Actions

Work Header

Calmaria

Summary:

Dandy sempre gostou de Astro, romanticamente ou não, sempre teve um carinho a mais pela lua, e não a deixaria sozinha durante seus momentos difíceis, independente de qualquer coisa…

A prioridade era o menor, o protegeria de todos os males do mundo, e se fosse preciso, até de si mesmo

Notes:

Também postada no wattpad, caso queira dar uma olhada
https://www.wattpad.com/story/387427458-calmaria-moonflower-dandy%27s-world
aqui esta

Podem ter erros de Português

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

As 19h o despertador tocou, algo que já estava quase se tornando rotina

Dandy logo desligou o alarme e se levantou, indo desligar as luzes da casa, deixando apenas as que eram mais fracas e as luminárias, tornando o ambiente escuro e aconchegante.

Foi até a área de serviço buscar a ração de cachorro, e não demorou nem 2 segundos para Pebble aparecer logo atras de si, assim que ouviu o barulho da comida.

– Ta na hora de comer garotão – Fez um leve carinho em sua cabeça, se retirando do local com Pebble o seguindo bem de perto, ansioso para isso, porém, não deixando de ser o cachorro comportado e treinado que ele é.

Ao chegar na varanda, colocou a comida em seu pote de ração, sorrindo ao ver o canino sentado ao seu lado o esperando terminar, balançando o rabo, e não demorou mais para começar a comer assim que Dandy se levantou, devolvendo o pote para a área de serviço, e também trocando a água para o animal, colocando uma mais limpinha e fresca.

Então, foi atrás do Astro, que estava sentado no sofá vendo tv, abraçado a uma almofada. se aproximou sem pressa, vendo o menor quietamente desviar o olhar para si. pegou o controle, desligando a tv e se pôs de pé em frente a lua, que logo lhe estendeu a mão, entregando o celular a Dandy, que o guardou no bolso da calça.

No início, Astro não gostava dessa ideia de ter mais calma durante a noite, mas depois de alguns dias, ele entendeu o quão bem aquilo estava fazendo pra ele.

Acontece que o de azul tinha muita dificuldade em dormir, acordando diversas vezes durante a noite, tendo muitos pesadelos, e as vezes sofria com paralisias do sono e, por isso, facilmente ficaria uns 3 dias sem dormir, por medo, entretanto, Dandy o ajudava muito com isso, tirando luzes fortes, barulho altos e agitação de perto da lua quando chegava a noite, sendo assim, sem tv, celular ou computadores, sem preocupações, apenas um pouco mais de calma, afinal, qual era o problema em fazer as coisas com um pouco mais de lentidão? Já em relação aos pesadelos e paralisias, ele não conseguia fazer tanto, mas sempre se esforçava para trazer algum conforto ao menor, e tentar o fornecer um resto de noite ou manhã confortáveis após tais quadros.

Se pôs mais pra frente, abraçando fracamente a cintura da flor, e apoiando a cabeça em sua barriga, recebendo um carinho no cabelo. Às vezes -a grande maioria das vezes- era difícil se expressar com palavras, principalmente na frente de outras pessoas, o mais alto entendia isso, por tanto, admirava esses momentos de afeto -que não eram nada raros de se ver- vindo do menor.

Tudo que estava fazendo, era para o ver bem, o fazer se sentir melhor depois de tudo o que passou, e por mais que realmente estivesse funcionando, o menor ainda se encontrava com olheiras, olhos baixos e postura cansada, tudo nele gritava, o dizendo o quão exausto estava, implorando por mais alguns minutos de descanso, e Dandy estava lá especialmente para atender a esse pedido.

Se ajoelhou entre suas pernas, segurando seu rosto, deixando um carinho em suas bochechas enquanto o sentia apoiar os braços em seu ombro, fechando os olhos e apreciando o toque.

– … Eu to com dor de cabeça – Astro sussurrou com a voz rouca, pela falta de sono.

– Vou fazer seu chá e trazer seus remédios, vai fazer você se sentir melhor, tudo bem? – respondeu baixo, beijando sua testa, recebendo um resmungo em concordância – está sentindo mais alguma coisa? – suas palavras eram gentis, realmente preocupado com seu bem estar.

– Não… – seu tom era cabisbaixo – …só traz um casaco pra mim também… por favor – pediu

-essa noite estava mais fria do que o comum-, tocando a mão que acariciava seu rosto, pedindo silenciosamente para que ela nunca saia dali, e ele sempre possa sentir esse toque, ou qualquer outra coisa do tipo, contanto que venha de Dandy.

– Claro, meu amor – então se levantou, rompendo o toque – eu já volto – beijou sua testa mais um vez, sorrindo carinhoso e saiu, deixando um Astro carente para trás, que não escondeu sua insatisfação com tal ato, automaticamente encostando-se no sofá novamente de forma mais desleixada que anteriormente.

A flor, antes de qualquer outra coisa, passou no quarto e logo voltou com o moletom em mãos, entregando a lua, que o recebeu de bom grado, sorrindo minimamente, era um casaco do Dandy, e ficou um pouco grande em si, mas para dormir era perfeito. Agradeceu baixinho, voltando a se derramar no sofá, desta vez, abraçando a almofada que tinha sido deixada de lado por um tempo.

Então se retirou novamente, indo pra cozinha, também tinha esse costume de fazer chá a esta hora, Dandy sentia que tal coisa fazia diferença, já que Astro ficava visivelmente mais relaxado quando tomava, mesmo que ele não gostasse muito, apenas não queria trazer mais complicações à rotina já definida.

Enquanto a água fervia, ele ia separando os remédios; antidepressivo e remédio pra dormir, que fazem milagres na vida do menor, entretanto, ainda sonhava com o dia em que ele não iria mais precisar tomá-los. Aguardou alguns minutos o chá ficar pronto, o despejando em uma caneca, que num instante ficou quente ao entrar em contato com o líquido. O levou de volta pra sala junto aos remédios, vendo o menor observar o céu estrelado pela sacada, ainda na mesma posição desleixada no sofá desde de quando saiu, parecia entediado, mas logo desviou seu olhar para Dandy, que se sentou ao seu lado, entregando a caneca.

Ele definitivamente não era fã de chá, e se dependesse de si mesmo, nunca ao menos teria experimentado, mas tomou o primeiro gole, sentindo o líquido quente acariciando sua garganta e aquecendo seu corpo, a sensação era boa, já o gosto.. nem tanto, lhe foi entregue os comprimidos logo em seguida, que foram tomados um de cada vez.

A flor o observava com atenção, admirando cada detalhe de seu rosto cansado, da forma como seu corpo se movia lentamente, seus dedos envolvendo a caneca, ele ficava tão bem usando suas roupas, queria que o tempo parasse nesse momento, calmo, sem complicações ou preocupações, apenas os dois ali juntinhos.

Entregou a caneca que agora estava vazia para o maior, que a colocou na mesinha de centro que estava logo à frente. Se ajeitou no sofá, abrindo os braços levemente, chamando Astro para deitar em seu colo, que aceitou a proposta, se aconchegando em seu peito e se deitando sobre seu corpo. Passou, então, a enrolar seus dedos nos fios lisos e escuros do menor, enquanto também acariciava suas costas.

– …Eu te amo – o ouviu dizer baixinho logo abaixo, seu tom era melancólico e arranhado, mas Dandy sentiu seu coração bater errado após tal declaração.

– Eu também te amo, meu amor, você é tudo pra mim – puxou pra cima, e Astro aproveitou a oportunidade para enfiar o rosto em seu pescoço, apertando o abraço, fungando sensível quando seus olhos se encheram de lágrimas.

Não sabia de onde veio tanta fragilidade, apenas estava cansado de carregar todos esses sentimentos em meio a um momento tão difícil de sua vida, apenas queria um descanso, queria apenas não tentar acabar com tudo de novo, se era apenas ele e Dandy ali, que fosse pra sempre e que todas essas dores fosse embora no momento em que seus toques eram tão intensamente quentes, como se fosse queimar sua pele.

Sim… era apenas isso que ele queria.

O maior não questionou quando o sentiu começar a chorar contra si, até porque já não era a primeira vez que isso acontecia, que ele tinha crises de choro ou pânico. O abraçou firme e com cuidado, o permitindo colocar todas essas lágrimas pra fora, toda essa dor.

Ele não merecia tudo isso…

Ninguém merecia ver sua própria irmã morrer em sua frente, é algo brutal demais pra qualquer um aguentar sozinho. Eles sempre foram muito apegados e se davam muito bem, principalmente na infância, ter uma parte tão essencial de sua vida lhe arrancada tão repentinamente, criou um caos na mente da pequena lua, que agora estava tão solitária.

Felizmente, Dandy não podia ter aparecido em um momento melhor, que mesmo vendo o desastre em que Astro se encontrava, não se afastou e o estranhou, muito pelo contrário, o acolheu e se comprometeu a curar todas as feridas que foram deixadas grotescamente ali.

Essa era uma promessa que havia feito; não importava quanto tempo demorasse, nem o quão difícil seria, ele jurou pra si mesmo e para o amor da sua vida que não sairia de seu lado até que todas as partes quebradas de seu coração se reencontrassem de novo, isso já era algo que estava bem claro em sua mente.

Aos poucos, as lágrimas foram parando de cair, e os soluços se tornaram mais fracos e menos frequentes, mas a flor nem ao menos fez menção a se afastar, continuou ali, o abraçando e acariciando, ouvindo sua respiração ficar cada vez mais calma.

Ainda era meio cedo pra dormir, mas independente do horário ou local, Dandy nunca iria impedi-lo de tirar uma sonequinha, e também não iria o acordar, independente de quanto tempo ele está dormindo, não quando se é alguém que enfrenta tanta dificuldade pra fazer tal coisa.

Deixou um beijinho em sua bochecha, o ouvindo resmungar em resposta.

Aquela era realmente a pessoa que ele mais amou e amava em toda a sua vida.

Continuou ali o aninhando por mais algum tempo depois que Astro pegou no sono antes de o levá-lo para a cama.

_______

Seu corpo estava pesado demais pra conseguir se mover, e o ambiente ao seu redor estava escuro demais para conseguir enxergar algo. De certa forma, já estava acostumado com isso, entretanto ainda era difícil de se lidar e hoje parecia mais intenso de algum jeito.

Ainda sem ter discernido o que era sonho e o que não era, parecia tudo confuso e embaralhado em sua mente, mas havia algo que estava bem claro, um sentimento…

O medo

Se sentia como uma criança acordando de um pesadelo, mas era tudo tão intenso…

Se ergueu minimamente, vendo Dandy dormindo logo ao lado, ele parecia cansado, não queria o deixar mais preocupado do que já estava, não lhe parecia justo, já fazia meses que a flor estava cuidando de si, só por que a lua não conseguia fazer isso sozinha, se sentia mal em estar dando tanto trabalho.

Antes que pudesse perceber, as lágrimas já estavam caindo novamente, junto a uma angústia que o corroía de dentro pra fora. Estava se sentindo tão frágil, tão inútil…

Mesmo com o corpo fraco, Astro se esforçou pra se levantar, e de preferência, sem acordar o mais velho, não iria lhe trazer mais problemas. Mas estava tudo bem, só precisava de um minutinho pra se acalmar e recompor, ele consegue fazer isso sozinho, não precisa de ajuda em tudo, afinal, ele já é um adulto.

Não ligou a luz quando entrou no banheiro, se apoiando na bancada da pia, ficando assim por alguns segundos, tentando entender o que estava sentindo, chegando a conclusão que não queria saber, mesmo que fosse necessário.

Estava emocionalmente sobrecarregado, mas tentava negar isso a si mesmo. Não teve coragem de erguer a cabeça e se olhar no espelho, mesmo que estivesse escuro e não fosse enxergar muita coisa, entretanto, aos poucos sua visão ia se acostumando com a escuridão.

Permaneceu quieto e parado ao ver pequenas gotas caírem no mármore logo após seus olhos se inundarem mais uma vez, borrando sua vista.

Ainda se sentia tão angustiado, era uma dor, que não importa o que tentasse fazer, ela não ia embora, já estava tão cansado de tudo isso… seus joelhos fraquejaram, sua base tremeu, desabando ao chão conforme seus olhos mais e mais transbordavam, agora sem seu antigo brilho.

Se curvou para frente, tampando o rosto com as mãos, soluçando baixinho à medida que sua respiração se tornava mais ofegante.

Por quê que tudo isso era tão difícil?

Realmente não existia nenhum remédio para essa dor?

Nada poderia lhe tirar desse abismo?

Até quando teria que aguentar tudo isso?

Começou a vagar por entre suas memórias, tentando buscar conforto em alguma resposta que faça pelo menos um pouco de sentido, mas estava tudo corroído e destruído, como se alguém tivesse invadido e vandalizado sua própria mente, e quando percebeu, seu corpo inteiro já estava tremendo em desespero, respirar se tornou uma tarefa complexa demais pra ele conseguir exercer corretamente.

De fato… ele não conseguia fazer isso sozinho.

Era tão incapaz como todos os outros, e morrerá como todos os outros que tentaram antes dele. Apertou sua pele, cravando as unhas roídas pela ansiedade e seu rosto, incomodando sua carne, a dor o fazia lembrar que ainda estava vivo e isso não lhe agradava muito por algum motivo.

Se ele morresse, ele iria se reencontrar com ela? esperava que sim, precisava que sim, entretanto, isso estava longe de ser algo alcançável, já que Dandy fez um bom trabalho em esconder e guardar tudo que era minimamente cortante ou que poderia trazer algum risco a vida de Astro, então a única coisa que ele conseguia fazer agora era continuar batendo sua cabeça no chão na esperança de espantar pelo menos um pouquinho desse desespero interno…

_______

A flor sonhava inquietamente, sem ter consciência do que acontecia do lado de fora, entretanto, seus sonhos estavam cada vez mais agitados e hostis.

Então acordou confuso, com uma pulga atrás da orelha. Resmungou baixinho se virando para abraçar seu namorado, despertando completamente ao não vê-lo na cama

– Astro? – se levantou preocupado, tentando enxergar alguma coisa no escuro, não havia nenhuma única luz para se guiar ali.

Não esperou até ter uma resposta, se levantando, mas antes de de fato começar a procurá-lo, vou baixos soluços vindos do banheiro, se dirigindo ate lá rapidamente, o encontrando sentado no chão, encolhido contra a parede

– Meu amor… o que houve meu bem? – se aproximou cuidadosamente, sentado ao seu lado, tocando seu ombro, o vendo se assustar ao ouvir sua voz, e tremer ao sentir seu toque.

– … Me- me desculpa… e- eu…! – começou embolado, com a voz embargada, olhando pra qualquer outra coisa que não fosse o Dandy que o via por completo menos com a escuridão o cobrindo, cada detalhe, cada ferida.

– Tá tudo bem, por que está pedindo desculpa? nada disso é sua culpa – se aproximou, o puxando para o acolher em seus braços, ato que foi permitido pelo menor, que o agarrou ainda desesperado.

– E- eu só não… não queria q- que… – estava quebrado de todas as formas possíveis, e fingir que isso não era verdade, estava o destruindo mais ainda. Apertava a blusa de Dandy, encostando seu rosto em seu peito. De certa forma, estava envergonhado por ser visto assim, mas já estava quase se tornando algo normal em sua rotina – eu.. eu sei que eu te dou trabalho demais e- não era pra..! eu ju-ro que…- – cada palavra era como uma facada em seu ego, se arrependendo amargamente de cada uma, era melhor só calar a boca logo e acabar com esse drama…

– Trabalho? – sorriu, carinhoso, o puxando mais para perto, acariciando suas costas – meu amor, tudo que eu faço por você, eu faço porque eu te amo, eu- – foi interrompido

– Mas isso é muito.. eu poderia ajudar mais..! se eu nã- isso não é justo – tentava afobadamente explicar seu ponto, mas os soluços e lagrimas o atrapalhavam, sua mente estava bagunçada demais pra isso

– Ei.. me ouça – segurou gentilmente suas bochechas, o fazendo olhar pra si – você é a coisa que mais importa pra mim e não importa o que eu tenha que fazer ou o quanto tenha que fazer, eu faria qualquer coisa pra te ver bem, me entende? – suas palavras eram sinceras, vindas do fundo de seu coração, as dizia sem peso enquanto limpava as lágrimas que insistiam em continuar caindo, secretamente admirando a beleza de residia ali e não sumia nem mesmo em seus piores momentos – Então apenas me deixe continuar a cuidar de você, certo? Você não precisa se preocupar, não precisa fazer nada, apenas me deixe cuidar se você e não se culpe mais por isso – Beijou seus olhos que estavam úmidos, porém, mais calmos que antes, seu rosto todo estava avermelhado.

– … – Astro não sabia como responder ao pedido, estava até meio chocado com tal coisa, então voltou a chorar, mas dessa vez por um motivo diferente

Estava grato, genuinamente grato, as lágrimas que caíram eram quentes em felicidade, uma que ele não sentia a um bom tempo, e o sorrisinho que Dandy deixou escapar ao vê-lo assim lhe arrancou toda a vergonha ou medo que ainda restava dentro de si, num ato necessitado o abraçou fortemente, se permitindo colocar tudo pra fora, lhe mostrou com amor cada uma das rachaduras de seu coração e a flor também não hexitou ou pensou duas vezes antes de retribuir, o aconchegando mais uma vez em seus braços.

Estava mais do que disposto a isso e, mesmo se não tivesse, faria mesmo assim. No fundo ele nunca seria capaz de fechar o buraco que a partida de sua irmã deixou em seu peito, mas se sua presença ali fizesse com que a dor diminuísse pelo menos um pouquinho, era isso que iria fazer, até o fim.

Não se importava em passar noites acordado junto a lua quando a mesma não conseguia dormir, o guardaria debaixo de suas pétalas quanto tempo fosse necessário, e se fosse preciso, pra sempre.

– E- eu te amo… – O ouviu resmungar rouco logo abaixo, com dificuldade graças as lagrimas e soluços – Eu te amo mais que tudo… – Suas palavras frágeis colocaram um ponto final em sua decisão

– Eu te amo mais – Não demorou ou pensou duas vezes antes de responder na mesma intensidade. Acariciando seu corpo, reconfortando sua mente…

Ele gastaria toda sua sanidade para reconstruir a de Astro

Notes:

Não sei de onde eu tirei essa ideia do Astro ter uma irmã, acho que só coloquei qualquer coisa pra essa situação fazer sentido...