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Pétalas em Sangue

Summary:

Um pétala amarela saiu de minha boca e caiu em seu túmulo meus olhos já meio inchado de chorar ficou embaçado novamente lágrimas quase transbordando, mordi a parte interna da bochecha para segurar o choro o sangue vazando da mordida me ancorando e fortalecendo minha determinação.

"Garoto" uma voz envelhecida me chamou "Não remoa o que passou"

- Velho eu tenho que ficar mais forte.

"E você vai garoto apenas se acalme um pouco e defina seu objetivo"

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

A primeira pétala caiu em meio as minhas lágrimas a brisa fria do vento me arrepiando, eu estive em frente ao seu túmulo mais uma vez antes de partir para a terra da esperança.

 

– Klein eu não pude te salvar nem o capitão, mas eu vou vingá-los.

 

Uma pétala amarela saiu da minha boca e caiu em seu túmulo meus olhos já meio inchado de choro ficou embaçado novamente lágrimas quase transbordando, mordi a parte interna da bochecha para segurar o choro o sangue vazando da mordida me ancorando e fortalecendo minha determinação.

 

“Garoto" uma voz envelhecida me chamou “Não remoa o que passou" 

 

– Velho eu tenho que ficar mais forte.

 

“E você vai garoto apenas se acalme um pouco e defina seu objetivo” 

 

O dia em que cheguei a Backlund a névoa estava espessa a chuva caia fortemente, sem um guarda chuva caminhei até meu novo apartamento na rua Pister n' 7 um lugar tão vazio quanto a minha antiga casa ou melhor dizendo o lugar que eu mal habitava, com um suspiro organizai minhas coisas que não eram muitas e mas uma vez uma pétala saiu de meus lábios. 

 

O velho que morava em mim não comentou então também permaneceu em silêncio sobre o que aqueles presentes de rosas representavam, elas saiam dos meus lábios às vezes em um suspiro após uma lembrança ou quando estava prestes a cair de joelhos e gritava enquanto meus olhos quase transbordavam de lágrimas que recusaram a cair.

 

A poção de pesadelo me fez dar um passo ao meu objetivo, ser um pesadelo não foi difícil mas olhar as imagens de Dunn e Klein mortos e às vezes vivos conversando, sorrindo e tristes me marcou de um jeito em que nunca conseguiria explicar.

 

Meu coração doía pelo homem de olhos profundos e cinza que era como uma figura paterna que eu nunca tive, um guardião que bloqueou contra o mal até o fim.

 

E havia também Klein um sobrevivente com um segredo, educado, desconfiado, gentil que eu não esperava chamar de companheiro ou confiar minha vida a ele. Meu coração doía ainda mais ao lembrar Klein sorrir de seu revirar de olhos quando eu disse 'Nós somos os dois protagonistas desta história ainda não contada' apesar de agora eu saber que eu não era e nunca fui o protagonista da história a dor em meu peito desde sua partida nunca mais parou e como se alguém ficasse arrancando meu coração a cada despertar.

 

***

 

Leonard olhou para uma foto que havia caído de uma das pastas de investigações passadas arquivadas fixamente, o homem na foto era Klein disfarçado isso ele não podia negar.

 

Em um quadro ele coloriu a foto de Sherlock Moriarty escrevendo abaixo o dia de sua chegada até sua partida de Backlund como relacionando com o aparecimento de Gehrman Sparrow o caçador de piratas no Mar, o velho já havia lhe informado que uma sequência do caminho do vidente era sem rosto.

 

Colocando suas mãos na mesa amassando alguns papéis se segurou, um lágrima solitária escorreu pelo seu rosto enquanto seu coração batia freneticamente um dor de ser perfurado por espinhos o acompanhou as batidas frenéticas, sua garganta coçou algo subiu rasgando sua boca abriu em um grito surdo e rosas amarelas murchas caia de seus lábios.

 

“Garoto, você está bem?" a voz envelhecida perguntou preocupado.

 

– Velho ele está vivo, o Klein está vivo! - falou com certa alegria - Mas preciso confirmar - o parasita roubou a ‘bagunça’ e Leonard pegou seu casaco saindo apressado da igreja de Sam Samuel.

 

"Leonard Mitchell você não vai profanar o túmulo de seu amigo” a voz cansada já sabia que seu hospedeiro não ouviria agora 

 

– Velho é a única forma de confirmar.

 

***

 

Caules de rosa crescem se alimentando do meu sangue envolta dos meus braços e cada pá de terra que eu tirava os espinhos cravaram em minha pele a rasgando de dentro para fora.

 

Quando tirei a última pá de terra a noite já fria caiu mais uns 10 graus a garoa fina caiu suave em meus ombros enquanto eu me abaixava para erguer a tampa de seu caixão Klein.

 

– Velho se o Klein estiver aqui?

 

"Garoto, você chegou até aqui já sabendo a resposta” a voz cansada ficou em silêncio novamente.

 

Com as mãos trêmulas tirei a tampa do caixão, lágrimas que eu não queria derramar escorreram pelo meu rosto se misturando com a garoa fria não havia nada no caixão, um leve tremor percorreu meu corpo e caules começaram a percorrer junto ao sangue até minhas pernas me fazendo cair na cova, os espinhos dos caules cresceram a ponto de rasgar minhas roupas o sangue escorria pelas feridas formando rosas em meu corpo caído dentro do túmulo uma onda de dor percorreu minha garganta e pétalas amarelas começaram a cair dos meus lábios a medida em que elas caíram sua cor foi mudando ficando pálidas como um defunto misturadas ao meu sangue de simples pétalas a pequenos buquês.

 

– Velho ele está vivo, Klein está vivo - minha voz eufórica rouca e seca se cristalizou no ar a cada palavra, um leve sorriso surgiu em meus lábios ensanguentados.

 

O velho ficou em silêncio contemplando e prevendo a tragédia de seu hospedeiro, sua decisão se devia também da teimosia de admitir que o via como seu querido neto e já sabendo que nada que falasse agora seria ouvido por Leonard.

 

De volta a Blackland Leonard voltou ao trabalho como luva vermelha indo a vários lugares ganhando méritos para subir de sequência, mesmo com o agravamento das tosses e dos caules crescendo em seu corpo ainda havia um sorriso em seu rosto.

 

O velho parasita roubava sua dor e caules mesmo que tudo voltasse em pouco tempo mesmo subindo para Sequência 6: Garantidor da Alma nada mudou muito a dor pouco diminuiu, embora fosse normal quando começa-se a entrar nas sequências médias a noção de humanidade começasse a se perder Leonard ao contrário dos outros a mantinha de maneira impressionante.

 

Em uma de suas folgas, Leonard recebeu uma visita de certo sanguíneo que queria comprar um item místico do caminho do saqueador após dizer o preço, o sanguíneo falou que iria considerar.

 

Uma semana se passou sem resposta o velho já tinha colocado um de seus vermes no ítem para o caso do sanguíneo voltar.

 

Em minha sala tentava escrever um poema sobre mim e o florescer de rosas em meu corpo quando uma onda de tosse me fez derrubar a caneta, os caules em volta de meu corpo começaram a mexer e crescer se enrolando em meus ossos quase os quebrando abrindo rasgos em meu corpo rosas pálidas floresciam e chupava meus sangue a deixando vermelhas, me inclinei e rosas vermelhas caíram manchando meus lábios de vermelho.

 

Em meu caderno de poesia manchando de sangue li a única frase que escrevi – As rosas vão me consumir antes que seu olhar chegue a mim. - sorri um pouco até ouvir o barulho da campainha, lambi meus lábios e senti o gosto de meu sangue quente com certo gosto de ferrugem salgada e doce floral.

 

Sem me importar com as rosas ainda avista em meu corpo, abrir a porta – Já considerou o assunto?

 

O nariz do sanguíneo se franziu enquanto ele acenava – Sem problemas.

 

O convidei para entrar, ele se sentou em um poltrona sem tirar os olhos dos buquês sangrentos e do caderno manchado me entregando uma maleta com dinheiro, após conferir me levantei para pegar o ítem.

 

– Senhor Mitchell, você está bem? - ele me analisou como um médico diante de uma anomalia, seu nariz enrugou com o cheiro de rosas apodrecendo e ferrugem do sangue que normalmente seria delicioso para um sanguíneo.

 

– Senhor White, não acho que você deva se preocupar comigo.

 

– Não estou preocupado, apenas curioso se me permitir gostaria de estudar seu caso.

 

“Aceite garoto talvez ele como médico consiga encontrar um jeito de aliviar sua dor mesmo que só um pouco” a velha voz do parasita o aconselhou.

 

– Ok, mas se precisar falar com alguém sobre minha condição não mencione meu nome.

 

– Não se preocupe, vou manter o sigilo médico.

 

Após entregar o ítem, Emlyn White saiu com a promessa de trazer uma poção de recuperação mais tarde e conversar sobre os sintomas e analisar seu caso.

 

***

 

Com uma poção de recuperação voltei ao apartamento da rua Pister n' 7, anotei os seus sintomas e entreguei a poção.

 

– Aqui, está poção vai fazer suas feridas cicatrizarem mais rápido.

 

– Obrigada, quanto é o preço?

 

– 30 libras.

 

Leonard entregou as libras como se não fosse nada, despreocupado e com um ar poético com uma beleza que rivalizava com os sanguíneos que mesmo definhando ainda parecia uma pintura trágica e bela.

 

– Se algo acontecer você pode me encontrar na igreja da mãe terra - ele acenou.

 

Ao voltar para casa investiguei os sintomas e conversei com meus pais sobre, eles nunca ouviram falar de uma doença assim mas que talvez os superiores sanguíneos soubessem. 

 

Um pensamento me veio à mente talvez o Senhor Louco soubesse como curá-lo ou aliviar a dor e se não talvez ele me guie em direção a cura. E com um mérito de aliviar ou curar a doença desconhecida eu possa avançar.

 

Emlyn estava contente fazendo sua primeira poção de acordo com o sintomas, e também perguntaria ao clube na segunda-feira.

 

***

 

Leonard tomou a poção de Emlyn e sentiu certa melhora seu trabalho como luva vermelha não pararam em certa noite foi incumbido a interrogar o novo magnata Dwayne Dantès.

 

Ao entrar no sonho de Dwayne o encontrou sentado lendo um jornal sobre o mar, as perguntas fluíram naturalmente e foram respondidas, Dwayne no entanto tinha mais a dizer.

 

– Não tem mais nada a perguntar a Leonard Mitchell.

 

– Nada Senhor Dantès.

 

– Nem sobre seu amigo Klein Moretti?

 

– Senhor, eu não sei sobre o que você está falando.

 

“Garoto ele possui uma aura ancestral! Não o trate mal!” a voz velha o alertou, apesar de já terem se cruzado antes ele ainda não tinha avisado Leonard por estar ocupado roubando a dor e caules cheios de espinhos de seu hospedeiro.

 

– Tem certeza?

 

– Eu sei Klein está vivo e isso me basta, não vou investigar suas razões.

 

– Entendi - sorriu - Ajude-me a passar uma mensagem para Pallez Zoroast. Um dos membros da nossa organização encontrou o Blasfemador Amon na Terra Abandonada dos Deuses.

 

– Não precisa ele está escutando, se me der licença eu tenho que ir.

 

Em um quarto nas ruas secundárias da Catedral do Santo Samuel, Leonard acordou, os caules espinhosos das rosas apertaram meu coração o perfurando levante, sua pele rasgou e rosas saíram delas ainda deitado às puxando agravando as feridas abertas manchando suas roupas de sangue, a cada rosa arrancada meu coração apertava meus ossos envoltos em caules se quebravam uma dor agonizante de levar a morte se seguia enquanto cerrava os dentes para não gritar.

 

– Era o Klein não era? Ele estava mentindo para mim não é? - suado e envolto em rosas,caules espinhosos e sangue, Leonard deu um sorriso de auto depreciação.

 

Ao voltar ao trabalho precisou entrar em outro sonho para interrogar um possível suspeito, ao entrar no sonho se viu em uma rua mal iluminada de Backlund se aproximou do alvo.

 

– Me diga o que você sabe … - a voz se distorceu em tom quebrada.

 

O homem olhou para Leonard e não viu uma luva vermelha, mas um monstro criado de planta, seu corpo não mais humano envolvido em espinhos, folhas e rosas anda ao som de ossos quebrando atrás do suspeito. 

 

Em grito mudo o pobre homem tremendo se pronunciou – Eu não sei de nada eu juro - sua voz tremia de horror.

 

– Ainda não me convenceu.

 

Sangue escória entre as fendas dos caules e rosas brotavam se deliciando com o sangue, quanto mais o homem negava mais sangue as rosas consumiam fazendo os caules de Leonard apodrecer misturando os cheiro podre a rosas recém colhidas no beco da rua mal iluminada.

 

– Eu juro pela Deusa da Meia Noite, eu não estou envolvido em nada perigoso.

 

Dado por satisfeito, Leonard saiu do sonho e preparou seu relatório, mais tarde ficou sabendo de um homem que ficou traumatizado por rosas que não poderia vê-las sem perder a cor do rosto e tremer enquanto gritava que o monstro das rosas viria pegá-lo.

 

“Garoto tome cuidado para não ir longe demais e se transformar em um monstro de verdade” Pallez suspirou cansado.

 

***

 

– Vocês me dariam uma opinião sobre um caso de um paciente meu? - Emlyn fez a pergunta direta não querendo andar em círculos.

 

– Claro - respondeu a senhorita Justiça querendo ajudar.

 

– Meu paciente tem vomitado rosas desde o velório de um amigo próximo, começaram com rosas amarelas, brancas e agora rosas brancas que consomem seu sangue para se tornarem vermelhas.

 

– Isso me parece familiar, acho que já ouvi sobre algo parecido - falou madame Eremita.

 

– É uma doença antiga conhecida como Hanahaki, a quanto tempo seu paciente está vomitando rosas? - perguntou senhor Mundo em tom frio.

 

– Há pelo menos um ano, ele é um beyonder - Emlyn respondeu apenas omitindo o fato de ser um beyonder oficial.

 

– Existe cura senhor Mundo? - Justiça perguntou ao mundo que parecia saber mais.

 

– Se declarar a pessoa amada e ser correspondido - respondeu com indiferença.

 

– Existe uma outra forma não é senhor mundo - ele acenou para madame Eremita.

 

– E qual seria? - Justiça perguntou intrigada com o outro método.

 

– E perdendo a memória da pessoa amada, mas como ele é um beyonder pode apenas subir de sequência aos poucos para perder a humanidade.

 

– Isso é perigoso pois o amor pode servir de âncora para os de sequência mais alta - senhor Enforcado alertou.

 

– Senhor Lua você poderia perguntar ao seu paciente se posso escrever sua história? - senhora Mágica perguntou já pensando em como ela escreveria o romance trágico.

 

– Esquecer uma pessoa importante não é pior do que vomitar flores? - perguntou o pequeno Sol. 

 

– No caso dele os caules das rosas tem espinhos que estão circulando com seu sangue por todo o corpo e em certas crises até rasgando sua pele de dentro para fora quando isso acontece ele puxa as rosas que florescem junto aos caules enrolados nos ossos, tudo que eu fiz foi lhe vender uma poção para a melhor recuperação e fiz uma com base no que ele me contou ainda tenho que ver se ajudou ou não.

 

– Senhor Lua, espero que você encontre uma cura segura para seu paciente - Justiça tinha pena e queria ajudar mas fazê-lo esquecer de uma pessoa importante como disse o pequeno Sol parecia maldade.

 

– Eu aconselho que se for realmente Hanahaki como o senhor Mundo falou que ele se declare - senhor Enforcado deu sua opinião.

 

– Ele não me parece apaixonado - Emlyn ponderou a questão, mas seu paciente só tinha o ar de poeta romântico.

 

– Talvez ele ainda não tenha percebido - falou a senhora Mágica com certo entusiasmo.

 

– Então é ainda pior, se realmente começou no velório de um amigo.

 

Todos ficaram em silêncio por três minutos inteiros até a senhorita Justiça falar – Não há pessoa a quem ele possa se declarar se seu amigo já se foi.

 

– Vou falar com meu paciente sobre as possibilidades apresentadas.

 

– Não se esqueça de nós manter atualizados, e pergunte se eu posso encontrá-lo - falou a senhora Mágica com interesse.

 

***

 

Leonard não sabia se estava sonhando ou não, entretanto a simples ilusão de Klein sorrindo para ele lhe aquecia o coração, ele não sabia quando começou mas ter Klein em pequenas ilusões do dia a dia melhorava seu humor mas o quebrava quando percebia que não era real.

 

– A poção está te dando alucinações - concluiu Emlyn.

 

– Entendo, as alucinações não me afetam muito e consigo trabalhar normalmente.

 

– Mesmo assim vou mudar a fórmula existe mais algum efeito colateral?

 

– Ela influenciou a minha sequência um pouco, acabei deixando um cívil traumatizado, ele era um suspeito de um caso mas não tinha nenhum envolvimento real com o caso.

 

– Certo, vou fazer os ajustes você pode passar na igreja da mãe terra pegar, e pense nas possibilidades que eu te falei mais cedo.

 

Ao se despedir de seu novo amigo e médico, Leonard voltou para sala e olhou para seu sofá, não era atoa que Emlyn ficava franzindo o nariz seu sofá tinha sangue e rosas nele fora um cheiro forte podre.

 

– Vou ter que me livrar disso.

 

“Não só disso, alguém da igreja já deve ter notado e se você não quiser ser afastado é melhor tomar cuidado” Pallez sabia que Leonard estava chegando ao limite, e não queria o assustar o deixando sozinho antes da hora afinal ele o considerava um neto depois de tudo.

 

Alguns dias depois Leonard recebeu uma nova missão em que a médium espiritual e amiga Daly Simone iria junto, eles iriam junto dos militares e magnata Dwayne Dantès para o estado norte onde havia muitos crentes da Morte.

 

Leonard havia tomado duas poções que Emlyn lhe entregou para testes, e com ajuda de Pallez roubando as rosas a viagem toda não houve acidentes além de um Leonard parecendo meio bêbado e sonolento deixando seus companheiros luvas vermelhas preocupadas.

 

Ao se separarem dos militares Leonard voltou a ter seu sorriso despreocupado e energia para o trabalho que viria a seguir.

 

-

 

Daly entrou em seu quarto sem cerimônias com uma carta em mãos, ela olhou rosas e caules com sangue por alguns segundos antes de abraçar Leonard.

 

– Eu sabia que havia alguma coisa de errado com você Leonard - ela o guiou até a cama e se sentou com ele.

 

– Eu só quero ver ele uma última vez Daly - ele confessou com a voz embargada.

 

– Você o ama? O Klein? - perguntou em tom baixo e doce.

 

– Eu não sei apenas quero vê-lo.

 

Leonard não sabia se era amor ele sempre se dedicou a seu trabalho mesmo não gostando de regras ele também nunca pensou em romances afinal Pallez o havia escolhido pois ele não tinha amarras sendo um órfão criado dentro da igreja, sua vida como Leonard Mitchell sempre ficou em segundo plano ele não tinha amigos mas companheiros de dever afinal eles eram guardiões e pobres miseráveis.

 

– Você sabe que Klein ainda está vivo, e quer nossa ajuda.

 

– Eu já o ajudei antes - sorriu magoado - Na verdade ele precisa da ajuda do Anjo parasita em meu corpo como da última vez - Daly não falou nada mas sentiu a solidão e dor vindas não só da voz mas dá alma cada vez mais quebrada de Leonard - Eu vou com você mesmo que eu não possa realmente ajudar madame Daly.

 

-

 

Ince Zangwill estava morto, um sorriso pequeno se formou nos lábios machucados de Leonard, madame Daly estava tendo sua última dança com Klein transformado em Dunn graças a habilidades de sem rosto ele estava lhe proporcionando uma última memória na praça destruída a únicas melodias eram as ondas do mar e som do vento ao pôr do sol. 

 

Ao terminar da dança Klein bebeu sua poção e quase perdendo o controle seu corpo quase se desintegrou em um aglomerado de vermes espirituais não aguento ver isso Leonard fechou os olhos onde escorriam lágrimas.

 

Após uns minutos ouviu o barulho de passos vindo em sua direção e uma voz bem conhecida por ele – Para ela este pode não ter sido o pior resultado.

 

Sem nível para olhar, Klein que havia acendido a santo Leonard permaneceu com os olhos fechados.

 

– V-você não voltará para a Igreja?

 

– Não posso mais voltar… 

 

Klein o deixou na praça do a reavivamento destruída sem nunca olhar para trás, Leonard sabia que não poderia ir com Klein da mesma forma que Klein não poderia mais voltar.

 

Suas lágrimas caindo não eram mais as que podiam ser misturadas a garoa ou chuva eram de sangue que alimentava suas rosas que cresciam por todo seu corpo, os caules que circulavam com o sangue quebraram seus ossos sua pele foi rasgada não havia chance dele passar daquele dia.

 

Pallez saiu de seu corpo e roubou sua aparência de minutos antes pegou madame Daly para entregar as luvas vermelhas, ele viveria como Leonard Mitchell até encontrar uma chance de escapar.

 

– Adeus garoto - com a própria voz de Leonard ele se despediu, Pallez informaria o sanguíneo que o tentou ajudar e relataria a história de seu neto a escritora que queria escrever sobre – Você não será completamente esquecido meu neto.

 

As ondas e o vento soprando a noite caindo como a aceitação que não pude olhar para Klein novamente, os caules as rosas não paravam de crescer toda a dor que o velho Pallez roubou eu sentia agora, um grito mudo que não saiu de minha garganta, lágrimas de sangue que se cristalizaram, a vida se esvaindo.

 

Uma consciência dormindo na terra abandonada a muito tempo esquecida despertou ao sentir a dor de um amor ainda não descoberto, envolta em uma jardim iluminado uma jovem e antiga Deusa se levantou lançando um olhar para homem sendo consumido por rosas que seu próprio coração criava a Deusa o abençoou e voltou a dormir afinal como parte do criador original ela não poderia ficar acordada por muito tempo.

 

O jardim que o consumia de repente começou a brilhar uma voz melodiosa meia maternal se fez presente “Eu lhe abençoou com longevidade e amor, mas a um preço seu corpo irá mudar e suas memórias até aqui vão ser apagadas” 

 

– Eu faço qualquer coisa para estar com Klein e o ajudar - ele respondeu com um pouco de voz e consciência que restava.

 

No emaranhado de caules e rosas vermelhas de sangue uma melodia antiga com brilho suave podia ser ouvida junto ao barulho do mar que a brisa da noite trazia.

 

De repente olhos verdes límpidos suaves se abriram e uma mulher de cabelos negros que caiam em cascata saiu de seu casulo de rosas, ela usava um simples vestido branco com detalhes em dourado e desenhos de rosas, sua imagem etérea era como uma Deusa pisando na terra.

 

“Aletheia Mitchell encontre seu amor” a voz da Deusa que lhe abençoou ecoou em sua mente.

 

– Eu vou encontrá-lo - seu sorriso era como um desabrochar de rosas como uma esperança renovada – Não importa quanto tempo leve.

Notes:

Eu deve fazer uma one-shot mais leve em algum momento se o espírito de Fors procrastinadora me deixar, Leonard Mitchell deve ser feliz!!!