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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of slow motion (i’m watching our love)
Stats:
Published:
2025-12-21
Words:
534
Chapters:
1/1
Comments:
10
Kudos:
96
Bookmarks:
4
Hits:
536

state of grace

Summary:

Lorena e Juquinha lendo poesia.

Notes:

Li ‘Poesia Escolhida’ da Adélia Prado e alguns dos poemas me lembraram elas. Escrevi de brincadeira e não ia postar, mas na cena de hoje aconteceu uma coincidência tão grande que me deu coragem pra compartilhar pelo menos um trechinho… Enfim, espero que gostem <3

Work Text:

Lorena estava de bruços na cama, folheando um livro gasto. Eduarda apareceu atrás dela, se deitando ao lado e apoiando o queixo no ombro da namorada.

"O que você tá lendo?"

"Adélia Prado."

"De novo?" Eduarda passou o braço pela cintura de Lorena, puxando-a mais pra perto. "Você é obcecada."

"Ela é muito boa!" Lorena defendeu, rindo, virando a cabeça para olhar para Eduarda. "Olha só esse aqui, é curtinho." Começou a ler. "Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento."

Eduarda ficou quieta, processando. Os dedos dela desenhavam círculos distraídos na cintura de Lorena. "Sua mãe concorda com isso?"

"Minha mãe é uma romântica incurável." Lorena riu, mas havia algo melancólico no som. "Ela adora poesia, adora romance. Acho que por isso ela aguenta meu pai."

"E você? Concorda?"

Lorena finalmente virou o corpo pra ficar de frente pra ela. "Antes eu achava meio bobo. Mas..." Ela deixou a frase morrer no ar, os dedos brincando com uma mecha do cabelo de Eduarda.

"Mas?" Eduarda se aproximou, provocando, mordiscando o lábio inferior de Lorena rapidinho.

"Estou sendo convencida." Lorena murmurou contra a boca dela.

"Por quem?"

"Por uma investigadora bem insistente." Lorena roubou um beijo mais demorado dessa vez.

Eduarda sorriu contra os lábios dela e roubou o livro da mão de Lorena. "Isso é evidência agora.” Folheou algumas páginas com uma mão, a outra ainda firme na cintura da namorada. "Lê esse aqui." Apontou aleatoriamente.

Lorena pegou o livro de volta, os corpos ainda colados. Leu: "Quando nasci meu pai e minha mãe me deram um nome. Eu não queria, queria que me deixassem crescer sem nome, até que eu mesma me conhecesse."

Eduarda ficou quieta. Os dedos pararam de se mover na cintura de Lorena. Depois de um momento, ela beijou o ombro da namorada, devagar, e murmurou contra a pele: "Esse é realmente muito bom."

Lorena segurou o livro com mais firmeza, apoiando ambos os cotovelos na cama, folheando à procura de algo específico. Eduarda se acomodou ao lado, a cabeça apoiada na mão, observando em silêncio. Quando Lorena encontrou o poema, hesitou por um segundo. 

"Esse aqui..."

Virou de lado pra ficar de frente pra Eduarda de novo. Respirou fundo e leu: "Sempre fui noveleira. Hoje não preciso de enredo, basta-me a impressão que deixo em você."

Silêncio.

"Lê de novo." A voz de Eduarda tinha mudado - menos brincadeira, mais atenção. Ela puxou Lorena mais pra perto, entrelaçando as pernas das duas.

Lorena leu. Mais devagar dessa vez, os olhos fixos nos de Eduarda.

"É sobre a gente?" Eduarda perguntou, e havia algo vulnerável na voz. A mão dela subiu pro rosto de Lorena, o polegar acariciando a bochecha.

Lorena fechou o livro, deixando ele cair em algum lugar da cama. "Não sei." Cobriu a mão de Eduarda com a sua. "Mas quando li, pensei em você."

Eduarda sorriu - um sorriso enorme que ainda deixava Lorena meio boba. Puxou ela pra um beijo lento, demorado. Quando se afastou, ainda perto o suficiente para sentir a respiração uma da outra, perguntou: "Quer ler mais um?"

"Não. Quero outra coisa." Lorena admitiu, e beijou Eduarda mais uma vez.

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