Chapter Text
Era mais uma manhã comum na cobertura da família Ferette. Lorena havia acordado em seu horário habitual e desceu as escadas para o café da manhã.
—Bom dia, mãe. —diz bem humorada. — Papai e Léo já saíram? —pergunta casualmente enquanto se serve de um suco de laranja.
Zenilda nada responde. Estava olhando para um ponto fixo na mesa completamente absorta em seus próprios pensamentos.
—Mãe? — Lorena chama de novo e dessa vez consegue a atenção da mãe.
—Oi, minha filha. Falou alguma coisa? Desculpa tô um pouco distraída hoje.
—É, percebi. —diz Lorena rindo.
—Quero que você me apresente sua amiga policial. — Lorena se engasga com seu suco. — Filha, tá tudo bem?
— Tá sim, mãe. Tô bem. —responde, já conseguindo normalizar sua respiração.
— Recentemente tenho pensado muito na morte do Rogério. Sei lá… Sinto que tem alguma coisa errada. Alguma coisa não tá encaixando. Queria uma outra perspectiva.
—Claro. Posso ligar pra ela.
—Se ela puder vir o mais rápido possível eu agradeço.
As duas mulheres terminam o café em silêncio. Para Zenilda, esse silêncio era confortável, porém para Lorena, aquilo era um pouco perturbador. Em sua cabeça — nos cenários criados por ela — quando apresentasse Eduarda para sua mãe queria já apresentá-la como namorada e não como apenas uma amiga.
Sobe para seu quarto sem dizer mais nem uma palavra e a primeira coisa que faz é ligar para a ruiva.
—Oi, gatinha. — diz já atendendo no primeiro toque para o alívio de Lorena.
—Oi, amor. —diz já com o sorriso surgindo automaticamente em seu rosto.
—Isso tudo é saudade, é? — brinca
—Você sabe que eu sempre tô com saudade. Se dependesse de mim a gente ficaria grudada o dia inteiro.
—Olha que eu gostaria muito dessa ideia, hein. — as duas riem na linha.
—Mas eu te liguei pra outra coisa. Minha mãe quer falar com você. — a linha fica muda por alguns segundos fazendo Lorena até achar que a ligação tinha caído. —Ela tá curiosa sobre a morte do tio Rogério e quer saber mais.
—Ok, sem problemas. Tô de plantão hoje, mas acho que consigo dar uma escapada e passar aí no final da tarde.
— Vou estar esperando, então.
—Até mais tarde, amor. Te amo.
— Também te amo.
O dia estava tranquilo na delegacia. Aparentemente, os bandidos de São Paulo haviam tirado o dia de folga. O que fez Juquinha agradecer aos céus, pois havia combinado com Lorena que iria na casa dela e odiava desmarcar as coisas, principalmente com a namorada.
—Já vai sair? —pergunta quando vê Paulinho entrando na sala com um copo de café nas mãos.
—Ainda não. Por quê? —Juquinha arrasta sua cadeira para perto de seu parceiro.
—Porque Lorena precisa que eu vá na casa dela. A mãe está curiosa sobre a morte de Rogério Dantas. —sussurra essa última parte.
—E por que ela tá curiosa sobre esse caso?
—Não faço ideia. Só vou descobrir quando chegar lá.
—Ok, vai lá, então. Eu te cubro com o delegado Jairo.
Juquinha pega o distintivo que estava em sua mesa e o coloca no pescoço, saindo apressada pela porta. Assim que entra no carro, manda uma rápida mensagem para a caçula dos Ferette para avisar que estava a caminho.
A campainha toca e Lorena vai correndo atender antes mesmo que Zezé o fizesse, o que a empregada achou engraçado.
—Oi. —diz sem conseguir conter o sorriso. Sua vontade era de puxar a policial pelo distintivo e beijá-la ali mesmo. —Entra. —a pega pela mão e guia para dentro.
—Filha, sua amiga já chegou? —pergunta Zenilda que estava descendo as escadas. As duas soltam as mãos rapidamente.
—Mãe, essa é a Eduarda. Conhecida também como Juquinha.
—Juquinha? —questiona Zenilda curiosa.
—Pois é, me deram esse apelido quando entrei na polícia e simplesmente pegou. Até minha mãe me chama assim agora. As únicas pessoas que me chamam de Eduarda são Lorena e meu pai. —responde simplesmente com seu charme habitual.
Zenilda achou aquela última informação curiosa, mas resolveu não se aprofundar no assunto. Em vez disso, apenas conduziu a detetive para a enorme mesa de jantar — achou que ali seria melhor para conversar — sendo seguidas de perto por Lorena que se sentou ao lado de Juquinha, enquanto a matriarca sentou-se de frente para o casal.
Zezé chega logo em seguida, servindo água para as três mulheres e Juquinha lhe agradece educadamente.
—Então, Zenilda… O que exatamente você quer saber sobre a morte do Rogério?
—Eu estava pensando e você não acha estranho o método escolhido para suicídio? Quer dizer, as pessoas simplesmente não se explodem quando querem se matar. Têm métodos menos drásticos.
—Sim, também acho muito estranho. Além do fato do corpo não ter sido encontrado até hoje. Mas, tem o bilhete deixado por ele né… E como eu já comentei com a Lorena, fizeram o possível para encerrar o caso rapidamente, então estamos de mãos atadas.
—E por “fizeram” você quer dizer Arminda e o meu marido?
Como se tivesse sido convocada a porta é aberta revelando a figura de Arminda que entra como um furacão indo direto para a mesa onde estava ocorrendo a pequena reunião.
—Que isso? Uma festinha? —pergunta já se sentando do lado de Zenilda com seu jeito espalhafatoso.
Lorena olha para a mãe decepcionada, acreditando que ela havia convidado a megera. Eduarda sente a tensão e leva uma de suas mãos para o joelho da namorada, acariciando a região em uma tentativa de acalmá-la. O que de primeiro momento pareceu ser bem-sucedida.
—E essa daí quem é?
—Detetive Juquinha. —responde simplesmente forçando o sorriso mais educado que conseguiu.
—Polícia? Que isso, Zenilda? Não vai me dizer que é por causa da morte do Rogério… Todo mundo sabe que ele já virou comida de peixe não tem motivo para ficar revirando esse caso. —começa a andar pelo cômodo mais agitada. —Aposto que isso é coisa sua, né coisinha? —agora volta sua atenção para Lorena. —Eu já falei, Lorena. Mente vazia só dá nisso. Você deveria se ocupar mais. Deixar de ser inútil.
—Inútil? —Juquinha se intromete não conseguindo nem disfarçar sua irritação. —Acho engraçado isso vindo de você cuja única função é andar por São Paulo infernizando os outros. —levanta e vai até onde a outra mulher estava ficando frente a frente com ela. —Acho que você deveria olhar mais pra dentro da sua própria casa, Arminda. Já que todo mundo sabe que seu filho só fica o dia inteiro naquele quarto se drogando. Quer dizer, a única vez que ele sai é quando vai pra Chacrinha comprar droga. —diz simplesmente deixando Arminda sem reação.
—Tenho mais o que fazer do que ficar escutando as baboseiras de vocês. Até mais. —sai disparada pela porta trombando com Leonardo que estava entrando em casa.
—O que está acontecendo aqui?
—Oi, meu filho. —diz Zenilda se aproximando do primogênito e o cumprimentando com um beijo no rosto. —O que está fazendo aqui a essa hora?
—Terminei meu trabalho mais cedo e voltei pra casa.
—Léo, essa é Eduarda. Amiga da sua irmã.
—Prazer em conhecê-lo, Leonardo. —se cumprimentam com um aperto de mão.
O celular de Juquinha toca e ela se afasta um pouco para atender. Jairo estava exigindo que ela voltasse imediatamente para a delegacia.
—Vou ter que voltar agora. Estão me ligando da delegacia.
—Eu te acompanho até o carro.
As duas mulheres partem até a saída do prédio. A viatura disfarçada que Juquinha estava usando estava estacionada bem em frente. Onde ela sempre costumava parar quando levava Lorena em casa depois dos seus encontros.
—Você fica uma delícia com esse distintivo no pescoço, sabia? —comenta Lorena assim que Juquinha se encostou no carro, parando bem na frente dela.
—E eu sei o quanto você gosta. Por isso que vim assim. —puxa Lorena pela cintura ficando ainda mais próximas, mas ao mesmo tempo com cuidado, pois estavam em público e a família da herdeira estava em casa.
Juquinha olha para os dois lados rapidamente antes de dar um selinho rápido na mais nova.
—Tenho que ir. Sério, se eu não sair agora é capaz do delegado Jairo vir aqui me buscar. —diz fazendo Lorena rir. —Te ligo quando chegar na delegacia. —as duas finalmente se afastam e Juquinha dá a volta até o lado do motorista. Lorena fica ali até o carro da namorada se perder de vista na rua.
Na casa, Zenilda estava conversando com Léo na sala quando lhe avisa que queria perguntar mais uma coisa para policial e sai correndo atrás das duas esperando ainda encontrar a ruiva. De primeiro momento, fica feliz ao encontrá-las ali, mas à medida que foi se aproximando foi notando a proximidade das duas. Quando vê que a policial está olhando ao redor se esconde atrás de uma pilastra e fica observando. Até ver o beijo das duas.
