não mediu esforços em acelerar até o local que havia sido chamado, dessa vez com um dos carros da Ordem e não com a van, o que era um milagre. Ao chegar, desceu sem enrolar muito, indo de encontro a eles. — Tudo bem? — Falou baixo, num tom ameno e tentando ser receptivo. — Querem ajuda pra ir pro carro, meninos?

Robilson nega com a cabeça e auxilia sozinho Matheus até o carro. Matheus só se apoia no namorado, sem pensar muito. Quando ele senta lá dentro, chama o Robilson pra ficar com ele, que não demora para entrar junto, mas antes disso sussurra um pequeno “Obrigado…” para Rafael. Ele balança a cabeça em resposta, fechando a porta do carro e entrando no banco de motorista. Sabia que algo havia acontecido, mas não tinha como forçá-los a falar o que fosse. Vagarosamente ele soltou um suspiro, batucando no volante enquanto dirigia. — É pra serviço médico?

— Sim… — Robilson responde, sem dar mais detalhes. Ele assentiu, seguindo em silêncio por mais um tempo e acelerando ainda mais o carro em direção a Ordem. Quando chegaram, ele abriu a porta, oferecendo ajuda para levar Matheus do carro.

Matheus muda para se apoiar no Rafael, — Desculpa…não queria atrapalhar tanto assim. Não tá ruim.

Robilson bate a porta do carro — Você nunca atrapalha e eu vi como tá… Tá péssimo. — Ele fala a última parte mais baixinho, olhando diretamente para Rafael.

Rafael entendeu rápido, apoiando Matheus por um tempo até resmungar e apenas o pegar no colo, segurando em suas pernas para não apoiar nas costas e o levando para dentro, mantendo Robilson ao seu lado. — Você nunca atrapalha, nem a mim, nem ao Robilson, nem a ninguém. Mas precisa falar com a gente para te ajudarmos.

Matheus murmurou — Eu sei… Mas eu estava resolvendo.

Ele faz um carinho leve em seus cabelos, suspirando. — Você é da nossa equipe, não é? Então não precisa resolver sozinho. —

O sentou na maca assim que chegaram na enfermaria, olhando em seu rosto. — Você não precisa se lançar tão longe. — A gente sempre vai estar aqui para você —Robilson segura a mão dele e a acaricia.

— Mas eu estava ganhando então não tinha problema, mas eu vacilei muito nessa de hoje… claro que meu pai ia ficar com raiva — Matheus admitiu, sem olhar a cara de ninguém, — Eu devia ter feito melhor

— Matheus… Você foi o melhor, você é o melhor. O que teu pai fez não é normal e não foi culpa tua… Jamais. Ninguém pode te tratar assim. Ninguém. — A voz de Robilson soou quebrada, ele estava se esforçando para encontrar as palavras corretas. Matheus só engoliu, ficando em silêncio, sem saber como responder. Rafael se esforçou em não responder, cuidadosamente começando a tirar a camisa dele para dar de cara com o machucado. Não reagiu ao vê-lo, se adiantando sem chamar Marcela a começar a limpar as feridas com extremo cuidado. — Preciso fazer uma pergunta, Matheus.

Matheus respira fundo quando o Rafael começa a limpar, — Diga… Ele limpou a garganta, sem olhá-lo diretamente, apenas limpando as feridas da mesma forma. — Você quer que eu faça algo sobre isso, ou você quer que eu continue fingindo que isso não aconteceu?

— Minha mãe tá lá, sou eu que cuido dela, se eu sair… eu acho que ela morre debaixo do cuidado dele. — Matheus fica em silêncio por um momento — Não quero que meus irmãos fiquem aqui.

Rafael acabou de limpar em silêncio, olhando para ele e soltando um suspiro. — Eu te dou todo o suporte para você e quem você quer sair de lá, todo ele. — O encarou, tentando manter uma expressão mais calma mas claramente bravo. — Quem garante a você que ele não faria o mesmo com o resto da família?

Ele pensa um pouco — Você consegue tirar a mãe de lá? Ele mexeu um pouco nos remédios, começando a passar uma loção nas costas de Matheus, assentindo breve. — Consigo, eu só preciso que você me diga o que fazer, o que você quiser e achar melhor, nós damos um jeito.

— Talvez falar com a Veríssimo pra ela ficar aqui? — Matheus pensa em voz alta — Melhor não né? Vai atrapalhar… já vão fazer os meus pontos de novo…mas dessa vez os pontos ficam, juro.

Rafael o observou, erguendo uma mão. — A gente vai falar com a Veríssimo, caso ela não fique aqui na enfermaria, eu faço questão de pagar um hospital pra sua mãe ficar, Matheus.

— Ele deixou as gazes de lado, olhando para ele. — Não deixa isso tudo tomar sua cabeça. — Ele se virou, indo em direção a Marcela e avisando sobre o machucado, parando um pouco mais afastado para o olhar.

— É muito dinheiro — Matheus cisma, ele ainda parece desconfortável que eles sabem. Era para ele se resolver, não gostava de pedir coisas pro Rafael nem do Robilson. Ir para a casa do namorado era só para ficar perto dele, não achou que estaria na ordem. Rafael não responde sobre o que ele fala, segurando o celular e o observando de forma atenta enquanto digitava.

— Escuta o Rafael… Tenho certeza que vamos dar um jeito — Depois de ficar um tempo em silêncio observando o mais velho cuidar do namorado, Robilson decide falar. Ele dá uma apertadinha na mão de Matheus para demonstrar apoio.

Ele parece começar a chorar de novo, — Eu devia ter falado antes… mas a gente resolve.

Robilson mas uma vez se vê segurando as próprias lágrimas ao ver o namorado começar a chorar de novo, ele não consegue mais pensar em formas de respondê-lo verbalmente, então se senta no canto da maca e passa um dos braços pelos ombros de Matheus, trazendo-o para perto do seu pescoço em mais um abraço. Matheus coloca a cabeça no ombro do namorado de novo, respirando fundo para tentar se acalmar — Eu posso ficar na sua casa, né?

— Claro que sim, para sempre… se você quiser. — Quero ficar com você… — Matheus parece tá com muito sono, se aconchegando mais no Robilson, antes da respiração dele ficar mais tranquila e dormir nos braços dele.