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Estar Aqui

Summary:

Jin está se cuidando e frequentando o local onde costumava morar com sua mãe. Mas ele não precisa mais estar sozinho em suas lutas..

Notes:

Se passaria depois de Tekken 8, num futuro bem recente

Work Text:

“Hum..”

A luz do sol atravessa os galhos de árvores altas em torno do belo local onde Jin medita. De olhos fechados, o jovem Kazama é capaz de sentir tudo ao seu redor de maneira única, sua conexão com aquele lugar palpável. O lugar favorito de sua mãe, Jun.

Ele estala o próprio pescoço, move de leve os braços e sente a tensão nos ombros. Mesmo com a guerra terminada e o mundo salvo, Jin é incapaz de relaxar por completo. Parece fácil para outras pessoas — ele vem se permitindo observá-las e tentar entender como fazem isso —, mas para Jin Kazama, o perigo sempre pode aparecer. Retornar.

— Jin! — a voz familiar de uma garota traz a atenção dele de volta ao presente.

Ling Xiaoyu sorri para Jin, parecendo exatamente como ele se lembra da época que se conheceram. Ambos passaram por muita coisa — vivenciaram muito, viram demais — e ainda assim, Xiaoyu nunca perdia sua graça. Era uma das pessoas favoritas de Jin, por mais que ele tivesse dificuldade em admitir tão abertamente.

— Vamos comer? Você deve estar com fome, Panda concorda comigo.

Vários rosnados vindos do urso chegam até eles, que significam:

Eu não tenho nada a ver com isso!

— Panda!

Jin solta um som baixo e dá um sorriso de canto, levantando-se da pedra onde estava. Só de calça, seus músculos estão brilhando de suor e da água do lago ao sol — fato esse que Xiaoyu evita pensar por muito tempo.

— Vamos comer.

Depois de a mesa estar ajeitada, os três compartilham um silêncio nenhum pouco desconfortável. Quando Xiaoyu olha para o lado, Jin está devorando sua comida como se nunca tivesse provado algo feito por ela antes — e talvez nem tenha mesmo.

— Nossa, Jin! Você estava mesmo com fome!

O jovem Kazama olha para ela, a resposta que gostaria de dar se perdendo no instante em que prestou atenção àqueles olhos. Xiaoyu sorria com eles, mostrava partes de sua alma que Jin acreditava só poderem ser vistas por alguém em quem ela confiasse muito. Seu olhar se suavizou sem que notasse.

— É bom.. — comenta, pois parece o certo a se fazer. Logo depois, continua. — Obrigado, Xiao.

O rosto inteiro de Xiaoyu muda, passando a ter bochechas coradas e um sorriso bobo nos lábios. Ela olha para o chão, morde o lábio por apenas um instante — Jin percebe tudo — e decide comer um pouco mais para disfarçar.

— Não pense que vou pegar leve com você só porque salvou o mundo, Jin Kazama! Depois de comer, vamos treinar!

A determinação na voz dela o faz querer rir. Em vez disso, Jin apenas assente com a cabeça, absorto em seu prato. Os pássaros cantam em volta dos dois, dando um ar de calmaria àquela parte da floresta. Faz Jin pensar em Jun.

“Durante muito tempo, neguei meu passado e não quis enxergar além do que me parecia ser o certo. Permaneci fraco, com medo de me tornar quem eu realmente devo ser; eu não teria feito nada disso sem sua ajuda, mãe.”

A brisa, gentilmente, assopra o rosto de Jin — o vento sussurrante, como se dissesse: “tenho tanto orgulho de você, querido.”

— A-a sua mãe.. — Xiaoyu questiona, nervosa. — você consegue vê-la quando está aqui?

Em resposta, Jin olha adiante e enxerga Jun encostada em uma árvore, próxima ao lago e feliz. Tudo a respeito de sua mãe é forte, como se ela fosse, na verdade, um anjo. Para Jin, era o que ela era.

— Sim. Eu posso.

Com as duas mulheres mais próximas a ele ali, Jin não é capaz de pensar em qualquer outro lugar..onde gostaria de estar.