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Eu... Sinto Muito...

Summary:

A escuridão se espalhava como tinta derramada pelo vazio, enquanto avançava lentamente. Passos pesados, a lâmina fria na mão. Cada movimento parecia errado. Forçado. Como se cordas invisíveis puxassem, o manipulando contra sua vontade.

E logo adiante.

Parado.

Ofegante.

Estava seu irmão.

Que em nenhum momento ousou contra-atacar.

Notes:

Para não precisar usar os nomes o tempo todo, optei por usar apelidos.
Morajo: Maçã Vermelha, Vermelho.
Torajo: Maçã Verde, Verde.

Boa leitura :)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

O chão tremia sob si.

Não.

Não era chão.

Era algo viscoso. Negro. Vivo.

A escuridão se espalhava como tinta derramada pelo vazio, enquanto avançava lentamente. Passos pesados, a lâmina fria na mão. Cada movimento parecia errado. Forçado. Como se cordas invisíveis puxassem, o manipulando contra sua vontade.

E logo adiante.

Parado.

Ofegante.

Estava seu irmão.

Que em nenhum momento ousou contra-atacar.

— Eu não quero revidar, não dessa vez...— a voz ecoando baixa pelo espaço vazio. — Não vou mais lutar contra você.

O Vermelho Tentou responder.

Tentou parar.

Mas sua mão manteve se firme a lâmina, continuando sem hesitar.

A gosma preta subia por seus braços, pulsando em sua pele, inundando sua mente. Seu olhar para o Maçã Verde era frio, sem emoção. Seus dedos apertaram ainda mais a arma.

Sem desistir, o Verde deu um passo à frente.

Cauteloso, estendeu a mão.

Os olhos fixos no irmão de vermelho.

— Eu sei que você ainda está aí. Sei que pode me ouvir

Para.

Ordenou ao seu corpo, mas ele não o obedecia.

Por favor, para!

Pediu desesperadamente para que parasse, mas seus apelos permaneciam apenas dentro de sua cabeça.

Porque seu lábios permaneciam fechados, por mais que quisesse responder.

Sem nenhum aviso.

Seu corpo avançou num impulso brutal.

Rápido demais.

Intenso demais.

A lâmina cortou o ar.

O Maçã Verde arregalou os olhos.

Então veio o som.

Seco.

Cruel.

O tempo desacelerou.

O Verde nem teve tempo de processar o ataque, enquanto sua visão se escurecia e ele perdia o equilíbrio. Seu corpo caiu, lento, como se o próprio vazio o puxasse para baixo.

— …Torajo!?…

Por favor... por favor, levanta.

Nada.

A lâmina escura escorregou de seus dedos.

As cordas que o manipulavam cedendo.

Ele caiu de joelhos ao lado do irmão, as mãos pairando sob o corpo inerte.

— Não… não, não…

A escuridão começava a subir pelo corpo do Verde, pouco a pouco o Consumindo.
O que foi que eu fiz.

— Torajo! — toca o ombro de seu irmão desesperadamente. — Olha pra mim! Fica comigo...

Torajo abriu a boca.

Quase sem forças.

— M…Morajo…

A voz falhou.

Ele...ele não podia perdê-lo...

Então sem pensar duas vezes, com um movimento rápido, puxou o irmão contra si. Como se pudesse impedir o algorithomos de levá-lo embora.

Mas o elemento continuava avançando. Lento. Sufocante.

Atingindo braços, peito, pescoço...

O Vermelho se encolheu trazendo o para mais perto — E... eu...não queria… — a voz quebrou num soluço sufocado. — Eu juro… que não queria…
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O Verde não reagiu.
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— T... To... Torajo…?
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Silêncio.
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Morajo afastou o rosto lentamente.

Não havia respiração, apenas um corpo imóvel.

Sem vida.

E em segundos, a escuridão o engoliu. Sem misericórdia, sem perdão.

— NÃO!
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Num sobressalto, seus olhos se abriram.

A respiração saiu falha. Seu corpo inteiro tremia, seus olhos encaravam o teto enquanto ele tentava entender onde estava.

Ele levou a mão ao rosto.

Sentiu algo pegajoso, molhado...

Seria?... Não, aquela gosma preta é mais viscosa.

Olhou para a mão, o líquido transparente brilhando com a luz do luar que escapava pelas frestas da cortina.

Então deve ser...

Lágrimas.

Desde quando ele começou a chorar descontrolavelmente?

Virou o rosto rapidamente, enxugando-as com força, numa tentativa fracassada de conte-las.

Seu olhar percorreu o cômodo, buscando de alguma forma aliviar seu tormento.

Então viu.

A fotografia sobre o criado-mudo.

Ele e Torajo.

Seus olhos pousaram na figura de seu irmão.

Sorrindo.

Vivo.

Sua mão se moveu hesitante, até que seus dedos roçassem a moldura, deslizando levemente sobre superfície lisa.

O peito apertou.

Não.
Ele precisava ver seu gêmeo.

Agora.

Um brilho vermelho azulado crepitou ao redor de seu corpo.

E, num único instante, desapareceu em um flash de luz.

Notes:

Bom, espero que tenham gostado. em breve estarei postando o segundo capítulo, não pretendo demorar já que estou na metade. Então fiquem ligados nas próximas atualizações.