Work Text:
O colega de Prince bate na porta. Ele seu vê o sorriso de orelha a orelha e imita, se esforçando para parecer o mais simpático possível. Não que seja um sorriso falso, mas também não é exatamente genuíno. É algo que, assim como tantas outras coisas, Prince aprendeu a fazer copiando de seus superiores.
Demora bastante para alguém responder. As luzes da casa estavam acesas e havia carros na garagem, obviamente tinha alguém lá dentro. Eles podem ter sido ignorados, pode ser que os moradores não tenham os ouvido ou que, considerando que estão praticamente diante a uma mansão, apenas demore um tempo para se locomover de um cômodo a outro.
É só quando o colega vai bater mais uma vez que a porta realmente é aberta. Quem a abre é um homem meia idade, camisa social amassada com uma gravata pendurada, cabelos meio bagunçados e cara de bravo. Dado seu estado, Prince presume que ele estava dormindo, o que explicaria sua demora.
“Olá!” o colega cumprimenta, indiferente ao mau-humor do morador.
“Oi.” ele bufa.
“Nós somos parte da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, e gostaríamos de compartilhar um pouco da Palavra com o senhor. É totalmente gratuito, não se preocupe.”
O homem olha meio torto “Vocês são Testemunhas de Jeová?”
“Não, senhor. Nós somos mórmons. O senhor tem alguma religião?”
“Sim, todos daqui são judeus. E eu realmente não sou bem o perfil que vocês buscam na igreja de vocês...”
“Ah, não pense assim, todos são igualmente aceitos...”
Outro homem aparece na porta. Mais alto, bonito, arrumado e inegavelmente afeminado. Usa uma camisa social rosa (e um rosa bem chamativo) meio aberta e calças justas que deixam suas curvas (especialmente sua bunda) muito bem demarcadas.
O colega de Kevin rapidamente entende tudo. Bem antes de Kevin. Ele se força a continuar sorrindo, mas agora constrangido.
“Com licença, posso perguntar quem mora com você?”
“Só eu e meu namorado.” O homem (o meio ranzinza, não o bonitão) ergue uma sobrancelha, sarcástico, enquanto dá uma puxada na cintura do outro, quase possessivo “Porque a pergunta?”
O colega de Kevin parece em pane. O homem bonitão ri. O colega de Kevin pega desajeitadamente o livro de sua pochete, entrega-o e puxa Kevin para que eles possam ir embora de lá o mais rápido possível.
Enquanto eles andam (quase correndo), Kevin reflete: ele nem sabia que um homem podia ter uma vida estável com outro. Aqueles dois não pareciam em pecado, pareciam como qualquer outro casal. Eles até eram religiosos!
Ele guarda com carinho a lembrança daqueles dois, mas não sabe que fim levaram.
