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Era mais um dia normal na vida de Lucy. Ela era a única médica da vila e mesmo morando um pouco mais isolada na floresta recebia pessoas em sua casa constantemente buscando tratamento. Enquanto estava cuidando dos seus animais percebeu uma movimentação estranha na floresta. A loira ouvia o constante farfalhar das folhas e se perguntava por que os animais estavam tão agitados, então resolveu verificar o que era e se surpreendeu quando viu uma pessoa deitada no chão da floresta e pelo que percebeu parecia muito ferida. Ela correu e quando estava perto o suficiente percebeu que aquilo não poderia ser um humano, o ser tinha chifres negros na cabeça que destoavam dos cabelos rosas, suas mãos poderiam ser normais, mas eram cobertas de escamas vermelhas e tinham longas e afiadas unhas negras. Pelo o que sabia aquele ser era um dragão, mas as suas roupas empapadas de sangue não permitiram que o abandonasse ali. Então ela tomou a decisão mais perigosa de sua vida iria cuidar daquele dragão.
Ela se abaixou e viu que ele ainda respirava fracamente, o acordou para que ela pudesse levá-lo até a sua cabana para melhor tratar seus ferimentos. Ele acordou um pouco atordoado, mas pareceu notar que Lucy não queria fazer mal a ele, já que não a atacou e os dois se arrastaram para a cabana de Lucy. Felizmente seus ferimentos não ameaçavam sua vida e ela o encontrou antes que ele sangrasse até a morte.
Tarde naquela noite ele acordou novamente se sentindo horrível e desnorteado farejou o local que estava, mas não fazia ideia de onde poderia estar, lembrava vagamente de alguém que cuidadosamente tratou dos seus machucados, mas o lugar cheirava a humanos e um humano não se aproximaria de um dragão tão descuidadamente. Estava perdido em seus pensamentos quando percebeu a porta do cômodo onde estava abrir.
- Ah, você acordou, como se sente?
Natsu estava completamente confuso aquela era claramente uma mulher humana, mas falava com ele docemente como se não soubesse o que ele era, olhou para as mãos e eram claramente diferentes das dela, tocou em um de seus chifres estavam ali imponentes na sua cabeça claramente não humanos. Sentiu suas mãos delicadas em sua testa estava tão absorto em seus pensamentos que sequer notou ela se aproximar.
- Felizmente sua febre baixou, mas com certeza está confuso devia voltar a descansar seus ferimentos não eram letais, mas é melhor não se esforçar demais.
- Espere – ele segurou os pulsos da loira a sua frente – você sabe o que eu sou?
- Não tenho certeza, mas sei que não é humano.
- E não tem medo de mim?
- Tenho, mas espero que outros seres tenham educação também e não queiram morder as mãos que o salvaram.
Natsu estudou o rosto da garota a sua frente e finalmente percebeu que ela tremia mesmo exibindo um semblante determinado. Ele sorriu e percebeu que suas presas a intimidaram um pouco.
- Você tem sorte humana decidi ser benevolente e não te matar.
- Era para eu ficar feliz com isso? Esperava um pouco mais por ter salvado a sua vida.
- Então, o motivo pelo qual me salvou é por que busca alguma compensação?
- Não, na verdade, eu pensei que seria melhor não cuidar de você, que te deixar morrer seria melhor, mas algo me impediu. Eu deveria te salvar.
- Ah – aquelas palavras o deixaram confuso, Natsu não sabia se aquilo era um bom sinal ou apenas uma armadilha olhou de novo para a garota, mas ela não parecia estar mentindo, a verdade é que ela tinha medo de esconder qualquer coisa dele por medo de que ele se voltasse contra ela.
Natsu suspirou. Seus pensamentos estavam uma bagunça e aquilo era exaustivo demais ou quem sabe suas feridas eram piores do que ele imaginava. Ele voltou novamente os olhos escuros para a loira e disse:
- Seu nome.
- O que? – a loira também parecia confusa e perdida em seu próprio mundo ele se perguntou o que se passava pela sua cabeça. Ou como a cabeça de ser humano funcionava. Seriam muito diferentes dos dragões?
- Qual o seu nome?
- Lucy e o seu?
- Nomes são poderosos não o darei assim – ele sorriu ironicamente e a garota parecia irritada.
- Você sabe o meu nada mais justo do que você me dizer o seu.
- A culpa é sua por ser descuidada com algo tão poderoso.
- Não acho que seja tão poderoso assim para humanos.
- Não, os humanos que desconhecem o poder que seus nomes carregam e os entregam facilmente a qualquer um, seu nome carrega sua essência e não só sua identidade.
- Tá bom, tá bom – loira suspirou – então como vou me referir a você sem saber o seu nome.
- Eu lhe darei meu nome, mas somente a você os ventos os transportam a lugares indesejados.
Foi quando Lucy sentiu algo estranho seu corpo começou a esquentar, mas não de uma maneira ruim ou dolorida, mas como algo acolhedor como uma bebida quente em um dia frio. Ela olhou para Natsu e seus olhos brilhavam escarlate foi quando percebeu que o nome do homem a sua frente era Natsu, verão.
- Então o que achou? – perguntou Natsu.
- Foi intenso e aconchegante, seu nome combina com você – ele pareceu corar um pouco, mas Lucy achou que foi impressão sua.
- Obrigado o seu também.
- Mas eu posso chamar por você? Você disse que o vento o transporta para lugares indesejados.
- Pode. Só você pode utilizar o meu nome, mesmo se alguém o ouvir não vai conseguir fazer o mesmo a menos que eu lhe conceda o meu nome.
- Interessante – disse Lucy com um largo sorriso que fez o coração do dragão errar algumas batidas – bom Natsu acho melhor você descansar.
E como um feitiço ele sentiu seu cansaço tomando conta de si e quando ela saiu do cômodo Natsu caiu no sono.
Na manhã seguinte Natsu saiu do cômodo se sentindo bem melhor, geralmente, ele apenas precisava de uma noite de sono para se recuperar. Explorou a casa da loira e não a viu em lugar algum até que ouviu sua voz cantarolando do lado de fora ele a observou cuidando de sua pequena horta e seus animais, era tudo bem cuidado havia o suficiente para ela e talvez para que pudesse vender algo se precisasse. Lucy demorou para perceber que estava sendo observada, ela se virou e abriu um sorriso que novamente fez o coração de Natsu retumbar no peito. Ele começou a se perguntar se aquilo poderia ser algum problema de saúde, mas se sentiu envergonhado depois de ponderar perguntar para Lucy.
- Bom dia – disse ainda sorrindo – como está se sentindo?
- Bem melhor, uma noite de sono sempre é um ótimo remédio.
Lucy riu e novamente fez o coração de Natsu sapatear.
- Vamos entrar quero ver como está o seu ferimento.
Os dois voltaram para dentro e Lucy fez com que ele se sentasse em uma mesa que usava para examinar seus pacientes. Levantou a blusa de Natsu e começou a analisar.
- Nossa os dragões se recuperam muito rápido sua ferida está muito melhor não é de impressionar que você já esteja vagando pela casa.
- Como disse nada que uma noite de sono.
- Estou começando a achar que se eu tivesse deixado você lá teria se curado sem a minha ajuda.
- Talvez... ou poderia ter morrido com a perda de sangue seria uma corrida do que iria acontecer primeiro – Natsu olhou para a loira e abriu um largo sorriso – mas você definitivamente me salvou.
- Bom então sou a salvadora de um dragão acho que devia expandir meus cuidados para criaturas místicas e não só humanos.
Os dois escutaram uma batida na porta e Lucy se virou rapidamente para Natsu e sussurrou.
- Acho que deve ser um paciente você pode se esconder não sei como ele reagiria com um dragão.
Natsu assentiu e voltou para o seu quarto, mas continuou ouvindo o que Lucy fazia do outro lado da porta. Ela cuidava bem de seus pacientes e parecia saber todo tipo de problemas, ele gostaria de observar as expressões que ela fazia para seus pacientes por algum motivo aquilo parecia muito divertido para Natsu.
XXX
Lucy estava cuidando de Natsu já havia uma semana ela já havia se acostumado com a presença do dragão ali como se ele sempre tivesse morado com ela. Ele a contava histórias de seres mágicos e dragões lendários. As suas preferidas era a que ele contava da própria infância de seu pai Igneel, porque sempre via os seus olhos brilharem de empolgação. Mesmo que eles tenham se separados ainda na infância de Natsu e quando eles finalmente se reencontraram foram nos últimos momentos de Igneel era claro que o rosado amava muito o seu pai. A loira também compartilhava suas histórias com ele e o ensinava costumes e conceitos humanos, ele também demonstrava interesse nos livros humanos, ele mesmo não os lia gostava de ouvir Lucy ler em voz alta e dessas leituras eram que resultava na curiosidade do rosado para com os humanos.
- Ei Lucy.
- Hmm – disse relutante de tirar os olhos da história quando eles finalmente haviam chegado na melhor parte.
- O que é beijo?
Lucy enrubesceu era claro que aquela cena iria chamar atenção dele, mas ainda assim a loira ficou intrigada, nunca havia lhe passado pela mente como era um relacionamento romântico entre dragões ou se eram parecidos com o dos humanos e aquela pergunta esclareceu a ela.
- C-como posso explicar isso? – Lucy se pegou gaguejando, por que estava tão nervosa? – um beijo é... uma coisa que humanos fazem para demonstrar afeto, é quando encostamos nossos lábios nos lábios de outras pessoas, mas também podem ser em outros lugares – Lucy corou de novo quando pensou em alguns lugares.
Natsu parecia intrigado e um pouco confuso, mas seu rosto se iluminou de repente.
- Lucy você pode me dar um beijo? – ele perguntou com grande inocência.
- O QUE? – Lucy gritou e aquilo assustou Natsu.
- Eu pensei que talvez você poderia me mostrar acho que iria entender melhor, mas acho que foi demais, me desculpa – o sorriso do dragão desapareceu do rosto e aquilo fez o coração de Lucy doer.
- Não, não tudo bem eu só fiquei um pouco surpresa.
- Então você vai me mostrar? – ele perguntou empolgado e como se o sorriso nunca tivesse deixado seu rosto.
- Sim – Lucy falou baixo, mas não era problema para a audição dele.
Ela se aproximou do rosto dele e beijou uma de suas bochechas. Depois de fazer isso observou Natsu e ele tinha uma expressão enigmática.
- Você disse que era na boca – ele disse sem hesitação alguma e Lucy sentiu todo o seu rosto esquentar ela imaginava que estava completamente vermelha.
- Eu disse que podia ser em outros lugares – ela falou de cabeça baixa tentando disfarçar o nervosismo.
- É, mas você fez parecer que um beijo na boca era mais legal – ele disse aquilo com uma seriedade que chocou Lucy.
- Bom eles são, mas...
- Então eu quero esse – interrompeu Natsu. A loira sentia que poderia sair gritando dali a qualquer momento, mas sentia que ele insistiria nisso até ganhar o que queria. Então respirou fundo uma, duas, três vezes e o beijou, mas dessa vez nos lábios. Havia sido um beijo rápido, mas Natsu ficou completamente em silêncio. Olhava fascinado os lábios de Lucy como se ali estivessem a coisa mais estranha do mundo e ao mesmo tempo algo que ele sempre buscou a vida inteira.
Dessa vez ele tomou a iniciativa e colou seus lábios nos de Lucy. Ele a beijou de uma forma completamente desajeitada, como se aquela fosse a última oportunidade de ter aquilo. Quando finalmente se separaram ambos arfavam.
Depois daquele beijo Natsu não conseguia parar de beijar a loira sempre que podia ele roubava um beijo de Lucy que sempre ficava vermelha, mas não era como se não estivesse gostando.
XXX
Um dia Lucy recebeu alguns pacientes e como sempre fazia Natsu se escondeu no cômodo em que dormia, mas por algum motivo sentia certa inquietação em relação aqueles homens. Pelo o modo que andavam e falavam pareciam bem demais, ele já havia se acostumado com a presença de humanos doentes ou machucados, mas aqueles homens não pareciam nenhum dos dois.
- Então qual o problema? – Lucy perguntou e pelo tom ela já havia notado que eles estavam bem.
- Ah, querida, meu amigo aqui está sentindo umas dores no lado esquerdo dele.
Lucy suspirou e se aproximou dele.
- Primeiro eu gostaria que você se referisse a mim como uma médica e não como uma velha amiga já que nem nos conhecemos. E você levante a blusa deixe-se me ver.
- Oh, desculpe-me, não queria desrespeitá-la – o homem de antes falou, mas não parecia nem um pouco arrependido.
- Bom, visivelmente não tem nada de errado – Lucy disse para o segundo homem – vou tocar e você me diz onde dói.
Lucy mal havia encostado no segundo homem e ele começou a gritar de dor, mas o modo como Lucy correspondeu aquilo mostrava que era apenas uma encenação.
- Eu não tenho tempo a perder com gracinhas falem logo o que vocês querem aqui.
- Pelo jeito não funcionou – disse o primeiro homem condescendente – nós apenas ouvimos que havia uma médica muito talentosa nesse vilarejo e queríamos ver se ela era tudo isso mesmo.
- Está bem vocês já viram podem ir embora – disse Lucy tentando enxotá-los dali, mas o homem que ela examinou a segurou pelos pulsos.
- Ah não, doutora, a nossa diversão apenas começou, ouvimos também sobre o quanto você era bonita, mas sequer imaginamos o quanto.
A loira se viu presa por aquele homem e percebeu que o outro se posicionava logo atrás dela, quando começou a temer pelo pior ouviu a porta de seu quarto de hospedes abrir violentamente.
- Tirem as mãos dela – Natsu rosnou para os dois homens. Aquele que segurava Lucy a soltou assustado e ela aproveitou e correu para longe dele.
- Que merda é essa? – um deles gritou.
Natsu correu na direção deles e com os punhos em chamas acertou os homens que foram arremessados contra as paredes da casa de Lucy as rachando.
- NATSU – Lucy gritou e rosado que estava cego pela raiva voltou a si.
Ele foi em direção a Lucy e a olhou de cima a baixo para ver se havia algum machucado.
- Eu estou bem, mas pode tirar eles daqui?
- Claro – Natsu foi em direção aos homens que ainda estavam desmaiados jogou-os sobre os ombros como sacos de batata e saiu em direção a floresta onde os deixou.
Quando ele entrou novamente na casa, viu Lucy tentando colocar as coisas no lugar. Ela estava tendo certa dificuldade, pois suas mãos tremiam e vendo aquilo o coração de Natsu se apertou, sabia que nunca mais querias ver a sua Lucy em perigo de novo e faria o possível, para que isso acontecesse.
- Você está bem?
- Sim, estou eles não tiveram tempo de fazer nada comigo – ao dizer aquilo a loira estremeceu, talvez pensando no que eles iriam fazer a ela – obrigada Natsu – ela sorriu fracamente para ele.
- Se você não tivesse me chamado eu teria acabado com a raça deles.
- Eu sei, mas você destruiria a casa também – disse ela apontando para as rachaduras.
- Ah – Natsu riu sem graça – não acho que me seguraria se algo assim acontecesse de novo.
- Tudo bem isso não vai acontecer de novo, geralmente, só atendo pessoas do vilarejo e elas nunca fariam mal a mim, aqueles dois eram de fora nunca tinha visto eles antes – Lucy olhou para Natsu e ele a olhava sério – vou ter muito mais cuidado a partir de agora.
- Tudo bem – Natsu respondeu, mas parecia insatisfeito.
- Hmm, Natsu você teria uma magia que poderia consertar a parede?
- Infelizmente não, só faço magia de fogo – disse Natsu corado de vergonha.
- Acho que vamos ter que conviver com algumas paredes rachadas – a loira riu e por algum motivo se acendeu dentro de Natsu uma vontade enorme de beijá-la e foi o que o rosado fez sem hesitar um segundo.
Segurou os dois lados do rosto de Lucy, o beijo pareceu desesperado como se ele quisesse provar alguma coisa, talvez para aqueles homens que aquela mulher pertencia somente a ele ou talvez a si mesmo como um juramento silencioso de que nunca a deixaria. Lucy pareceu confusa com a ação súbita do dragão, mas logo derreteu nos seus braços, às vezes ela tentava resistir pensando em como eram de espécies diferentes, parecia errado era o que ela sempre queria se convencer, mas na verdade sentia que estava no lugar certo com a pessoa ou dragão certo.
Natsu separou os dois e Lucy se pegou protestando por causa da ação dele, ele apenas sorriu e olhou em seus olhos com uma expressão calorosa como se procurasse as palavras certas para dizer.
- Acho que sei por que você me salvou naquele dia.
Lucy ficou confusa por alguns segundo, mas logo entendeu.
- Sim, eu também – disse se recostando no peitoral do dragão que beijou o topo da sua cabeça e a envolveu em um abraço caloroso.
FIM... ?
