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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-02-18
Completed:
2026-02-18
Words:
16,189
Chapters:
2/2
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2
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6
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115

Nossa linda mentira - Zolu

Summary:

De todas as situações constrangedoras que o meu melhor amigo me faz passar, fingir ser o namorado dele por duas semanas, enquanto viajamos com a família dele, foi de longe a pior.

[Friends X Lovers] [Fake Dating] [Zoro x Luffy]

Chapter 1: Namorado?

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

LUFFY 

 

As vezes eu penso que nada mais pode me surpreender. Mas a vida sempre me dá um tapa na cara.

De todas as situações constrangedoras que o meu melhor amigo me faz passar, fingir ser o namorado dele por duas semanas, enquanto viajamos com a família dele, foi de longe a pior.

▪︎

— É, acho que não tem do que você gosta — afirmo enquanto olho a prateleira de cima a baixo a procura do bendito cereal de chocolate branco que Zoro amava. Eu achava meio repulsivo, odeio chocolate branco mas fazer o que.

— Que merda, eu jurei que tinha visto ele por aqui — Zoro também passa o olho pela prateleira, suspirando quando não o encontra.

— Em outro mercado deve ter, depois a gente procura — falo colocando a mão nas costas dele e o empurrando em direção ao outro corredor.

Antes de entrarmos no corredor por completo, Zoro para tão rápido que acabo batendo contra o corpo dele.

— Porra, o que foi? — pergunto levantando o olhar para a nuca dele ja que ele estava de costas para mim.

— Minhas tias estão ali — ele sussura para mim. 

Olho para frente e lá estão as duas mulheres, uma um pouco mais baixa que devia ter cerca de 1,60 metro e usava o cabelo com luzes em um coque baixo, a outra era loira e o cabelo estava cortado em um bob. As duas deviam estar na casa dos 40 e tantos anos. Cada uma segurando uma cesta de compras enquanto conversam.

— Quer falar com elas ou voltar? — pergunto para ele sussurrando também. Zoro pensa por um instante.

— Vamos voltar — ele fala, então começamos a virar para sair do corredor. Assim que viramos as costas, duas vozes começam a chamar por Zoro, congelamos no lugar.

— Roronoa querido, é você? 

— Merda — Zoro xinga em um murmúrio 

Viramos novamente em direção às mulheres. Que já estavam muito próximas de nós, como se a um segundo atrás não estivessem a mais de dez metros de distância da gente. 

— Sou eu sim! — Zoro disse parecendo verdadeiramente animado. Levantou os braços e foi em direção às duas e as abraçou ao mesmo tempo — Como vocês estão, Tia Moly e Tia Linda?

— Ah estamos bem querido — respondeu Moly - a mulher que usava o cabelo em coque - falando pelas duas enquanto se separavam do abraço — E você como vai? Animado para as férias em família semana que vem?

Férias em família. Era assim que chamavam a viagem anual que toda a família de Zoro fazia. Onde eles passavam duas semanas inteiras na enorme casa de praia que tinham, comendo e bebendo. Eles eram podres de ricos. Por mais que Zoro odiasse quando eu os chamava assim.

— Ah claro — Zoro levou a mão ao pescoço — Estou muito animado, não vejo a hora de irmos!

Segurei o riso que subiu pela minha garganta. Ele mente muito mal, não sei como elas não percebem. A mão no pescoço, o português correto, o olhar que ele não consegue manter em um único ponto, a postura ereta, tudo indica que ele não está falando a verdade. Talvez se elas realmente o conhecessem pudessem perceber.

— Que bom, também estamos muito animadas. Vai finalmente levar o tal do seu namorado que você tanto fala? — perguntou Linda, e a postura de Zoro enrigeceu, a mão que estava no pescoço caiu ao lado do corpo. Inclinei a cabeça para o lado e olhei para ele confuso.

Namorado? Como assim namorado? Com quem ele está namorando e por que eu não conheço? Por que ele não me contou?

— Sabe, acredita que fizemos uma aposta? Apostamos se seu namorado existe ou não — quando Zoro não respondeu, Linda continuou a falar dando uma risadinha — Todo mundo acha que você está mentindo sobre esse namorado e que ele não existe. 

— Como é? - Zoro perguntou, o rosto sério. 

— Você fala sobre ele à três anos, e nunca o apresentou a gente. Achamos que você só tem vergonha de admitir que nunca namorou, e que não consegue arrumar ninguém, mesmo já tendo mais de 24 anos — a risada aguda dela preencheu o corredor. Sinto uma pontada de irritação. Olho de Linda para Zoro, que está com a mandíbula contraída. Penso que ele vai finalmente perder a paciência, mas ele me surpreende quando pergunta.

— Quanto apostaram?

— Ah já está na casa dos 19 — Moly fala simplista.

É impossível não ficar surpreso. Dezenove mil. Dezenove mil reias em uma aposta idiota. Tento não me comparar mas não consigo. Enquanto eles gastam dezenove mil em uma "brincadeira", eu me mato de trabalhar por um salário mínimo, esse mundo é uma piada.

— Alguém apostou que é verdade? — Zoro pergunta.

As duas mulheres se olham e depois voltam o olhar para ele novamente.

— Pra falar a verdade, não — Moly respondeu.

— Então todo mundo acha que sou um mentiroso, que bom — Zoro riu — Então, vou apostar também. Aposto mais cinco mil que estou falando a verdade. 

— Mas tem que provar que ele realmente existe querido.

— Sei como funciona — Zoro disse ríspido, os olhos delas se abriram um pouco em surpresa — E sim, ele existe. Na verdade, ele estava aqui esse tempo todo. 

Zoro vira o rosto em minha direção e eu olho para trás procurando a quem ele se referia não encontrando ninguém. Viro para frente de novo e Zoro me olhava fixamente. O olho de volta com as sobrancelhas unidas. Ele vem em minha direção, não estávamos longe, dois passos e ele já está em frente a mim ainda olhando diretamente em meus olhos.

— Zoro, o que... — me interrompo quando sinto suas mãos segurando minha cintura. 

— Só confirma o que eu disser por favor — falou em um sussurro e me olhou suplicante. 

Em que merda você vai me meter agora Zoro.

Mesmo sabendo que aquilo só poderia significar problema, assinto com a cabeça e sua expressão muda para alívio por um instante. Então ele se vira, ficando ao meu lado e passa o braço esquerdo pela minha cintura.

— Tia Moly e Tia Linda, Luffy — ele aponta para mim com a mão direita — meu namorado.

Tento não expressar a confusão e surpresa que estou sentindo enquanto encaro as duas mulheres que me olham como se tivessem acabado de perceber a minha presença. Como se eu não tivesse estado ali todo esse tempo.

— Oh, nem tínhamos notado você aí filho — Claro que não notaram, não estou usando as mesmas roupas caras que vocês para me notarem.

— Olá, prazer em finalmente conhecê-las. Como vão? — sorri com facilidade para as duas e estendi a mão que não segurava a cestinha com compras para elas. Para a sorte de Zoro eu era muito bom em fingir, mentir, fazer teatrinho como eu gostava de chamar. As duas apertam a minha mão, com sorrisos desconfiados. Não acho que acreditaram muito nisso — Me desculpem por nunca aparecer, isso é coisa minha. O Zo sempre me convidou para ir com ele pras férias em família com vocês, mas nunca pude ir por conta de trabalho e tudo mais, peço desculpas. 

Sorri simpático e elas retribuiram e olharam para Zoro novamente. 

— Vai nos acompanhar na viagem dessa vez? — Moly pergunta a mim. Olho para Zoro, que me encara com expectativas. O que ele quer eu diga?

— Eu ainda não decidi, tenho que ver como vai estar minha agenda — eu não tinha uma agenda, claro. Mas não quer dizer que eu seja um desocupado que pode largar tudo do nada e ir para a praia, comer lagosta, beber vinho de seiscentos anos, ou qualquer outra coisa que ricos fazem.

— Ah tudo bem, mas o pessoal só vai acreditar que você realmente existe se você aparecer por lá — ela deu uma risadinha que eu sinto uma pontada de deboche. 

— Vou pensar — falo sorrindo falsamente. 

Passo meu braço com a mão livre para as costas de Zoro, e o belisco fazendo ele tomar um pequeno susto. Quero sair dessa situação esquisita o mais rápido possível. Ele imediatamente entende o recado. 

— A gente se vê nas ferias em família, já vamos indo, estamos com pressa — ele diz, sinto seus dedos pressionarem minha cintura com um pouco mais de força, então volta a falar — Só mais uma pergunta. A minha mãe sabe da aposta?

As duas se olham, cúmplices.

— Não. E vai continuar assim, tá bem? — Linda responde com um sorriso. Zoro sorri.

— Tá bem.

Com a mão livre ele acena para as duas.

— Tchauzinho — digo carinhosamente.

— Tchau queridos, espero te ver de novo Luffy — disse Moly, Linda apenas acena com a mão.

Zoro e eu nos viramos e seguimos para a outra parte do mercado. Ficamos agarrados até sairmos do campo de visão delas. Depois nos separamos rapidamente.

— Você é maluco — eu falo primeiro me virando de frente para ele. Estamos sozinhos no corredor de produtos de limpeza. 

— E você é um ótimo ator — ele falou sorrindo.

— O que caralhos foi isso? Quem você tá namorando que precisa esconder tanto assim? — pergunto indignado. As coisa ainda não faziam sentido na minha cabeça. Tudo o que eu havia entendido era que Zoro tinha um namorado, contava sobre ele à família, mas nunca me contou nada, e quer escondê-lo de todos, até de mim — Por que não me contou que estava namorando a três anos? Eu o conheço? Por que mentir me colocando nesse papel se você poderia só apresentar o verdadeiro a elas? 

— Por que ele não existe Luffy — disse baixo me olhando com uma expressão envergonhada.

O encaro confuso. 

— Como não existe? Você apostou cinco mil que ele existia — falo incrédulo.

— Porque ele pode existir — ele me encara sugestivo, e eu devolvo um olhar de confusão, ele suspira — Ele não existe. Eu inventei, não aguentava mais eles me perguntando sobre minha vida amorosa todos os dias, em todas as férias em família desde que eu tinha quinze anos. E agora essa aposta de merda. Desculpa por te meter nisso, mas era isso ou ser pego na mentira e não ter paz nunca mais.

Suspiro. Então não tinha um namorado secreto.

— Tudo bem, eu entendi. Sorte a sua, se você tivesse escondendo um namorado de mim por três anos eu ia te esfolar vivo.

Zoro deu uma risadinha.

— Claro que iria. E eu não seria maluco de esconder nada de você, sabe disso — Sim eu sabia. Ele voltou a falar - Só que... Quero te pedir uma coisa.

— O que?

Zoro ficou em silêncio por um momento.

— Vem comigo pra viagem, como meu namorado — me pediu. Acho que ele enlouqueceu de vez.

— Ficou maluco? Eu trabalho Zoro, além do mais não sei se quero ficar fazendo teatrinho pra sua família por duas semanas — digo a ele.

— Você pode adiantar suas férias. Você tá precisando mesmo de um tempo fora daquele moquifo — ele junta as mãos ao redor da minha e me olha suplicante — Por favorzinho, são só duas semanas, você vai poder ir a praia, vai comer e beber muito, sem precisar se preocupar com nada, eu vou pagar tudo. E além do mais vou estar lá com você também.

Obviamente eu teria muitas vantagens se eu fosse, a única consequência seria fazer o papel de namorado do Zoro na frente da família dele que eu nãoconheço. 

— Por favor. Não pode me ajudar nisso? Você foi ótimo lá com as minhas tias.

— Tudo bem, eu vou com você — suas mãos apertam a minha com mais força — Se, eu conseguir adiantar minhas férias, e você vai pagar meu almoço por duas semanas quando voltarmos.

— Obrigado! — exclamou animado, soltou a minha mão e agarrou meu rosto, depois levou os lábios até a minha testa deixando um breve selar. Isso era um hábito que ele tinha, sempre beijava minha testa quando estava extremamente feliz ou quando eu finalmente cedia a alguma vontade dele.

— Tá tá, não se empolgue ainda. Vamos ver se o imbecil do meu chefe consegue adiantar minhas férias já pra semana que vem.

— Se ele quer adiantar né, porque conseguir tenho certeza que consegue — ele disse soltando meu rosto. E ele estava certo. 

Meu chefe era um idiota, e talvez ele tivesse algum tipo de rixa comigo, porque ele nunca me deixava em paz. Trabalho em uma loja de materiais de construção. Sou vendedor, porém as vezes também sou caixa, repositor, motorista, e entregador. Como eu disse, meu chefe não pode me ver tendo um momento tranquilo que me manda fazer qualquer coisa para eu não ficar parado. É uma merda. 

— Se tivesse aceitado a minha proposta, não estaria se preocupando com isso — ele diz levantando uma sobrancelha — Sou um chefe muito legal.

Desde que herdou a empresa do pai, Zoro me deu uma proposta de emprego, no cargo de secretário dele. Ele fala que precisa de um, apesar de eu achar que ele inventou esse cargo, porque até agora, um ano depois, ninguém ocupou essa vaga ainda. Ele fala que é porque ninguém qualificado apareceu, mas acho difícil de acreditar.

— Você sabe porque eu não aceitei.

— Sei, e acho um motivo idiota. 

O principal motivo de eu não ter aceitado foi orgulho. Pode até ser idiotice, mas para mim, era como se eu estivesse de alguma forma me aproveitando do dinheiro e da posição de Zoro na empresa. E de forma alguma iria aceitar estar em uma posição que eu não mereça de verdade. 

— Pode ser mesmo idiota, mas é assim que eu penso.

— Eu ainda vou te convencer, pode apostar.

▪︎

Uma semana depois eu estava no banco do carona no carro de Zoro, indo em direção a casa de praia da família dele. 

Tinha conseguido adiantar minhas férias. Depois de uma conversa bastante passava agressiva com meu chefe, e algumas ameaças de processos por minha parte, ele me liberou. 

— Minha vez de escolher a música — falo levando minha mão ao painel e começo a procurar uma música. Acabo colocando Mercy do Shawn Mendes. 

— Sério? Shawn Mendes em 2025? — Zoro me olha com uma sobrancelha erguida. 

— Idai? Você escuta Talking to the moon até hoje e eu não reclamo.

— Pra sua informação, Bruno Mars nunca fica ultrapassado — defende Zoro. 

— Se você acha.

Zoro revira os olhos e depois os fixa na estrada. Já estávamos há três horas dentro do carro e não parecíamos estar nem perto de chegar. 

— Vamos repassar a história de novo.

Ele faz careta ainda olhando para a estrada.

— Já repassamos três vezes.

— E agora vamos repassar pela quarta vez — Zoro e eu tínhamos inventado toda uma história, colocamos detalhes e datas para deixar as coisas mais verdadeiras e não corrermos o risco de alguém descobrir nossa mentira. Eu já a tinha decorado inteira, mas estou tão nervoso, que tem a chance de assim que a primeira pergunta surgir eu não consiga dizer nada — Pergunte.

— Tá bem. Que dia começamos a namorar?

— Dia 15 de janeiro de 2022 — respondo.

— Quem fez o pedido?

— Você. Se apaixonou por mim na segunda ficada e já me pediu em namoro — respondi sem conseguir conter o sorriso. Eu tinha inventando aquela parte. Se ele me colocou nessa, eu pelo menos poderia fazer dele um idiota apaixonado. Ele também deu uma risadinha

— Como nos conhecemos?

— Amigos em comum. Temos uma amiga em comum que nos apresentou — Essa parte não era mentira. 

Nós dois nos conhecemos em 2019, quando tínhamos dezoito anos. Ambos éramos amigos de Nami - uma garota ruiva meio maluca que eu conheço desde meus quinze anos. Na festa de aniversário dela, Nami nos apresentou. Desde então, somos grudados.

— Sabe que não precisa ficar nervoso né?

— Claro que preciso. Não conheço ninguém da sua família, e ainda vou fingindo ser algo que eu não sou, tenho que estar preparado - não era tão simples assim, pelo menos não para mim — Tenho que fazer eles gostarem de mim.

O canto da boca de Zoro se repuxou.

— Eles vão gostar, você é incrível. Sabe conversar com as pessoas, é extrovertido, inteligente, e é bonito, muito bonito. Vão achar que eu me dei muito bem — ele sorriu de lado e eu dei um soquinho fraco no braço dele — E se por acaso não gostarem não importa, eu não ligo pra o que eles pensam, e você também não deveria — ele diz desviando o olhar para mim por alguns segundos antes de voltar para a estrada novamente — Mas não precisa se preocupar em agradar eles. Depois dessas férias, posso só falar que terminamos e você não precisa mais se envolver nisso.

— Tá bem. Mas enquanto eu estiver lá, eu vou ser o melhor namorado que você poderia ter encontrado na vida — disse a ele, e apesar de eu estar sorrindo, estou falando muito sério — Se é pra fingir eu vou fazer bem feito.

— Desculpe por te meter nisso.

— Já disse que tudo bem idiota. Não precisa pedir desculpas toda hora — só nessas três horas na estrada ele já me pediu desculpas três vezes com essa — Quero te ajudar, e além do mais, você vai pagar tudo pra mim mesmo.

Dei de ombros. 

— Ah! Lembrei de uma coisa — falei — Precisamos de apelidos.

— Apelidos?

— Sim, casais tem isso — viro o rosto para a janela — Te chamei de Zo com as suas tias lá no mercado, mas acho que precisamos de mais. 

— Quer que eu te chame de que? Lu? Ou você prefere apelidos melosos tipo... docinho? — ele fala e logo após da risada. 

Faço careta.

— Docinho? Não. Brega demais — pensei um pouco — Acho que gosto de "meu bem", Lu também serve.

— Ok. Vou lembrar de te chamar assim — ele deu uma pausa — Meu bem.

— Ew! Isso é esquisito — dei uma risada. Era muito estranho ouvir Zoro se referindo a mim desse jeito, espero conseguir disfarçar a estranheza dessa situação na frente das pessoas — Quanto tempo pra chegarmos lá?

— Mais ou menos uns quarenta minutos, eu acho — joguei a cabeça para trás encostando no assento. Eu não sou muito fã de viagens longas.

Depois de alguns minutos em silêncio, com apenas a música pairando por entre nós, Zoro falou. 

— Aí, só pra te avisar — Zoro começou e eu me virei para ele — A minha mãe pode ser um pouco... maluca.

— Que tipo de maluca?

— Ela é meio acelerada e pode ser invasiva — ele deu uma pausa — Então se prepara pra todos os tipos de comentários e perguntas vergonhosas sobre sexo e essas coisas.

Sinto frio se acomodar em minha barriga. Merda. Eu iria conhecer a mãe dele. Minha sogra. Bom, mais ou menos sogra. E iria ter que falar sobre minha vida sexual inexistente com o filho dela. Ainda não tinha assimilado toda a situação.

— Eu não quero falar sobre sexo com a sua mãe — faço um barulho de choro falso.

— Normalmente ninguém quer — ele diz rindo — Vou tentar fazer com que ela não te envolva nisso. Mas acho meio impossível, por isso estou te avisando.

Já estou constrangido só de pensar nisso. 

— Tem mais alguma coisa que quer me avisar?

— Nada demais, além de primos insuportáveis, tias de nariz empinado, tios alcolatras e uma avó que se diz médium.

— Médium?

— Sim. Ela jura que é verdade — Zoro disse — A primeira coisa que ela vai fazer é pedir pra ler sua mão. E é bom você não demonstrar muita coisa na frente dela, ela é muito boa em ler as expressões das pessoas.

— Meu Deus, por que não me disse isso logo? — olho para ele indignado — Se eu soubesse que você tinha uma avó médium eu teria treinado muito mais, minha atuação não é tão boa ao ponto de enganar o sobrenatural. E se ela descobrir a gente?

— Ela não vai descobrir, porque é falsa — ele diz convencido — Você acredita em médium, sério?

— Uma vez eu duvidei de uma médium que viu meu futuro quando eu tinha quinze anos — comecei — Ela disse que eu ia ser um fracassado pobre que ia passar a vida inteira trabalhando por dez pessoas pra ganhar um salário mínimo. E olha pra mim agora. Eu não duvido de mais nada.

— Ou ela só falou isso por ser o que acontece com a maioria das pessoas, principalmente jovens adultos igual a você — ele me olha — E você com certeza deve ter feito algo pra ela pegar raiva de você.

— Eu posso ter rido bem alto na cara dela enquanto ela lia a mão do meu amigo — eu continuei — Mas... mesmo assim, acho que ela me jogou uma maldição.

— É bom não levar o que a minha avó fala a sério, ou você vai ficar paranoico.

— Eu sou paranoico.

▪︎

Quando Zoro falava sobre a casa de praia, eu não esperava que fosse literalmente na beira do mar. Não tinha nada aos arredores da casa além da faixa de areia - que se entendia por tantos metros que eu não saberia dizer extamente o quanto -, e a imensidão do mar. Basicamente, tinham comprado uma praia inteira para eles. 

E eu também não chamaria aquilo de casa, era modéstia demais. Aquilo era uma mansão. Pela altura devia ter três andares. Era pintada em tons pastéis de laranja, rosa e amarelo. O jardim que se estendia a frente era absurdo, tinha muitas flores, tão bem cuidadas e organizadas.

E tinha uma fonte. Na parte esquerda em frente a mansão. Uma fonte que devia ter menos de dez metros de comprimento, feita de porcelanato branco, no meio havia um menino gordinho segurando um arco e flecha, que possuía um coração na ponta. Um cupido. Àgua saia pela boca dele. Quando o sol bateu na água da fonte, luz brilhou do fundo. Olho para a água abaixo e vejo muitas, muitas moedas douradas forrando todo o chão da fonte.

— Uma fonte dos desejos — Zoro disse vendo minha surpresa — Minha avó que mandou fazer, ela diz que funciona.

— Já fez um pedido aqui?

— Já, e não funcionou — ele diz colocando as mãos nos bolsos da frente da calça.

— O que você pediu? — perguntei curioso.

— Não vou dizer, é vergonhoso.

— Ah não, fala por favor — insisto agarrando seu braço esquerdo com as duas mãos.

— Não, aí é que não vai se realizar mesmo.

— Você nem acredita nisso seu mentiroso — Zoro não acreditava em muita coisa, na verdade, não acreditava em nada que não pudesse ver com os próprios olhos — E não deve ser tão vergonhoso assim.

— Ah é sim pode acreditar.

— Qual é, não vai mesmo me contar? Nossa amizade não vale nada pra você? — pergunto fazendo minha melhor expressão de desapontamento.

Ele me olha por alguns segundos depois olha para a fonte novamente.

— Cara, é assustador o quanto você é bom nisso — ele diz — Se eu não te conhecesse, ia jurar que você está a dois passos de se acabar em lágrimas aí.

— É um dom. Me diz o que você desejou por favor — estendi a última sílaba.

Zoro revirou os olhos, depois suspirou.

— Pedi um namorado, tá feliz? — admitiu ele olhando para mim, o rosto agr tinha uma tonalidade um pouco rosada. 

Não consegui conter a risada que subiu pela minha garganta. Ele devia estar tão desesperado por um relacionamento que apelou até para uma fonte dos desejos que com certeza não acredita. 

— Muito. Mas meio que funcionou né, eu tô aqui.

— Eu pedi um namorado de verdade.

Abri a boca e coloquei a mão no peito como se estivesse ofendido. 

— Eu não sou suficiente pra você amor? E todas as nossas promessas...

— Para com isso — ele disse me repreendendo, mas estava sorrindo.

— Ah você ado...

Fui interrompido por uma voz feminina que vinha da porta da mansão a nossa frente.

— Zoro — chamou a voz, olhei em direção a ela e vi uma mulher baixinha, não devia ter mais que 1,50 metro, usava uma calça de alfaiataria branca, a blusa em um tom bege com mangas que iam ate as mãos, os cabelos castanhos lisos estavam soltos e iam ate a cintura dela. 

Ela veio em nossa direção depressa. Basicamente correndo. Zoro tirou as mãos dos bolsos e abriu os braços, olhei para o rosto dele e estava radiante. Ele deu um largo sorriso assim que a mulher se aninhou nos braços dele.

— Oi mãe — dava para sentir o sorriso de Zoro na voz. Então aquela era a mãe dele. A mãe dele que eu acabei de perceber que não sei o nome. 

Depois do longo abraço ela levou as mãos ao rosto de Zoro segurando as bochechas dele.

— Como você está meu bebê? — ela ficou na ponta dos pés e Zoro teve que abaixar a cabeça para que ela conseguisse beijar a testa dele com carinho. É coisa de família então — Como foi a viagem?

— Estou bem. E a viagem foi tranquila, nós saímos cedo então não pegamos muito transito — apontou para mim com a cabeça.

Ela se virou, os olhos puxados no mesmo formato dos de Zoro me olharam de cima a baixo. Então ela abriu um sorriso e veio em minha direção com os braços abertos e os rodeou no meu tronco.

Demorei um pouco para entender que ela estava me abraçando forte. Passei os braços pelos ombros dela retribuindo o abraço.

Alguns segundos depois nos separamos, ela colocou as mãos nos meus ombros.

— Então você é o namorado — ela disse sorrindo — Qual é o seu nome querido? Desculpe ter que perguntar, era uma coisa que eu já deveria saber, mas o bonitão ali trancou todas as informações relevantes sobre você a sete chaves.

Ela virou o rosto para Zoro com um olhar de advertência, e ele levantou as mãos em rendição. Não evitei o sorriso.

— Luffy. Monkey D. Luffy. É um prazer finalmente conhecer você, agora sei de quem ele herdou a beleza — disse e não estava mentindo. Ela era muito bonita, os olhos que pareciam de gatos, os traços finos do rosto, todas essas características Zoro compartilhava com ela. A mãe de Zoro deu uma risadinha com a minha fala.

— Gentileza sua querido, deveria me ver na adolescência, eu era uma deusa, e muito famosa. Transei com basicamente todos os garotos da minha rua — ela riu e eu ri junto a ela.

— Mãe não começa.

— Tá tá — Ela se aproximou de mim com a mão cobrindo a boca — Ele morre de vergonha quando eu falo sobre sexo, se ele não namorasse você eu iria achar que ele ainda é virgem.

— Eu estou ouvindo — Zoro disse cruzando os braços.

— Eu sei — ela diz tirando a mão de frente a boca, depois olhou para mim novamente, eu usava uma blusa preta colada ao meu tronco e uma calça cargo verde escuro, e chinelas no pé — Você é tão bonito, e tem uma cinturinha fina. Sabe, dizem que homens de cintura fina são muito bons na cama.

Eu nem consegui ter uma reação aquilo pois Zoro me puxou pelo braço para próximo dele rapidamente, fazendo as mãos dela saírem de mim.

— Mãe!! — Zoro disse parecendo desesperado, enquanto me segurava de lado pela cintura. 

— Que foi? É o que dizem — ela disse dando de ombros.

— Bom eu não vou negar, sou muito bom no que eu faço — eu disse sugestivo e Zoro engasgou. Bati meu ombro no dele levemente, e ele disfarçou - muito mal - a surpresa. 

Se eu quisesse que aquela mulher me aprovasse, eu teria que falar a língua dela.

— Tá vendo, deixa de ser careta — ela apontou para mim, sorrindo — Bom, vamos entrar? A maioria do pessoal ainda não chegou, vou mostrar o quarto de vocês e depois o Zoro pode te apresentar o restante da casa.

"O quarto", no singular. Eu já deveria ter imaginado que obviamente nos colocariam no mesmo quarto.

Começamos a caminhar para dentro. Quando a mãe de Zoro estava a alguns passos de distância de nós ele segurou meu braço. 

— O que foi isso? Se der liberdade, ela não vai parar mais.

— Não se preocupe, só quero que ela goste de mim.

— Ah ta bom, mas não precisa exagerar tanto assim também — ele diz e tava se referindo a minha fala sobre "ser bom no que faço". Ele acha que eu estava fingindo sobre aquilo?

— Mas eu não tava exagerando — disse olhando para os olhos castanhos dele — Eu sou realmente muito bom no que eu faço.

Pisquei um olho para ele que revirou os olhos. 

— Vai me dizer o nome da sua mãe ou eu vou ter que adivinhar? — perguntei quando voltamos a caminhar lado a lado até a mãe dele que havia parado na porta, quando percebeu que não estávamos andando.

— Ah. É Roronoa Zuri.

Zuri. Ele inclina um pouco a mão com a palma para cima, para próximo da minha. E eu entrelaço nossos dedos.

— Vamos começar nosso teatrinho — sussurro para ele dando um risinho e Zoro retribui.

▪︎

Eu estava certo quando falei dos três andares. Subimos a primeira escadaria, depois a segunda, depois a terceira. Depois seguimos por alguns espaços abertos e por corredores até chegarmos finalmente no quarto que seria nosso por duas semanas. Só pela porta de pelo menos 2,5 metro, eu já sabia que seria luxuoso. 

Quando a porta foi aberta tive que me conter para não expressar a minha surpresa. Tive que conter a vontade de sair tocando em tudo e olhando cada canto daquele quarto magnífico.

Ele era enorme, enorme mesmo. Com certeza cabe todo o meu ap aqui dentro. Carpete de lã na cor cinza se estendia por todo o chão, papel de parede de um cinza clarinho estava disposto em algumas parte da parede, nas que não havia a cor era branca. 

No meio do lado direito, estava uma cama de casal que eu chutava ser do tamanho king. Estava organizada, a coberta de cama era azul escura e branco. Dos dois lados da cama havia dois criados-mudos de madeira, na cor cinza claro. Sobre eles haviam alguns porta retratos que eu não consegui identificar de longe, e duas caixas brancas enfeitadas com um laço vermelho. 

Do lado esquerdo mais para o canto longe da porta, havia um guarda roupa de casal branco, que também devia ser tamanho king, com três portas enormes de correr, a do meio sendo um espelho. Mais para o canto próximo a porta havia uma porta que com certeza deveria dar para um banheiro, e próximo a porta de frente a cama uma TV de umas 50' estava suspensa na parede, e abaixo dela havia um rack também de madeira cor cinza. Havia mais alguns porta retratos em cima dele, e o controle da televisão. 

Na parede que ficava de frente a porta haviam um enorme janelas de vidro com cortinas black-out nas laterais.

— Nossa — foi tudo que eu consegui dizer sem parecer uma criança impressionada.

— Espero que tenha gostado, o Zoro sempre fica com esse então organizamos ele para vocês.

— É... - soltei um suspiro sem querer — É incrível, sério. 

Me virei para ela e estendi a mão.

— Muito obrigado por me receber senhora Zuri.

Ela dispensa minha mão e me puxa para outro abraço.

— Que isso querido. Não precisa ser tão formal, somos família — ela disse — E é uma honra finalmente te receber aqui.

— Que bom, fico feliz — sorri para ela depois de nos separarmos do abraço.

— Agora vou deixar vocês a sós, deixei alguns presentinhos ali em cima, espero que goste — ela deu um sorrisinho que eu não consegui decifrar então saiu fechando a porta.

— Puta que pariu — soltei o xingamento que tava entalado na minha garganta — Caralho Zoro, que que isso.

Comecei a perambular pelo quarto boquiaberto.

Me aproximei da cama passando a mão pelo ededrom que afundou com o toque.

— E só tem uma cama — falo depois de me tocar dessa verdade.

— Claro, achou que eles iriam nos colocar num quarto com cama separadas?

— Na verdade eu não tinha pensado sobre isso até agora. Eu fico com o lado direito.

— Ah não — ele respondeu igual a uma criança fazendo birra — Esse é o lado que eu sempre durmo.

— Não é mais.

Me virei de costas e me joguei na cama de barriga para cima. 

— Porra! — exclamei surpreso assim que meus olhos encontraram o teto e eu me vi nele. Havia um espelho enorme e muito limpo logo acima da cama — Na minha cabeça isso só existia em filmes tipo 365 dias.

Zoro deu de ombros. Levantei novamente da cama e fui para o criado mudo do lado direito, indo direto no porta retrato que me chamou mais atenção.

Ele deveria ter cerca de doze anos naquela foto. Estava com uma medalha dourada no peito, segurava um troféu e sorria para a foto mostrando todos os dentes. Ao lado dele estava um homem também segurando o troféu e sorrindo. Eles tinham o mesmo sorriso.

— O que você jogava? — perguntei ainda concentrado na foto.

— Vôlei — Zoro respondeu e a voz grave dele estava mais perto do que eu estava esperando, virei o rosto para o lado que a voz veio e ele já estava ao meu lado, olhando para a foto com uma expressão de nostalgia — Era levantador.

— Serio? Legal. Jogou até quanto anos?

— Dezesseis, sofri uma lesão no tornozelo, depois disso eu meio que desisti. 

— Ah.

— Esse foi um campeonato do ensino fundamental de escolas da cidade. Ganhamos o primeiro lugar e eu ganhei uma medalha de melhor levantador do campeonato — disse e sorriu levando a mão até a foto, eu o deixei segurar — Saudades.

Não sabia exatamente a que ele se referia. Se ao vôlei, ao momento daquela imagem, ou ao homem que sorria nela.

Meus olhos foram até a caixa branca com um laço de fita vermelha que também estava ali em cima. Agora de perto eu percebi que era maior do que eu achava.

Ao meu lado Zoro colocou novamente o porta retrato na superfície e seguiu meu olhar até a caixa.

— Vai abrir ou vai ficar só olhando? — ele me pergunta.

Eu me aproximo mais da caixa, puxo a ponta da fita fazendo o laço se desfazer, por fim levanto a parte de cima que se abre como um baú. Deixo escapar um som de surpresa pela boca assim que meus olhos batem no conteúdo da caixa. Eu a fecho imediatamente, tão rápido que nem sei se Zoro conseguiu ver o que tinha dentro. Sinto meu rosto esquentar.

— O que tem aí? — é, ele não viu. 

Ele se aproximou mais e colocou as mãos na caixa por cima das minhas. Eu estava paralisado. Ele a abriu e assim que encarou os objetos dentro a fechou da mesma maneira que eu.

Depois de um tempo com nos dois congelados com as mãos na caixa, eu soltei uma gargalhada alta. Nem eu entendi de onde veio, mas foi verdadeira. A mãe dele era realmente maluca. 

— Pelo amor de Deus, sua mãe acha que nossa vida sexual é agitada — consigo dizer em meio a risadas, olho para Zoro que está vermelho como um pimentão. 

— Que vergonha — ele diz tirando as mãos de cima das minhas e levando uma delas ao rosto — E olha que eu falei com ela antes, e ela disse que ia ser discreta. Isso é ela sendo discreta.

— Ela quer a gente mandando ver numa casa cheia de pessoas, que maluquice — Minhas mãos ainda estão na caixa, sinto vontade de abri-la novamente e verificar os objetos que eu tinha visto de relance. Talvez eu faça isso quando Zoro não estiver por perto — O que será que tem na outra?

— Não sei se eu quero saber — Zoro disse se sentando na cama.

Minha curiosidade é maior do que tudo. Então vou até o outro criado-mudo e puxo a fita da mesma forma do outro. Quando abro, me surpreendo quando não vejo nada além de tecido. Roupas?

— Eai? — Zoro pergunta olhando para mim.

— São roupas... Eu acho. 

Eu retiro a primeira peça, e não era uma roupa. Era uma venda. No automático acabo a levando em direção aos meus olhos por alguns segundos, percebo o que estou fazendo e abaixo a venda rapidamente.

— Ela quer que a gente recrie cinquenta tons aqui? — jogo a venda em Zoro que a segura com a ponta do dedo indicador e o dedão, como se estivesse suja — Deixa de ser fresco.

Ele atira a venda para mim de volta. Eu a seguro e deixo em cima na superfície e pego a outra peça da caixa. Quando a estendo em minha frente vejo que é uma calça, preta. 

Zoro solta uma risada alta de repente e coloca a mão na boca tentando se controlar.

— Ué, o que foi? — pergunto, mas ele não consegue responder nada além de gargalhadas. Quando eu viro a calça para ver o outro lado percebo porque ele ri tanto. 

A calça era totalmente aberta na parte de trás, mais especificamente, na parte de baixo da bunda. Eu a coloca de volta na caixa e a fecho. Seja lá o que mais tem aqui eu não quero saber. Pelo menos não agora.

— Tá já chega dos presentes da sua mãe por hoje — falo quando Zoro finamente para de rir e começa a limpar as lágrimas que escorriam.

— Quando eu acho que ela não pode se superar ela me surpreende — ele diz e se joga para trás se deitando na cama.

— Eae amor, vai me mostrar a casa ou não? — pergunto depois de um momento em silêncio, usando o apelido apenas para provocar. 

— Claro meu bem vamos lá — ele levanta pega minha mão e me leva para fora do quarto.

Notes:

Olá!
Antes de tudo quero avisar que essa é a primeira vez que eu escrevo em primeira pessoa então tenham um pouquinho de paciência comigo 🙌

A maioria dos personagens da família do Zoro vão ser inventados por mim, outros vão ser de op, espero que não estranhem.

Pretendo trazer povs alternado dos dois, porém depende do andar da carruagem, provavel que o Luffy tenha mais povs.

Bom acho que é isso, perdoem os erros e até o próximo capítulo 💋