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Ana Paula passava a mão carinhosamente nas costas do ômega, tentando apaziguar seu desespero. Juliano não parava de chorar, a saudade de sua alfa apertando em seu peito.
Milena pensava em algo para ajudar o ômega, a alfa não poderia aromatizar Juliano, não queria ofender Marina, mesmo que ela não estivesse ali. As alfas olhavam para o rosto triste dele, elas conseguiam sentir o cheiro da tristeza de longe.
Obviamente estavam tomando cuidado para que nenhum outro alfa da casa se aproximasse, o ômega estava tão necessitado e vulnerável que qualquer alfa mal intencionado poderia chegar ali e marcar território sem a permissão dele.
Milena se lembrou de algo de repente. Quando trocou um breve olhar com a outra alfa, Ana Paula deve ter visto algo em seu rosto, pois franziu as sobrancelhas. Milena sorriu, se afastando do ômega e seu cheiro adocicado sem dizer nada.
Juliano chorava copiosamente nos braços da alfa, sentindo o cheiro forte e territorial dela, mas que nunca chegaria aos pés do cheiro da sua alfa. Só de pensar no quão longe ela estava, mais lágrimas caíam.
— Agora todos vão achar que tô exagerando, mas era a única coisa que eu tinha dela... — o ômega disse enquanto gesticulava, sentindo as lágrimas deslizando pelo rosto.
Mas antes que pudesse dizer algo mais, Milena chegou com algo em mãos. Ele olhou, seu choro parando instantaneamente.
— Olha, essa aqui ainda tem o cheiro dela!! — Milena exclamou, levando a jaqueta de Marina, a alfa de Juliano, até o rosto dele.
A expressão de sofrimento no rosto do ômega mudou instantaneamente, ele pegou a jaqueta com força e puxou para perto do seu nariz e sentiu o cheiro forte da sua alfa. Um sorriso grande crescia em seus lábios enquanto Ana Paula e Milena comemoravam ao seu lado. Milena sorriu ao ver o rosto choroso do ômega enquanto ele deitava na cama, inalando o tecido.
Marina havia aromatizado várias roupas para ele, já imaginando que seu ômega necessitado sentiria sua falta, aquela jaqueta era uma das únicas que ainda tinham o cheirinho dela impregnado.
Seu olhos ainda vertiam lágrimas, mas agora de uma felicidade que ele sabia que era momentânea, e decidiu que não iria desperdiçar o momento. Suas bochechas doíam por conta do sorriso, o tecido se tornava úmido, mas ele não ligava. Juliano apenas inalava aquele cheiro profundamente, fantasiando que sua alfa estava ali naquele momento, o acalmando e o aromatizando. Ele se sentia protegido, sentia que nenhum alfa ali perto podia machucá-lo.
As duas alfas observavam aquele momento também cheias de alegria, sentindo o cheiro doce do ômega se tornando mais suave.
