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Eram onze e meia da noite, o céu estava nublado, impossibilitando a visão das estrelas. Joui e Cesar estavam sentados no sofá do apartamento do Jouki, somente aproveitando a presença um do outro.
O mais novo estava passando por um momento complicado em sua vida pessoal, o que acarretou uma queda de desempenho em sua carreira de atleta. Kaiser tentou arrancar um sorriso dele a todo custo, mas nada parecia funcionar, mesmo que em dias comuns Joui seja sorridente e agitado. O Cohen tentava distraí-lo da situação a todo custo, já que tentar tirar um sorriso de onde não havia felicidade foi uma ideia um pouco estúpida.
— Ei, você não está com fome? Poderíamos comer algo — o mais velho sugere.
— Não estou com fome agora.
O cômodo fica silencioso novamente, causando um leve desconforto em Cesar, que está tentando arranjar assunto há algum tempo, para tentar aliviar a tensão. Mas, antes mesmo do brasileiro pensar em algo para falar, o japonês deita sua cabeça em seu ombro e fecha seus olhos.
— Talvez eu devesse dar uma pausa na ginástica.
— Se é isso que você quer, faça. Saiba que estarei te apoiando em todas as suas decisões.
— Não é como se eu quisesse isso — ele suspira, abrindo seus olhos — Eu só não sei como continuar, estou indo tão mal nos meus treinos. Sinto como se eu estivesse paralisado — ele desvia o olhar — A ginástica sempre foi o meu refúgio, minha maneira de me expressar, porém, ultimamente, tenho me sentido ruim na única coisa que eu costumava ser bom.
— Você continua bom no que faz, sempre foi bom — o de cabelos longos passa seus braços atrás do pescoço do parceiro, fazendo um leve carinho em seu cabelo — Acho que você deveria fazer isso mais vezes.
— Isso o quê? — o asiático questiona, agora olhando para o Cohen.
— Falar sobre o que você está sentindo. Você fica lindo assim, com uma expressão sincera — Kaiser ri, fazendo Joui se envergonhar — Você precisa aprender a se valorizar mais.
— Eu sei, mas falar é fácil.
Seus olhares se encontram, trocando sentimentos profundos e complexos, que nenhum dos dois conseguiria expressar.
— Posso tirar uma foto sua? — pergunta, alcançando sua câmera que estava na mesinha de centro.
— Claro! — Ele começa a se arrumar em uma pose, mas é parado por Cesar.
— Não precisa se arrumar, basta dizer o que está te afligindo há tanto tempo.
O mais novo, surpreso com o comando de seu namorado, se ajeita de volta no sofá, olhando para um ponto fixo, pensando no que dizer a partir dali. O brasileiro espera pacientemente o companheiro começar a dizer sobre seus pensamentos. Ele ameaça dizer algo algumas vezes. Após algum tempo, ele começa a falar.
— É difícil dizer isso. — O garoto suspira pesado. — Mas tenho me lembrado dos meus amigos, todas as vezes que vou treinar, me lembro deles. De todos os nossos momentos, até mesmo os ruins — sua voz vacila —, o que é irônico, pois o Taka sempre me disse que se eu ficasse pensando demais, iria acabar ficando mal. Já o Mateo e o Rodolfo sempre me colocavam para cima quando eu estava prestes a desistir de tudo.
Enquanto Joui fala, Cesar captura suas feições com sua câmera. Sempre acreditou que expressões em fotografias podem expressar muito mais que qualquer outra coisa. Afinal, nada dizia mais que o rosto do Jouki enquanto falava sobre seus tão amados amigos, pessoas que marcaram sua vida de maneira inexplicável.
— Se eles ainda estivessem aqui, talvez eu pudesse dizer tudo o que não disse antes. Eu diria o quanto os amo, e o quanto eles são importantes para mim, e continuarão sendo para sempre.
Uma lágrima solitária escapou de seu olho esquerdo, mas o leve sorriso que veio em seguida deu uma certeza ao Cohen, aquela lágrima não era necessariamente só de tristeza, mas também de nostalgia, em sua mais pura e bela forma.
— Acho que, se eles estivessem aqui, iriam querer ver você bem — Kaiser fala, acariciando com a mão direita a bochecha de Joui, mais especificamente a sua cicatriz.
— Estou tentando, tentando muito. — Ele fecha os olhos em resposta ao carinho.
Após um tempo, ao ver o asiático mais calmo, Cesar tira a mão de seu rosto, fazendo-o resmungar em desaprovação.
— Quer ver as fotos que eu tirei? — diz, se acomodando no sofá.
O mais novo deita, apoiando suas costas no peito do brasileiro, enquanto o outro abria a galeria da câmera e a posicionava de modo que ambos pudessem ver.
— Aqui — Cesar aponta para a câmera.
— Nossa — Joui exprime — Pareço triste, mas estou bonitinho.
Kaiser ri e continua mostrando fotos para o namorado, não só as que tirou recentemente, mas também as antigas, enquanto o japonês observava atentamente. Eram imagens de paisagens, flores e objetos, uma mais linda que a outra. De repente, o mais velho vira a câmera e tira uma foto de surpresa.
— Ei! Meu rosto está todo inchado! — o mais novo reclama, franzindo o cenho.
— Você ficou tão fofo! — fala, observando a imagem em que Joui estava com uma expressão surpresa, e Cesar estava beijando sua bochecha. — Vou revelar essa foto.
O japonês revira os olhos, se aconchegando mais no peito do Cohen. Mesmo se fazendo de difícil, Kaiser sabe o quanto Joui apreciava esses momentos simples do cotidiano.
Alguns dias depois, após o brasileiro entregar a foto revelada para o asiático, a imagem apareceu pendurada por ímãs na geladeira do Jouki. E, a partir desse dia, Cesar reparou diversas fotos aparecendo ao lado da primeira, algumas mostravam Liz e Thiago, outras mostravam o seu namorado, com um rosto mais jovem, ao lado de outros três meninos. O hacker teve a sensação de que aquelas fotos passavam conforto para o parceiro, porque sempre o via parado as observando, como se tivesse encontrado paz nas fotografias.
Desde então, Joui tem estado radiante, até mais que antes, pois tinha certeza de que, seja lá onde seus amigos estão, estavam o vendo e torcendo por ele.
