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Kiss and Freckles

Summary:

Pomba nem sempre fora uma pessoa muito extrovertida, muito menos uma pessoa de muitos amigos. Mas, (in)felizmente, os únicos que tinha, colocaram-no na maior furada de todos os tempos; uma festa universitária com o tema dos anos oitenta.

E o pior de tudo, estava perdidamente apaixonado pelo guitarrista ruivo que tocava "I was made for lovin' you" com tanto fervor.

Como explicaria aos seus colegas, que todos os seus monólogos contra a "paixão à primeira vista" foram por água abaixo?

Notes:

oiii gente, tudo bem com vocês? então, essa é a primeira fanfic que eu escrevo aqui no ao3, porém eu estou nessa indústria vital há literais 6 anos, então eu tenho um pouquinho de prática nisso rs. Eu adoraria conversar com vocês sobre k&f (kiss and freckles), porém eu sou uma pessoa extremamente envergonhada, então se você ver uma conta no twitter trancada, com menos de 20 seguidores, curtindo seu tweet sobre essa historia, saiba que fui eu!! um dos principais motivos na qual eu escrevo essa história, é pra curar da depressão, angústia, ansiedade e pânico que o último episódio e a hillary me deixaram!! muito obrigado por lerem, e bom primeiro capítulo! (não faço ideia de quantos serão).

Chapter 1: I was made for lovin' you

Chapter Text

Pomba acordou completamente acabado, nunca conseguia dormir direito, sempre estava com alguma dor aqui e ali, mas mesmo assim, nada disso importava quando se tinha um certo ruivo na sua cabeça sempre que piscava.

Iria surtar, e iria surtar muito.

Pomba não se considerava a pessoa mais legal do planeta, nem a mais simpática — já que praticamente vivia com a cara fechada, apesar de estar apenas com o rosto relaxado —, mas com certeza se considerava observador, e ele poderia ter a certeza de que o ruivo observava-lhe com um interesse palpável, tão palpável quanto os pensamentos de Pomba em relação a dedilhagem rápida dos dedos dele na guitarra azul escura.

Levantou da cama de solteiro, arrumou a roupa de cama e foi ao banheiro.

Sua cara estava péssima.

Remelas, olheiras fundas de quem não dormiu bem, um pouco de baba seca no queixo, touca de cetim quase fora da cabeca, deixando seus cabelos cacheados livres e totalmente frizzados. Bufou.

Tomou um banho longo. Enquanto lavava o cabelo, fechou os olhos. De repente, as lembranças da noite anterior tomaram conta.

🎸

09:30, 20 de julho de 2025

Pomba subiu o olhar do seu livro de história da arte, para Kemi, que tagarelava sem parar, seu rosto estava animado, sua pele brilhava com o sol, mas infelizmente Pomba só conseguia ouvir murmúrios, já que estava com um fone de ouvido antirruído, já que detestava ler sendo constantemente interrompido pelos barulhos da vida. Desligou, os colocou na caixinha e fechou seu livro, marcando a página que se encontrava com um marcador na cor laranja.

O dia era agradável, estavam sentados no gramado do campus de história, artes, literatura e música. Além de Kemi, estava Jasper, Juan e Jae, todos pareciam prestar muita atenção na fala da mulher que cursava alguma coisa que Pomba não conseguia lembrar no momento, apenas sabia que era muito a cara de Kemi.

Olhou brevemente para Jasper. Ele parecia etéreo, tinha uma grande admiração por ele de um modo geral. Era alto, forte, bonito, um prodígio em tudo que se propunha a fazer. Pomba não poderia ser nada daquilo nem se ele quisesse muito, sabia que tinha suas limitações, e era muito medroso para viver de verdade.

Tinha medo do mundo.

Tinha medo de acabar como os outros.

— Pombinha, tá' ouvindo o que eu tô falando? — A voz de Kemi cortou seus pensamentos abruptamente. Corou envergonhado.

— Não Kemi, desculpa. Pode repetir por favor?

Jae-yeon suspirou um "Como sempre" e revirou os olhos. Elu não tinha muita paciência com a lerdeza do cacheado, então sempre fazia questão de deixar isso bem claro.

Kemi não pareceu ouvir a mini provocação do ser asiático, então começou a bombardear as informações para Pomba.

— Vai ter uma festa hoje a noite no teu campus, o Eloy e a banda dele vão tocar. Apesar de eles serem mais do "Emos góticos do nu metal" — Ela fez um gesto com a mão, simbolizando o rock deles — Eles vão tocar músicas dos anos oitenta, porque é o tema da festa.

Ah, Eloy. Já tinha ouvido aquele nome ser dito centenas de vezes da boca da Kemi. A única coisa que sabia sobre ele, era que estava com Kemi, que tinha uma banda e que era estranhamente muito amigável consigo. Sentia que fora a de tranças que havia dito sobre sua timidez para o homem. Esse por vez parecia não ligar, já que até na primeira vez que se viram, aquele brutamontes deu uns tapinhas em suas costas que quase fizeram-o voar para o outro lado do campus.

— Vamos? Aposto que você vai gostar.

O olhar de Kemi era quase suplicante. Ela sabia que gostava dessa época musical tanto quanto gostava de entender o mundo.

Talvez, aquela festa não fosse tão ruim. Algo dentro dele dizia que se não fosse, iria se arrepender amargamente. Talvez, pudesse se divertir.

Talvez, pudesse finalmente dar um passo na sua vida pacata.

Pomba concordou com a cabeça, aceitando o convite.

— Tudo bem, eu posso ir. Só me fala o dress-

— EU VOU ESTAR NO SEU NINHO AS SETE PRA TE AJUDAR! — Kemi gritou enquanto se esticava e abraçava o garoto moreno, que riu baixo pela animação e retribuiu, enquanto ouvia um "Que fofinhos" de Juan, um "Queria um abraço também" de Jasper, e um barulho fingindo vômito de Jae.

Kemi era o mais próximo de figura materna que tinha na sua vida, tinha certeza que se metesse em encrenca, ela viraria quase a advogada do diabo para lhe defender se fosse preciso. Era grato pela amizade.

Pomba fora para mais perto de Jasper lentamente, abraçando-o menos apertado, porém também com afeto. Ele disse que também queria um abraço.

O homem de cabelos brancos olhou para os outros quase assustado, como se perguntasse através dos olhos azuis, o que caralhos deveria fazer.

Juan, que olhava a cena quase chorando de amor, fez um movimento de "vai, retribui" com os dois braços. Quando Jasper fez, se sentiu quase em casa. O garoto era metade da sua altura, metade do seu peso, e com certeza, o triplo da sua fofura. Abraçar Pomba era confortável, quase como abraçar uma nuvem, devido a grande quantidade de roupas e acessórios que vestia quase diariamente, em especial, a bolsa no estilo carteiro do personagem Totoro, que praticamente andava sozinha de tanto que o cacheado usava.

Jasper cheirou um pouco do cabelo de Pomba, sentindo o perfume característico dele, algo como chocolate e laranja. Era perfeito para ele.

Pomba mantinha os olhos fechados aproveitando a sensação de segurança que residia nos braços tatuados do de cabelos brancos. Os batimentos cardíacos estavam acelerados, quase descompassados, apesar da calmaria do momento. Ele não entendeu o porquê, mas se controlou em não perguntar o motivo.

— Já deu, né? Daqui a pouco eu vou ficar com ciúmes do meu anjinho.

Juan falou fingindo estar bravo, cruzando os braços e olhando em volta, esperando os dois se desvencilharem.

Assim foi feito, Pomba riu e saiu do aperto de Jasper, que não parecia feliz em sair do abraço caloroso do mais baixo. Bufou em descontentamento.

— Cuidar da própria vida ninguém quer né? — Jasper disse.

— Que graça teria? Muito mais legal futucar a vida dos outros.

Jae-Yeon respondeu antes de começar a mexer a sua bolsa para procurar seu batom vermelho.

— Enfim Pomba, vê se não esquece, tá bom? Tenho certeza que você vai gostar do som deles, acho até que você vai se dar bem com Alê, ele é bem parecido com você.

Pomba viu uma oportunidade de abrir novos caminhos, então ficou um pouco mais animado para aquela festa. Precisava ter a sensação de estar fazendo algo novo, inédito.

É, talvez aquela festa realmente não seja tão ruim.

 

🎸

18:45, 20 de julho de 2025

Kemi quase arrombou a porta do apartamento.

Pomba, que estava lavando o cabelo, pulou no lugar com os barulhos altos de alguém batendo na madeira velha da porta. Seu grito de susto não fora nem um pouco másculo.

Se enrolou na toalha e com parte do sabão do shampoo ainda escorrendo por seu corpo, abriu a porta, encontrando Kemi com uma mochila enorme e uma cara de quem estava prestes a explodir de felicidade.

Ela nem deu "Oi", só saiu entrando como se a casa fosse dela, falando sobre como aquela festa iria ser diabólica, em um bom sentido.

Pomba suspirou e entrou no banheiro, sendo acompanhado pela de pele retinta, que se sentou na tampa do vaso. O garoto arqueou a sobrancelha.

— A gente já tem intimidade o suficiente pra eu tomar banho na sua frente? — Ele perguntou retoricamente, com um sorriso sarcástico.

— Eu já te vi vomitando as tripas, pombinha. Nunca se esqueça de quem estava lá nos seus primórdios! — Ela disse quase triunfal, apontando o dedo acusatório no peito dele.

Sabia que Kemi não iria sair do banheiro, e sabia que se demorasse mais, iria levar um esporro.

Riu e negou com a cabeça, se desvinculando da toalha e entrando no box novamente, terminando de lavar a cabeça.

A mulher cruzou as pernas e começou a conversar normalmente com Pomba, que ria e fingia não estar levemente envergonhado de estar totalmente a mostra para ela, apesar dela ser praticamente sua mãe.

— Você sabe que hoje é dedo no cu e padaria, né? — Kemi disse animada.

— Eu acho que o meme certo não é assim...

— Foda-se. O meme é meu e eu falo ele do jeito que eu quiser — Ela cruzou os braços fingindo antipatia, logo os dois riram alto.

Pomba fora pegar seu esfoliante e viu um utensílio que usa com certa frequência em seus banhos mais "completos".

— É... Kemi, você se... depilou? — Pomba pergunta com as bochechas ardendo em vergonha.

Conhecia a Kemi antes de tudo, antes de ser Pomba. Sabia que não precisava de rodeios para falar com ela, mas mesmo assim, ainda sentia muita vergonha e receio.

— Óbvio! O Eloy disse que não liga, mas eu lá vou dar minha xereca cheia de cabelo pra ele? Nada disso! — Ela disse na lata, fazendo Pomba arregalar tanto os olhos que quase saltaram pra fora. Ele olhou-a nos olhos, com o vidro ainda na frente dos dois. — E você trate de se depilar também, vai que você arranca esse cabaço finalmente? Solto até fogos.

— KEMI EU VOU TE EXPLODIR JUNTO COM ELES! — Pomba gritou furioso e terrivelmente envergonhado, vendo a garota gargalhar alto, quase caindo do vaso.

— Você tem vizinhos, tá? — Ela disse fingindo se importar, Pomba revirou os olhos. — Aff, viado espalhafatoso.

Os dois fizeram a mesma expressão facial, no caso, de uma figurinha que sempre mandavam no grupo de mensagens, um senhor debochado fazendo bico e revirando o olho.

Pomba terminou de se lavar — e depilar, após muita insistência da amiga —, e finalizou seu cabelo, tendo ajuda de Kemi para secá-lo com difusor. Seus cachos estavam fofinhos e brilhosos, e a única mecha de cabelo loiro, dava um charme sem precedentes ao moreno.

Kemi ainda sentada no vaso, comecou a observar Pomba a passar hidratante por todo seu corpo, vendo a expressão de dor que seu rosto tomou ao chegar no peitoral.

— Ainda dói muito? — Ela perguntou em um tom mais baixo enquanto se levantava e encostava seu quadril no granito da pia, ao lado dele.

— Um pouco, doía bem mais quando eu saí de lá. Mas é normal doer. Juan tá me ajudando nas consultas no hospital. — Ele disse sem encará-la diretamente, olhando pelo espelho acoplado entre dois pequenos armários. Seus dedos ainda circulavam a região.

— Você sabe que se precisar de qualquer coisa, eu vou estar aqui por você, né? — O tom de voz dela amadureceu, seu olhar ficou mais terno. Quase como... uma mãe.

— Eu sei, obrigada, Kemi. — Ele sorriu e terminou seus cuidados com o corpo. — Bem, vamos nos arrumar?

— IRMÃO, SÓ SE FOR AGORA, VEM CÁ!

O brilho do olhar dela voltou quase instantaneamente, enquanto puxava Pomba para o próprio quarto.

— Primeiro, bota uma roupa íntima bonita. Se você usar calcinha hoje vai ser uma MERDA porque os moshpit são-

— Kemi. Eu. Não. Uso. Calcinha. — Ele disse pausadamente, entredentes.

Ela fez um som de desdém.

— Hum, deveria. Você ficaria bem nelas.

Uma almofada fora arremessada contra o rosto da loira, que a recebeu e jogou de volta contra Pomba, que deu língua.

Finalmente pararam de brigar, então começaram a se arrumar. Pomba negava qualquer roupa que Kemi dizia para ele vestir, mas então, uma seleção chamou sua atenção.

Um cropped sem mangas, cinza e com estampa do AC/DC, calca jeans tão rasgada que chegou a se perguntar se elas haviam sido rasgadas após a compra, e all stars pretos.

Era novo, diferente. Poucas camadas de roupas, e muita pele à mostra. Olhou pras vestimentas, analisando cautelosamente os prós e contras. Sabia que sua mente sempre criaria mais contras, então, apenas suspirou e decidiu.

— Eu gostei desse. Vou usar.

Kemi sorriu largo e concordou enquanto se arrumava com as roupas que havia trazido de sua própria residência.

Ajudou a fazer uma maquiagem leve, porém marcante, no garoto moreno.

No final, os dois estavam deslumbrantes. A calça rasgada mostrava um pouco das belas coxas e panturrilhas de Pomba, assim como os braços macios com poucos músculos, os acessórios pratas e pesados combinavam com a vibe, e finalmente, o rosto de Pomba era quase impossível de não ser deslumbrado.

O olhar âmbar dele, com lápis de olho preto e um pequeno delineado parecia felino, pronto para caçar sua presa, a pele morena era iluminada em pontos estratégicos, e seus lábios com gloss incolor e levemente avermelhados, eram o toque final.

Kemi olhou-o enquanto se afastava lentamente com as duas mãos em sinal de prece na frente do rosto.

— Eu criei o maior servidor de cunt dessa cidade. Meu Deus. — A mulher diz chocada, mesmo que ela estivesse tão bela quanto ele.

Ela estava com um macacão jardineira até a metade das coxas, uma blusa social quase toda aberta, mostrando o colar dourado que havia ganho de Eloy, com as mangas dobradas até seus cotovelos. Sua maquiagem era brilhante, para dizer o mínimo. Sombra azul cintilante e delineado preto eram a coisa que mais chamava atenção de Pomba.

— Para com isso, você também tá servindo muito.

Eles sorriram ao mesmo tempo e se abraçaram, tiraram milhares de fotos e arrumaram suas bolsas para finalmente saírem, já que marcaram um ponto de encontro com o resto do grupo.

Pomba olhou para algo em cima da sua mesa, sua câmera fotográfica, especificamente. Seus pensamentos voaram ao pensar em filmar toda a noite para guardar de recordação.

Pegou a câmera. Saiu do apartamento com Kemi e trancou a porta.

Agora não tinha mais volta, iria aproveitar a noite como nunca havia em toda sua vida pacata e sem graça.

Kemi circulou seu braço no semelhante de Pomba e andou com ele até seu carro, abrindo a porta do passageiro para ele.

— Nossa, que cavalheirismo. Vai me levar pra jantar a luz de velas? — Pomba disse risonho enquanto se sentava no banco.

— Não, vou te levar pra' um motel — Kemi disse enquanto fazia a clássica expressão de botar a língua pra fora e bater as costas de sua mão direita, na palma de sua mão esquerda, indicando sexo.

Os dois explodiram em risadas altas dentro do automóvel.

— Pelo amor de Deus, dirige isso logo antes que eu mije nas calças — Falou pomba ainda levemente risonho. Se sentia solto na presença da amiga

— Tu gosta dessas paradas de golden shower, pombinha? — Os dois se entreolharam super sérios, e disseram ao mesmo tempo — Ih, tá' me estranhando?

Por fim, se deslocaram até a faculdade, novamente ao campus que estavam mais cedo.

Dessa vez, o grupo estava completo. Jae se vestia como sempre, androgenamente deslumbrante, Juan vestia-se praticamente igual a Jasper, rockeiros e praticamente todos de preto. Remi e Dalmo estavam presentes também. Remi estava vestido igual um jogador de futebol americano, com direito até ao casaco clássico.

Dalmo, como sempre, estava de blusa, calças jeans e tênis.

Pomba se perguntava se ele tinha outras roupas em casa.

— Dalmo, você pode acaso entendeu qual é o tema da festa de hoje? — Kemi perguntou, parecendo genuinamente intrigada.

— Sim, não é anos oitenta? — Kemi concordou com a cabeça. — Nos anos oitenta eu me vestia assim.

Todos pareciam chocados, pra dizer o mínimo. Todos sabiam que o dalmo já era casado e tinha uma filha, mas...

— Você se veste assim todos os dias — Jae disse.

— Não é culpa minha se as tendências não mudam! — Exclamou Dalmo enquanto andava em direção à Kemi e Pomba, dando um abraço curto nos dois.

Todos começaram a andar e conversar animadamente. Remi se aproximou de Pomba e tomou seu braço que estava enlaçado no de Kemi, dizendo que estava com saudades do menor.

— Você tem que parar de ficar só no seu campus, eu sinto saudades suas lá no campus de tecnologia, sabia? Quando você vai voltar a fazer aquela atividade extracurricular sobre máquinas cartográficas? — Ele metralhou frases para o pobre coitado, esperando uma resposta condizente.

— Ele tá fazendo uma de história da arte comigo, bebê. — Jasper sorriu canalha, claramente se metendo na conversa que mal havia começado.

Remi quase desmaiou.

— Você tá fazendo coisa com esse fodido? E não comigo que sou seu melhor amigo do mundo? — Remi parecia querer chorar a qualquer instante, o que é curioso já que ele normalmente é uma pessoa durona e sem papas na língua.

Todos ao redor de Pomba pareciam se amaciar na sua presença — Menos Jae, aquela coisa não se amacia com nada na visão dele — como se todos parecessem mais vulneráveis ao lado dele, quase confortáveis o suficiente para falar segredos e inseguranças.

Pomba não fazia ideia do poder que tinha com aquela voz graciosa e olhos redondos como pérolas, mas inconscientemente sabia que por algum motivo, deixava as pessoas bem.

— É só vocês dois encontrarem uma atividade que nós três possamos fazer, ué! — Disse como se fosse óbvio, porque na mente de Pomba, de fato era.

Os dois homens mais altos se olharam e depois bufaram, desviando os olhares para lados opostos.

Pomba riu baixo observando as expressões dos dois rapazes, decidindo se desvencilhar deles e ir até Dalmo, que andava mais na frente que os outros, igual uma muralha tentando protegê-los.

Pomba não sabia muito bem como se aproximar mais de Dalmo, devido à clara diferença de idade, mas hoje... hoje iria tentar.

Quando ficou ao lado do homem, ele notou sua presença e sorriu grande, mexendo levemente nos cabelos encaracolados de Pomba num gesto afetuoso.

— Como vão suas coisas, pombinha? Ainda carregando muitos mapas? — Dalmo sorriu perguntando.

— Ah.. sim! É uma área meio esquecida, mas eu gosto muito!

Os olhos amendoados de Pomba brilharam ao falar sobre sua faculdade de cartografia.

Quando ia começar a falar sobre seu mais novo mapa autoral sobre o próprio grupo, começou a sentir vibrações fortes demais para ser apenas seus passos ou seu coração batendo.

— Porra, não acredito que eles já começaram a tocar! Eu vou matar o Eloy! — Kemi disse alto e começou a andar mais rápido, tão rápido que todos começaram a andar também, para tentar acompanhar o ritmo da mulher.

Quando Pomba percebeu, todos corriam. Então começou a correr também em direção ao enorme salão.

Começou a empurrar pessoas desconhecidas — e algumas conhecidas também —, murmurando desculpas atrapalhadas, tudo para tentar alcançar Kemi.

Após alguns minutos, finalmente a encontrou de frente para o palco improvisado, então, ficou ao lado dela, e olhou para o palco.

As batidas que estavam ouvindo eram da música "I was Made For Lovin' You" da banda Kiss. Agora, quem tocava a música eram os... Psikolera? Nome estranho, porém criativo.

O moreno passou a observar os membros da banda, começando por Eloy, já que era conhecido. Logo, passou para um ser de cabelos loiros e longos, vestia roupas andrógenas e tinha uma expressão facial neutra. Observou atentamente os dois vocalistas, eles pareciam ter algo, a conexão dos dois era bem forte, tão forte quanto o som da guitarra que tocava. A curiosidade era tanta, que olhou para a pessoa que tocava a guitarra.

Ruivo, suado, cheio de piercings e sardas, uma tatuagem que começava do rosto, até sabe-se-lá-onde. Vestia uma blusa preta sem mangas com a estampa do Black Sabbath, calças pretas e coturnos da mesma cor. Seu cabelo era tão bem estilizado que Pomba arrepiou da cabeça aos pés, os olhos de jade do homem varreram o local, por fim, encararam Kemi, e depois, Pomba.

Engoliu em seco. "O que era aquilo?" Seu corpo tremeu, seus olhos brilharam tanto quanto os piercings dourados do ruivo, seu coração começou a bombardear como um cavalo de corrida, suas bochechas ficaram tão vermelhas quanto tomates. Estava quente.

O ruivo sorriu diretamente para ele quando as mãos morenas começaram a ajeitar suas próprias roupas, na tentativa de dissipar o suor que acumulava nelas.

"O que era aquilo?" Não parava de encarar o homem. Era quase obsessivo. Sua mente começou a ter uma crescente vontade de conhecer cada mínimo aspecto daquele ser. Sua curiosidade corroia seus ossos, seus pulmões buscavam ar puro, pois estava segurando sua respiração.

"I was made for lovin' you, baby. And you were made for lovin' me." A frase cantada por todos da banda surtiu um efeito inesperado na cabecinha do moreno, já que o tatuado continuou mantendo o contato visual enquanto cantava o verso.

Pomba soltou sua respiração em um lufar alto, chamando atenção de Kemi, que olhou-o preocupada, e depois disso, olhou na direção do ruivo.

Sorriu perversa.

— Esse é o Franco, o guitarrista e membro mais novo do grupo deles, que nem você. — Kemi falou alto no ouvido de Pomba, para que ele escutasse tudo com muita clareza.

Franco.

Pomba repetiu o nome baixinho em sua boca, sorrindo um pouco ao perceber o quão bom fora sentir as letras soando.

Franco.

Esse era o nome do seu mais novo pesadelo.