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O caminho até Tairanya foi longo e silencioso. Todos se recuperando da batalha e pensando em como as coisas seriam daqui pra frente. Bagi em específico pensava nas opções que ela poderia tomar, qual seria a melhor?
Sua esposa havia feito a sua decisão, se recolher no fluxo e hibernar eternamente. Já havia feito o que tinha que fazer e estava muito mais que cansada. Por mais difícil que fora aceitar, seria tão egoísta de sua parte pedir para ela continuar ali. E foi por essa razão que ela agarrou na capa de Gabe ao invés de sair da Arka quando chegaram no novo ecossistema. Seu lugar era ao lado dele.
— Eu vou com você. – Gabe a olhou como se já tivessem tido aquela conversa um milhão de vezes. – Não me importa o quão longe seja, se vão me esquecer ou sei lá mais o que, mas eu não vou ficar longe de você.
— Hannya deixou apenas eu e meu filho entrar, irmã. Não é tão simples assim...
— Ah mas ela vai deixar sua alma gêmea entrar sim e a Amora também, caso ela queira ir junto. – a última fala chamou a atenção de algumas pessoas que estavam ali. – Eu já perdi a Moon, não me deixa ficar sem você também...
Gabe suspirou.
— Bem, eu nunca consegui dizer não pra você mesmo. – riu sem humor. – Pode vir, também não quero ficar longe.
Bagi soltou a respiração que havia prendido, sentindo seu corpo relaxar um pouco.
— Perai... a Amora não precisa ir junto, né? – Meiaum se intrometeu.
— Isso vai depender dela. – a obstinada disse e os olhares se viraram para a fantasma roxa que estava atônita.
— Vamos pra fora resolver isso, o que acham? – Hugo sugeriu.
Do lado de fora tudo era tão diferente do que já haviam visto, entretanto isso não prendia atenção deles.
Malena disse que aceitaria o que quer que a filha decidisse, fosse ficar ou ir, e no fundo ela já sabia o que a pequena escolheria. Yas e Meiaum queriam ir junto porém Gabe logo disse que não era possível. Hannya havia concedido passagem apenas para ele e seu filho, o obstinado poderia convencer o fluxo a deixar sua alma gêmea e sua filha entrarem, como Bagi havia dito, mas além disso? Nem pensar.
— Eu sinto muito. – Amora disse com pesar, seus olhos roxos cansados e cheios de lágrimas. – Não tem como ficar, eu não posso esquecer... – Olhou para o irmão, perto da Arka, que tentava mascarar a tristeza e falhava miseravelmente.
Meiaum e Malena abraçaram sua filha forte aceitando a escolha dela, por mais difícil que fosse. Yas não conseguia aceitar de forma alguma e tentou o máximo que pode porém nada mudaria a decisão tomada.
Amora iria para Hannya.
A fantasminha abraçou sua mãe e susurrou em seu ouvido que era apenas um até logo. Após soltá-la olhou para Trevor e GG como se dissesse "𝘊𝘶𝘪𝘥𝘦𝘮 𝘥𝘦𝘭𝘦𝘴." no qual os dois assentiram.
Quando chegou em frente a Arka olhou para trás uma última vez e entrou deixando tudo para trás.
Assim que partiram em direção ao ecossistema isolado, Denix puxou Amora e provavelmente foi o abraço mais forte que já havia dado nela.
— Nunca mais faz isso, por favor. – as lágrimas tomavam seu rosto, a voz trêmula e os braços segurando sua irmã como se tivesse medo do momento não ser real. – Eu pensei que nunca mais ia te ver, que você ia me esquecer e de tudo que a gente viveu–
— Eu jamais conseguiria viver sem você, Denicos. Você tá comigo desde o primeiro dia... não vai ser tão fácil se livrar de mim. – Denix riu em meio ao choro se desvencilhando da irmã.
— Te amo, Amora. Muito. – a declaração repentina e inusitada pegou a garotinha de surpresa, que numa voz fina respondeu:
— Também te amo, Denix.
— Agora somos só nós. – Gabe susurrou observando a cena.
— Como sempre foi. – completou Bagi, seu rosto inchado de tanto chorar.
Hugo aconselhou os quatro a tentarem descansar um pouco, visto que a procura por Hannya seria mais difícil e assim eles fizeram. Denix e Amora apagaram no colo de seus pais enquanto os mais velhos dormiram escorados um no outros. Quando foram acordados não sabiam quantas tempo tinha se passado mas haviam chegado em seu destino.
𝘏𝘢𝘯𝘯𝘺𝘢.
— Gostaria de ficar e desbravar esse fluxo com vocês mas... precisam de mim lá. – Hugo disse tristonho. – Eu prometo que se não me esquecer vou dar um jeito de criar um meio de comunicação.
— Não esquenta a cabeça não, a gente sabe se virar. – brincou Gabe. – Obrigado por tudo, Hugo.
Os dois se abraçaram por um momento e depois foi a vez dos fantasmas se despedirem.
— Tchau, pai. – Bagi disse com a voz embargada pelo choro.
E a família partiu rumo ao desconhecido.
Logo que Gabe abriu os olhos checou se a irmã e a filha haviam conseguido entrar e para sua tranquilidade elas conseguiram.
Ao primeiro olhar a vegetação era escassa, vida animal parecia não existir e tinham apenas ruínas do que um dia foram casas, talvez templos. Andaram um pouco explorando o local, mapeando algumas coisas mas logo passaram a procurar um lugar para descansarem, encontrando uma caverna.
O peso da decisão recaia em seus ombros conforme pensavam mais e mais. A maldição já tinha acontecido? Todos já os esqueceram? Ou aquilo valia apenas para a entidade em si? Perguntas e mais perguntas que não levariam a lugar algum.
Num montinho de folhas no canto da caverna os fantasmas desabaram de cansaço e dormiram no mesmo instante abraçados um ao outro. Gabe cobriu os filhos com sua capa e foi na direção da irmã em seguida, que se encontrava sentada perto de uma pequena fogueira um pouco mais a frente.
— Como você tá? – sentou-se ao lado dela.
— Com medo. – sussurrou receosa de que se falasse mais alto sua voz quebraria. – Eu não me arrependo de vir com você, de jeito nenhum, só não sei como vão ser as coisas sem a Moon daqui pra frente...
Sabendo que não importava o que dissesse nada ajudaria, o obstinado apenas à abraçou. Sentiu uma das asas de Bagi o envolver, como forma de retribuir o carinho.
— Obrigado por ter vindo. – disse baixinho.
— Obrigada por ter me deixado vir. – ambos riram de leve. – Mas agora vamos descansar, temos um vale pra reconstruir né? – Gabe assentiu.
— Boa noite, irmãzinha.
— Boa noite, irmão.
Os dois pegaram no sono ainda abraçados, encostados na parede da caverna. Afinal são um pelo outro até o fim.
