Work Text:
Todos estavam chocados.
O grito de Leah ainda reverberava pelo telhado vazio (exceto, claro, pelas vítimas do terrível experimento de Gretchein Klein)
Fatin foi a primeira a despertar, correndo para a direção da garota de olhos azuis, que agora caia no chão de joelhos.
"Leah!" gritou, segurando a garota em seus braços.
Leah se apoiou em Fatin, as duas ajoelhadas no chão enquanto a morena começava a desabar em um choro estridente.
Dot logo percebeu a situação da amiga, e com um gesto, colocou todos para dentro, dando privacidade para as duas meninas.
Ela ainda parou por um instante, buscando o olhar de Fatin. Quando a violinista acenou, com um sorriso fraco, Dot se foi também, deixando a porta aberta.
"Eu estava tão perto, Fatin. Tão perto!", exclamou, escondendo o rosto na camisa da outra garota.
Fatin sentia as lágrimas de Leah molharem sua camisa, mas pela primeira vez em muito tempo, não se importou, deixando que a menina botasse ali, todas suas dores.
Ela acariciou as costas de Leah, prendendo os fios escuros atrás da orelha para que não afetasse a visão da escritora.
"Tá tudo bem, Leah. Vamos ficar bem."
Leah se afastou. O rosto vermelho, todo marcado pelas lágrimas. Ela mordia o lábio inferior com tanta força que Fatin temeu que saísse sangue, e quando a garota ameaçou puxar os pelos da sobrancelhas, Fatin foi mais rápida em guardar as duas mãos de Leah em seu colo.
"Eu estraguei tudo! Tínhamos uma chance de sair daqui e eu não consegui. Me desculpa, eu..."
Fatin a interrompeu:
"Não repita isso, Leah" advertiu, franzindo as sobrancelhas.
Leah engoliu um soluço, o rosto se contorcendo em confusão.
"Você é tão forte, Leah. Se tem alguém aqui que deveria pedir desculpas sou eu. Eu não acreditei em você. Você lidou com tudo sozinha, Leah, eu..."
Fatin se calou, mordendo a bochecha inferior.
Leah logo reparou no receio da amiga e dando de ombros, respondeu:
"Não tinha como você acreditar. Eu não estava nas minhas condições normais, Fatin"
O choro de Leah já havia cessado, sobrando apenas algumas lágrimas solitárias que ainda teimavam em escapar.
A morena estava sentada de frente para Fatin, as duas com as pernas cruzadas enquanto a violinista apertava as mãos de Leah, desenhando círculos invisíveis na pele macia.
"Eu te deixei sozinha."
Leah negou, soltando um suspiro cansado.
"Não deixou. Você me salvou."
"Eu te salvei?"
Era quase engraçado a maneira que o tom de voz de Fatin saiu completamente indignado, igualmente a sua feição surpresa.
Mas Leah apenas afirmou, com um sorriso tímido no rosto. Ela desviou o olhar, sentindo as bochechas esquentarem.
"Você me segurou todas as vezes que eu cai."
Dessa vez, Fatin quem sorriu. Os olhos se iluminando.
Ela se aproximou mais um pouco, a brisa gélida as atingindo e fazendo com que seus fios voassem.
"Você me salvou também, Leah. As meninas me ajudaram a ser uma pessoa melhor, mas você... você foi a maior responsável por isso."
Os olhos voltaram a se encontrar.
Leah se derreteu com os olhos de chocolate que a fitavam com tanto carinho, enquanto Fatin se sentia levemente intimidada pelos olhos de oceano que transbordavam intensidade.
"Acho que salvamos uma a outra então, não é?" definiu Leah, soltando a mão de Fatin apenas para que pudesse estender em sua perna.
Fatin logo entendeu, entrelaçando os dedos.
"Sim. Definitivamente salvamos uma a outra."
