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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-04-16
Completed:
2026-04-16
Words:
13,049
Chapters:
2/2
Comments:
4
Kudos:
95
Bookmarks:
7
Hits:
2,592

fire escape

Summary:

Lorena vive há dois anos um relacionamento secreto com Eduarda, uma mulher poderosa, ambiciosa e presa a uma vida pública cuidadosamente construída ao lado de um namorado influente.

O que para Eduarda é refúgio noturno, para Lorena é amor inteiro feito de esperas, silêncios e despedidas antes do amanhecer. Dividida entre a esperança de ser escolhida e a dor de nunca poder existir à luz do dia, Lorena aceita viver à margem, acreditando que o amor pode ser suficiente para sustentar a ausência.
Em meio a confrontos, declarações tardias e promessas incertas, Lorena precisa encarar a verdade mais dolorosa: amar alguém que não a escolhe também é uma forma de se perder.

História baseada na música Fire Escape - Matthew Mayfield

Notes:

Essa one shot tem duas partes.
Sugestão: se quiser, coloque pra tocar a música Fire Escape - Matthew Mayfield
As partes em inglês são da letra da música.

Já tinha postado essa história no site ao lado e agora resolvi colocá-la aqui, com pequenas mudanças para melhorar a leitura.
Aproveite!

Chapter 1: Part 1

Chapter Text

 

"I heard the cold wind say

You're a fool to stay

but I did, yes I did."

Lorena estava com a cabeça apoiada no peito da mulher com quem passara a noite. Não apenas uma noite, mas quase todas as noites, nos últimos dois anos.

Mas era só isso. Aquela noite.

"I see you bite your bottom lip,

Can you feel my kisses on your hips?"

Eduarda e Lorena se conheceram em uma cafeteria. Lorena estava cuidando da sua vida, tomando seu café e lendo algo no celular, quando alguém se sentou à sua frente, do outro lado da mesa. A princípio ela ficou bastante assustada com a chegada repentina da mulher, que começou a encará-la com aqueles olhos, aqueles olhos profundos e sensuais. Ela era tão eloquente e charmosa que Lorena se apaixonou rapidamente, sem nem perceber. O jeito como a mulher a olhava, o olhar que fazia o coração de Lorena disparar, o jeito como suas mãos, elegantes e delicadas, que de vez em quando jogavam seus cabelos ruivos para o lado, como seus dedos acariciavam a borda da mesa, o tom de sua voz, profundo e suave, sua risada, seu decote, sua clavícula. Elas conversaram naquele dia e Eduarda pediu o número de Lorena, que ela não hesitou em dar. Hoje em dia, ela pensa que teria sido melhor para as duas se não tivesse pedido.

Lorena aceita o que tem porque é a única maneira que encontra para manter Eduarda sempre por perto; aceita ser a distração da mulher. Pelo menos é o que pensa às vezes. Eduarda trabalha em uma grande empresa, tem uma imagem a zelar e a melhor maneira de fazer isso é não aparecer em lugar nenhum com Lorena, então ela faz isso com seu namorado de longa data, colega de quarto e, provavelmente, futuro noivo.
Desde o dia em que trocaram números, Lorena sente uma conexão com Eduarda, mesmo que a mulher não lhe pertença completamente. O relacionamento complicado entre elas começou algumas semanas depois do primeiro encontro, e foi Eduarda quem tomou a iniciativa, mas depois disso Lorena não conseguia parar de pensar nos olhos castanhos, no toque, nos lábios. Ela nunca havia aceitado manter um relacionamento secreto, muito menos com alguém que já estivesse comprometido com outra pessoa, mas com Eduarda é diferente. Ela não consegue ser diferente, não consegue mudar ou simplesmente esquecer o que Eduarda a faz sentir, seja com palavras ou com seu toque.

É exatamente isso que dói no peito dela de muitas maneiras. O pensamento de que provavelmente nunca poderá andar de mãos dadas com a mulher que ama, de que nunca acordará para ver seu rosto sereno e ainda adormecido, pelo menos não quando o sol da manhã estiver brilhando pela janela. Eduarda sempre sai algumas horas, ou até mesmo minutos, depois que Lorena adormece. Ela sabe de tudo isso, mas não consegue terminar o relacionamento, é fraca demais para isso. Mesmo sabendo que continuar só tornará tudo mais doloroso no final.

É isso que Eduarda faz com ela, a faz ignorar seus próprios pensamentos, pelo menos não os sensatos.

Lorena tenta ficar acordada às vezes para evitar que Eduarda vá embora, mas quase nunca consegue. Ela sabe que a jovem não gostaria de sair da cama enquanto ela ainda está acordada. Eduarda também sabe que, se Lorena a visse saindo do apartamento no meio da noite repetidas vezes, provavelmente desistiria dela, talvez partisse para um relacionamento mais saudável, e Eduarda não gosta dessas opções. Por isso, sente um certo alívio pôr a garota de olhos verdes não lhe causar sonolência e sempre adormecer em seus braços antes do amanhecer.

Lorena também é uma mulher centrada. Não é tão popular e pública quanto Eduarda, mas tem um emprego estável em um dos maiores jornais da cidade, seus leitores são fiéis e isso basta para ela. Tem seu próprio apartamento, sua própria vida e dinheiro para comprar tudo o que precisa, que não é muita coisa, já que não é apegada a bens materiais. A única coisa que lhe falta é alguém com quem compartilhar isso, dia e noite.

Durante o dia, elas normalmente vivem suas próprias vidas, com pouco contato, o que também incomoda Lorena. Sempre que algo bom lhe acontece, ela sente uma vontade repentina de correr até Eduarda e contar cada detalhe, cada pequena coisa que a fez pular de alegria ou sorrir amplamente, mas não pode. Ela precisa esperar até que Eduarda entre no apartamento e jogue as chaves do carro na mesa de centro para então se deitar com Lorena no sofá, às vezes sem esperar nem um segundo para unir seus lábios aos dela.
Às vezes, Lorena só quer desabafar com Eduarda, dizendo que elas precisam mudar o que têm, que não aguenta mais, e coisas do tipo, mas, em vez disso, morde os próprios lábios várias vezes, reprimindo e sufocando esse desejo imediatamente, porque sabe que isso só levaria a algo pior.

Eduarda a olha de um jeito que ninguém nunca olhou antes, e ela se recusa a entender como pode se sentir assim, mas ainda prefere voltar para casa para um homem que não significa quase nada para o seu coração. Mas, novamente, ela aceita a situação.
Elas nunca trocaram essas três palavras em dois anos, mas sabem que as sentem mesmo sem dizê-las; seus olhares transmitem tudo. Eduarda gosta de fingir que não vê, mas sabe o que é real. Seus corações batendo juntos, isso basta. Lágrimas, que Lorena se recusa a deixar cair, brotam nos olhos verdes sempre que seu peito quase explode com a insistente sensação de que precisa dizer aquilo, mas ela não diz, pois provavelmente faria Eduarda se afastar, afinal, elas não têm nada sério. É o que ela diz para si mesma.

Naquela noite, Lorena lutou contra o sono e permaneceu acordada até o sol começar a nascer, iluminando o quarto lentamente. Elas não estavam conversando; Lorena ainda repousava sobre o peito nu de Eduarda quando uma lágrima teimosa caiu sobre a pele descoberta da mulher e Lorena tentou enxugá-la rapidamente, fingindo que nada havia acontecido, mas Eduarda sentiu a pequena gota tocar sua pele.

— Preciso ir. - disse ela, com um nó na garganta, mas fingindo que nada a abalaria.

Lorena ouviu isso e engoliu em seco antes de se desvencilhar dos braços do torso de Eduarda e virar para o outro lado da cama, de frente para a janela, fechando os olhos para não chorar de novo. Eduarda observou a cena e pensou um milhão de vezes em abraçá-la por trás e beijá-la até que um sorriso surgisse em seus lábios perfeitos, mas não conseguiu. Levantou-se da cama e começou a se vestir, em silêncio.

— Te vejo mais tarde? - perguntou na porta, pronta para deixar Lorena novamente.

— Sim. - respondeu a morena de olhos verdes e depois de um minuto, ouviu o barulho da fechadura, a porta abrindo e fechando rapidamente.

Ela ficou ali, revirando-se no colchão até o despertador tocar. Hora de tomar banho, comer, ir trabalhar e esperar pacientemente por Eduarda.

O plano e a rotina diária foram interrompidos quando ela caminhava pelas ruas de Nova York, a caminho do trabalho, e viu Eduarda saindo de um carro preto, com um homem ao lado, que colocou a mão direita um pouco acima da cintura dela assim que ambos pararam na calçada.
Eles estavam com roupas de trabalho, provavelmente indo para uma reunião importante, como de costume. O jovem exibia seus dentes brancos e perfeitos em um sorriso impecável e irritante, com os cabelos negros perfeitamente alinhados por um corte elegante. Ele usava calças pretas, sapatos elegantes e uma camisa cara que deixava à mostra seu corpo atlético. Eduarda usava um vestido preto justo que realçava suas curvas e tinha o comprimento ideal para ser sofisticado. O brilho dos seus lábios fez Lorena admirá-la à distância.

Um homem mais velho e de aparência imponente se juntou a eles, fazendo os dois rirem enquanto entravam no prédio.

Era a segunda vez que Lorena o via pessoalmente. A primeira vez foi quando ela foi ao apartamento deles para entregar a bolsa de Eduarda, que ela havia esquecido. Ela não sabia que ele estaria em casa, pensou que ele estaria trabalhando porque Eduarda estava, mas assim que ele abriu a porta, ela reconheceu o rosto dele pelas inúmeras capas em que ele já havia aparecido. A interação foi estranha para Lorena, mas ele não pareceu reconhecê-la nem nada do tipo, e ela também não mencionou o próprio nome.
Ele obviamente sabe que Eduarda tem alguém, talvez até saiba o nome de Lorena, mas só isso. Ele também tem seus relacionamentos paralelos, mas Eduarda e ele concordam, inconscientemente na maior parte do tempo, que juntos formam uma dupla melhor, pelo menos aos olhos dos outros. Profissionalmente falando, como vimos, o relacionamento os tornou ainda mais poderosos e eles não queriam abrir mão disso, então continuaram.

Às vezes, eles saem para encontros para manter as aparências e para os diversos eventos da empresa, onde ambos sempre mantêm as aparências para todos ao redor, parecendo o casal perfeito, jovem e ambicioso. Nessas noites, Lorena fica esperando uma mensagem ou algo do tipo de Eduarda, mas normalmente não recebe, provavelmente porque está muito focada em ascender social e profissionalmente para sequer se lembrar de Lorena. É o que ela pensa.

Depois de ver isso e ir para o trabalho, Lorena não conseguia parar de pensar na imagem deles, a imagem que deveria estar concentrada no trabalho.

— Ei, Lore, estávamos pensando se você gostaria de sair hoje com a gente. - disse Maggye, apontando para as outras duas garotas sentadas nas mesas ao lado da dela, em uma sala grande e espaçosa, cheia de colegas de trabalho que circulavam com canetas entre os dentes e os lábios, a pressão de criar um bom material sempre as impulsionando a trabalhar arduamente.

— Eu... eu não sei. - gaguejou ela, olhando para o celular. Claro que Eduarda ainda não tinha dito nada. - Talvez. - sorriu.

— Faz tempo que você não sai com a gente, Lore. Sentimos sua falta, sabia? - disse Giovanna, aproximando-se delas e encostando o corpo na mesa de Lorena.

— Eu sei, desculpem, não estou com vontade de sair ultimamente. - disse ela, balançando a cabeça levemente e evitando o olhar delas.

— É, já ouvimos isso antes. - disse Bella à distância, digitando algo no teclado do computador.

— Desculpem, meninas, talvez semana que vem? - ela tentou sorrir para mostrar que aquilo poderia ser um plano.

— É, também já ouvimos isso antes. - repetiu Giovanna, e Lorena jogou uma caneta para o outro lado da sala, que caiu bem do lado de Giovanna.

— Que pontaria, Lore. - ela riu e finalmente olhou para Lorena, que a encarou com um sorriso irônico no rosto.

— Ok, então quando você estiver pronta, nos avise. - disse Maggye com um pequeno sorriso e voltou para sua mesa bem na frente de Bella, deixando Lorena mordendo o lábio inferior. Ela queria sair com elas, afinal, elas eram suas amigas, suas melhores amigas, mas a ideia de não ver Eduarda não a atraía.

Ela pegou o celular e mandou uma mensagem.

Lorena: Você vem aqui hoje à noite?

Ela esperou pacientemente pela resposta. Elas nunca conversavam antes do pôr do sol.

Eduarda: Sim.

E isso foi o suficiente para Lorena decidir ficar em casa.

Ela chegou em casa depois das 19h e, três horas depois, Eduarda entrou no apartamento e foi direto para a cozinha, onde arrumou a mesa antes de ir para a sala, pegar a mão de Lorena e guiá-la até a mesa para que pudessem jantar juntas. Elas riram e conversaram sobre tudo. Tudo, menos sobre a situação complicada delas, é claro. Depois de muitos beijos e olhares apaixonados, Eduarda pegou Lorena e a levou para o quarto, onde se perderiam entre os lençóis.

Lorena permaneceu acordada novamente.

''I almost hear you catch your breath,

My ghost is whispering in your head''

— Eduarda... - disse ela suavemente. Estavam frente a frente, a centímetros de distância, deitadas no mesmo travesseiro, olhos fechados, mas a mente ainda bem desperta.

— O que foi, amor? - perguntou Eduarda, e Lorena suspirou levemente ao sentir o ar chegar aos seus lábios.

— Não quero mais dividir você com ninguém. - deixou escapar, mordendo o lábio e se arrependendo instantaneamente.

Silêncio.
Sempre o silêncio como resposta.

''No, you're not home''

— Você sabe que eu não posso fazer isso. - disse Eduarda suavemente, com seus olhos escuros fixos no rosto de Lorena, que ainda estava de olhos fechados.

— Claro que pode, você só não quer. - acrescentou Lorena rapidamente, engolindo em seco. Era o primeiro confronto real que ela tinha em dois anos.

— Se eu dissesse que um dia estarei pronta, você esperaria por isso? - perguntou Eduarda após dois minutos de silêncio.

— Não sei, depende de quanto tempo isso levaria. - disse Lorena com as mãos apoiadas no travesseiro, evitando olhar nos olhos escuros de Eduarda.

''I'm on a fire escape,

Where you said to wait,

And I did, yes I did,

I heard the cold wind say,

You're a fool to stay,

But I did, yes I did''

— Não posso te dizer isso, nem eu sei. - disse Eduarda, suspirando. Suas respirações se misturaram, sincronizadas.

— Ok. - respondeu Lorena simplesmente, mas, frustrada com a resposta, em vez de se afastar, aproximou-se ainda mais de Eduarda e aninhou a cabeça em seu pescoço. Eduarda a abraçou rapidamente, aliviada por ela não ter se afastado após a resposta. Lorena logo adormeceu e Eduarda saiu.

Cinco meses se passaram, a mesma rotina, a mesma situação.

Dia após dia, as coisas ficavam mais difíceis para Lorena. Ela não sabia por que, de repente, depois de dois anos vivendo seu amor secreto, queria ter Eduarda só para si. Sempre quisera isso, mas agora era diferente. Seu coração doía só de pensar na possibilidade da mulher por quem estava perdidamente apaixonada se envolver ainda mais com seu namorado ideal. E talvez até a deixasse de lado, mesmo à noite. Ela tenta dizer a Eduarda que isso pode mudar, que Eduarda logo descobrirá o que realmente quer e que Lorena é tudo o que ela precisa, nada mais. Ela já ocupa uma posição muito alta no trabalho, mesmo sendo jovem, com apenas 24 anos, e sua família também tem muita influência nos negócios, então não há necessidade de tanta ganância. Lorena tenta ignorar esse fato e se convence de que isso não vai acontecer tão cedo.

''No matter how my heart tries''

Numa sexta-feira nevosa, Lorena recebeu uma ligação de Eduarda no meio do expediente. Seu coração disparou e ela ficou tão nervosa com o gesto estranho que quase derramou café na mesa, mas atendeu rapidamente, provavelmente para ouvir que Eduarda havia discado o número errado ou algo assim.

—Oi. - disse a voz favorita de Lorena do outro lado da linha, e ela ficou ainda mais ansiosa porque Eduarda não parecia ter feito nada de errado ao discar seu número.

—Oi. - ela tentou dizer, com a respiração irregular.

— Você está livre neste fim de semana? - perguntou a de olhos escuros, parecendo nervosa, mas não tanto quanto Lorena.

— Eu... eu... - gaguejou, sem entender muito bem o propósito da pergunta. Eduarda sabia que ela estava sempre livre para ela. — Á noite? Sim, estou sempre livre para você. - Ela mordeu o lábio.

— Não, eu quero dizer o fim de semana inteiro. - ela parou ao perceber que não ouvia a respiração de Lorena na linha. — Lorena?

— Estou aqui. - ela finalmente respirou fundo novamente.

— Então... o fim de semana inteiro. Dia e noite. - disse Eduarda suavemente.

A cabeça de Lorena quase girava e seu peito quase explodia de novo. Eduarda a estava convidando para passar um fim de semana inteiro, em algum lugar, as duas, dia e noite. Noite e dia.
Eduarda ficou na linha por quase um minuto sem ouvir nenhuma resposta.

— Se você não quiser, eu posso simplesmente ir para... - ela tentou dizer, mas foi interrompida pela voz de Lorena.

— Não, eu quero. Sim, estou livre para o fim de semana. - disse ela, balançando a cabeça como se Eduarda pudesse vê-la.

Seria isso? Eduarda finalmente viria para os seus braços e ficaria? Ela não tinha certeza, mas só de pensar nisso seus olhos se encheram de lágrimas.

— Ok, ótimo. - disse Eduarda com um pequeno sorriso, aliviada com a resposta. — Então, eu te busco hoje, às 22h, ok? - informou a Lorena.

— Ok.

— Ok.

— O que eu preciso levar? - perguntou de repente, sem saber ao certo o que fariam ou para onde iriam.

— Um casaco grosso e sua lingerie preta, se quiser. - ela riu baixinho e o corpo de Lorena se derreteu ao som da risada. Ela já estava acostumada, mas ao mesmo tempo, não conseguia evitar se apaixonar ainda mais a cada risada de Eduarda, algo que acontecia com frequência quando estavam juntas.

— Tá bem. - Lorena riu e mordeu os lábios novamente.

— Tchau, amor. - disse Eduarda e desligou antes que Lorena pudesse responder.

Lorena foi para casa e arrumou a mala rapidamente. Estava se sentindo mais ansiosa do que nunca. Primeira vez em dois anos que passaria mais de oito horas com Eduarda. Primeira vez que aproveitariam a companhia uma da outra à luz do dia. Dois dias seguidos. Ela não sabia o que esperar.

Eduarda entrou no apartamento com sua própria chave e beijou os lábios de Lorena sem dizer uma palavra. Seu beijo foi ainda mais apaixonado do que antes e as pernas de Lorena fraquejaram imediatamente. Quando finalmente se separaram, Eduarda foi até o quarto de Lorena para pegar sua bolsa.

— Vamos lá. - Ela sorriu e pegou a mão de Lorena com a mão livre.

Entraram no Mercedes preto de Eduarda e dirigiram por algumas horas, rumo ao norte, com a mão de Eduarda na coxa de Lorena, até que Eduarda virou em uma rua lateral e, depois de um tempo, chegaram a uma área reservada, onde uma bela casa, com paredes feitas principalmente de pedras cinza-escuras, as aguardava, com algumas luzes acesas e os vidros das janelas embaçados pela noite fria e nevosa. Eduarda estacionou na garagem e abriu a porta do carro de Lorena, esperando que ela pegasse sua mão para que pudesse lhe mostrar a casa.

— Senhorita Fragoso. - disse uma voz feminina amigável quando chegaram à sala de estar finamente decorada.

— Oi, Mary. - disse Eduarda com um grande sorriso e abraçou a mulher loira mais velha. — Mary, Lorena, Lorena, Mary. - disse ela, sorrindo e apontando para as duas, e elas trocaram um rápido abraço como cumprimento.

— Que bom finalmente te conhecer. - disse Mary, e as bochechas de Lorena coraram. Eduarda falava dela?

Mary é a governanta que ajudou os pais de Eduarda a criá-la, junto com sua irmã mais nova. Eles costumavam visitar a casa com frequência, mas agora estão todos ocupados demais para sequer pensar em viajar por algumas horas só para visitá-la.
Ela passa o tempo lá com o marido, que também se dedica a manter a casa impecável, para que, quando os Fragoso decidirem, tudo esteja perfeitamente organizado. Mary e Eduarda têm uma conexão mais profunda do que qualquer outra pessoa; ela é como uma segunda mãe para Eduarda. Às vezes, elas conversam até mais do que Eduarda conversa com a mãe. Isso também acontece porque Mary é a única que sabe sobre Lorena, o que faz com que Eduarda queira conversar ainda mais com ela, pois precisa contar a alguém como se sente em relação a tudo isso.

 

— Eu... nós... - Eduarda gaguejou, olhando para Mary com as sobrancelhas franzidas, deixando claro que não deveria ter dito aquilo. — Precisamos comer alguma coisa, e estou sentindo um cheiro delicioso. - Ela assentiu e sorriu.

— Claro que tem comida boa, eu que cozinho, querida. - disse Mary, arqueando as sobrancelhas e se virando para guiá-las até a cozinha. Mesmo sendo tarde, Mary preparou o jantar a pedido de Eduarda.

Como eram apenas os quatro; Robert, marido de Mary, também estava presente, elas comeram na mesa da cozinha, e não na sala de jantar ao lado. Elas conversaram sobre assuntos familiares. Eduarda contou que sua irmã, Daphne, está estudando na Europa agora, o que não era novidade para elas, já que Clarice também as considera como família e sempre liga para contar as novidades. Mary contou a Lorena algumas histórias engraçadas da infância de Eduarda, o que fez Lorena rir alto. Eduarda deu uns tapinhas de brincadeira na mão da mulher mais velha, porque estava a deixando constrangida.

A casa parecia ainda maior por dentro, mobiliada com peças vintage que se misturavam a estampas clássicas, tudo transmitindo uma sensação aconchegante.

Depois do jantar, sabendo que Lorena adoraria, Eduarda a levou para a biblioteca, tão incrível quanto tudo na casa. Lorena passava o dedo por uma estante quando Eduarda voltou do outro lado da sala para abraçá-la por trás, cheirando seu pescoço. O contato repentino fez a espinha de Lorena estremecer e ela soltou uma risadinha.

— Acho que você prefere livros a mim. - disse Eduarda, ainda com o rosto no pescoço de Lorena. A morena de olhos verdes sentiu um sorriso se formar nos lábios da mulher.

— Talvez. - respondeu ela, pensativa.

— Sério? - perguntou Eduarda, olhando para o perfil de Lorena, ainda a abraçando por trás.

— Posso levar um livro comigo para onde eu for e ele pode me pertencer para sempre. - disse ela, olhando para baixo com um sorriso triste nos lábios rosados. O que ela realmente queria dizer era que estava sendo clara.

Eduarda ouviu isso e assentiu levemente. Ela não respondeu.
Permaneceram em silêncio, o único som na biblioteca era o estalos da chama da lareira, até que Lorena bocejou.

— Você está com sono. - disse Eduarda, dando um beijo rápido na bochecha de Lorena. — Vamos. - disse ela, caminhando com Lorena ainda em seus braços, subindo lentamente as escadas enquanto fingia morder o pescoço de Lorena, fazendo-a rir.

— Boa noite, pessoal! - gritou Eduarda do andar de cima para o casal que estava em algum lugar da casa e fechou a porta do quarto atrás de si.

Lorena agora encarava as fotos em uma escrivaninha de madeira branca no canto do elegante quarto, claramente redecorado para uma Eduarda adulta, rindo de Eduarda por causa de suas muitas expressões faciais; em algumas delas, ela parecia uma garotinha travessa.

— Você era engraçada. - disse ela, apontando para uma das fotos. — Bonita também. - sorriu, e Eduarda riu ao seu lado.

— Sim, era. - assentiu, puxando Lorena pela cintura e suspirando. Elas continuaram se encarando. Lorena não tinha certeza se deveria dizer algo, se deveria perguntar o que estava acontecendo, se deveria perguntar por que Eduarda havia contado a Mary sobre ela, por que estavam ali. Provavelmente não deveria, então não perguntou.

— Você trouxe aquele pedaço de tecido preto do inferno/paraíso com você? - perguntou Eduarda, erguendo as sobrancelhas com um sorriso malicioso.

— Sim, está bem ali. - apontou para a bolsa no outro canto do quarto.

— Perfeito. - disse Eduarda, envolvendo Lorena com os braços e a levantando um pouco do chão para beijá-la. — Amanhã vamos aproveitar bem. - disse ela enquanto Lorena envolvia as pernas em sua cintura.

— Certo. - sorriu entre o beijo molhado, e Eduarda sentou-se na beirada da cama com Lorena a abraçando.

— Se você continuar assim, podemos usar agora. - disse Eduarda entre os beijos.

— Não! - respondeu Lorena, soltando o lábio inferior de Eduarda antes de empurrá-la contra a cama para finalmente sair de seu colo e ir direto para o banheiro.

Elas se prepararam para dormir e logo estavam enroscadas sob os cobertores, novamente com o som agradável das chamas crepitando na lareira.

— Você não vai sair antes do sol nascer desta vez, vai? - Lorena pensou cem vezes antes de perguntar, e mesmo parecendo demais para dizer, ela perguntou.

— Não. - Eduarda sorriu, e Lorena lhe deu um último beijo antes de adormecer no calor do corpo de Eduarda.

Pela primeira vez em dois anos, Lorena abriu os olhos para a beleza à sua frente, ainda imersa em sonhos, com as feições relaxadas e a pele pálida parecendo tão macia enquanto os raios de sol começavam a entrar pelas janelas. Ela admirou a vista por um instante, sorrindo sozinha; poderia se acostumar com aquilo.
Seu estômago dava voltas, talvez Eduarda a tivesse levado ali para começar algo sério, talvez.

— Hum...- disse Eduarda, mal abrindo os olhos para o quarto que já estava ficando claro com o sol da manhã, e Lorena deu uma risadinha.

— Mal-humorada de manhã?

— Mais ou menos. - ela respondeu, rindo também. — Que horas são? - perguntou baixinho.

— 9h56. - disse Lorena, virando-se para olhar o celular no criado-mudo.

— Precisamos acordar ou vamos perder o café da manhã da Mary, e isso não pode acontecer.- disse ela, balançando a cabeça contra o travesseiro, e Lorena ficou impressionada com o quão fofa ela estava.

— Certo. - disse ela, agarrando os cobertores com as duas mãos. — VAMOS ENTÃO! - gritou, puxando todos os cobertores de cima delas, o que fez Eduarda gemer.

— Lorena, isso é grosseiro. - resmungou ela.

— Você que disse isso. - respondeu Lorena com um sorriso irônico.

— É, mas poderia ser algo como... ''acordar devagar''. - disse Lorena, sorrindo.

— Ok, vamos lá. - disse Lorena, e ambas tomaram um banho rápido e desceram.

Comeram as deliciosas panquecas de Mary com frutas frescas colhidas ali mesmo na propriedade. Eduarda tinha razão quando disse que não podiam perder, e o mesmo valeu para o almoço.

Passaram a tarde de sábado caminhando pela propriedade. Eduarda mostrou a Lorena os lugares onde costumava se esconder da mãe ou até mesmo de Mary quando estavam voltando para Manhattan. Mostrou-lhe a casa na árvore que Robert construiu para elas e contou algumas histórias engraçadas sobre o que acontecia lá dentro. Lorena não conseguia acreditar que fosse possível se apaixonar ainda mais por Eduarda, mas estava se apaixonando lentamente enquanto ouvia a garota contar sobre sua infância, seus olhos escuros brilhando ao se lembrar dos detalhes e compartilhá-los com ela.

O sol começou a se pôr e a neve no chão estava ficando mais espessa, então elas decidiram voltar para dentro. Subiram imediatamente as escadas e, ao abrirem a porta do quarto de Eduarda, Lorena se deparou com um cômodo escuro iluminado apenas por velas vindas do banheiro. Ela olhou para Eduarda, que deu de ombros e foi ver o que estava acontecendo. O banheiro estava cheio de velas e um banho quente as aguardava.

— Eu não pedi nada. - disse Eduarda, olhando para o banheiro e balançando a cabeça, mentindo descaradamente.

— É, a Mary é simplesmente a pessoa mais legal do mundo. - Lorena sorriu e se virou para abraçar o pescoço de Eduarda.

— Ela é mesmo. - ela riu baixinho e beijou os lábios de Lorena ternamente.

Elas adoravam o banho juntas, a água morna envolvendo seus corpos unidos, a espuma fazendo cócegas em seus rostos às vezes, o vapor do banheiro tornando o calor quase insuportável. Nada se comparava ao que Lorena estava sentindo. Seu apartamento também tinha uma banheira que elas costumavam usar, mas não era nada tão romântico quanto aquilo, pelo menos não no mesmo contexto.
Ela tinha medo de fazer coisas assim, talvez Eduarda pudesse se assustar ou algo do tipo, então ela nunca fazia.
Depois do longo banho, Lorena cumpriu a promessa e tirou sua lingerie preta da bolsa. E elas terminaram o que já haviam começado.

Na manhã de domingo, Lorena abriu os olhos antes dos de Eduarda novamente. Eduarda estava aconchegada atrás dela, respirando em seu pescoço. Ela fez um movimento lento, tentando não acordá-la, e se virou para encará-la. Ela gostava daquele momento, de guardá-lo só para si. De gravá-lo na memória. Dia e noite com a mulher por quem era apaixonada.
Lorena ainda esperava uma explicação melhor sobre o porquê de Eduarda tê-la levado até ali. Será que havia uma explicação melhor ou era apenas um passeio simples? Onde estava o namorado de Eduarda? Por que ela estava mostrando todas aquelas coisas? Ela queria muito ouvir todas essas respostas, mas tinha medo de perguntar.

Eduarda acordou e logo desceram para saborear novamente a comida perfeita de Mary. Eduarda e Robert foram até a garagem logo após a refeição, onde ele queria mostrar a ela um problema na moto da irmã dela.

— Como ela veio parar aqui comigo? Onde está o namorado dela? - perguntou Lorena após um minuto de silêncio entre ela e Mary, agora que estavam sozinhas.

— O David está viajando. Ele foi para Los Angeles resolver algumas coisas do trabalho. - respondeu a mulher, levantando-se da cadeira. — Ela se importa com você. - acrescentou enquanto levava a louça para a pia.

— Eu também me importo com ela. - disse Lorena depois de um minuto, e Mary sorriu. Ambas sabiam o que aquilo significava.

— Ela mesma não vai te contar. Nunca conta. - disse, fazendo uma careta e balançando a cabeça levemente.

— Nunca? - perguntou Lorena, erguendo as sobrancelhas, curiosa.

— Nunca. Ela não gosta de parecer vulnerável. Acho que ela me disse isso duas vezes em vinte anos. - riu e sentou-se ao lado de Lorena.

— Você sabe por que ela me trouxe aqui? - perguntou Lorena, olhando para as mãos sobre a mesa.

— Porque ela se importa com você. - repetiu ela. — Acho que essa é a forma dela demonstrar.

— Então ela faz isso com frequência? - Lorena deu uma risadinha, sem realmente se dar conta de que Eduarda poderia já ter feito tudo aquilo com outra pessoa.

— Não, ela nunca trouxe ninguém aqui. - respondeu com um pequeno sorriso nos lábios.

— Ah...- disse ela, olhando para baixo novamente e suspirando. — Não sei o que fazer.

— Ela vai se dar conta disso eventualmente, querida. - disse Mary, acariciando a mão de Lorena.

— Mas e se ela não fizer isso? - perguntou com um nó na garganta.

— Esse é um risco que você precisa analisar para ver se consegue lidar com ele. - disse com um sorriso suave, seus olhos azuis fitando os verdes.

— Eu consigo?

— Não sei, você consegue?

Sim, ela consegue, por Eduarda, mas sabe que também não pode simplesmente moldar sua vida em torno da espera interminável por ela.

— Ela provavelmente vai chorar quando ver isso... - disse Eduarda entrando na cozinha com Robert, ambos rindo, conversando sobre como Daphne, sua irmã, se sentiria ao ver a pintura de sua moto arruinada por algum animal selvagem que entrou na garagem.

— Ela chorou quando ela ficou coberta de neve, você se lembra? - disse o homem e ambos riram, Eduarda sentando-se ao lado de Lorena.

— É... - ela riu baixinho ao se lembrar e deu um beijo na bochecha de Lorena.

— Lorena, precisamos cuidar disso... - ela estava dizendo quando seu telefone começou a tocar no bolso. Ela franziu as sobrancelhas; não esperava nenhuma ligação do trabalho.

— Oi, Sr. Jairo! - disse ela, tentando parecer feliz com a ligação repentina. Lorena a observou enquanto ela assentia repetidamente.

— Sim, claro. - respondeu, com o sorriso desaparecendo do rosto. — Sim. - assentiu. — David e eu ficaremos felizes em ir, senhor. - disse e fechou os olhos. Ela sabia que aquilo não era bom. Dizer aquilo bem na frente de Lorena, no meio do fim de semana perfeito delas.

Lorena ouviu aquilo e o que ela pensou inicialmente estava certo. Aquilo não passava de uma viagem, para Eduarda aproveitar o fim de semana sozinha. Nada de especial ou diferente aconteceria com o relacionamento delas depois disso. Mesmo que Lorena tivesse pensado, alguns minutos antes, que era capaz de esperar por Eduarda, seu coração dolorido não tinha tanta certeza.

''I'm not too blind to realize,

That when I'm free from the grip of this life,

You won't be there by my side''

Lorena tentou manter a compostura depois daquela ligação, mas a felicidade breve e interminável do fim de semana começou a se dissipar rapidamente. E Eduarda percebeu.

— Me desculpe. - disse Eduarda baixinho, enquanto a cabeça de Lorena repousava em seu peito nu mais tarde naquela noite.

— Não quero que você se desculpe mais, Eduarda. Preciso de respostas logo. - disse ela tristemente.

— Por favor, eu só preciso de mais tempo, não desista de mim agora. - sussurrou, fazendo uma lágrima escorrer do olho esquerdo de Lorena.

Lorena não respondeu, apenas a abraçou com força e elas adormeceram. De manhã, voltariam para a cidade e tudo voltaria ao normal. Só por aquela noite, mais uma vez.
Elas partiram na segunda-feira, bem cedinho. Lorena ficou quieta durante toda a viagem e Eduarda não a culpava.

— Até mais? - Eduarda perguntou, incerta da resposta, depois de ajudar Lorena a levar a bagagem para dentro do apartamento, mesmo que fosse desnecessário, já que o elevador daria conta.

— Sim. - Lorena tentou sorrir.

— Ok. Ótimo dia de trabalho, amor. - disse ela, dando um beijo em Lorena antes de fechar a porta do apartamento da garota.

 

Dois dias depois, Eduarda disse a Lorena que não poderia passar por lá naquela noite e decidiu aceitar o novo convite que Maggye lhe fizera pela manhã. Elas iriam a um restaurante mexicano para comemorar o novo apartamento de Giovanna, que estava claramente feliz com a mudança, pois no apartamento anterior sua colega de quarto tinha um gato malvado e o vizinho gostava de acordar no meio da noite para tocar bateria.

— Por enquanto, eu gostaria de um prato de Fajitas e Churros Mexicanos, e para beber, uma Piña Collada Frozen. - disse Maggye à garçonete que anotava os pedidos.

— Eu gostaria do mesmo, mas com água com gás. - disse Lorena logo em seguida.

— O quê? Não, não, ninguém bebe água aqui, ela vai querer um Mojito. - disse Giovanna, sorrindo para a garçonete e colocando a mão na boca de Lorena para que ela não pudesse discordar.

Lorena normalmente não bebe. Ela sabe que coisas estranhas acontecem com o cérebro quando se bebe, e ela não podia deixar isso acontecer. Ela tem certeza de que uma das primeiras coisas que faria seria contar tudo o que está guardando para Eduarda. Mas como Giovanna queria muito aquilo e era a comemoração dela, ela decidiu tomar um drink, só um.

— OK! - Bella gritou, colocando seu pequeno copo de dose na mesa com um estrondo, e todas as meninas caíram na gargalhada. Lorena se inclinou para o lado de Giovanna, incapaz de conter a fraqueza causada pelas risadas e pelo álcool.

— BELLA, você... está... - Maggye tentou comentar a performance de Bella, que tomou duas doses de tequila e depois ficou tonta com um dos "tequileiros", mas não conseguia parar de rir.

Lorena batucava na mesa enquanto sua gargalhada alta ecoava pelo restaurante lotado, quando a tela do seu celular acendeu. Ela engoliu em seco, suspirou e o pegou com as mãos trêmulas e a visão embaçada.

Eduarda: Você está acordada? Estou com saudades.

O estômago de Lorena quase embrulhou. Ela não falava com ela desde o início da noite, quando mandou uma mensagem dizendo que precisava ir a um jantar importante com o pai.

Lorena: Sim.

Ela respondeu rapidamente.

Eduarda: Posso ir aí?

Eram 1h57 da madrugada e Eduarda queria vê-la. Ótimo dia para escolher a bebida, Lorena.

Lorena: Não estou em casa.

Suas pálpebras estavam pesadas e seus dedos pareciam não se importar em escrever direito.

Eduarda: Você está bem? Quer que eu te busque?

Eduarda: Lorena?

Eduarda enviou a mensagem enquanto a garota se afastava rapidamente e se esquecia de responder por um minuto.

Lorena: Sim, estou no Tajito's.

Ela simplesmente respondeu, dizendo a Eduarda onde deveria buscá-la.

— Estou indo... - disse Lorena, interrompendo as risadas da garota.

— O quê?????? Mas você só está no seu segundo shot, LOREEEENA...- Giovanna gemeu de frustração por sua amiga estar indo embora novamente.

— Desculpaaaaaa, da próxima vez tomaremos cinco cada uma. - Ela sorriu e deu um beijo na bochecha de cada uma. —Tchau meninas, obrigada pelo ótimo momento.

Ela disse isso fazendo uma reverência com um sorriso irônico no rosto e saiu para pagar a conta.

Eduarda: Cheguei.

Lorena: Estou indo.

Ela saiu do restaurante e logo seus olhos pousaram no carro preto estacionado a poucos metros de distância. Como ela caminhava desajeitadamente com seus saltos, Eduarda saiu do carro para ajudá-la.

— Isso é novidade. - Ela riu baixinho enquanto pegava o braço de Lorena e o colocava sobre seus ombros, guiando-as para dentro do carro.

Lorena sentou-se e encostou a cabeça no banco. Ela sabia o que estava por vir.
Eduarda entrou no carro, fechou a porta e olhou para Lorena com um ar divertido.

— Pare de me encarar. - Lorena mal abriu os olhos e virou levemente a cabeça para olhar para Eduarda.

— Desculpe. - Ela disse, olhando para frente.

— Eu te quero tanto, Eduarda. Você inteira, toda minha. David precisa ir embora, eu vou chutar as bolas dele. - Ela disparou, e Eduarda já estava tensa.

— Eu sei o que você vai dizer. - ela revirou os olhos. — Espera, Lorena, espera, espera, espera mais um pouquinho... mas eu não aguento mais esperar! - gritou dentro do carro ainda estacionado, e o coração de Eduarda disparou.

— Você não pode me deixar te vendo indo a festas com esse seu namorado idiota e perfeito. - Ela começou a chorar baixinho.

Eduarda estava arrasada. O dia temido havia chegado. O dia em que Lorena perceberia que merecia o mundo e não alguém que não tinha coragem de viver ao seu lado publicamente.
Ela não tinha nada de novo para dizer a Lorena; ela ainda não estava pronta. Além da família, havia o chefe, os colegas de trabalho, David.

— Me desculpa...

— Eu não quero ouvir essa palavra de novo! - disse, batendo com as duas mãos no painel do carro, depois balançou a cabeça levemente e enxugou as lágrimas. — Eu só quero ouvir que você vai ficar comigo. - disse com o coração em chamas.

— Lorena, olha para mim. - Eduarda disse, tentando virar o rosto de Lorena para o lado segurando seu queixo, mas a garota afastou sua mão.

— Olha pra mim por favor... - Ela repetiu, tentando novamente, e dessa vez Lorena permitiu. — Eu prometo a você, agora mesmo, que em menos de dois meses tudo estará resolvido. - Ela disse, séria, encarando os olhos verdes que agora pareciam mais despertos.

— Eu não me importo com promessas, me importo com ações. - Lorena disse, cerrando os dentes.

— Eu já te prometi alguma coisa? - perguntou rapidamente. — Responda.

— Não. - Lorena disse, percebendo que nunca havia prometido nada a ela antes.

— Isso é suficiente para você acreditar em mim desta vez? - perguntou Eduarda, torcendo com todas as suas forças para que a resposta fosse positiva.

— Não. - Lorena respondeu, encarando os olhos escuros. Eduarda engoliu em seco e soube o que tinha que fazer. Ela segurou os cabelos de Lorena na nuca com a mão direita e a outra no pescoço da garota, puxando-a para mais perto.

— Eu te amo, Lorena. - sussurrou a poucos centímetros de sua boca.

Lorena deu um pequeno pulo no banco, sentiu um frio na barriga e o coração quase saltando pela boca, mas seu rosto ainda estava entre as mãos de Eduarda. Levou alguns instantes para processar aquilo e então uniu seus lábios aos dela com toda a paixão que conseguiu, e Eduarda se derreteu imediatamente. Lorena não a deixaria.

"I'm on a fire escape,

Where you said to wait,

And I did, yes I did,

I heard the cold wind say,

You're a fool to stay,

But I did, yes I did,

No...you're not my home,

No... you're not my home"

Um mês depois, Lorena e Bella participariam de um evento patrocinado pelo Sr. Jairo Barroso, chefe de Eduarda. Elas seriam responsáveis por entrevistar alguns convidados e escrever a resenha da festa para o jornal da semana seguinte. Lorena não estava nada animada com a festa; Eduarda estaria lá, com David.

Eduarda sabia que estaria lá e estava nervosa. Ela não queria que Lorena a visse fingindo que tinha olhos para qualquer pessoa além dela, mas ainda assim estava dando o seu show.
Elas trocaram olhares algumas vezes durante a festa, mas não disseram uma palavra sequer. Lorena tentou se distrair com outra coisa, mas seus olhos sempre se desviavam para Eduarda e David, que riam e agiam como se fossem tão perfeitos quanto Angelina Jolie e Brad Pitt.

— Lore, é quem eu estou pensando que é? - perguntou Bella depois de flagrar Lorena olhando para a garota de cabelo ruivo.

— Sim... é ela. - disse Lorena, balançando a cabeça e olhando para baixo.

— Sinto muito, Lore. - Ela disse, acariciando o ombro de Lorena. Elas tentaram dizer a Lorena que ela precisava terminar com Eduarda mais de um ano antes, mas Lorena obviamente não ouviu as amigas, e elas desistiram de tentar.

"I'm on a fire escape,

Where you said to wait,

And I did, yes I did"

Faltava um mês para o fim do tempo prometido a Eduarda, e Lorena esperava pacientemente.
Estavam prontas para entrevistar Rogério Dantas quando uma voz masculina ecoou pela sala cheia.

— Com licença, pessoal! - disse ele alegremente com sua voz encantadora, e Lorena se virou para segui-lo. Era a voz de David. Ele estava no meio da sala, com um microfone, cercado por todos os convidados e por Eduarda.

— Gostaria de aproveitar este momento a meu favor, já que muitas pessoas importantes para nós estão reunidas aqui. Hoje é o nosso terceiro aniversário de namoro, meu e da Eduarda, e eu gostaria de fazer um brinde. - disse ele, sorrindo e erguendo sua taça de champanhe. Eduarda fez o mesmo, com aquele sorriso de "sou uma ótima atriz" estampado no rosto.

Lorena desviou o olhar logo em seguida, mas quando o discurso dele finalmente se transformou no som animado de muitas palmas, ela percebeu o que ele tinha acabado de dizer. O que ele tinha acabado de perguntar.

"I heard the cold wind say,

You're a fool to stay,

But I did, yes I did"

Aquilo pegou Eduarda totalmente de surpresa e ela não encontrou melhor maneira de responder a todos aqueles olhares esperançosos que a encaravam. A resposta de Eduarda decepcionou apenas uma pessoa em meio a toda aquela sala lotada, a única pessoa que importava.

Lorena saiu correndo da festa, soluçando inconsolavelmente.

"Every word I wanted to sing

Got replaced with a wedding ring"

Eduarda aceitou o pedido de casamento de David.