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A princesa escolheu um Prince

Summary:

Severus Prince-Snape sempre cresceu cercado de amor. Criado por Eileen e Tobias em um lar acolhedor, ele aprende desde cedo que o mundo pode ser gentil — especialmente entre livros, plantas e o jardim que divide sua nova casa, em Godric’s Hollow.

É nesse jardim que Jasmin Potter o encontra pela primeira vez.

Falante, decidida e dona de uma lógica infantil impecável, Jasmin se encanta instantaneamente pelo menino quieto do outro lado da cerca. Se ela é uma princesa, e ele se chama Prince, então a conclusão é óbvia: Severus tem que ser seu marido. Sem pedir permissão, ela decreta o casamento no mesmo instante em que trocam olhares… e sobrenomes.

O problema surge quando Lily Evans aparece ao lado de Severus. Amiga de infância, confortável demais para o gosto de Jasmin, a ruiva passa a ser vista como uma ameaça imediata ao seu futuro conto de fadas.

Entre promessas feitas cedo demais, risadas no jardim e um ciúme inocente que ninguém ensinou Jasmin a sentir, nasce uma história de amor decidida na infância — daquelas que o tempo só pode aprofundar.

Notes:

OIEE, olha quem apareceu com outra fic pra vcs!
Ai vcs me perguntam: Postando uma sem terminar Alfa Maroto?
Gente eu sonhei com isso aqui kkkkkk e a ideia não me deixou em paz até eu escrever, então esse capítulo é um teste, pra ver se vocês gostam da ideia e tudo mais (por isso o capítulo é curto)
Ai vocês fazem outra pergunta: " E o próximo capitulo de Alfa Maroto?"
Ta pronto já. "Ai Julia porque não postou ainda?"
Boa pergunta kkkkkkk não sei porque não postei mas talvez eu poste hoje mais tarde.
Essa ideia é uma entre as outras 192872929 ideias na minha lista de possíveis fanfics, essa só pipocou mais forte, então me deixem saber se vcs gostam!

Chapter 1: 0.1

Chapter Text

Severus pov

Mamãe diz que mudanças são boas…

Eu não tenho certeza se concordo, mas confio nela. Mamãe sempre está certa sobre esse tipo de coisa — sobre quando segurar minha mão com mais força, sobre quando deixar a janela aberta à noite, sobre quando sorrir antes de eu perceber que precisava daquele sorriso.

Godric’s Hollow cheira diferente da nossa casa antiga. Cheira a grama cortada, madeira velha e alguma coisa doce que eu ainda não sei dizer o nome. Tobias diz que é cheiro de lar novo. Eu acho que é só cheiro de lugar que ainda não me conhece. Ou talvez seja cheiro de magia.

— Sevvy, querido, quer ajudar a carregar os livros? — mamãe pergunta, já sorrindo daquele jeito que significa que ela sabe que eu vou dizer sim.

Eu sempre digo sim para livros.

Seguro uma caixa quase do meu tamanho e sigo com cuidado pelo corredor da casa nova. O chão range um pouco sob meus pés, e isso me deixa nervoso. Casas fazem barulho quando não gostam de você? Penso nisso por um instante longo demais, porque papai aparece logo atrás de mim.

— Ela não vai cair, campeão — ele diz, colocando a mão firme na caixa comigo. — Nem você. Você vai se acostumar, garanto.

Ele sempre fala como se o mundo fosse simples de entender.

A casa é maior do que a antiga. É enorme, cheia de cantos que ainda não conheço. O quarto que vai ser meu fica no andar de cima, com uma janela grande e cortinas claras que mamãe escolheu porque, segundo ela, “a luz gosta de entrar aqui”.

Eu acho que gosto disso.

— Lily vai chegar já já! — mamãe comenta enquanto organiza algumas coisas na estante usando a varinha dela. — Ela ficou animada com a ideia da festa do pijama.

Isso faz meu peito ficar quentinho.

Lily Evans é minha melhor amiga. Desde sempre! Ela não mora mais tão perto quanto antes, mas prometeu vir sempre. Ela não ri quando eu fico quieto demais, nem quando eu prefiro observar em vez de falar. Lily entende silêncios como se fossem frases completas. Ela é capaz de falar por nós dois!

Quando ela chega, o mundo fica menos grande.

A campainha toca antes mesmo de eu terminar de alinhar meus livros por cor — que é a ordem correta, mesmo que papai diga que ninguém organiza assim.

— Eu atendo! — digo rápido demais, e mamãe ri.

Abro a porta e Lily está lá, com o cabelo vermelho preso de qualquer jeito e uma mochila enorme pendurada em um ombro só.

— Seu quarto novo vai ser o melhor de todos, eu posso sentir! — ela anuncia, entrando sem esperar resposta. — Eu trouxe biscoitos. E meu pijama favorito. E minha luz noturna… mamãe disse que talvez eu não precisasse, já que tia Eileen pode encantar algo para nós, mas nunca se sabe.

— Nunca se sabe. — concordo, sério.

Ela me olha por um segundo, como se estivesse me estudando, e então sorri daquele jeito protetor que ela tem quando percebe que estou um pouco nervoso.

— Vai dar tudo certo, Sev.

Sempre dá quando ela diz isso.

Passamos a tarde desempacotando coisas pequenas, escolhendo onde cada livro vai ficar e discutindo seriamente se a escrivaninha deve ficar mais perto da janela ou da porta. Papai entra algumas vezes só para observar, e mamãe traz suco e biscoitos como se estivéssemos fazendo algo extremamente importante, quanto escolhíamos quais criaturas magicas pintar nas paredes.

Dragões, obviamente.

Mesmo que eu tenha pedido para mamãe colocar alguns unicórnios para Lily…

— Depois vocês podem ir ao jardim. — mamãe sugere. — O dia está bonito. E eu vou fazer limonada para vocês dois.

Eu ainda não fui ao jardim.

Desço os degraus com Lily ao meu lado e empurro a porta dos fundos. O jardim é maior do que eu esperava, com grama verde, algumas flores que ainda não conheço e uma árvore grande perto da cerca.

A cerca.

Ela não é alta. Dá para ver perfeitamente o outro lado.

— Olha! — Lily aponta. — Tem outra casa bem perto.

Eu observo em silêncio. Do outro lado, há brinquedos espalhados, uma bola esquecida e um banco de madeira. Parece… vivo. Como se alguém tivesse acabado de sair correndo dali.

— Acho que você tem vizinhos, Sevvy. — Lily diz.

Antes que eu responda, ouço passos.

Passos rápidos.

E então ela aparece.

A menina surge do outro lado da cerca como se sempre tivesse pertencido ali. Cabelo escuro preso com uma fita torta, vestido claro sujo de grama e um olhar curioso que pousa direto em mim — não em Lily, não no jardim, em mim.

Meu estômago faz algo estranho.

Não dói. Só… vira.

Ela me encara por um segundo inteiro, cabeça levemente inclinada, como se estivesse tentando decidir alguma coisa muito importante.

— Oi — eu digo, porque mamãe diz que é educado.

Ela não responde imediatamente.

— Qual é o seu nome? — ela pergunta, finalmente, cruzando os braços.

— Severus — respondo. — Severus Tobias Prince-Snape.

Lembro de completar. Agora que vivemos mais perto dos bruxos tenho que me lembrar disso. Nomes completos são importantes!

Os olhos dela brilham.

Literalmente.

Não de magia — eu acho — mas de alguma coisa parecida com vitória.

— Prince? — ela repete, sorrindo devagar. — Tipo príncipe?

— É… — eu hesito. — É só o nome.

Ela parece considerar isso por um momento muito curto, porque logo depois assente, satisfeita.

— Ótimo.

— Ótimo? — Lily pergunta, desconfiada.

A menina ignora Lily completamente.

— Eu sou a Jasmin — ela anuncia. — Jasmin Potter. E você vai ser meu marido!

O mundo para.

Essa maluca fugiu de algum lugar?

Tenho certeza disso, porque o vento muda de direção de repente, as flores perto da cerca balançam todas ao mesmo tempo e uma sensação quente sobe pelo meu peito até as orelhas.

— O quê? — eu pergunto, porque essa é a única palavra que consigo encontrar.

— Bom… mamãe sempre diz que eu sou uma princesa… — Jasmin continua, como se estivesse explicando algo óbvio. — E você se chama Prince. Então faz sentido!

Lily arregala os olhos.

— Isso não faz sentido nenhum!

— Faz sim — Jasmin rebate, firme. — É lógico.

Eu não sei o que dizer.

Sinto algo diferente dentro de mim, uma pressão leve, como quando fico nervoso demais ou feliz demais. A grama aos meus pés parece crescer um pouquinho mais alta, e Lily olha para baixo, surpresa.

— Sev… — ela murmura. — Você fez isso?

— Eu não fiz nada — respondo rápido, assustado.

Jasmin sorri ainda mais.

— Viu? Ele é mágico.

— EI — Lily cruza os braços. — Ele já tem uma melhor amiga.

Jasmin finalmente olha para ela.

E não parece gostar do que vê.

— Amigas são temporárias — ela decide. — Maridos não.

Atrás de nós, ouço risadas.

Mamãe e papai estão na porta, observando a cena com expressões divertidas demais para adultos responsáveis. Do outro lado da cerca, dois outros adultos se aproximam — um homem de óculos e uma mulher sorridente — claramente tão entretidos quanto eles.

— Parece que o Severus fez amizade rápido. — Tobias comenta.

— Ou algo assim… — mamãe responde, rindo.

Eu fico ali, parado entre Lily e Jasmin, sentindo o coração bater rápido demais para um dia comum, sem entender exatamente quando minha vida ficou… diferente.

Mas, de alguma forma estranha, não parece errado.

——/——/——/——

Jasmin Pov

Mamãe diz que eu tenho presença.

Eu não sei exatamente o que isso significa, mas sempre que entro em algum lugar, as coisas parecem prestar atenção em mim. As pessoas também. Principalmente quando eu decido alguma coisa importante.

E naquele dia, no jardim, eu decidi algo muito importante.

Godric’s Hollow é o melhor lugar do mundo para morar. Tem casas enormes, ruas que parecem histórias e um parquinho que brilha levemente quando o sol bate no escorregador — papai diz que isso é só magia antiga ajudando o metal a não esquentar demais, mas eu acho que é porque o parquinho gosta de crianças.

Tem também praças cheias de árvores que cochicham quando venta e uma confeitaria na esquina que faz os melhores doces do universo. Eu sei disso porque já provei quase todos.

Nossa casa fica perto de tudo isso. É grande, clara e sempre cheia de barulho. Risadas, passos correndo, discussões importantes sobre coisas extremamente sérias — como qual sapo de chocolate tem a figurinha mais legal.

Naquele dia, eu estava no jardim porque estava entediada.

Entediada é um estado muito perigoso para alguém como eu.

Eu chutava uma bola distraída quando ouvi vozes do outro lado da cerca. Vozes novas. Isso chamou minha atenção imediatamente, porque Godric’s Hollow pode ser grande, mas eu conheço quase todo mundo — e definitivamente conheço todas as crianças.

Me aproximei da cerca sem fazer barulho, espiando por entre as ripas.

E foi aí que eu vi ele.

A criatura mais incrível em que já coloquei meus olhos…

Ele não parecia barulhento. Nem bagunceiro. Nem interessante do jeito comum. Ele estava só… ali. Quieto, com o cabelo escuro caindo um pouco nos olhos, parado ao lado de uma menina ruiva que falava demais.

Eu soube na mesma hora.

Não sei explicar como. Só soube.

Meu peito deu um pulinho estranho, como quando a gente desce rápido demais no balanço. O ar ao redor pareceu mais atento, como se o jardim inteiro tivesse parado para ver o que eu ia fazer.

— Oi — ele disse primeiro.

Educação. Ponto positivo.

Quando ele falou o nome, tudo se encaixou.

Prince.

Quase ri.

Mamãe sempre diz que eu sou uma princesa. Não porque eu mando em todo mundo — apesar de mandar — mas porque eu sei o que quero. Princesas sabem disso. Elas não ficam esperando. E também são corajosas…

E eu sou muito corajosa!

Então, obviamente, se eu sou uma princesa… e ele é um Prince… a conta fecha sozinha.

Decisão tomada.

— Você vai ser meu marido! — eu disse.

Simples. Claro. Sem drama.

O vento soprou mais forte naquele instante, e algumas flores do jardim se inclinaram como se concordassem comigo. A magia sempre reage quando eu fico muito certa de alguma coisa.

A menina ruiva fez uma cara feia imediatamente.

Ah.

Então esse era o problema.

Ela estava muito perto dele. Perto demais. Rindo. Como se fosse normal.

— Ele já tem uma melhor amiga! — ela falou, cruzando os braços.

Melhor amiga.

Eu não gostei dessa palavra.

Senti um aperto no peito, quente e rápido, e a grama perto dos meus pés cresceu um pouquinho mais alta sem pedir permissão. Eu nem percebi na hora — só soube que aquilo precisava acontecer.

— Amigas são temporárias… — eu expliquei, paciente. — Esposas não.

Ela ficou vermelha. O Prince também, mas do jeito diferente — o jeito tímido.

Eu gostei disso.

Ele não discutiu. Não gritou. Não correu. Só ficou ali, parecendo confuso, como se o mundo tivesse mudado de lugar sem avisar.

Bom. Mudou mesmo.

Atrás dele, vi adultos se aproximando. Os pais dele, claramente. Eles tinham o mesmo ar calmo, como se coisas boas fossem normais para eles. Do meu lado, papai e mamãe observavam com sorrisos curiosos — daquele tipo que significa que eles já entenderam tudo, mas querem ver até onde vai.

— Ela parece decidida — ouvi papai comentar.

— Gosto dela — respondeu a mãe do Prince. — Tem convicção.

Eu sorri. Sempre gostei de adultos inteligentes.

A menina ruiva bufou.

— Isso não funciona assim!

— Funciona sim — garanti. — A gente mora lado a lado. Ele tem jardim. Eu tenho jardim. Ele se chama Prince. Eu sou uma princesa. É praticamente destino.

Destino é uma palavra bonita. Eu ainda não sabia exatamente o que significava, mas tinha certeza de que se aplicava ali.

O Prince me olhou pela primeira vez de verdade. Não rápido. Não assustado. Me olhou como se estivesse tentando me entender.

— Eu… — ele começou, mas parou.

Não forcei. Princesas sabem esperar quando vale a pena.

— A gente pode brincar amanhã… — eu disse, mudando de assunto. — Tem um parquinho perto da praça grande. E depois a gente pode ir na confeitaria.

Os olhos dele brilharam um pouco.

Vitória.

Posso impressionar meu querido com doces!

A menina ruiva fez um barulho indignado.

— Eu vou estar junto. — ela declarou.

Eu olhei para ela, avaliando.

— Tudo bem — concordei, magnânima. — Mas ele ainda é meu futuro marido.

Ela abriu a boca para responder, mas os adultos riram ao mesmo tempo, e isso meio que encerrou a discussão…

——/——/——/——

Severus pov

Depois que Jasmin disse que eu era o marido dela, eu não soube muito bem o que fazer com as mãos.

Elas ficaram quentes, meio estranhas, e eu enfiei as duas nos bolsos da calça como se isso pudesse resolver o problema. Meu rosto também estava quente. Eu sabia porque Lily estava me olhando daquele jeito atento demais, como quando acha que alguém vai tropeçar.

— Sev… — ela começou.

— Eu sei — resmunguei, sem saber exatamente o que eu sabia.

Eu não tinha pedido aquilo. Não tinha combinado nada. Mas também não tinha sido… horrível. Só confuso. Muito confuso.

Ela é muito bonita…

Jasmin me observava como se estivesse satisfeita. Como se tivesse resolvido um quebra-cabeça difícil e agora pudesse descansar.

Isso me deixou um pouco irritado.

— Você não pode decidir essas coisas, sua doida! — falei, num tom baixo, mas firme.

Ela piscou, surpresa.

— Posso sim! — respondeu. — Acabei de decidir. Serei a futura senhora Potter-Prince! E a gente tem que ter uns dois filhos, no mínimo… — e então começou a murmurar.

Lily soltou um som indignado.

— Ele não é um brinquedo!

— Eu sei — Jasmin disse. — Se fosse, já teria levado pra casa.

Eu franzi a testa.

— Ei.

As duas me olharam ao mesmo tempo.

Meu coração bateu forte, mas eu continuei:

— Para de falar como se eu não estivesse aqui.

O ar ao redor pareceu vibrar levemente, como quando fico bravo de verdade. Algumas folhas da árvore perto da cerca tremularam sem vento nenhum. Lily percebeu. Jasmin percebeu também — e sorriu de canto.

— Ele é esquentadinho… — ela comentou, satisfeita. — Gosto disso.

— Eu não sou esquentadinho! — reclamei.

Antes que a discussão continuasse, Jasmin simplesmente deu meia-volta e saiu correndo.

— EI! — Lily gritou. — Pra onde você vai?!

Eu acompanhei com os olhos, confuso, enquanto Jasmin atravessava o jardim dela, desaparecia por um instante… e reaparecia segundos depois, surgindo pelo portão lateral da nossa casa.

Ela tinha dado a volta na cerca.

— Você não pode entrar aqui! — Lily protestou.

— Posso sim — Jasmin respondeu, já pisando na nossa grama. — Agora é praticamente minha casa também.

Meu estômago revirou de novo.

— Não é nada, doida… — murmurei.

Ela me olhou rápido, como se tivesse ouvido algo importante.

— Ainda… — repetiu, satisfeita.

Mamãe e papai conversavam com os pais dela perto da porta dos fundos. Eu ouvia pedaços da conversa enquanto tentava impedir que Lily e Jasmin se encarassem como duas gatas bravas.

— Eles têm a mesma idade?

— Nosso Severus tem seis anos. Lily também, a ruiva é a filha que eu nunca tive.

— Muito cedo pra promessas de casamento, não acha?

— Ou muito cedo pra saber mentir sobre o que quer.

Os adultos riram.

Eu não entendi por que aquilo era engraçado.

— Vamos brincar. — sugeri, antes que Lily empurrasse Jasmin ou Jasmin decidisse mandar em Lily. — Mamãe disse que a gente podia ficar no jardim. E que faria limonada…

As duas me olharam de novo.

Funcionou.

Brincamos de coisas simples. Correr em volta da árvore. Esconder uma bola velha no meio dos arbustos. Fingir que o banco era um castelo — Jasmin decidiu que era o castelo dela, claro. Lily decidiu que ea também queria ser a princesa do castelo. Outra discussão surgiu, Jasmin simplesmente disse que Lily teria que ser a bruxa.

Eu só queria sentar.

— Você não pode mandar nele! — Lily disse em certo momento.

— Posso sim! — Jasmin respondeu. — Ele é meu.

— Não sou — resmunguei. — Eu só… moro aqui.

— Por enquanto — Jasmin rebateu.

— Jasmin — falei, cruzando os braços, sentindo aquele calor estranho subir de novo. — Para.

A grama sob nossos pés cresceu um pouquinho demais. Nada assustador, só o suficiente para Lily tropeçar.

Mamãe deixou a limonada na mesinha em algum momento entre discussões.

— Sev! — ela exclamou.

— Desculpa — falei rápido. — Eu não fiz de propósito.

Jasmin me olhou com admiração aberta.

— Ele fica poderoso quando fica bravo — comentou. — Definitivamente meu marido.

— Fica quieta, doida… — resmunguei.

Depois de um tempo, Lily lembrou da festa do pijama. Ela parecia querer provocar Jasmin.

— Eu vou dormir aqui hoje, sabia? — ela disse, apontando pra mim. — A mãe dele deixou. Tia Eileen vai deixar a gente dormir em um forte de cobertores!

O rosto de Jasmin mudou na mesma hora.

Ela ficou quieta. Quietinha demais. Parecia emburrada agora.

— Você vai ficar… sozinha com o meu principe? — perguntou.

— Vou — Lily respondeu, sem perceber o problema. — A gente vai comer besteira e dormir tarde.

Jasmin cruzou os braços, emburrada.

— Hm.

Ela não gritou. Não discutiu. Só me olhou por um segundo longo, como se estivesse guardando aquela informação em algum lugar muito importante. Como se esperasse que eu a convidasse também.

— Bom… você vai embora em algum momento. — disse, por fim. — Amanhã você brinca comigo!

— Tá — respondi, porque parecia justo.

E antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, os pais dela pediram para que ela entrasse. Ela hesitou… olhar pulando entre Lily e eu, biquinho nos lábios e braços cruzados.

— Cuidado com a bruxa, meu príncipe. — ela disse alto antes de me dar um beijo na bochecha e se virar.

E então ela foi embora sem olhar pra trás.

Eu vi quando entrou na casa dela, chutando uma pedrinha pelo caminho.

— Ela me chamou de bruxa? — Lily comentou. — E então te beijou e foi embora?

— Acho que sim? — respondi, sem saber.

Lily e eu também voltamos pra dentro para brincar no meu quarto e então a noite chegou rápido.

Depois do jantar, Lily e eu subimos para o meu quarto novo outra vez. Mamãe trouxe cobertores, papai trouxe chocolate quente e disse que aquilo era “tradição de casa nova”.

Deitamos no chão, cercados de travesseiros.

— Você acha que ela vai mesmo… — Lily começou.

— Não — interrompi. — Ela só fala demais… certo?

— Mesmo assim… — Lily disse, bocejando. — Mas não se preocupe. Eu vou cuidar de você.

Eu não respondi. Só fiquei olhando o teto novo, ouvindo a casa respirar, sentindo aquela sensação estranha — não ruim, só diferente.

Talvez mudanças fossem boas.

Apaguei antes de terminar o pensamento.