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Quando o silêncio cai no convés

Summary:

O Sunny estava em silêncio, se movia sem rumo pelo grande oceano do novo mundo.

A música simplesmente parou.

 

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One-shot

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Era possível ouvir o som do vento chicoteando o interior do navio Sunny. As madeiras de Adão fazendo pequenos ruídos. O clima era abafado, sufocante. O calor no oceano era diferente, a umidade do mar deixava tudo pior.

Com alguns passos, abriu silenciosamente a primeira porta no topo da escada à esquerda.

A primeira coisa que viu foram alguns pratos e talheres jogados no chão.

Cadeiras jogadas no chão, pratos de porcelana espalhados por toda a cozinha, armários abertos e vazios. As panelas que costumavam ficar sempre em seus lugares, estavam sem rumo no chão.

Nem os alimentos se salvaram dessa situação.

Principalmente os alimentos.

Um suspiro trêmulo deixou seu corpo sem que percebesse.

Ajeitou a língua, o gosto amargo se formou em sua garganta.

Era irônico como ele próprio ignorava o cigarro caído aos seus pés.

Ignore-o.

Virou-se, saiu da cozinha e fechou a porta atrás de si. Andando arrastado, como se apreciasse o rangido de madeira embaixo de si.

Chegou a mais uma porta, encostou com a mão para saber se estava trancada. Um estralo alto foi acompanhado de sua abertura.

O navio balançava, pesado. As ondas batendo em suas madeiras como se o chamassem.

Ignore-o.

O quarto estava escuro, e o vento assobiava, como se estivesse alegre por ter companhia. Ao entrar, ele passou a mão pelo pescoço, afastando as gotas de suor que se formaram ali.

Sua respiração ficou presa em sua garganta por um momento.

Cobertores e travesseiros atirados para todos os lados. As cobertas estavam rasgadas e se estendiam para fora do quarto.

Seu olhar atravessou o quarto, cuidadosamente, mas algo prendeu a sua atenção.

Deu-lhe passos mais firmes e curtos, se aproximando do objeto largado no chão. Agachou-se e apertou os olhos, tentando se acostumar com a escuridão para identificar o que era aquilo.

Era um chapéu.

Um chapéu de palha.

Ele estava velho, surrado pelo tempo. Com certeza muito usado e pouco preservado. Seu dono não foi nada cuidadoso.

Estendeu-lhe a mão para pegá-lo. Mas hesitou.

Ignore-o.

Levantou-se enquanto seu olhar circulava no quarto novamente. Não havia muita coisa que o chamara a atenção aqui. Caminhou em direção à porta, quando ela se fechou, de repente, fazendo um estrondo alto.

Seu coração deu um salto.

“Navio estúpido”, resmungou, abrindo-a antes de fechá-la novamente.

Deixou de lado as espadas caídas perto da porta.

Ignore-o.

Continuou sua caminhada pelo convés, antes cheio de risadas. Fechou os olhos por um momento.

Abrindo mais uma porta, encontrou quase a mesma situação que no quarto anterior.

Seu rosto se contorceu, e a respiração ficou presa por um instante, tenso, tentando escapar do cheiro podre do sangue nada fresco.

Havia sangue seco na parede.

Ele forçou a relaxar os ombros.

Continue.

Explorou o quarto, observando uma mesa quebrada e virada perto da cama a sua direita, como se ela tivesse sido arremessada.

Um campo de guerra, presumiu.

Um pouco mais à frente, à sua esquerda, havia uma penteadeira revirada e com seu espelho quebrado.

Seu olhar se voltou para um pequeno objeto quebrado ao lado dela.

Chegou-se mais perto, mesmo no escuro, era impossível não reconhecê-lo.

Era um log pose, seu vidro quebrado e suas bússolas perdidas.

O agitar da água preenchia seus ouvidos.

Sorriu.

Tudo isso levou menos de duas horas.

Já se passaram três dias.

Ignore-o.

Pegou o pequeno objeto e saiu do cômodo, sem se dar ao trabalho de fechar a porta atrás de si.

Chegou-se perto da lateral do convés, encarando o reflexo da lua contra o mar.

Deu-lhe uma última olhada no objeto em sua mão.

O objeto que o fez seguir até aqui.

Jogou-o longe, antes de observar ele afundar no oceano.

Seu olhar se fixou nele.

O mar que engole e o puxa para baixo. Não só pessoas, amigos, companheiros, mas também sonhos,vontades.

Esperanças.

O mesmo mar que lhe salvou, várias vezes.

O navio dançava sobre as ondas.

Seus pés balançavam enquanto ele estava cantando uma canção, sentado na proa. O navio se movia, deixando o vento escolher o seu destino.

A música que cantava quando estava aqui, pela última vez.

Sayonara minato Tsumugi no sato yo

Ele olhou para a lua e pela primeira vez, sorriu.

Don to icchou utaofuna de no uta

Um sorriso de despedida.

Não tinha como voltar atrás agora.

Kinpaginpa mo shibuki ni kaete

Ele riu, pela primeira vez, deixando-se sentir o vento contra o rosto, aliviando o suor que escorria pelo rosto.

Oretaccha yuku zo umi no kagiri

 

Ele não hesitou.

 

Ele se jogou.

 

O convés ficou em silêncio novamente. O navio terminando sua canção.

 

Ignore-o.

Notes:

Eu estou treinando minha escrita! Não sou totalmente iniciante, mas quero conseguir escrever melhor. Então estou criando vários one-shot como treinos! Então, por favor, deixe uma crítica construtiva para mim, quero evoluir😁
Ah, estou aprendendo a mexer nesse site também, perdão se estiver tudo confuso!