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Temperatura, Coloração e Sensações

Summary:

Jasper se preocupa demais com Remi e seu modo orgulhoso de resolver as coisas durante missões.

Ou

Um momento entre Jasper e Remi acaba rendendo mais do que já era costume da dupla.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Jasper sentia seus músculos se retorcerem sob sua pele – uma sombra de sensação quase esquecida nos confins de sua consciência, – ao ter seus pés derrapando contra o piso de terra batida. Areia encheu o ar conforme o albino empurrou o corpo de volta para cima, ignorando as pedras de tamanho ridiculamente pequeno que grudaram contra sua palma; seus óculos salvando os olhos azuis e relativamente sensíveis de terem uma guerra territorial com o material poroso.

Porra.

Suor se misturava a sangue em sua têmpora e ele podia jurar que tinha algum tipo de machucado contra sua costela, porém havia uma pressa empurrando suas veias que o tornou incapaz de sentir muito mais que preocupação. Não. Havia uma palavra melhor para aquela queimação pesada em seus pulmões: Desespero.

Mesmo estando a uma dúzia de centenas de quilômetros do litoral, o som assustador de ondas quebrando na praia inundavam o seu cérebro e faziam com que seus joelhos urgissem naquela necessidade desgraçada de travar. Parar, se manter a salvo, distante, porque só isso era justificável dentre o possível futuro. Era mais fácil lidar com a culpa de chegar tarde demais do que com a possibilidade de presenciar algo ruim, certo?

Errado. Ao menos quando se tratando do moreno de ego inflado com rituais esquisitos e um braço mecânico – que ele egoistamente apelidou de Fantasma, mas ninguém além do próprio Jasper precisava saber dessa informação. Se estivesse morto, Remi seria capaz de reerguer-se das cinzas de um caixão de vala rasa para lhe puxar o pé durante as noites pelo resto de sua vida caso sequer cogitasse sobre.

Ele era teimoso assim. Num nível que nem a morte podia controlar.

O albino contava com isso, agora mais do que nunca.

Apenas um segundo mais tarde, a cabana em pedaços surgiu na visão dos olhos azuis – suja, velha e acabada. Outra vez, seus pés quiseram fincar-se ao chão e não se mover, provavelmente protestando contra o peso da arma e correntes que carregava em uma desculpa ligeira para o medo em sua espinha. Separarem-se seria, para sempre, a única pior ideia dada por qualquer agente daquela merda de Ordem.

Isso, mais a ideia de deixarem-lhe ao volante – no entanto essa parte não era pertinente ao momento. 

Botas faziam barulho contra a estrada seca e, quando se deu por si, Jasper usava um dos pés calçados para chutar a porta de entrada. Desnecessário, já que ela se encontrava entreaberta e, ainda que não estivesse, claramente cederia com um empurrão menos escandaloso.  Nada que seu cérebro conseguisse associar naquele instante, porém.

O quarto estava uma bagunça de poeira, madeira apodrecida, símbolos malfeitos e uma enorme quantidade de sangue com cheiro fétido. Com sua alta sensibilidade a odores fortes, o homem retorce o nariz e fica a um passo de produzir uma careta completa, mas a ausência de presenças ali expulsaram a sensação de ânsia com veemência.

“Não, caralho- Remi? Remi!” Jasper vocaciona alto, soando quebrado ao silêncio quase ensurdecedor do lugar pelos pulmões afetados na corrida.

Ele dá giros sobre o próprio calcanhar para buscar por qualquer silhueta que houvesse naquele lugar, mesmo que fosse apenas um topo de fios castanhos escondidos em uma mobília destruída no piso irregular. Era a única coisa que ele queria e precisava ver.

Uma pedra atravessa o espaço que deveria representar uma janela, vindo do outro lado do casebre, fazendo alguns saltos antes de parar no meio da bagunça. Não era exatamente a resposta que ele gostaria de receber, mas era alguma coisa, então não há nenhum segundo gasto para que ele corra até o vão.

“Remi?!”

Havia urgência em sua voz, algo cru e dolorido e que, de formas desconhecidas para si, alcançava a parte posterior de seus olhos e os fazia esquentar como se surgissem centenas de ciscos simultaneamente dentro de sua pálpebra. Qualquer um que o ouvisse reconheceria o temor a uma distância considerável.

Ali, no que deveria ser considerado um quintal reservado e morto, a bagunça de sangue tomava o piso em uma lama viscosa carmesim. Tinham olhos e músculos e pedaços de sistemas nervosos em todos os cantos, desde o galho mais alto de uma árvore sem folhas a alguns passos de distância até o rapaz sentado contra o tronco.

Jasper encontra os olhos castanhos de imediato – um fato curioso, já que é quase impossível discernir algo dentre a bagunça de vermelho e sombras naquela noite no interior de São Paulo, – e se vê sendo encarado de volta. Sabia que estava recebendo um sorriso do colega, nem precisava de uma visão clara para isso, portanto apenas balançou a cabeça em negação e saltou da formação de janela. 

‘Pelo menos não tem nenhuma outra ameaça a vista além dele mesmo’, o albino pensa de imediato, se aproximando com menos urgência.

 “Porra. Algo desse sangue todo é teu?” 

Remi nega com a cabeça, erguendo a mão direita para tentar limpar a própria pele. Idiotice, claramente não vai funcionar. “O pessoal saiu para te procurar.”

O timbre rouco e cansado mal tomou forma no vento e, caso não tivesse se esforçado, Jasper sequer teria entendido o que estava sendo dito. Isso que acontecia quando alguém completamente focado em ser um gênio absoluto e arrogante se envolvia em uma batalha física maior do que era capaz de aguentar, só que este era outro fato que ele trancaria no fundo de sua mente em prol da funcionalidade da missão.

Em outras palavras: Guardaria as piadas para depois que tivesse certeza de que o moreno não estava à beira da morte.

“Certo.” O agente escorrega uma foice perto do final de sua camisa, arrancando um pedaço de tecido para ajudar o outro a se livrar do sangue da criatura. “Tem alguma coisa doendo?”

Por mais que transparecesse algum tipo de controle – o que não era de seu feitio, – o rapaz ainda sentia seu coração cavalgar contra seu peito, a sensação de pânico se agarrando a ele como uma amante de um marinheiro antes que a embarcação parta. Suas mãos tremem, mas ele conseguiria culpar o esforço físico por isso. 

Remi deixa que sua atenção siga os movimentos do albino enquanto responde que sobreviveria. Apenas isso. O maior jurou conseguir ouvir o suspiro apático que Lena soltaria neste exato momento caso estivesse presente e, por um breve instante, se questiona se não seria pertinente imitar o modismo da mais velha.

“Não foi o que eu perguntei, Remi.” Jasper sussurra em certa exasperação, tentando livrar a face bronzeada do carmesim exótico. ”Já te disse que você não pode morrer, caralho.”

Olhos castanhos cintilam na luz baixa, o encarando de volta quando ele termina a atividade. Aquele sorriso insistente colorindo a pele ainda manchada, como uma zombaria sempre presente. Nenhuma surpresa.

“Você cortou sua camisa.” 

O albino olha na direção da parte faltante de tecido, percebendo a própria pele com alguns roxos menores aqui ou ali. Nem havia sido algo longo o suficiente para alcançar sua costela mais baixa. “Sim. Para limpar seu rosto, por quê?”

Aquele inclinar de queixo orgulhoso do outro surgiu, previsível, conforme Remi começava a se preparar para levantar. Jasper se prontifica instantaneamente a ajudá-lo.

“Eu estou vestindo um casaco, Jasmin.” O agente pontua como se fosse dono da razão, abusando do apelido que seu colega já havia admitido odiar. Covarde.

“Se fosse para sujar ainda mais, eu usava terra, Ratatouille.”

Remi está com as costas contra a árvore seca, tentando recuperar o fôlego em silêncio por um instante até que toda a persona inalcançável se desfaz em um sopro afiado do que poderia ser considerado uma risada. Não dura mais que um segundo, pois uma careta se molda no rosto angular e o moreno leva o braço esquerdo para a lateral do corpo.

Então tem alguma coisa doendo. Não que ele soubesse o que fazer com essa informação além de bater o pé no chão e contar para Lena quando a encontrasse, tal qual uma criança entregando o machucado do amigo para um responsável.

“Vem, a gente tem que achar a Branca-” Jasper checa os arredores com rapidez, tentando encontrar algo que fosse preocupante ou ignorável naquele cenário todo. “Você consegue andar?”

Remi estica o braço direito para alcançar o pedaço de pele exposto no torso alheio, mergulhando os dedos enluvados por debaixo do restante da camisa para ter como puxá-lo para perto. O albino não tenta resistir, se é que isso era uma opção, mas se dá o direito de arquear uma sobrancelha sem cor e pender o rosto para o lado – qualquer arrepio que tenha percorrido sua coluna não sendo da conta de ninguém além do próprio.

“Se a Lena te ouvir chamando ela assim, você dorme quieto pro resto da vida.” O moreno murmura, passeando sua visão pelo rosto limpo e quase etéreo à luz da lua, apertando os olhos em direção ao pequeno corte na testa do colega. “Tem sangue aqui.”

“E aqui. E aqui.” O rapaz retruca, apontando para partes específicas do corpo alheio que ainda estavam cobertas de sangue. “E aqui-”

“Esse não é meu, não conta.”

“Então por que não me deixa ver o que você ‘tá cobrindo?”

“Você vai se preocupar por nada. Aliás, pancadas na cabeça são bem mais perigosas do que qualquer outra.” Remi murmura, sem parecer incomodado com a proximidade que tinham. “E você não sabe porra nenhuma sobre cuidados médicos, sabe?”

Jasper gostaria de ser capaz de dar um soco naquele rosto convencido, talvez pôr alguns centímetros a mais entre eles até que seu coração voltasse a um ritmo cientificamente aceitável. Ou até que estivessem limpos; livres da viscosidade esquisita que os cobria e da arrogância chata personificada diante de si.

“Eu podia tentar.”

Perante a resposta quase sussurrada, a feição orgulhosa decai a uma expressão séria, sem sorriso ou o inclinar familiar do queixo com resquícios do que seria uma barba tentando existir. O albino estaria mentindo se não dissesse ter se sentido julgado. Tudo bem que ele não era o melhor prestador de serviços medicinais no mundo, nem na Ordem, nem na equipe; porém devia ao menos conseguir evitar que alguém morresse, certo?

No entanto, interrompendo a linha sequencial de ideias que o faziam se convencer de que era excruciantemente ruim e inútil para certas, senão quase todas, situações que decidiriam sobre a vida ou morte de alguém importante para si; a mão de couro gelado se desgruda de sua pele. O agente sente a ausência ainda mais pesada que as correntes em seus ombros, além do frio que a umidade havia deixado para trás contra a brisa noturna.

Aquela mesma mão, contudo, pousa na lateral do pescoço envolto na gola alta de tecido escuro, polegar pressionado contra a mandíbula de tez esbranquiçada. O brilho que tomava os olhos quietos seguia inabalado quando Remi curva a cabeça, indicando silenciosamente que Jasper faça o mesmo, para tocar sua testa com a alheia.

É um contraste completo de temperatura, coloração e sensações.

A atividade já era quase que um costume para a dupla àquela altura, portanto o albino apenas deixa que o contato silencie sua mente barulhenta e fecha os olhos azuis. É o tipo de liberdade que você toma quando a confiança se faz tão presente quanto um corpo vivo, a ideia de segurança inata que jamais seria abalada. Vulnerabilidade, uma promessa de certeza.

Certeza de que o ar ainda percorria as vias respiratórias e pulmões um do outro, de que o coração não havia se estagnado, de que ainda poderiam fazer tudo de novo mais uma vez. Só que houve uma diferença: a queimação.

Jasper soube estar sendo encarado durante todo o curto tempo em que estiveram ali, percebendo o movimento constante e fantasma dos olhos fantasmas do outro lado das janelas de vidro retangulares de seus óculos. Isso fez com que ele abrisse os próprios mais uma vez, encontrando aquela imensidão reclusa que Remi possuía ali, escondido de todos pelo disfarce de brutalidade que vestia todos os dias, a todo momento. Ele gostava de pensar ser a exceção desse uso.

“O quê?”

Mas o moreno não respondeu de imediato.

O agente desliza as falanges de sua locação no pescoço por um trajeto que alcança a garganta e segue para cima até o acessório oftalmológico, pressionando contra a haste para removê-los da face alheia sem nunca se afastar mais que o necessário. Jasper pisca – em confusão e porque, repentinamente, era difícil demais conseguir realmente focar em algo, – tentando pescar seus óculos da posse de Remi.

Ato esse que foi ligeiramente detido pelo moreno, que empurrou sua testa levemente em um aviso para que ele ficasse quieto, voltando com a palma para o pescoço do albino no segundo seguinte. Sem o empecilho do óculos, porém, era extremamente fácil que não fosse plenamente reconhecido um limite de proximidade entre a dupla. Um perigo, por razões que nenhum deles gostaria de nomear em um futuro próximo.

“Você é bom demais, Jasmin.”

Jasper decidiu ignorar o apelido, mais concentrado em como cada palavra dita esquentava o inferior de seu rosto. Sua voz é quase inexistente ao responder:

“Engraçado você falar isso logo depois de me deixar cego.”

“Là où le regard s’arrête, le cœur continue.” Remi vocifera, ainda relativamente sério.

Crítico demais contra alguém que não entendeu uma única coisa dita, que não esperava muito mais do que já tinha, que só conseguia aceitar sem pedir uma adição. Alguém que não preparou o fôlego necessário para o beijo que o moreno iniciou.

Cortar a distância mínima entre eles não foi um problema, apenas um inclinar fácil e certeiro já era o suficiente; o complicado foi lidar com o depois. Desde o gosto ao toque em si.

Quando Jasper recobrou a noção de que ainda era um ser humano com livre arbítrio, suas próprias mãos se livraram de qualquer corrente ou coisa que ele tivesse interesse anterior em segurar apenas para segurarem o rosto e lateral do corpo alheio, abraçando-o contra aquele tronco esquecido de árvore para findar por completo o ar entre eles. Uma bagunça feita de muito mais do que temperatura, coloração e sensações.

Para a surpresa de ninguém, o ósculo ligeiramente se tornou uma implicância deliciosa em busca de controle, seguindo ritmos antônimos. Ou era violento demais, com direito a mordidas e estalar de dentes, ou lento e profundo como o de uma despedida indesejada. E tinha o gosto metálico de sangue, sinceridade e desespero – um desalento benéfico dessa vez, do tipo que se apelida como ‘Borboletas no Estômago’.

Jasper sentiu como se fosse o seu primeiro em toda a vida, apesar de o título infelizmente não pertencer àquele momento.

E durou mais do que esperado.

Apesar do esforço comunal dos agentes de não darem a torcer para suas capacidades respiratórias, do modo como a perda de ar só os mantinha ainda mais incentivados, os confrontos de mais cedo ainda tinham um preço a cobrar. Um valor extravagantemente alto para a atual situação, que obrigou o albino a separar seus lábios dos de Remi. 

Mesmo sem enxergar muito bem com a ausência de seus óculos, sentiu o mesmo calor da encarada alheia sobre si e fez com que todas as perguntas que tinha emergissem para seu rosto. Porque, sim, o toque de testa era um lance comum, até confortável, e extremamente comentado pelo restante da equipe ou qualquer outro que presenciasse; mas isso era novo. 

Bom. Porra, como era bom.

Só que era inédito.

Talvez um aviso tivesse sido bom.

“Espera. O quê que você tinha dito?” Jasper pergunta baixinho, inconscientemente mais próximo do que antes, recobrando de sua memória o fato que sempre o desestabilizava mentalmente de que Remi realmente conhecia e exercia a língua francesa.

“Um dia você descobre, Jasmin.” 

O maior estava prestes a erguer sua voz em uma nova reclamação, porém é interrompido por um assobio rápido e distante. Quase humorístico. 

Tuco – que sempre competia veementemente com trovões ou fogos de artifício em festas de ano novo, – grita daquele mesmo vão de janela que Jasper saltou quando chegou à casa. “Melhor ir buscar a Maria primeiro, Lena!” 

A citada murmura algo, sua voz um pouco mais abafada na distância. Aparentemente perguntando o motivo da afirmação.

Ele encara os demais agentes com uma expressão engraçada que deveria ser de encorajamento, ou o mais perto disso que o Belez pudesse reproduzir, e dá as costas para ambos. “Eles estão ocupados. De novo.”

Remi solta o pescoço do albino para devolver o óculos ao dono, esperando pacientemente que ele os vista novamente antes de sorrir, convencido. 

“Eu te digo o que significa.” O agente inicia, ainda com a respiração levemente desbalanceada. “Se você me levar naquele jantar que ‘cê ‘tá me devendo.”

E simplesmente se afasta em direção à passagem do quintal para a estradinha de terra, provavelmente pensando em buscar sua espada perdida pelo caminho.

Ou tenta.

No primeiro passo, o torso alheio se curva na direção do local segurado, ainda coberto pelo braço mecânico. Jasper está lá no instante seguinte, nem sendo capaz de raciocinar tudo o que acontecera ou fora dito antes de se prestar a ajudar de novo.

“Você falou que não tinha nada doendo, caralho.”

Remi balança a cabeça.

“Eu disse que ia sobreviver, não que não estava doendo.”

Se o albino cogitou que o beijo foi apenas uma distração para que ele não notasse o machucado – e se essa possibilidade causou uma pontada desconfortável em seu peito, – não foi canonizado. Nenhuma palavra acerca disso abandonou seus lábios, estes que exibiam um inchaço quase imperceptível e provavelmente tinham um ou dois cortes superficiais em seu interior.

Jasper grita para Tuco, pedindo por algo entre apoio e tempo. Lena quem responde, apressando-se na direção da dupla com toda a sua aura materna e de 'curandeira-ritualística' que só ela conseguia ter. Era relativamente impressionante.

A mulher também reclamou sobre o modo infantil como Remi escondia seus machucados, além de verbalizar que, como castigo, provavelmente teria de lidar com uma ou duas costelas fraturadas. E o maior aguardou, a alguns passos de distância, que a Branca terminasse a vistoria para que pudesse carregá-lo até o carro.

“Você sabe, né?” Tuco parou exatamente ao seu lado um instante depois, com braços cruzados e cheiro forte de alguma erva que não era identificável no momento. 

Jasper se vira para o maior, notando uma expressão ponderada. Quase séria demais para o paizão espiritual que era o Belez. “O quê?”

“Que é legalizado no Brasil.. Você sabe.. Vocês…” 

O homem não é nada sutil ao deslizar o olhar entre si e o agente sob cuidados. Remi também não é nada sútil ao encará-los de volta com aquela certeza irritante de quem sabia estar sendo o assunto.

Girando sobre seus calcanhares, o albino estagna-se estrategicamente virado de forma que sua expressão se tornasse uma incógnita para a dupla mais adiante, encarando o homem de pele escura. 

“Tuco. Do fundo do meu coração, eu te amo, mas cala a boca.” 

E a risada estratosfericamente exagerada  de Tuco, que tomou a noite como um trovão em anúncio de tempestade, seria desnecessária de ser citada no relatório que entregariam mais tarde. Isso e muitos outros detalhes. Coisas que poderiam ser vistas por cima e ignoradas no ambiente de trabalho da equipe, pelo bem de todos.

Afinal, duvidava que Veríssimo fosse se interessar por temperatura, coloração e sensações da mesma forma que Jasper quando agendou, mentalmente, que deveria fazer uma reserva em um restaurante o mais rápido possível. Ele e Remi ainda tinham algumas coisas pendentes a conversar.

Notes:

Estava precisando de algum conforto depois de sábado. Decidi que não irei mais aceitar como verdade o que eu não queira que seja verdade. Completamente Delulu, eu sei.

@ultrailuminada no Twitter/X