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Seu coração está comigo (e o meu com você)

Summary:

Depois de passar por tantas dificuldades em um curto período de tempo, tudo o que Zhong Mu queria era passar algum tempo com o seu doutor. Queria cozinhar, limpar, guiar e seguir ele como um amante.

Já que tudo passou, ele pode finalmente ter a chance.

(Zhong Mu acorda na clínica do Mu He e vê isso como uma oportunidade)

Notes:

Na verdade, eu não revisei essa obra, mas queria postar mesmo assim. Eu amo tanto esses dois que queria compartilhar isso o mais rápido possível, mas é possível que eu revise e/ou reescreva depois quando der vontade.

Boa leitura!!!!!

Work Text:

A primeira coisa que percebeu ao acordar foi o quanto ele queria dormir. 

 

Ele estava esgotado, como se estivesse correndo de monstros há três dias e três noites, e realmente queria esquecer de tudo para descansar, mas se obrigou a acordar de verdade e abrir os olhos — e se Yin Xiu Ge precisasse dele? Não poderia deixar ele na mão (mas ele precisaria mesmo dele tendo um deus como namorado?). Zhong Mu se forçou a abrir os olhos e assim ue o fez, deu de cara com um teto branco e um quarto extremamente limpo e muito desconhecido. Naturalmente, como sobrevivente nas masmorras, isso não poderia significar coisa boa, mas os seus veteranos o ensinaram bem que nunca se deve agir sem pensar em momentos como esse. Quando não se sabe o que fazer, não se deve agir precipitadamente. 

 

Tentando lembrar como havia chegado ali, ele revisou cuidadosamente as suas últimas lembranças... Depois de chegar no outro mundo e se separar do namorado do Yin Xiu Ge, ele foi para a nação em busca do médico e... Depois de toda aquela confusão, todos saíram ilesos na medida do possível. Ao mesmo tempo em que sentiu uma explosão de euforia (eles estavam vivos!) e vergonha (ele havia beijado Mu He, meu Deus!), ele também sentiu o desespero se apossando de sua mente ao pensar que havia perdido o médico de vista depois de desmaiar quando saíram do domínio de Lin, deixando ele vagar por um lugar que não conhecia muito bem. 

 

Sem ele por perto, como o médico iria se cuidar? E se alguém tentasse se aproveitar do seu querido médico de novo enquanto ele estivesse fora? Embora ele fosse astuto, era bondoso por natureza e deixava as pessoas tirarem vantagem dele de propósito. Todos os outros estavam muito ocupados para se preocupar e cuidar do doutor como ele realmente merecia.

 

Tentando se acalmar, ele se concentrou no vínculo que os unia dentro de seu peito e não encontrou nada fora do comum, assim como também sentiu que ele estava bem perto. 

 

Ótimo. 

 

Ao sentir o médico tão perto e se aproximando cada vez mais, ele finalmente relaxou e observou seus arredores com cuidado, reparando nos móveis quase colados nas paredes e conseguiu perceber, então, o cheiro de remédio cada vez mais forte. Após uma pausa, Zhong Mu não conseguiu conter a empolgação quando viu que, na verdade, essa deveria ser a casa do doutor! Ele sentiu uma pontada de vergonha por não ter percebido antes, mas decidiu se dar uma folga, considerando que não se parecia muito com o quarto em que foi atendido da última vez. Ele se sentiu meio mal ao perceber que na primeira vez que veio na casa do seu (aparentemente) namorado, não havia nenhum presente consigo — mas, bem, ele meio que desmaiou e não veio por vontade própria, então não conta, né? Ele poderia trazer algo na próxima vez ou compensar a falta de cortesia ao longo de sua estadia com comida, limpeza ou qualquer serviço que fosse bem-vindo.

 

Nesse momento, a porta foi cuidadosamente empurrada para o lado e o seu (ao que tudo indica) namorado entrou silenciosamente, provavelmente tentando não acordá-lo. Ele parecia lindo como sempre, com seus cabelos brancos amarrados em uma trança e a túnica clara e folgada, ajudando a manter a aparência de frágil e indefeso; seus olhos estavam abertos e voltados para a sua direção, mas Zhong Mu sabia muito bem que a única coisa que ele conseguia enxergar era, possivelmente, um borrão colorido, então ele não conseguiu perceber que seu (se Deus quiser) namorado estava acordado.

 

Como era sua casa (ou clínica, talvez as duas coisas), Mu He não precisou tatear ao redor para se locomover com facilidade no cômodo, permitindo que ele trouxesse dois potes, um em cada mão. Em uma estava uma tigela de remédio que trouxe imediatamente lembranças não muito boas do período em que estavam na masmorra do hospital psiquiátrico, e na outra estava um pote com alguns doces. 

 

Mu He se sentou ao seu lado, perfeitamente imóvel. Zhong Mu não sabia se o doutor havia percebido que ele estava acordado ou não, mas como ele não falou nada e ficou sentado, Zhong Mu também não se apressou, virando levemente a cabeça para poder observar o seu (assim ele espera) namorado. 

 

Observando Mu He, ele não conseguia esquecer da expressão aberta e de pura e genuína surpresa que o doutor havia feito quando Zhong Mu o beijou. Mas depois disso, Mu He havia passado a depender mais dele durante o resto da missão — não porque precisasse tanto assim, claro, mas porque se permitiu ser cuidado, principalmente após a promessa que fizera com ele, prometendo cuidar bem de seu corpo —, fazendo com que Zhong Mu se sentisse nas nuvens com a ideia de cuidar da pessoa que gostava. 

 

Quando morava com seus pais e com seu irmão, ele nunca sentiu tanta vontade de agradar e de cuidar de alguém. Zhong Mu não era ignorante e conseguia ver os olhares quando cuidava do médico em excesso, mas o seu desejo de mimar o doutor dia após dia não havia diminuído nem um pouco desde o momento em que percebeu que o coração batia rápido demais não porque sentiu medo das garras do Mu He em seu pescoço, mas sim porque queria que elas o agarrassem e não soltassem mais. 

 

Quando Zhong Mu estava prestes a estender a mão para cutucar e chamar Mu He, ele ouviu um gritinho estridente perto da porta: 

 

“VOCÊ, HUMANO!” Zhong Mu espiou e, de fato, lá estava a bonequinha de papel que ele viu da última vez na clínica “TIRE AS MÃOS DO DOUTOR!” 

 

Enquanto o rosto do doutor passava de surpresa para contentamento e se abria em um lindo sorriso, a bonequinha continuou a gritar: “EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ENGANAR O DOUTOR”. 

 

Zhong Mu ficou meio ofendido com a acusação, ok?! Ele nunca faria uma coisa dessas com seu estimado, amado, querido e perfeito namorado! Zhong Mu gosta de acreditar que, embora o coração de Mu He esteja com ele, o coração dele também está na palma da mão (que às vezes são patas) do doutor, aprisionado pelos dedos finos (que também podem ser garras) dele. 

 

“Você acordou.” 

 

A voz de Mu He não passava de um sussurro, mas Zhong Mu ouviu perfeitamente bem e se deleitou com a felicidade sutil que o doutor emanava. O sorriso em seu rosto era tão bonito que o coração de Zhong Mu sofreu um golpe forte; e, claro, Mu He deve ter sentido cada palpitação, porque o sorriso desse pilantra extremamente tolo e bondoso apenas se alargou. 

 

Zhong Mu não se cansava desse sorriso. Ele desejava fortemente ser a razão de cada um deles pelo resto de sua vida.

 

Zhong Mu olhou na direção da bonequinha de papel antes de responder, mas ela já havia saído e deixado a porta fechada — ele precisa encontrar um jeito de fazer amizade com ela, já que ela é como uma família para o doutor, certo? Zhong Mu vai encontrar alguma oportunidade para varrer o chão ou cozinhar para ela —. Como não havia mais ninguém para gritar com ele, Zhong Mu pegou ambas as delicadas mãos do doutor com a sua própria, levando-as aos lábios, beijando as costas das duas mãos, deliciando-se ao ver que o rosto do Mu He não permanecia pálido como sempre, mas sim adotado uma camada visível de vermelho. 

 

“Senti sua falta, doutor.”

 

“Sinto que sou eu quem devo dizer isso, já que você esteve desacordado nos últimos dias.”

 

“Então você sentiu minha falta? Estou feliz.” E ele estava mesmo, meu Deus! Como ele conseguiu ter tanta sorte de arrumar um homem tão bonito, inteligente e gentil? “Obrigado por cuidar tanto de mim”

 

Mu He sorriu de novo, mas parecia um sorriso mais predatório e condizente com seu status de monstro: “Não foi nada. Afinal, você tem meu coração com você, não tem?”