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A Torre da Carpa estava silenciosa desde a morte de Jiang Yanli e Jin Zixuan. Os servos andavam apreensivos pelos pátios e corredores. Os discípulos cautelosos para não irritar seus líderes, evitando brigas e brincadeiras.
Exceto por uma única pessoa que interrompia a noite com seus choros incansáveis, o pequeno jovem mestre, Jin Ling.
As amas de leite já haviam tentado de tudo: canções suaves, leite morno, balanços constantes, passeios no pátio. Nada funcionava.
O bebê se debatia no berço, pequeno demais para compreender o luto, mas grande o suficiente para senti-lo nas entrelinhas. A ausência do colo maternal, da voz rouca e singela do pai. Jin Ling sentia tudo, mas não sabia verbalizar sua agonia além de choros e resmungos tristes.
— O que devemos fazer? — sussurrou uma serva.
— O líder Jin não irá poupar nossas vidas se o jovem mestre não dormir — choramingou outra.
O medo delas parecia instigar mais a sensibilidade do bebê, fazendo-o gritar em lágrimas.
Do lado de fora, Jin GuangYao observou o pequeno pátio com uma expressão complexa. Ele queria ir cuidar do sobrinho, mas será que deveria?
Essa pergunta permaneceu no ar por alguns instantes até ouvir aquele grito, não era muito alto, mas estava cheio de angústia e cansaço.
— A-Ling — sussurrou, dando um passo e depois outro até chegar na porta do quarto.
Mais alguns segundos e ele pensou que não queria chamar Jiang Cheng. Não ainda.
O líder Jiang estava tão abalado quanto todos eles, pensou, relembrando do antes e talvez essa fosse a desculpa que precisava para agir. Seu olhar se ergueu e com um gesto rápido, abriu as portas do quarto, sua presença tinha um certo poder de intimidação — principalmente quando aqueles que estavam dentro tinham tanto medo de serem castigados.
— Saiam — disse, gentil, com um toque de frieza.
As amas rapidamente se curvaram e saíram, fechando as portas atrás de si com suavidade. O quarto mergulhou num silêncio ameno, um pouco sufocante, quebrado apenas pelos soluços frágeis.
GuangYao aproximou-se do berço e suspirou.
— Tão barulhento… — murmurou, mas a repreensão não tinha força alguma.
A criança balbuciou um resmungo cansado, erguendo as mãos ao ver um rosto conhecido.
Guangyao sorriu pequeno. Ele vestia apenas as roupas internas, um manto amarelo-dourado repousando sobre os ombros, protegendo-o dos olhos curiosos. Os cabelos longos caíam soltos pelas costas, madeixas castanhas e macias. A luz das lanternas realçava seus traços suaves, revelando um singelo sinal de cansaço.
— Para alguém tão pequeno, você já sabe fazer um show — brincou, ouvindo outro resmungo. — Eu sei… vou cuidar de você esta noite — sussurrou, esboçando um raro sorriso amável.
O bebê pareceu entender, parando os gritos, mas ainda chorando baixo.
Com um leve movimento da mão, o Jin mais velho apagou quase todas as luzes, deixando apenas uma vela distante acesa. Caminhou até a janela próxima do berço e abriu — apenas o suficiente para permitir que a brisa noturna entrasse.
Então, com extremo cuidado, pegou o bebê no colo. O sorriso ainda em seu rosto, passando confiança e segurança ao pequeno.
— Está tudo bem agora — disse, baixo.
Jin Ling choramingou ao ser tirado daquele espaço conhecido, mas o choro enfraqueceu no segundo seguinte quando foi aninhado contra o peito morno; o cheiro familiar de peônia.
Jin GuangYao beijou os fios escuros do bebê, sentindo a fragrância igualmente reconfortante. A ação pareceu definir um pouco mais de conexão entre eles e assim, com passos suaves sentou-se na cadeira de balanço próxima e começou a se mover devagar.
— Não chore… — sussurrou, ajeitando a pequena cabeça contra seu peito. — Sua mãe era a pessoa mais gentil que já conheci. Seu pai… orgulhoso demais, mas te amava antes mesmo de você nascer.
O bebê soluçou, agarrando o tecido dourado.
GuangYao fechou os olhos, dando batidinhas suaves, relaxando seus batimentos para que o pequeno Jin pudesse acompanhá-lo nessa calmaria.
— Você carrega o amor deles. Mesmo que ainda não entenda…
Suas palavras ecoavam baixas, cheias de carinho, mas com um fundo amargo — triste.
Jin Ling pareceu captar a intenção, resmungando um barulho incompreensível. Seus dedinhos agarraram, com sua pouca força, mais ainda o manto dourado. Garantindo que ficaria seguro naquele colo.
A ação era pequena, mas seu impacto fez uma lágrima escorrer pelo canto do rosto de Guangyao, que com certa dificuldade, mordeu os lábios, suprimindo o sentimento, soltando o ar e puxando novamente com mais força.
Sua voz, rouca e trêmula, sussurrou baixa:
— Durma, A-Ling.
E nada mais foi dito.
A cadeira rangeu de leve, o compasso lento do vai e vem.
A brisa balançou a chama da vela.
E, pouco a pouco, o choro virou suspiro. O suspiro virou respiração lenta.
Quando Jin Ling finalmente adormeceu, GuangYao não o colocou de volta no berço imediatamente. Permaneceu ali por mais alguns minutos, segurando-o com cuidado — como se estivesse segurando algo frágil demais para o mundo. Como se estivesse segurando a última parte intacta daquilo que haviam perdido.
E com um olhar embaçado por lágrimas, que ousaram cair, observava o céu escuro e a Lua brilhando no centro. Sem nunca deixar um único som escapar.
Ao menos, naquela noite, a Torre da Carpa não pareceu ser tão vazia...
