Chapter Text
Ilia podia até enganar outras pessoas, mas não Amber. Nunca Amber. Ela o conhecia bem demais para não notar a pausa cuidadosa antes de cada mentira e o rubor inevitável que subia até as pontas das orelhas dele. As mentiras começaram inocentes: Ilia desconversava quando ela perguntava do que ele ria sempre que olhava para o celular, escondia a tela depressa demais quando Amber passava perto e fingia não ouvir quando ela perguntava com quem ele estava falando por ligação às duas da manhã. Depois vieram os pequenos detalhes: Ilia chegava em casa com mais barras de chocolate do que o habitual, demorava tempo demais para escolher uma roupa para sair com os “amigos” e, certa vez, Amber podia jurar que o viu quase surtar porque o cabelo descolorido e ligeiramente comprido se recusava a ficar cem por cento alinhado.
Foi então que ela entendeu a gravidade da situação: o irmãozinho estava se envolvendo com alguém. E, pelo jeito alegre, nervoso e a maneira completamente desastrosa com que tentava esconder isso, provavelmente era algo mais sério do que as paqueras do tempo da escola.
Num sábado à noite, enquanto comiam pizza e assistiam a um filme de terror ruim, jogados preguiçosamente no espaçoso sofá da sala, Amber sentiu um cheiro diferente exalar de Ilia, mesclado ao costumeiro cheiro de chocolate quente com um toque de café havia uma mistura mais complexa: chá preto, cardamomo e madeira escura, com uma nota de baunilha limpa e sofisticada, mais parecida com um perfume caro do que com qualquer coisa doce. Um cheiro elegante demais para precisar chamar atenção, mas ainda assim marcante. O cheiro de um alfa.
— Como foi o rolê com a Mone?
Uma breve pausa.
— Legal…
— Hm. E o que vocês fizeram juntos a tarde inteira?
Ilia riu nervoso.
— Isso é um interrogatório?
— Eu não posso me interessar pela vida do meu irmãozinho?
— Pode, é claro — ele riu nervoso, mordeu um pedaço de pizza e mastigou devagar.
Espertinho! Estava apenas ganhando tempo!
— A gente foi no Karaokê — falou por fim.
— Só os dois?
— É…
E ali estava: a vermelhidão nas orelhas.
— Bebê… — disse em tom de aviso, deixando claro que sabia que Ilia estava mentindo.
— Eu não sou mais bebê, Amber! — respondeu e cruzou os braços sobre o peito.
— Pra mim, sempre vai ser — ela rebateu sem hesitar. — Você não deixou de ser minha responsabilidade só porque cresceu.
Após a morte dos pais num acidente de carro, Amber — uma alfa de apenas dezoito anos e caloura na universidade dos sonhos — precisou voltar para casa para o funeral e para cuidar de um pequeno Ilia que ainda nem sabia escrever o próprio nome. Como os pais eram imigrantes russos e não tinham parentes nos Estados Unidos, foram oferecidas a Amber duas opções: entregar Ilia para um abrigo temporário enquanto resolviam a situação e tentavam contatar outros familiares russos ou então ela poderia dar entrada na adoção legal dele. Amber não pensou duas vezes, Ilia era tudo o que restava de sua família e faria de tudo para cuidar dele.
Como os pais não deixaram uma herança milionária, isso significou trancar a faculdade por um tempo e se desdobrar entre empregos exaustivos como garçonete ou vendedora em lojas de shoppings para garantir que absolutamente nada faltasse a Ilia, mas com o tempo — e muito esforço — tudo se acertou. Hoje Amber estava formada em educação física e era personal trainer de uma clientela exclusiva e muito fiel. Ilia estava no primeiro ano da universidade de artes e ainda estava incerto sobre qual área do curso se especializar, mas ainda teria tempo para se decidir.
— Talvez esse seja exatamente o problema — Ilia murmurou, desviando o olhar por um instante. — Eu não sou mais seu irmãozinho pequeno, mesmo que você continue me tratando como se eu fosse.
Amber suspirou, não esperava que a conversa fosse tomar esse rumo.
— Be- Ilia… — ela se corrigiu rapidamente, apertando a ponte do nariz. — Eu sei que você cresceu. Eu sei. Só que às vezes eu olho pra você e ainda enxergo aquele garotinho que chorava escondido embaixo da cama ou dentro de armários quando se sentia triste ou solitário — confessa num tom de voz mais baixo. — Me desculpa por ser tão intrometida e protetora, eu só tenho medo que você se machuque.
— Talvez eu queira me arriscar mesmo sabendo que posso acabar me machucando — respondeu Ilia, firme.
Amber ficou em silêncio por alguns segundos. Enfim, sorriu pequeno.
— Olha só… Eu nunca te vi falar desse jeito. Esse alfa idiota não é só uma paquerinha qualquer, é?
Ilia deixou escapar uma risada.
— “Paquerinha”? Sério? Você fala igual uma senhora de cinquenta anos — resmungou, mas não conseguiu esconder a risada. — E como você sabe que é um alfa?
Amber ergueu uma sobrancelha.
— Porque você tá fedendo a ele.
— Amber!
— Esse cheiro aí é definitivamente de alfa. Pelo que eu me lembro, a Mone é ômega igual a você e cheira a flores, não a chá preto, madeira cara e problema.
— Jun não é problema — Ilia rebateu por impulso e percebeu o erro que cometeu assim que as palavras escaparam da boca.
— Jun, é? Você sabe que acabou de facilitar a minha vida com essa informação, não é? — sorriu divertida.
— Não! Você tá proibida de investigar!
— Ah, querido, você perdeu esse direito no segundo em que soltou o nome dele em voz alta e sem eu precisar perguntar! — Amber respondeu, já pegando o celular. — “Jun”. Curto, misterioso… Eu provavelmente consigo um sobrenome em menos de uma hora e, se eu tiver sorte, antecedentes criminais até amanhã de manhã.
— Amber… — Ilia grunhiu, frustrado. O pior era saber que ela realmente conseguiria descobrir tudo aquilo se quisesse. Amber era assustadoramente persistente e ainda mais assustadoramente eficiente quando colocava alguma coisa na cabeça. — Para com isso!
Amber ergueu os olhos do celular devagar, como se estivesse considerando uma proposta de negócios muito séria
— Certo. Eu topo não investigar. Sem sobrenome, sem antecedentes criminais, sem vasculhar as redes sociais dele às duas da manhã.
Ilia a encarou, desconfiado.
— Você tá falando sério?
— É claro — ela sorriu com simpatia. Simpatia demais. — Com uma condição!
— Eu sabia!
— Você traz esse tal de Jun aqui para eu conhecer. Pessoalmente. Quero olhar nos olhos dele, julgar a postura, analisar a linguagem corporal e decidir se ele parece um namorado minimamente decente para você.
Ilia sentiu o rosto esquentar, mas, ainda assim, soltou uma risada debochada.
— Pra você assustar ele? Nem pensar! E eu nem sei se ele vai mesmo virar meu namorado…
— Como assim você não sabe? — Amber estreitou os olhos imediatamente. — Esse cara tá te enrolando, Ilia? Porque, se estiver, eu retiro a minha promessa de não investigar e passo direto pra fase de ameaças.
— Sem ameaças! E não é isso… É só… Complicado — Ilia respondeu, os olhos baixos.
— Complicado como?
Por um instante, pareceu que finalmente ia se abrir. Amber viu a hesitação no olhar dele, a forma como Ilia levou a mão à nuca e a massageou devagar, como se isso pudesse aliviar a tensão, antes de inspirar fundo, como quem procura as palavras certas. Mas, no segundo seguinte, ele apenas balançou a cabeça.
— Esquece, eu não quero falar disso. Mas eu juro que Jun é um cara legal. Muito legal. E ele me trata muito bem.
Amber continuou observando-o por alguns segundos, em silêncio.
— Certo — disse por fim, mais gentil. — Eu confio em você.
Ilia ergueu os olhos, surpreso.
— Mas, se ele te fizer chorar, eu juro que passo com o carro por cima dele. Duas vezes.
— Amber!
— Só se ele te fizer chorar!
♡
Nos dias que se seguiram, Amber se esforçou para ser uma irmã legal e compreensiva. Deu espaço a Ilia, resistiu à vontade imensa de fazer perguntas demais e cumpriu a promessa de não iniciar uma investigação. Ilia falava de Jun de vez em quando — ou melhor, Junhwan, nome que Amber acabou descobrindo graças a um desses comentários descuidados que o irmão passou a soltar quando se sentia à vontade. O irmãozinho parecia feliz, então Amber também estava feliz. Estava tudo bem. Mesmo.
Isso até Amber acordar às três da manhã com uma gargalhada alta vindo do quarto ao lado. Sabia o que isso significava, Ilia estava acordado durante a madrugada, entretido com algum jogo como se não tivesse absolutamente nenhuma obrigação na vida.
Bufando, ela se levantou e atravessou o corredor na ponta dos pés, planejando escancarar a porta para assustar o irmão e lhe dar um sermão. Mas parou diante do quarto ao ouvir o próprio nome sair da boca dele.
— Amber não me ensinou quase nada! O russo dela é bem pior que o meu!
Ora, mas que garoto ingrato! O russo de Amber era ótimo. Ou, no mínimo, perfeitamente decente. Os pais falavam russo em casa, é verdade, mas ela sempre teve muito mais facilidade com inglês, afinal, tinha crescido e vivido a vida inteira num país em que todo mundo falava aquela língua.
— Sim, eu entendo. Não tudo, mas a maior parte das coisas… Aham… Ei, não me chama assim! Eu sei o que kotik significa.
Amber arqueou uma das sobrancelhas. Entendeu errado ou alguém acabara de chamar o seu precioso irmãozinho de gatinho em russo? Claro que Ilia jamais cairia numa cantada tão óbvia, mas ainda assim ficou pasma. Era Jun quem estava falando com ele? Porque, sinceramente, ela esperava mais do namorado do irmão.
— Não, o problema não é esse… — a voz de Ilia parecia mole, quase dengosa. — O problema é exatamente eu gostar quando você me chama assim, Mikhail.
O QUÊ?
Amber ficou imóvel no corredor, a mão ainda pousada na maçaneta. Mikhail? Quem diabos era Mikhail? Ela não tinha criado Ilia para ser um traidor! Passara semanas ouvindo sobre Junhwan, respeitando a privacidade dele, sendo madura, compreensiva, totalmente evoluída… Só para descobrir que existia um tal de Mikhail chamando o irmão dela de gatinho em russo às três da manhã?
— Ilia? — chamou, por fim.
Por alguns segundos, o silêncio se instalou do outro lado da porta. Então ela ouviu um barulho abafado, como algo caindo no chão, seguido por um “ai!” um tanto histérico.
— Ai meu Deus! Amber?! — a voz de Ilia soou aguda demais. — O que você tá fazendo acordada?
— Engraçado, eu ia te perguntar exatamente a mesma coisa! — Tentou abrir a porta, mas estava trancada. — Abre a porta, eu quero falar com você!
— Agora?
— Agora!
— Não!
— Ilia.
— Eu já tava indo dormir!
— Ah, é mesmo, kotik? Mas o papo com o Mikhail parecia tão bom! — respondeu com sarcasmo.
Silêncio absoluto novamente. Então, Ilia abriu a porta e parecia furioso.
— Você tava ouvindo atrás da porta?!
Amber fez uma expressão de ofensa e colocou a mão sobre o coração.
— Eu não estava ouvindo atrás da porta! Eu acordei com a sua risada escandalosa e vim aqui te mandar dormir! Mas aí ouvi você todo derretido porque um cara russo te chamou de gatinho às três da manhã!
— Ele não é russo, é do Cazaquistão…
— Ah, que ótimo! Isso realmente melhora muito a situação! Agora, por favor, me explica por que tem um cara do Cazaquistão te chamando de gatinho às três da manhã quando eu passei semanas ouvindo sobre um coreano chamado Junhwan.
— É complicado…
— “É complicado” é a frase que as pessoas usam antes de contarem algo horrível! — Amber respondeu imediatamente. — Ilia, quantos homens exatamente existem nessa história? Você está colecionando namorados de países diferentes?
— Não! — Ilia rebateu, horrorizado. — O que você acha que eu sou?
— Você quer mesmo que eu responda isso agora?
— Eu gosto do Jun… Mas também gosto do Misha.
Amber abriu e fechou a boca várias vezes, encarando-o como se tivesse acabado de confessar um crime.
— Agora ele é Misha — disse devagar. — Claro. Porque “Mikhail” aparentemente não era confuso o bastante. Eu preciso anotar o nome de mais algum rapaz antes da gente continuar?
— Para com isso, Amber!
— Eu vou parar quando você me explicar porque decidiu montar um time de relações internacionais! Não me diga que você tá namorando aquele seu amigo francês também? Vocês não se desgrudavam até mês passado!
Ilia arregalou os olhos, horrorizado.
— O quê?! Não! O Adam é só meu amigo!
— Ótimo, um a menos. Você vai me explicar por que decidiu dar mole para dois caras ao mesmo tempo?
— Dar mole? Meu deus, você realmente fala como uma solteirona de 50 anos!
— E você fala exatamente como alguém tentando desesperadamente mudar de assunto! — Amber rebateu. — Não foge da pergunta, Ilia. Por que você tá dando mole pra dois caras ao mesmo tempo?
— Eu já disse… Eu gosto dos dois.
— Seu moleque safado! Eu não te criei para iludir dois caras ao mesmo tempo!
Ilia bufou.
— Eu não tô iludindo ninguém! Jun sabe do Misha e Misha sabe do Jun.
— Eles sabem?!
— Sim.
— Mesmo?
— Eu já disse que sim!
Amber demorou a responder, tentando digerir a informação.
— E nenhum deles surtou?
— Jun, no começo…
— Vocês são um trisal?
Ilia ficou tão vermelho quanto um pimentão, mas não parecia ofendido.
— Não… Eles meio que querem lutar por mim e me dar um tempo para decidir com quem eu realmente quero ficar.
Amber caiu na gargalhada. Uma risada alta, sincera, daquelas que fazem a pessoa se curvar um pouco e levar a mão até o estômago.
— Isso é ridículo! Você está mesmo falando sério?
— Tá vendo! É por isso que eu não te conto nada!
Amber tentou recuperar o fôlego, mas ainda tinha um sorriso no rosto.
— Desculpa, desculpa! Qual o seu segredo? Eu mal consigo fazer a Kaori olhar para mim e você tá aí com dois homens brigando pela sua atenção!
— Eles não estão brigando!
— Tá, não literalmente, mas eles querem que você escolha, não é?
Ilia acenou que sim com a cabeça e os lábios formaram um biquinho de forma inconsciente.
— Ah, meu Deus! Você realmente tá sofrendo porque tem dois caras apaixonados por você! Que vida difícil a sua, princesa.
— Boa noite, Amber! — Ilia retrucou e ameaçou fechar a porta, mas Amber foi mais rápida e colocou o braço musculoso na frente, impedindo-o.
— Espera, bebê — pediu, agora mais gentil. — Senta na cama, eu quero falar mais um pouco com você.
Ilia cruzou os braços, mas entrou no quarto e fez o que a irmã pediu. Observou em silêncio ela se sentar ao seu lado.
— Ilia, você tem certeza que gosta mesmo desses caras? — perguntou, a voz suave. — Porque, às vezes, quando a gente tá muito confuso, é justamente porque não gosta de nenhum de verdade.
— Não, eu gosto deles! Eu sei disso, Amber! Jun é tão presente e eu me sinto tão seguro com ele… — Ilia começou e, sem perceber, abriu um sorriso carinhoso. — Ele não é o melhor com as palavras, mas quando eu tô triste, ansioso ou surtando porque acho que estraguei tudo, ele sempre sabe o que fazer. Um toque, um abraço, sugerir que eu faça alguma coisa para me acalmar… É como se ele olhasse pra mim e, de repente, respirar deixasse de ser tão difícil. E ele cuida de mim de um jeito tão… Tão natural. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Amber permaneceu em silêncio, observando o irmão com atenção.
— E o Misha… — Ilia continuou e a voz ficou tão doce quanto os marshmallows que gostava de colocar no chocolate quente de todas as manhãs. — O Misha é tão doce. E tão gentil. Ele é engraçado pra caramba também, mesmo quando não tenta ser. É impossível ficar triste perto dele. Ele me faz rir o tempo todo e me olha como se eu fosse a pessoa mais incrível do mundo, mesmo quando eu pareço um desastre completo… Com ele, tudo parece tão mais leve.
Ilia abaixou os olhos e esfregou a nuca, nervoso.
— Eu sei que parece idiota… Mas quando eu tô com o Jun eu sinto falta da doçura e da leveza do Misha. E quando eu tô com o Misha, sinto falta da segurança do Jun. É como se cada um tivesse metade de alguma coisa que eu preciso. E eu não faço ideia de qual metade escolher.
— Uau… — Amber soltou, sem conseguir se conter. — Caramba, você tinha que ver sua cara falando deles.... Você definitivamente tá apaixonado pelos dois.
— Eu sei disso! — Ilia reclamou, frustrado, passando as mãos pelo cabelo já bagunçado. — Esse é literalmente o problema!
— Calma, eu acho que posso te ajudar!
— Pode? — Ilia perguntou, quase esperançoso.
— Claro que posso — Amber disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Mas para isso eu preciso conhecer os dois.
— Nem pensar! Nós já tivemos essa conversa antes, você espanta todo cara que gosta de mim!
— Que mentira! Quando eu fiz isso?
— Shun Sato, no primeiro ano do ensino médio. Ele nunca mais falou comigo direito depois que eu trouxe ele aqui pra gente estudar junto.
— Estudar uma ova! Vocês estavam era se agarrando no quarto e só pararam quando eu chamei vocês pra comer alguma coisa!
— E você achou que era um ótimo momento pra apontar uma faca pra ele e perguntar quais eram as intenções dele comigo.
— Eu estava cortando uma maçã para vocês, seu ingrato! E eu não me arrependo. Não quero você namorando um frouxo que te abandona na primeira oportunidade.
— Ele ficou apavorado! A gente só tinha 14 anos!
— Frouxo — ela insistiu e Ilia riu. Por mais que tentasse ficar irritado com Amber, não conseguia fazer isso por muito tempo. — Você acha que pode dar certo? Essa sua ideia de conhecer eles.
— É claro que sim! Eu te conheço melhor do que ninguém! — Amber respondeu, dramática. — Quem mais poderia te ajudar a escolher com quem passar a eternidade?
Ilia riu novamente.
— Amber, é só um namoro. Não um noivado.
— Que seja… — Amber sorriu carinhosa, segurou uma das mãos de Ilia e fez um carinho leve. O cheiro dela, pimenta-rosa, canela e algo quente e familiar, como uma cozinha quente no fim da tarde preencheu todo o quarto e fez Ilia relaxar sem perceber. — Você aceita minha ajuda?
Ilia concordou. E, em sua defesa, às três da manhã, sonolento, emocionalmente abalado e encurralado pela irmã mais velha, aquilo parecia uma ideia muito melhor do que realmente era.
