Chapter Text
Pela primeira vez no trimestre, Felipe não estava prestando atenção total na aula, e a causa era muito simples, um tanto vergonhosa, se lhe permitem ser sincero. Davi era o motivo. O garoto que vivia e respirava matemática estava incrivelmente lindo esta manhã, não que ele tenha um dia ruim, claro que não! Mas hoje... Seu cabelo estava refletindo a luz do Sol e até seus olhos estavam com um brilho diferente, algo mais... Puro? Brilhante? Feliz?
O motivo poderia ser incerto para a maioria das pessoas, mas não para Felipe. O garoto o havia informado que começou a conversar com uma garota de administração, uma que ele sonhava em ter fazia tempo e não poderia estar mais empolgado com isso. Com certeza ele estava sorrindo para ela, assim como ja havia ocorrido com tantas outras.
Davi nunca sorrira daquele jeito para Felipe, ele ria de suas piadas — as quais o garoto passava horas pensando em novas apenas para fazer o outro feliz — e admitia gostar de sua presença, mas ele nunca ficara tão radiante por Felipe, não do jeito que ele fica com elas. Ciúmes talvez seja a palavra que melhor descreve o que Almeida sentia, mas não era apenas isso. Quando o garoto pensava profundamente sobre seus sentimentos ele encontrava também tristeza, uma pontada de dor que passava do desconforto. Quando Felipe olhava para dentro de si ele encontrava inveja, um sentimento tão desconhecido para ele que optava por ignorar, ele nunca havia sentido isso antes, nunca houveram motivos para isso. Felipe era bom em tudo o que se propunha fazer, menos em conquistar o coração de Davi. Talvez um dos desafios mais difíceis que o menino ja enfrentou, e também o mais destrutivo.
— Cara? – Davi esbravejou, por se sentir ignorado por seu amigo.
— Ah, oi! Me distraí... – Disse Felipe suspirando de tristeza.
— Percebi, né. Agora eu vou ter que repetir tudo de novo! — Diz Davi enquanto revira os olhos — Olha, a gente passou a madrugada inteira conversando, foi tãoo legal! Queria chamar ela pra sair hoje depois da escola, o que você acha? Será que eu tô sendo muito apressado?
— Ah... Não sei, cara. Acho que se vocês conversaram tanto é porque ela gosta de ti, né? Ela provavelmente vai ficar feliz se tu convidar. — Disse Felipe, mas os pensamentos dele eram outros "Eu ficaria."
— 'Cê tem razão, vou fazer isso! — Davi mal termina de falar e já pega seu celular para mandar a mensagem, mas antes ele parece se lembrar de algo e levanta seu olhar — Ah, verdade, ela tem um amigo que te acha bonito, — Davi diz como se estivesse falando sobre o clima — aí eu pedi uma foto e ele não é feio não, acho que faz bem seu tipo, pra falar a verdade.
— Meu tipo? Como que você sabe qual é meu tipo? – Indagou Felipe, surpreso com o assunto se direcionando para ele
Davi o encara como se Felipe fosse um ET — Talvez porque somos amigos há um ano?
— Não me lembro de ter dito para você o que eu gostava em garotos — Felipe arqueia uma sobrancelha.
— Não é necessário! Eu presto atenção o suficiente em você para saber como sua postura muda perto de pessoas atraentes. — fala Davi, convencido do jeito que é.
— Tá bom então, se você diz. Mostra a foto dele aí. – Disse o Felipe Curioso.
O menor ergue seu celular para ficar na visão de Almeida.
Observando a foto, Felipe se questiona se Davi percebeu que o garoto era sua cara, bem, pelo menos não da pra negar que ele não sabe qual é seu tipo...
— E então? O que achou? – Davi diz animado
— É, ele até que é bonitinho — Felipe diz não muito interessado, mas seus pensamentos novamente traem suas palavras "mas nada comparado a você", Felipe não diz.
— Vou passar seu numero pra ele então — diz Davi sorrindo.
— Que? Não! Quem deixou? –Esbravejou Felipe
— Eu? – Disse o Davi, sorrindo de orelha a orelha como se ele tivesse controle sobre a vida do amigo
— Ta, eu nao ligo o suficiente pra te retrucar. — admite Felipe, deixando Davi com um sorriso convencido no rosto. Felipe daria tudo pra tirar aquele sorriso do rosto dele, mas seria inadequado dentro de sala.
2h depois...
— Ela aceitou!! — Diz Davi sorrindo demais, mais do que Felipe pode suportar ao menos.
— Que bom. – Felipe suspira, tentando esconder a tristeza
— Sim. Ela ficou bem animada por você ter gostado do amigo dela e perguntou se você não aceitaria um quatro é par hoje? – Davi da uma risadinha, animado demais sobre isso pro gosto do Felipe
— Ah... Não tenho certeza se quero — responde Felipe, franzindo o cenho.
— Vai, cara, vai ser legal com você lá — Disse o Davi, sabendo que isso é golpe baixo para seu melhor amigo.
— Beleza, eu vou, mas não nao vou poder ficar ate muito tarde porque amanha eu tenho aula. – Diz o Felipe, tentando arrumar uma desculpa para não ter que ver seu melhor amigo com a namorada.
— Todos temos, né. – Davi revira os olhos, entediado.
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