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O relacionamento dela tinha rompido a pouco. Kevin queria casar e ela poderia recitar uma lista de motivos válidos do porquê disse não. Como por exemplo: ela não estava pronta, a ideia de ter de escolher entre o trabalho e o noivado a fazia pirar, Derek Morgan, ela não poderia abandonar a BAU, Derek Morgan, Kevin não era o certo por cogitar que ela abandonaria seu maior orgulho que era sua carreira. Afinal, ela era tão boa naquilo.
No dia que Kevin virou as costas e foi embora para sempre, foi como se algo tivesse desligado dentro dela. E, ao mesmo tempo, outra coisa fosse ligada. Ela queria odiar aquilo mais do que tudo. Odiar ter sentido aquele peso nas costas sumir assim que um relacionamento de anos tinha se espatifado como vidro no exato momento em que ela disse o não.
Mas ela não tinha como negar, agora era ela.
Depois de 6 anos, Penelope Garcia era Penelope Garcia de novo, e podia jurar que se sentia quase completa.
Ok, talvez ela tenha demorado 4 dias, 1 pote e meio de sorvete de morango, 10 episódios da sitcom mais idiota que ela pode encontrar e vários abraços de pelo menos 3 das pessoas mais importantes da sua vida para finalmente se sentir de fato bem. Ninguém pode culpá-la, 6 anos continuavam sendo 6 anos.
(...)
Penelope estava na sua batcaverna assistindo vídeos de gatos fofos quando JJ entrou:
— Estou indo tirar o carro para ir pra casa. Quer uma carona hoje? – A agente Jareau era uma amiga mais do que cuidadosa, mas Penelope não se sentia digna de solidariedade. Ela estava bem e detestava que sentissem pena dela.
— Obrigada pela gentileza minha amiga querida, mas vou ficar até tarde hoje. – Penelope respondeu com toda a simpatia que tinha por que Jennifer merecia – Até amanhã, JJ. Mande um beijo da tia Penny para o Henry.
JJ acenou com a cabeça
— Até amanhã, Garcia. Se cuida. – E então deu um daqueles sorrisos que dizem “estou aqui para o que precisar” antes de sair e fechar a porta da sala.
(...)
Já passava das 01h00 quando ela resolveu sair de sua toca e passar um café na cozinha da BAU. Por algum motivo, ela não queria ter que voltar pra casa hoje. E de qualquer forma, ela sabia que não estava sozinha. Hotch sempre ficava até tarde da madruga na própria sala e era um conforto pra ela saber que não era a única com receio de ir para casa.
Ela estava só há alguns passos da cozinha quando sentiu o cheiro do café recém coado e percebeu as luzes amarelas acesas contrastando com o resto do lugar que estava em sua maior parte mal iluminado. Quando colocou o pé para dentro viu a última pessoa que esperava ver tão tarde lá.
— Tudo bem, querida? Ainda não foi para casa? – Derek Morgan estava encostado na bancada com uma caneca de café preto em uma das mãos. Ele estava olhando para ela esperando uma resposta e, mesmo não sendo perfiladora, ela sabia que ele tinha conhecimento da presença dela muito antes de que ela notasse a dele.
Ela suspirou e deu uma risadinha baixa levando a mão ao coração
— Morgan, você é lindo, mas me deu um susto dos grandes. – Não o olhando nos olhos, ela disse com aquele tom zombeteiro que era só deles, e caminhou mais alguns passos curtos indo parar ao seu lado para se escorar na bancada também – Esperava encontrar o Hotch por aqui uma hora dessas. Tem algum motivo em especial para o senhor estar virando a noite na sede? – Perguntou virando ligeiramente o rosto para trás e usando uma das mãos para alcançar uma caneca.
— Terminando alguns relatórios. Me dê aqui, garotinha. – Tomou a caneca da mão dela delicadamente, demorando-se um pouco mais quando seus dedos roçaram um no outro. – E você? Deveria ir para casa descansar, não? – Questionou enquanto servia o café quente para ela. – Açúcar?
— Uma colher rasa, por favor. – Ela respirou fundo e olhou para as próprias mãos enquanto esperava seu café e pensava em quantas mais pessoas ainda iam fazer essas perguntas. – Na verdade, acho que vou passar a noite no sofá da minha sala. Ainda tenho algum trabalho para fazer. – Ela o olhou nos olhos enquanto ele entregava a caneca para ela outra vez depois de já ter adoçado a bebida. E ele sabia, claro que sabia.
— Tem mesmo? Se quiser companhia, posso terminar os relatórios no fim de semana, e não pretendo dormir tão cedo. – A voz dele era gentil e acolhedora. Se ela fosse completamente sincera com ela mesma, a companhia dele era tudo que ela gostaria agora. E de qualquer forma, ela não conseguiria negar nem se quisesse.
Então aceitou.
—Tudo bem então, bonitão. Pode parar de implorar agora, vou encaixar um tempo com você na minha agenda. – Penelope fingiu estar pensando ao mesmo tempo em que dava um sorriso largo e doce para ele. – Hm, ok. Tenho um tempo livre agora mesmo!
— É mesmo um privilégio, amor. – Derek ria do jeito descarado de Garcia enquanto negava com a cabeça. – Acho que devemos escolher um filme, então. – E passou o braço esquerdo pelos ombros dela enquanto levava a caneca para a própria boca.
— Deixo você escolhendo e vou fazer a pipoca. E por Deus, nada de filmes policiais. – Ela olhou para ele com os olhos de um cachorrinho filhote.
— Prometo pra você. – Disse enquanto sorria carinhosamente para ela. E eles ficaram ali por mais um tempo terminando o café e aproveitando a atmosfera confortável que criaram. Nenhum deles queria ser o primeiro a se mexer.
