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À bientôt

Summary:

Em meio aos escombros da própria história, Alucard encontra uma velha amiga que lhe faz uma oferta irrecuperável.

Notes:

Uma one-short, bem curta, porém foi a primeira deste crackship, provavelmente escreverei outras, mas não muito cedo kkk isso eu garanto (ou não).
Espero que gostem!

- Também postada no SpiritFanfic (@Srta-Athena) e no Wattpad (@Srta-Athena/ Lina-), todos de minha autoria.

Work Text:

O alvorecer parecia mais bonito daquela parte da cidade. O gosto de vitória o deixa saboroso, mais do que encher a barriga com comida quente e deliciosa, mais do que nunca, sentir a liberdade era realmente gratificante. Principalmente depois de ter feito algo impossível para qualquer um — até mesmo para um descendente de Drácula.

Os pedaços de prédios, antes magníficos, estavam aos montes pelas estradas, assim como corpos de combatentes corajosos, mas também, de criaturas que não deveriam existir naquele mundo. Talvez nem mesmo deuses, ou, quem sabe, o problema fosse nos próprios humanos.

Mesmo assim, ele ainda poderá achar a liberdade da humanidade bonita, assim como aquele alvorecer.

— Para onde vai? — Alucard virou os olhos na direção da pequena comitiva que se aproxima, bravos, extremamente fortes e admiráveis ​​naquela batalha. O vampiro não tirou o mérito de nenhum, principalmente do jovem Belmont e de Annette — Pretende ficar para ajudar a reerguer a cidade?

— Uhm, creio que não tomei este mérito como meu, estou aqui como um mero servo da humanidade, nada além disso — Alucard respondeu direto, seco até. Maria fez uma careta, balançando a cabeça, assim como Richter.

Mesmo nas sombras, o filho do Drácula foi tão formidável quanto qualquer um deles. Se não fosse por eles, tentei descobrir sobre a outra alma da deusa do sol.

— Deixe isso, mesmo que você seja um vampiro de 500 anos, não precisa ser modesto, merece o crédito tanto quanto qualquer um de nós —Richter colocou as mãos na cintura, sorrindo confiante.

— As mesmas piadas de sempre, não sentirei falta quando para o novo mundo. Só tente não aborrecer a Annette, por gentileza.

— Ah, que isso! As minhas piadas são ótimas, e tenho que dizer, meu senso de humor também — Annette soltou uma risada com o comentário do jovem caçador, dando-lhe uma cotovelada entre as costelas doloridas. Richter fez uma careta, seguida de um gemido, demonstrando sua fragilidade a mulher, dona de seu coração inclusive.

— Deixe o Alucard resolver a eternidade dele — respondeu acolhedora, exibindo um sorriso específico ao vampiro antes de arrastar seu futuro companheiro de viagem para o mais longe possível dali. Maria seguiu seu caminho também, acenando com a cabeça antes de seguir pela rua, ajudando algumas pessoas com os suprimentos.

O platinado se atentava em caminhar, não tinha um foco exato naquele momento, apenas queria seguir pelas ruas destruídas da cidade e deixar que o tempo se carregasse de suas próximas aventuras.

Com o fim do reinado e da praga dos seguidores de Erzsébet Báthory, Paris tinha um momento com seu próprio povo, com a liberdade e fraternidade daquele momento tão significativo, um marco que ficaria para a história. Quem sabe, depois de muitos anos e muito trabalho duro, as próximas gerações poderão desfrutar dos frutos que aquelas pessoas estavam começando a plantar, e, Alucard, tinha plena certeza de que estaria lá para ver isso. Mesmo que sozinho.

— Nunca pensei que o veria em território parisiense tão cedo, Adrien Tepes.

Alucard parou de súbito, aquele sotaque marcante do sul da Romênia, o som mais doce e nostálgico que o platinado pensaria em ouvir aquele cenário revolucionário. Além de, obviamente...

— Ninguém me chama de Adrien desde a morte da minha mãe, principalmente usando meu sobrenome de batismo — os olhos âmbar seguiram pela viagem semidestruída, focando na lateral de um dos prédios destruídos, encontrando as esmeraldas insubstituíveis dela pairando na escuridão, como quem fica a espreitada de sua próxima presa.

— Uhum, só fiquei devendo o do meio, os séculos são arrastados quando você precisa trabalhar — a silhueta feminina foi moldando-se à medida que uma jovem bruxa se aproximava da luz, os fios rosados, tão marcantes na memória do não tão jovem vampiro estavam mais intensos, compridos, bem escovados e alinhados como se foram retratados esculpidos milimetricamente perfeitos em uma escultura de mármore — Queria ter suas ações tão notoriamente importantes quanto participar de uma revolução tão marcante.

— Se está aqui, e por que os acontecimentos neste lugar viraram história, se não, você não seria uma bruxa de biblioteca, ou estou enganado, Sakura?

O sorriso dela foi revelado, os passos, silenciosos como um puma, a traziam cada vez mais para perto, o vestido azul escuro tinha a saia dividida em duas fendas, deixando as pernas descobertas da rosada a mercê do vento e dos olhares, o corpete marcava sua cintura e os seios medianos, com babados amendoados dando um charme, principalmente nas alças caídas em seus ombros lisos e graciosos. A pele reluzia com os raios solares, o cheiro de sangue quente pulsava, tal como seu coração, sempre tão quieto.

— Você faz o trabalho de uma musa parecer um mero cortejo com a humanidade — Sakura colocou as mãos na cintura, deitando a cabeça para a sua direita, encarando o caminho que tinha vindo — Mas me admira muito estar aqui, Adrien, desde o Japão não o vi mais.

— As vestes europeias não lhe apetece, a bata branca combina mais com seus cabelos, assim como sua curiosidade, pura e imparcial — Alucard sentiu-se pisando em ovos. Sendo uma bruxa entre os homens ou uma musa entre os deuses, Sakura era tão inteligente que, se tivesse há 100 anos, ela já teria percebido o quanto seus sentidos eram mais aguçados quando estava perto dela.

Seus olhos esmeraldinos vagaram pelo globo branco, erguendo o queixo suavemente para ficar quase na mesma altura do peito do platinado. Até para divindades, a falta de altura era uma desvantagem. Sakura era imponente, tal qual o nome e as origens de Alucard, porém, ela tinha seu charme extra de ter visto aquele mundo nascer junto da humanidade.

— Eu gosto do seu tom galanteador, e bem melhor do que antes, quando era um doce e inocente vampiro — ela evidente, exibindo os dentes brancos — Me pergunto se tantos galanteios não são apenas uma forma de se esquivar da minha pergunta. O que veio fazer em Paris, virou um revolucionário por fim? Ou foi a corrosão dos vampiros que, mais uma vez, deixou seu caixão vazio ao amanhecer?

O platinado suspirou, jogando a capa de lado, cruzando os braços devagar. Se antes eu estava perguntando para onde iria, agora tinha que entreter alguém mais velho que ele próprio.

— Não tenho por que responder seus questionamentos, a sua magia pode ser poderosa contra os humanos, mas contra mim, precisa de um pouco mais de paciência para começar a me influenciar a ser obediente — Sakura estreitando os olhos, rindo pelo nariz, erguendo os ombros suavemente, culpada.

— Sou a musa das histórias, não pode me culpar em querer saciar meu desejo por um belo conjunto de palavras que, quem sabe, possa virar livros e influenciar mais uma geração de humanos.

— Ou de vampiros corrosivos — complementou, recebendo um olhar entediado.

— O conhecimento e imparcial, dois lados de uma mesma moeda, assim como a filha do sol — Sakura desenvolveu suavemente, cruzando os braços — Uma deusa da guerra, poderia ter sido a própria reencarnação do deus sol, mas ao mesmo tempo, era uma deidade que curava os doentes, seus adoradores podem tanto ferir quanto curar seus necessitados. Um fato facilmente mal interpretado, mas não deixa de ser a mesma coisa. Assim como você, filho de Drácula.

Alucard fechou os olhos brevemente, sentindo o gosto amargo do seu passado corroendo suas entradas. O perfume de sua mãe, uma mulher boa e gentil, que se apaixonou por seu pai, um vampiro original, o maior mal que aquele mundo já viu, opostos que, mesmo sendo impossível, resultaram em seu nascimento.

— Um belo híbrido por sinal — o platinado sentiu a garganta apertada quando a sentiu perto demais. Seus olhos se arregalaram ao constatar que ela estava a poucos centímetros de si, as veias bombeando sangue, o coração dando leves picos no ritmo. Tudo nela faz a aristocracia parecer meramente um enfeite para suprimir seus desejos mais carnais e vulgares — Eu aceito um acordo entre nós e deixar-lhe em paz por mais de dois séculos, se gostar de apostar e claro.

Alucard engoliu a saliva acumulada, tentando reunir o resto de juízo que ainda tinha, mas apenas conseguiu segurar nos ombros da rosada, apertando-lhe a carne exposta, fazendo-a abrir um sorriso ladino. Seus olhos, surpreendentemente verdes, parecem se acender como fogo em brasa, formando um círculo branco quase perfeito entre a íris e o globo ocular.

— O que você sugere? — questionou-a, sentindo a razão e a curiosidade entrando em conflito na sua cabeça. Sakura era mais antiga que ele, mesmo tendo seus deveres, ela era facilmente entediada e, pra suprir aquilo, fizesse qualquer coisa, até mesmo brincar com seu delicado coração.

— Eu aposto que, em 2025, muitos e muitos anos depois deste, você ainda cumprirá o seu papel de protetor deste mundo, mesmo que ninguém o reconheça como um herói, ou que todos o vejam como uma criatura que deve ser combatida, creio que ainda assim, será refém dos seus próprios sentimentos e, assim como o próprio conhecimento do mundo, sem um lugar para chamar de lar

— Mas isso não tem lógica, como eu não tomaria este caminho se e só o que eu sei fazer... — Alucard pensou alto, ouvindo uma risada abafada dela; os dedos magros da musa percorreram o tecido grosso do colete preto, parando só quando deixaram sua mão explicada no peito do platinado.

— Essa e graça, Adrien Tepes — suas palavras saíram como uma brisa do inverno, e, como tal, desapareceram como o próprio alvorecer alaranjado, deixando que o céu azul e as nuvens pálidas tomassem a vez de mostrar sua beleza.

Alucard mordeu os dias inferiores, olhando para as próprias mãos, agora, vazias, voltando a respirar regularmente. "Se você ainda estivesse viva, Sakura não teria a menor chance de ter tantos métodos de me deixar desse jeito", pensei, lembrando do sorriso dela, a primeira com quem ele cogitou seguir até os confins do mundo, mas que, infelizmente, o tempo havia sido levado para longe, longe demais até para ele.

— Me resta apenas esperar e torcer para que eu ganhe essa aposta com os deuses — sussurrou, rindo consigo mesmo, dirigindo a caminhar sem rumo.