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Tudo começou naquele dia que eles roubaram a van para ir até uma loja de armas perto da cidade. Para então se prepararem e acabarem com aquela criatura maligna do mundo invertido.
As crianças estavam tensas, mas todos ainda tentavam animar uns aos outros.
Steve está dirigindo a van, com Nancy ao seu lado, o guiando. Não é exatamente a melhor hora para conversar sobre o futuro, quando tudo pode acontecer do outro lado. No entanto, uma vontade mais forte se faz presente no interior de Harington.
Então ele comenta com ela, que quando isso acabar, ele quer, sei lá. Viver uma vida legal, sabe, com aqueles desejos de ser pai. Ter seis filhos parece legal. Casa cheia. Steve é filho único e sempre odiou ser filho único. Ter sido a babá dessas crianças por três anos fez ele se dar bem com crianças então ele acha que seria um bom pai, sabe?!
Nancy ri dele.
Seis filhos é um pouco demais, Steve.
Ele não acha.
Bem, talvez ela esteja certa mesmo. É só que bem. Steve vai sentir falta disso, quando esses pirralhos se formarem e forem embora. Quando seus amigos forem embora. Robin disse que vai tentar uma universidade em Nova York, Nancy também tem planos parecidos.
Steve não acha que conseguiria sair de Hawkins. Essa cidade parece que o prende. Talvez seja só coisa da cabeça dele. Steve nunca pensou em ir pra faculdade, porque não é exatamente o cara mais inteligente pra isso.
De certa forma, pareceu certo. Esse sonho de ter vários filhos. Uma esposa. E uma casa cheia e animada. Tudo que ele sempre quis ter quando era criança.
Mas isso não acontece. O sonho é deixado de lado enquanto eles derrotam Vecna e lutam por suas vidas, quase perdendo a de Eddie e de Max pelo caminho. Eles voltam. Machucados. Mas vivos. Primeira parada: ver os que ficaram na casa de Henry no mundo real. É doloroso encontrar Max apagada e com os braços quebrados, mas está viva. Nancy, Robin e Lucas vão em um carro em direção ao hospital, para cuidar de Max.
Já Steve, dirige para sua casa, com Dustin e Eddie no banco de trás.
Mesmo que a coisa com o mundo invertido tenha acabado. Eddie ainda é procurado pelos homicídios. Não tem como eles apagarem isso de uma hora pra outra. Eddie não pode ficar lá nos trailers, e o último lugar que irão o procurar é a casa dos Harringtons. Os pais de Steve não estavam, nunca estão, o que deixa esse plano ainda mais fácil.
Steve cuida dos ferimentos de Eddie, limpa o sangue, enfaixa com cuidado. Em seguida é a vez de Dustin, apenas alguns arranhões que não conseguiu impedir, Eddie se sente culpado, era ele que estava lá, ele deveria ter impedido isso de todo o jeito. Sabe que Steve o culpa um pouco por não ter progredido mais o garoto.
Dustin parece alheio a isso, achando divertido ter algumas cicatrizes. Cicatrizes são sinais de aventuras. Por mais horríveis que tenham sido.
Está tarde demais para Dustin voltar para casa, ele já havia dito para a mãe dele que dormiria na casa de um dos amigos para ela não ficar preocupada.
Logo, ele está dormindo na cama de Steve. Toda essa batalha os deixou exaustos.
Steve diz para Eddie que ele pode dormir junto com Dustin, a cama é enorme mesmo, e Steve achará outro lugar, por mais grande que sua casa seja, não há quartos de hóspedes como muitos esperam, há apenas o quarto de Steve e o quarto dos pais deles, onde definitivamente ele não vai dormir, os cômodos do andar de baixo foram ocupados com um escritório para o senhor Harrington e um quarto de bagunças. É, a casa dele não é tão grande como muitos acham. Só parece, ainda mais para Steve que vive aqui sozinho. Bem, é por isso que ele tenta não ficar muito em casa.
O sofá da sala pelo menos é confortável.
A exaustão chega, mas os pesadelos também. Steve não sabe que horas são, ainda está escuro lá fora. O sono não volta de jeito nenhum, então ele se levanta, pega o maço, o isqueiro, e caminha até o lado de fora. Ele observa a piscina e a escuridão da floresta ao acender um cigarro.
Uma, duas tragadas. O vento frio passa por ele. Nada amparado com o frio do mundo invertido. Três, e seu cigarro é tirado dele por dedos cheios de anéis prateados.
“Também não consegue dormir?”
“O que você acha, Steve?”
“Acho que com esses machucados você não acordaria antes do meio-dia.”
Steve olha para Eddie. A camisa dele estava tão rasgada que depois de cuidar dos ferimentos Steve emprestou uma das suas para ele, era estranho ver Eddie com suas roupas, mas tinha algo que também mexia com ele. Eddie parece adorável.
“É…” Eddie passa o cigarro para Steve que traga uma vez e passa.
Um silêncio se instala entre os dois, há apenas o som das árvores se movendo com o vento, a brisa gelada balançando de leve os cabelos deles e o cigarro compartilhado.
“Sabe. Eu poderia te dar os seis filhos que você tanto quer, Steve.”
“O que?” Steve tosse com a fumaça, de todas as coisas esquisitas que já ouviu vindo de Munson, essa foi uma das piores.
“Os seis filhos que você quer, eu te dou.”
“Não sei se você lembra, Eddie, mas você é um homem.”
“Olha, se nós tentarmos mais, talvez eu consiga colocar um bebe em você, Steve.”
Steve não pode evitar corar um pouco com o jeito sugestivo que o outro disse isso. Eddie está tão determinado, e bonito, e… porra. Que inferno. Steve odeia esse idiota por fazer ele sentir todas essas coisas que ele definitivamente não deveria sentir por outro homem. Além disso…
“Você é ridículo.” Steve nega com a cabeça, desacreditado no que Eddie está dizendo, como se fosse possível! Eles são dois homens. Simples. Não dá pra ter filhos assim.
“Mas você pareceu interessado na minha ideia de te fuder até que-
“Vai se fuder, Eddie.”
