Chapter Text
"Maldita Miss Right. Seus olhos escuros me cativam, engolem minha alma, e eu te odeio um pouco mais por isso. Maldita Miss Right, você sabe como não suporto ver seu sorriso brilhante para outras garotas, não sabe?
Maldita Miss Right, o jeito que você fala, suave e firme, faz meu corpo se arrepiar. Oh, maldita Miss Right, as curvas do seu corpo tiram-me de órbita, delicadas e chamativas. Maldita Miss Right, será que minha ínfima presença lhe chama a atenção? Diga-me, Miss Right, o que sou para você?
Maldita Miss Right, odeio te ver passando pelas mesas do escritório como se eu não estivesse ali, implorando pela sua atenção. Maldita Miss Right, olhe para mim! Em algum momento, minha companhia lhe foi importante? Senhorita Miss Right, se eu te contasse que no final do dia minhas juntas e músculos doem pelo nervosismo que você me causa, você se importaria? Maldita Miss Right, qual a relevância da minha presença em sua vida? Maldita Miss Right, por que passa o dia fingindo que não me vê? Que não percebe meus olhos fixos em você?
Maldita Miss Right, se alguém melhor aparecesse, você partiria? Maldita Miss Right, o que sente por mim? Maldita Miss Right, ter você na minha vida é minha maior maldição.
Maldita Miss Right, queria que soubesse o quanto odeio seus cabelos hidratados, seu perfume frutado, sua maquiagem sempre impecável, suas roupas sempre tão lindas, seus óculos de secretária que a deixam parecendo uma personagem de ficção, sua voz adocicada que invade meu corpo, todo o seu ser.
Maldita Miss Right. Eu não te odeio. Não sou, de forma alguma, capaz de te odiar.
Amada Miss Right, meu corpo clama por ti. Amada Miss Right, seu nome em meus lábios é como a mais sagrada e perfeita das orações. Amada Miss Right, todos os dias, tudo que desejo é vê-la. Amada Miss Right, desejo dia e noite deixar de ser um momento passageiro de sua semana. Amada Miss Right, queria tanto que fosse minha.
Amada Miss Right, será que algum dia deixarei de ser a pessoa que lhe supre nas noites solitárias para me tornar quem está sempre ao seu lado? Será que em algum momento seu coração palpitará por mim, assim como o meu palpita por ti?
Amada Miss Right, seja minha, torne-se minha companheira eterna, minha suave amada. Ou então, maldita Miss Right, vá embora, deixe-me em paz e saia do meu caminho, pois enquanto seu delicioso perfume invadir minhas narinas, e a memória do seu sorriso, minha mente, eu não terei paz."
— Park Minju, a chefe está te chamando.
Os olhos grandes de Wonhee fitam meu rosto, os lábios formando um pequeno sorriso. Maldita, ela sabe que estou ferrada e está achando graça. Depois vai falar na minha orelha o resto do dia.
A semana não tem sido boa. É um ótimo mês para abrir os pulsos e morrer. Wonhee é uma ótima amiga, mas, Jesus, como é implicante. Minha mãe? Está me irritando até por existir. A faculdade me deixa maluca. Tudo parece dar errado, e agora Yunah vai me demitir, tenho certeza.
Eu surtei, errei e admito. E, meu Deus, como eu queria voltar atrás, rasgar a carta que escrevi com tanto ódio no coração e comer cada pedacinho. Deveria tê-la deixado guardada, queimado para ver se as minhas energias iam para o universo e me atraíam algo, como sempre dizem no TikTok. Mas não. Tive que largar na mesa de Yunah. Ela não é a maldita, eu que sou! Eu criei esse problema, é uma responsabilidade minha e vai causar o meu fim.
Vou morar na rua. Desempregada para o resto da vida. Nunca vou me casar porque estou presa na minha chefe perfeita. Nunca serei feliz porque não tenho amigos e não terei dinheiro em alguns minutos. Minha única salvação será beber muita cerveja barata e comer amendoim enquanto o mundo desaba.
E quer saber? Isso nem valeu a pena! No final do dia, beijar aqueles lábios macios e adocicados não vai me ajudar em nada. Maldita perfeitinha, por que você tinha que me deixar tão desequilibrada? A culpa é do seu cabelo estilo anos 80 e desses olhos felinos, que sempre olham para mim com tanto carinho. Um carinho que nunca tive. Sapatona louca, Senhor, vai acabar com a minha vida!
A porta range no mesmo ritmo em que minhas costas se arrepiam. Os olhos de Yunah se fixam nos meus, parecendo obscuros. Não há o olhar caloroso que costumo ver.
Minha carta. Minha carta está na sua mão, sendo apertada com força, amassada. A outra mão serve de apoio para o seu rosto delicado, tampando sua boca.
— Senhorita Noh, me chamou? — Minha voz sai mais trêmula do que esperava. Deus, vou passar mal. Fecho a porta e lentamente ando até a frente da sua mesa. Porra, mexa os olhos, Yunah, pare de me olhar assim. — E-está tudo bem?
— O que é isso? — A voz dela sai grossa. O tom grave arrepia minha pele. Queria tanto beijá-la. — Que carta é essa, Minju?
Vou vomitar. Meu estômago está revirando. E por que estou suando tanto? Eu queria isso, não queria? Queria que ela soubesse como me sinto. Então, por que parece que vou desmaiar? Eu preciso. Preciso olhar nos olhos dela e dizer tudo. Não consigo.
— Eu... — Eu te amo. Deus, Yunah, eu te amo. Amo como louca. Queria voar nos seus lábios, grudar meu corpo ao seu e morrer agarrada em ti, sentindo seu toque na minha pele ardente de desejo por ti. Eu te quero, quero ser sua e te ter só para mim. Meus olhos estão enchendo, meu nariz está coçando e, Cristo, sinto minha garganta fechar. Eu vou chorar. — Eu te odeio, Yunah. Não sei por que escrevi isso, por que fiz isso, mas eu te odeio. Eu não quero mais te ver, não quero ser o seu segredo noturno e muito menos a garota que vai virar fofoca por meses. Por favor, não me procure mais.
Droga, estou chorando. Por que não consigo segurar? Por quê? Meu corpo está tremendo, e sequer consigo olhar para ela, não consigo fazer sequer o mínimo. Minha voz saiu firme, isso é bom, não é? Eu consegui falar, não gaguejei, e apesar de estar chorando, eu consegui.
— Olhe para mim enquanto fala isso, Minju. E tenha certeza do que está falando.
Ela é louca? Cachorra, eu falei! Falei tudo, o que mais você quer ouvir? Meu olhar encontra o de Yunah, seus olhos frios, é o que se esperaria de uma chefe, eu acho. Senhor, isso é tão fanfic angst de Kavetham, que ridículo. Não consigo conter um pequeno riso, que situação em que me coloquei.
— Eu não quero mais te encontrar, Yunah. Não sou um brinquedo ou algo que você pode usar quando quiser e sumir. Não me procure mais.
Sua risada ecoa pela sala, alta e genuína. O que diabos ela tem na cabeça? Eu estou falando sério aqui.
— Minjunie, vamos nos encontrar quando seu turno terminar, okay? Você não está pensando direito agora.
Sua voz sai suave, quase divertida. Ela acha graça em me ver assim? Maldita!
— Eu não vou te encontrar, Yunah. Não falo isso como sua funcionária, mas como a pessoa com quem você se relacionou, você reconheça isso ou não. Eu não vou te ver mais, e você não vai me procurar.
Ela sorri, um sorriso largo e de dentes, lindo o suficiente para me tirar de órbita.
— Pode voltar ao trabalho, Minju. Assim que terminar seu turno, me espere que eu irei te levar para casa, tudo bem?
— Yunah, você–
— Eu entendi, Minju. Não estou te pedindo nada, estou falando que eu irei te levar para casa. Agora, volte para os seus afazeres.
Yunah sorri novamente, agora um sorriso contido e gentil, meu coração palpita e meu estômago revira. Deus, eu quero tanto ela, e, porra, essa cachorra me deixou sem palavras.
