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Mousse de chocolate com cascas de cebola?

Summary:

— O Zoro come dormindo? – Ussop perguntou.

— Parece que sim.

— Será que ele come isso aqui também?

Jogou uma cebola crua em sua direção. Por que ele tinha isso consigo? Quem saberia? Mas era perfeitamente maldoso.

Work Text:

Poucas coisas irritavam Sanji mais do que Zoro, e pior do que o próprio Zoro, apenas seu sono constante. E era estranho, pois enquanto aquele maldito cabeça de mato, alga, jaca, e qualquer coisa verde que possa se pensar, dormia era o único momento em que não estava o enchendo o saco por aí, e isso deveria ser bom, certo? Errado.

Não queria admitir, mas já havia o observado dormindo serenamente inúmeras vezes, mesmo que achasse ainda mais revoltante a forma em que ele conseguia dormir em qualquer lugar, qualquer mesmo, e ainda mais quando ele acordava ainda sonolento e preguiçoso. Se perguntava como aquele desgraçado conseguia ser tão adorável com os braços esticados para cima, os olhos meramente abertos enquanto bocejava por aí.

Quando chamava todos para comer e Roronoa estava dormindo, fazia questão de o olhar enquanto se levantava preguiçosamente e repetia o ato de esticar seus braços e bocejar com seus olhos cerrados, sabendo que ficaria irritado e perguntaria o que diabos ele está olhando tanto. Nada, apenas um cabeça de jaca em um dos seus raros momentos de adorabilidade. 

— Está gostoso?

— Uhnm? Você nunca pergunta isso. – Ussop respondeu.

— Desta vez estou perguntando.

— Está. – Ussop foi o único que respondeu, de novo. Talvez porque Luffy estivesse engolindo tudo que conseguia e Zoro fazendo birra consigo como o usual, apesar de que, sua boca também estava cheia.

— Que bom, usei ingredientes que estavam apodrecendo para fazer sua comida. Mas não é um problema se está bom, não é?

— Oe, Sanji!!!

Sorriu maldoso, até olhar para Zoro com um semblante ainda sonolento e já com seu prato limpo, fechou a cara. O observou se retirar da mesa enquanto todos comiam, provavelmente iria dormir de novo, porém, o cozinheiro estava de bom humor e havia feito sobremesa. Saiu da cozinha com um dos tantos copos de mousse gelado em mão, estava calor e talvez esse fosse um dos motivos pelo qual o espadachim estava tão sonolento. 

Quando o avistou dormindo em qualquer canto do barco no chão, pensou na sorte que tinham em estar no meio do oceano em um dia tão quente, o vento ali fora era tão refrescante que o deixava perto de sentir frio. 

— Hey, marimo. Sobremesa, coma. – Esticou o copo em sua frente, porém ele parecia já ter caído no sono. — Marimo?

Ele estava, de fato, dormindo. Sanji sabia dizer se estivesse fingindo ou não, e aquele não era o caso. Porém, apesar de estar deitado e em sono profundo, ele abriu a boca quando colocou a sobremesa perto de seu rosto. E o cozinheiro teve a melhor idéia o possível.

Por mais estranho que fosse, quando o loiro colocou uma colher do doce na boca do espadachim sua resposta foi, não só continuar dormindo, mas comer ao mesmo tempo. Por ser um mousse, não temia a possibilidade de vê-lo engasgando (poderia sorrir só de imaginar a cena, mas vamos fingir que seria algo terrível de se presenciar) então o cozinheiro apenas escolheu continuar.

— SAAAAANJI! CADÊ A SOBREMESA? TÔ COM FOME!!! – Luffy saiu da cozinha batendo a porta com força descomunal. Quando mencionou que iria pular em si, acabou por levar um chute e bater contra a parede, como já havia o acontecido vezes demais para contar. Ele nunca aprendia, e aparentemente, nunca dava bola também. — Oe, Sanji-kun, o que tu tá fazendo?

— Você acabou de comer igual 3 cavalos que não comem à semanas, seja mais paciente. – Ele ajeitou seu icônico chapéu, saindo dos pedaços que antes eram uma porta inteira. Usopp havia bufado tão alto ao ver as benditas tábuas que sentiu pena em saber que era sempre ele quem concertava tudo naquele barco. — Temos alguém dormindo aqui, faça silêncio.

— Ele come dormindo? – Ussop perguntou.

— Surpreendentemente.

— Surpreendente, hã. – Apesar de não ter olhado para ele, sabia que ele estava tentando ser irônico insinuando algo. — Hey, será que ele come isso aqui também?

Jogou uma cebola crua em sua direção. Por que ele tinha isso consigo? Quem sabe? Mas era perfeitamente maldoso. Se quer retirou a casca, apenas colocou a cebola entre os lábios do esverdeado e esperou.

— E não é que come?

Zoro mastigou levemente e engoliu. Ainda não era o suficiente para acorda-lo, e pelo jeito nada seria. Viu Usopp e Luffy rirem, tomando o seu lugar e fazendo com o espadachim comece pimentas e cabeças de alho. Aqueles idiotas fariam com que ele acordasse com um bafo ainda pior do que seu hálito de álcool e com uma diarréia insuportável.

— Ok, ok, já chega, o cabeça de jaca aqui vai acordar com caganeira se vocês continuarem com isso.

— Foi você que começou.

— Tá comparando a minha comida com uma cebola pura?

— Você tá muito estressadinho, Sanji, acho que deveria dar comida na boca das meninas também para se acalmar um pouquinho.

Usopp era ridículamente medroso, mas era incrível como ele não possuía medo da morte na hora de provocar os membros da tripulação.

— O que você está insinuando? Eu só fiz isso porque achei engraçado.

— Você ignorou todos e veio trazer sobremesa para ele, além de que tem passado tanto tempo prestando atenção nele que nem nota. Ele não tem se sentido bem ultimamente, e você tem agido como uma mãe preocupada.

— Eu vou te dar 5 segundos para sumir da minha frente.

 

Horas mais tarde, as estrelas já haviam tomado conta do céu e Sanji as observava, escorado enquanto fumava pacificamente. Escutou os sons característicos de Zoro acordando, estalos secos de seus ossos e bocejos. Ele levantou preguiçosamente e veio em sua direção, se escorando ao seu lado e olhando para a água.

— Que gosto estranho, me sinto cheio.

— Sério?

Tentou não sorrir ao ver seu rival colocando a mão sobre seu estômago, ambos conseguiam escutar os barulhos de sua barriga. Não duvidava que o veria correndo até o banheiro em alguns minutos.

— Cozinheiro de merda, acho que a sua comida podre me fez mal.

— Vou te fazer comer cebolas cruas pro resto da vida, cabeça de mato do caralho!

— Não é culpa minha que a sua comida esteja uma merda, sombrancelha!

— Ora, seu-

 

No fundo do cenário no qual Sanji e Zoro brigavam como duas crianças, a navegadora e o atirador riam dos dois da forma mais silenciosa que conseguiam.