Chapter Text
O som da picareta batendo contra a parede de pedra ecoou na mina, os braços de um mobiano comum voltaram para trás, erguendo o instrumento de trabalho e o batendo mais uma vez contra a parede, o buraco que antes fora feito pelo o primeiro movimento rachou ao redor.
Mais distante, dentro da mina, havia outros mineiros, batendo as picaretas nas paredes, criando uma melodia muito desorganizada. Para qualquer musicista, era música para os ouvidos, uma composição caótica, representando muito bem o ambiente um tanto quanto perigoso e as vezes solitário. Para o mobiano em questão, eram sons desagradáveis de se ouvir, ainda mais com uma dor de cabeça que começava a se intensificar.
"Continua... essas pedras não vão sair daqui." O subconsciente do mobiano falou, e um resmungo foi a resposta. "Meu povo está morto... por que eu estou seguindo uma tradição de um povo morto?"
Após mais um golpe, o mobiano colocou a picareta de lado e enxugou a testa com as costas da mão, já completamente cansado. Ele olhou ao redor, nenhum sinal de outro minerador por perto... com um suspiro, o corpo do mobiano passou por uma metamorfose, revelando um polvo roxo no lugar.
"O que você vai contar pro Smithy quando te pegarem, em Mimic?" Ele suspirou. "Ora Smithy, eu estava tentar seguir uma tradição do meu povo morto. E eu não sou um caçador de joias como Rouge é." O polvo riu levemente.
– Eu duvido que ele vá acreditar... – Mimic olhou para a parede. – Eu devia pedir pra ele colocar um sensor de minérios nessa coisa... – colocando a máscara.
Havia muitas mensagem no comunicador, a maioria era antiga, vindas de Slinger. Provavelmente spam de piadas de velho... o polvo revirou os olhos enquanto rolava a caixa de mensagens, até chegar na última... era de Whisper. Mimic rapidamente tirou-a do rosto, relutante se deveria abrí-la, ou ignorá-la.
"Ela só deve está preocupada..." Mimic respirou fundo, encarando-a.
O relacionamento de ambos era... estranho, na opinião do polvo. De colegas de equipe, para amigos, e agora, para amantes... a transição de amigos para a amantes foi um tanto quanto de repente, Mimic quase não teve tempo de raciocinar no dia em que a loba havia o beijado. Ele se lembrava que Whisper estava magoada, uivando para a lua tristemente, e isso chamou sua atenção para acudí-la. Ela não contou o motivo, mas Mimic sabia o porquê de sua companheira estar triste: Whisper havia sido recusada por um certo ouriço prateado.
A memória ainda estava fresca, como se fosse ontem...
Ele e Smithy estavam em um bar, o motivo não era tão importante para o polvo, o leão falava que havia encontrado alguém que se chamava Lanolin, que queria entrar para os DCs com um entusiasmo levemente suspeito para o metamorfo que só queria beber. No entanto, Mimic não perguntou, queria ficar completamente alheio para a vida amorosa de seu líder, assim como fazia com Slinger e sua clara paixonite por Claire.
O polvo apenas tomará um copo de whisky quando notou uma ovelha se aproximar de ambos e se sentar ao lado de Smithy. O metamorfo imediatamente ligou os pontos e decidiu deixar os pombinhos ali, não queria atrapalhar o depois, e muito menos queria ser aquele que levaria o bêbado para a casa caso tudo desse errado.
Assim que Mimic pós os pés para fora do estabelecimento, ele ouviu um uivo. Os mobianos perto dali também haviam escutado, só que resolveram ignorar. Por sorte, o polvo o reconheceu, pois ele sempre ouvia Whisper uivar em noites de lua cheia. Porém... não era um uivo normal, era um triste... algo de errado tinha acontecido.
Não foi difícil encontrá-la, já que as máscaras de todos tinham rastreadores, no qual Mimic sempre fazia questão de desligar para não ser importunado por Slinger e suas brincadeiras de mal gosto. Ela estava na floresta, sentada no chão, abraçando os joelhos enquanto soltava mais um uivo tristonho para a lua.
Não demorou para a loba notar a presença de Mimic, contudo, ela continuou a chorar, e a cena fez o polvo sentir pena de sua colega. Ele se aproximou e se sentou ao lado dela, pronto para oferecer apoio caso necessário, ou só fazer companhia.
Mimic sabia o que tinha deixado Whisper triste: alguns meses atrás, os DCs haviam conhecido Silver, o ouriço telecinetico. Ele era no mínimo irritantemente gentil aos olhos do polvo, e além disso, era alguém extremamente poderoso, e, contudo, perigoso, por isso não gostava tanto dele. Já com a loba... eles haviam formado uma amizade quase que instantânea, surpreendendo Mimic. Para ele, Whisper parecia ser um tanto quanto reclusa, isso desde que ela entrou para o grupo, talvez fosse por esse detalhe que o polvo havia gostado da primeira impressão dela. Fora uma surpresa que no dia seguinte de sua admissão na equipe, ela estava se dando bem com os outros três membros, contando piadas e rindo no sofá, na cozinha da base ou ao redor das fogueira quando eles eram convocados para uma missão. O polvo quase não participava de nenhuma dessas atividades, tanto era por conta de Slinger e seus comentários desnecessários de como Mimic era o mais velho dali (logo em seguida sendo repreendido por Claire), ou pelos debates que Smithy começava, dizendo que eles não seriam apenas cinco membros para sempre, e sim, que seriam um grupo maior que A Resistência ou da Guarda Real do Império Sol.
Assim, Silver e os DCs formaram uma parceria forte o bastante para derrubar qualquer robô que Eggman lançava para tentar dominar o mundo. Nesse meio tempo, Mimic notou a aproximação do ouriço com Whisper, ela se soltava mais com ele por perto, fazia mais piadas, sorria mais... naqueles momentos, Mimic finalmente entendeu o que Tangle sentia quando via o polvo e a loba juntos: ciúmes....
Quão irônico... com 30 anos nas costas, o polvo passou pelo o inferno quando seu povo foi atacado por serem diferentes, fora queimado vivo e ainda sobrevivera ao massacre. Não bastasse isso, atuava antes da guerra eclodir no mundo, e Mimic nunca tinha presenciado esse maldito sentimento.
Achava uma besteira. Ele, sentir ciúmes de dois amigos se dando bem?
O polvo tentou não pensar muito nisso, afinal de contas, ele só tinha se aproximado só um pouco de Whisper quando contou sobre seu povo, mesmo que tão pouco para ela não perguntar, e também quando a resgatou de se afogar após uma missão bem-sucedida em mais uma das bases voadores de Eggman.
Ela tinha 20 anos... podia muito bem escolher com quem se soltava mais ou não...
Ela acabou se soltando demais com o ouriço... e a dor da rejeição foi grande demais.
Enquanto Whisper chorava em silêncio, Mimic estava ao seu lado, xingando mentalmente aquele que a magoará e tentando confortá-la com palavras gentis, e então, ambos estavam se beijando, com a lua cheia no fundo. Foi um beijo desesperado, com uma dor que Mimic não reconhecia, as presas dela quase cortaram seu lábio, mas não a recusou, pelo o contrário, retribuiu gentilmente. Enquanto a loba puxava a capa do polvo, ele a envolveu com suas mãos e tentáculos, a puxando para perto de seu corpo para compartilhar do calor. O abraço a acalmou assim que os dois se separaram, ele queimava com um azul em seu bico, enquanto o focinho dela ruborizava em um vermelho vivo.
Os olhos de Whisper brilhavam intensamente, mais que o brilho da lua, transmitindo vergonha, mas também brilhavam com um calor, um no qual derreteu o olhar rígido que o polvo fazia por ter pensando em retalhar aquele que havia a magoada para um igualmente envergonhado. Eles não desviaram a atenção, pelo o contrário, admiraram seus rostos, Mimic enxugava as bochechas molhadas da loba com os dedos, enquanto Whisper acariciava o rosto do polvo com as mãos, ambos sentindo uma imensa sensação de se beijarem mais e mais.
Logo beijos e abraços iriam evoluir para algo mais íntimo, toques gentis em rostos e cinturas se transformariam em caricias acidentais em peitos e virilhas. As roupas logo seriam um incômodo, fazendo os dois tirarem sem presa, para então começarem a fazer ali mesmo, sem se importarem de serem flagrados pelos Flickys nas árvores ou outra coisa.
Contudo já era tarde da noite, e a razão era a voz mais forte na mente de ambos.
Com relutância, Whisper foi a primeira a se separar, já parará de chorar há muito tempo, agora portava um pequeno sorriso envergonhado, juntamente de um olhar desviado. A reação rendeu uma leve risada de Mimic, estendendo seu tentáculo para a bochecha da loba, a ponta do braço extra acariciando-a gentilmente.
A partir desse dia, os dois compartilhavam beijos e abraços as escondidas. Os outros não precisavam saber desse "romance", principalmente Slinger. Mimic suspeitava que Claire já sabia, afinal a bugio era uma vidente, e ele torcia para que ela não fofocasse para Smithy, que por vez iria fofocar para o jaguar, ou para a ovelha.
"Acho que eu devo ler..." com um suspiro, Mimic pós a máscara.
Era uma mensagem de voz...
"Onde você está? O pessoal está preocupado na base..." uma leve bufada de ar saiu do nariz de Mimic, até mesmo com ele, Whisper sussurrava.
E os outros estavam preocupados? Claire ele entendia, afinal se preocupava com todos do grupo, Smithy também, já que era o líder, mas o Slinger, sentindo falta dele? Só se o jaguar estivesse completamente no tédio para querer a presença dele para atazaná-lo.
– Eu estou um pouco ocupado agora. Fala pro Slinger não me esperar porque vou demorar. Mando mensagem de volta assim que eu estiver livre. Enviar. – Mimic observou a mensagem sendo enviada.
Guardando a máscara, Mimic respirou fundo, encarou a parede, se transformou no mobiano, pegou a picareta e retornou ao trabalho.
No fim do dia, Mimic retornou a base, sem nada em mãos, e sim com um grande cansaço nos braços, pés e nas costas. Ele sabia que procurar minérios era um tanto quanto demorado, por isso, deveria inventar uma boa desculpa para os quatro para sair amanhã de manhã. Felizmente, Slinger não estava a espreita para o assustar como de costume, e Smithy se encontrava na oficina, mais uma vez, e como de costume, dormindo, o ronco do leão chegando na porta da base. O polvo fechou a porta do quarto devagar, não querendo incomodar Claire e Whisper que provavelmente estavam dormindo-!
– Onde estava? – um sussurro familiar veio de um canto escuro.
O metamorfo quase soltará um grito ao se virar na direção da voz, suspirando pesadamente com a aparição de Whisper. Claro que ela estaria acordada, o esperando... e ele as vezes esquecia que a ela era a mestra da furtividade, mal conseguiu sentir a presença dela em seu quarto. Ela saiu da escuridão, sem a capa, sem luvas e sem a máscara no rosto, se aproximando do polvo, Mimic fez o mesmo, estendendo seus tentáculos na direção dela. Dois apêndices envolveram os braços de sua parceira, enquanto os outros acariciavam o rosto dela com as pontas. Whisper suspirou, relaxando com o cuidado de Mimic, enquanto esse chegava perto e entregava um beijo na testa dela.
Era hora de atuar.
– Eu estava na cidade. – Mimic a respondeu encostando a testa com a dela. – Ocupado olhando para as lojas. – e deu de ombros.
Ainda era uma surpresa...
A loba riu levemente, esfregando o focinho contra o bico branco do polvo. Mimic imitou o carinho, suspirando ao sentir as mãos nuas de Whisper agarrarem as dele, retirando as luvas, deixando-as caírem no chão, logo envolveu os dedos nos tentáculos que acariciavam seu rosto, os segurando levemente.
– Procurando mais um kit de facas táticas? – Whisper entregou um beijo acima dos lábios de Mimic, deixando um brilho leve.
Um suspiro saiu do polvo com a ousadia dela, o que rendeu uma risadinha da loba.
– Eu diria que sim, hu. – Ele deu um sorrisinho de lado.
– "Diria"? – A loba bufou divertidamente, afagando e beijando os tentáculos.
Ah, agora ela estava o provocando... as mãos do polvo agarraram a cintura de Whisper, essa que arfou quando ele a levantou, mesmo com seus braços implorando para não se esforçarem, e a sentou na cama, enfim pressionando os lábios com os da loba, tomando cuidado para as presas dela não cortarem seu beiço. Um gemido fofo escapou da boca dela quando se separaram, rendendo um sorriso malicioso no rosto de Mimic.
– Até parece que é sua primeira vez beijando... – Ele a beijou na bochecha, logo esfregou seu bico no ombro nu dela.
As mãos de Whisper foram até o rosto do dele, o afastando devagar, os olhos azuis abertos, brilhando em vergonha, sendo transmitindo para o olhar obisidiano confuso de Mimic.
– Podemos fingir... – esfregando os dedos nas bochechas do polvo. – Que é a primeira vez?
Ah, certo... ele não foi o primeiro beijo dela.
O polvo assentiu retraindo seus tentáculos do corpo de Whisper, inclinando-se para beijá-la. A loba fez o mesmo, e logo os lábios se encontravam, pressionando-se sem pressa alguma. O beiço da loba estava com uma camada de um protetor labial que Claire recomendou para ela e para ele, mas o polvo sempre esquecia de passar. Mimic agarrou a cintura dela, enquanto isso ela arrastava as mãos para os ombros, os segurando com leve força.
Fingir que era a primeira vez... significava para Mimic esquecer do beijo que deram na floresta e dos beijos técnicos que ensaiava em filmes.
Para Whisper, esquecer o beijo que ela e Tangle deram.
Ele não sabia bem o que tinha acontecido entre as duas, descobriu esse fato sem querer quando a loba sussurrou o nome da lêmure em meio aos beijos do dia seguinte à da floresta.
Naquele dia, na madrugada, Mimic foi puxado por Whisper para o quarto dela. No começo, ele pensou que só iriam fazer companhia um para o outro, mas acabou sendo pressionado contra a parede, com ela o beijando ferozmente. A loba parecia faminta, com a língua dela querendo entrar na boca do polvo, e esse tentou acompanhar o ritmo enquanto ela apertava o tecido da capa dele com força. Primeiro ele pensou que Silver tinha tentado se desculpar com ela, mas aqueles beijos seriam tristes, não apaixonados e ousados.
Foi então que, entre os beijos e respirações pesadas, Whisper sussurrou o nome de Tangle.
Ambos pararam, e Mimic a olhou, confuso, ao mesmo tempo que a loba se encontrava com um olhar chocado. Ela se desculpou por isso, e não voltaram a se beijar.
Quando ambos estavam deitados, de costas um para o outro, o polvo juntou as peças do quebra-cabeça. Antes de Whisper se quer ter se aproximado de Silver, ela era a grande melhor amiga de Tangle. As duas eram inseparáveis, as missões que eram designadas se completavam em questões de horas, mais rápido que os Diamond Cutters juntos. A loba, assim como fizera com o ouriço, se soltava mais com a lêmure, e Mimic só observava, sentindo o ciúme bobo se proliferar sobre seu ser.
Não seria surpresa se as duas ficassem juntas... contudo, depois que Mimic comentou levemente sobre seu povo, e após presenciar uma briga feia entre ambas antes de salvar Whisper de se afogar, a loba começou a se aproximar do polvo, deixando Tangle de escanteio, não completamente... mas o suficiente para ele sentir olhares de ciúmes da lêmure.
No fim, Whisper havia chorado, tentando abafar as fungadas cobrindo a boca, o que não adiantou porque o polvo sentiu um leve zumbido vindo da garganta dela e a virou gentilmente, lágrimas silenciosas escorriam dos olhos dela. Mimic a puxou para perto do corpo, abraçando-a e confortando-a com seus braços e tentáculos, deixando-a chorar em seu peito até ambos adormecerem.
O contato dos lábios se desfez, a respiração de ambos pesadas, os olhos azuis da loba encaravam o bico coberto de um azul petróleo, logo sua visão se levantou para a testa levemente franzida do polvo. Uma breve risada saiu da boca de Whisper, gerando uma reação engraçada no rosto de Mimic.
– Do que está rindo? – os tentáculos se agitaram.
– De você... – ela levou as mãos até as bochechas dele. – Está corando... mas me olha com tanta seriedade...
Ele estava a olhando de forma séria? Mimic suspirou e revirou os olhos obsidiano, o que resultou em mais uma gargalhada baixa de Whisper.
Pensar demais agora não era ideial... nunca foi para começo de conversa.
O polvo fitou os olhos azuis da loba, os pensamentos e memórias ruins que o assombravam naquele momento se dissipando devagar, dando lugar a cor que pertenciam a sua parceira. O azul cadete preenchia cada canto da mente dele, lembrando-o da noite em que se beijaram, o céu estava cheio de estrelas, brilhando tão intensamente como a lua. E também o lembrava que aquela loba a sua frente era alguém disciplinada, tranquila e confiante, que iria até o fim com suas ideias.
O branco gelo dos olhos de Mimic, apesar de ser gélido na maioria das vezes, era reconfortante para Whisper. A cor neutra transmitia serenidade, apesar dele lançar um olhar sério para os outros três membros, principalmente para Slinger. Com a loba, mesmo estando com a testa franzida na maioria do tempo, os olhos brilhavam com tranquilidade.
Além disso, também passava sofisticação. Uma vez Claire havia comentando sobre esse traço no olhar do polvo quando ele havia preparado um prato tradicional do povo dele, e quando Mimic analisou e elogiou as roupas que Slinger tinha comprado com o dinheiro que o jaguar economizava.
Por quanto tempo eles ficaram assim, se olhando? Talvez minutos, horas... Mimic não se importava, queria olhar aqueles olhos que sempre permaneciam fechados, por mais que as vezes ela os abria em algumas situações. O polvo se sentia privilegiado por fazer a loba os abrir e deixá-los abertos por bastante tempo naqueles momentos entre eles... ela confiava nele... o olhar obisidiano do metamorfo mudou para um castanho-escuro. A mudança fez os olhos de Whisper brilharem surpresos.
– Seus olhos... – ela sussurrou.
Era justo Mimic mostrar seu outro olhar para Whisper...
– São lindos, não são? – o polvo entregou um sorriso sedutor, o que rendeu uma bufada de ar dela.
– São... – ela esfregou o focinho contra o bico dele.
Ele retribuiu o carinho, movendo as mãos da cintura para segurar o rosto de Whisper, a respiração de ambos se misturando ao fecharem os olhos.
Aquele olhar era um pouco diferente do branco gelo, apesar de ser de disfarce. Ele transmitia conforto, uma característica bem exótica para um assassino que fazia missões de espionagem ou infiltração... ou quando Claire pedia para ele se transforma em algum personagem de filme que o polvo tinha feito. Quem não tinha uma boa percepção, iria ignorar que as ventosas dele permaneciam nas mãos e nos pés, e os olhos sempre seriam castanho-escuro, o que significava que a metamorfose não era perfeita, por mais que Mimic tentasse se aperfeiçoar.
O polvo estava convencido de que aquela cor era relacionada ao fracasso. Fracasso por não ser que nem o seu povo, que tinham metamorfoses perfeitas, podendo se passar por qualquer um sem ter nenhuma falha.
Fracasso, por ser o único da espécie...
O carinho foi interrompido com um resmungo de Mimic, se afastando do rosto de Whisper, desviando o olhar que agora era o obisidiano. A loba o fitou confusa, acariciando as bochechas do polvo com os polegares, querendo fazê-lo a olhar e perguntar o que tinha acontecido. Mas o metamorfo não a olhou, apenas franziu mais a testa.
Whisper já imaginava o que passava na cabeça do polvo: seu passado, e seu povo. Ele havia comentado levemente sobre o lugar em que morava: uma vila litorânea nos desfiladeiros de uma montanha, com várias casas simples e uma grande praia para crianças brincarem de caça ao tesouro. Não era um lugar estratégico para se ter habitantes, mas era o suficiente para viverem tranquilamente e se estabelecerem. No entanto... ela havia sido alvo de um ataque covarde. Ele não sabia e nem queria saber o motivo, e em nenhum momento revelou quem fora o autor, mas a loba tinha alguém em mente, já até perguntará, só que Mimic nunca respondeu, pelo o menos não verbalmente, as encaradas que ele ocasionalmente entregava nas fogueiras entregavam quem era o responsável.
O polvo estava sozinho no mundo... sem seus semelhantes para o acolher... recorrendo para a arte de atuar em teatro, evoluir e estar em todas as telas do mundo, tentando se achar...
Whisper moveu as mãos do rosto de Mimic para os ombros, se inclinando, pressionando primeiro o focinho, fungando, depois o substituiu para os lábios, entregando beijos, lambidas e mordidas, fazendo o metamorfo a olhar, sentindo o azul petróleo surgir e escurecer suas bochechas. Os tentáculos se agitaram levemente com o afeto da loba, os males da cabeça do polvo sendo substituído por pensamentos vergonhosos em como ele iria retribuir o amor dela.
Fazer o mesmo? Não, ela provavelmente esperava algo diferente, talvez com seus tentáculos ou mãos?
Ou... uma mão se deslizou do rosto de Whisper, as ventosas sentindo a maciez do pelo e a suavidade da pele, chegando no busto coberto, a outra permaneceu, acariciando a bochecha. Dois tentáculos envolveram os braços da loba, enquanto os outros envolviam a cintura dela, um gemido foi ouvido entre as mordidas e lambidas ao sentir os dedos de Mimic segurarem e apalpar seu seio gentilmente.
Eles nunca avançavam mais que isso. Por vergonha? Ou por ainda não estarem preparados? Ambos não sabiam, e nem iriam apressar as coisas. Apenas sentir o corpo, os lábios e os carinhos um do outro já era o suficiente para demonstrarem amor.
Entregando uma última mordida no bico, Whisper afastou o rosto devagar com as bochechas vermelhas, rivalizando com o vestido de uma ouriço rosa apaixonada. Uma arfada de ar saiu do nariz de Mimic com a comparação, esfregando o rostro contra a bochecha da loba, a mão que ainda estava no rosto se deslizou para segurar o outro peito, as ventosas apertando o tecido áspero da camisa, sentindo o seio. Ele se afastou, e logo os lábios se encontravam.
Fora o último beijo da noite... ambos se separaram devagar, suspirando enquanto olhavam nos olhos um do outro.
Dois mobianos com olhares tão diferentes... mas que compartilhavam de um único sentimento.
O polvo deitou seu rosto contra o busto coberto da loba, os tentáculos mudando para as pernas para que o metamorfo abraçasse a cintura dela e a deitasse na cama.
Hoje, ele estaria por cima.
Whisper suspirou sutilmente quando suas costas bateram no colchão, deitando a cabeça no travesseiro e abraçando o pescoço de Mimic. Eles não tiraram os sapatos, mas nem se importavam tanto, queriam apenas sentir o calor do corpo, faria ignorar as dores que sentiriam logo de manhã.
O polvo aproximou o rosto com da loba, ambos fitando seus olhos, que brilhavam em uma paixão ardente. Com um suspiro, Mimic afundou o bico contra o pescoço de Whisper, o esfregando, beijando, e lambendo-o, resultando nela rindo levemente enquanto entregava beijos na cabeça dele.
O cansaço do trabalho da mina enfim chegava para o polvo, combinando com as ações que ele tinha feito (mesmo que pouco). Seus braços ficaram dormentes, as pálpebras pesando enquanto entregava um último beijo na garganta dela que emitia um zumbido, aconchegando o rosto na curvatura do pescoço para o ombro.
Antes de cair no mais profundo sono, Mimic sentiu um par de lábios pressionar sua testa de forma carinhosa, ouvindo um "boa noite" sussurrado gentilmente.
Por que Mimic não estava sentindo o calor de Whisper...?
Por que sentia seu corpo leve? Por que sentia que estava flutuando...?
Por que sentia um frio como gelo...?
Olhos castanhos se abriram em meio a uma escuridão, olhando redor, se perguntando onde diabos estava para no fim descobrir que seria em vão. O que o polvo iria achar naquele lugar além apenas de...
Espera... por que seu corpo estava ardendo, mesmo parecendo estar dentro da água?
O polvo se ajeitou, olhando para baixo, arregalando os olhos em horror.
Sobre seu torso, não estava a capa que sempre usava, e sim sua antiga vestimenta, que estava queimada, revelando que havia manchas escuras, além de cortes profundos o marcando. Ele reconhecia os ferimentos como de queimaduras e arranhões. O metamorfo tocou uma delas, e um óbvio grunhido de dor abafado junto de bolhas saiu de seus lábios. Tinham sido feitos recentemente... e Mimic se encontrava afundando em água...
O polvo começou a nadar para cima, se sua teoria estiver certa...
Logo encontrou solo submerso, seus pés o tocaram enquanto Mimic saia da água, seus olhos sendo capturados pelas chamas que criptavam e dançavam sobre várias casas.
Era seu lar...
O polvo correu, alguém podia estar vivo, tinham que estar vivos! Sua irmã, sua mãe... seu pai... ele caiu de joelhos ao sentir uma dor aguda em sua coxa direita. Mimic lançou um olhar para sua perna, enfim vendo um grande ferimento aberto que ainda sangrava. O metamorfo olhou para trás, vendo que tinha deixado um rastro com seu sangue azul ao sair da água.
Por que seu povo foi atacado...? O que eles haviam feito...?
Grunhido, Mimic se levantou, cerrando os dentes enquanto andava, ignorando a dor da arranhadura e tentando não forçar sua perna direita. Ele caminhou até chegar onde antes era uma casa, reduzida a destroços queimados. Um fedor nauseante invadiu as narinas do polvo, mesmo com o cheiro da fumaça sendo predomimante.
O polvo tentou não olhar... mas a curiosidade era grande, e ele tinha que ter certeza de que não era ninguém de sua família.
Lentamente o metamorfo virou o rosto, e segurou uma ânsia de vomitar com o que viu.
Entre as tábuas queimadas, estava um corpo chamuscado. O pobre coitado tentou fugir das chamas da casa, mas ao que parece, os destroços o impediram, assim, morrendo ali mesmo. Mimic notou que ele tinha uma pulseira de joias no pulso, era uma mãe, um pai ou um(a) viúvo(a). Era milagre não ter sido roubado, provavelmente os invasores não viram valor algum nas pedras preciosas de um povo vil na visão deles.
Por sorte (ou azar), não pertencia a ninguém de sua família.
Não iria demorar para achá-los...
Seu povo tentou lutar contra, claro. Havia sangue e corpos de coalas e polvos pelo o caminho que trilhava, nos quais Mimic se desviou.
Os coalas eram da Guarda Real, pertencentes ao Império Sol... governada por uma gata coberta por chamas negras... com um olhar que ardia em ódio...
Ela esteve ali... comandando o ataque... ela pressionou as mãos com fogo sobre seu corpo... o torturou sem motivo... o banhou com as chamas escuras enquanto ele tentou proteger sua irmã e sua mãe...
Era por isso que Mimic estava afundando...
Ele pulou do penhasco... abandonou elas... assim como seu pai fizera...
O polvo balançou a cabeça. Ele não é igual ao seu pai...
Mimic continuou a andar, direcionando seu olhar ao penhasco.
Foi ali que ele, a irmã e a mãe fugiram depois que o polvo as soltou. Dali que a antiga rainha os encurralou...
Ele não esperava encontrar ninguém. Queria acreditar que não teria nenhuma alma ali.
Contudo... o fedor de carne chamuscada invadiu suas narinas. Seus olhos se arregalaram gradualmente enquanto se aproximava de um cadáver.
E em seu pulso, estava uma pulseira de joias...
Olhos obsidianos abriram de repente, o polvo quase soltando um grito de horror, mas o grito não veio, ficará entalado em sua garganta por conta de sua respiração pesada. Suor escorria de sua testa e de seu corpo, uma dor fantasma dançava sobre seu torso, como se as mãos dela estivessem ali, o queimando.
Um pesadelo... e ainda daquele dia, claro.
Ele queria correr até o banheiro, dissipar as dores, dizer que estava tudo bem, que nada, ninguém, iria o machucar, mas havia braços o envolvendo gentilmente, pressionando seu rosto contra o colo de quem compartilhava a cama e calor.
Se afastando um pouco, Mimic olhou para o rosto adormecido de Whisper, a expressão serena dela fez com que lentamente a respiração voltasse ao normal.
Era milagre ela não ter acordado...
Ou então ela estava acordada... só com os olhos semi-cerrados, vendo-o demonstrar fraqueza... pensando que ele era fraco por ter tido um pesadelo...
Mimic balançou a cabeça, dissipando esses pensamentos negativos sobre ele mesmo.
Que horas são? O polvo lançou um olhar para a escrivaninha, 05:50 brilhava em verde no escuro. Já estava na hora dos Diamond Cutters despertarem e fazerem seu treino matinal.
– Whisper... – um tentáculo se desprendeu do braço dela, cutucando-a na bochecha. – Já está na hora...
A resposta foi um claro resmungo saindo dos lábios da loba, desvinculando os braços do corpo do metamorfo. Mimic revirou os olhos enquanto ria, retirando seus apêndices do braço e das pernas dela, saindo de cima dela, se sentando na cama.
– Não me importo de você dormir aqui. Posso inventa uma boa desculpa pro seu atraso. – Mimic comentou mexendo os pés que agora doíam.
Whisper o olhou, suspirando levemente. Não só queria voltar a dormir, na verdade, queria que Mimic ficasse ali, com ela, em seu colo, compartilhando do calor do corpo. A loba estendeu a mão, cobrindo a do polvo, apertando-a. O metamorfo apertou de volta, olhando a por cima do ombro, captando o brilho no olhar da loba.
A franja que antes cobria o olho direito estava caído para o lado, dando uma aparência mais cansada para a loba deitada sobre seu lençol e cama. Um pequeno sorriso se fez nos lábios dela, suas presas não pareciam tão afiadas naquele ângulo.
Como ela estava linda...
Ele afastou a mão, no entanto, não foi para se levantar, e sim, se inclinar, as mãos estando em cada lado da cabeça de Whisper, os olhos obsidianos encarando os azuis cadetes, ambos brilhando intensamente com um fogo que nunca se extinguiria. Os tentáculos caiam ao redor do corpo de ambos, envolvendo os braços e a cintura da loba, ação essa que ela retribuiu segurando o rosto de Mimic.
Logo os lábios se juntaram, se separaram e se juntaram novamente. O protetor labial já era quase inexistente na boca de Whisper, talvez um pouco estivessem manchando os lábios de Mimic, ele não sabia, mas ambos sentiam o gosto de frutas nos beiços. Entre os beijos, a língua do povo passou sobre a boca da loba, a ponta afiada roçando a fenda dos lábios dela, pedindo permissão para ele deslizá-la para dentro.
Ele não precisava necessariamente pedir um beijo mais ousado, a loba sempre o provocava com beijos de língua rápidos nos encontros secretos. O polvo só queria avisá-la que o momento iria se transforma em algo mais sério do que apenas beijos de bom dia. Whisper revirou os olhos com um sorrisinho e o puxou para o beijo, as línguas se encontrando dentro da boca de Mimic. A língua da loba tinha gosto de chá no qual o polvo reconhecia. Uma vez, ambos haviam experimentado a bebida após visitaram Spiral Hill depois de uma missão bem sucedida (cortesia de Tangle).
A mão de Whisper se deslizou para o ombro de Mimic, apertando-o com força enquanto sentia o joelho do polvo ser pressionado contra sua perna, perigosamente perto de sua virilha. O metamorfo segurou o rosto da loba gentilmente, seus dedos envolvendo o ouvido, o polegar acariciando a parte interna da orelha, se mexendo com o carinho.
A sessão de beijos estava mais intensa do qualquer uma, até mesmo daquele dia. Parecia que a luxúria estava enfim os consumindo, ambos se encontravam em êxtase, nem notaram que o relógio agora marcava 6:30, logo os outros membros estariam batendo na porta de cada um, perguntando por que estavam demorando. E quando nenhum deles respondessem, iriam abrir a porta, se deparando com os dois quase tirando as roupas para fazerem amor logo de manhã.
Contudo, dois barulhos familiares fizeram com que os amantes se separassem, um véu de saliva os unia, arfando, os peitos de ambos subindo e descendo com a respiração pesada. Mimic entregou um último beijo nos lábios de Whisper enquanto eles viraram o rosto na fonte dos sons. Eram Orange e Blue, os Wisps estavam, digamos, envergonhados com a cena que viram, mas logo o sentimento se afastou quando se aproximaram, os rondando. O polvo soltou ar pelo o nariz enquanto revirava os olhos, fitando a face da loba que continha um sorriso.
– Anakaa nekanaa ter. – ele falou em sua língua nativa. – Naii?
Traduzindo: "Estamos bem atrasados, não?". Whisper revirou os olhos, rindo levemente.
– Naii anakata iniko... – e ela sabia o significado das palavras. A loba deslizou a mão do ombro até o rosto dele, o acariciando.
"Não se preocupe com isso."
Era raro Mimic encontrar alguém que sabia sua língua depois do massacre de seu povo, o fato dele nunca ter comentado que era o último de sua espécie nas entrevistas que comumente participava aumentava essa raridade. Contudo, Whisper o surpreendeu quando ela perguntou no idioma dele se ele podia ensiná-la a ler e a escrever. O polvo estava complemente surpreso pela loba ter aprendido metade da gramática da língua em menos de quatro dias. De certo modo, parecia que ela já estava a aprendendo antes mesmo de entrar para o grupo.
Bem, Mimic iria sair primeiro, distrair os outros para que Whisper saísse de seu quarto sem ninguém a questionando. O polvo se afastou, suspirando ao perder o calor dos braços e da cintura que os tentáculos envolviam e da mão dela em seu rosto. A loba fechou seus olhos devagar, querendo disfarçar o brilho de saudades que estava em seu olhar.
O metamorfo fechou a porta devagar, não querendo que Slinger viesse ao seu encontro logo de manhã. Ele só não esperava ouvir a porta um pouco distante dele se fechar com leve forçar. Se preparando para o pior, Mimic respirou fundo e olhou na direção do som, esperando um estrondoso "bom dia" do jaguar, junto de Claire que iria o repreender por fazer tanto barulho.
No entanto, o que ele viu o deixou levemente chocado, mas não tão surpreso.
Não era nem Slinger e Claire que se encontravam um pouco distante dele. E sim uma ovelha, o cabelo desarrumado, uma expressão um pouco chocada com o flagra estava no rosto, e sobre seus ombros, encontrava-se um dos vários casacos que enchiam o armário de Smithy. O polvo a reconheceu instantaneamente, era a mobiana que o leão havia comentado no bar e que se juntaria a eles. Lanolin era o nome dela.
"Eu vou fingir que não vi nada" o polvo desviou o olhar.
E um suspiro aliviado foi ouvido vindo da ovelha, além de mais porta sendo aberta e fechada. Quem diria que havia mais um casal naquele grupo de sete (oito, com Silver sendo o membro honorário).
O que era para ser só mais uma manhã de treino de combate corpo a corpo se transformou em uma reunião de planejamento. Sete membros se encontravam ao redor da mesa, e sobre ela, um mapa, com Smithy os informando que, segundo relatos, uma antiga base de Eggman ao norte de Spiral Hill estava com movimentos suspeitos.
Lá se vai inventar uma desculpa para trabalhar na mina...
– E é mais um trabalho para os Diamond Cutters! Ha! – Slinger exclamou alegremente enquanto se alimentava de uma torrada.
O polvo levantou a sobrancelha, lançando um olhar para a lêmure. Geralmente era ela que teria essa reação. Mimic olhou de soslaio para Whisper, depois para Tangle.
Pelo o visto, elas não se resolveram...
Certo, não era problema dele, é melhor ficar longe da situação...
De qualquer forma, para Mimic, era só o doutor louco pegando o que sempre escondia para tentar mais uma vez derrotar Sonic e conquistar o mundo.
– Ah, que ótimo. – Tangle apoiou as mãos na mesa, franzindo a testa. – É o momento perfeito pra ele atacar a vila...
– Tem algo a mais nesses relatos? – Lanolin perguntou olhando para o leão.
– Alguns dizem que são apenas Badniks que estam ao redor da base, mas nenhum entrou... – Smithy segurou o queixo, pensativo. – Talvez estejam esperando alguma ordem.
– É muito provável. – Claire disse ao canto da sala, sentada sobre um pano, meditando.
– O que você tá vendo aí na sua... projeção? – Slinger perguntou se aproximando da bugio.
– Não apresse o futuro, Slinger... – ela franziu levemente a testa, fazendo o jaguar recuar um pouco levantando as mãos em defesa.
Todos olharam para Claire com expectativas, Mimic cruzou os braços, esperando ouvir que Eggman estava nas redondezas, escondido em alguns arbustos, esperando a hora certa para atacar quem quer que fosse lá para o impedir. Ou então ouvir que não era Eggman e sim outro doutor louco, com suas duas cobaias, prontas para testá-los.
– São três robôs... não os reconheço. Mas se encontram a caminho da base. – Claire abriu os olhos. – Algo me diz... que um deles é bastante perigoso.
Todos se entre olharam, preocupados. Eles nem haviam superado o ataque massivo de vários Metal Shadow, e agora teriam que enfrentar mais três? Whisper lançou um olhar para os membros originais, segurando o braço com força, os ombros tensos de preocupação.
Mimic notou a postura tensa de sua companheira, e a entendia. O polvo estava diante de Eggman, o Cube Wisp em suas mãos, pronto para esmagar o sorriso presunçoso do doutor, quando esse lhe ofereceu uma oferta. A vida dele, em troca do metamorfo trair sua equipe.
O que ele ganharia em troca? O perdão pelos os "crimes" que Mimic e os Diamond Cutters haviam cometido contra suas várias bases. Aquela oferta soou tão ridículo para o metamorfo. Ele teria o perdão de alguém que cometou massacres para tentar derrotar seu maior inimigo, criando um ser de puro poder e maldade que fora derrotado pelo o rival do ouriço azul?
Em uma outra realidade, se ele tivesse aceitado, o polvo e a loba seriam inimigos mortais...
Mimic se aproximou dela, estendendo seu tentáculo, a ponta roçando a bochecha da loba delicadamente, acariciando-a. Whisper direcionou o olhar, segurando o tentáculo, olhos cadetes brilhavam com a possibilidade de que algo bastante ruim iria acontecer com todos dali para o rosto do polvo. Do outro lado da mesa, Tangle observava, a testa levemente franzida, transmitindo um olhar de ciúmes com a cena de conforto entre eles.
– Kannater nermu... – Mimic sussurrou.
Nada de ruim vai acontecer...
