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Sinners- Jasmi

Summary:

No final, em qualquer universo, em poucos dias eles seriam carne e unha. Metades que não poderiam ser separadas nem se forçassem. Almas que já estavam conectadas por um fio invisível em qualquer lugar. Remi sempre dividirá a culpa de Jasper e Jasper a dele. Não importa os corpos, eles sempre vão ser um do outro. Não importa a distância eles sempre vão voltar um pro outro. Um acordo silencioso foi feito.

AU:Vimpire!Jasper Human!Remi

Notes:

primeira fic! Talvez(com certeza) tenha erro ortográficos mas me esforcei ao máximo perdão! Me inspirei nas arte de @/susujenii no Twitter/x e nas músicas: He’s my man- Luvcat, pixelated kisses- joji e doce vampiro- Rita lee, Roberto de Carvalho.

Boa leitura<3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Era mais uma missa, mais uma missa onde teria que se confessar de seus pecados. Mais uma missa. Mas era tudo por ela. Elisa, ah como ela era sua fonte de vida, de energia, de brilho, era seu milagre. Faria de tudo por ela e assim continua fazendo.

Não tinha um dia onde não conseguia lembrar da sensação de que deixava que seus pais o torturavam pra que não fosse nela. Não havia uma noite, que o único calor que sentia, era da prata quente enquanto seus pais faziam os rituais pra se lá sabe o que. Jasper só era uma criança. Não tinha um dia que não lembrava de seu pulmão ardendo, do sufoco, do medo e da dor. Todo dia ele lembrava com um gosto amargo nos dentes, como aquele pedaço de comida entre os dentes, do culto de seus pais e como eles o transformaram nisso mas ele lembra o gosto do sangue de cada um deles. Jasper sabia que sua irmã Elisa era fiel ao Senhor, lembrava que todo dia ela pedia a algum Deus para a salvação do irmão, para que o pecado de seus pais não recaíssem sobre ele, entretanto, já era tarde demais, não tinha salvação pro pecado que foi sentir o gosto do sangue, o prazer que foi ver eles se contorcerem em dor e deixá-los ali. Outrora seguiu como sua irmã queria, se tornou parte de uma paróquia e ajudara principalmente o padre sendo sacristão. Enquanto isso, sua irmã tinha outras funções como sacerdócio.

Era cinco e meia da tarde, fazia um calor terrível afinal era janeiro, aquela roupa iria grudar em toda a pele, jasper pensava consigo mesmo. Estava arrumando os cabelos brancos e terminando de se arrumar, nesse dia era batizado de uma criança recém saída do hospital por câncer, ele conseguia ver os olhos de Elisa brilhar. O albino tampava suas tatuagens com uma base de seu amigo Juan -“Vai ajudar a camuflar branquelo”- era o que ele dizia, e realmente ajudava, era uma dor de cabeça se resolver com outros sacerdotisas.

//

A missa estava pra começar, era seis horas em ponto, Remi estava desconfortável naquela roupa porque segundo Tuco “era mais adequado”, não que ele se importasse mas estava muito calor. Tinha arrumado do melhor jeito a prótese e tentando parecer o mais formal que conseguisse - ele não conseguiu- mas já estava atrasado, avistou a primeira pessoa que provavelmente fazia parte da igreja. Era um homem mais alto que ele, usava óculos e provavelmente albino, parecia um anjo de certa forma.

-SENHOR! -Remi gritava de uma distância aceitável acenando para o homem

O homem se vira para ele assustado

-Perdão, como posso ajudar?
-Então eu preciso saber a entrada porque tá sendo o batizado da filha do meu amigo e ‘tô meio perdido, esse bagulho é enorme pra caral- ele se interrompe- perdão na casa do senhor não se fala palavrão não é?- tampava a própria boca envergonhado, apesar de não se sentir verdadeiramente envergonhado.
O albino dá uma risada curta e abafada- Isso acontece muito… é.. seu nome?
-Remi
-Ah Remi, isso acontece muito por aqui as pessoas normalmente se perdem… mas se for pro batizado é só vir reto estou indo para lá também. Jasper, prazer- e estende a mão

Eles apertam as mãos mas algo acontece, como se algo neles tivessem despertado, apesar de ter sido algo um gesto simples parece que aquilo foi diferente, foi algo rápido, porém, o momento foi eternizado.

//

Jasper ficou pensativo durante todo o batismo. Em toda sua vida, desde que se transformara nessa “fera”, ou melhor, vampiro, isso nunca tinha acontecido nem mesmo com um de seus amantes ou parceiros românticos. Quem era esse cara? Por que ele sentiu algo? Como se fosse um sino? Uma intenção?
Sua cabeça estava uma bagunça mas tinha um trabalho a fazer, o batizado.

Quando o evento acabara, a igreja que estava enfeitada, e principalmente, com uma pequena comemoração pela saída da menina “Manu” do hospital, com direito a salgadinhos e doces, a missa acabou cedo nem teria realmente toda uma missa era apenas um evento pra ela. As luzes laranjas da igreja já incomodava os olhos de Jasper, que naturalmente já é sensível a luz, os olhos coçavam e ardiam era uma sensação que sabia que quando chegasse em casa teria que passar colírios e fazer nada. Enquanto tentava passar um guardanapo por debaixo do óculos pros olhos pararem de lacrimejar sentiu um toque em seu braço, imaginou que fosse Elisa ou outra pessoa ou até mesmo o padre, até ouvir a voz.

-Jasper?

Para sua surpresa era Remi, o homem de mais cedo, estava acompanhado de uma mulher de cabelos brancos e pele clara.

-O que posso ajudar, novamente, Remi?- dizia tentando focar a visão novamente e acenando para a moça ao seu lado
-Na verdade não era bem uma ajuda, você conhecem um Juan?- era a mulher quem falava
-É mesmo! Somos amigos dele e ele acabou contando para a Lena- apontava para a moça ao seu lado- que eram amigos, a gente tava pensando em fazer um ‘rolê com a galera, Lena acabou te reconhecendo quando viu no batismo.
Ele solta um ar pelo o nariz, quase uma risada-Conheço o Juan sim, somos amigos de longa data. Vou ver com ele se ele for e posso ficar de avisar vocês, pode ser?
-Claro!- era Remi quem respondia- qual seu número?

Jasper da seu número ao Remi e pensa que Juan vai ter poucas e boas pra contar dessa coincidência.

//

Remi realmente nem se importava com a ‘resenha’ que iriam fazer só queria realmente ter pego o número do sacerdote gatinho da igreja, de fato, iria acontecer esse encontro num clube mais conhecido como The Monica club onde o ficante de Lena estaria tocando, e de fato, eles conheciam Juan pra falar a verdade era Lena quem o conhecia eram colegas de trabalho e também amigos de longa data. Era Juan que sempre conseguia bolsas de sangue pra Lena e pro próprio, Remi que buscava contatos para os amigos mesmo que não fosse um deles. O moreno tinha um leve ‘briefing’ de quem era Jasper, depois que Lena o avistou e disse que era um amigo de Juan ficou reparando, era um homem e tanto… UM HOMEM E TANTO, era o que pensava consigo mesmo, braços fortes e musculosos que a bata da igreja cobria bem, era mais alto e o charme era o óculos e provavelmente o fato de ser albino e seus olhos serem extremamente claros com, até mesmo, os cílios brancos. Sabia que algo o tinha cativado mas não sabia o que exatamente.

Chegara em seu apartamento, tomou um banho e vestiu uma roupa confortável, pegou uma latinha de energético e foi para a mini varanda do apartamento onde tinha uma cadeira. Ligou seu celular e digitou o número que havia pegado

Contato: Jasper

R: Jasper? É o Remi, o do batismo da Manu
J: Opa, sou eu mesmo já vou te adicionar aqui

O acastanhado foi puxando os mais diversos assuntos possíveis, perguntando de como era o trabalho ali e até de como era amigo de Juan de como ele tinha achado maneiro Jasper ser albino, e fez até umas perguntas bem bobas sobre. Remi tinha percebido que ele já tava no papo, o Albino também puxava assunto e perguntas sobre sua prótese, quando percebeu ficaram a noite toda conversando

Contato: Jasper

R: até que pra um sacerdote você é bem engraçado
J: ta querendo dizer o que?
R: você me serve bem
J:vai ti fude ô muleque
R:kkkk boa noite aí, vamo se falando
J: boa noite pra ti tbm te aviso do rolê

Contato: Jasmin

//

Se fazia alguns dias do encontro na igreja e faltavam ainda duas semanas até o show no The Monica club que iriam. Jasper no seu intervalo do trabalho gastava seu tempo conversando com Remi, que também o respondia na mesma intensidade, mesmo sabendo que seu intervalo eram de apenas quinze minutos, trabalhava como segurança e sabia que os seus intervalos nunca tinham realmente quinze minutos. Os dois estavam marcando de se encontrar na casa do outro, perceberam que tinham mais em comum do que incomum mesmo que Jasper não havia contado a verdade para ele pelo o menos ainda não. Não ainda. Quem sabia era apenas Juan que o ajudava.

Contato: Ratatouille

R: Na minha casa sábado às 17:30? Vai tá passando maratona
J: maratona do que?
R:crepúsculo
J: e tu gosta?
R: não, nunca vi
J: pode ser saio do trabalho de manhã cedo de qualquer jeito
R: fechado Jasmin
J: não me chama assim
R: jasmiiinnnnnnnnnnn

O tal do apelido “Jasmin” nas muitas conversas que tiveram se fez mais e mais presente, não que ele não gostasse, mas era algo que Remi fazia para o provocar e ele só se rendia ao que o moreno queria.

Nessas pequenas conversas que tinha com ele quase esquecia da sua vida rotineira, era como se ele fosse um ponto onde Jasper poderia descansar onde ele pudesse esquecer que precisava de sangue para se alimentar, onde ele esquecia cada um de seus pecados. Voltava do trabalho e estacionava a camionete na vaga de frente de casa, não era uma casa grande mas era confortável, é uma casa de chão e tem um pequeno quintal com sua horta que constantemente ia cuidar, o muro era de concreto e consideravelmente alto e tinha cerca elétrica em cima dele. Ele adentrava o portão da casa olhava a caixa de correio e iria direto para dentro de casa. Era cotidiano fazer as mesmas coisas, tomar um banho comer alguma coisa e até mesmo ler algo, entretanto, um sentimento de angústia como uma onda fervorosa que vinha como uma tempestade e não iria embora facilmente. Jasper já sabia lidar com os gatilhos quando vinham ou quando sabia que começaria a ter alguma crise mas dessa vez parecia ter mudado mais alguma coisa.

-porra vai se fuder que dor no peito- falava enquanto batia a mão na bancada da cozinha.

Ele tentou pegar um copo da água mas falhou miseravelmente ao abrir a torneira da pia, sentia seus dedos formigarem e sua garganta trancar, era como estar afogado. De novo. Tentou pegar alguma bolsa de sangue ou qualquer coisa e falhou de novo. Sufocado. Começava a entrar em desespero, sentia o colarinho da camisa apertar e conseguia sentir o suor escorrer. Ele se encostou na parede com um solavanco e foi caindo lentamente tentando respirar, suas mãos iam até os bolsos onde estava o seu celular procurou a primeira pessoa que pudesse ligar. Não, ele não irá ligar pra ninguém. Pegou seu terço e começou a rezar como sua irmã o ensinou.

“-Jasper, quando você tiver outra crise comece a rezar. Talvez te acalme como me acalma!”

Foi o que ela falou- “qualquer coisa, a mana está aqui pra você tabom?”- ela também disse logo após isso. E foi exatamente o que ele fez. Rezou mesmo que com falta de ar, não que ajudasse em algo, ele sabia que isso não funcionava pra ele. Mas mesmo assim o fez. Ele sempre fazia isso.

Ele fazia porque achava merecido de seu pecado.

//

Sábado, rua das harpas, 17:30, prédio azul, apartamento 301.

 

-O apartamento é pequeno mas se sinta em casa, vou fazer uma pipoca pra gente. Pode deixar teu sapato na porta mesmo.- Remi falava enquanto ia pra cozinha, ele tinha se arrumado pra ver ele?

Jasper o seguiu até a pequena cozinha e ficou ali na bancada olhando o cômodo, estava genuinamente nervoso, porque?

-Vai ficar mais cego olhando pra luz- disse com um tom de deboche, se formando um sorriso no canto dos lábios
-É meio esquisito ficar parado só olhando…
-Pega algo pra gente na geladeira aí, tem cerveja, quer dizer, não parei pra perguntar se você tomava mas também tem energético. A pipoca não vai demorar muito de qualquer maneira.

E assim o fez, não sabia como iria ficar depois que comesse a pipoca, mas não queria ser rude.

-Então- Jasper começou olhando para os imãs da geladeira em formato de notas musicais- você gosta bastante de música né?
-Tá falando dos ímãs?- falou ligando o fogão e já colocando a panela- eu fui músico uma época, quer dizer, músico é uma palavra forte mas a Lena comprou esses ímãs quando me apresentei pela primeira vez.
-Foi mesmo é? Só acredito vendo.
-Vou pegar meus cadernos depois pra você vê, seu merda- falava rindo e mostrando um dedo pra ele.

Eles se sentaram no sofá e Remi já colocou realmente a maratona de crepúsculo. Jasper não sabia como se comportar e o outro homem já percebeu, dizendo algo como - Pode colocar as perna em cima do sofá, tem demônio nenhum aqui não Santo.
Eles riram em muitos momentos do filme, tinham boas partes sem pé e nem cabeça, conseguia perceber Remi se aconchegando mais e mais perto dele, não que fosse um sofá grande mas era notável- Você é um pecador, Jasper.- pensava consigo mesmo, além de todos os pecados esse o perseguia ainda mais. Não conseguia não se render a tentação, de novo.

Já era em torno das oito horas da noite e estavam no começo do segundo filme. A pipoca já havia acabado e Remi pegou mais cervejas pra eles, Jasper estava se controlando já que iria digirindo pra casa não que fosse longe mas não queria cometer erros.

-Porra não é possível que olharam pra isso e achavam normal
-Tá falando do que?- O moreno o olhava de canto de olho meio indignado.
-O cara sai e depois o outro que era interessado vira melhor amigo e agora tá pra contar a maior resenha…
-Fica pior
-Cala boca mano- o olhava com cara de desespero e riam.

Em algum momento, Remi tava com as pernas apoiadas em seu colo enquanto mexia no controle da Tv pra botar no próximo filme e provavelmente o último da saga.

-Esse é o último filme
-Tava na hora já, puta merda
-Vai dizer que não gostou desse tempinho, hein Jas?- Fazia a pergunta enquanto o cutucava com o pé.
-Não to afim de amaciar seu ego, Ratatouille.

Era incrível e até engraçado como em tão pouco tempo estavam próximos. Até mesmo no toque físico e saber como o outro era, estava estampado na cara de Remi como era egocêntrico e controlador, como também estava estampado na cara de Jasper como era observador e protetor. Mas havia algo que ele não queria que Remi visse, não ainda. Mas também não imaginava que Remi pensava o mesmo de si próprio, ele não queria que Jasper também não visse algo, não ainda.

O último filme já teria acabado, estavam comentando e rindo ao mesmo tempo. Inconscientemente, não queriam que esse momento acabasse.

-Agora posso te mostrar minhas músicas
-Se você não falasse não iria lembrar
-É porque a sua pele é de um assassino Jasper- Saia e imitava um dos personagens do filme.
-Qual foi!?

Remi voltou com um amontoado de papéis. Alguns estavam meio desgastados e outros pareciam recentes, parecia que fazia isso a anos.

-Essas são minhas criações, meu maior orgulho se eu posso dizer… Até porque as de hoje em dia são mais fodas

Observava com cuidado cada uma das letras, apesar de falar algo engraçado ali e aqui, sabia que tinha um peso maior para o outro a sua frente. Ouvia suas histórias com cuidado meticuloso.

-Essa aqui eu escrevi pra alguns amigos- Fez uma breve pausa, quase revendo o que ia falar- eles morreram, mas eu gosto do nome que dei a música pra lembrar deles.
-Sinto muito- Fez um leve carinho na mão que pousava em cima do papel.
-Não precisa sentir- soltou um leve suspiro, quase sorrindo- já faz muitos anos, eles acreditavam no seu Deus também.
-Muito provável que encontraram seus caminhos aos céus- falava com firmeza mas que soasse como conforto.
-É, talvez… Mas foram pelas portas dos fundos com certeza. Não tinha como pessoas como nós terem entrado pela porta da frente no céu.

Jasper percebeu, tinha algo muito maior nessa frase e não insistiu muito, só ficou ali o ouvindo.

-Bem, vê se reza por eles, hein Jas?
-Claro

Remi pegou a mão de Jasper que fazia um carinho de conforto e colocou no próprio rosto, se confortando no seu toque. Jasper realmente não queria ver o rumo que aquilo estava tomando, mesmo realmente querendo muito, não precisava de Remi se infectando com seus pecados.

-Tá tarde Remi, tenho que ir pra trabalhar amanhã- falava quase como um sussurro.
-Tudo bem, vou te levar até lá em baixo na portaria.

A brisa era gelada apesar do calor que havia feito o resto do dia. Jasper estava na porta do carro enquanto se despedia do homem a sua frente.

-Vê se não bate esse carro aí
-Não vou te dar esse gostinho não, muleque.

Remi acenava pra ele enquanto ligava o carro. Ele queria que momentos como esse pudesse durar um pouco mais e seria mais um motivo pra se confessar de novo. Sabia que teria que acordar cedo no outro dia pra missa de domingo e sabia como seria o próximo dia com flashs e flashs de lembranças do culto de seus pais. Então sim. Talvez ele queria que isso durasse um pouco mais. Foi segurando o cordão que formava um colar em seu pescoço com o terço, rezando e desejando, que Deus o perdoasse por sua pecaminosidade.

When I saw you
I knew
You were mine
If you leave
I'll kill you

 

//

Era o dia do show do psikolera e Jasper estava se arrumando na casa de Juan que tinha o chamado pra isso, era algo que sempre faziam quando tinham algum lugar pra sair. Nesse meio tempo, ele e Remi saíram mais e mais vezes, aos sábados eles maratonavam filmes e depois marcavam de ir em algum lugar, além de sempre estarem se enviando mensagens e fazendo vídeos chamadas. Juan queria perguntar tudo pra Jasper, parecendo adolescente fazendo uma fofoca.

-Tá saindo com o Remi é?
-Até parece…
-Como é que é? Não tá?
-A gente não tá ficando Juan, se é isso que você quer saber- terminava de colocar suas pulseiras e brincos.
-Você não se permite pra nada, hein Jasperzinho- o mirava enquanto terminava o delineado em um dos olhos.
-Eu também não contei pra ele e nem nada…

Se fez um silêncio, Juan conhecia Jasper o suficiente pra saber que ele continuava não se aceitando, pelo o menos com isso, mesmo depois de diversas conversas Juan sabia, melhor que ninguém, que era difícil ainda mais pra Jasper que segue sendo fiel e absorto na religião mesmo não crendo nela.

-Se te serve de consolo, a amiga dele, Lena, também é uma de nós- gesticulava com os ombros por falta de um dos braços-, ele que consegue as nossas bolsas de sangue.

Mais silêncio.

-Vamo pra mais uma caçada hoje, irmãozinho!- tentava forçar um sorriso pra Jasper
-Vamo fazer nossa resenha- retribuía um sorriso singelo.

As palavras de Juan ecoavam na sua cabeça como se estivesse numa caverna e esse fosse o único som a ser escutado.

“A amiga dele, Lena, também é uma de nós”
“Você não se permite pra nada, hein Jasperzinho”

//

Estavam na frente do The Monica Club esperando Lena e Remi aparecerem, já que eram eles que estavam com os ingressos vips do grupo, além deles terem combinado de esperar os outros chegarem.

-Olha como eles estão!- Lena rodopiava Juan enquanto vinha meio dançando.

Eles se comprimentavam e discutiam como iriam fazer para se encontrar dentro do estabelecimento, Juan falava com a voz estridente enquanto Lena tentava dizer algo sensato, mas Jasper só conseguiria reparar o quão belo Remi estava. Ele também pensava como iria explicar pra paróquia se alguém o visse ali, porém, isso era o de menos. O cheiro inibriente que podia sentir do sangue ao seu redor era a real preocupação.

Adentraram o local e era claramente insalubre. As luzes vermelhas vinham do palco e iluminava todo o lugar, porcamente, mas iluminava que feiches de luz saíam pelas frestas das janelas e portas do estabelecimento, a música já se fazia presente e alta. Únicos lugares de luzes diferentes eram os banheiros, indicando pra onde ir, e o bar do local em si.

-Bora pegar uma bebida Jasper! Esquecemos de fazer um esquenta- Remi dizia meio fustrado, era fofo.

Ele o seguiu até o bar, pediram dois copos de whisky e viraram ao mesmo tempo. Remi retorcia o nariz com o azedo da bebida, não era muito diferente dele mesmo, apertava os olhos e fechava a própria mão. Pediram mais dois copos, brindaram e viraram novamente.

-Isso vai me custar algumas águas com gás...- O mais alto falava enquanto sacudia a cabeça digerindo o amargor familiar.
-É fraco pra bedida Jasmin?- Dizia debochado e dando um leve empurrão no ombro do outro.

Não, ele não era. Remi não sabia o quão resistente ele era, principalmente nesse momento.

O show começara, as luzes se apagam e só se ouve uma voz.

-VAMO BOTAR PRA QUEBRAR PSIKOLERA!

Eles dançavam, se empurravam, e Jasper não poderia negar o quão boa era a música. Remi deveria estar adorando. Remi?
Ele fazia com que Jasper e ele mesmo dançassem colados, não que o albino não gostasse, mas sentia algo coçando na gengiva. Remi cantava em plenos pulmões as músicas junto de Lena e Juan.

Por alguma razão, Jasper só conseguia ouvir um estalo em sua cabeça, um sino. Vá, vire a fera que você é, caçe, caçe seus pecados. Ele segurava o terço com força, podia sentir seus sentindos aguçar, seus pulmões inflarem com força. Uma fome e sede animalesca, quase primal. Como se fosse a sua liberdade. Jasper não consegue ficar ali por mais tempo.

Ele sai como se fosse um vulto, uma sombra que não deveria ser pega pelo sol. Saiu do local e foi direto pro carro dando ignição na camionete indo direto para sua casa. Sabia que os outros ficariam sem entender, e não demorou muito pra ouvir o celular vibrar no banco do passageiro. "Ratatouille". Ele não atenderia, não agora.

//

A falta já se fez presença. Sentiu que Jasper havia ido embora, correu para frente do estabelecimento e viu a camionete partindo. Talvez ele não gostou do show? Talvez foi algo da igreja? Culpa de estar ali? Remi não fazia ideia, e a ideia de não saber o que acontecia o deixava pior que estava, o sentimento de não poder saber o que se passava na cabeça do outro homem o tordoava.

Mesmo que Jasper não conhecesse a história e vida de Remi, ele queria saber mais do outro do que Jasper dele. Ele queria explorar como um caçador Jasper, saber de tudo e saber de nada. Entre todas as conversas que eles tinham, Remi, tinha certa esperança de poder saber mais, ele ja estava se sentindo confortável demais com o outro e não tem mais volta quando ele quer algo.

//

Chegou em casa com a vista turva, respiração rápida e o suor escorrendo na pele. Pegou a bolsa mais fácil do congelador e se saciou como pode. Foi no seu pequeno altar do quarto, onde tinha um santo e algumas velas que estava acendendo com o isqueiro, se ajoelhava e segurava o terço com força. Rezava mentalmente tentando se manter firme nos próprios joelhos.

-Me mostre o caminho, eu… Eu preciso saber… Eu não quero continuar vivendo como um pecador, não quero infectar outros com os meus pecados.

Vá e caçe.

-Caçar? Eu não quero mais caçar!- Dizia sentindo a voz falhar, parecia um idiota- Eu quero continuar fazendo isso por ela! Por favor, não me deixe cair na tentação.

Novamente se fez silêncio, a janela do quarto estava entreaberta e a única luz era das velas e dos postes da rua que invadiam um pouco o pequeno quarto.

Jasper já não tinha forças, cedeu os ombros, deixando aquela postura ereta e confiante sair. Começava a lacrimar mas ainda segurava o terço.

-Por favor… Eu sempre, sempre, me esforcei ao máximo. Nunca fiz uma vítima. Eu… Nem mesmo queria ter me tornado isso. Eu sei do pecado da minha luxúria e prazer mas esse… Eu nem tive escolha! Por favor…

Saiu como um sussurro e se fez silêncio de novo, apenas se ouvia o vento e as pequenas fungadas de Jasper. Se sentia como um cachorro abandonado, deixado ali pra morrer e sofrer.

Apagou as velas, fechou as janelas do quarto e ligou o ventilador. Colocou uma roupa confortável e deitou-se na cama, olhou para o celular e viu algumas mensagens de Remi. Não sabia quanto tempo tinha ficado de frente pro altar mas fazia duas horas desde da última mensagem do outro homem. Ele decidiu ligar pra ele em vez de mandar mensagem.

Contato: Ratatouille chamando…

-Eai? Saiu do nada a gente ‘tava preocupado contigo!
-Desculpa, acho que a bebida não me desceu bem- falou baixo e coçava os olhos por debaixo do óculos.
-Quer que eu vá aí?- Remi dizia genuinamente preocupado.
-Não! Não precisa- ele fez uma breve pausa- olha se quiser vir, vem me ver amanhã depois da missa. Vou passar o dia todo lá e se quiser ir direto de lá…

Fez silêncio entre a ligação. Nesse último mês, praticamente, Remi percebeu que Jasper nunca pedia nada. Era algo raro. Jasper ainda conseguia ouvir uns murmúrios do outro lado da ligação, provavelmente era Lena e Juan.

-Vou sim, Jas, só me passa a localização amanhã, beleza?- falava firme mas de certa forma calmo.
-Vou sim, boa noite Remi.
-Boa noite, Jasmin.

Chamada encerrada.

Ele desligou o celular e sorriu pra tela, um certo conforto se fez em seu peito, como se fosse uma pequena chama. Fazia anos que não sentia algum tipo de calor.

//

Era ainda quatro e meia da tarde e estava no confessionário da igreja, mesmo que seja ele quem ouve os outros se confessar, ficava ali em silêncio, afinal, apenas o Senhor tinha que ouvir suas confissões. Depois saiu e foi para um dos bancos rezar, como fazia de costume, junto com outras pessoas que chegavam um pouco mais cedo e normalmente era pessoas mais de idade.

A missa passou e foi rápido. Se sentia exausto quando acabou, os funcionários como os outros sacerdotes, no caso ele também, tinham que esperar a grande maioria sair. Quando a igreja foi se esvaziando viu uma figura reconhecida, tinha um cabelo raspado em uma das laterais da cabeça, usava uma blusa preta e calça cargo preta, botas e tinha um braço protético, era Remi. Ele estava acenando para Jasper, que logo em seguida fez um sinal que iria pegar as coisas e já falaria com ele. Dito e feito, tirou a bata e guardou no seu armário, pegou a chave da camionete e saiu da sala de funcionários direto pra onde o acastanhado estava.

-Ei! Eai?- Deu um abraço em Remi que lhe retribuiu.
-Muito boa essa sua…hum… como é o nome? Pregação?- se enrolava nas próprias palavras.
-É algo assim- soltou um riso abafado- mas você viu a missa inteira?
-Eu vi, lá de trás- apontava com o braço-, uma senhora sentou no banco comigo. Ela disse que ‘cê manda bem na missa.
-A maioria das senhoras de idade falam isso de mim- Dizia tentando imitar o sotaque da voz de Remi.
-Desculpa aí Santo- Gesticulava a mão em rendimento, um completo deboche.

Enquanto saiam da igreja e iam pro estacionamento escutaram alguém aos berros.

-JASPER-ESPERA AI!

Os dois se viraram assustados, estavam praticamente na frente do carro de Jasper. Quando foram olhar quem era viram uma mulher de cabelos louros, olhos verdes e de estatura baixa, mas com uma voz estridente, era Cleo. Remi já teria ouvido Jasper mencionar a sacerdote outras vezes.

-Aconteceu algo Cléo?- falava genuinamente preocupado.
-Não- tentava recuperar o fôlego-, você vai hoje né?
-Vou aonde?
-O pessoal da paróquia vai comer pizza lá em casa, até te mandei mensagem mas não sei se você viu então deduzi que iria!- Ela falava com uma certa esperança nos olhos.

Remi e Jasper se entreolharam meio confusos.

-Nem consegui ver sua mensagem Cléo perdão, vou deixar essa pra próxima.
-Ah…hum… Tudo bem! Marcamos pra outro dia junto com você então. Até mais!- Ela dizia decepcionada.
-Até mais!- Os dois responderam.

Jasper abriu a porta do carro para Remi e depois entrou no lado do motorista.

-Você realmente não viu a mensagem dela?- perguntava arqueando uma sobrancelha.
-Eu fingi que não vi a mensagem até esquecer- dizia com um sorriso no rosto.

Remi caiu na gargalhada até Jasper ignição no carro.

O caminho até a casa de Jasper não era longo mas se tornou quando um silêncio se instaurou no carro, mesmo que tivesse alguma música de fundo, estava um clima estranho. Jasper procurava as palavras para poder contar a Remi tudo o que poderia contar. O que não era diferente para Remi que se encontrava na mesma situação, vasculhando na sua mente quais palavras para poder contar tudo o que tinha para contar.

Jasper tinha deixado as janelas do carro aberta o que fazia com que aquela brisa gelada entrasse no carro, não que fosse algo ruim, mas fazia um sentimento melancólico surgir entre eles. Talvez isso só se passasse na cabeça de Jasper mas porque não abraçar o caos quando já se vive nele?

Chegaram na casa de Jasper e já foram para dentro. Era o próprio Jasper quem iniciava a conversa.

-‘Tá um clima estranho né?- dizia de cabeça baixa, sugerindo que Remi se sentasse na cadeira.

Remi apenas acena com a cabeça e os dois riem baixo.

-‘Cê também tem coisa pra me contar não é, Remi?
-Bom, talvez- acompanhava o outro se sentar na cadeira ao seu lado.

Estavam sentados nas cadeiras do pequeno balcão da cozinha, Jasper estava nervoso, suas pernas tremiam como se estivesse numa maratona. Remi passava a mão em seu braço protético.

-Então- Falaram ao mesmo tempo.

-Pode ir primeiro Jasmin

-Eu não sei nem por onde começar- o fitava receoso.

-Se te serve de consolo, me encontro no mesmo estado- dava um sorriso amarelo.

-Sabe Remi- procurava as palavras- um dos motivos que eu saí ontem, sem avisar e nem nada, é isso aqui- segurava o terço- mas existe um motivo pior, pelo o menos eu acho- segurava a mão do outro num carinho meticuloso.

-Tudo bem, pode ir em frente

-Eu-Eu cresci numa casa onde- a garganta começou a fechar- meus pais faziam torturas comigo e com a minha irmã. Eles faziam parte de algum tipo de culto, não sei bem se religioso, mas que precisavam que a pessoa, ou melhor, criança, sentisse medo… Eu- Eu não deixava que minha irmã fosse torturada por eles- fez uma breve pausa, percebeu os olhos de Remi olhando os seus com um cuidado que provavelmente não veria tão cedo, mas não gostava desse tipo de olhar, não merecia-, então eu me forçava a fazer as coisas que eles pediam errado para que Elisa não fosse machucada. Eles me batiam, me afogavam com a cara num balde e entre outras coisas… Num determinado momento- o olhou mais uma vez, os olhos do outro homem estavam devastados, fazia carinho na sua mão e se aproximava com a cadeira- eu… eu me transformei no que eles queriam. Eles me transformaram numa fera, Remi. Eu-Eu só era uma criança- as lágrimas tomaram conta dos olhos azuis, Remi se aproximou mais, fazendo carinho na sua mão e braço-, eles me forçavam a beber sangue de outros Remi. Eles me transformaram em algo que não consegue comer comida normal. Mas tudo valeu a pena quando eu tomei tudo deles. Salvei Elisa e eu, desse culto e deles. Ela naquela época sempre acreditou em algum Deus ou Senhor, que era o que eles sempre falavam- Remi limpava as lágrimas que desciam de suas bochechas-, eles sempre ensinaram a gente a rezar e tudo. E quando a gente saiu daquela casa, daquele lugar horrível, fomos pra um orfanato e desde dessa época ela falava de entrar para paróquias e tudo. Foi o que eu fiz, por ela. Nesse tempo também conheci Juan, que passou por coisas parecidas, éramos só crianças Remi. CRIANÇAS!- procurava os olhos do outro homem e viu que o mesmo estava com os olhos cheios da água-Mas desde do dia em que me transformei, nisso,- apontava para si mesmo- vinham e iam pensamentos de algo ou alguém falando comigo, “vá e caçe” ou “você é um pecador Jasper”,- gesticulava olhando para outro canto da casa e depois voltava para Remi - e não só isso, mas acho que deu de perceber que fico com outras caras. A voz, esse sino, ficava falando comigo o tempo todo. Era como se fosse um chamado. Ontem, Remi, eu senti uma sede insaciável. Eu senti uma culpa devastadora porque tudo que eu pensava era beber do seu sangue, que era o mais próximo de mim. Eu- eu nunca me senti tão culpado de novo. Eu nunca queria te infectar com os meus pecados, mesmo que eu não acredite, eu não queria te afetar. Mesmo que você saiba do Juan e a Lena, eu não queria que… sei lá te afundar nessa merda comigo- dizia olhando para o outro.

Se fez um silêncio, Jasper respirou fundo o olhando, pensou em pedir desculpas até Remi começar a falar.

-Nossas histórias são parecidas Jasper. Perdi meus amigos, e provavelmente eu mesmo,-apontava para a prótese- além das drogas mas para o mesmo culto que seus pais participavam- Jasper o olhava confuso- eu era um drogado, eu e meus amigos para ser honesto, éramos drogados e moradores de rua. Sempre fugindo. Até que um dia um grupo nos ofereceu uma droga boa, as outras não faziam efeito em nós mais, já estávamos muito viciados sabe? Eles oferecem de graça, como se fosse uma pegadinha, uma brincadeira sem graça, até que a gente aceitou- ele fez uma pausa- na verdade, eu aceitei. Eles nos levaram para um lugar fechado, parecia mais um estacionamento e lá começou. Usamos das drogas e usamos muito. Aproveitaram da nossa vulnerabilidade para começar a fazer o trabalho deles, afinal, o que um grupo de cinco garotos viciados e moradores de rua poderiam fazer? Chamar a polícia?- gesticulava como se fosse uma piada- Eles nos atacaram, torturaram todos nós, até que um conseguiu o que queria. E depois- começou a chacina. Eu corri como se não houvesse amanhã mas não havia algo ou alguém para correr, até que um homem me parou na rua e me ajudou. Depois eu fui para uma daquelas casas de reabilitação, e em toda aquela tortura daquela noite no estacionamento, eu perdi metade do braço. Um deles gostava de harpas e outro sempre falava de ter alguma banda, então comecei a escrever por eles- fazia carinho na própria prótese-, eu recomecei por eles.

Se fez outro silêncio. Jasper viu os olhos de Remi se encherem de lágrimas, ele juntou suas testas e pegou nas mãos do outro homem a segurando juntas.

-Parece que a gente tem mais em comum do que deveria- dizia tentando forçar um sorriso.

-Cala boca- O mais baixo dizia rindo abafado e com a voz manhosa.

Eles ficaram ali de olhos fechados e com as testas coladas. Tinham tirado um peso das costas, terem dividido uma parte de sua história com o outro fez o conforto voltar para eles no silêncio. Remi que descolou as testas e abraçou Jasper, fazendo um afago no seu cabelo, o mesmo que retribuiu o abraço, enterrando sua cabeça na curva do pescoço do outro homem.

-Você me ouve mesmo sendo desse jeito, obrigado.

-E você me ouve mesmo sabendo que eu sou assim, obrigado Remi.

Foi um acordo silencioso que estariam ali um pelo o outro. Sabiam que tinham aberto uma porta que não se fecharia.

Jasper se desvencilhou do abraço e Remi arrumou seus óculos, era um gesto carinhoso, foi então que Jasper percebeu que Remi tinha relaxado seus ombros, deixando aquela postura egocêntrica e confiante.

-E então você é um Santo que bebe do sangue?

-Pode se dizer que sim

-Eu posso dividir essa culpa com você, Jas.

-Eu também posso dividir com o seu.

-Você me lê tão facilmente que quando contei a história eu nem disse que se sentia um merda por ter simplesmente sair correndo- dizia fazendo um carinho no rosto de Jasper.

-Eu te ouço mesmo você sendo assim, foi você mesmo que disse- dizia se aconchegando na palma de Remi.

Mais um silêncio. Mas era reconfortante. Tinham falado o que precisavam e o que queriam.

-Mesmo que só faz um mês e pouco que nos conhecemos, parece que você fez uma ancora na minha vida, desde da primeira vez na frente da igreja

-Então você sentiu também quando a gente apertou as mãos?- Jasper falava sem soltar as mãos do outro que repousavam em seu colo.

-Sim, e fiquei pensando por dias… Deve ser essa nossa conexão

-É engraçado você falar desse jeito- dizia dando um sorriso.

-Qual foi? Lena sempre fala que quando tocou o Eloy pela primeira vez sentiu a mesma coisa!

Fazia mais sentido quando Remi dizia isso, a conexão deles era algo de um Outro lado. Algo maior que eles. Faria sentido pelo o quanto ficaram próximos e confortáveis com o outro tão rápido, o quão confiaram um no outro dessa maneira.

-Eu também deixaria você beber do meu sangue se as suas bolsas de sangue acabassem- Remi dizia sem pudor nenhum, fechando mais a distância que ja nao se fazia presente a um bom tempo na conversa.

-O Eloy também falou isso pra Lena é?- Se inclinava mais até selarem os lábios.

Remi colocou os braços envolta dos ombros de Jasper, que segurava e trazia mais para perto a cintura do outro. O beijo era lento, com um cuidado meticuloso, suas línguas se encaixavam perfeitamente como se fossem feitas uma para outra. Se afastaram depois de pouco tempo, mesmo querendo mais, Remi colocou uma das mãos na bochecha de Jasper e dava pequenos selinhos na boca do outro.

-Eu não cheguei a perguntar isso pra ela- falava com um sorriso genuíno.

Ficaram em silêncio, apenas um apreciando o outro. Jasper fazia carinho no rosto de Remi, ainda com uma das mãos na sua cintura, e o outro apenas o admirava.

-Você não sabe quanto tempo eu esperei para dizer isso em voz alta- Jasper dizia rindo um pouco mais.

-Eu consigo imaginar, foi difícil pra mim também, quer dizer, a parte que você se assume que fica com outros caras

-Quem seria você sem fazer alguma piada num momento desses?-Jasper falava depositando mais selinhos na boca de Remi.

Eles voltam a se beijar, mas era um beijo que começava lento e ficava mais animalesco. Jasper beijava o pescoço de Remi enquanto o outro explorava os braços e peitoral do outro, voltavam a se beijar e só se separaram quando a falta de ar fez presença.

-Você ainda deixa eu beber do teu sangue?- Jasper dizia com dificuldade mas se levantando da cadeira e estendendo a mão.

-Quero que você brinde com a morte com ele, meu doce vampiro.

O caminho ao quarto nunca pareceu tão longo. Chegaram nele e voltavam a se beijar fervorosamente. Jasper tentava se libertar da própria camisa e Remi o ajudava. Se libertaram das camisas e foi quando Remi foi praticamente desfilando até a cama de Jasper, como um chamado, se despindo sozinho e lentamente, ele sabia da falta de paciência do albino. Jasper estava parado na frente enquanto assistia ele se deitando, sem roupas e sem pudor nenhum, deitado na sua cama de forma sugestiva mas se lembrou de algo.

Remi o acompanhou com os olhos até ver que Jasper estava tirando o colar que tinha o terço e murmurando algo.

-Você acha que ele-apontava para cima- vai assistir a gente transar?

-Eu gostaria que não- Jasper falava genuinamente.

-Coloca de novo o terço.

-Que?- arqueava uma sobrancelha pro outro, estava confuso.

-Quero que você me foda com o terço, rezando por mim como você faz pra ele. Se for pra eu dividir a culpa com você, vai ser do meu jeito- falava firme, como um sargento.

Jasper obedeceu a ordem como um cão. Colocou o cordão de volta. E não gostaria de admitir mas foi um tesão ouvir aquilo ainda mais com a voz de Remi que soava como um alucinógeno.

Se livrou das roupas que faltavam e subiu na cama. Foi mais uma vez para beijar Remi lentamente, que agora explorava o peitoral desnudo.

-Posso brindar do teu sangue?- o olhava com olhos de suplica.

-Vai em frente- Tirava o óculos de Jasper e fazia carinho no seu rosto.

-Se doer muito me fala tabom? Tenho medo de te ferir demais…

-Se doer eu falo, Jasmin, se eu quiser mudar eu falo, Jasmin.

Jasper se posicionou em cima de Remi, que estava sentado entre os travesseiros. Começou a beijar o pescoço e se estender a clavícula da pele morena, sentiu a gengiva coçar, começou a lamber a pele exposta até achar uma área onde sabia que teria uma artéria, então atacou. Mordeu e sugou seu sangue. Era quente, era prazeroso, era um banquete. Sentia Remi se deslizando por baixo de si e já moveu rapidamente sua mão até a cintura do outro e colocando a outra mão no pescoço do outro. O sangue escorria e manchava tudo que venha pela frente, estava babando sangue e manchando a própria pele, Remi conseguia ver os olhos azuis reluzir vermelho.

Aquele sangue era tão gostoso, era tão saboroso, que se esquecia de toda a sua relutância. Passou a saborear o outro lado do pescoço de Remi, que está fazendo gemidos saborosos e se agarrando mais em si, puxando seu cabelo de forma manhosa e apertando seu ombro.

-Caralho Jas…

-Seu sangue é tão delicioso Remi…

Dizia dando pequenos selinhos no local. Voltou a olhar Remi nos olhos que trocava entre seus lábios e seus olhos e o beijou novamente, o fazendo provar do próprio sangue. Começou a sentir o próprio membro endurecer abaixo de si.

Jasper separou seus lábios mordendo o lábio inferior de Remi que sorria em puro tesão.

-Você é um pecado Jasper- o puxava pelo o cordão.

-Se for pra ouvir você dizendo isso, eu o cometeria pela a eternidade- dizia lambendo os próprios lábios e olhando os lábios do outro.

Jasper então seguiu seus beijo para o peito de Remi, que seguia subindo e descendo procurando algum ritmo, mordia fraco um dos mamilos e brincava com o outro e seguia dando beijos e carícias até o membro do outro, que por sinal, também tava duro pra caralho.
Começou a depositar beijos por toda a extensão até começar a colocar a cabecinha na boca.

-Você é o melhor Jasmin…- Remi dizia segurando seu cabelo e entrelaçando a outra mão livre na sua.

Foi o clique para Jasper continuar o trabalho. O chupou até sentir que Remi estava chegando no ápice, até sentir um puxão no cabelo. Fez uma cara de choro com a falta do penis de Remi.

-Como eu disse, Jasper, vai ser do meu jeito.

Ele não sabia como mas Remi inverteu as posições e se distanciou um pouco apenas para se preparar. Jasper o observava, ainda com sangue escorrendo da boca entreaberta, ele queria mais de Remi. Precisava dele.

Remi então finalmente sentou em Jasper, até se acostumar com o membro, não que fosse grande, era médio mas grosso. Segurou firme os braços do homem abaixo de si e segurou o cordão de novo, sangue escorria pelo o seu peito e braços. E então começou a cavalgar em Jasper, o mesmo que estava firme na cintura de Remi soltando gemidos obscenos demais para ser escutados por outros.

-Porra Remi…

Quando Jasper pendia a cabeça para trás e Remi já o puxava pelo o cordão, provavelmente iria ficar marcado mas quem se importa? Foi quando Jasper começou a acompanhar o ritmo de Remi que seus quadris se chocaram ainda mais, fazendo barulhos sujos e molhados. Remi pendia para frente com as estocadas, fazendo com que se beijassem de novo. O albino aproveitou o momento para mordê-lo de novo.

Único som que saia dos lábios do acastanhado era o nome de Jasper e gemidos manhosos. Jasper inverteu as posições, Remi já percebeu o que estava pra acontecer e ajeitou as pernas. Jasper começou a espelhar o pré gozo dos dois para penetrar e quando começou, ah, Jasper queria que todos soubessem que era ele quem estava fazendo Remi gemer de maneira tão bela. Saber que era pelo o nome dele que Remi chamava. As estocadas ficavam mais rápidas e fortes até uma finalmente chegar na próstata de Remi.

-Porra não para Jasper…eu to quase-

-Eu também…

Falavam entre gemidos, Remi forçava com o terço Jasper olhar nos seus olhos, os dois estavam uma bagunça cheios de sangue e pré gozo. Foi enquanto com mais um beijo fervoroso que Remi chegou ao ápice, gozando sobre a barriga de Jasper e a própria. Não deu muito tempo Jasper também gozou, dentro de Remi, como o próprio pedia entres gemidos.

Os dois se olhavam, o peito ainda subindo e descendo sem fôlego, sendo a única luz do quarto era a que vinha era da janela que estava fechada, Remi era tão lindo daquele jeito. Remi arrumava uma mexa do cabelo de Jasper e dava um pequeno selar em seus lábios.

-Deita aqui- Remi apontava para o próprio braço-, depois a gente se limpa

Jasper saiu de dentro de Remi de uma maneira que não o machucasse, e então, fez o que o próprio pediu. Deitou-se no braço não protético dele, que foi recebido com um carinho no nariz, como se estivesse descendo algo delicado.

-Quero que me infecte com seus pecados- dizia sussurrando.

-Você não merece isso, Remi- dizia passando um braço pela cintura do outro, trazendo para mais perto.

-‘Tô falando sério, divida comigo todos eles, quero ser parte de você e você de mim- falava firme, era quase uma ordem.

-Farei o que você quiser- dizia sorrindo-, imagino se a gente não tivesse apertado as mãos na igreja

-Um jeito cotidiano me fez conectar com alguém que é minha outra metade- ainda fazia o carinho no nariz -, meu doce santo e vampiro.

E ali eles ficaram. Se beijaram mais algumas vezes até pegarem no sono. No final, em qualquer universo, em poucos dias eles seriam carne e unha. Metades que não poderiam ser separadas nem se forçassem. Almas que já estavam conectadas por um fio invisível em qualquer lugar. Remi sempre dividirá a culpa de Jasper e Jasper a dele. Não importa os corpos, eles sempre vão ser um do outro. Não importa a distância eles sempre vão voltar um pro outro. Um acordo silencioso foi feito.

Notes:

Primeira fic, to nervoso
Sim, existe uma rua que se chama ruas das harpas em sp!
Se tiver algum erro me perdoe
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