Work Text:
O apartamento de Ale cheirava a incenso e café. Era uma das tardes tranquilas em que Cindy havia deixado o dia livre para descanso, e Franco, como sempre, estava no apartamento de Ale.
O ambiente era tão misterioso quanto ele; havia dezenas de incensos espalhados, alguns cristais colocados no parapeito da janela, plantas espalhadas por diversos cômodos que preenchiam a casa e livros com capas esotéricas. Desde o começo da banda, Franco frequentava aquele local. No começo, o guitarrista usava todas as mais variadas desculpas para poder ficar lá, e, por algum motivo, sempre deixava.
Com o passar do tempo, os dois se aproximaram cada vez mais, não só na amizade, mas romanticamente. Embora nunca tivesse tido um pedido de namoro e nem uma aliança, havia beijos antes de shows, tardes calmas na companhia um do outro, noites inteiras acordados e o sentimento de casa sempre que estavam juntos.
Franco sempre soube que era apaixonado por Ale. O ruivo lembrava de perder o ar toda vez que via Ale chegando nos ensaios, lembrava de como ficava admirando o loiro quando ele se preparava para os shows, dos momentos em que Ale explicava coisas do mundo místico para Franco e, mesmo sem entender nada, Franco ficava ouvindo porque estar perto de Ale era a melhor coisa possível, como estava fazendo agora.
Ale estava sentada a sua frente,com as pernas cruzadas e um baralho de tarot nas mãos falando algo que franco não prestava a mínima atenção.O garoto estava prestando atenção em cada traço de beleza do rosto do parceiro,via os cabelos loiros de ale que reluziam com os raios de sol que chegava,prestava atenção em como os cantos da boca de ale se curvavam ligeiramente pra cima num sorriso discreto que só tocava seu rosto quando estava na presença de franco,prestava atenção em como ale gesticulava levemente com as mãos enquanto explicava cuidadosamente sobre mais alguma das cartas do tarot,prestava atenção nos lábios da loira,deus como ele queria beijar aquela boca e sentir os pequenos sons que ale soltava quando franco puxava ele para mais perto de si,queria depois de ficarem sem ar comecar a encher o rosto da tecladista de pequenos selinhos e começar a descer beijos e pequenas mordidas pelo pescoço delu apenas para ver elu ficar ser ar e ficar vermelho,queria seguir a trilha de beijos ate-
— Franco , Franco! — a voz de Ale tira Franco dos seus devaneios, fazendo o ruivo voltar à realidade e ver Ale segurando uma carta que tinha um sol desenhado, encarando-o fixamente. — Você prestou atenção em alguma palavra que eu disse?
— Prestei, claro que prestei.
Franco não tinha prestado atenção em nenhuma palavra, mas torcia para que a mentira funcionasse, embora soubesse que ninguém mentia para Ale.
— Hm — o não binário concorda e estuda a feição do ruivo por um tempo, tempo o suficiente para Franco encontrar os olhos delu e lembrar de quando era apaixonado no olhar de Ale. — Sobre o que essa carta dizia então?
A loira levanta a carta que estava na sua mão, carta que tinha um sol desenhado, e espera Franco tentar responder. O ruivo tenta puxar de sua memória algum jogo que ele tenha tirado que tinha aquela carta e que ele tinha explicado, mas percebeu que, na grande maioria das vezes que ele estava falando de tarot, o guitarrista estava pensando em beijá-lo.
— E… essa carta, ela… — o mais novo tenta começar a mentir para o tecladista, mas percebe que seria perda de tempo. — Tá tudo bem, eu não prestei atenção.
Ale solta um leve arfar pelo nariz sem rancor nenhum, quase como se fosse um pequeno riso, e deixa um sorrisinho tímido tomar conta dos lábios, abaixando o olhar.
— Você sempre faz isso, Franco.
— E por que você fica linda demais explicando as coisas — o mais novo deixa as palavras saírem de sua boca sem pensar e dá um sorriso tímido ao perceber o que falou e sente seu rosto ligeiramente corar.
Os olhos azuis de Ale encontram os de Franco e o sorriso de Ale se torna um pouco maior, um dos sorrisos mais raros de Ale que poucas pessoas tinham o privilégio de ver, e para a sorte de Franco, ele era uma dessas pessoas.
— Besta — ale sussurra enquanto desvia o olhar de Franco e sente seu rosto queimar. Por mais acostumada que estivesse com os elogios espontâneos de Franco, a timidez ainda a deixava corada.
Franco solta uma risada baixa e sorri. Amava saber que, mesmo depois de quase um mês que eles se beijavam e passavam noites juntos, ela ainda ficava corada com seus elogios. Amava causar essa sensação no tecladista. Uma de suas mãos sutilmente sobe e segura com toda delicadeza o queixo da loira e a faz o encarar.
— Você sabe que é verdade — ele aproxima seu rosto do de Ale. — Você é a pessoa mais linda que eu já vi, Ale. Por mim, eu te beijaria e te elogiaria o dia todo, todo santo dia da minha vida, e nunca me cansaria disso.
Franco aproxima seus rostos, deixando um selinho nos lábios de Ale, mas antes que ele pudesse se separar novamente, a mão de Ale sobe até sua nuca, puxando-o para mais perto, entrelaçando seus dedos nos fios ruivos enquanto aprofundava o beijo.
Os lábios de Ale e Franco se moviam em uma sincronia perfeita de quem já fazia aqueles movimentos há meses. As mãos de Franco não se aguentaram paradas por muito tempo e soltaram o queixo do loiro e desceram para a cintura dele, puxando-o para mais perto. As cartas de tarot agora estavam esquecidas no sofá enquanto os dois se beijavam como se quisessem se fundir um no outro.
Eles se separaram do beijo um pouco ofegantes, principalmente Franco, que tinha os pulmões comprometidos devido ao cigarro, mas ainda sorrindo um para o outro.
— Você também fica lindo falando — ela sussurra, encosta a sua testa na de Franco.
— Eu falo toda hora, queride.
Ale desencosta as testas de ambos, abaixando um pouco o rosto e deixando um beijo na sua têmpora coberta por sardas e na tatuagem de nuvem e faz o mesmo do outro lado. Em seguida, o não binário se ajeita melhor no sofá para poder encaixar seu rosto na curva do pescoço de Franco, inalando o cheiro típico de Franco, cigarro, brasas e um leve perfume cítrico que ele sempre usava.
— Eu sei — ale murmura com a voz abafada pelo pescoço de Franco — e você e um péssimo aluno
Um sorriso besta toma conta do rosto do guitarrista e seu braço passa em volta de Ale, puxando-o mais para perto e acomodando-o ali. Franco enterra o nariz nos cabelos longos de Ale, sentindo o cheiro do perfume de lavanda que ele usava e deixando um beijo demorado nos fios loiros.
O resto da parte o silêncio toma conta do apartamento, sendo quebrado apenas por momentos em que Franco sussurrava elogios no pé do ouvido de Ale e recebia uma risada abafada em resposta, e naquele momento com Ale em seus braços ele se sentia em casa.
