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Tudo que eu sempre quis, foi te fazer feliz.

Summary:

Depois de alguns meses da partida de Aziraphale, Crowley está tendo um tempo difícil com todas as mudanças que aconteceram. Isso se prova maior quando 2 batidas e uma girada de fechadura são escutadas na livraria.

 

"você é uma parte do que eu odeio e eu uma parte do que você odeia"

"Eu tomei aquela decisão tentando fazer com que você voltasse a ser feliz."

Notes:

Escrevi isso aqui no meio da madrugada enquanto via fanarts dos dois.

Caso ache estranho o jeito que os dois estão falando, eu vi a série em inglês, então eu basicamente traduzi o jeito que eles falam para o português

* É a primeira vez que realmente escrevo e posto alguma coisa, então desculpe qualquer erro.

Work Text:

O demônio Crowley sentava em sua usual cadeira perto da grande porta vermelha da livraria que adiministrava. Adiministrava. É. Isso. Ele não era o dono, nunca foi. A meses a venda de livros vinha caindo bruscamente. O novo livreiro não é lá muito simpatico, nada comparável ao bondoso Mr. Fell, viajando com sua familia a 5 meses.

A linda livraria ainda continuava intocada, os livros continuavam ali, ainda organizados pela primeira letra da primeira frase. Crowley não tem coragem de os tocar, a não ser, ocasionalmente, para tirar um pouco do pó que se acumula em suas laterais. O chão já tem uma camada fina de sujeira e as janelas não são abertas a um tempo. Crowley não tem tido uma boa semana.

O demônio veste uma camisa social preta com calças da mesma cor, ambas que estão um pouco amarrotadas e surradas. Os cabelos vermelhos já estão desarrumados e seu rosto parece cansado e pálido. Ele cheira a bebida, bebida e um pouco de sangue. Ao lado de sua cadeira, uma pequena mesinha contém uma garrafa de whiskey quase cheia acompanhada de um copo pela metade e um monte de materias de primeiro socorros jogados e já meio gastos.

Crowley enrola um monte de bandagens em seu braço esquerdo, se esforçando para as deixar bem presas. Depois de algum tempo considerável, mas que vem melhorando nos últimos meses, ele finalmente consegue enfaixar propiamaente seu braço e assim que estende a mão para seu copo, duas batidas na porta são ouvidas.

- Estamos fechados por hoje! Tem uma livraria descendo a esq... - mas antes que a frase fosse completa uma virada de chave na fechadura fez com que Crowley se levantasse rapidamente.

Antes que qualquer outra frase pudesse ser gritada pelo demônio, toda a sua mente ficou branca. Quem estava na sua frente não era um ladrão, mas sim Aziraphale, o anjo dono da livraria que partiu para o céu logo depois de um pequeno desentendimento entre os dois.

Um silêncio se seguiu onde entre uma pequena pilha de livros os dois se encaravam. Crowley encarando as sutis mudanças no anjo, que por mais que ainda vestisse sua roupa usual, tinha o rosto cansado, os dedos levemente queimados e se mexia de uma forma esquisita. Já Aziraphale, encarava fixamente o braço enfaixado, não parecendo nada surpreso com a aparência deplorável do demônio com quem conviveu por muito tempo. Depois de alguns segundos, Aziraphale finalmente passa o olhar para o rosto de Crowley.

- ... Oi! - sua voz era ansiosa e com um falso tom alegre - eu sei que tem muitas coisas que eu preciso explicar, mas... eu precisava muito vir aqui. Tem algumas coisas que a gente precisa...  conversar. - seus olhos voltaram para Crowley depois de uma pequena olhada em volta

Os olhos do demônio, agora com uma expressão seria viajavam do rosto do anjo pelo local.

- ... Crowley?... Tudo bem?

- Ah sim! Tudo ótimo com a livraria! - sua expressão pasava de um sorriso nervoso para pequenas expressões de dor e irritação.

- Não... Crowley tá tudo bem com você? Eu sei que eu...

- Tudo certo Aziraphale! Perfeitamente bem! Mas provavelmente não com o céu né? Já que você teve que descer até aqui! - seu rosto agora tinha um sorriso claramente raivoso e irônico.

- Crowley, eu não quero que você... eu não quero que você pense que eu não me importo com você. -  a voz do anjo ia falhando enquanto as palavras saiam de sua boca.

- Claro! Certo anjo, claro! Se era só para me ver você já viu! - ele pega seu copo e vira o resto em sua boca - Agora eu preciso sair para fazer meu cruel ofício de demônio! - sua voz agora era visivelmente embriagada enquanto caminhava até a porta.

- Crowley - Aziraphale segura sua mão antes que o demônio passasse - por favor, me deixe explicar.

- Não precisa! Já tá tudo bem, você faz o seu trabalho no céu e eu faço o meu no inferno. Pronto! Tudo resolvido, nós voltamos a ser como nunca deveríamos ter saido! - por mais que brava, sua voz ainda falha um pouco ao pronunciar a palavra inferno.

Durante alguns poucos segundos ambos só se olham, Aziraphale tentando entender o que tinha se passado nos últimos meses ao mesmo tempo pensando em como o convencer de ficar. Crowley só contemplando a face instável do anjo, totalmente inexpressivo.

Rapidamente, Crowley se vira, colocando os óculos escuros e já a um passo da porta quando uma voz chorosa atrás dele é ouvida.

- Me diga, por favor, que foram eles que fizeram isso. Por favor.

Se virando, Crowley encara o anjo alguns passos a frente encarando diretamente o braço enfaixado.

- Por favor Crowley, me diz que não foi você.

- E o que isso afeta na sua vida? Você vai voltar para o céu e eu para o inferno! Eu odeio o céu e você o inferno, você é uma parte do que eu odeio e eu uma parte do que você odeia!

- Crowley! Eu preciso que você entenda! Eu não fui para o céu porque eu gosto de lá. Eu não aceitei aquele acordo por mim! Eu sempre quis fazer o melhor para as pessoas, - ele dá um passo à frente - e principalmente eu sempre quis fazer o melhor para você!

O anjo continua encarando o rosto do demônio que ele protegeu, o demônio que ele passou horas vendo se embebedar, enquanto ele ia de um lado ao outro em sua sala, decidindo o que fazer. O mesmo rosto que ele passou tanto tempo tentando entender, tanto tempo tentando achar um jeito de fazê-lo feliz.

- Eu tomei aquela decisão tentando fazer com que você voltasse a ser feliz. Eu odeio o inferno. Mas não porque deus me mandou odiar, mas sim porque eu vi, durante centenas de anos ele corroendo você, corroendo a sua felicidade. - seu corpo todo parecia uma mistura de raiva com ressentimento - Tudo que eu sempre quis era ver você sorrindo igual você sorria antes da queda Crowley. - ele deu um grande suspiro enquanto o rosto do demônio estabelecia um feição mais calma.

Os dois, a pouco mais de um metro de distância um do outro, parecem se controlar para ficar estáveis. Só depois de alguns longos segundos, um choramingo audível de Crowley parece levar ambos a realidade de novo. Como se depois de anos tendo se passado, Aziraphale vai até Crowley e o abraça, logo depois devolvendo propiamaente o beijo que lhe foi dado a algum tempo nesse mesmo cômodo. Dessa vez não desesperado, mas calmo e afetuoso.