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Estrela estava cansada, ela havia chegado naquela ilha fazia uma semana e mesmo depois de todo esse tempo as coisas não estavam indo bem, os outros feirantes ainda não gostavam dela, os médicos locais não queriam arriscar comprar suas poções, e os pais ainda escondiam as crianças quando ela passava. Definitivamente ela teria que ir embora da ilha o quanto antes, pelo menos eles tinham uma floresta, o que significava que mesmo sem um tostão ela ainda poderia caçar e comer, o que não melhorava a situação mas também não tornava tudo pior.
Era nove horas da manhã e ela estava na barraca dela na feira, não tinha vendido nada até o momento, nem mesmo as pulseirinhas de pedras que fez, ela sinceramente estava começando a pensar em tentar mais alguma coisa quando aconteceu. Um homem alto e robusto se aproximou da sua barraca, ele não parecia morar ali na cidade então deveria ser alguém de fora, se a altura não chamasse atenção então o penteado pompadour chamava, a curiosidade parecia ser o que o movia até a renda dela. Por algum motivo, ela sentia que podia reconhecê-lo de algum lugar, mas sua mente estava tão cansada e ela estava com tanta fome que deixou aquilo de lado.
Ele foi mexendo nas coisas dispostas na barraca com cuidado, por alguns segundos a garota ficou se perguntando se ele seria outro que só olharia as coisas e iria embora, mas ela estava com um bom pressentimento sobre ele.
"O que é isso aqui?" Perguntou ele balançando um frasco que continha uma poção de dor de cabeça, o homem parecia curioso mas encarava com certo ceticismo a mistura de cor roxo escuro.
"Como diz na etiqueta, é remédio para dor de cabeça." Ela aponta para o papel que está na frente dos frascos, cada um indicando um remédio diferente.
"Remédio? E você está vendendo isso aqui?" Ele pergunta meio espantado, os olhos se abrindo em choque e virando a cabeça para a garota, sua voz claramente demonstrando confusão.
"É, hum… a farmácia local não quis comprar meus remédios então tive que vender aqui. Não quero que estraguem." Ela parecia meio na defensiva, desconfortável em falar sobre isso, mas não queria mentir.
"Oh… e funcionam?"
Ela pisca os olhos algumas vezes, se perguntando se ele perguntou mesmo isso.
"Eh… sim? Quero dizer, óbvio que funcionam! Aliás, se você se machuca com frequência eu indico muito! Os machucados somem literalmente ao ingerir o remédio!"
"O que? Não, você está tentando me passar a perna, claramente!" Ele não acredita nela, seus olhos reviram e ele olha fixo para a criança em sua concepção, que está obviamente desesperada para vender alguma coisa.
"Não estou mentindo! Olha, vou te provar." A garota é muito obstinada, e o homem claramente não acredita nela, mas Estrela ainda quer provar isso para ele. Então ela pega uma poção para cortes e a deixa ao seu lado, em seguida pega uma faca que está ao lado e corta seu braço em um movimento fluído.
"O que?! Você está louca?" O moreno se desespera, a cicatriz em seu rosto se deforma com a expressão de choque e incredulidade do que acabará de ver, ele se move para o lado da barraca para tentar chegar a garota muito rápido, enquanto ela somente revira os olhos e toma todo o líquido da garrafa.
Aos poucos é possível ver o machucado se curando a olho nu, ele fecha e não deixa uma única marca, o sangue sendo absorvido de novo para dentro do corpo. O homem para ao lado da tenda, paralisado, sua boca se abre em surpresa e ele parece que quer falar muitas coisas, mas no fim não consegue dizer nada. A menina muito confiante se alegra com a reação, sabendo que fez bem seu trabalho, então ela aponta para as poções ali e sorri orgulhosa.
"Eu falei que não estava mentindo, e agora? Confia em mim?"
Demora um pouco para ele se recuperar, ainda chocado com tudo que tinha acontecido.
"É… sim, é. Acho que sim." Ele consegue soltar, começando a voltar ao normal. Ele retorna para a frente da barraca, e com cuidado separa algumas coisas, pegando algumas poções também, quase todas. "Vou levar isso."
"Claro!" A jovem se alegra, guardando tudo em sacolas e entregando para ele depois de pegar o dinheiro. "Tenha uma boa estádia!"
"Obrigado, você também."
Depois que ele sai com as coisas na mão, Estrela continua ali, aguardando na barraca para que mais alguma vez a sorte sorrir para ela, afinal foi realmente muita sorte aquele cara comprar quase todas as poções dela e mais alguns itens. Com o dinheiro ela planejava comer alguma coisa em algum lugar e talvez conseguir mais material para vender, afinal ela tinha muita coisa ainda para fazer, e não devia gastar levianamente. Quando a noite chegou, ela desmontou a barraca e foi guardar suas coisas no barco, decidindo que não deveria gastar dinheiro em comida, mas sim que iria caçar.
[...]
Thatch estava voltando com as compras que fez em Banaro, era uma ilha de tamanho médio com uma cidade relativamente pequena, mas ainda era grande o suficiente para ter alguns dos itens que a tripulação precisava. Sinceramente ele tinha gostado de passear pelo lugar, como não havia fuzileiros navais, era um lugar bem pacífico de se estar, mesmo com a desconfiança dos cidadãos.
Subindo pela passarela ele cumprimentou os tripulantes por quem passava, indo para dentro e desviando de algumas pessoas pelo caminho até chegar a enfermaria, procurando seu pássaro residente preferido! Foi sentado na mesa que ele encontrou Marco, atolado até o pescoço de documentos para ler e organizar, parecendo estressado.
"Birdy! Meu caro, olha o que eu comprei de presente para você!" O cozinheiro vai pegando uma sacola e estica o braço na direção do loiro, entregando para ele as poções que tem dentro.
"Ham… Thatch, o que é isso?" Marco ergue uma sobrancelha.
"Remédio!"
"Remédio? Thatch, o que você comprou?" Marco leva a mão ao rosto, apertando a base do nariz claramente frustrado.
"Marco, você não confia em seu irmão? Assim você me machuca! Mas é sério! Eu nunca vi um remédio funcionar como esse."
Marco olha de forma desconfiada para Thatch, mas ele ainda quer acreditar no irmão, então dá uma chance.
"Tá, o que tem de tão bom nele?"
"Marco, ele é automático! Eu vi um corte cicatrizar imediatamente com ele! Quer dizer, eu ainda estou me sentindo mal e preocupado com a garota, quero dizer, ela realmente se cortou para me provar que o remédio funciona." O líder da quarta divisão parece desconfortável, ele não entendia porque mas tinha gostado muito da menina da barraca, e nunca seria agradável ver alguém se machucar tão facilmente, mesmo que para mostrar algo.
"Então a garota se machuca, toma o remédio, se cura magicamente e você ACREDITA?! Thatch! Pensei que você fosse ser mais inteligente que isso! É óbvio que é algum tipo de Akuma no Mi! Nenhum remédio age tão rápido!" Marco parece que vai ter um ataque, enquanto aperta os olhos com tanta força que claramente poderia machucá-los.
Thatch claramente não tinha pensado nisso, ele abre a boca e fica parado como um peixe encarando Marco, antes de levantar as mãos levando-as à cabeça e grunhir frustrado.
"Droga! Mas Marco, ela foi tão convincente! Eu juro!" O homem parecia arrasado, como se tivesse acabado de ser traído.
"Está tudo bem Thatch, foi um acidente, depois podemos ver se podemos devolver." Diz o comandante da primeira divisão colocando a mão no ombro do amigo, o cozinheiro levanta a cabeça e concorda, mais animado.
"Você está certo Birdy! Mas eu ainda não gosto daquela menina se machucar só para isso, mas eu posso entender, as pessoas fazem loucuras para sobreviver." Ele balança a cabeça de forma triste.
"Não podemos ajudar todos Thatch, nem sabemos se ela quer ajuda."
"Eu sei Marco, eu só… queria poder fazer alguma coisa."
"Eu sei, vamos, temos um banquete de noite e você precisa preparar isso."
"Hah, eu sabia que você me amava passarinho!"
Eles saem juntos da enfermaria e vão continuar seus dias, mesmo que Thatch não consiga tirar a garota da cabeça. Ele se preocupava com o quão magra ela parecia, de estar sozinha naquele lugar e claramente de não estar vendendo o quanto poderia, ela parecia sozinha e precisando de ajuda, uma ajuda que ele não sabia se ela gostaria, já que ele sabia que esse tipo de pessoa rejeitava ajuda. Pensar nisso não estava ajudando ele, ele nem mesmo queria devolver o que comprou, pensando que a jovem devia precisar do dinheiro. Cozinhar o ajudava a se distrair, mas ele ainda queria falar com Pops, quem sabe eles poderiam fazer alguma coisa.
[...]
Já era de noite e todos já estavam na praia comemorando quando Thatch se aproximou do pai, ele estava sentado em um grande tronco caído na beira da floresta, um barril de bebida na mão enquanto aproveitava a música e as conversas ao redor, é nesse clima que o filho se aproxima dele.
"Pops!"
"Thatch, o que foi filho?"
"Pops, eu só… sinto que precisava conversar…" Ele se aproxima se sentindo desconfortável, mas ainda tão confiante que o Capitão poderia ajudá-lo. Ele anda de um lado para o outro na frente de onde o pai estava sentado, parecendo a ponto de fazer um buraco no chão de ansiedade. "Então, quando fui fazer compras hoje, tinha uma menina… eu não sei porque ela me chamou tanta atenção Pops, mas… ela parecia precisar de ajuda, e eu não sei Pops, eu sinto que preciso fazer alguma coisa. Sabe?"
O silêncio se faz presente por um tempo, Barba Branca leva a bebida aos lábios e toma um gole, pensando no que poderia falar para o filho, afinal ele mesmo entendia bem esse sentimento, foi assim que ele conquistou tantos filhos. Ele abaixa o barril de bebida e olha para o filho, um sorriso calmo se estende por seu rosto.
"Você tem um coração muito bom meu filho, se quer ajudá-la, então faça isso, só lembre de tomar cuidado." A voz dele é potente mas baixa, carrega um carinho e atenção que são difíceis de ignorar. "Se precisar de ajuda, lembre que estamos do seu lado Thatch."
"Eu… obrigado Pops, eu vou fazer isso!" Ele exclama enquanto se aproxima um pouco do pai, a voz do homem é calorosa e muito mais segura que antes, ao saber que vai ter apoio da família.
A noite estava transcorrendo sem incidentes, Thatch estava conversando com Marco e Izou um pouco mais afastados da área central da festa, em um canto tranquilo. Os três homens bebiam a bebida que tinham em mãos, pareciam estar conversando sobre o passado, quando foram interrompidos pelo barulho de galhos se quebrando e uma presença se aproximando. Eles ficaram em silêncio quando de dentro da floresta apareceu uma jovem, ela tinha cabelos pretos que formavam cachos nas pontas, sua pele era naturalmente bronzeada, os dois olhos brilhavam, um em prata e o outro em ouro, e pequenas sardas salpicavam seu rosto como pequenas constelações. Ela era linda. Porém tinham pequenos sinais que eram difíceis de não notar, o modo como ela parecia mais magra que o natural, as olheiras que marcavam a parte de baixo de seus olhos e suas roupas que não pareciam ser exatamente feitas no tamanho certo.
Thatch imediatamente reconheceu a garota como a que lhe vendeu as poções, ele deu um passo a frente para ir falar com ela, quando viu o que ela carregava. Parecia a carcaça de algum animal pequeno, em sua mão se encontrava uma faça que ainda tinha resquícios de sangue, ela claramente estava voltando de uma caçada, isso não deveria ser tão estranho se não fosse pelo quão abatida ela estava, foi ali que Thatch então percebeu, que provavelmente essa era a única coisa que ela tinha para comer. Seu estômago se revirou em angústia, ele queria fazer algo, qualquer coisa, então foi o que ele fez.
"Ei! Você é a garota de antes, não é?" Ele se aproximou de forma simpática, um sorriso alegre e confiante no rosto, demonstrando ser amigável. A jovem levou um susto, ela parecia distraída, então quando foi chamada sua cabeça se levantou rápido, quase deixando cair o que carregava.
"Ah, oi… sim, sou eu. Você é o cara legal que comprou praticamente todo meu remédio." Ela lembrava dele, afinal foi o único cliente que comprou alguma coisa em uma semana.
"Sim! Eu sou o Thatch, prazer em conhecê-la! Olha, sei que vai parecer meio do nada, mas não gostaria de vir comer comigo e meus irmãos? Você parece com fome." E ele foi direto ao ponto.
Ela olha para ele e então para os outros dois ao lado do cozinheiro, vendo o quão bem vestido o homem de quimono estava, ela não consegue impedir o sentimento de se sentir mal vestida, ela se encolhe um pouco. O silêncio fica por alguns instantes mais longos que o esperado, e nesse meio tempo Thatch se pergunta se foi direto demais, longe demais. A garota pensa, ela não sabe se pode confiar naquele homem, mesmo sabendo que pode matá-lo, ela não tem certeza se quer arriscar… mas neste momento sua barriga ronca, não é um som alto, mas ela notou, a fome se faz presente de novo e ela pensa que vale a pena arriscar se machucar em troca de comida, ela realmente não queria cozinhar.
"Eh, muito bem, eu aceito, mas… onde eu coloco isso? Da pena desperdiçar." Ela aponta para o corpo morto do animal, não era um bicho grande, na verdade ele tinha o tamanho de um coelho, só que era uma espécie diferente daquela região. Realmente não era muito, e talvez nem mesmo suficiente para uma mulher como ela, mas ninguém iria questionar isso.
"Oh, deixe comigo! O pessoal da minha divisão vai transformar isso em um prato rapidinho!" Thatch diz sem perder nada da empolgação, ele não queria falar alguma coisa e acabar assustando ou machucando a garota. "Então, esses são meus irmãos, Marco, ele é meio chato, e Izou, aconselho a não provocá-lo."
O homem ri enquanto os apresenta, enquanto isso ele vai andando em direção à onde está a bagunça, guiando a jovem com o máximo de cuidado que ele poderia ter. Marco e Izou olham para Thatch, só isso parece o necessário para eles entenderem o que o irmão estava fazendo, e somente de terem olhado para a garota eles sabem o porque, não é fácil de ver os sinais, mas se você estiver procurando se torna mais fácil identificá-los.
"Sou Estrela, é um prazer conhecê-los." A voz dela tenta não ser, mas está claramente insegura enquanto segue eles, ela não sabia o que esperar ao fazer isso.
Eles caminham no meio de várias pessoas, ela estava claramente desconfortável com isso, mesmo fingindo que não, os piratas ao redor olhavam, mas somente por um momento antes de desviar o olhar, os comandantes não dando muita chance de eles ficarem encarando. Logo uma mesa de comidas é vista enquanto se aproximam, tinha muita coisa naquela mesa, mesmo com todos comendo bastante, a garota estava inquieta e era possível ver ela perdida ao ver tanta comida, Thatch dá um empurrãozinho nela.
"Vai lá, pode comer." Ele observa enquanto ela pega um prato e coloca comida nele, claramente acanhada mas feliz por ter o que comer. O cozinheiro espera ela terminar de fazer o prato, ficando incomodado ao ver o quão pouco ela pega, mas ele não diz nada, feliz em ver que ela pelo menos comeria alguma coisa.
"Obrigada." A voz da garota é baixa, ela observa ao redor procurando um lugar para sentar, vendo isso o comandante a guia para sentar no canto, onde pode ter mais privacidade.
Thatch tenta puxar conversa enquanto ela come, ele pergunta sobre ela e descobre que ela está sozinha, não demora muito para ele se afeiçoar, mesmo com a comunicação sendo difícil ele ainda tenta, se esforçando ao máximo enquanto a garota permanece distante. De muitas formas o cozinheiro acha que não vai conseguir, pelo menos não hoje, mas ele não iria desistir, viu seu pai olhando por cima a algum tempo e trocou olhares, ele iria conseguir.
É quando a jovem está se levantando para ir embora que acontece. O pai deles ri, é uma risada alta, livre, cheia de felicidade na sua forma mais pura. Estrela congela, seu corpo trava no lugar como se ela tivesse levado um choque, a cabeça dela vira rapidamente para o lado de onde vem o som, ela observa. Os três comandantes param e se olham por um segundo, todos tentando entender o que estava acontecendo, eles viram para ela procurando o motivo da mudança, esperando uma reação ruim.
Nada vem.
Não, muito pelo contrário.
Quando prestam atenção o corpo dela treme, é um tremor leve, algo contido, então eles vêem, as primeiras lágrimas começam a cair no chão e elas não param, é como se uma represa tivesse se rompido. Eles vêem os tremores aumentarem e parece que ela vai começar a chorar alto, mas eles não escutam som, está tudo muito bem reprimido dentro do corpo dela que parece se encolher cada vez mais. As mãos da menina vão ao rosto e querendo esconder sua expressão, Thatch se aproxima com cautela para perguntar se ela está bem, mas ele congela no lugar.
Ela não está triste.
Ela está…
Sorrindo.
Ela não está triste. Está sorrindo!
O homem não entendia, ele não fazia ideia do que estava acontecendo, mas mesmo assim ele retorna à se aproximar dela, ele precisava confirmar que ela estava bem.
"Estrela? Você está bem?" A voz dele é baixa, delicada em sua pergunta, tão cuidadoso.
"Sim, estou bem Thatch, é só que… agora tudo faz sentido." Ela ri, tira as mãos do rosto e se aproxima dele, pegando as duas mãos dele nas dela. "Obrigada Thatch, obrigada!""Hum? De nada?"
Eles ficam ali mais um pouco, ela se esforça para se acalmar, quando finalmente o choro cessa, ela parece decidir algo. A jovem se vira, sua postura está muito mais confiante do que antes, como se ela tivesse descoberto algum tipo de força interna, sem dizer nenhuma palavra a ninguém ela começa a se mover, indo diretamente em direção à onde ela escutou a risada de antes. Thatch não entende nada, ele a segue perdido, ainda confuso sobre o que aconteceu com a garota.
"Estrela? Hum… Estrela?! O que está fazendo?" Ele quase grita desesperado enquanto a segue, mas ela mal presta atenção nele.
"Não se preocupe Thatch." É tudo que ela fala para ele.
Isso por algum motivo só estressa mais o pirata, que a vê indo para frente do pai deles. A garota para em frente ao gigante, isso automaticamente chama a atenção dele que para para dar atenção a situação a sua frente.
"Pops! Estrela, vamos-"
Ele não tem a chance de terminar.
"Pops! Me deixe entrar na tripulação!" Estrela fala com a confiança de alguém que tem certeza que vai ser aceita.
Silêncio.
De repente o ambiente caí em um silêncio sepulcral. Ninguém diz nada, todos quietos esperando o que iria acontecer.
"Você é bem audaciosa, não é criança? O que acha que te dá o direito de entrar na tripulação?" A voz estrondosa de Barba Branca ecoa no silêncio, um julgamento, um teste.
"Bem, porque você já é meu pai e eu já sou sua filha!" Ela fala como se fizesse todo sentido, o que para ela? Sim, fazia.
Ninguém questiona a lógica da garota, mas sim aguardam ansiosamente o que o Capitão diria.
Barba Branca olha, ele observa a menina parada tão confiante a sua frente, ele analisa, e então… ele ri, alto, forte, divertido.
"Guararararara. Então é assim criança? Não me lembro de ter uma filha como você." O gigante provoca.
"Então é assim velho? Quer fugir da paternidade?" Ela provoca de volta.
"Guararararara! Não fujo de nada criança!" Ele para, dá outro olhar profundo para ela. "Bem-vinda a família criança."
"Feliz em estar em casa Pops!"
"Então filhos, parece que vocês tem uma nova irmã!" Ele anuncia alto, erguendo o barril.
O silêncio se torna festa, gritos estrondosos varrem a praia enquanto os piratas espalhados comemoram alto, a festa retorna parecendo muito mais feliz do que antes, todos comemorando a chegada de um novo membro. Pouco atrás de onde estava Estrela e Barba Branca, os três comandantes estavam reunidos, olhando a cena. Thatch encarava em choque, muito confuso, Izou parecia… bem, analisando a situação, enquanto Marco… Marco estava desconfiado, ele confiava no pai isso era óbvio, mas como poderia confiar na garota que tinha enganado Thatch mais cedo?
O resto da noite transcorreu com toda a calma que uma festa poderia ter, a menina permaneceu ao lado de Pops a noite inteira, conversando com ele como se o conhecesse há séculos, e não somente algumas horas. Thatch observava tudo parecendo maravilhado, ele não fazia ideia de como eles tinham chegado naquele ponto, mas ele estava muito feliz com a nova irmãzinha que ganhou.
Quando chegou por volta das quatro da manhã, a maior parte dos piratas já estava caído no chão de tanto beber, os que ainda estavam de pé ou ainda festejavam ou tentavam voltar para o navio sem cair, sabendo que estava tarde Estrela se despede de Pops e diz que vai ir dormir, que no dia seguinte ela apareceria no Moby Dick, e então eles poderiam conversar mais. Sabendo que a filha iria voltar para casa, Barba Branca olha ao redor e procura alguém para acompanhar a nova criança para casa, quando ele iria chamar Thatch, que afinal parecia ter gostado da menina, aparece Marco.
"Deixa que eu levo ela Pops, yoi." Diz a Fênix se aproximando.
"Obrigado meu filho."
Os dois saem em uma caminhada de volta para o porto da cidade, durante todo o caminho eles permanecem em silêncio, não é que a jovem não quisesse falar, mas ela sentia que tinha alguma coisa errada com o homem, então ela permanecia sem falar nada para não irritá-lo. Quando finalmente chegam ao cais, Marco fica procurando onde a menina mora, mas ele não consegue identificar a morada dela, então aguarda. Estrela anda até um barco, ele é pequeno, parece bem cuidado mas com certeza precisava de uma reforma, por alguns instantes o coração do pirata aperta, não era certo uma criança morar ali, e principalmente não sozinha.
Ele realmente planejava encurralar a garota e tirar a verdade da boca dela, porque ela havia pedido para entrar na tripulação e porque mentiu para seu irmão, mas era difícil quando ele via a situação dela, para ele, ela era somente uma criança que estava fazendo de tudo para sobreviver, e ele não conseguia questioná-la. Por isso ele a deixa ir para casa e volta para o pai, durante todo caminho ele se questiona se tinha tomado a decisão errada ao deixá-la em paz, mas sabia que mesmo assim não tinha como ele perguntar para ela sobre isso, então era melhor esquecer.
Naquela noite, o Moby Dick ganhou uma nova integrante, uma irmã que daria a vida por cada tripulante, alguém que eles tinham salvado antes mesmo de saberem.
E naquela noite Estrela finalmente encontrou a família dela, uma família que ela jurou fazer de tudo para proteger, mesmo que tivesse que lutar contra o destino.
