Work Text:
5 minutos.
- O trânsito deve estar ruim.
10 minutos.
- Deve ter perdido a hora.
20 minutos.
- Já deve estar chegando.
30 minutos.
- O carro deve ter estragado de novo.
50 minutos.
- Deve ter tido algum imprevisto.
1 hora e 30 minutos.
- Ele—
- AQUELE BASTARDO! - explodiu o ruivo, se levantando do sofá onde estava sentado. - Chega de tentar inventar desculpas, Atsushi.
Andava de um lado para o outro, passando a mão nos cabelos nervosamente, como se fosse os arrancar em algum momento de tanta raiva.
- Relaxa, Chuuya. - Akutagawa suspirou, já estava prevendo o desastre e possível homicídio que aconteceria ali.
- Relaxar? Olha a nossa situação? E aquele bastardo ainda consegue se atrasar.
Praguejava baixinho, os outros dois pensavam que o chão logo iria se abrir e o menor iria parar no núcleo da terra já que pisava fortemente no chão.
- Aquele infeliz, desgraçado, irresponsável e idi—
A porta foi aberta, e dela passou um jovem alto e com as roupas bagunçadas, igual aos cabelos castanhos rebeldes.
- Cheguei. - sorriu, como se não estivesse atrasado à 1 hora, 38 minutos e 47 segundos.
- SEU IDIOTA! - voou no pescoço do outro sem se importar se estaria o machucando. - Está atrasado a mais de uma hora!
- Chuuya... - segurou as mãos enluvados e com muito custo as tirou de seu pescoço, respirou fundo ao se ver livre. - Pensei que ia me matar.
- E eu ia mesmo seu arrombado. - estava vermelho de irritação. - Temos um show semana que vem e você ainda se atrasa? É um puta de um irresponsável mesmo, não sei porque ainda me surpreendo.
- Não é pra tanto, Chibi. - deu de ombros e desviou do gnomo irritado.
Isso só fazia a raiva de Chuuya borbulhar, a forma como ele não se importava com nada e não se estressava com nada, o modo como ajeitava os cabos de sua guitarra... Tão sexy.
O Nakahara balançou a cabeça, estava com raiva e não era hora e muito menos lugar para pensar nessas coisas idiotas de paixão e tesão.
- Deus, como eu te odeio. - quería procurar qualquer coisa para jogar na cavala irritante que chamava de amigo.
- Anda com tanta raiva ultimamente, Chibi. - cruzou os braços, um sorriso zombeteiro. - Isso deve ser falta de transar, quando foi a última vez que fez isso? Ainda bem que não sofro com esse seu problema.
- Ora seu—
- Vamos deixar isso pra depois? - tentou apaziguar Atsushi, um sorriso tenso nos lábios. - Que tal ensaiarmos?
- Boa ideia, Jinko. - apoiou seu namorado, sempre tentando amenizar a situação.
- Que seja. - murmurou o ruivo.
Mesmo que estivesse com raiva do idiota mais lindo que já existiu na face da terra o ensaio saiu perfeito. Sabiam as músicas e não tiverem nenhum erra, apenas repassavam para garantir um show perfeito para os fãs.
Mais de duas horas se passaram e já guardavam as coisas para irem embora, Dazai foi o primeiro a sair. Se despedindo rapidamente, sob o pretexto de que encontraria a namorada.
Chuuya quis quebrar a guitarra em sua própria cabeça e esquecer de tudo, assim poderia viver normalmente sem sua paixão sendo presa a outra pessoa. Mas sua mente mirabolante tinha outros planos.
- Me ajudem a compor? - soltou.
- Que? - o albino perguntou, o olho quase tendo um tique nervoso.
- Chuuya, falta uma semana para o show e você quer compor? - arqueou a sobrancelha — inexistente.
- Olha eu sei que parece loucura, mas confiem em mim. - pediu, já pegando um caderno de capa preta e se sentando no sofá. - Mas preciso que guardem segredo, não quero que aquele idiota saiba.
- Isso não vai dar certo... - murmurou Atsushi para o namorado, este que concordou com a cabeça silenciosamente.
♬ ♫ ♬
A plateia vibrava completamente animada, pulando e balançando as mãos com a pulseira de LED específica para o show da tão famosa Stray Dogs.
Atsushi e Chuuya faziam uma harmonia perfeita ao cantarem a canção do novo álbum lançado, as pessoas acompanhavam aos berros.
- Do you want me crawling back to you? - terminaram juntos e todos gritaram emocionados
- Obrigado pela recepção, Londres! - gritou Chuuya no microfone, ofegante de cantar e pular por todo o palco.
- Esse carinho é muito importante para todos nós. - completou Atsushi, as palabras gentis acalmando os gritos.
Dazai e Akutagawa tocavam algumas notas soltas e calmas enquanto os outros dois conversavam com a plateia.
- Eu queria anunciar uma coisa para vocês... - fez suspense, um sorriso perigoso surgindo em seus lábios. - Mas primeiro eu queria contar uma história muito engraçada, enquanto meus amigos recuperam o fôlego.
Se sentou na beira do palco, bem perto da plateia. As pessoas escutavam atentamente, mas ainda assim havia alguns que gritavam coisas e batiam palmas.
- Uma semana antes desse show eu estava fumegante de raiva, de tanta ansiedade para vim aqui cantar pra vocês... - sorriu e o público vibrou. - E também porque uma pessoa irritante se atrasava horrores para os ensaios. - fuzilou Dazai com os olhos, este que apenas riu achando graça.
- Chibi, você é uma graça. - comentou no microfone, novamente as pessoas gritaram.
- E você é um idiota. - revirou os olhos. - Mas não era sobre isso que eu queria falar. Sabe, eu gosto de uma pessoa que não não deveria, na verdade acho que sou apaixonado por essa pessoa e ela é insuportável. Então eu decidi compor uma nova canção que ainda não foi lançada e irei cantar ao vivo e inédito pra vocês!
Um coro de gritos foi ouvido, pulavam e diziam coisas que Chuuya não entendia em absoluto, mas esperava que fossem coisas boas.
Se levantou de onde estava sentado e foi ao centro do palco, Atsushi não o acompanhou dessa vez, ficou perto do namorado apenas para fazer a segunda voz.
Dazai olhava confuso para todos, que música era essa que ele não estava sabendo?
Akutagawa deu de ombros ao ver a expressão do amigo e lhe disse sem emitir som algum a seguinte frase: Apenas me acompanhe ou finja me acompanhar.
- Filha da puta... - murmurou, dessa vez longe do microfone.
A batida começou rápida e agitada com o ruivo já começando a cantar, andando pelo palco animadamente e interagindo com a plateia.
Hey, hey, you, you
I don't like your girlfriend
No way, no way
I think you need a new one
Hey, hey, you, you
I could be your girlfriend
Assim que começou os primeiros versos todos já tentavam acompanhar a letra, extasiados em ter uma canção inédita sendo jogadas em cima deles.
You're so fine, I want you mine, you're so delicious
I think about you all the time, you're so addictive
Don't you know what I can do to make you feel alright? (Alright, alright)
Don't pretend, I think you know I'm damn precious
And hell, yeah, I'm a motherfucking princess
I can tell you like me too and you know I'm right (I'm right, I'm right)
Chuuya cantava a todo tempo fazendo caretas ao interpretar a música e olhando diretamente para a plateia, até que começou a chegar a melhor hora e foi se aproximando mais de Osamu, este que se via perdido no meio do show.
- She's, like, so whatever
You can do so much better
I think we should get together now - olhou diretamente para os olhos castanhos, a face o desafiando, todos os versos sendo lançados à apenas uma pessoa.
Se afastou e fez um gesto como se estivesse dando de ombros, olhando para a plateia e cantando o outro verso dessa estrofe:
- And that's what everyone's talking about
As pessoas surtavam ao ver a interação dos "amigos" – secretamente, ou nem tanto, os fãs especulavam a relação dos dois, já que não era normal brigarem tanto assim e não ter nenhum sentimento envolvido.
Finalmente as fãs de Soukoku – nome criado para o shipp Dazai x Chuuya – estavam recebendo migalhas dessa relação até então inexistente.
Quando Dazai parou para prestar atenção na letra soltou um riso baixo de entendimento, isso explicava muita coisa e sinceramente foi a coisa mais criativa que o ruivo poderia ter feito.
So come over here and tell me what wanna hear
Better yet, make your girlfriend disappear
I don't wanna hear you say her name ever again
And again, and again, and again, 'cause
Todos gritavam, emocionados, seria o novo hit do ano com toda a certeza. Era viciante a letra e os faziam querer dançar e cantar na cara de alguém.
Atsushi trocava olhares com Akutagawa, não sabiam o que fazer, aproveitar a onda do público ao amar a canção ou se preocuparem com o que aconteceria no backstage depois que o show terminasse.
E o pior de tudo: Ainda teriam uma entrevista depois desse show caótico!
O Nakahara seguia cantando de lá pra cá, olhando para Osamu em algumas partes específicas da música, e este apenas o encarava com um sorriso provocador nos lábios, o mesmo desafio que os olhos de Chuuya.
Quando a música acabou, Chuuya levantou o braço ofegante, o peito subia e descia descontroladamente e o cabelo estava grudado na testa pelo suor.
- Vocês são incríveis! - gritou animado.
A plateia vibrava – alguns pensavam que a aproximação fazia parte da perfomance, já as loucas e fujoshis começavam a pensar em teorias e coisas do tipo.
O clima no palco era tenso, mesmo que pouco. Os namorados evitavam fazer contato direto com qualquer um e olhava apenas para o público animado.
O show seguiu normalmente, passando como um borrão. Cantaram mais algumas músicas e se despediram ao agradecerem pela hospitalidade acalorada que receberam dos fãs.
Os produtores comemoravam e alguns técnicos passavam apressados nos bastidores. Todos felizes pela apresentação ter sido um sucesso, como sempre.
Chuuya jogou o microfone na mesa e enxugou o rosto com uma toalha que já era deixada para eles usarem após o show. Suspirou cansado, a garganta seca.
- Vocês foram incríveis! Obrigado pessoal! - comemorou Atsushi, como de praxe.
- Você também foi incrível. - murmurou Chuuya, sorrindo pequeno.
Mesmo assim a tensão era palpável, parecia que algo iria explodir a qualquer momento e cair em cima de quem ficasse.
- Vamos pegar algumas garrafas de água. - anunciou Akutagawa, segurou a mão do namorado e saíram apressados dali.
Dazai encostou na mesa, a toalha no pescoço, braços cruzados e sorriso provocador.
- Então era esse o motivo do seu estresse? - perguntou, como sempre, apenas para irritar.
- Pegou a indireta rápido, Osamu. - o encarou de volta.
- Sabe, se você me queria tanto assim... Era só ter me dito, Chibi.
- Não se ache tanto, não me humilharia a esse nível. - riu com escárnio.
- E mesmo assim escreveu uma música sobre mim, irônico não?
- Vi a oportunidade de fazer conteúdo para nossos fãs, já que o nosso compositor mais importante anda ocupado com a namorada estúpida.
- Engraçado você falar dela assim... - o sorriso se alargou, tremendamente satisfeito. - Principalmente porque ela estava na plateia hoje, no camarote pra ser mais exato.
O rosto de Chuuya congelou por meio segundo, mas foi o suficiente para que Osamu ficasse contente com a reação obtida.
- E daí? - deu de ombros. - Não escrevi pensando nela.
- Ah eu sei que não. - se aproximou, perigosamente perto. - Acho que todo mundo percebeu pra quem aquela música era.
- Você adorou. - constatou, não era bem a reação que esperava ter.
- Não vou mentir. - o guitarrista riu baixo. - Foi uma das melhores surpresas que já tive no palco.
- Sua namorada deve ter achado o mesmo. - Chuuya rebateu, ácido.
- Ah. - Dazai fez pouco caso. - Ela saiu antes do final da música.
Isso arrancou uma risada curta e incrédula do ruivo. A letra causou mais impacto do que pensou que fosse possível.
- Sério?
- Disse que não gostou da letra. - deu de ombros. - Acho que não curte muito quando alguém quer roubar o namorado dela na frente de cinco mil pessoas.
- Problema dela. - cruzou os braços na defensiva.
- Concordo. - Dazai se aproximou mais um pouco, agora claramente invadindo o espaço pessoal. - Pra ser honesto... acho que não me importo muito com ela agora.
O olhar azul de Chuuya subiu lentamente até encontrar o castanho, desafiador. Mas tinha aquele toque de sentimentos ocultos por trás, algo que estava implícito para alguns, mas para eles era bem explícito.
- Não vem com essa agora. - murmurou. - Você só tá gostando de me provocar.
- Sempre gostei. - Dazai respondeu sem hesitar. - Mas hoje você facilitou.
- Eu fiz aquilo pelo show. - rebateu rápido. - Pela banda.
- Claro. - o sorriso de Osamu era descaradamente satisfeito. - E eu toquei fingindo que não sabia exatamente pra quem você tava cantando.
Chuuya revirou os olhos, mas o leve rubor nas bochechas o entregava, sempre o entregava. Não entendia porque era sempre um livro aberto com o castanho.
- Você não ficou nem um pouco incomodado? - perguntou, mais baixo. - Tipo... sei lá. Raiva?
- Incomodado? - Dazai soltou uma risada curta. - Chibi, eu quase errei o solo porque tava me divertindo demais.
- Idiota. - resmungou. - Errou porque não sabia que música eu iria cantar, só conseguiu acompanhar Akutagawa depois.
- Além do mais... - ignorou a última frase e se aproximou mais um passo, o tom casual demais para o que estava dizendo. - Não é todo dia que alguém escreve uma música inteira querendo roubar você.
- Não era roubar. - Chuuya corrigiu. - Era... substituir.
- Muito melhor. - Osamu inclinou a cabeça. - Mais direto.
- Você é irritante. - revirou os olhos, a ponta das orelhas vermelhas.
Dazai segurou a nuca do menor, os dedos enroscando nos fios cor de cobre e úmidos pelo suor, mas não se importava. Puxou levemente pra baixo, obrigando-o a olhar mais pra cima, encarando direito o rosto do castanho.
- Chuuya, Chuuya... - estalou a língua, um pequeno sorriso predador. - Você vai me deixar louco.
- Mais do que você já é? Impossível! - revirou os olhos.
Dazai soltou uma risadinha, aquela que fazia a pele de Chuuya se arrepiar com tão pouco.
- Olha, Chibi... - cantarolou, aproximou os rostos mais ainda, as respirações se misturavam. - Eu adoraria beijar essa boquinha...
Quanto mais se aproximavam, mais o ar ficava rarefeito, os narizes se encostavam e estavam a meio centímetro de se beijarem... Se não fosse é claro, o indicador de Chuuya ficando no meio dos dois lábios.
- Você é um canalha, não é? - sorriu. - Mas eu não vou virar seu amante.
- Eu nunca te tornaria meu amante. - dessa vez falava sério.
- Então não me beije sendo comprometido.
Um pequeno sorrisinho pintou os lábios de Dazai, concordou com a cabeça e soltou Chuuya do aperto na nuca. Se afastou só o suficiente para não perder o controle e o beijar ali.
- Você tem razão. - alargou o sorriso. - Mas então se eu não ser mais comprometido posso te beijar?
- Posso pensar na possibilidade... - agarrou o colarinho e o aproximou. - Mas eu não quero ser tratado como segunda opção ou plano B.
- Você nunca foi, Chibi. - o tranquilizou. - Sempre foi minha primeira opção e sempre vai ser.
Okay, não esperava ouvir isso assim. Ficou meio em choque, mas tentou disfarçar o máximo possível.
- Acho bom mesmo.
Antes que qualquer um dos dois pudessem dizer alguma coisa a porta foi aberta num rompante. Atsushi apareceu com o bicolor logo atrás de si, estavam afobados.
- Gente! A entrevista começa—
Quando reparou na posição com os outros estavam sua expressão foi de surpresa e vergonha, levou a mão até a boca, os olhos arregalados.
- Atrapalhamos algo? - Akutagawa perguntou, a sobrancelha arqueada – inexistente.
- Não! - responderam juntos e se afastaram.
Chuuya passou a mão pelos cabelos meio nervoso e Dazai apenas sorriu, aquele sorriso que sempre dava quando estava irritado ou nervoso.
- A en-entrevista começa... começa em cinco minutos. - se embananou na hora de dizer. - Vamos deixar vocês sozinhos!
Na mesma velocidade que a porta foi aberta, ela foi fechada. Fazendo o barulho ecoar por todo o pequeno espaço em que estavam.
- Vamos? - chamou o castanho.
- E temos opção?
- Qual é, Chibi. Você adora essas entrevistas que eu sei.
- Não hoje, única coisa que queria era ir pro hotel e dormir até o fim da tarde de amanhã.
- Vai poder fazer depois, agora vamos logo.
Passou o braço pelos ombros do ruivo e seguiram andando até onde aconteceria a entrevista.
A sala da entrevista estava iluminada demais para o gosto de Chuuya, tudo ali iria o irritar, já estava ciente disso quando pisou no local.
Havia um sofá grande onde se sentaram – Dazai, Chuuya, Atsushi e Akutagawa, respectivamente – uma poltrona onde o jornalista estava e uma pequena plateia onde cada pessoa ali foi selecionada a dedo.
Apenas pessoas que saíriam espalhando a fofoca pelos quatro cantos da internet, algumas partes distorcidas, claro, outras nem tanto assim.
O importante era a conversa ser espalhada.
O jornalista sorriu para as câmeras, ajeitando os cartões na mão antes de encarar a banda no sofá.
- Primeiro de tudo, parabéns pelo show de hoje. A casa estava lotada. - virou-se para eles. - Como vocês se sentiram no palco hoje?
Atsushi foi o primeiro a responder, como sempre, a animação contagiante.
- Foi incrível. - disse, sincero. - Londres sempre recebe a gente muito bem. A energia do público hoje estava... diferente. Muito intensa.
- Intensa é uma boa palavra. - Chuuya concordou, cruzando as pernas. - Foi um daqueles shows que você sente até o último acorde.
- Eu diria... memorável. - Dazai sorriu de canto e comentou, arrancando algumas risadinhas da plateia.
O jornalista assentiu, satisfeito. A entrevista renderia por pelo menos um mês inteiro.
- E falando em energia, como está o calendário de shows da Stray Dogs depois dessa turnê?
- Bem cheio. - Akutagawa respondeu, direto. - Ainda temos datas pela Europa e depois seguimos para a América do Norte.
- Sem muito descanso, basicamente. - Atsushi completou.
- Descanso é superestimado. - Dazai acrescentou, relaxado.
Chuuya revirou os olhos, arrancando algumas risadas do público.
- Agora... - o jornalista mudou o tom, folheando o cartão seguinte. - Vamos falar do assunto que tomou a internet hoje. A música inédita apresentada no show.
A plateia murmurou imediatamente, era hora das revelações.
- De quem foi a ideia da música? - perguntou.
- Minha. - Chuuya não hesitou em responder.
Um pequeno burburinho se espalhou, alguns já começavam a escrever em seus celulares algumas teorias.
- Foi algo planejado ou de última hora?
- Totalmente de última hora. - respondeu. - Uma semana antes do show.
- Contra a vontade de metade da banda. - Akutagawa comentou e suspirou audivelmente.
- Chuuya, você compôs sozinho? - insistiu o jornalista.
- Letra, sim. - confirmou. - A banda ajudou no arranjo depois.
- E... - o jornalista inclinou o corpo para frente, claramente interessado. - Era uma música para alguém em específico?
A sala ficou em silêncio por meio segundo. Chuuya sorriu. Um sorriso perigoso.
- Eu diria que músicas sempre têm um alvo. - respondeu. - Mesmo quando fingimos que não.
A plateia surtou em murmúrios. O jornalista virou-se lentamente para Dazai.
- Dazai, você ficou surpreso com a música?
- Muito. - respondeu sem pensar duas vezes. - Eu realmente não sabia que ela existia.
- E o que achou?
Dazai olhou para Chuuya antes de voltar para o jornalista.
- Achei ousada. - sorriu. - Combina bastante com o nosso vocalista.
Chuuya bufou, desviando o olhar, cretino filha da puta por quem foi se apaixonar.
- Agora mudando um pouco o foco... - o jornalista tentou aliviar. - Atsushi, Akutagawa, como anda o relacionamento de vocês dois?
Atsushi sorriu, um pouco envergonhado, bela pergunta essa hein.
- Bem. - disse. - Muito bem.
Akutagawa apenas assentiu, não eram muito de falar sobre o relacionamento na mídia.
- Estável. - completou.
A plateia aplaudiu discretamente. O jornalista então virou-se de novo para Dazai, como um predador que escolhe a presa.
- E você, Dazai... como anda o seu namoro?
O ar ficou pesado. Acertou na mosca, essa pergunta era quase a do milhão. Chuuya cruzou os braços, a mandíbula tensa.
- Complicado. - Dazai respondeu com tranquilidade. - Acho que essa é a melhor definição.
- Isso tem alguma relação com a música apresentada hoje?
Um silêncio mortal. Dazai abriu um sorriso lento, não tinha porquê mentir, não é mesmo?
- Talvez.
A plateia explodiu, era isso que queriam ouvir, isso que precisavam e para isso estavam ali.
- Então preciso perguntar diretamente. - o jornalista disse, claramente se divertindo. - Aquela música foi uma indireta pessoal... ou apenas uma performance de palco?
Chuuya inclinou-se para frente, pegando o microfone. Já que Dazai não se importava, ele também não daria a mínima.
- Por que não os dois?
O público foi à loucura. Dazai riu, passando a mão pelos cabelos.
- Eu diria que foi uma performance muito bem direcionada.
Chuuya virou o rosto para ele, estreitando os olhos, filha da puta.
- Não se ache tanto.
- Difícil. - Dazai respondeu, provocador. - Quando cantam assim pra você.
O jornalista pigarreou, tentando retomar o controle, mas realmente não se importava caso eles quisessem atirar verdades na frente das câmeras.
- Então... podemos esperar mais músicas "pessoais" no futuro da Stray Dogs?
Chuuya sorriu para a câmera, os olhos azuis brilhando em divertidamente.
- Se continuarem nos dando motivos... com certeza.
A plateia aplaudiu forte, as câmeras captando cada olhar, cada sorriso torto, cada tensão não resolvida.
Mais algumas perguntas foram feitas e finalmente estavam liberados para irem ao hotel descansar. Atsushi e Akutagawa se despediram dizendo que iriam jantar juntos e então não iriam os acompanhar para o hotel.
Felizmente ou infelizmente, o destino colaborou para deixar os queridos "amigos" sozinhos, poderia ser melhor que isso?
- Você é um cretino. - apontou o ruivo.
- Eu? - arqueou a sobrancelha, um sorriso zombeteiro nos lábios. - Chibi, não fui eu quem escreveu uma música falando que odeia a namorada do amigo.
- Mas não sou eu que namoro e dou em cima de outro cara. - deu de ombros. - Quer mesmo disputar quem é pior?
- Melhor não, já sei que vou ser eu quem vai ganhar.
Chuuya revirou os olhos, se soubesse que o castanho ficaria tão insuportável assim não teria escrito e muito menos cantado a tal música. Coisa irritante isso.
- Arruma sua vida primeiro, depois vem falar comigo. - saiu caminhando e o deixando pra trás.
- Vou fazer isso. - sorriu e deu alguns passos e conseguiu acompanhar o menor. - Mas isso não me impede de te acompanhar até o hotel, já que estamos todos no mesmo.
- Não tente nenhuma gracinha. - alertou e entrou no carro que já os esperava, um lugar mais escondido para não correr o risco de nenhum fã estar perto.
- Já sei que sua carne é fraca, Chibi... e eu sou irresistível.
O trajeto até o hotel foi silencioso demais para o gosto de ambos.
Chuuya encarava a janela, o reflexo da cidade passando rápido demais, como se Londres inteira estivesse borrada junto com seus pensamentos. Dazai, ao lado, parecia confortável demais com o silêncio — o que só deixava tudo mais irritante.
- Você costuma ficar quieto depois de entrevistas? - Dazai quebrou o silêncio, casual.
- Eu costumo ficar quieto quando não quero te mandar calar a boca. - respondeu sem virar o rosto.
- Que evolução. - sorriu. - Geralmente você já teria tentado me empurrar do carro.
- Ainda estou considerando. - virou-se finalmente, os olhos azuis cortantes. - Não se anime.
Dazai riu baixo, apoiando o cotovelo no encosto do banco.
- Sabe... - começou, fingindo pensar. - Aquela parte da música em que você me olha como se quisesse me matar e me beijar ao mesmo tempo...
- Não foi ensaiado. - interrompeu, seco.
- Eu sei. - respondeu rápido demais. - Foi isso que deixou tudo melhor.
O carro parou em frente ao hotel. O motorista desceu primeiro, abrindo a porta. Chuuya saiu sem olhar para trás, andando rápido demais para alguém que dizia querer dormir. Dazai o seguiu como um cachorrinho.
O lobby estava relativamente vazio, apenas alguns funcionários e dois ou três hóspedes distraídos. Eles subiram em silêncio pelo elevador, lado a lado, perto demais para parecer casual.
O visor marcava os andares subindo lentamente, do primeiro até o décimo, onde eles iriam ficar.
- Você vai mesmo fingir que nada disso aconteceu? - Dazai perguntou, baixo, os olhos fixos no reflexo deles no espelho do elevador.
- Eu vou fingir que você ainda tem uma namorada. - Chuuya respondeu. - Porque isso muda tudo.
O sorriso de Dazai diminuiu. Não sumiu, mas perdeu a ironia fácil.
- Eu terminei com ela.
O elevador parou com um ding suave. Chuuya virou-se devagar, totalmente sem reação.
- O quê?
- Terminei com ela enquanto estávamos vindo pra cá. - explicou. - Ela já suspeitava e bem, tava puta comigo e com você. Mas eu não me importo mais, nunca me importei pra ser sincero.
- Por telefone, Dazai? Que cachorro.
Saíram do elevador e por ironia do destino outra vez, as portas de seus quartos eram uma na frente na outra.
- Qual é? Vai reclamar de tudo agora? Eu to tentando arrumar minha vida. - bufou. - Já sei que fui filha da puta, mas eu nunca faria isso em outras ocasiões, nunca fiz.
- Não quero que me trate por conveniência só por causa da maldita música.
- Por Deus, eu nunca faria isso com você. Só não queria continuar errando mais do que já errei, esse namoro durou mais do que deveria.
- Quer pontos por ter terminado? - arqueou a sobrancelha, os braços cruzados na defensiva.
- Não! Só queria que você soubesse. - revirou os olhos.
Dazai observou o ruivo entrar no próprio quarto sem olhar para trás. A porta se fechou com um clique seco, definitivo demais para alguém que dizia não se importar.
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos ainda úmidos de suor e seguiu para o quarto em frente. Assim que entrou, jogou a jaqueta sobre a poltrona e ficou parado por alguns segundos, encarando o nada.
Aquilo tinha saído do controle. Ou talvez sempre tivesse estado assim.
♬ ♫ ♬
O banho ajudou a esfriar o corpo, mas não a cabeça.
Chuuya deixou a água quente escorrer pelos ombros, apoiando a testa na parede do box. A imagem de Dazai sorrindo no palco, no backstage, na entrevista... tudo se misturava com a letra da música que ainda ecoava na mente.
Primeira opção, ele tinha dito. Idiota.
Quando saiu do banho, vestiu uma camiseta larga e uma calça de moletom — confortável demais para alguém que queria fingir que estava tranquilo. Secou o cabelo por cima, sem muito cuidado, e se jogou na cama, pegando o celular apenas para checar a hora.
A tela acendeu.
Nenhuma mensagem, mas também não esperava nenhuma.
- Ótimo. - murmurou, largando o aparelho ao lado.
No quarto em frente, Dazai vestia uma camiseta preta simples e uma calça clara, o cabelo ainda levemente úmido. Abriu a pequena geladeira do quarto e encarou o conteúdo com pouco interesse... até seus olhos pararem na garrafa de vinho tinto que tinha pedido mais cedo, quase por impulso.
Pegou a garrafa e duas taças. Ficou parado por alguns segundos, ponderando.
Não seja um idiota. - pensou. O que, convenhamos, nunca funcionou muito bem com ele.
Pegou o celular.
Dazai:
Você já está de pijama ou ainda tá fingindo que vai sair desse quarto hoje?
Do outro lado da parede, o celular vibrou.
Chuuya pegou o aparelho imediatamente — rápido demais para alguém que definitivamente não estava esperando nada.
Leu a mensagem. Bufou.
Chuuya:
Não é da sua conta.
Alguns segundos depois:
Dazai:
Isso foi um "sim".
Chuuya:
Isso foi um "vai se foder".
Dazai sorriu sozinho, girando a taça vazia entre os dedos.
Dazai:
Tenho vinho.
Chuuya fechou os olhos por um instante. Claro que tinha.
Chuuya:
E daí?
Dazai:
E daí que talvez seja melhor conversarmos como adultos
antes de nos matarmos no próximo ensaio.
Dazai:
Sem palco.
Sem plateia.
Sem entrevistas.
Chuuya mordeu o lábio inferior, encarando o teto do quarto.
Chuuya:
Eu não quero discutir.
Dazai:
Nem eu.
A resposta veio rápido demais.
Dazai:
Só... conversar.
Você, eu e uma garrafa de vinho decente.
Silêncio.
Chuuya se sentou na cama, passando a mão pelos cabelos ainda úmidos. Sabia exatamente no que aquilo podia dar — e justamente por isso o estômago revirava.
Chuuya:
Uma taça.
Chuuya:
Não mais do que isso.
Dazai quase riu alto, até parece que seria só isso, ainda mais vindo do ruivo.
Dazai:
Prometo tentar me comportar.
Chuuya:
Não confio em você.
Dazai:
Eu sei.
A resposta demorou alguns segundos.
Dazai:
Porta destrancada.
Chuuya ficou parado por mais um momento, encarando o celular. Depois se levantou, caminhou até a porta e respirou fundo antes de abrir.
Do outro lado do corredor, Dazai já o esperava, encostado no batente da própria porta, uma taça na mão e um sorriso calmo demais para alguém que tinha acabado de virar a vida de outra pessoa do avesso.
- Você veio. - comentou, como se não fosse óbvio.
- Não se ache tanto. - Chuuya respondeu, entrando no quarto. - É só vinho.
- Claro. - Dazai fechou a porta atrás deles. - Só vinho.
Osamu agradeceu mentalmente a todos os deuses que se lembrava o nome por colocar em sua frente uma divindade tão bela, sería essa uma provação para ver se ele era um homem puro?
Se fosse, ele sentia muitíssimo, porque isso era a última coisa que era.
Sua sorte que era que Chuuya não tinha olho nas costas, porque obviamente iria reparar no olhar nada dissimulado indo diretamente na bunda que parecía mais redonda com essa calça e na pequena parte da cintura que a blusa do pijama deixava a mostra.
- Me abençoem... - murmurou baixinho, mais um pouco e ficava louco.
- Vai servir o vinho ou não? - perguntou o ruivo, já se acomodando na cama, as costas na cabeceira da mesma.
- Eu não sou seu empregado, sabía? - mesmo negando, serviu as duas taças com o vinho.
- Mas me chamou aqui pra beber, o mínimo seria me servir. - revirou os olhos.
Dazai se sentou nos pés da cama, assim olhariam um para a cara do outro mas sem estarem realmente muito perto.
Balançou a taça calmamente, não era o maior apreciador de vinhos, preferia seu insubstituível whisky. Mas beberia pelo menos um pouco por Chuuya.
- E então... - começou, para quebrar o silencio. - Você quer conversar ou brigar?
- Depende do que você vai falar.
- Justo. - suspirou. - Não te chamei pra provocar... não ainda pelo menos.
- Até porque você não consegue fazer isso. - torceu a cara em desgosto fingido.
- Não vem ao caso agora. Eu vou ser sincero com você essa noite.
Chuuya se sentiu arrepiar, tinha medo da sinceridade de Osamu. Era sempre tão inesperada e... verdadeira, vindo dele era perigoso.
- Então fala. - mordeu o interior da boca em ansiedade.
- Olha, eu não sei porque inventei de ficar com a Sasaki, de verdade. Achei que assim poderia te esquecer ou sei lá, fingir que o que sinto por você não passa de um sentimento idiota de criança. - suspirou e passou a mão nos cabelos, os bagunçando ainda mais. - Chuuya, eu gosto de você desde o fundamental e esse sentimento nunca mudou, só ficou mais forte a cada dia. Cansei de acordar te chamando no meio da noite, sempre sonhando com você. Eu fui idiota, sei disso, então por favor me desculpe. Prometo tentar fazer as coisas darem certo entre a gente... se você quiser é claro.
O ruivo abriu e fechou a boca algumas vezes, as palavras presas na garganta. Tinha tantas coisas pra dizer, sempre sonhou com esse momento e sabia exatamente o que diria, mas nesse momento as palavras não saiam.
- Não precisa responder agora. - tranquilizou ao perceber a reação do menor. - Só queria que soubesse disso, você nunca foi minha segunda opção ou plano B, sempre foi e sempre vai ser você, Chuuya.
De zero a dez qual nota ele daria pra essa declaração?
Um cinco, nem tão merda e nem tão boa, mas o suficiente para o deixar sem palavras.
Sempre quis ouvir uma declaração vinda de Osamu e quando ela vem é nessas circunstância, o destino gostava de brincar com sua cara mesmo.
- Você é um idiota, sabia disso? - foi a única coisa que conseguiu dizer.
Dazai riu alto, era de se esperar algo assim vindo do ruivo.
- Mas sou seu idiota. - deu uma piscadela.
- Esperei tanto tempo por isso e quando acontece é num quarto de hotel e com uma garrafa de vinho.
- Sinto muito se você queria uma música inédita cantada para cinco mil pessoas, prometo que da próxima escrevo uma só pra você.
Chuuya revirou os olhos, no fundo criou esperanças para ter uma música só pra ele cantada por Dazai.
O silêncio que seguiu não foi incômodo, era calmo, como se um peso tivesse saído das costas de ambos e deixado o ambiente mais leve.
Terminaram a taça de vinho e encheram outra, em algum momento Dazai colocou uma música pra tocar e tirar o silêncio do quarto. Engataram em conversas aleatórias e falando mal de pessoas que conheciam.
- Só Deus sabe como eu odeio o Dostoyevski. - fez uma careta de desgosto.
- Você odeia todo mundo, Chibi. - Dazai gargalhou.
O efeito do álcool já era notado pelo tom rosado nas bochechas do ruivo e no tom mais alegre e alto de sua voz, não estava realmente bêbado só um pouco mais extrovertido do que o normal.
- Mas é sério, aquele cara é insuportável. Usando aquele chapeuzinho dele e o crucifixo, ele cantou aquela nova música... como se chamava? Holy Mary?
- Mary on a cross. - corrigiu, um sorriso largo enfeitava o rosto.
- ISSO! Quem canta aquela porra com um crucifixo?! Tipo a música é até boa, mas puta que pariu né?
A risada dos dois se misturava no quarto, Chuuya continuava a falar sobre seu ódio com os famosos e Dazai entrava na onda.
- E aquele Nikolai? Pior que o Fyodor só ele mesmo, caralho ele faz uma piada a cada frase que fala. - a taça vazia já estava na mesinha de cabeceira, agora tomava no bico.
- Realmente, Nikolai sabe ser irritante quando quer.
- Então ele sempre quer, porque pelo amor de Deus.
- Tenho dó do Sigma, ter que aguentar aqueles dois deve ser difícil.
- Sim! Coitado, o único que simpatizo desse trio é o Sigma, os outros são um pé na saco. - revirou os olhos.
Chuuya tinha muitas coisas pra reclamar e adorava fazer isso, principalmente quando alguém entrava na sua onda e também falava dos outros.
- Uma coisa que me irrita é quando aqueles famosos fingem uma coisa na tela e na vida real são totalmente o contrário, igual o Stoker. Finge ser tão amigo das celebridades e no fim todo mundo sabe que ele é o dono daquela conta de fofocas.
Dazai arregalou os olhos por um segundo, na verdade ninguém sabia disso. Ele que havia descoberto sem querer e acabou contando para a banda.
- Se alguém escuta você falando isso vão te cancelar na internet... você e o Stoker. - alertou, já estava cogitando tirar a garrafa já quase vazia das mãos do outro.
- Ninguém vai saber disso, só tem eu e você nesse quarto de todo jeito. - deu de ombros. - Eu sempre te disse que não gostava daquele infeliz, aquela pele pálida igual um vampiro centenário.
- Você ama falar da vida dos outros né? - riu.
- Eu só falo porque sei que tem gente que também fala. - deu uma grande golada no vinho e terminou com o conteúdo da garrafa, soltando um soluço no final. - Principalmente o filha da puta Ace.
Osamu torceu a cara com a menção, não odiava ninguém, mas Ace era uma grande exceção. Ele sim era irritante, pra caralho.
- Tenho que concordar. - bagunçou os cabelos.
Olhou a hora no celular, 03:30 da manhã. A simples conversa rendeu mais do que o esperado, e a "uma taça de vinho" se tornou em uma garrafa inteira.
Chuuya largou a garrafa vazia na mesinha de cabeceira e se jogou na cama, a visão um pouco turva por ter bebido o vinho sentado.
- Acho que bebi demais. - suspirou olhando para o teto.
- Já teve dias piores.
O ruivo teve que rir, isso sim que era verdade. Dazai já o viu caindo de bêbado, ao ponto de vomitar nos próprios sapatos e conversar com um saco de lixo pensando que era um cachorro deitado.
Osamu se deitou ao lado do ruivo, viraram o rosto para se encararam simultaneamente, como uma ímã.
- Seu olho é tão bonito... - Osamu deixou escapar
- E o seu é meio avermelhado, parecendo um drogado.
- Você tinha que quebrar o clima? - os dois riram com gosto, se aproximando lentamente.
- Desculpa, não podia perder a oportunidade.
A risada foi cessando aos poucos e sobrou apenas sorrisos suaves e respirações misturadas, agora estavam deitados totalmente de lado, se encarando.
- Para de me olhar assim... - sentia as bochechas quentes, e não era do vinho.
- Assim como?
- Como se fosse pular em mim.
- Eu quero pular em você. - a sinceridade pegou o ruivo de surpresa, esperava alguma piadinha. - Mas prometi me comportar, lembra?
Chuuya se aproximou perigosamente, segurando a gola da camisa de Dazai, puxando-o inconscientemente mais perto.
- Então se comporta mal só um pouco... - murmurou.
Os olhos avermelhados desviram dos azuis profundos e desceu até a boca avermelhada pelo vinho, tão convidativos.
Nao pensou duas vezes antes de capturar a boca de Chuuya em um beijo, não era calma e também não apressado, trazia a intensidade dos sentimentos que só eles tinham.
As línguas se enroscando de forma deliciosa. Dazai apertou a cintura do outro e o puxou mais perto, querendo fundir os corpos até se tornarem um só.
Chuuya suspirou e emaranhou os dedos nos cachos castanhos, puxando e acariciando com vontade. Jogou uma perna por cima da de Dazai, sem qualquer intenção de se afastar.
O beijo foi quebrado, as respirações pesadas e trêmulas, os olhos se encarando a todo momento.
- Dorme aqui hoje... - pediu, a mão grande desenhando círculos na cintura alheia.
Chuuya fechou os olhos por um segundo e concordou, não queria ter que voltar pro seu quarto de qualquer jeito.
- Mas só dormir. - avisou.
- Prometo me comportar. - deu um sorrisinho, sem ironia por trás.
Não mudaram de posição, Dazai apenas puxou a coberta pra cima deles s esticou o braço para apagar a luz do quarto, – hotéis e seus maravilhosos interruptores perto da cama – o ambiente ficou no breu total.
Era confortável estar ali, não resolvia nenhum dos problemas, mas por uma noite fingiriam que só existiam eles. Sem banda, sem shows, sem fãs, sem músicas de indireta... apenas Osamu e Chuuya.
- Boa noite, Chibikko. - murmurou, mesmo sabendo que o outro já havia entrado mundo dos sonhos.
Ali naquele quarto de hotel – depois de um show lotado e uma garrafa de vinho – foi onde puderam soltar o que estava preso por tanto tempo.
Ainda tinham muito que conversar e resolver, mas só de estarem ali dormindo juntos já era um bom começo.
Finalmente juntos, pelo menos por essa noite e isso já era o suficiente.
