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Prólogo
O vento soprava suavemente sobre o horizonte, como mais um dia comum nos campos altos — naquele jardim de lápides.
Aethelflaed observava enquanto as últimas homenagens eram prestadas àquela que lhe dera a vida.
Ainda tentava se recuperar do que vira.
Havia um homem que nunca tinha visto antes. Ele estava junto a ela, segurando-lhe a mão.
— Eu estou aqui para você — disse calmamente.
A única resposta foi um leve aceno. Ela apertou-lhe a mão um pouco mais forte, enquanto as lágrimas voltavam a percorrer o seu pequeno rosto.
Seu olhar permanecia distante.
Sabia que sua mãe o esperara até o fim.
Sua mente permanecia presa ao instante em que entrou nos aposentos da princesa. A primeira coisa que viu foi a tapeçaria rica, no tom verde da casa de Eorl.
Grandes janelas se abriam nas paredes de madeira que se erguiam diante dela. Por um momento, apenas observou — então atravessou o grande aposento.
A criança foi trazida de volta ao presente quando o homem enxugou suas lágrimas. Ele não disse nada, apenas a observou, em silêncio.
Agora entoavam uma canção para a princesa, em vozes arrastadas e embargadas.
Nenhuma palavra saiu de sua boca. A última vez fora quando chamava por sua mãe.
Lembrava-se de chamá-la — de vê-la imóvel, com os longos cabelos balançando ao vento.
A criança fora a primeira a encontrá-la.
A princesa estava sentada junto ao parapeito da janela, como fazia todas as tardes.
Mas não houve resposta ao seu chamado.
Em sua mão, um simples colar de ouro se enroscava — fino e delicado. Ethelwyn sempre o mantinha por perto.
Aethelflaed já a vira apertá-lo como se fosse um talismã.
A criança voltou à realidade quando sua mãe foi finalmente sepultada.
E o seu mundo tornou-se ainda mais vazio. A única coisa que parecia real ali era a mão do homem segurando a sua.
A cerimônia se encerrou, e a corte de Rohan partiu da colina, enquanto a menina observava o homem caminhar até o túmulo recente. Seus passos eram calmos e firmes.
Ele se abaixou diante da sepultura no mesmo instante em que uma chuva fina começou a cair, lavando-lhe o rosto. Tudo pareceu ganhar mais peso: o cheiro de terra molhada, o frio que se seguiu, e os dois sozinhos naquele horizonte onde as flores de simbelmynë enfeitavam a morada dos que já foram.
— Agora você está sob minha tutela — disse a figura, ainda de costas. A presença dele era muito diferente de tudo o que já conhecera.
A criança mantinha o olhar na direção de Meduseld.
Ele se aproximou e lhe entregou o fino colar de ouro que pertencia à sua mãe.
— Vamos — disse, de maneira calma, como se receasse falar com ela.
Ao se aproximar dos cavalos, ela percebeu outra figura incomum, recostada a uma árvore. Era o espelho do primeiro — igualmente sereno.
E então partiram, rumo à sua nova casa.
