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SxF: Os Jogos Vorazes

Summary:

Dois estranhos. Uma mentira perigosa. Um único sobrevivente.

No Distrito 12, a sobrevivência é uma arte que se aprende cedo. Loid Forger conhece as regras: mantenha a cabeça baixa, observe as sombras e nunca se apegue. Mas, no dia da 74ª Colheita, um impulso fatal muda tudo. Para salvar o jovem Yuri Briar de uma morte certa, Loid se voluntaria, selando seu destino a apenas um dia de completar dezenove anos. Ao seu lado está Yor Briar, uma garota cuja força física só é comparada à sua devoção pelo irmão. Forçados a entrar na arena mais sangrenta da Capital sob o olhar gélido do Presidente Donovan Desmond, eles percebem que a força bruta e a inteligência não serão suficientes contra os tributos carreiristas. Orientados por Sylvia Sherwood, uma mentora amargurada que esconde segredos sob camadas de maquiagem extravagante, Loid e Yor recebem uma missão clara: fingir.
Para conquistar os patrocinadores e sobreviver ao espetáculo, eles precisam convencer Ostânia de que são amantes desesperados, unidos por um romance proibido nas minas de carvão.
Em um jogo onde amar é uma estratégia e confiar é um erro mortal, o que acontecerá quando a mentira for a única coisa que pode mantê-los vivos?

Notes:

- Depois de muito tempo estou escrevendo e publicando algo.
- Não tenho planos para Anya aparecer. Mas quem sabe.
- Projetinho a longo prazo, mas não deve ter tantos capítulos.
- Divirtam, Spy's!

Peço desculpas se há erros, discordâncias com a obra de Suzanne Collins e afins. Sou fã do universo mas não é meu foco (sou muito elfa da floresta, jedi mandaloriana)

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

Capítulo 1

Loid faria dezenove anos amanhã. Depois da Colheita para os Jogos Vorazes. E ele estava decidido a continuar com sua boa sorte de não ser escolhido, mesmo colocando seu nome mais vezes do que sua mãe acharia aceitável.

Como sempre fazia levantou mais cedo naquela manhã, lavou o rosto e se trocou rapidamente, saiu ainda com o céu clareando para a padaria. Ele trabalhava toda manhã junto ao padeiro, enquanto amassava a massa uma sombra passou pelo vidro da padaria, Loid conhecia a rotina das pessoas, de todas as pessoas do 12. Então não ficou surpreso quando a garota passou apressada pela a vitrine e nem quando o padeiro pegou dois pães frescos e resmungou algo quando os passou para ela e pegou o dinheiro.

— Está faltando duas moedas. — Disse enquanto enfiava-as no bolso. — Mas hoje é a colheita e Deus sabe como aquela garota sobrevive com o irmão.

Loid sorriu e elogiou a bondade do padeiro. Mesmo sabendo que ele sempre cobrava mais dela, porque comprava o álcool feito pelo Lojista do Coreto onde ela trabalhava e dava gorjetas para ela lhe servir sempre que pedia porque a achava uma gracinha. Loid sentia vontade de soca-lo.

Yor Briar morava na Costura só com o irmão. Ele não sabia o que tinha acontecido com seus pais, mas imaginava o óbvio. Pai morto nas minas, mãe morta pela gripe. O 12 não tinha médicos bons e nem medicamentos decentes, cortesia da capital por sua rebelião de cem anos atrás. Mas eles se viravam bem com contrabando e Pacificadores comprados. Mas quem não tinha condições para comprar, morria. E Yor e o irmão lutavam para sobreviver.

A mãe dele sempre ajudava. Era professora e dava aulas para a turma de Yuri, então sempre oferecia algo aos órfãos.

— Se Deus não tivesse me curado, você estaria sozinho. E precisamos cuidar uns dos outros. O mundo já é muito cruel o suficiente. — Ela dizia.

Loid era meio ateu. Ou totalmente. Ele roubou os remédios que a curaram da gripe, mesmo tendo apenas nove anos na época. Mas concordava com a mãe num ponto, o mundo era cruel. E parecia gostar de ser cruel. Mas existiam pessoas como sua mãe e como Yor Briar. Pessoas verdadeiramente gentis.

Ele tirou o pensamento das coisas complexas demais e se focou no trabalho. Quando terminou tinha quatro pães e duas tortinhas num saco para o café da manhã. Sua mãe já estava toda arrumada quando voltou e o café feito e a pequena mesa arrumada.

— Bom dia, dorminhoca. — Ele a cumprimentou com um beijo no topo da cabeça largando o saco na mesa com um sorriso.

— Hoje não têm aula. Eu mereço. — Ela lhe deu um tapa no braço sorrindo, nada de pensar nos escolhidos do dia para o massacre daquele ano.

— Tem razão, merece. — Ele se sentou e se serviu de café. O cheiro forte lhe deu um novo ânimo para aquele dia.

— Você precisa se arrumar. — Ela o lembrou enquanto abria o saco. — Nossa, isso é muito.

Loid escondeu sua careta atrás da xícara. Aquilo não era muito, era o mínimo. E ali naquele distrito, naquela desigualdade imposta pela a Capital eles não tinham nem o mínimo. Mas ele não discutiu.

— Viu a Yor? Ela conseguiu comprar hoje?— Ela colocou uma das tortas de cereja em seu prato e partiu um dos pães passando a manteiga que eles tinha conseguido comprar na semana passada.

— Sim, o padeiro foi ‘gentil’ mesmo faltando duas moedas. — ele desdenhou.

O rosto da mãe endureceu. Ela detestava o homem embora reconhecesse o talento de fazer tortas boas. Mas ela seria a primeira a cortar as mãos dele se soubesse o que ele tentava fazer com elas a noite no Coreto.

Loid se arrumou após o café tomando um banho frio do encanamento velho, penteou os cabelos para trás e vestiu sua melhor roupa. Um terno verde oliva que sua mãe tinha remendado. Segundo ela tinha sido do seu pai. Quando voltou para a cozinha que também era a sala deles, já que tinha apenas dois cômodos naquela pequena casa, sua mãe o abraçou forte, ele retribuiu.

— Aconteça o que acontecer, eu te amo. — Ela disse no abraço e depois o soltou e o olhou, acariciando seu rosto. — Você é inteligente, bonito e esperto. — Ela beijou sua testa, tendo que se esticar e ele riu. — E está muito alto. Você é bom e sempre terei orgulhosa de você.

Eles se abraçaram de novo e saíram. Sua mãe sempre fazia aquele discurso. Todos os anos desde que seu nome ia para a colheita.

Na praça central do 12 uma pequena multidão de jovens e famílias se reunia. Pacificadores estavam vigiando e o pessoal da Capital finalizava os preparativos para a transmissão. No palanque em frente a casa do Governador uma esfera octogonal presa em cima de uma haste de ferro com os nomes de todos os jovens e crianças em idade do 12.

Loid seguiu para a fileira dos meninos enquanto a mãe falava com algumas pessoas. Ele viu quando ela foi até Yor Briar, que usava um vestido vermelho, seu irmão de doze anos estava impecável. Ambos tinham cabelos pretos e olhos castanhos que beiravam o carmim. A mãe cumprimentou Yuri e passou para ele um saquinho, provavelmente a segunda torta daquela manhã, o garoto sorriu para ela. Yor agradeceu profundamente e quando soou o alarme todos seguiram para seus lugares.

Sylvia Sherwood subiu ao palco. Os longos cabelos ruivos num coque alto com duas mexas enfeitando seu rosto, muita maquiagem e um vestido estranho demais, com babados em vários cantos. Ela esboçava um sorriso falso para as câmeras e para a multidão. Sempre usando o tom certo para o show. Loid cruzou os braços e implorou que fossem logo para o grande momento. Quanto antes acabasse melhor para todos.

O primeiro nome foi de uma menina de quinze anos. Ele viu o Yuri apertar o punho, Loid manteve a calma, era injusto mesmo. Enquanto as meninas suspiravam aliviadas, Loid passou os olhos até ver a aflição no rosto de Yor. Para ela não tinha acabado e o sofrimento dele começou. Ele olhou de relance para a mãe, que encarava Sylvia tão intensamente que faria um buraco através do tecido.

Sylvia mexeu dentro do vidro teatralmente, ainda mantendo o sorriso. Quando puxou o papel, Loid segurou a respiração. *Só um dia*, pensou. Sylvia abriu o papel numa lentidão enervante, leu com os olhos e depois encarou a multidão.

— Yuri Briar.

Loid soltou o ar. Olhou para mãe, que o olhou aliviada e ao mesmo tempo horrorizada. Na frente dele, com os mais novos Yuri se mexeu lentamente, quando ele olhou procurando a irmã Loid viu o medo do garoto. Um dos Pacificadores se adiantou para tirar Yuri do meio dos meninos e pelo canto do olho Loid viu Yor andar na direção de Yuri. Ele olhou para mãe para se certificar que ela estava no lugar, não faria nenhum bem se intrometer.

— Espera, não! — Yor foi parada por um dos Pacificadores.

— Volta pro seu lugar! — Ele rosnou, segurando seu braço com força.

— Eu vou! Eu sou voluntária! — Yor gritou.

Um silêncio caiu sobre todos. Era óbvio que Yor iria, nem que ela invadisse a Capital. Loid olhou para Sylvia, não havia nenhuma emoção ali e até o sorriso tinha sumido.

— É escolhido um menina e uma menino. Não podemos levar duas meninas. — Ela explicou como se Yor fosse estúpida.

Loid sentiu a raiva borbulhar. Yor nem pareceu notar o tom da apresentadora. Loid olhou para mãe, o rosto aflito observando Yor e depois o olhou. Naquele instante ela pareceu entender algo que ele não tinha percebido.

— Eu vou no lugar dela. — Yor olhou a garota e para o irmão que já tinha sido levado. — Eu vou no lugar dela. — Yor disse mais firme.

O Pacificador que a segurava olhou para Sylvia que confirmou com um aceno e sorriso. A garota foi tirada do palco chorando, provavelmente de alívio. Yor foi escoltada para o palco. Yuri tremia, olhando a irmã entre horror e culpa. Observando os dois ali Loid apenas pensou: os dois iam morre. Não havia nenhuma chance de Yuri vencer e Yor? Morreria para o proteger.

Loid olhou para sua mãe de novo e soltou um suspiro.

— Bem, esses são…

— Eu sou voluntário. Quero ocupar o lugar do garoto. — Loid encarou sua mão levantada e depois Sylvia.

Ignorou o olhar confuso e choroso de Yuri e o confuso de Yor enquanto era levado para o palco após Sylvia concordar. Yuri começou a espernear e os Pacificadores o levaram para dentro da casa do governador. Sylvia finalizou o evento.

— E que a sorte esteja sempre a seu favor. — a emoção forçada fez seu estômagado revirar.

Na multidão ergueram três dedos para o alto, sua mãe. E outros braços foram erguidos a imitando. O programa terminou e os pacificadores os levaram para as salas onde iam se despedir.

— Vejo vocês no trem. Sejam rápidos — Sylvia acenou sem o entusiasmo de antes para eles.

Loid andava de um lado para o outro da sala bagunçando os cabelos quanto mais pensava no que fizera. Era um burro. Um idiota. Porque raios tinha se voluntariado para ficar no lugar de Yuri Briar? O garoto mais irritante de toda Ostânia? A porta se abriu quando ele removeu o blazer. Foi envolvido num abraço apertado.

— Mãe… — o choro arranhou sua voz.

— Shhh, está tudo bem. — Loid a olhou cético. — Ok, mas estou orgulhosa. O que fez por esse garoto…

— Foi idiotice.

— Foi o certo. — ela segurou seu rosto, os olhos, tão azuis quanto os dele, brilhantes com as lágrimas. — Se todos tivessem a coragem para fazer o que fez por todas as crianças de Ostânia os Jogos acabariam.

Loid fungou.

— Ainda assim, eu não pensei! Vou morrer e deixar a senhora sozinha!

Ela voltou a abraçá-lo, deixando que ele tivesse aquele momento para desabafar. Ela acariciou seus cabelos e quando uma batida soou na porta ela o puxou para longe.

— Você é esperto, bonito e inteligente. — Os pacificadores entraram — Sobreviva. Faça o que tiver que fazer, só não se perca!

Ele foi levado.