Chapter Text
— Cleo, vem com a gente. Só vem com a gente — Aguiar a olhava preocupado. O peso da culpa estampado nos seus olhos.
Por sua causa aquela mulher estava ferida daquele jeito, por sua causa ela estava ali naquele inferno, por sua causa a vida dela estava por um fio, o mínimo que ele poderia fazer era se forçar para garantir a segurança daquela pessoa.
— Você tá racionando essa água desde o primeiro dia ? — Jae queria sentir raiva, quem aquela loirinha pensava que era pra tratar o Aguiar daquele jeito ? Mas, ao mesmo tempo, ela sentia uma certa dó. Uma mulher sozinha naquele inferno, toda machucada, abandonada à própria sorte… abandonada … Sua memórias confusas lhe davam flashback de várias pessoas sozinhas naquelas camas, agonizando em estado terminal, sozinhas …. Aquela solidão toda era os sentimentos daquele corpo ou resultado das suas próprias memórias ?
— Sozinha, você vai morrer. Eu to te falando — A voz de súplica do Aguiar a trouxe de volta. Ele falava sério encarando aquela mulher. O delegado não podia manter a mulher contra a vontade dela, queria a fazer entender, ir com eles por vontade própria.
— Bom, eu quero começar a ir antes que fique tarde, porque você precisa descansar à tarde… Mas a Cleo .. — A pena se transformava em raiva, por que não aceitava ajuda logo? Estava claro que ela era muito fraca para continuar sobrevivendo sozinha naquele lugar.
Em um momento de descuido dos killers, a policial viu uma oportunidade, um caminho entre eles, a adrenalina a mil, aquela era sua única chance, sem pensar duas vezes ela saiu correndo por entre as duas pessoas na frente. Aguiar não teve reação, não achou que ela fosse tentar fugir depois de se explicar tanto, já Jae estava claro que tinha se cansado, elu poderia a ter pego, mas nem se esforçou, se ela queria ficar sozinha, que seja !
— VOCÊ ESQUECEU A MUNIÇÃO — Sem pensar duas vezes, Aguiar saiu correndo atrás da Cleo. Se ela não queria ficar com eles, pelo menos ela precisava ter algo para se defender e logo mais as balas daquela arma acabariam.
— AGUIARZINHO — Jae gritou ao ver o homem correndo atrás da loira — Não é possível, sempre uma loirinha aleatória !
Jae reclamava fazendo o mínimo esforço para ir atrás deles. Elu andava tão devagar que duvidava se iria os encontrar, era mais fácil o Aguiar voltar do que elu chegar até eles. No meio daquela vegetação quase morta, eles sumiram. De braços cruzados, Jae decidiu os esperar, não adiantava nada que ele se perdesse também, ela sabia das suas limitações e andar sozinha em uma floresta desconhecida com vampiros e monstros a solta era uma delas.
Um calafrio fez elu se arrepiar inteiro, o coreano sabia que tinha algo atrás de si, algo poderoso. Seu coração batia fortemente, parecia que podia ser escutado a quilômetros de distância. Como uma tentativa quase desesperada elu tentou tocar seu capuz, mas assim que sua mão tocou o tecido, o seu corpo foi virado e ao encarar aqueles olhos o terror se apoderou do seu ser, sua última ação foi dar um grito repleto de puro terror antes que tudo ficasse em branco, nem um pensamento, nenhuma reação, nenhuma luta … Velisar olhava contente para seu novo experimento.
( … ) ( … )
Aguiar nunca correu tão rápido em toda sua vida. Depois de escutar aquele grito vindo da direção onde tinha deixado Jae, ele desistiu de ir atrás da Cléo, aquilo não importava mais, aquela mulher não importava. A pessoa que ele se importava tinha acabado de dar um grito cheio de pânico. Jae era silencioso, Jae era furtivo, jamais faria barulho sem necessidade, e também o orgulho dele não iria deixar elu demonstrar fraqueza, então o delegado corrupto sabia que algo muito sério tinha acontecido ali, mas ao chegar no local não tinha nada. Nem sombra de Jae. Em meio ao desespero, Aguiar viu , largado no chão, o punhal de Jae.
Ao encontrar aquele punhal, Aguiar sentiu seu sangue gelar. Jae jamais deixaria seu precioso punhal jogado no chão. Seu desespero aumentou, a única coisa que se passava em sua mente era “Como pude deixá-lo sozinho ?”
Aguiar revirou aquela área inteira sem descanso, a mata, ao redor da casa de taipa, a casa, o local onde tinha encontrado com Cindy e Caio. Nada, nem sinal. Na sua mão estava o punhal, seus dedos estavam brancos de tanta força que usava para segurar aquele objeto. Ele esperou até perto do Anoitecer. Não se importava com o cansaço ou com a batalha que viria, ele queria Jae … Jae era seu! Quem teria coragem de o arrancar de si ? Essa pessoa deveria estar preparada para encarar a fúria de um homem culpado.
Sem alternativas. Aguiar retornou a base, ele precisava contar para os outros, eles poderiam ajudar a pensar quem sequestraria o coreano mal humorado que eles tinham.
— VOCÊ QUERIA NOS MATAR DE PREOCUPAÇÃO? QUASE PENSAMOS QUE TINHA ESCOLHIDO FICAR DO LADO DOS COURAÇAS — os gritos de preocupação da Kemi cessaram ao ver a expressão de desamparo do killer.
— O que aconteceu ? Cadê Jae ? — Labirinto foi o próximo a se pronunciar. Ele se mexeu para ver se o outro estava atrás do Aguiar ou ainda estava vindo enquanto resmungava.
— Eu não sei — A resposta do delegado não passou de um sussurro, sua garganta estava seca de tanto gritar pelo outro, gritos sem respostas.
— Não sabe ? — Repetiu Labirinto sentindo que algo não estava certo.
— O punhal dele — Henri foi o primeiro a notar aquela arma diferente nas mãos do outro.
— Ele não deixaria a arma para trás. Aguiar, conte o que aconteceu — Labirinto parecia pronto para uma guerra, os tiques demonstravam o quanto ele estava nervoso.
— Eu não sei, eu não sei — Aguiar repetia em um sussurro cada vez mais alto.
— COMO NÃO SABE ? ELE ESTAVA COM VOCÊ — Labirinto estava perdendo toda a sanidade que lhe restava.
— Estava mas depois, foi apenas por um segundo —
— Você o deixou sozinho ? Foi isso ? — Labirinto o interrompeu. Aguiar não conseguia encarar o mais velho nos olhos, a culpa o remoendo.
Sim, aquilo era sua culpa, ele o tinha deixado sozinho.
— Calma lá, Jae não é nenhuma criança. Ele sabe se virar sozinho — Dalmo tentou amenizar com um tom brincalhão.
— Ela gritou…
A sala ficou em silêncio por alguns minutos. Ninguém conseguia dizer nada, todos pensando no pior cenário possível.
— Mas ele pode ter se assustado com algo e depois correu, não é pessoal ? — Dalmo ainda tentava ver pelo lado positivo.
— Foi um grito de pânico. Se ela tivesse se escondido, eu conseguiria achá-lo.
— Mesmo após isso você o deixou ? Você é maluco ? — Labirinto estava frente a frente. Kemi tentava o puxar para trás, mas ele se mantinha de pé na frente do Aguiar.
— Eu voltei correndo assim que escutei !
— Voltou de onde ?
— Eu …
— DE ONDE ? — O tom alto e autoritário fez a pele do delegado arrepiar, gritos lhe causavam raiva, vergonha …
— A gente achou a Cleo e …
— Entendi, você deixou Jae ali para ir atrás do seu caso.
Labirinto passou por Aguiar esbarrando nele de propósito.
— Aonde você vai, careca ? — Questionou Dalmo
— Atrás do Jae. Elu deve ter sido pego por alguma equipe.
