Chapter Text
Mergulhado em uma névoa opaca e viscosa, Uzumaki Naruto sentiu o tempo esticar e contrair como uma membrana metálica.
A cada respiração, o ar gélido e úmido penetrava em seus pulmões, trazendo consigo o gosto amargo da derrota.
O mundo ao seu redor era um borrão indefinido, uma tela em branco onde as lembranças se estilhaçaram como vidros quebrados.
A sensação de queda era constante, um abismo infinito se abrindo sob seus pés, como se estivesse flutuando no universo.
O peso da culpa, como uma âncora de chumbo, o arrastava para as superadas, e a solidão era um manto pesado sobre seus ombros.
A lembrança da batalha, a traição, a perda de pessoas importantes... Tudo se misturava em um turbilhão caótico em sua mente.
A imagem de Hinata , com seus olhos gentis e sorriso caloroso, era um fantasma que o assombrava.
A promessa de protegê-la, de construir uma família, agora parecia uma piada cruel do destino.
A culpa é a corrosão por dentro, como um ácido que dissolve sua alma. E a raiva, uma força brutal e cega, pulsava em suas veias, exigindo uma vingança que ele sabia ser inútil.
Onde estava Kurama ? O vínculo com a raposa demoníaca, antes tão forte, agora era apenas um eco distante.
A energia vital que o conectava ao mundo ninja havia se esvaído, deixando-o à deriva em um mar de nada.
A sensação de impotência era insuportável.
Uzumaki Naruto, o herói da Vila da Folha, o Hokage, agora era apenas um homem fraco e perdido, à mercê de forças além de sua compreensão.
Enquanto isso, imóvel e silencioso, Uzumaki Boruto estava aprisionado em um vazio absoluto.
A ausência de qualquer estímulo sensorial o levava à loucura.
A escuridão era tão densa que parecia palpável, pressionando contra suas pálpebras fechadas.
A cada tentativa de se mover, sentia-se mais paralisado, como uma marionete com os cordões cortados.
A lembrança do ato que havia "cometido" ecoava em seus ouvidos como um sino fúnebre.
A traição de um irmão, o assassinato que fora acusado, a perda de sua identidade... Tudo se misturava em um turbilhão caótico em sua mente.
Onde estava o garoto que sonhava em superar o pai? Onde estava o ninja que ansiava por reconhecimento? A máscara de arrogância e rebeldia que usava para se proteger havia se desfeito, revelando um interior frágil e atormentado.
A culpa o consumia, mas era acompanhada por uma estranha sensação de libertação.
Ao eliminar seus inimigos, havia se livrado de um fardo, mas ao mesmo tempo, havia se condenado à solidão eterna.
A ausência de chakra era como um buraco negro sugando a vida de ambos.
A energia vital que os conectava ao mundo ninja havia se esvaído, deixando-os à deriva em um mar de nada. A sensação de impotência era insuportável.
Uzumaki Boruto, o prodígio da nova geração, havia se transformado em um monstro sem alma, ele apenas era Ōtsutsuki Boruto. Apenas ele contra o mundo.
EM ALGUM LUGAR DO ESPAÇO TEMPO.
Uma residência futurista, com linhas arquitetônicas fluidas e materiais luminescentes, pairava em um espaço indefinido, entrelaçando passado, presente e futuro.
A atmosfera era vibrante, pulsando com uma energia cósmica que ecoava em cada canto.
Painéis holográficos projetavam paisagens celestiais e constelações desconhecidas, enquanto uma suave melodia composta por harmonias interdimensionais preenchia o ambiente.
No centro da sala principal, um orbe luminoso pulsava, projetando imagens caleidoscópicas que refletiam a infinidade de possibilidades.
Era o coração da residência, a resposta para as linhas temporais.
Uma figura misteriosa saltitava alegremente entre uma pilastra e outra, muito animada para seu próprio bem.
Ela era ninguém menos que a anfitriã daquele local.
Ela, com sua voz suave e envolvente, ecoou em cada mente presente:
"Bem-vindos, arquitetos do tempo, eu sou Lyn, a anfitriã deste lugar."
"Este é um lugar onde o tempo se curva e as realidades se entrelaçam. Aqui, vocês terão a oportunidade de moldar seus próprios destinos, explorando os infinitos caminhos que a vida poderia ter tomado. Cada um de vocês foi selecionado por uma razão específica. Vocês são os arquitetos de suas próprias histórias, e este é o momento de construir o futuro que sempre desejarem."
Ela flutua mais acima, olhando pelas janelas os corpos adormecidos de todos.
"Esta residência é um laboratório temporal, um espaço onde as possibilidades são infinitas. As salas que vocês encontrarão são mais do que simples cômodos, são as respostas para realidades alternativas. Cada cor representa uma linha temporal distinta, um universo paralelo que aguarda para ser moldado."
"Ao saírem de suas respectivas salas, vocês não apenas reviverão e conhecerão momentos-chave de suas vidas, mas também terão a chance de alterá-los, de criar novas possibilidades."
Ela salta para o chão, aterrissando graciosamente enquanto passa pelos enormes corredores com várias portas de cores distintas.
"Cada sala é um ecossistema completo, com suas próprias regras e leis físicas. A comida e os recursos que encontrarão em cada sala são específicos para aqueles que habitam nela."
"No entanto, é crucial que preservem a integridade de cada linha temporal. A troca de informações diretas entre as diferentes realidades pode criar paradoxos e desestabilizar o continuum espaço-temporal."
"A residência será a guardiã do conhecimento e somente por meio dela vocês poderão descobrir sobre o que desejam, claro, assim é mais divertido"
"Ao final de suas jornadas, cada um de vocês compartilhará seus aprendizados e descobertas com a residência. Será ela quem, de forma imparcial e objetiva, apresentará as informações sobre o futuro e o passado, garantindo que o equilíbrio seja mantido, mas lhe dando a oportunidade de mudar seus destinos pré-escritos."
"A jornada que se inicia agora é um convite à introspecção, à reflexão e à descoberta. Ao longo deste percurso, vocês poderão reescrever suas histórias, corrigir erros do passado, e construir um futuro mais promissor."
"As ferramentas para moldar a realidade estarão à sua disposição, mas lembrem-se, com grande poder vem grande responsabilidade. Cada escolha que fizerem terá um impacto, não apenas em sua própria vida, mas também no tecido do tempo."
"A manipulação das linhas temporais é um ato poderoso, e deve ser realizada com sabedoria e cuidado. O objetivo desta jornada é construir um futuro melhor, não apenas para vocês, mas para toda a humanidade."
"Mas a observação não é o único objetivo. Vocês são os arquitetos, e a criação é o seu destino. Ao longo desta jornada, vocês poderão reescrever suas histórias, corrigir erros do passado, e construir um futuro mais promissor. Por isso, quero enfatizar bem a importância de vocês fazerem isso."
Ela flutua novamente, se jogando no espaço projetado e sumindo na vasta galáxia temporal.
"Espero que abracem essa oportunidade, e encontrem um caminho para um futuro de paz".
-
SALA AMARELA
A luz amarelada, quase opaca, filtrava pela única janela da sala, projetando sombras longas e distorcidas nas paredes manchadas.
O ar era pesado, carregado de uma tensão palpável que cortava o silêncio como uma faca.
Lentamente, os ninjas despertavam, seus olhos vagando pelo ambiente desconhecido. A percepção da realidade se instalava aos poucos, trazendo consigo um choque de reconhecimento e uma estranha sensação de déjà vu.
Eram inimigos, separados por aldeias, por crenças, por sangue. A Segunda Guerra Ninja era a ferida aberta que os dividia.
Mas aqui, neste lugar estranho e onírico, as linhas inimigas se estilhaçaram.
O Kazekage, com sua postura imponente e olhar penetrante, quebrou o silêncio:
- Estamos em lados opostos, mas acredito que devemos dar uma trégua até lidarmos com essa situação. - Sua voz, embora firme, carregava um tom de incerteza.
Os ninjas de Konoha trocaram olhares tensos.
Hatake Sakumo, o homem conhecido como canino branco, assentiu com a cabeça, sua expressão impassível.
- Estamos de acordo, Sandaime Kazekage.
Tsunade, a kunoichi mais famosa de Konoha atualmente, examinava a sala com olhos atentos.
- Também não consegui encontrar nenhuma saída além daquela porta e janela, e não importa quanto tente, eu não consegui quebrá-las. - A mulher loira, com seus olhos castanhos, transbordava uma calma tensa, como se estivesse à beira de uma explosão.
Jiraiya, o sannin pervertido, cruzou os braços, pensando que se nem Tsunade-hime consegui passar por aquela porta, definitivamente eles estavam presos ali.
- Sensei não está aqui, devemos coletar o máximo de informações possíveis. - Seus olhos, normalmente tão vivos e divertidos, estavam sérios, focados em desvendar o mistério que os cercava.
A sensação de estar preso em um pesadelo era avassaladora, mas ao mesmo tempo, havia uma estranha sensação de camaradagem, de compreensão mútua, que florescia entre os inimigos.
Isolados em um recanto estratégico, os quatro shinobis de Suna e o jovem Sasori observavam a movimentação com cautela.
A mãe da criança, com o pequeno nos braços, dirigiu-se a Sasori com voz carregada de apreensão
- Meu filho, não se afaste de nós.
Chiyo, a lendária marionetista, analisava cada gesto da mulher loira do outro lado da sala, seus olhos cintilando com uma sagacidade.
- É prudente que nos mantenhamos vigilantes. A hostilidade paira no ar, e qualquer movimento precipitado pode desencadear um conflito.
O homem ao lado da criança concordou com a conselheira, enquanto o Kazekage, com a autoridade de um líder experiente, reforçou a necessidade de cautela.
- Não se descuidem em momento algum. Estejam sempre atentos a qualquer movimento.
O olhar do casal, no entanto, não se desviava de Hatake Sakumo.
Havia algo naquela figura taciturna que despertava em ambos uma sensação de desconforto, uma inquietação que se recusava a ser silenciada.
Sakumo, por outro lado, observava a criança de Suna brincar com uma kunai. A forma como o garoto segurava a pequena arma, com uma destreza que não condizia com sua idade, o deixou intrigado.
Lembrou-se de seu próprio filho, das vezes que brincou de ninja com o garoto, embora o pequeno Hatake fosse mais habilidoso que muitos ninjas gennins experientes.
Mas a criança de Suna, seus olhos brilhavam com uma intensidade que ia além da simples diversão.
Era como se ela já estivesse preparada para enfrentar os desafios do mundo ninja.
De alguma maneira, ele podia ver seu filho ali. E aquilo o aterrorizava em seu âmago mais profundo.
E naquela sala de espera, antecâmara de uma reunião crucial, que continha uma tensão no ar, o ninja de renome fixava o olhar em um ponto distante, sua mente distante daquela sala.
- Kakashi... - sussurrou para si mesmo, a voz rouca de preocupação. - Um prodígio, sim, mas a que custo? O que o futuro espera para você, meu filho?
Seus olhos, normalmente tão firmes, estavam nublados por uma melancolia profunda.
Recordava-se das noites em claro, ensinando seu filho a dominar kunais e jutsus, a importância de proteger a vila.
E a solidão que via crescer nos olhos de Kakashi, mesmo tão jovem com seus quatro anos de idade.
Ele temia o que veria no futuro, temia que seu filho se tornasse apenas uma ferramenta para a vila.
A ansiedade sobre a possibilidade de um futuro onde seu filho era apenas uma máquina seguindo regras, o atormentava.
Tsunade, percebendo a distração de Sakumo, aproximou-se.
- O que te aflige, Sakumo? - indagou, sua voz suave quebrando o silêncio.
- Apenas pensando em meu filho. - respondeu ele, o olhar distante. - Uma criança de Suna aqui, e nenhuma de Konoha... É estranho.
Jiraiya sorri animado.
- As crianças são o futuro, tenho certeza que veremos muitas das nossas crianças da vila nesse lugar.
"Kakashi...", repetiu Sakumo, em seus pensamentos, em nenhum momento esquecendo do filho, preocupado com sua segurança. "Ele é diferente. Nasceu para ser um ninja. Certamente verei ele mais velho neste lugar."
O Hatake sentia uma angústia profunda.
Desde a dolorosa perda de sua esposa, a vida se resumia a cuidar de seu filho.
A ausência do menino, somada à estranheza do lugar, intensificava sua aflição, a ponto de levá-lo à beira de um surto naquele lugar.
A conversa desviou-se para a composição dos grupos, com Maito Dai tentando aliviar a tensão.
- Não se preocupe tanto, Sakumo. Talvez seja até melhor assim, sem a pressão de ter que proteger nossos filhos. - o homem diz sorrindo, embora em seu interior ele estivesse preocupado com Gai, mas tinha fé que seu filho alcançaria lugares que ele mesmo nunca pode alcançar.
Dan, um homem de cabelos longos e azuis, com sua calma habitual, concordou em parte.
- Maito tem razão, Sakumo. No entanto, a escolha dos grupos é peculiar. A ausência de líderes de clãs de nossas vilas e do Hokage é intrigante.
Sakumo assentiu.
- Concordo com você, Dan. A presença do Kazekage e de sua comitiva indica uma escolha bem pensada de convidados para a vila deles.
Tsunade também concordou com Dan, um brilho de felicidade nos olhos. Jiraiya, observando a cena, sentiu um aperto no peito. A imagem dos dois, tão unidos, reabria velhas feridas.
- Sempre concordando com esse cara. - resmungou mais para si mesmo do que para Orochimaru, que sorriu maliciosamente ao seu lado.
- Estou surpreso que você não está fazendo uma algazarra, Jiraiya. Finalmente se tocou que Tsunade-hime namora e nunca vai olhar pra você? Aliás, onde você estava? Brincando de papai e cuidando de órfãos de novo? - Orochimaru disse de forma sarcástica, aproveitando a oportunidade para provocar o amigo.
Jiraiya sentiu o sangue subir para a cabeça. A lembrança de suas muitas tentativas frustradas de conquistar Tsunade no passado o deixava irritado.
- Hah!? Orochimaru! - gritou, a voz rouca de raiva.
Maito Dai, sempre otimista, viu na discussão uma oportunidade para animar o ambiente.
- Uau! Jiraiya-sama está com as chamas da juventude mais acesas do que nunca! - exclamou, inspirando-se na energia do sannin.
Tsunade, irritada com a atitude infantil dos dois, interrompeu a discussão.
- Jiraiya! Orochimaru! Parem de envergonhar a vila com essas brigas idiotas! - ordenou, enquanto Dan tentava acalmá-la.
Enquanto a tensão entre os adultos pairava no ar, em um canto mais recôndito da sala, um par de olhos ávidos absorvia cada detalhe.
Sasori, impassível como sempre, aproveitou a distração geral para explorar o ambiente.
Seus dedos compridos e gordinhos acariciavam as paredes de pedra, traçando as ranhuras e irregularidades com uma curiosidade que contrastava com sua expressão serena.
Sua atenção foi capturada por três figuras em um canto mais escuro. As crianças, que não aparentavam ser de Suna ou Konoha, pareciam conversar em voz baixa, suas figuras se destacavam contra a penumbra.
Sem hesitar, o jovem de Suna se aproximou, sua voz clara cortando o silêncio.
- Quem são vocês? - indagou, a curiosidade transparecendo em cada sílaba. Seus olhos, de um tom castanho avermelhado intenso, percorriam as crianças com um olhar penetrante.
Os três se entreolharam, surpresos pela ousadia do garoto de Suna. Yahiko, o mais extrovertido do trio, foi o primeiro a responder.
- Nós somos de Amegakure. - sua voz era firme, mas havia um traço de nervosismo em seu tom. - Eu sou Yahiko.
- Eu sou Konan.- a garota de cabelos roxos completou, oferecendo um sorriso tímido.
- Uzumaki Nagato. - o mais quieto do grupo murmurou, seus olhos, por baixo da franja, fixos no chão.
Sasori inclinou a cabeça, fingindo ponderar as informações.
- Amegakure? Como é?
- É um lugar... complicado. - Yahiko explica.
- Mas vocês parecem amigáveis. - comentou Sasori, mais para si mesmo do que para as crianças. - Seus pais vieram com vocês? - ele questiona.
- Somos órfãos. - Nagato revelou, sua voz carregada de uma tristeza que contrastava com sua idade. - Jiraiya-sensei nos encontrou e está nos ajudando.
- Jiraiya-sensei? - Sasori franziu o cenho. - O sapo de Konoha?
- Ele é nosso mestre. - Konan respondeu, um brilho de admiração em seus olhos. - Ele nos ensina muitas coisas.
Sasori observou as crianças com atenção. Seus olhos se fixaram em Nagato, notando a franja em seu rosto e a aura de sofrimento que o envolvia.
Uma faísca de interesse surgiu em sua mente. Aqueles três órfãos, vindos de uma vila desconhecida para ele, carregavam consigo mistérios que o intrigavam profundamente.
- Interessante. - murmurou Sasori, um sorriso enigmático, curvando seus lábios. - Sou Sasori, de Suna.
- Yahiko... - Nagato puxou a manga da blusa do amigo, seus olhos brilhando de curiosidade. - Tem um garoto ali. - ele apontou discretamente para a figura solitária no canto da sala.
Os outros três seguiram o olhar de Nagato, encontrando um garoto mais novo, de cabelos escuros e pele pálida azulada, observando-os com um misto de curiosidade e timidez.
Seus olhos, de um tom acinzentado intenso, pareciam brilhar sob a luz fraca do ambiente.
- Vamos lá com ele! - Yahiko exclamou, a animação infantil contagiando seus amigos.
Puxando Konan e Nagato pelas mãos, ele se dirigiu ao garoto, enquanto Sasori os seguia a passos lentos, suas mãos pequenas cruzadas atrás das costas.
De longe, Chiyo e Sakumo observavam a cena com atenção, seus rostos marcados por preocupações e expectativas, respectivamente.
- Oi! Quem é você? - Yahiko sorriu, estendendo a mão em um gesto amistoso. - Eu sou Yahiko! Esses são Konan e Nagato, nós somos de Ame. E esse é Sasori, ele é de Suna.
- Não se apresente por mim, eu sei falar. - Sasori resmunga, fazendo um bico com os lábios finos.
- Desculpa, desculpa. - Yahiko desdenha, bagunçando os cabelos ruivos de Sasori, que reage com um olhar irritado.
Konan ri baixinho, abafando o som com a mão. Nagato, mais reservado, apenas sorri de lado, observando a interação entre seus amigos e o novo garoto.
O menino de cabelos escuros os encarou com curiosidade, seus olhos percorrendo cada um deles.
- Por quê você é azul? - Sasori pergunta diretamente, sua curiosidade infantil transbordando.
- Ei! Não seja rude. - Konan dá um tapinha leve na cabeça de Sasori, que faz um beicinho novamente. - Ignora ele.
- Vocês são estranhos, né...- ele sorri, revelando dentes pequenos e pontiagudos perfeitos. - Eu sou Hoshigaki Kisame, de Kirigakure. - ele olha para Sasori com um desafio implícito. - Sou dessa cor desde que nasci. - ele estica a mão pequena, convidando para um aperto. Sasori, com um gesto preguiçoso, estendeu a mão para cumprimentá-lo.
- Você não precisava responder ele. - Nagato suspira, levemente irritado com a falta de tato de Sasori. - Eu, Konan e Yahiko temos dez anos.
- Admita que estava curioso também.- Sasori inclina a cabeça, um sorriso debochado nos lábios. - Se bem que, com essa franja horrível na frente dos olhos, você enxerga alguma coisa? E eu também tenho dez.
- Para de ser rude. - Konan diz novamente, puxando a orelha de Sasori levemente.
Yahiko apenas gargalhou junto de Kisame, a tensão inicial se dissipando em um clima mais leve. Nagato, ofendido pela fala de Sasori, afasta Konan gentilmente do garoto da areia.
Enquanto isso, a mãe de Sasori, com o coração na mão, percorria a sala com os olhos arregalados. Chiyo, notando a aflição da mulher, a acalmou com um gesto suave, indicando o canto onde as crianças se encontravam.
O pequeno Sasori, como sempre, era o centro das atenções, embora estivesse mais quieto do que o habitual, absorto em seus próprios pensamentos.
Ao mesmo tempo, Jiraiya, ao avistar seus pupilos, sentiu um misto de alívio e apreensão.
- Konan! Nagato! Yahiko! O que vocês estão fazendo aqui!? - Sua voz ecoou pela sala, carregada de uma autoridade que contrastava com a atmosfera leve e despreocupada das crianças.
As três crianças se voltaram para ele, seus rostos iluminados pela surpresa.
- Também não sabemos, sensei, acho que estamos pelo mesmo motivo que você. - Konan respondeu, sua voz suave vendo a afobação de Jiraiya.
Tsunade e Orochimaru trocaram um olhar carregado de significado, seus rostos impassíveis não revelando os pensamentos que se agitavam em suas mentes.
- Sim, são meus adoráveis sapinhos! - Jiraiya exclamou, com um sorriso, quando percebeu a pergunta não dita pelos seus companheiros.
- Não somos sapinhos! - os três protestaram em uníssono, corando de vergonha.
Sakumo, observando a cena com um olhar distante, murmurou para si mesmo:
- O futuro está nas mãos dessas crianças. - Seus olhos percorreram cada um deles, buscando pistas sobre o papel que desempenhariam no mundo ninja.
Sasori, entediado com a reunião, começou a fazer um boneco com gravetos e fios, que ele pegou em algum canto da sala, ignorando completamente a tensão que pairava no ar.
O futuro parecia incerto, mas uma coisa era certa: a vida dessas cinco crianças jamais seria a mesma.
Uma porta pesada rangeu, revelando um salão amplo e iluminado por grandes janelas. A luz do sol banhava o ambiente, criando um contraste interessante com a atmosfera tensa que pairava no ar.
"Grupo Amarelo, vocês estão liberados. Sigam calmamente pelo corredor", uma voz ecoou pelo recinto, clara e autoritária.
Sakumo, Dai, Orochimaru, Tsunade e Dan se levantaram, seus rostos sérios refletindo a importância do momento. Jiraiya, com um sorriso radiante, acenou para seus pupilos:
- Vamos, meus sapinhos! - As crianças de Ame o seguiram de perto, seus olhos brilhando de expectativa.
- Vem, Kisame. - Konan estendeu a mão para o garoto, que a agarrou com firmeza. Sasori, ainda um pouco relutante, foi puxado pela mão da mãe, que o acompanhava de perto junto com o marido, Chiyo e o Kazekage.
Ao chegarem à sala, as crianças soltavam gritos de admiração.
- Uau! É gigante! - exclamou Yahiko, correndo para ocupar uma das cadeiras na primeira fila. Konan e Nagato o seguiram de perto, escolhendo lugares próximos. Kisame, mais reservado, sentou-se ao lado de Nagato, observando tudo com curiosidade.
- Vem com a gente, Sasori. - Konan insistiu, batendo em uma das cadeiras vazias ao seu lado. O garoto hesitou por um momento, mas acabou cedendo, sentando-se ao lado da amiga. Seus olhos se fixaram na janela, onde nuvens cinzentas começavam a se acumular.
Os ninjas de Suna, após uma breve discussão, decidiram se sentar perto das crianças, para facilitar a supervisão. Chiyo, com seu olhar penetrante, observava a sala, buscando qualquer sinal de perigo.
A sala, que antes estava vazia, logo se encheu de vida e de conversas animadas. As crianças, com seus rostos curiosos e cheios de esperança, e os adultos com seriedade. A atmosfera era uma mistura de expectativa e incerteza, preparando o terreno para o que estava por vir.
- Vamos esperar então, creio que outro grupo chegará em breve. - O Kazekage pronunciou as palavras com a mesma impassibilidade de sempre, seus olhos cintilando sob a luz fraca do salão.
Yahiko, com a energia característica de sua idade, não conseguia conter a excitação.
- Será que veremos nossas versões futuras? Tipo, eu vou ser o ninja mais legal de todos!
Nagato sorriu de lado, um brilho nos olhos.
- Talvez, Yahiko. Talvez.
Konan, ao seu lado, corou levemente, imaginando um futuro ao lado de Yahiko, mais maduro e sério.
Sasori e Kisame trocaram um olhar rápido, um sorriso malicioso nos lábios do mais velho. Ambos pareciam entender a fantasia de Konan, mas mantinham uma distância prudente.
Sakumo, normalmente tão sério, parecia mais relaxado.
- Espero ver a versão mais velha de Kakashi. Um ninja ainda mais habilidoso e respeitado. - Seus olhos se suavizaram ao pensar no filho, embora o medo de ver o sofrimento de seu filho em algum momento ainda o amedrontava.
Maito Dai, como sempre, era o mais extrovertido.
- Isso mesmo! Espero ver as chamas da juventude queimando no meu Gai! Vamos juntos desafiar os limites!
Tsunade e Dan se entreolharam, sorrindo.
- Olha, Dan! Podemos ver você se tornando Hokage! - Ela exclamou, enquanto Dan bagunçava os cabelos da namorada.
Orochimaru e Jiraiya reviraram os olhos, mas, como de costume, por opiniões divergentes.
- Vocês deveriam estar preocupados com os segredos da vila vazando para os inimigos - Orochimaru resmungou, sua voz carregada de desdém.
Jiraiya, mais otimista, respondeu:
- Não há o que possamos fazer. Pelo menos teremos a oportunidade de descobrir sobre nossos inimigos também.
O Kazekage, enquanto isso, observava a sala com um olhar distante. Seus dedos tamborilavam levemente em sua coxa, um hábito nervoso que se intensificava a cada momento.
A estranha sensação que o invadira ao chegar àquele lugar persistia, e a conexão com sua areia de ferro parecia cada vez mais tênue.
Uma névoa escura parecia envolver a sala, obscurecendo sua visão. Seus olhos se fixaram em Sasori, neto de Chiyo.
Havia algo no olhar do garoto, uma profundidade que o incomodava. Era como se estivessem conectados por um fio invisível, carregado de uma energia desconhecida. "O que há de errado comigo?" pensou, sentindo um frio percorrer sua espinha. "Por que essa sensação de perigo?"
"Atenção, o próximo grupo chegará em breve, estejam preparados." A voz, amplificada e ecoante, reverberou pelo salão, despertando um misto de expectativa e apreensão em todos os presentes. Os rostos se voltaram para a porta, ansiosos por desvendar o mistério que se escondia além dela.
- O próximo será o futuro então! - exclamou Yahiko, os olhos brilhando de entusiasmo infantil.
"Peço perdão por não suprir suas expectativas, mas creio que terei que acabar com sua alegria por um momento." A voz, agora mais grave e carregada de uma aura enigmática, ecoou pela sala, silenciando a todos.
Um choque percorreu a multidão. Olhares confusos se cruzaram, buscando respostas em rostos igualmente perplexos.
- Como assim? - Konan questionou, a voz tremula de surpresa. Seus olhos se arregalaram, fixos no telão que pairava sobre eles, como se buscassem uma explicação que não estivesse ali.
- Uau, vai ter gente do passado? - Sasori indagou, a curiosidade infantil contrastando com a atmosfera tensa que se instaurava no ambiente.
"Exatamente. Peço que esperem, por favor. O próximo grupo é um pouco menor, mas há alguns com cinco vezes mais pessoas que vocês." A voz, agora mais distante, ecoou pela sala, despertando uma série de perguntas sem respostas.
- Eu acho que essa sala irá lotar mesmo então, né. - Kisame sorriu, cutucando a bochecha de Nagato, que se sobressaltou, um olhar assustado por trás da franja.
- Espero pelo menos ver que tipo de shinobi vou me tornar. - Sasori comentou, distraído, enquanto puxava uma mecha do cabelo de Konan, sua voz carregada de uma ambição que contrastava com a aparente despreocupação.
- Ai! - ela exclamou, afastando a mão dele com um tapa leve. - Já disse para parar com isso! - Mas seu tom divertido denunciava que não estava realmente irritada.
Nagato observava a cena com um misto de divertimento e preocupação. Yahiko, por sua vez, parecia tenso e desconfortável.
- Konan, estou sentindo algo nos meus olhos, pode ver pra mim? - ele perguntou, fazendo um beicinho.
Konan, pronta para mediar a discussão, se aproximou de Yahiko, ignorando os olhares trocados entre Kisame e Nagato.
Enquanto examinava os olhos do amigo, não percebeu o olhar vitorioso que Yahiko lançou a Sasori. Este último apenas revirou os olhos, despreocupado.
Kisame, observando a cena, não conseguiu conter o riso enquanto estava divertindo-se com a dinâmica do grupo.
- Você acha tudo engraçado? - Nagato questionou, um pouco irritado.
- Vocês são divertidos, né, - Kisame respondeu, dando de ombros. - E você devia sorrir mais.
- Ainda tão inocente - Nagato zombou, afagando a cabeça de Kisame de forma paternal.
- O que? Isso nem faz sentido! - Kisame protestou, confuso.
Enquanto isso, Jiraiya, com a voz embargada, fungou no ombro de Orochimaru. O sannin das cobras se afastou um pouco, visivelmente incomodado.
- Meus sapinhos estão fazendo amizades! Lembro como se fosse ontem quando eles eram apenas girinos! - Jiraiya sussurrou, mais para si mesmo do que para Orochimaru.
Este último o observou em silêncio, seus olhos penetrantes analisando cada emoção que se passava no rosto do amigo.
- Vai se foder! - disse, finalmente, sua voz fria cortando o silêncio, completamente enojado por suas vestes terem sidos usadas por Jiraiya para o homem de cabelos brancos fungar.
- Orochimaru! As crianças! - Jiraiya exclamou, preocupado com o linguajar dito já frente de seus pupilos.
SALA VERMELHA
A sala pulsava com uma energia carregada de ódio e expectativa. O vermelho das paredes, intensificado pela iluminação artificial, parecia sangrar, refletindo a hostilidade que pairava no ar.
Seis pares de olhos se cruzavam, cada um carregando um fardo de ressentimento e ambição.
Hashirama, o jovem Senju, encarava Madara com uma mistura de desafio e apreensão. Seus olhos, geralmente suaves, agora brilhavam com uma intensidade incomum.
- E então, Uchiha, aqui estamos nós novamente. - Sua voz era firme, mas um tremor sutil denunciava a tensão que o consumia.
Madara, por sua vez, retribuiu o olhar com um sorriso irônico. Seus olhos, negros como a noite, cintilavam com prazer perverso.
- Senju, sempre um prazer - Ele se inclinou para frente, como se estivesse desfrutando da reação do rival.
Tobirama, o irmão mais novo de Hashirama, impetuoso como sempre, não conseguiu conter a raiva.
- Cesse com suas artimanhas, Uchiha! A guerra está próxima e não haverá perdão. - Seus punhos se fecharam com força, as veias saltando em seus braços.
Izuna, o irmão mais novo de Madara, não se intimidou.
- E você, Senju, não se iluda. Nossos clãs estão destinados a um confronto eterno - Ele cruzou os braços, desafiando o olhar de Tobirama.
Enquanto isso, a tensão era palpável, e os patriarcas, Senju Butsuma e Uchiha Tajima, se observavam com hostilidade. Butsuma, com um suspiro carregado de ironia, decidiu quebrar o silêncio.
- Uchiha, sugiro que coloque seus cães de guarda sob controle. Não desejo mais conflitos neste momento.
Tajima, com voz gélida, quase glacial, respondeu:
- Senju, a semente da discórdia já foi plantada. A guerra é inevitável.
Seus olhares se cruzaram, gélidos e implacáveis, como espadas prestes a se chocar.
A luz fraca que filtrava pelas janelas projetava sombras distorcidas nas paredes da sala, intensificando a atmosfera opressiva. A única interrupção no silêncio era o tique-taque constante de um relógio antigo, que parecia contar os segundos até o inevitável confronto.
Madara, com um olhar penetrante, dirigiu-se ao jovem que se encontrava à margem da sala.
- E você, jovem, de qual clã faz parte? Qual sua linhagem?
Hashirama, complementando a pergunta, indagou:
- É! Você é um shinobi?
O garoto, sob o peso dos olhares inquisidores, permaneceu em silêncio, seu semblante revelando um desconforto evidente. Desde sua chegada àquela sala, sentia uma estranha repulsa em relação ao futuro Hokage.
Percebendo o desconforto do rapaz, Izuna aproximou-se com um gesto gentil. Inclinando-se levemente, para que seus olhos se encontrassem, apresentou-se:
- Eu sou Izuna, da linhagem Uchiha.
O garoto, encolhido em um canto da sala escura e úmida, murmurou:
- Kakuzu...Meu clã... Não é de relevância.
Seus olho buscavam um ponto qualquer na parede, enquanto seus dedos crispavam a borda de sua roupa desgastada e remendada.
A sensação de inquietação o consumia, e a proximidade de Hashirama, cuja figura se destacava na penumbra, apenas a intensificava. Um tremor sutil percorreu seu corpo magro.
Izuna, percebendo a carga emocional subjacente às palavras de Kakuzu, aproximou-se lentamente.
A luz fraca da única vela que iluminava a sala cintilava em seus olhos negros, contrastando com a escuridão que envolvia Kakuzu.
- Kakuzu... Sem clã, então? Muito bem - prosseguiu Izuna - que tal se juntar a mim e a meu irmão? - A voz do Uchiha era suave, carregada de uma confiança que contrastava com a insegurança de Kakuzu.
A proposta de Izuna era como um raio de sol em meio à tempestade, oferecendo um refúgio seguro. Embora não nutrisse grande afeição pelos Uchiha, a alternativa parecia ser a melhor opção naquele momento.
- Tudo bem.
Hashirama, com um suspiro pesaroso, uma aura deprimida, lamentou:
- Ignorou-me por completo!
Tobirama, com o cenho franzido, retrucou:
- Aquele garoto não parece digno de confiança se preferiu a companhia daqueles indivíduos.
Senju Butsuma, com voz fria e impassível, decretou:
- Qual a importância? Dificilmente representa uma ameaça. Deixemos de lado essa questão e concentremo-nos na situação em que estamos.
Os filhos, embora com sentimentos contraditórios, concordaram com o patriarca. Hashirama, no entanto, permaneceu abatido.
Ao mesmo tempo, Madara voltou seu olhar para o jovem ao lado de seu irmão
- Kakuzu, este é meu irmão mais velho, Uchiha Madara. - apresentou, com um gesto educado. - E este é nosso pai, Uchiha Tajima.
Tajima, com um aceno de cabeça quase imperceptível, confirmou a apresentação. Seus olhos, por trás das pálpebras semicerradas, analisavam Kakuzu com uma desconfiança sutil.
Madara, por sua vez, aproximou-se de Kakuzu com um olhar perscrutador e intenso.
- É isso! Irmão, enquanto estivermos aqui, devemos angariar o máximo de aliados, caso os Senju nos ataquem. - Izuna afirmou, com determinação, seus olhos brilhando com a antecipação da batalha.
Madara, com um gesto de indiferença, concordou.
- Pode ser.
Mas seus olhos não deixavam de observar Kakuzu, que mantinha uma postura rígida, os braços cruzados sobre o peito, como se estivesse à espera de um ataque.
- Vamos sondar os Uchiha do futuro, tenho certeza que encontraremos alguns aliados.
Kakuzu, com um olhar furtivo, direcionou sua atenção para Hashirama. A figura do Senju, banhada pela luz do luar que entrava pela janela, emanava uma aura de paz.
- Aquele... quem é ele? - Kakuzu questionou, seus olhos fixos em Hashirama. Havia algo familiar naquela figura, algo que o perturbava profundamente.
Izuna, respondendo à pergunta, explicou:
- Aquele é Senju Hashirama. Notei um certo incômodo em você. O conhece?
- Não, nunca o vi antes - respondeu Kakuzu, com brevidade, desviando o olhar.
Uma sensação estranha o percorria, uma mistura de medo e fascinação. Era como se houvesse uma conexão invisível entre eles, uma ligação que transcendia o tempo e o espaço
Madara observava os Senjus com um olhar gélido. A sala, silenciosa e opressiva, parecia tensionar-se a cada segundo.
A situação era absurda, e ele, um Uchiha, estava ali, cercado por seus inimigos.
Mas Madara era um estrategista nato, e mantinha a calma, analisando cada movimento, cada expressão.
Seu olhar desviou-se para Kakuzu.
O menino, com o olhar que continuava voltando, quase que instintivamente, em Hashirama, exibia uma expressão de incomodidade que era quase palpável. Madara franziu o cenho, intrigado. Aquele olhar... havia algo de familiar ali. Uma sensação de déjà vu o assombrou.
Madara lembrou-se dos embates com os Senju. A rivalidade entre os clãs era antiga, e ele havia enfrentado Hashirama em diversas ocasiões.
Mas nunca havia sentido algo como aquilo. Uma estranha conexão, uma repulsa visceral que o deixava perplexo. Será que Kakuzu sentia o mesmo? A possibilidade o fascinava e o alarmava ao mesmo tempo.
- Hashirama, conheces aquele garoto? - indagou Tobirama, com o cenho franzido.
Hashirama voltou-se para o irmão.
- Não o reconheço. - respondeu, a voz carregada de leve surpresa.
Tobirama apontou discretamente para Kakuzu.
- Aquele jovem parece perturbado com tua presença.
Hashirama franziu a testa, analisando o garoto.
- Sério? Não havia percebido. - exclamou, mais para si mesmo do que para Tobirama.
Tobirama revirou os olhos.
- É óbvio.
Hashirama, ignorando a ironia do irmão, sussurrou, quase para si mesmo.
- Ei, Tobirama...
- O quê? - Tobirama respondeu, sem tirar os olhos dos Uchihas.
- Acreditas que veremos um mundo onde crianças não precisem guerrear? - A pergunta de Hashirama pairava no ar, carregada de esperança e um pouco de ingenuidade.
Tobirama hesitou antes de responder.
- ... Não sei.
A resposta foi curta e direta, mas seu olhar se suavizou por um instante. Talvez, apenas talvez, a ideia de um futuro sem guerras não fosse tão absurda quanto parecia.
Um silêncio pesado continuou pairando sobre a sala, interrompido apenas pelos sussurros ocasionais e pelo crepitar da fogueira na lareira.
Hashirama, com o olhar perdido no fogo, nutria uma esperança tímida, um desejo ardente de um mundo onde as crianças pudessem crescer em paz.
Conhecia bem a desconfiança de seu irmão, Tobirama, e sabia que suas ideias utópicas eram vistas com ceticismo.
Resolveu, então, guardar seus pensamentos para si, pelo menos enquanto seu pai, Butsuma, estivesse por perto.
Seus olhos se desviaram para o velho Senju, que permanecia alerta, como um falcão vigiando seu território.
A lembrança do dia em que foi castigado por questionar a sabedoria de seu pai o assombrou.
Mas Hashirama não desistiria de seus sonhos. Acreditava que, mesmo que lentamente, a semente da paz que ele plantou naquele dia começava a florescer, mesmo que tivesse que enfrentar a oposição de seu clã.
Distraídos, os irmãos Senju foram surpreendidos por uma voz suave.
- Com licença. - murmurou uma figura feminina, revelando uma jovem de cabelos ruivos que pareciam flamejar à luz da fogueira. - Desculpem-me por interromper. Sou Uzumaki Mito.
Hashirama, sempre cordial, inclinou a cabeça em um gesto de saudação.
- Sou Senju Hashirama, e este é meu irmão, Tobirama.
A jovem sorriu, revelando covinhas adoráveis.
- O prazer é todo meu.
Tobirama, por sua vez, limitou-se a um aceno de cabeça, seu olhar fixo nos olhos da estrangeira.
A conversa fluiu naturalmente entre Hashirama e Mito, enquanto Tobirama observava com um misto de curiosidade e desconfiança.
A jovem demonstrava um conhecimento profundo sobre a história dos clãs, e seus comentários eram inteligentes e perspicazes.
- Quando essa porta se abrirá? - interrompeu Tajima, sua voz carregada de impaciência. - Vamos esperar aqui por quanto tempo mais?
Butsuma, com um olhar severo, respondeu:
- Aguardaremos o momento certo. A pressa é inimiga da perfeição.
Hashirama, tentando acalmar os ânimos, interveio:
- Concordo com meu pai. A paciência é uma virtude, especialmente em momentos como este.
Mito, com um sorriso enigmático, acrescentou:
- Acredito que a espera valerá a pena.
A tensão na sala era palpável, mas a presença de Mito havia criado uma pequena pausa na hostilidade.
Enquanto os minutos passavam, a curiosidade sobre a identidade da jovem e o mistério por trás da porta só aumentavam.
A voz então ecoou pela sala, carregada de uma autoridade que silenciou todas as conversas. "Atenção, grupo vermelho, certifiquem-se de se manterem sem confusões. Já há um grupo na sala principal. Vocês podem interagir com eles se quiserem, mas sem hostilidades, por favor. Eles vivem algumas décadas depois de vocês, então se preparem para o choque de cultura. As portas estarão abertas logo, sigam calmamente pelo corredor."
Butsuma franziu o cenho, a mensagem ecoando em seus pensamentos.
- Décadas? - murmurou, mais para si mesmo do que para os outros. - Quanto tempo será?
A guerra havia marcado sua vida, e a ideia de que alguns de seus descendentes pudessem ter sobrevivido tanto tempo era quase inconcebível.
- Será que a linhagem Senju ainda existe? - Questionou, sua voz carregada de esperança e um pouco de medo.
Hashirama, sempre otimista, sorriu.
- Com certeza! E quem sabe o que teremos aprendido nesse tempo todo? - Seu olhar brilhava de antecipação.
Tobirama, mais cético, cruzou os braços.
- Não se iluda, irmão. O mundo lá fora pode ser muito diferente do que imaginamos. E os Uchiha... eles nunca mudam.
A porta se abriu, revelando um corredor longo e sombrio, iluminado por fachoas que projetavam sombras dançantes nas paredes. Os dois grupos se observaram, cada um com suas próprias dúvidas e expectativas.
- Vamos lá! - disse Hashirama, dando o primeiro passo. - O futuro nos espera!
O grupo dos Senju, e Mito, liderado pelo pai de Hashirama e Tobirama, adentra o local, encontrando o grupo amarelo ali.
- Uau! É enorme! - exclamou Hashirama, seus olhos brilhando de curiosidade. Ele se aproximou do grupo de Konoha, estendendo a mão. - Oi, gente! Eu sou Senju Hashirama, prazer em conhecê-los!
A sala ficou em silêncio por um instante, e então, um grito ecoou.
- O QUE!? - exclamou Tsunade, saltando de sua cadeira. Seus olhos se arregalaram ao ver o rosto jovial de seu avô, Senju Hashirama, diante dela.
Sakumo e Jiraiya, igualmente atônitos, se levantam de seus lugares.
- Não posso acreditar. - murmurou o Sannin a voz embargada pela emoção. - É... é o primeiro Hokage! Ele criança!
- E aquele... - começou Sakumo, apontando para Tobirama. - é o Nidaime-sama...
Tobirama franziu o cenho, intrigado.
- Huh? Então vocês nos conhecem? 'Nidaime-sama'? Segundo? O que isso deveria significar?
Mito, com um sorriso gentil, respondeu:
- Tobirama-san, acho que não podemos receber informações antes da tela nos mostrar, acho que foi isso que ela disse.
Hashirama coçou a cabeça, um pouco desanimado.
- Ah, verdade. - concordou.
Butsuma, observando a cena, interveio.
- Presumindo que essa sala é enorme, creio que logo será difícil todo mundo se apresentar. Acho que devemos esperar a tela revelar.
Tobirama assentiu.
- Concordo. Mas, Hashirama, pai, aquelas pessoas parecem nos conhecer. Vamos ficar perto deles. - E assim, o pai e os dois filhos Senju se juntaram ao grupo de Konoha, ansiosos para descobrir o que o futuro lhes reservava.
- Mito-san, venha conosco - convidou Hashirama, notando a expressão pensativa da garota. - Há que lhe incomoda?
Mito olhou para os ninjas de Konoha, seus olhos fixos nos símbolos em seus coletes.
- Aquelas pessoas... - começou ela - elas têm o símbolo do meu clã. Mas nenhum deles parece ter as características dos Uzumaki.
Hashirama franziu a testa, curioso.
- Características? O que você quer dizer?
- Olhe para ele - disse Mito, apontando para Nagato. - O cabelo dele... é muito parecido com o meu. Acho que ele poderia ser um Uzumaki.
Hashirama observou Nagato e concordou.
- Verdade, seu cabelo é bem parecido com o dele. Mas e daí?
- Mas e daí que o clã Uzumaki é conhecido por seus cabelos ruivos e por uma grande quantidade de chakra? - respondeu Mito, um sorriso tímido nos lábios. - Acho que posso ter encontrado um parente distante.
Os ninjas de Konoha e Suna ainda estavam incrédulos diante da cena. Nunca imaginaram ver os antigos Hokages, em versões mais jovens, ali reunidos.
- Aquela menina tem o cabelo igual ao seu, Nagato. - observou Sasori, apontando para Mito e Nagato.
- E o seu também é ruivo - acrescentou Konan.
- Mas há algo diferente neles. Os dois tem a mesma energia capilar. - O garoto de Suna diz, os olhos vagando pela garota.
Yahiko concordou, coçando a nuca.
- Sim, eu sinto algo familiar, mas ao mesmo tempo distante.
Nagato, por sua vez, sentiu um tremor percorrer sua espinha. Aquele estranho sentimento de conexão com a garota era intrigante e perturbador ao mesmo tempo.
- O grupo de vocês foi mais curto mesmo. - Jiraiya comentou, ainda tentando se acostumar com a presença dos Hokages mais jovens.
Antes que alguém pudesse responder, a porta se abriu e quatro novas figuras adentraram a sala. O clima instantaneamente ficou tenso. Todos os olhares se voltaram para os recém-chegados.
- Esses são... - A voz de Tsunade falhou, enquanto seus olhos se arregalaram em surpresa novamente.
- Hm, estou vendo que não há nenhum Uchiha aqui. - Madara franziu a testa, seu olhar percorrendo a sala com desdém. - Pai, vamos nos sentar perto daquelas crianças. Prefiro evitar ficar perto dos Senju. - Izuna concordou, e Tajima o acompanhou, mantendo uma distância respeitosa dos Senju.
- Olá, prazer em conhecê-los, eu sou Uchiha Izuna. - Izuna cumprimentou as crianças com um sorriso arrogante.
Sasori o encarou com indiferença.
- Vocês são fortes?
- Mas claro que sim! - Madara interveio, sua voz ecoando pela sala. - Eu sou Uchiha Madara.
A tensão no ar era palpável. Os Senju e os Uchihas, duas das famílias mais poderosas e rivais da história ninja, estavam agora reunidos no mesmo ambiente. O clima que antes era leve, tornou-se pesado e carregado de rivalidade.
Sasori sorriu de lado.
- Interessante. Parece que teremos uma conversa interessante.
Madara retribuiu o sorriso, mas seus olhos negros brilhavam intensamente. O clima na sala era tenso, mas ao mesmo tempo, havia uma expectativa de que algo emocionante estava prestes a acontecer.
Enquanto Hashirama era reverenciado como o deus shinobi, Madara era visto como um demônio. A reputação de Madara o precedia:
Um traidor, aquele que atacou a vila que ele mesmo fundou, uma pessoa louca que seu próprio clã abandonou, aquele que matou seu próprio irmão para obter seus olhos.
- Madara... - Nagato murmurou, alguma coisa o deixava com um leve incômodo... seus olhos estavam coçando um pouco.
- ...E você é quem? - Sasori perguntou ao outro garoto.
- Kakuzu. - A resposta de Kakuzu foi curta e direta.
SALA LARANJA
A câmara subterrânea, iluminada por uma única pedra luminescente, era um labirinto de sombras que se alongavam e se encurtavam, dançando com as chamas que cintilavam na lareira.
Hagoromo, o Sábio dos Seis Caminhos, ocupava o centro da sala, sua figura imponente contrastando com a simplicidade do ambiente.
Seus olhos, profundos como poços, percorriam a sala, buscando em cada canto uma resposta para o enigma que os consumia.
Ao seu lado, Indra, o primogênito, mantinha a postura rígida e o olhar fixo nas chamas dançantes. Seus dedos tamborilavam nervosamente na coxa, revelando a agitação interior que tentava dissimular.
Ashura, o caçula, de sorriso fácil e olhos brilhantes, tentava amenizar a tensão. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, mas sua postura era relaxada, transmitindo uma calma que contrastava com a inquietude do irmão.
- Pai - iniciou Ashura, sua voz suave quebrando o silêncio, - Pai, esta situação é deveras estranha. - A frase ficou suspensa no ar, carregada de uma ansiedade que nenhum deles conseguia ocultar.
Hagoromo assentiu, seus olhos se fixando nas chamas.
- Assim é, Ashura. Mas não há o que possamos fazer, meu filho. - Sua voz era grave, repleta de sabedoria e pesar.
Hamura, o irmão mais velho de Hagoromo, permanecia em silêncio, observando as chamas com um olhar distante.
Seus olhos, da cor da lua, refletiam uma tristeza profunda. Ele havia vivido muito, testemunhado a ascensão e a queda de muitos humanos, e sabia que os tempos que se aproximavam seriam desafiadores, mas poder vê-los, era outra coisa.
A sala ficou em silêncio por longos minutos, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos. O ar estava carregado de uma expectativa ansiosa, como a antessala de um novo dia.
A cada respiração, o som das chamas crepitando ecoava no ambiente, amplificado pelo silêncio.
- Há quanto tempo, tio. Espero que Vossa Senhoria esteja em perfeita saúde. Desejo que a Lua lhe tenha proporcionado a paz que merece. - O jovem inclinou a cabeça em sinal de respeito.
- Agradeço, Indra. A serenidade lunar é um bálsamo para a alma. Encontro-me em excelente estado. - Hamura retribuiu a reverência, a postura rígida e imponente.
A reunião familiar, embora íntima, era marcada por um certo formalismo. A hierarquia era respeitada, e cada palavra era escolhida com cuidado, era um momento para relembrar velhos tempos e fortalecer os laços familiares.
As conversas fluíam com naturalidade, entremeadas por momentos de silêncio repletos de nostalgia.
- A propósito, irmão, onde estavas antes de chegarmos aqui? - Ashura perguntou, seus olhos estavam cintilando de curiosidade.
Indra, agora encostado à parede de pedra úmida, fitou o irmão com um olhar gélido. Suas mãos, escondidas atrás das costas, estavam suadas e os nós dos dedos branquearam, pareciam segurar algo.
- Na floresta - respondeu, a voz curta e ríspida, carregada de indiferença.
Hagoromo, observando a cena com atenção, notou a mancha escura nas vestes de Indra. A sombra se movia levemente, como se algo estivesse vivo sob o tecido. Uma sensação de apreensão o dominou.
- Por que não me chamaste? - insistiu Ashura, aproximando-se. - Desde que despertaste o Sharingan, andas mais retraído.
Indra recuou um passo, a tensão no ar se intensificando.
- Cale-se. - rosnou, seus olhos fulgurando.
"Peço a vocês, antes de adentrar aquele salão, que tenham em mente a imensa disparidade temporal que os separa das criaturas ali congregadas. Mais de mil anos os separam daquela civilização, mil anos de avanços científicos e evoluções culturais inimagináveis." A voz ecoou pela cripta, grave e solene, reverberando nas paredes de pedra úmida.
- Mil anos?! Uma eternidade! - exclamou Ashura, seus olhos esbugalhados de espanto e admiração. A jovem criatura, ainda imberbe, parecia prestes a alçar voo, tão grande era sua euforia.
Hagoromo e Hamura trocaram um olhar carregado de apreensão. A vinda dos consanguíneos de sua progenitora à Terra era um evento que temiam, um fardo que pesava sobre seus ombros.
Indra, mais contido, observava a cena com um misto de curiosidade e desdém. A promessa de um futuro brilhante o tentava, mas a presença da entidade sombria que habitava suas vestes o inquietava.
Escondendo as mãos sob o manto, sentia a criatura agitar-se, como um verme em um casulo.
- Assim será, meu jovem Indra. Logo, você testemunhará o futuro brilhante que moldará com suas mãos. - Uma voz sibilante ecoou de sua manga, fria e calculista. Era a voz da entidade, um sussurro que arrepiava seus ossos.
- Cale-se! - vociferou Indra, sua voz rouca de raiva. - Sua presença em minhas vestes é uma afronta!
- Tudo a seu tempo, jovem. Em breve, você compreenderá a grandiosidade de nossos planos. - A voz insistiu, implacável.
Hamura, impaciente, resolve chamar seu sobrinho que estava sussurrando algo em um canto afastado.
- Não há mais por que esperar - anunciou, abrindo a porta de carvalho maciço que dava acesso ao salão principal. - Sigamos, o destino nos aguarda.
Os quatro se dirigiram ao salão ancestral, um lugar onde a história do clã ecoava em cada pedra. Ao adentrar, sentiram sobre si um mar de olhares, curiosos e expectantes.
Entre a multidão, os olhos de Madara e Hashirama encontraram os seus, estabelecendo uma conexão ancestral, um elo que transcendia o tempo.
Ashura, com o coração palpitante, sentiu uma estranha sensação de familiaridade. Era como se estivesse retornando a um lar que nunca havia conhecido, um lugar onde sua alma se sentia acolhida.
Hagoromo, percebendo a inquietação do filho, aproximou-se e colocou a mão em sua cabeça em um gesto de conforto.
Indra, por sua vez, permanecia impassível, mas seus olhos, profundos como poços, revelavam uma luta interior. A presença de Madara o perturbava, despertando em seu peito uma sensação agridoce de reconhecimento.
Era como se estivesse diante de um espelho, refletindo tanto suas qualidades quanto seus defeitos.
Hamura, observando o sobrinho, notou a tensão em seus ombros e a frieza em seu olhar.
- Indra, algo o aflige? - indagou, sua voz suave como a brisa.
- Nada demais, tio - respondeu o jovem, desviando o olhar. No entanto, sua voz era um traidor, revelando a tormenta que o assolava.
A cada olhar trocado, a cada sussurro, a cada gesto, os laços sanguíneos se fortaleciam, tecendo uma intrincada tapeçaria de emoções e lembranças.
A sala, antes repleta de estranhos, agora se transformava em um refúgio para almas afins, unidas por um destino comum.
Hashirama e Madara, unidos por um fio invisível que atravessava as eras, sentiam uma profunda conexão espiritual. Seus olhares se encontraram com os dos garotos Ōtsutsukis, e por um breve instante, o tempo pareceu se deter.
Observando Ashura e Indra, sentiam uma ressonância em suas almas, como se os destinos de seus clãs estivessem intrinsecamente ligados.
Izuna, perturbado pela intensidade do olhar de Madara, indagou:
- Irmão, o que se passa?
Madara, sem tirar os olhos de Indra, murmurou:
-Nada de importância.
Do outro lado da sala, Tobirama, observando a troca de olhares entre seu irmão e o garoto que tinha acabado de chegar, sentiu um frio percorrer sua espinha.
- Hashirama - começou, sua voz carregada de preocupação - está tudo bem?
Hashirama assentiu, mas sua expressão revelava uma certa angústia.
- Sim, irmão, estou bem.
Os irmãos mais novos estavam intrigados. Sabiam que algo de grande importância estava acontecendo, mas respeitaram o silêncio de seus irmãos.
Dan coçou a nuca, a sobrancelha franzida em confusão.
- Byakugan? - Hamura não tinha a aparência típica de um Hyūga, mas aqueles olhos perolados, tão característicos do clã, eram inegáveis.
O espanto se espalhou entre os presentes. Jiraiya, com os olhos arregalados, e os órfãos de Amegakure, boquiabertos, direcionaram seus olhares para Hagoromo, cujo Rinnegan irradiava um poder incomparável.
Orochimaru, sempre intrigado com o desconhecido, analisava as figuras com um olhar penetrante. Eram diferentes de qualquer shinobi, sequer se pareciam com um, que ele já havia visto, mas a aura de poder que os envolvia era inegável.
Tsunade, apoiando o queixo na mão, ponderou:
- Será que estamos diante de nossos ancestrais?
As vestes que usavam eram estranhas, nada parecidas com as que havia visto em registros históricos, nem mesmo as da época de seu avô.
Dai, com um tom de voz admirado, concordou:
- De fato, são incrivelmente poderosos! Posso ver suas chamas queimando poderosamente!
- Assentai-vos, meus filhos. - proferiu Hagoromo, sua voz grave ecoando nas profundezas daquela sala.
A figura paterna, imponente como uma montanha, escolheu um assento elevado, de onde podia divisar cada um de seus descendentes. Os demais o seguiram, cada qual buscando um lugar de onde pudessem contemplar o sábio mestre.
- Pai, peço-lhe permissão para aproximar-me daquele jovem. - suplicou Ashura, seus olhos cintilando de curiosidade ao se fixarem em Hashirama. O jovem Senju, com seu sorriso luminoso, irradiava uma aura de bondade que cativava a todos.
Hagoromo, com olhar penetrante, ponderou por um instante.
- Concedido. - afirmou, sua voz impassível como a face de uma estátua.
- Irmão, venha comigo. - Convidou Ashura, lançando um olhar esperançoso para Indra.
- Não, mas, se assim me for permitido, desejo aproximar-me daquele outro. - respondeu Indra, sua voz firme, revelando uma determinação inabalável. Seus olhos fixaram-se em Madara, cujo semblante impenetrável contrastava com a jovialidade de Hashirama.
Hagoromo, percebendo a crescente tensão entre seus filhos, decidiu não intervir.
- Concedido. - repetiu, sua voz carregada de uma tristeza resignada.
- Por quê? Por que irás com ele? - Indagou Ashura, sua voz embargada pela incompreensão. A fraternal união, outrora sólida como uma rocha, agora parecia fragilizada por forças invisíveis.
Indra, no entanto, permaneceu em silêncio. Seus pensamentos, como correntes turbulentas, arrastavam-no por um mar de emoções conflitantes.
A admiração por Madara, a crescente aversão por Hashirama e uma profunda angústia o assolavam.
A sombra que o acompanhava, como uma névoa densa sob suas vestes, amplificou seus tormentos.
Com a conversa abruptamente interrompida, os jovens se dispersaram, cada qual buscando refúgio em um grupo distinto.
Apesar da curta distância que os separava, uma invisível barreira parecia erguida entre eles. A divisão já se insinuava, e a semente da discórdia, plantada, começava a brotar.
As linhas profundas que marcavam o rosto de Hagoromo aprofundaram-se ainda mais, enquanto seus olhos, anciãos e sábios, fixavam-se nos jovens Uchiha e Senju.
Com o coração inquieto diante do futuro dos filhos, ele percebia reflexos de Indra e Ashura nas personalidades de Madara e Hashirama.
Sua visão espiritual, aguçada pela experiência e pela conexão com o mundo, permitia-lhe vislumbrar as profundezas das almas, sem a necessidade do chakra.
Era como se um espelho mágico refletisse o passado e o futuro, revelando as sementes do conflito que poderiam florescer.
Hamura, em gesto de apoio silencioso, pousou a mão no ombro do irmão mais velho, compartilhando a mesma angústia diante do destino que se desenhava.
Ashura aproximou-se de Hashirama, seu passo lento e cadenciado revelando a serenidade de quem buscava paz.
Aquele encontro, para ele, era como um raio de sol em um dia nublado, trazendo um calor reconfortante e a promessa de novas amizades.
- Posso me sentar convosco? - indagou, sua voz carregada pela ressonância de um coração puro e gentil.
Hashirama sorriu, um gesto acolhedor que iluminou seu rosto.
- Claro! - respondeu, sua voz calorosa.
A conversa fluiu naturalmente, como um rio que encontra seu curso. Mito, com sua natureza gentil e acolhedora, logo quebrou o gelo, apresentando-se com um sorriso radiante.
Ashura, por sua vez, retribuiu o gesto, seus olhos cintilando de uma alegria genuína.
Tobirama, observava tudo de um canto, um misto de curiosidade e desconfiança em seus olhos. A presença de Ashura o intrigava.
Havia algo de diferente naquele homem, uma aura de mistério que o deixava desconcertado. No entanto, à medida que a conversa avançava, Tobirama sentiu uma estranha sensação de conforto.
Era como se conhecesse Ashura de alguma forma, uma sensação quase fraternal que o surpreendia a cada instante.
Enquanto isso, em um outro local próximo, Indra, com a elegância característica de sua linhagem, aproximou-se do grupo, seu olhar penetrante escrutinando cada rosto presente.
Kakuzu, Yahiko, Konan, Nagato e Sasori, jovens de promessas incertas, mas de um potencial indubitável, não despertaram em si o interesse que buscava.
Seus olhos, no entanto, encontraram em Izuna um reflexo distante, um eco de algo familiar que o intrigava.
Mas era Madara que o atraía como um imã, irradiando uma aura de liderança que o fascinava.
O sentimento de pertencimento que emanava de Madara era tão intenso que Indra se sentiu compelido a se apresentar. Com voz grave e cadenciada, proferiu:
- Sou Indra, da linhagem Ōtsutsuki. Desejo unir-me a vós. - Embora suas palavras fossem direcionadas ao grupo, seu olhar permanecia fixo em Madara, como se buscasse uma conexão mais profunda.
Madara, surpreso pela presença imponente de Indra, respondeu com uma confiança que o surpreendeu.
- Uchiha Madara, sua presença é bem vinda. - Nunca antes havia sentido uma afinidade tão profunda com alguém, como se Indra fosse a peça que faltava em um quebra-cabeça ancestral.
Os demais integrantes do grupo, um tanto hesitantes, apresentaram-se, cada qual com suas próprias peculiaridades.
Enquanto isso, oculto nas vestes de Indra, Zetsu observava a cena com um sorriso sinistro.
Aqueles jovens, com seus destinos entrelaçados pelo acaso, seriam as ferramentas perfeitas para seus planos maléficos.
A semente da discórdia já havia sido plantada, e ele aguardava ansiosamente para colher os frutos de sua manipulação
SALA AZUL.
A voz grave e metálica ecoou pela sala, cortando o silêncio e despertando todos de um sono profundo.
"Atenção, grupo azul. Vocês são únicos. O único grupo com linhas temporais diferentes, então primeiro é melhor vocês se ambientarem antes de prosseguir."
Um resmungo baixo irrompeu do canto da sala.
Jiraiya, mais jovem, esfregava os olhos e se sentava na cama. Seus olhos percorreram o cômodo, pousando em cada rosto presente. A surpresa o fez travar por um instante.
- Orochi! Tsuna! - Sua voz aguda ecoou pela sala, arrancando as outras duas crianças do sono.
Tsunade, a garota de cabelos loiros, sentou-se bruscamente na cama, irritada.
- O que foi, Jiraiya? - Sua voz era áspera, cortando o silêncio.
Orochimaru, com seus olhos frios e calculistas, apenas observava a cena, sem dizer uma palavra.
- O sensei! Quando não era velho! - Jiraiya apontou para Hiruzen, que se espreguiçava lentamente, ainda sonolento.
Tsunade e Orochimaru trocaram um olhar incrédulo. A mente de Tsunade viajou no tempo, recordando lembranças de sua infância mais juvenil.
- Irmã? - A voz de Nawaki a tirou de seus pensamentos. Seus olhos se arregalaram ao ver as figuras familiares. - Aqueles ali são o tio-avô, o Vovô e a Vovó?.
Um silêncio sepulcral tomou conta da sala. As crianças se entreolharam, atônitas.
Hashirama fitou Tsunade com olhos arregalados, a perplexidade tomando conta de seu semblante.
- Uau - exclamou, a voz embargada pela surpresa - essa menina... me parece terrivelmente familiar.
Mito sorriu gentilmente, acariciando o braço do marido.
- É a Tsuna, querido. A nossa Tsuna.
A revelação ecoou como um trovão naquela pequena reunião.
Tobirama revirou os olhos, cruzando os braços em um gesto de exasperação.
- Mas é claro que é ela, irmão! Como alguém poderia não perceber? É a cara da nossa Tsuna!
Um homem de cabelos pretos, com um sorriso amarelo, ele foi até Tobirama, colocando as mãos no ombro do Senju e apertando levemente para acalmar os ânimos.
- Tobirama-san, não precisa ser tão brusco. É natural que o Shodaime se surpreenda, afinal, a Tsunade que conhecemos é muito mais jovem.
- Não, Kagami, isso é muita burrice, isso sim! - ele revira os olhos, enquanto Hashirama afundou em uma profunda melancolia, os ombros curvados sob o peso da emoção.
Mito se aproximou, envolvendo-o em um abraço reconfortante.
- Shodaime - começou Torifu, paciente - essa garota é a Tsunade de uma linha temporal diferente. Nos explicaram que nosso grupo é formado por pessoas de épocas distintas.
Hashirama resmungou, a voz abafada nos braços da esposa.
- Eu sei disso, Torifu! Não sou tão burro assim!
Homura e Koharu tentaram amenizar a situação.
- Ninguém quis dizer isso, Shodaime - disse Homura, enquanto Koharu acrescentou
- É compreensível que o senhor esteja confuso. Estamos acostumados a ver a Tsunade hime mais nova.
Mas Tobirama insistia em sua postura rígida.
- É burrice sim! - exclamou, irritado, mas no fundo ele estava apenas se divertindo em provocar o irmão mais velho.
Kagami o repreendeu , preocupado com o estado de Hashirama. - Tobirama-san!
Biwako suspirou.
- Francamente, não precisa ser tão duro, Nidaime.
Hiruzen, observando a cena, concluiu:
- Creio que essa conversa não está levando a lugar algum.
Mito concordou.
- Sim, acho que o melhor é manter as crianças por perto. Elas parecem ser amigas da Tsuna. - Ao pronunciar essas palavras, um brilho de esperança surgiu em seus olhos, dissipando a nuvem de tristeza que pairava sobre Hashirama, ele queria conhecer os companheiros de equipe de sua neta.
Danzou nada disse, apenas ficou observando como tudo estava se desenrolando, seus olhos se estreitando ao ver como Kagami estava próximo de Tobirama.
- Não se afastem de mim, meus pequenos, em meio a esta gente. Perigos espreitam, e a cautela é urgente.
No outro extremo da sala, o Terceiro Raikage, A, dirigia-se aos filhos com voz grave e cautelosa.
- Tudo bem, pai. - A, com o mesmo nome do progenitor, respondeu com firmeza, os braços cruzados sobre o peito, os olhos perscrutando o ambiente.
- Yeah, não há o que temer, é só tremer. A gente tá ligado, e tá sempre a esperto, pra qualquer perigo que surja a gente ta perto.
Killer Bee, com sua habitual desenvoltura e talento para a rima, acrescentou um toque de descontração à atmosfera tensa.
Já no outro canto, o jovem Onooki observava a cena com tensão, seus olhos percorrendo cada movimento dos dois homens.
- Não compreendo o motivo de sua vinda. - Mu cruzou os braços, lançando a Gengetsu um olhar de desprezo. Suas sobrancelhas arqueavam-se em uma expressão de evidente desdém.
- Não estou com inclinação para testemunhar mais um dos dramas de Konoha ou da Kumo. - O Mizukage, Hozuki Gengetsu, respondeu com arrogancia, a voz carregada de superioridade. - Prefiro, na verdade, provocá-lo.
Os dois líderes se encararam fixamente, uma aura de tensão se estabelecendo entre eles. Gengetsu cruzou os braços, imitando a postura desafiadora de Mu.
- Mu-sama, seria prudente que nos acalmássemos. - Onooki sugeriu, sua voz suave em contraste com a atmosfera carregada.
- Estou perfeitamente calmo, Onooki. Esse inseto não me perturba. - Mu respondeu com um tom de voz glacial, seus olhos cintilando com um brilho ameaçador.
- Inseto? Você realmente deseja que eu o extermine? - Gengetsu rugiu, sua expressão se contorcendo em uma máscara de fúria.
A discussão interminável cede lugar à emoção sincera quando Hashirama se inclina para encontrar-se aos olhos de Tsunade.
- Tsunade! - exclama ele, a voz carregada de afeto.
- Vovô! - responde ela, a voz embargada pela emoção.
A ausência do avô e do tio-avô era uma ferida ainda fresca em seu coração, mas a alegria do reencontro a inundava. Determinada a aproveitar cada instante, afastou os pensamentos sombrios e concentrou-se no presente.
- Uau, Tsunade, você cresceu tanto! E quem são esses jovens? - indaga o Senju, a curiosidade evidente em seu olhar.
- Oh, são Jiraiya e Orochimaru, meus companheiros de equipe. E este é Nawaki, meu irmão mais novo. - apresenta-os Tsunade, com um sorriso radiante.
- Uau, um novo neto! - exclama Hashirama, pegando Nawaki no colo. O menino, tomado por uma alegria contagiante, retribui o gesto com um sorriso radiante.
- Vovô! Um dia serei Hokage como o senhor! - declara Nawaki com determinação, os olhos brilhando de admiração.
- Hahahaha, tenho certeza que sim! - responde Hashirama, a voz vibrando de entusiasmo.
A promessa do menino ecoou em seu coração, alimentando a esperança de um futuro próspero para a Vila da Folha.
Tsunade esboçou um sorriso radiante. A oportunidade de presenciar a interação entre Nawaki e o avô, tão precocemente interrompida para seu irmão, aquecia-lhe o coração.
Ao mesmo tempo, Mito, inquieta, aproximou-se das crianças, juntando-se a Hashirama em um gesto afetuoso. Com delicadeza, acariciou os cabelos dos netos, esboçando um sorriso sereno.
Percebendo a inquietação da esposa, Hashirama despediu-se das crianças e conduziu-a a um canto mais reservado.
- Há algo que o inquiete, minha querida? - indagou o Senju, com voz suave.
- Não sinto a presença da Kyuubi - revelou ela, em tom confidencial. Hashirama franziu o cenho, ponderando as possíveis implicações.
- Seria essa uma consequência peculiar deste local? - questionou ele, em voz baixa.
- Provavelmente - concordou Mito, com um suspiro resignado.
Um silêncio tenso pairou entre o casal.
- Manteremos essa informação em segredo, por enquanto - decidiu Hashirama. - Não há, de fato, qualquer ação que possamos tomar neste momento.
- Tens razão - concordou Mito, ainda preocupada.
- Acalme-se. Não se permita afligir-se excessivamente com isso - confortou Hashirama, apertando gentilmente a mão da esposa.
"Convido-os a seguir em frente, com calma."
Ao comando, os presentes dirigiram-se à sala principal.
As primeiras figuras a adentrar o recinto foram Mu, Onooki e Gengetsu, atraindo imediatamente todos os olhares.
- Ora, ora, que minha ilustre companhia os agracie com minha presença - exclamou o Mizukage, acomodando-se em um dos assentos.
- Silencie-se, Hozuki. Ninguém aqui está interessado em suas trivialidades - retrucou Mu, afastando-se um pouco e sendo seguido por Onooki.
- O quê? - indagou o Mizukage, indignado, dando início a uma breve discussão.
- Olhem só, aquele é o antigo Tsuchikage, quando ainda era mais jovem! - sussurrou Jiraiya, compartilhando a observação com Orochimaru e Tsunade.
Antes que a discussão se prolongasse, o Terceiro Raikage, A, fez sua entrada, acompanhado de seus filhos, A e Bee, ainda crianças.
- Este também se acha superior, pelo visto - ironizou o Mizukage, observando a postura arrogante do Raikage.
- De fato, parece que apenas grandes nomes foram convidados nesse grupo. - concordou Sakumo, com um tom de voz neutro.
- Tenho uma forte intuição de quem virá a seguir - profetizou Orochimaru, com um sorriso enigmático.,
- Acho que concordo com você, Orochi.
Os lábios de Tsunade se curvaram em um sorriso, que se desfez em mil pedaços ao avistar sua imagem infantil adentrando a sala, acompanhada de Jiraiya, Orochimaru e, em um golpe cruel do destino, Nawaki.
Uma onda de emoções a inundou: a dor da perda, a culpa que a assombrava, a saudade que a consumia e, agora, a esperança que renascia.
Seus olhos se arregalaram, fixos em sua versão mais jovem, e uma lágrima solitária escapou e rolou por sua bochecha.
A culpa, a dor e a saudade que há anos habitavam seu interior, agora se intensificaram, desencadeando uma avalanche de emoções.
Sua respiração acelerou, o coração disparou em seu peito. A sala, antes iluminada, agora parecia se estreitar, a pressão em seus pulmões a sufocando.
A visão de Nawaki, vivo e sorridente, era uma tortura. A memória de sua morte, vívida como se tivesse acontecido ontem, a assombrava.
Um tremor percorreu seu corpo, seus dedos se afiando em garras cravadas na palma da mão. A qualquer momento, sentia que perderia o controle.
A lembrança do toque de Nawaki, de seu riso, agora a torturavam. Ela queria gritar, chorar, mas as palavras se recusavam a sair.
- Tsuna... - Dan sussurrou, sua voz carregada de compaixão. A kunoichi apertou sua mão com força, agradecendo mentalmente por sua força estar selada naquele momento.
Jiraiya observava a cena com uma expressão indecifrável. Seus olhos, geralmente tão vivos e divertidos, estavam opacos, refletindo a profundidade do sofrimento de sua amiga.
- Hime... - ele murmurou, sua voz rouca.
- Ah, isso é muito cruel. - Sakumo comentou, sua voz baixa ecoando na sala.
- Veja pelo lado bom, Tsunade, - Orochimaru disse, sua voz fria cortando o silêncio. - Aquele garoto terá a chance de viver. Você pode salvá-lo em alguma linha temporal. Aproveite essa oportunidade e libere-se dessa culpa que a atormenta.
Jiraiya lançou um olhar repreensivo ao amigo, mas Tsunade, apesar do tom frio dele, compreendeu a intenção por trás das palavras de Orochimaru. E isso a fez acordar.
- Estou bem, obrigada - respondeu ela, sua voz firme, mas com um tremor sutil. - Você tem razão. Devo aproveitar essa chance.
No entanto, ao olhar para sua imagem infantil, Tsunade sentiu um nó na garganta novamente.
A menina que via era uma lembrança viva de tudo o que havia perdido e de tudo o que ainda a assombrava. Mas, ao mesmo tempo, aquela visão lhe dava força para seguir em frente.
- GENTE! É A GENTE! - exclamou o mini Jiraiya, olhos faiscando de entusiasmo, enquanto agarrava com força as mãos de seus companheiros, mini Tsunade e mini Orochimaru.
Os três miraram na direção apontada pelo loiro, seus olhares cruzando-se com as versões adultas de si mesmos.
- Uau, continuo deslumbrante, não é? - brincou a pequena Tsunade, jogando os cabelos para trás em um gesto confiante.
O pequeno Orochimaru, por sua vez, limitou-se a observar seu eu mais velho, cujo sorriso era enigmático, revelando pouca emoção.
- Ooi, eu mais velho! - o pequeno Jiraiya acenou animadamente para o sannin, que retribuiu o gesto com um sorriso cordial. Era preciso disfarçar a surpresa e a emoção que tomavam conta deles naquele momento.
- Estou surpreso por vocês estarem acompanhados por aqueles caras. - comentou Orochimaru, referindo-se aos antigos Kage. - Mas vocês não pertencem à mesma linha temporal, certo?
A desconfiança do sannin das cobras era evidente desde que avistara o grupo do Raikage, com Killer Bee e o Quarto Raikage mais jovens no mesmo grupo de um Oonoki ainda jovem.
- Nosso grupo é uma mistura de várias épocas, acho que não havia pessoas suficientes para nos dividir em grupos menores. - explicou o pequeno Orochimaru, tentando soar natural.
- Hum, o grupo anterior de vocês tinha apenas quatro integrantes. - observou o pequeno Hashirama levantando uma sobrancelha. - Acho que não há isso de pessoas suficientes.
- Gente! É o Shodai! - exclamou o pequeno Jiraiya, visivelmente impressionado.
- Posso sentar com você? - perguntou Nawaki, os olhos brilhando de excitação. O pequeno Hashirama, sem conseguir resistir ao encanto do sobrinho, assentiu com a cabeça.
- Espera, Nawaki! - pediu a pequena Tsunade, juntando-se ao garoto e aos pequenos Senju.
- Ei, irmã, por que não existe uma versão mais velha de mim? - questionou Nawaki, franzindo o cenho. Tsunade, sem saber como responder, desviou o olhar.
- Não se preocupe, acho que logo teremos todas as respostas. - murmurou ela, embora uma inquietação crescente a consumisse.
Os pequenos Jiraiya e Orochimaru se aproximaram do grupo, o último sendo praticamente arrastado pelo primeiro.
- Não consigo acreditar que aquele garotinho ali seja o Jiraiya-sensei! - Yahiko sussurrou, incrédulo, enquanto balançava a cabeça em negativa junto aos amigos.
- Parece sempre ter sido cheio de energia. - Konan observou, com um sorriso leve.
- Mas também um pouco... - Nagato hesitou, o olhar fixo na figura juvenil do sensei mostrando a língua para o pequeno Orochimaru.
- Infantil. - Sasori concluiu, a voz carregada de um desdém habitual.
- Aquele é o sensei de vocês? - Izuna indagou, surpreso. Konan, Yahiko e Nagato confirmaram com a cabeça. - E ele é forte?
- Muito! - Yahiko exclamou, os olhos brilhando de admiração.
- Estamos presenciando algo realmente incrível, né. - Kisame comentou, a voz profunda ecoando pelo ambiente.
- Nosso sensei, junto com os outros dois, são conhecidos como os Três Sannins Lendários. - Konan explicou, orgulhosa.
- São considerados invencíveis em batalha. - Nagato completou, a voz carregada de respeito.
- Hum, então até em sua época existiam guerras, não é? - Madara murmurou, pensativo, acariciando o queixo.
- Acredito que as guerras são uma constante na história. - Kakuzu murmurou, indiferente. - Não que me preocupe, de qualquer forma.
Nesse instante, o restante do grupo adentrou a sala.
- São os Hokages e seus conselheiros - sussurrou Dan, a voz carregada de tensão.
Jiraiya, com um olhar nostálgico, acrescentou
- É peculiar ver o sensei em tão tenra idade.
Danzo, Koharu e Homura, demonstrando sua habitual arrogância, apartaram-se do grupo, sentando-se em um canto mais recôndito.
Torifu os acompanhou, dispensando aos demais ninjas da Folha apenas um breve aceno de cabeça.
- Esses conselheiros... que postura arrogante! - exclamou Tsunade, com um tom desdenhoso.
- Tobi, somos nós! - O pequeno Hashirama aponta para suas versões mais velhas. - Oh, e Mito-san! Parece que nos conhecemos no futuro!
- Realmente - Tobirama murmurou uma confirmação, seus olhos revelando uma complexidade que contrastava com a alegria infantil de seu irmão.
Butsuma apenas olhas com olhos estreitos. A mulher ruiva era claramente companheira de seu primogênito, ele poderia dizer pela forma com que ele segurava a mão dela suavemente.
Ele não prestara atenção antes para a versão criança da mulher, mas agora, vendo a conexão que ela teria com seu clã, ele deveria fazer isso.
- Oh. - a pequena Mito murmura, meio envergonhada, parecia que ela e Tobirama também já haviam entendido a conexão, apenas o pequeno Hashirama que não.
Enquanto isso, o Hashirama adulto olha ao redor da sala.
- Olha Tobi, é a gente!
- Eu vi. - o segundo Hokage diz, entediado.
- E a Tsuna adulta! - ela diz sorrindo.
A Senju encontrou conforto no olhar caloroso de seu avô, que a observava com orgulho. O salão principal estava repleto de ninjas, mas para ela, apenas aquela pequena família reunida importava.
- Oh, Tsunade! Você conseguiu o Byakugou!? - exclamou Mito, os olhos brilhando de surpresa.
Hashirama, com sua gargalhada característica, respondeu:
- Hahahaha, nossa neta é incrível, querida!
Tsunade corou, um sorriso tímido curvando seus lábios. A pequena Tsunade ao seu lado ecoou sua alegria.
- N-neta? - o pequeno Hashirama apontou para a versão infantil de Tsunade, seus olhos arregalados de espanto. - Você é minha neta!?
- Sim, nós somos. - Nawaki sorriu, colocando uma mão no ombro de mini Tsunade.
- Você também? Que demais! - exclamou o pequeno Hashirama, pulando de alegria.
A pequena Mito, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, murmurou:
- Ah, então... vocês são meus netos...
O pequeno Hashirama paralisou, seus olhos fixos em Mito. A realidade daquela revelação o atingiu como um raio.
A menina que brincava ao seu lado, com seus cabelos ruivos e sorriso tímido, seria sua esposa? Um sorriso bobo se espalhou por seu rosto, e ele não conseguiu conter um leve rubor.
- Você vai ser minha esposa!? - ele diz envergonhado com a boca aberta.
- Hahaha, sim, sim, pequeno eu! Não poderíamos ter escolhido melhor. - Hashirama diz sorrindo fazendo a esposa sorrir.
E então, a voz ecoa pela grande sala novamente.
"Hashirama-san, peço que não revele as coisas do futuro, isso é trabalho para a sala, por favor, siga as regras"
- Eh? Parece que não podemos falar nada mesmo. - o primeiro Hokage diz suspirando enquanto se senta junto de sua esposa com as versões crianças dos dois.
- Ei, por que você está com um Uchiha? - o pequeno Tobirama indagou, a voz cortante como uma kunai.
Seus olhos, frios como o inverno, fixaram-se em sua versão mais velha, que retribuiu o olhar com a mesma intensidade glacial.
Hashirama, sentindo a tensão crescer a cada segundo, tentou amenizar o clima.
- Não se preocupe com isso, Tobirama. Você vai entender mais tarde.
A resposta evasiva apenas serviu para atiçar a curiosidade do jovem futuro Hokage, que cruzou os braços, implacável.
O Uchiha, que acompanhava a cena com um sorriso sarcástico, decidiu intervir.
- Relaxa, Tobirama-san. Eu já estou indo. - A voz era suave, mas as palavras carregavam uma dose de ironia que não passou despercebida.
- Kagami... - Tobirama tentou protestar, mas o Uchiha o interrompeu com um gesto da mão.
- Eu sei quando não sou bem-vindo. Não se preocupe comigo, eu tenho outros planos.
Kagami se afastou, mas seus olhos se encontraram com os de Izuna por um instante, carregados de uma emoção complexa que escapava à compreensão dos outros.
- Posso ficar com vocês? - ele questiona.
- Claro. - Izuna responde prontamente, dando espaço para Kagami se sentar ao lado dele, o que ele faz. Kagami observa Izuna com admiração.
Madara observa a cena com um olhar penetrante. Aquela proximidade entre Kagami e Izuna o incomodava de alguma forma, como se estivesse invadindo um território que ele considerava seu.
- Eu sou Uchiha Kagami.
- Uchiha Izuna. - o menino diz, um sorriso sutil contornando seus lábios.
Izuna definitivamente nunca ia comentar sobre o olhar melancólico que Kagami tinha toda vez que olhava para ele, como se ansiasse por algo.
Enquanto isso Tobirama suspirou, seus olhos fixos no chão. A culpa o corroía por dentro. Hashirama, sentado ao seu lado, tentou quebrar o silêncio.
- ... Não foi culpa sua, irmão. - sua voz era baixa, carregada de pesar.
- ... Eu nunca disse que foi, eu fiz o que era necessário. - Tobirama respondeu, sua voz fria como o gelo. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, como uma barreira impenetrável.
Mito se aproximou, seu olhar fixo em Tobirama.
- Então você não devia ter se apegado à criança. - sua voz era firme, acusadora.
Tobirama olhou para ela, surpreso. A acusação o atingiu como um soco no estômago.
- Mito... - Hashirama tentou a acalmar.
- Você mentiu, e vai arcar com as consequências disso. - ela disse, a voz embargada pela emoção.
- Não aja como se soubesse de tudo, ele era só uma criança, sozinha. -Tobirama retrucou, a voz mais alta do que gostaria.
- Você já ignorou muitas outras iguais por menos. - Mito rebateu, sem se intimidar.
Tobirama fechou os olhos com força. As lembranças daquela criança o assombravam. Ele tinha se apegado a ela, contra sua própria vontade. E agora, a culpa o consumia.
- Chega, eu estou com minha consciência limpa. - ele disse ríspido, tentando silenciar os próprios pensamentos.
SALA VERDE
Namikaze Minato era um enigma.
Por trás da fachada tranquila e estudiosa, escondia um mundo de emoções e aspirações.
Seus colegas o viam como um prodígio silencioso, uma gênio que resolvia os problemas com facilidade e sem alarde.
Mas Minato era mais do que apenas um aluno exemplar.
Ele era um observador nato.
Enquanto muitos se perdiam em fofocas e rivalidades, Minato encontrava prazer em analisar o mundo ao seu redor.
Seus olhos, azuis e penetrantes, costumavam se fixar na figura da recém-chegada, a estrangeira de cabelos vermelhos que ele havia ajudado a escapar de uma situação perigosa há alguns dias atrás.
Kushina Uzumaki era diferente de tudo que ele já havia conhecido. Forte, determinada e com um sonho tão ambicioso quanto o dele: ser Hokage.
Minato admirava sua coragem e sua paixão, e não podia deixar de sentir uma forte conexão com ela. Seus cabelos flamejantes, que contrastavam com sua pele pálida, eram como um imã para seus olhos.
No entanto, Minato sabia que o futuro reservava desafios para Kushina. A marca da Kyuubi a acompanhava, e com ela, a responsabilidade de ser a futura Jinchuuriki.
Ele a via passeando pela vila com Mito-sama, a atual Jinchuuriki, e sentia, de certa forma, pena por ela. Logo, Kushina seria confinada, impedida de viver uma vida normal.
A ideia de Kushina presa em um mundo restrito o incomodava profundamente. Minato decidiu que precisava agir.
Antes que fosse tarde demais, ele queria se aproximar dela, criar uma amizade e, quem sabe, até algo mais.
Mas como fazer isso sem assustá-la ou revelar seus sentimentos? A tarefa era desafiadora, mas Minato estava determinado a tentar.
Só que, definitivamente, não estava em seus planos acordar daquele jeito naquele local.
Ele abriu os olhos lentamente, sentindo um calor estranho percorrendo seu corpo. A imagem que se apresentou a ele o deixou sem fôlego:
Kushina estava enroscada em seus braços, a respiração calma e serena enquanto ela lentamente despertava.
Por um instante, ele se permitiu apreciar a beleza dela, os traços delicados e os cabelos ruivos espalhados por seu rosto. Mas a realidade o atingiu em cheio quando percebeu a situação.
Com um sobressalto, eles se separaram, os olhos se encontrando em um mar de emoções confusas.
O coração de Minato acelerou, e ele sentiu um estranho formigamento no estômago, um calor intenso subiu por suas bochechas.
A ruiva, com as bochechas tão vermelhas quanto seus cabelos, desviou o olhar, enquanto Minato tentava em vão encontrar as palavras certas
- Isso é embaraçoso, datebané. - ela murmura, enrolando seu dedo em uma de suas mechas ruivas.
O rosto de Kushina ainda estava corado como um tomate, e seus olhos evitavam os de Minato.
Ele não conseguiu evitar um sorriso. A situação era, no mínimo, inusitada. Mas, cercados por outras pessoas, as quais eles notaram apenas agora, se espreguiçavam e bocejavam, a realidade os atingiu em cheio.
- É... um pouco, né? - Minato respondeu, coçando a nuca. Tentou se levantar, mas Kushina o segurou pelo braço.
- Ei, calma aí! - ela disse, tentando esconder o rosto, não querendo encarar os outros agora.
Os olhares curiosos dos outros ninjas se voltaram para o casal, e Minato sentiu as bochechas queimarem ainda mais.
Ele sabia que os boatos não demorariam a surgir. Mas, por mais embaraçoso que fosse, ele não conseguia deixar de sentir uma certa alegria ao ver Kushina tão próxima.
- Oh, isso é certamente surpreendente. Nunca soube que Minato-san e Kushina-san eram próximos, embora certamente ela esteja agindo diferente perto dele esses dias. Você não acha, Fugaku-san? - ela pergunta suavemente, seus olhos cintilando com uma curiosidade que beirava a malícia.
Fugaku observou a jovem Uchiha com um olhar penetrante.
- Hm. Sério? Nem notei, princesa. - ele respondeu, fingindo desinteresse. No entanto, por dentro, ele sentia um certo orgulho de ver Minato se aproximando de Kushina.
A ruiva era uma jovem forte e determinada, e seria uma excelente companheira para seu amigo.
- Não precisa ser tão formal, não há mais ninguém de nosso clã aqui. - ela disse, sorrindo. Fugaku retribuiu com um sorriso minimo, sentindo-se mais à vontade na companhia da jovem Uchiha.
Uchiha Mikoto era uma alguém singular.
Nascida no coração do poderoso clã Uchiha, ela era a própria encarnação da tradição e da força.
Como filha do líder do clã, ela era a imagem da perfeição Uchiha: bela, forte e determinada.
Pesava sobre seus ombros a expectativa de um dia assumir o papel de matriarca. No entanto, Mikoto era mais do que apenas um símbolo do clã.
Sob a fachada imponente de uma Uchiha, escondia-se um coração gentil e compassivo. Diferente de muitos de seus parentes, que tendiam a ser reservados e orgulhosos, Mikoto cultivava relacionamentos autênticos e demonstrava uma empatia incomum.
Uchiha Fugaku era o oposto de Mikoto.
Enquanto ela era a personificação da graça e da elegância, ele se sentia como um peixe fora d'água no refinamento do clã Uchiha.
Nascido em uma família Uchiha de baixo escalão, Fugaku era desajeitado, incapaz de expressar seus sentimentos com a mesma fluidez que ela.
A proximidade com Mikoto era como um sonho distante, um ideal que parecia inatingível.
No entanto, por trás da fachada de admiração, havia um desejo ardente de conquistá-la.
Fugaku era consciente de sua ambição, e embora achasse egoísta, não conseguia se livrar da sensação de que precisava daquela princesa para se sentir completo.
Ver Minato tão próximo de Kushina o deixava, de certa forma, enciumado.
Ele desejava ter acordado com Mikoto em seus braços também, sentindo o calor de seu corpo e o perfume de seus cabelos.
Não entendia como parecia que somente aqueles dois foram favorecidos por aquela sala.
Mas será que era justo desejar algo assim? Afinal, Mikoto era a princesa dos Uchiha, e ele era apenas um ninja comum.
A distância que os separava parecia intransponível, e a frustração o corroía por dentro.
- Cara, que melação chata essa. Tô quase dormindo aqui. - Nara Shikaku bocejou, massageando os olhos.
- Relaxa, Shikaku. É só um pouco de romantismo. - Akimichi Chouza sorriu, mastigando um punhado de salgadinhos.
- Romantismo? Mais parece um drama barato. - Yamanaka Inoichi concordou, fazendo um careta.
- Vocês dois só têm inveja! - Uma voz feminina cortou o ar. Eles se viraram e lá estava ela:
Yoshino, o carma eterno de Nara Shikaku.
Shikaku revirou os olhos.
- Ah não, você não de novo.
- Olá, Yoshino! - Chouza acenou animadamente.
- Shika boa sorte. - O Yamanaka deu um tapinha nas costas do amigo e arrastou Chouza junto, deixando Shikaku sozinho com a amiga.
- Ei! Esperem por mim! - Shikaku protestou, mas já era tarde demais. - Não me deixem com essa mulher salvagem!
- Quem você chamou de 'selvagem' agora, Nara? - Yoshino perguntou, os olhos brilhando de raiva. Ela agarrou um punhado dos cabelos dele.
- Me solta, sua maluca! - Shikaku tentou se soltar, mas Yoshino apertou mais forte.
- Haha, o ambiente aqui é bem mais relaxante do que eu imaginava, não acha, irmão? - Hyuuga Hizashi sorriu, seus olhos brilhando de divertimento.
Hyuuga Hiashi cruzou os braços, a expressão séria de sempre.
- Tenha cuidado, Hizashi. Nunca se sabe o que pode acontecer.
- Relaxa, irmão. Nem tudo é tão grave assim. - Hizashi deu um tapinha no ombro do irmão, tentando aliviá-lo.
Hizashi, o caçula dos gêmeos Hyuuga, era um observador nato.
A cada olhar trocado, cada sorriso tímido, ele desvendava um universo de emoções que o fascinavam.
A atmosfera quase palpável de romance entre alguns de seus colegas era como um quebra-cabeça que ele adorava montar.
Diferente dos arranjos pré-determinados de sua família, onde os laços amorosos eram traçados desde a infância, esses sentimentos espontâneos e puros o deixavam perplexo e, ao mesmo tempo, esperançoso.
- Nunca vi Minato-san tão perdido em pensamentos. - Hyuuga Hanako sorriu, seus olhos perolados brilhando.
O rosto de Minato, normalmente tão radiante, agora estava levemente corado, um contraste adorável com o tom pálido de sua pele.
A jovem Hyūga observava a cena com divertimento, seus longos cabelos negros azulados balançando suavemente ao vento.
- É como se ele estivesse vendo o mundo com novos olhos.
Hyuuga Natsuki, com seus cabelos castanhos lisos e a tradicional faixa marrom cobrindo a testa, concordou com a cabeça.
- Realmente surpreendente. Ele está completamente enfeitiçado - A jovem Hyuuga cruzou os braços, seus olhos perolados transmitindo uma sensação de paz. - É lindo de se ver.
Hyuuga Hanako, a noiva de Hyuuga Hiashi, era a personificação da graça e da gentileza. Proveniente do clã principal, seu sorriso iluminava qualquer ambiente.
Apesar de sua natureza doce, Hanako possuía uma força interior que a tornava admirável. Sua opinião era especialmente valorizada pelo próximo líder do clã, o que a colocava em uma posição única dentro da família.
Já Hyuuga Natsuki, destinada a Hizashi desde a infância, era uma jovem gentil, porém mais reservada.
Hizashi, ao observá-la, a via como um pássaro aprisionado em uma gaiola, assim como ele e todos os membros do ramo secundário. A marca amaldiçoada que carregavam era um símbolo desse confinamento.
Natsuki, acometida por uma enfermidade crônica, era frágil e nunca poderia se tornar uma ninja, apesar de seu profundo desejo.
Sua fragilidade despertava em Hizashi um sentimento de pena, mas com o tempo, ele desenvolveu um afeto genuíno por ela e a ideia de perdê-la o aterrorizava.
- Heh, olha só aqueles pombinhos. - Inuzuka Tsume disse com um sorriso arrogante enquanto acariciava seu cachorro, Kuromaru.
Aburame Shibi, ao seu lado, se limitou a apenas um olhar de canto de olho, não muito interessado na situação, ele se sentia incomodado em estar com tantas pessoas falantes.
Encolhidos em um canto do sofá, os olhos de duas crianças se arregalaram enquanto olhavam o ambiente.
- Ei, Mebuki! Não chame muito atenção - sussurrou Haruno Kizashi, tentando conter a agitação da garota.
- Cala a boca, Kizashi! Você que estava chamando atenção! - retrucou Mebuki, a voz carregada de irritação enquanto ela soca o garoto.
- Não seja tão má, bruxa! - exclamou Kizashi, esfregando a cabeça onde acabara de levar um leve soco.
- Do que você me chamou? - indagou Mebuki, a raiva em seus olhos.
- Por que você é assim, Mebuki? - choramingou Kizashi, fazendo uma careta de dor.
Em um outro canto discreto da sala, três figuras jovens se mantinham vigilantes, seus olhos fixos no grupo de crianças de Konoha.
- Somos em menor número. Mantenham-se atentos. - Sussurrou Rasa, seu olhar sério transmitindo a gravidade da situação. Os outros dois, com um aceno de cabeça, demonstraram compreensão.
Rasa, herdeiro do clã Kazekage, era o próximo na linha de sucessão para liderar Sunagakure. A responsabilidade pesava em seus ombros, mas ele a encarava com determinação.
Ao seu lado estavam Karura e Yashamaru, gêmeos com laços familiares distantes aos conselheiros da areia.
A amizade entre eles era sólida, forjada por anos de convivência. Rasa, em particular, sentia uma profunda admiração por Karura, um sentimento que guardava em segredo.
O trio era a única representação de Sunagakure naquele local. Somente um grupo ainda menor, posicionado mais afastado, rivalizava com eles em termos numéricos.
Com a voz embargada pela tensão, o menino fitou os outros dois shinobis, o bastão com gancho apertado em sua mão.
- Vocês são de Iwagakure, não é? - questionou, os olhos atentos a qualquer sinal de reação.
O garoto de máscara, a face oculta, respondeu com um simples.
- Sim - a voz plana como uma pedra.
A notícia não era surpreendente. Era um segredo a céu aberto que Karatachi Yagura, Han e Roshi eram Jinchuurikis, portadores das temíveis Bijuus.
A vila de pedra, especial, com sua longa história de conflitos, era conhecida por sua força bruta e por seus Jinchuurikis.
- Não sei se deveríamos compartilhar esta informação, mas não sinto a presença de minha Biju - Roshi declarou, a voz grave e preocupada. A ausência da besta selada dentro dele era um sinal claro de que algo estava errado.
- O mesmo para mim. - Yagura concordou, um alívio evidente em sua voz. - Que alívio que não sou o único. Mas acho que deveríamos manter isso entre nós. O número de ninjas de Konoha é maior em comparação conosco.
Han assentiu em concordância, compreendendo a gravidade da situação.
A ausência de suas Bijuus era um mistério que precisava ser desvendado, mas a exposição de sua vulnerabilidade poderia atrair perigos ainda maiores. A cautela era fundamental naquele momento.
"Olá, meus queridos, vocês estão liberados" a voz disse enquanto a porta se abria, fazendo as crianças caminharem aos poucos até o salão principal.
- Uau, olha quanta gente! - Kushina exclamou, seus olhos brilhando de entusiasmo enquanto observava a movimentação ao redor. Minato sorriu, concordando com a amiga.
- Huh? Minato! Você está exatamente como alguns anos atrás! - Jiraiya exclamou, os olhos arregalados de surpresa ao reconhecer seu antigo aluno, com a aparência de mais ou menos uns 6/7 anos atrás.
Aquele encontro inesperado o fez voltar no tempo, trazendo à tona memórias vívidas de seus tempos como sensei do Namikaze.
- Oh, Jiraiya-sensei! - Minato respondeu, um sorriso leve curvando seus lábios.
A alegria de rever seu mestre era evidente em seu rosto. Ele e Kushina se aproximaram, sentando-se ao lado de Jiraiya.
- Olha, é Mito-sama!- Kushina apontou, os olhos arregalados de emoção.
A jovem Uzumaki, com seus cabelos cor de fogo e personalidade exuberante, era a antítese da figura serena e majestosa de Mito.
No entanto, entre as duas mulheres, havia uma conexão instantânea, um reconhecimento mútuo que transcendia as diferenças de idade e personalidade.
- Está tão jovem e bela, datebané!
- Obrigada, querida. - Mito respondeu, um sorriso gentil curvando seus lábios. Seus olhos, profundos e sábios, percorreram a figura de Kushina, avaliando a jovem com um olhar maternal. - Parece que nos conhecemos, não é mesmo?
- Eu sou Uzumaki Kushina! - a garota exclamou, a alegria transbordando em sua voz.
- Uzumaki... - a pequena Mito murmurou, seus olhos fixos em Kushina, uma fagulha de reconhecimento brilhando neles, ela adorava conhecer pessoas de seu clã.
- Ah, sim, entendo, querida. Que bom te conhecer. - a Mito adulta completou, trocando um olhar com Tobirama.
Assim que ouviram aquele sobrenome eles já tinham uma boa ideia do que a garota significava.
Kushina, com sua força interior e o legado do clã Uzumaki, seria a próxima Jinchuuriki da Nove Caudas.
- Kushina-san sempre tão animada. - Uma bela garota de cabelos negros e olhos escuros como a noite, vestes bordada com o símbolo do clã Uchiha, sorriu para a ruiva.
- Obrigada, Mikoto-chan! - Kushina respondeu, a voz cheia de entusiasmo.
- Uchiha, hein? - o pequeno Tobirama murmurou, observando a interação com desdém.
O jovem Senju não confiava nos Uchihas. Para ele, aquela interação entre os membro do clã de olhos de sangue e as pessoas com quem seria afiliado no futuro era apenas uma fachada, uma tentativa de esconder as verdadeiras intenções deles.
Já o pequeno Hashirama observava a cena com um sorriso cálido.
Kushina e Mikoto, uma Uzumaki tal como a futura esposa dele e uma Uchiha, interagiam com naturalidade, um sinal claro de que o futuro que ele tanto almejava estava mais próximo do que nunca.
Um sorriso radiante iluminava o rosto do pequeno Hashirama. Ele sonhava com um dia em que as espadas seriam trocadas por ferramentas e a amizade substituiria a rivalidade entre os Senju e os Uchiha.
O pequeno Senju sentia um calor no peito, a promessa de um futuro onde seus filhos e os filhos de Madara poderiam brincar juntos em um mundo sem guerras o enchia de esperança
- Princesa, onde deseja se sentar? - Fugaku perguntou, a voz suave contrastando com a intensidade do olhar que direcionou à jovem.
- Princesa - Uchiha Tajima repetiu, a curiosidade misturada com um toque de desdém.
Para ele, a nova geração de Uchiha parecia mais preocupada com títulos do que com força.
- Oh, eu sou Uchiha Mikoto, meus pais são os atuais líderes do clã. - ela respondeu, um sorriso gentil iluminando seu rosto.
- Heh, esses Uchihas de hoje estão muito mole. - Madara resmungou, mais para si mesmo do que para os outros.
- Vocês podem se sentar conosco. - Izuna convidou, um sorriso cortês nos lábios, seus olhos encontrando os de Mikoto por um breve instante.
- Claro. - jovem Uchiha piscou, surpresa, antes de recuperar a compostura enquanto se dirigia as poltronas, seguida de perto por Fugaku, como um guarda-costas leal.
- Olá. - Kagami cumprimentou com brevidade, com um sorriso gentil.
- Olá, Kagami-san. - a jovem Uchiha respondeu, um sorriso cortês nos lábios.
- Vocês se conhecem? - Madara perguntou, lançando uma pedrinha no ar. Seus olhos se fixaram em Mikoto, buscando uma reação.
- Kagami-san é alguém muito famoso. - Fugaku respondeu, um tom de reverência em sua voz.
- Huh, isso faz sentido, todos os Uchihas são importantes. - Madara declarou, a arrogância transparecendo em cada palavra. - Melhor que outros clãzinhos por aí. - acrescentou, um sorriso debochado nos lábios.
- O que você disse, Uchiha? - o pequeno Tobirama rosnou, seus olhos faiscando de raiva. Madara havia cruzado uma linha
- Olha só, nem precisei falar o nome! Parece que até os seus compreendem o quão minúsculos são. - Madara provocou, desdenhoso.
- Seu... - o pequeno Tobirama avançou um passo, pronto para atacar, mas o pequeno Hashirama o segurou com firmeza.
- Calma, Tobi, calma. - o pequeno Hashirama tentou acalmar o irmão, seus olhos cheios de preocupação.
Madara apenas zombou, a arrogância transparecendo em cada gesto.
- Hahaha. - Mikoto riu baixinho, seus olhos brilhando com diversão.
- Perdi algo? - Fugaku perguntou, a voz rouca. Seus olhos se encontraram com os dela, um breve momento de conexão antes de desviar o olhar, levemente corado.
- É divertido, estou vendo coisas das quais apenas ouço histórias. - ela sussurrou, sua voz quente contra a orelha dele.
Fugaku sentiu um arrepio percorrer sua espinha, sua garganta seca. Incapaz de responder, ele apenas desviou o olhar, fingindo desinteresse.
- Esses Uchihas, muito arrogantes. -
O pequeno Tobirama cuspiu as palavras, o rosto contorcido de raiva.
Seus olhos, escuros como a noite, cintilaram com desafio, fixos em Izuna, que olhava para ele com zombaria.
- Não olhe pra mim, verme. - o pequeno Tobirama completou, apontando o dedo para Izuna com desprezo.
A provocação ecoou no ar, quebrando a leve conversa que acontecia entre os outros.
Três pares de olhos negros se voltaram para o pequeno Tobirama, carregados de uma intensidade que congelou o ar.
Madara encarou o pequeno Tobirama com um olhar gélido, a fúria borbulhando em seus olhos.
Kagami, ao lado de Madara, adotou uma postura protetora, seus olhos estreitando-se em fendas perigosas.
Mikoto, por sua vez, posicionou-se entre Izuna e Tobirama, seus olhos expressando uma mistura de preocupação e raiva.
Ela lançou um olhar mortal para Tobirama, como se ele fosse um inseto insignificante.
A tensão era palpável, pairando no ar como uma nuvem escura. A pequena provocação de Tobirama havia acendido uma faísca que ameaçava se transformar em um grande incêndio.
- Chega, pequeno eu. - Tobirama suspirou, a voz carregada de nostalgia.
Ao acariciar a cabeça de sua versão infantil, sentiu uma onda de compaixão. Lembrou-se da criança impulsiva e cheia de raiva que já foi.
A lembrança o fez refletir sobre sua jornada, sobre tudo o que havia aprendido e perdido ao longo dos anos. Um sorriso amargo curvou seus lábios.
Shikaku bocejou, esfregando os olhos.
- Meu Deus, isso tá muito problemático. - ele murmurou, sentando-se em uma cadeira.
Ao seu lado, Inoichi e Chouza concordaram com a cabeça, enquanto Yoshino observava a cena com um sorriso divertido.
- Engraçado ver os Ino-Shika-Cho jovens - Sakumo comentou, um brilho de nostalgia em seus olhos. Dan assentiu
- Sim, esse lugar está nos proporcionando coisas muito interessantes.
Mebuki e Kizashi se aproximaram do grupo, visivelmente constrangidos.
- Mebuki, porque tão acanhada? - Yoshino perguntou, notando o nervosismo da amiga.
- Nada não, é meio desconcertante ser os únicos civis aqui. - Mebuki murmurou, corando levemente.
- Que bobagem, seja forte, mulher! - Tsume exclamou, chegando acompanhada de Shibi.
A kunoichi colocou uma mão no ombro de Mebuki, transmitindo-lhe confiança.
Shibi, por sua vez, observava a cena com um olhar desafiador, pronto para qualquer provocação.
As quatro crianças Hyūga se acomodaram perto dos amigos, um contraste marcante com a animação dos outros.
Hiashi, o mais velho, permaneceu quieto como sempre, buscando um canto tranquilo entre Hanako e Hizashi.
Natsuki, a mais nova, se aninhou ao lado de Hizashi, observando tudo com curiosidade infantil.
A família Hyūga, com sua natureza introspectiva, era um oásis de calma em meio ao turbilhão de emoções dos outros.
O trio da areia se aproximou da sala principal.
Chiyo, com um sorriso gentil, acenou para as crianças.
- Oh, é o pequeno Rasa, Karura e Yashamaru - Ela disse, sua voz suave.
O Terceiro Kazekage, com um olhar distante, convidou o sucessor e os outros dois para se sentarem ao seu lado.
Os três se acomodaram em silêncio, não confortáveis o suficiente para conversar perto do Kazekage.
A dinâmica do clã dos Kazekage era complexa, marcada por deveres e expectativas.
Os três Jinchuurikis, Han, Roshi e Yagura, entraram na sala, seus olhos percorrendo o ambiente com curiosidade.
Ao avistarem Oonoki, jovem e vigoroso, Roshi soltou um grito abafado.
- Han, aquele é o Tsuchikage-sama, jovem! - ele exclamou, os olhos arregalados.
Han, embora demonstrasse uma calma aparente, não conseguia esconder a surpresa.
- Eu achei que tipo, ele fosse velho desde sempre. - Roshi continuou, a voz cheia de espanto.
Oonoki, em sua forma mais jovem, aproximou-se do trio, um sorriso gentil nos lábios.
- Oh, vocês são de Iwagakure? Venham com a gente. - A gentileza do jovem Tsuchikage pegou os Jinchuurikis de surpresa, mas, atordoados, eles o seguiram.
Yagura se acomodou ao lado do Mizukage, sentindo um misto de alívio e apreensão. O Mizukage, por sua vez, observava a cena com um olhar distante, mais preocupado com seus próprios pensamentos.
- Que curioso, embora haja muitos lugares vagos, as crianças parecem instintivamente se agrupar - Sakumo comentou, quebrando o silêncio. Os outros adultos concordaram com a cabeça, observando os jovens ninjas se reunirem em pequenos grupos.
GRUPO PRETO
Umino Iruka sempre se sentiu em seu lugar. Um Chunnin, não um ninja de elite, mas também não um novato. Um profissional experiente o suficiente para guiar os mais jovens, mas sem a pressão de ser um herói. Ele gostava da rotina, do contato com os alunos, da sensação de moldar o futuro de Konoha. Aquele era seu lugar, sua zona de conforto.
Ensinar crianças era sua paixão. Ver seus alunos crescerem, aprender e superar desafios o preenchia com um orgulho imenso. Ele se sentia um jardineiro, cultivando as sementes do futuro. Mas a tranquilidade de sua vida estava prestes a ser abalada.
Uma visão absurda havia invadido sua mente, uma fala sobre ver o futuro que o deixava perplexo. A ideia de ver o tempo se desenrolar, de vislumbrar eventos futuros, era algo que extrapolava qualquer limite de sua compreensão.
A sala era grande e espaçosa, com paredes pintadas em cores vibrantes e um piso de madeira macia. Havia uma variedade de brinquedos espalhados por toda parte, desde blocos de construção e bonecas até jogos de tabuleiro e quebra-cabeças.
No centro da sala havia uma grande piscina de bolinhas, onde as crianças podiam mergulhar e se divertir. Havia também um escorregador, um balanço e uma casa de bonecas, todos feitos de madeira e pintados com cores alegres.
A sala estava cheia de luz natural, que entrava pelas grandes janelas. Havia também várias plantas espalhadas pela sala, dando um toque de natureza ao ambiente.
A sala era projetada para ser um espaço seguro e divertido para as crianças brincarem e explorarem. Havia muitos lugares para se sentar e relaxar, bem como áreas para se movimentar e brincar.
Iruka engoliu em seco, tentando manter a voz firme. Suas mãos suavam dentro dos bolsos. A sala, antes caótica, começava a tomar forma com as crianças se acomodando em um círculo precário. Ele precisava que eles se sentissem seguros, que confiassem nele.
- Muito bem, pessoal. Vamos nos apresentar para que possamos nos conhecer melhor. Eu vou começar. Meu nome é Umino Iruka, e eu sou de Konohagakure.
E assim, uma a uma, as crianças foram se revelando. Nomes familiares de alguns de seus alunos e de outros da academia ecoaram pela sala: Shikamaru, Chouji, Ino, Kiba, Shino, Hinata, Lee, Neji, Tenten, Naruto, Sasuke, Sakura... E outros que ele não conhecia. Cada voz infantil, carregada de uma mistura de curiosidade e medo, o tocava profundamente.
- Aburame Torune, de Konoha.
- Vocês podem me chamar de Shin, eu sou de Konoha também.
Iruka sorriu para cada um, tentando transmitir calma e segurança. A cada nome, ele sentia um nó se formar em sua garganta. Aqueles pequenos rostos, cheios de esperança e medo, eram um lembrete cruel da situação em que se encontravam.
O círculo de apresentações continua, a tensão no ar se dissipa lentamente com cada nome pronunciado.
- Eu não tenho um nome, mas sou de Konoha. - Sua voz era baixa, quase um murmúrio. Os olhos escuros, sem emoção, fixavam-se em um ponto indeterminado.
- Como assim, você não tem nome? Isso é... estranho! - Ino exclamou, incrédula, tocando o queixo pensativamente. - É como se você fosse um fantasma ou algo assim.
A voz misteriosa ecoou pela sala novamente, mais clara desta vez: "Por favor, o chamem de Sai. Eu vou abrir uma exceção nesse caso e revelar que esse será o nome dele."
Sai assentiu levemente, como se estivesse sendo programado. O novo nome não parecia afetá-lo de maneira significativa, embora internamente fosse diferente.
Shin bagunçou os cabelos de Sai, um gesto amigável e espontâneo.
-Sai... combina com você. Soa forte.
A vez agora era de um garoto de cabelos laranjas. Ele se levantou, os músculos tensos sob a fina camada de roupa. Seus olhos, normalmente opacos, brilhavam com uma intensidade estranha.
- Juugo. Eu moro em uma caverna. - Sua voz era rouca, como se estivesse desgastada pelo uso excessivo.
Iruka observou Juugo com atenção. O garoto parecia perdido em seus próprios pensamentos, como se estivesse em um mundo distante.
- Uma caverna? Isso é interessante. Onde fica essa caverna?
Juugo hesitou por um momento, como se estivesse revivendo uma memória dolorosa.
- Eu não sei dizer exatamente. É um lugar escuro e úmido, mas eu me sinto... em casa lá. É o único lugar onde não sinto medo de ser quem sou - Sua voz se quebrou no final da frase.
Uma garota de cabelos ruivos, se aproximou de Naruto.
- Uzumaki Karin, eu moro na Kusagakure.
- Uzumaki? Você é minha parente? Que legal. - Naruto sorriu animado.
Karin respondeu:
- É, devemos ser parentes distantes! - Ela diz, curiosa, desde que o único membro do clã que ela conhecia era sua mãe.
A próxima garota pulou animada.
- Eu sou Fuu! De Takigakure! - A sala se encheu com sua risada contagiante.
- Sabaku no Gaara, de Suna. - A voz de Gaara era baixa e rouca. Seus olhos, normalmente vazios, buscavam um ponto fixo na parede. A sensação de estar cercado por tantas pessoas era estranha, mas ao mesmo tempo, confortante. A ausência da voz de Shukaku em sua mente era um alívio inesperado.
Logo após, seus irmãos se apresentaram, Kankuro e Temari, mas a atmosfera era tensa. Kankuro mantinha uma distância segura de Gaara, enquanto Temari observava o irmão mais novo com uma mistura de medo e preocupação.
Um garoto loiro com sua habitual arrogância, interrompeu o silêncio
- Deidara de Iwa. O mais forte de todos! - Ele cruzou os braços e sorriu de canto, mas por trás da fachada de confiança, sentia um certo nervosismo.
A garota ao lado dele, se apresentou com firmeza:
- Kurotsuchi, de Iwagakure. - Seus olhos pretos transmitiam uma determinação que contrastava com sua aparência delicada.
Karui e Omoi, da Kumogakure, se apresentaram juntos, sorrindo um para o outro.
Iruka, observando as crianças, notou a mistura de emoções em seus rostos. Alguns estavam ansiosos, outros curiosos, e alguns até um pouco assustados.
- Bom crianças, agora que todos se conhecem, vamos tentar ficar perto um dos outros quando chegarmos na sala principal. Lembrem-se, não se afastem muito, mesmo que vejam alguém conhecido.
As crianças se dispersaram pela ampla sala, uma bola de futebol rolando de um lado para o outro. Chouji, Shikamaru, Naruto e Kiba formaram um grupo animado.
- Naruto, você acha que vai ter salgadinhos e pipoca? - Chouji perguntou, seus olhos brilhando de entusiasmo. A perspectiva de um banquete de comida deixava qualquer um com água na boca.
Naruto assentiu com vigor.
- Com certeza! E talvez até lámen! - ele exclamou, imaginando já o sabor delicioso dos seus pratos favoritos.
Shikamaru suspirou dramaticamente.
- Que chatice, Naruto. Com tanta gente e tanta comida, não vai dar para descansar nem um pouco. - Ele se jogou no tapete, olhando para as nuvens desenhadas no teto.
- Relaxa, Shikamaru! - Kiba o cutucou - A gente pode dormir depois de comermos à vontade.
Akamaru latiu em concordância, abanando o rabo freneticamente.
Naruto pegou a bola de futebol e a chutou com força
- Quem consegue chutar mais longe? - desafiou.
Chouji e Kiba se entreolharam, animados com a ideia. Shikamaru apenas revirou os olhos, mas no fundo, ele também queria participar da diversão.
Em outro canto da sala, aninhados em uma pequena ilha de fofura cercada por montanhas de pelúcia, Sasuke Uchiha observava o garoto de cabelos brancos com um misto de desdém e curiosidade.
- É claro que gatos são os melhores animais do mundo! - o pequeno Uchiha afirmou com convicção, apertando contra o peito a pelúcia macia de um gato preto.
Seus olhos escuros brilhavam com a paixão pela criatura felina, enquanto um bico se formava em seus lábios finos.
- O que? Veja como esse tubarão é o mais adorável! - Suigetsu exclamou, indignado, exibindo a pelúcia de um tubarão branco com dentes afiados, mas com um sorriso simpático bordado no rosto.
A pelúcia era quase do tamanho dele, e ele a abraçava com força, como se fosse um troféu.
- Hum... na verdade... todos os animais são adoráveis. - Juugo murmurou timidamente, seus olhos castanhos percorrendo a variedade de bichinhos de pelúcia que segurava em seus braços.
Havia uma mistura eclética de passarinhos coloridos, cada um com uma expressão diferente.
Os três garotos haviam sido atraídos para aquele canto como imãs, logo após as apresentações. Aquele era o seu paraíso, um lugar onde a competição e a rivalidade de antes não tinham lugar. Aqui, a única disputa era por qual pelúcia era a mais fofa.
- Já sei! - Suigetsu exclamou, seus olhos brilhando de uma ideia. Ele se levantou de um salto e correu em direção a Karin, a puxando para o meio do grupo de pelúcias. - Hey! Nos diga! Qual o animal mais fofo? - perguntou, ansioso pela resposta.
Karin, surpresa com a súbita interrupção, olhou para ele com uma sobrancelha arqueada.
- Aí! Por que você fez isso!? - reclamou, tentando se soltar de sua mão. Mas a curiosidade dos outros garotos a fez parar.
- Hum... nenhum! - ela respondeu, sorrindo de lado. Em seguida, levantou uma pelúcia de um panda vermelho, com suas manchas distintivas e olhos grandes e redondos. - Em vez disso, este daqui! - declarou, segurando a pelúcia com cuidado.
Sasuke e Suigetsu trocaram um olhar de incredulidade. Um panda vermelho? Sério? Juugo, por outro lado, observava a pelúcia com admiração, achando-a extremamente adorável.
A discussão sobre qual animal era o mais fofo continuou por um bom tempo, cada um defendendo sua escolha com paixão infantil.
Ao mesmo tempo, em um canto florido que lembrava um quadro japonês, Ino e Sakura se encaravam com o típico bico infantil e os braços cruzados sobre o peito.
Aquele mar de pétalas rosadas, que em outros tempos as fazia sorrir, agora parecia ser um testemunho silencioso da recente briga.
- Humph! Acho que devemos dar uma trégua aqui, porca. - Sakura murmurou, a voz embargada por um misto de orgulho ferido e nostalgia.
Havia dois dias desde que a amizade delas havia rachado, e a proximidade das flores de cerejeira, símbolo da efemeridade da vida e da beleza da renovação, as fazia questionar se aquela briga realmente valia a pena.
- Tudo bem, testa de marquise. - Ino respondeu, tentando soar indiferente, mas a suavidade de sua voz denunciava a mesma angústia. - Agora, deveremos ficar de olho naquela garota. - completou, lançando um olhar significativo para Karin, que brincava com Sasuke não muito longe dali.
- Talvez, mas eu sinto que... gosto dela? E além disso, Sasuke-kun não gosta de garotas de cabelos curtos. - Sakura concordou, com um brilho nos olhos que misturava competitividade e insegurança.
As duas se entreolharam por um instante, e um arrepio percorreu suas espinhas. Uma terrível constatação as atingiu: elas também tinham o cabelo curto! Aquele detalhe, que antes passava despercebido, agora se tornou um motivo de pânico.
As amigas de infância abriram a boca em um perfeito "O quê?!" e se entreolharam horrorizadas, a imagem de Sasuke as julgando com um olhar de desaprovação pairando sobre elas.
Em um canto tranquilo da sala, onde um balanço de madeira balançava suavemente sob a brisa, Hinata Hyuga se balançava de leve, seus olhos perolados fixos no chão.
A cada balanço seu cabelo esvoaçava, contrastando com a seriedade de seu primo, Neji Hyuga, que a observava com um olhar reprovador.
- Não se distraia tanto! - Neji repreendeu, sua voz firme cortando o silêncio. Hinata parou de se balançar imediatamente, a culpa pintando em suas bochechas pálidas.
- Desculpa, irmão. - ela murmura timidamente parando de se balançar e olhando para baixo.
Mas a paz não durou muito. Mal Hinata havia parado, já sentia o balanço se movimentando novamente, impulsionado por uma força invisível.
Olhando para cima, seus olhos se arregalaram ao ver Tenten, a garota de cabelos castanhos e sorriso contagiante, balançando-a com vigor.
- Não deixe este garoto chato te dizer o que fazer! - Tenten exclamou, seus olhos brilhando com desafio. Neji revirou os olhos, mas não respondeu.
- Uau, posso brincar na balança também? - Uma voz infantil e animada interrompeu a pequena discussão.
Era Rock Lee, o menino hiperativo, que se sentou no balanço ao lado de Hinata, começando a se balançar com entusiasmo.
Logo em seguida, Shino, o menino silencioso, se juntou a eles, passando despercebido por todos.
- Hmph, todos crianças. - Neji resmungou, cruzando os braços.
- Você também é- Shino começa a dizer mais é interrompido por Tenten.
- Mas você também é criança! - ela retrucou com um sorriso divertido, e uma discussão animada se iniciou entre os dois, enquanto Hinata e Rock Lee se divertiam no balanço, a leveza da infância tomando conta do ambiente.
Torune apenas coloca a mão sob o ombro do primo, dando um pequeno sorriso a ele.
Em outra área, onde haviam várias folhas, pincéis, tintas, lápis de cor e giz de cera, um garoto estava pensativo.
- Sai... - murmurou, a voz quase inaudível, como se temesse quebrar o delicado véu de concentração que o envolvia. Seus pequenos dedos deslizavam com precisão pela ponta do pincel, movendo-se em um ritmo hipnótico sobre o papel. Estava em transe, alheio ao mundo ao redor, absorto na criação que emergia sob seus traços. - Este vai ser meu nome...
Levantou os olhos, finalmente rompendo o silêncio, e encontrou o olhar de Shin. Um sorriso gentil iluminava o rosto do outro, fixo nele.
- É um nome belo, não é? - perguntou Shin, com doçura na voz.
Um breve silêncio pairou no ar antes que Sai respondesse, a voz um sussurro hesitante.
-... eu acho que sim.
Seus olhos voltaram para o desenho. Ali, traçado com carinho, um garotinho de cabelos negros exibia um sorriso radiante. Ao lado da figura, as letras formavam a palavra: "Sai".
- Que estranho aquele cara não ter nome. - Omoi sussurrou, a voz carregada de mistério, inclinando-se para mais perto de Karui enquanto rabiscava algo em seu caderno.
Os dois estavam sentados um pouco afastados de Sai, em um canto mais tranquilo da sala.
- Você viu? A sala que disse qual vai ser o nome dele! E se ele for algum alien ou algo assim!? - Seus olhos se arregalaram levemente, a imaginação fértil trabalhando a todo vapor.
- Você está louco, cala a boca, Omoi. - Karui respondeu, a voz carregada de impaciência, sem sequer desviar o olhar do próprio desenho. - Ele é claramente um humano.
- Nunca se sabe, né!? Olha como ele é pálido! - Omoi insistiu, apontando discretamente com o queixo na direção de Sai.
Karui soltou um longo suspiro, demonstrando toda a sua exasperação com as divagações de Omoi.
- O que você está fazendo, Deidara-nii? - A voz de Kurotsuchi quebrou o silêncio concentrado que pairava ao redor de Deidara..
- Hm, arte. - respondeu Deidara, com um tom distraído, enquanto seus dedos trabalhavam com precisão e delicadeza, sentindo a textura fria e maleável do material.
O cheiro terroso da argila preenchia o ar enquanto ele a moldava, dando forma a algo que, em sua mente, ainda era vago.
No entanto, mesmo com a precisão de seus movimentos, um franzir de testa sutil denunciava sua insatisfação. Como sempre, parecia faltar algo, um elemento crucial que teimava em escapar.
O garoto soltou um suspiro pesado, o ar escapando de seus pulmões como um fardo. Sem hesitar, pisou com força sobre a argila recém-moldada, achatando-a sem cerimônia.
Em seguida, começou a refazer todo o processo, desde o início. A repetição era quase mecânica, um ciclo vicioso de criação e destruição.
A perfeição parecia inatingível, e ele simplesmente não conseguia identificar o que faltava para alcançar sua visão.
Em outro canto da sala, Temari e Kankuro, ainda apreensivos com o estado de Gaara, escolheram um lugar mais afastado para se sentar.
Entre sussurros e olhares furtivos na direção do irmão, eles se distraíam com algumas marionetes, movendo-as em um balé silencioso.
Enquanto isso, Gaara havia aproveitado a oportunidade para finalmente descansar.
Uma paz incomum o envolvia. A ausência de Shukaku era notável, um alívio quase palpável.
Ele não entendia o motivo, mas a necessidade de dormir o dominou de tal forma que sequer se preocupou com a insônia que o atormentava constantemente.
Aquele momento parecia certo, predestinado ao repouso, como se um fardo tivesse sido retirado de seus ombros, permitindo-lhe experimentar uma sensação de leveza e tranquilidade até então desconhecidas.
O silêncio dentro de sua mente era ensurdecedor, mas acolhedor.
Mas a paz efêmera foi interrompida de forma abrupta. Um som abafado ressoou no ar, seguido por um leve baque. Uma bola de vôlei, em um voo desgovernado, encontrou seu alvo na cabeça adormecida de Gaara, despertando-o de seu sono profundo.
- Oi, desculpa por isso. - A voz de Fuu soou como uma melodia suave em meio ao turbilhão de emoções que assolavam Gaara. Seu sorriso era radiante, uma explosão de luz em contraste com a escuridão que sempre o cercara. - Você quer ser meu amigo?
A pergunta ecoou na mente de Gaara como um trovão em um dia calmo. A irritação momentânea por ter sido acordado evaporou-se instantaneamente, dando lugar a uma surpresa genuína.
Seus olhos, antes semicerrados, se arregalaram em descrença. - Amigo? Eu? - A pergunta saiu como um sussurro hesitante, quase inaudível. A ideia era tão... inédita.
Temari e Kankuro, testemunhas silenciosas da cena, trocaram olhares atônitos. Jamais haviam visto Gaara reagir daquela maneira. A vulnerabilidade exposta em seu rosto era algo novo, quase chocante.
Alguém queria ser amigo dele.
Dele.
Gaara, o garoto que sempre fora temido e evitado. A simples possibilidade era avassaladora. O garotinho sentiu um nó se formar em sua garganta, os olhos ainda arregalados e a boca entreaberta em um misto de incredulidade e... esperança.
O garotinho sentiu um aperto no peito, uma mistura complexa de medo e anseio. Seus olhos se fixaram em Fuu, buscando alguma pista de que aquilo não era uma ilusão.
- Sim! Você! Eu quero ter muitos amigos, já que não tenho nenhum! - Fuu exclamou, seu sorriso brilhando como o próprio sol. A sinceridade em suas palavras era palpável.
- E-eu... - Gaara gaguejou, a voz embargada pela emoção. Era difícil processar tudo aquilo. - Eu adoraria.
A resposta, embora hesitante, carregava um peso imenso. Era um sim para a amizade, um sim para a aceitação, um sim para uma nova vida.
- Yay! Meu primeiro amigo! - Fuu bateu palmas com entusiasmo, a alegria irradiando de cada poro de seu ser. Sem esperar mais, ela segurou a mão de Gaara com firmeza e o puxou delicadamente. - Vem, vamos achar mais amigos!
- Onde estamos indo? - Gaara perguntou, a curiosidade superando sua timidez enquanto era gentilmente puxado por Fuu.
Logo, eles pararam em frente a Naruto, que estava em um canto mais afastado, aparentemente procurando algo no chão. Seus olhos estavam fixos na grama, e ele parecia alheio ao mundo ao seu redor.
- Ooooi! - Fuu acenou animadamente, sua voz ecoando pelo local. Naruto olhou para os lados, confuso, depois para trás, como se procurasse a quem ela se dirigia. Finalmente, seus olhos se arregalaram ao perceber que era com ele. Ele apontou para si mesmo, com uma expressão interrogativa. - Você mesmo! Vem cá!
Naruto caminhou hesitante até as duas crianças, um pouco acanhado sob o olhar curioso de Gaara.
- Oiê! Você quer ser nosso amigo? - Fuu perguntou com um sorriso contagiante. Naruto piscou surpreso, seus olhos brilhando com uma alegria genuína. Um sorriso tão brilhante quanto o de Fuu se abriu em seu rosto.
- Claro! Eu sou Uzumaki Naruto! Eu vou ser Hokage! - Ele exclamou com entusiasmo, irradiando confiança e determinação.
- Que legal! Eu sou Fuu! - Ela respondeu, retribuindo o sorriso.
- Gaara. - Ele se apresentou, ainda um pouco tímido, mas com um leve sorriso nos lábios.
Enquanto observava Naruto, Gaara sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Era uma sensação estranha, mas agradável, como se uma parte há muito adormecida dentro dele estivesse finalmente despertando.
Ele sentiu uma profunda conexão com o garoto loiro, uma intuição de que ele era alguém importante, alguém em quem poderia confiar.
O mesmo sentimento ecoava no coração de Naruto. A proximidade de Gaara o preenchia com uma sensação de conforto e familiaridade, como se el
es se conhecessem há muito tempo.
- Yay! Agora somos todos amigos! - Fuu exclamou, radiante, pegando a mão livre de Naruto com a sua.
Antes que eles pudessem dar mais um passo, a voz ecoou novamente pela sala, clara.
"Vocês estão liberados."
- Crianças, façam fila e vamos calmamente. - Iruka começou a dizer, com um tom de voz calmo e controlado, como sempre fazia.
No entanto, suas palavras foram engolidas pelo caos que se instaurou em questão de segundos. A disciplina que ele tentava impor se desfez como fumaça ao vento.
Nem bem Iruka terminou de pronunciar as primeiras palavras, a sala explodiu em um frenesi de movimento.
As crianças, antes sentadas e relativamente quietas, levantaram-se em um turbilhão de excitação, correndo em direção à saída como uma manada descontrolada.
Cadeiras foram arrastadas, risadas e gritos ecoaram pelo ambiente, e a ordem cuidadosamente planejada por Iruka se transformou em uma completa anarquia.
Todos os presentes na sala principal, que até então mantinham uma conversa tranquila, voltaram seus olhares para a porta, observando, atônitos, a avalanche de crianças de aproximadamente sete anos que irrompeu pela entrada. A cena era quase cômica: uma onda de pequenos corpos correndo, tropeçando e gritando, invadindo o espaço com uma energia avassaladora.
- Essa sala é enorme, 'tebayo! - Naruto exclamou, com os olhos brilhando de excitação e a boca aberta em um perfeito "O".
O som daquela exclamação familiar atingiu Kushina como um choque, fazendo-a virar o rosto bruscamente.
Aquele jeito de falar... era inconfundivelmente dela, um eco de sua própria persona. No entanto, ao olhar para o rosto do garoto, a semelhança parava por aí. Seus traços não a lembravam tanto de si mesma, mas sim...
Kushina desviou o olhar para Minato, um leve aperto no coração. A semelhança com o Namikaze era inegável.
Minato também olhava para o garoto, e a cada instante, a semelhança com sua amada Kushina se tornava mais evidente.
Seus gestos delicados e espontâneos, a maneira como seus olhos azuis se arregalavam em um misto de surpresa e curiosidade diante do novo ambiente.
E... o seu modo de falar.
Uma onda de ternura o invadiu, aquecendo seu coração. O Namikaze sentiu um nó na garganta, engolindo em seco a emoção que o tomava.
Suas bochechas ganharam um leve rubor enquanto, quase instintivamente, ele levou as mãos para cobrir o rosto, tentando disfarçar o turbilhão de sentimentos que o assaltava.
Naquele momento, a identidade do menino já se cristalizava em sua mente, carregada de significado.
- Uau! Muita gente reunida! - Fuu diz empolgada, sua voz vibrante de excitação, enquanto apertava com entusiasmo as mãos de Naruto e Gaara, contagiada pela atmosfera do local.
Gaara, sempre reservado, desviou o olhar, sentindo o rubor lhe subir às faces.
Seus olhos cor de areia encontraram por uma fração de segundo os de Karura, que o fitava com uma expressão complexa, onde se misturavam curiosidade e talvez uma sombra de reconhecimento maternal.
O menino, sentindo-se desconfortável sob o olhar intenso de Karura, rapidamente baixou os olhos, apertando um pouco mais a mão de Fuu, como buscando um refúgio. Ele a havia reconhecido quase que instantaneamente e uma onda de inadequação o invadiu, a dura consciência de que não se sentia merecedor daquele contato.
- Tá tudo bem, Gaara? - Fuu pergunta, sua voz suave e preocupada, enquanto ela e Naruto trocavam um olhar silencioso, percebendo o desconforto do amigo.
- S-sim... - ele murmura em um fio de voz, evitando o contato visual, o que levou Naruto e Fuu a compartilharem um olhar de apreensão.
- Huh, vou me sentar ali, o que acham? - Naruto chama, buscando um ambiente mais tranquilo e convidativo.
Ambos os amigos concordaram com um aceno de cabeça.
Desde o instante em que seus pés cruzaram a soleira, Naruto sentiu uma inexplicável força gravitacional o puxar em direção a Ashura, uma conexão imediata e intuitiva que ele não conseguia compreender.
- Olá! Sejam bem-vindos, sintam-se à vontade para se juntar a nós. - Ashura diz sorrindo, seu sorriso caloroso e acolhedor dissipando qualquer vestígio de estranheza.
- Sim, podem se sentar bem aqui. Há espaço de sobra. - o pequeno Hashirama diz, sua voz infantil transbordando simpatia.
- Uau! Você é o Primeiro Hokage! Incrível! - Naruto diz com os olhos azuis brilhando de admiração ao fitar a figura adulta de Hashirama. - Um dia, eu também vou me tornar Hokage, igualzinho a você! Pode apostar!
- Hahahaha! Fico feliz em ouvir isso, garoto! Estarei esperando ansiosamente para ver esse dia chegar! - Hashirama diz sorrindo, sua risada contagiante ecoando enquanto as três crianças se acomodavam juntas.
Ashura, os dois Hashiramas (em suas diferentes fases da vida) e Naruto logo se envolveram em uma conversa animada e descontraída. Uma atmosfera de compreensão mútua e afinidade inexplicável os envolvia, como se laços invisíveis os unissem em um entendimento tácito.
- Isso é problemático. - A voz arrastada de Shikamaru cortou o ar, acompanhada por um bocejo longo e sonolento.
O som daquela única frase foi o suficiente para atrair a atenção de Shikaku, Inoichi, Chouza e Yoshino. Seus olhares se voltaram imediatamente para o garoto, como se um radar interno tivesse sido ativado.
- Certamente um Nara. - Inoichi comentou, com um leve sorriso nos lábios.
A postura relaxada, o bocejo constante e a inclinação para evitar o esforço eram características marcantes do clã.
- Com certeza um Nara. - Chouza concordou, balançando a cabeça em concordância. A observação de Inoichi era irrefutável.
- Definitivamente um Nara. - Yoshino completou, com um tom de voz divertido. A confirmação em uníssono era quase uma declaração oficial.
- Que problemático. - Shikaku resmungou, com um olhar divertido e ao mesmo tempo exasperado para o menino.
- Será que vai ter comida para todo mundo? A fila para entrar já era enorme - Chouji comentou, sua preocupação com o suprimento de mantimentos visível em sua expressão.
- Contanto que sobre alguma coisa saborosa para o Akamaru, tudo bem por mim - Kiba respondeu, coçando a cabeça do seu cão com um gesto carinhoso. - Ele fica bem rabugento de barriga vazia.
Os dois amigos continuaram avançando lentamente pela multidão crescente, seus comentário fazendo com que Chouza e Tsume, que os seguiam de perto, trocassem um olhar cúmplice e divertido sobre as prioridades de seus filhos.
-Hahaha esse é meu! - Tsume diz com um sorriso selvagem!
- Se as tendências se mantiverem, em breve teremos mais um trio Ino-Shika-Cho para dar trabalho aos jounins - Chouza ponderou em voz baixa, um sorriso antecipatório curvando seus lábios..
- Ah, e se a história se repetir, significa que há um "Ino". - Inoichi acrescentou, seus olhos faiscando com uma mistura de expectativa e um leve toque de apreensão paternal.
Nesse exato momento, como se tivessem sido invocadas pelas palavras de Inoichi, duas figuras infantis surgiram correndo pela entrada, chamando a atenção com sua energia contagiante: Ino e Sakura.
- Meu Deus! Parece que metade da vila resolveu aparecer por aqui! - exclamou Sakura, seus olhos verdes se arregalando em um misto de surpresa e um certo grau de apreensão diante da aglomeração.
- Uau! Este lugar é gigantesco! Mal consigo ver o final! - Ino complementou, sua voz carregada de uma admiração genuína pelo tamanho impressionante do local.
A visão das duas meninas correndo fez Inoichi travar abruptamente, como se um interruptor tivesse sido desligado em seu cérebro. Seus amigos mais próximos notaram sua súbita imobilidade e o encararam com uma curiosidade crescente.
- Uma... uma menina! - ele finalmente conseguiu balbuciar, sua voz embargada por uma emoção repentina e seus olhos fixos em Ino com um brilho paternal intenso. - Minha preciosa princesinha... está aqui!
Chouza sorriu abertamente diante da reação dramática e enternecedora do amigo, enquanto Shikaku, com sua habitual expressão estoica, apenas balançou a cabeça minimamente, um leve sorriso irônico dançando em seus lábios ao antecipar as futuras interações complexas envolvendo a jovem Ino.
Os seguintes a cruzarem a entrada foram Sasuke, Suigetsu, Karin e Juugo, um quarteto que exibia uma aura peculiar em meio à multidão.
- Oh, um Uchiha... - Mikoto murmurou suavemente, seus olhos fixos em Sasuke com uma expressão enternecida. - Tão adorável...
Fugaku, ao seu lado, manteve seu semblante estoico de costume, mas um calor sutil começou a se espalhar por seu peito. Aquele jovem possuía uma inegável semelhança com sua amada Mikoto, um espelho de sua beleza juvenil.
- Ele... ele se parece muito comigo - Izuna comentou, sua voz carregada de curiosidade e até mesmo um leve assombro diante da impressionante similaridade física.
Entretanto, Madara e, de forma ainda mais intensa, Indra, experimentavam novamente aquela estranha sensação ao observarem Sasuke. Era como se estivessem contemplando um reflexo de si mesmos em uma época distante.
Para Sasuke, a experiência era igualmente perturbadora. A intensidade daquela inexplicável conexão o deixou momentaneamente atordoado, paralisado por um sentimento visceral de reconhecimento. Uma necessidade premente de respostas o invadiu; ele precisava desvendar como aqueles jovens desconhecidos pareciam carregar consigo fragmentos de sua própria essência.
- Cê tá bem, cara? - Suigetsu perguntou, sua habitual expressão de não se importar com nada estava tingida de uma ponta de preocupação ao notar o estranho comportamento do amigo.
Juugo e Karin lançaram olhares inquisitivos para Sasuke, aguardando em silêncio sua resposta, prontos para qualquer eventualidade.
- Sim... eu só... vou me sentar ali - Sasuke finalmente articulou, sua voz ainda um pouco hesitante enquanto se dirigia ao grupo de crianças reunidas, sendo seguido de perto por seus companheiros.
Ao se aproximarem, uma voz suave e acolhedora se dirigiu a Sasuke:
- Olá, eu sou Uchiha Mikoto e você é...? - Ela perguntou com um sorriso caloroso, fazendo com que Sasuke a fitasse com a boca ligeiramente aberta, tomado por uma incredulidade repentina.
- Mamãe!?
Em uníssono, Mikoto e Fugaku repetiram a palavra com os olhos arregalados em choque e surpresa diante daquela inesperada exclamação.
- Ah... você... você é meu filho? - Mikoto indagou, sua voz embargada pela emoção enquanto sentia um calor inexplicável inundar seu peito.
- Eh... s-sim... - Sasuke respondeu, um rubor de timidez colorindo suas bochechas. - Eu sou Uchiha Sasuke.
- Sasuke... - ela repetiu o nome lentamente, saboreando cada sílaba como se estivesse testando sua sonoridade. - É um nome tão lindo... e combina tanto com você.
"Sasuke... é o nome do pai do Terceiro Hokage", pensou Fugaku, sua mente processando a informação. "Mas, curiosamente, soa muito mais adequado a este garoto do que àquele velho."
Um sentimento positivo e inexplicável começou a florescer no coração do Uchiha em relação a Sasuke. Acima de tudo, uma curiosidade intensa o consumia: quem era o pai daquele menino? Quem era o homem que havia conquistado o coração de sua princesa, que havia arrebatado o amor de Mikoto?
- Podemos ficar aqui, Sasuke? - Juugo perguntou, sua voz um pouco hesitante, mas com uma firmeza crescente, resultado da estabilidade que experimentava naquele lugar misterioso. A ausência das crises que o afligiam o deixava visivelmente mais seguro.
- Huh? Claro, tanto faz - o Uchiha respondeu com um leve encolher de ombros, sua indiferença habitual mascarando uma curiosidade crescente sobre aquele grupo de crianças. Sem perder tempo, Suigetsu, Karin e Juugo se acomodaram ao lado de Sasuke.
Os seguintes a entrarem no recinto foram Neji e Hinata. A jovem Hyuuga caminhava timidamente, mantendo-se ligeiramente atrás de seu primo, buscando proteção em sua presença.
- Oh, Hyuugas... - Hizashi murmurou, seus olhos fixos nas duas crianças, com uma atenção especial voltada para o semblante sério e determinado do menino Neji.
- Que adorável... - Hanako sussurrou com um sorriso terno, seu olhar carinhoso direcionado à pequena Hinata, cuja timidez lhe conferia um charme especial.
- Oee, Hinata! Vem se juntar a nós! - Kiba chamou animadamente, gesticulando para a menina. Ele já havia se reunido com Naruto e os outros em um pequeno círculo próximo.
- Sim, Hinata! Venha! Lee, vamos com ela! - Tenten disse, puxando Rock Lee pelo braço com entusiasmo, ansiosa para que todos se sentassem juntos e pudessem interagir.
- Hahaha! Claro! Pela chama da juventude, vamos nos juntar aos nossos amigos! - Lee exclamou com sua energia contagiante, seguindo Tenten com um sorriso radiante.
Shibi observou a entrada de dois garotos, Shino e Torune, com sua habitual quietude. Seus olhos encontraram brevemente os dos rapazes, trocando um aceno de cabeça quase imperceptível antes que eles se juntassem a um grupo de crianças, mantendo uma distância respeitosa dos demais.
- Shibi! Olhe só para ele! A sua cara! - Tsume exclamou com um sorriso largo e selvagem, direcionando a observação aos dois jovens Aburame. Shibi, no entanto, permaneceu em seu silêncio característico, sua expressão indecifrável.
Logo em seguida, Sai e Shin adentraram o salão. Shin, com uma determinação surpreendente para sua idade, guiou Sai para um local específico, fazendo questão de manter uma distância considerável de onde Danzo estava posicionado, um claro indicativo de sua aversão pelo homem. Os dois garotos se acomodaram em seu canto, observando o movimento ao redor.
Omoi e Karui entraram logo após, seus olhares varrendo o salão até encontrarem a figura imponente do Raikage e o peculiar Killer Bee. Sem hesitar, dirigiram-se até eles e se sentaram ao seu lado.
- Vocês são de Kumogakure? - A criança Raikage perguntou, sua voz já carregando uma ponta de autoridade.
- Sim, senhor! - Omoi respondeu prontamente, embora um tanto intimidado pela presença do jovem Raikage, cuja intensidade era palpável.
Um silêncio desconfortável se instalou entre eles. Omoi, visivelmente nervoso, não conseguia evitar encarar o Raikage mirim, seus olhos arregalados de apreensão. A cada vez que o menino voltava o olhar em sua direção, Omoi desviava rapidamente, um ciclo que logo começou a irritar o jovem líder de Kumogakure após a quinta repetição.
Logo em seguida, Kurotsuchi e Deidara fizeram sua entrada. O loiro caminhava com a cabeça erguida em sua habitual postura arrogante, um leve ar de superioridade pairando sobre ele.
- Oh, Deidara-nii, olha só! O vovô está mais novo! - Kurotsuchi exclamou, seus olhos arregalados de surpresa ao avistar a versão infantil de Onoki a uma certa distância.
- Hm - Deidara resmungou, lançando um olhar de canto para o pequeno Tsuchikage. Ele se esforçou para não demonstrar o quanto também estava impressionado com a visão inesperada.
- Vamos lá falar com ele! - Kurotsuchi disse animadamente, puxando levemente a manga de Deidara.
- Vá você! Eu não quero ficar perto daquele velho... quer dizer, daquele velho que agora é criança! É estranho demais!
- Mas, Deidara-nii... - ela tentou protestar, mas ele lhe deu um leve tapinha na cabeça.
- Eu sei que você quer ir, então apenas vá, hm! - ele disse com um tom mal-humorado, mas sua voz estava surpreendentemente suave. - Eu vou encontrar um lugar por conta própria!
Kurotsuchi suspirou, revirando os olhos para o comportamento teimoso do irmão mais velho, mas acabou concordando, sabendo que era inútil tentar convencê-lo quando ele já havia tomado uma decisão.
Com um sorriso hesitante, ela caminhou até onde a versão jovem de seu avô estava sentada.
- Posso me sentar aqui com você, vovô? - ela perguntou com uma animação genuína.
Onoki sentiu um calor inesperado percorrer seu peito, seus olhos se arregalando ligeiramente. Ele tinha uma neta! Aquela pequena garota o chamava de vovô!
- Mas é claro que sim, minha querida - ele respondeu com um sorriso gentil e surpreendentemente afetuoso, enquanto a garota se acomodava ao seu lado.
Han e Roshi, que estavam próximos, trocaram olhares intrigados. Eles não conheciam aquela menina, mas sua familiaridade com Onoki sugeria fortemente que ela era filha de seu velho amigo Kitsuchi.
Deidara percorreu o salão com os olhos, buscando um canto onde pudesse se isolar. Sua intenção inicial era encontrar um lugar afastado da multidão, mas sua atenção foi capturada por um grupo de crianças reunidas em um canto. Um deles estava absorto em brincar com uma boneca meticulosamente esculpida em madeira.
Sem hesitar, o loiro caminhou até o grupo e se sentou ao lado deles, sem dirigir uma única palavra a ninguém. Seus olhos azuis fixaram-se na boneca de madeira com uma intensidade avaliativa.
- Isso... isso é arte, hm? - ele perguntou, sua voz carregada de uma curiosidade genuína, contrastando com sua habitual arrogância.
- Claro. A arte é uma beleza eterna, imutável - respondeu o garoto que segurava a boneca, seus olhos encontrando os de Deidara com uma seriedade surpreendente para sua idade.
- Não... ainda não está certo. Falta alguma coisa... - ele murmurou para si mesmo visivelmente frustrado.
Ele amassou com impaciência a pequena figura de argila que moldava em suas mãos, uma criação imperfeita de seu tempo ocioso no quarto.
- Qual o seu nome? - Uma garota de cabelos roxos e olhar gentil perguntou a Deidara, sua curiosidade despertada pela presença do loiro.
Ela havia notado que ninguém parecia incomodado com sua chegada; os Uchihas permaneciam indiferentes, e ela podia sentir a maneira como, inconscientemente, o garoto evitava o contato visual com eles, quase como uma aversão.
- Eu sou Deidara, hm - ele respondeu, sua voz um pouco mais suave do que pretendia. Por um motivo que ele não conseguia explicar completamente, ele sentia uma estranha conexão com todos ali, uma gama de sentimentos que variavam em intensidade para cada um.
- Eu sou Sasori, e esta é Konan - o garoto ruivo se apressou em dizer, tomando a dianteira antes que Konan pudesse se apresentar.
Konan acenou com um sorriso amigável e apresentou brevemente os outros membros do grupo, percebendo que Deidara parecia mais interessado em remontar seu boneco de argila amassado, seus dedos trabalhando com uma precisão surpreendente
Temari e Kankuro foram os últimos a adentrar o salão. Seus olhos percorreram o ambiente, buscando um rosto familiar em meio à multidão de crianças e adultos. Logo avistaram Chiyo reunida com algumas pessoas, entre as quais reconheceram Yashamaru, o pai e mãe deles.
O coração de Temari acelerou de forma palpável. Mesmo diante da versão infantil, a presença de sua mãe, Karura, era inconfundível, evocando uma onda de emoção intensa. Ela sentiu o olhar curioso da menina pousar sobre ela, um sorriso gentil se esboçando em seus lábios, como se Karura já tivesse intuído a conexão entre elas.
Kankuro não estava menos afetado. A visão de sua mãe quase o levou às lágrimas, uma saudade avassaladora o dominando. No entanto, em meio à emoção, uma ideia começou a germinar em sua mente.
- Onde está Gaara? - ele sussurrou para sua irmã, sua voz carregada de uma urgência silenciosa.
Temari rapidamente varreu o salão com os olhos, procurando pelo irmão caçula até que o avistou reunido com um grupo de pessoas que irradiava uma aura de importância.
- Acho que devemos ir com ele - ela respondeu em voz baixa, sua decisão já tomada.
Embora o desejo de se aproximar de sua mãe fosse forte, a segurança de Gaara se tornou sua prioridade. Ele era filho do Kazekage, o Jinchuuriki do Shukaku, e, acima de tudo, seu irmãozinho. Seus medos em relação ao poder instável de Gaara eram reais, mas ela também compreendia os perigos potenciais caso alguma daquelas figuras influentes tentasse manipular o garoto para fins políticos.
Naquele local, porém, ela sentia uma estranha sensação de segurança. O Yashamaru que eles conheciam não estava ali para supervisionar Gaara, e seu pai (naquela versão mais jovem) não tinha conhecimento de sua proximidade com o Jinchuuriki.
Com passos firmes e decididos, Temari puxou Kankuro consigo e se dirigiram até onde Gaara estava sentado, tomando assento diretamente à sua frente.
O garoto de cabelos vermelhos e olhos cor de água-marinha os fitou com os olhos arregalados, uma confusão evidente estampada em seu rosto. Ele não conseguia entender por que seus irmãos mais velhos estavam ali, diante dele.
Nenhum dos três proferiu uma única palavra. O silêncio carregado de emoções pairava entre eles.
GRUPO ROSA
- Kushina, você está bem? - Minato perguntou, sua voz carregada de uma preocupação palpável ao notar a palidez e a respiração ofegante da esposa.
- Estou sim, 'tebanne - ela respondeu, embora sua voz trêmula e a tensão visível em seus ombros contradissessem suas palavras.
- Oh meu Deus, Kushina! - Mikoto se aproximou rapidamente, seus olhos arregalados de apreensão ao ver a amiga lutar para respirar. - Você está bem? O que está acontecendo?
- E-estou sim... - a Uzumaki conseguiu dizer, apertando com força a mão de Minato em busca de apoio.
- Kushina, você visivelmente não está bem. Seu rosto está pálido e você parece tensa - Fugaku observou com sua perspicácia habitual, seu olhar fixo na amiga.
- Oh... eu... eu acho que ela... ela está em trabalho de parto - Minato balbuciou, seus olhos arregalando-se em compreensão repentina. O sangue pareceu drenar de seu rosto, e ele cambaleou, sendo amparado firmemente por Fugaku antes que pudesse cair.
- O quê?! - Mikoto exclamou, seus próprios olhos se arregalando em choque diante da revelação.
- Ela... ela já estava a caminho do local para ter o bebê quando fomos trazidos para cá - Minato explicou, sua voz tão nervosa quanto a da esposa, enquanto tentava processar a situação.
- Acalme-se, Minato! Você é o Yondaime Hokage! Recomponha-se! Sua esposa precisa de você agora! - Fugaku disse com firmeza, sua voz autoritária buscando trazer o Namikaze de volta à realidade.
O Hokage fixou o olhar em sua esposa, cujo corpo se contorceu em uma onda de dor intensa, anunciando o início das contrações.
- Isso... dói 'tebanne! - Kushina exclamou entre dentes, sua expressão contorcida pelo sofrimento.
- Kushina! - Minato chamou seu nome, seu rosto refletindo a angústia que tomava conta de seu coração.
- Minato... e-eu não... não sinto a Kyuubi - ela sussurrou baixinho, sua voz carregada de nervosismo e apreensão.
- O quê?! - O Hokage arregalou os olhos novamente, sua mente lutando para compreender as implicações daquela declaração. - Você... você está bem? Isso é... normal?
- Isso é... bom, não é? - Mikoto perguntou hesitante, sua voz carregada de incerteza. - Quer dizer... para o parto... seria melhor, certo?
- Não sei, 'tebanne... - a Uzumaki gemeu, sufocando um grito agudo quando outra onda de dor a atingiu.
Fugaku lançou um olhar para os lados, notando que outras pessoas no salão começavam a despertar de seu torpor, seus olhos ainda confusos e desorientados. A atmosfera de mistério e apreensão se intensificava a cada instante.
- Kushina-san? Yondaime-sama? O que houve? - Inoichi perguntou, sua voz carregada de preocupação enquanto se aproximava rapidamente, seguido de perto por Chouza e Shikaku.
- Ela está em trabalho de parto! - Mikoto respondeu com urgência, seus olhos fixos em Kushina com apreensão.
- Cara, isso é muito problemático. De todos os momentos e lugares... - Shikaku resmungou, sua mente já traçando possíveis complicações.
- De tantos lugares para isso acontecer... - Chouza murmurou em concordância, levando mais um punhado de salgadinhos à boca, tentando lidar com a situação à sua maneira.
- Devemos priorizar a segurança e a integridade de Yondaime-sama e Kushina-san neste momento delicado - Shibi declarou com sua seriedade habitual, seus olhos percorrendo o ambiente com atenção.
- Acredito que a presença de tantas pessoas observando pode estar causando um desconforto adicional para Kushina-san - Hizashi observou, sua expressão ponderada.
- De fato - Hiashi concordou, sua atenção mais focada em acalmar sua esposa, cujo semblante denotava crescente tensão. - Acalme-se, meu amor. Nosso bebê pode sentir sua ansiedade - ele sussurrou suavemente, depositando uma mão gentil em seu ombro.
- Hiashi-san... será que dói tanto assim? - Hyuuga Hanako perguntou ao marido, sua mão acariciando instintivamente sua própria barriga, um misto de curiosidade e apreensão em seus olhos.
- Não se preocupe, Hanako. Você é forte, uma mulher resiliente - Hyuuga Natsuki, esposa de Hizashi, disse com um tom reconfortante, apoiando-se levemente no braço do marido enquanto um acesso de tosse a acometia, levando-a a usar um lenço.
- Esses homens! Só estão deixando Kushina ainda mais nervosa com essa aglomeração! Deveriam dar mais espaço! - Nara Yoshino exclamou, sua mão na cintura em um gesto de impaciência.
- Francamente, este é um momento íntimo de Minato e Kushina. Deveriam ser apenas os dois e a pessoa responsável por realizar o parto - Yamanaka Misaki comentou, tomando um gole de seu chá com uma expressão ponderada.
- Nós estamos em maioria aqui, eles não precisam ser tão excessivamente protetores com os dois - Akimichi Nao observou, sua voz calma, mas firme.
- Sim! Precisam dar mais espaço para a Kushina! Por isso que homem às vezes é tão inútil! - Inuzuka Tsume vociferou, seu tom de voz impaciente.
- Vocês acham que homem pensa? Olha só para esse idiota do meu marido! Um preguiçoso de marca maior! - Haruno Mebuki resmungou, apontando com um dedo acusador para Kizashi, que estava sentado em um canto, com uma postura indolente.
- Por que tanta agressividade, querida? Estou apenas deprimido porque nossa pequena Sakura ainda não está aqui conosco - Kizashi respondeu com um tom melodramático.
- Deixe de ser exagerado, homem! - Mebuki retrucou com raiva, seus olhos faiscando.
- Mas, falando sério, me preocupa que nossas crianças não estejam aqui conosco neste momento estranho - a Yamanaka ponderou, sua expressão agora carregada de uma genuína preocupação maternal.
- E o que poderíamos fazer? Não há saída aparente neste lugar. A porta parece completamente imóvel - Yoshino resmungou, sua frustração com a situação evidente em sua voz.
- Hana, querida, mantenha uma distância respeitosa do Yondaime agora - Tsume instruiu sua filha, seu tom de voz firme, mas carinhoso.
A pequena Inuzuka assentiu prontamente, afastando-se do grupo agitado e buscando um canto mais isolado do salão.
- Os adultos são tão complicados e preocupados à toa - Hana resmungou baixinho, sua impaciência infantil evidente.
- Mas é realmente uma surpresa ver o Yondaime tão desesperado. Não presencio um alvoroço desse nível desde o nascimento de Sasuke, quando tia Mikoto entrou em trabalho de parto - Uchiha Shisui comentou, sua voz carregada de um misto de surpresa e um leve divertimento.
- Sério? Eu ouvi alguns rumores, mas imaginei que fosse apenas um burburinho exagerado no distrito Uchiha - Uchiha Izumi respondeu, sua curiosidade aguçada pela revelação.
- Você nem imagina, Izumi-chan! Tio Fugaku fez um escândalo enorme, parecia que o mundo ia acabar! - Shisui exclamou, gesticulando com as mãos para enfatizar a intensidade da situação.
- Eh? Mas você não mora no distrito Uchiha, Izumi? - Hana perguntou, franzindo a testa em confusão.
- Não. Meu pai não é um Uchiha, então minha mãe e eu moramos fora do distrito com ele - a garota explicou com um sorriso gentil.
- Ah, entendi - a Inuzuka murmurou, assentindo em compreensão. - A propósito, alguém viu o Itachi por aí?
- Não sei. Ele disse que ia fazer alguma coisa antes de virmos para cá - Shisui respondeu com um encolher de ombros despreocupado.
Itachi, com sua curiosidade latente, mas sempre controlada, desviou-se do grupo principal e ajoelhou-se diante de uma criança um pouco mais nova que ele. Uma corrente sutil, quase imperceptível, o atraía para aquele menino encolhido, uma sensação vaga de familiaridade que sua mente lógica não conseguia processar.
O garoto permanecia sentado diretamente no chão frio, os braços magros apertando suas pernas dobradas contra o peito, o rosto pequeno completamente escondido na escuridão entre seus joelhos. Sua postura emanava uma tristeza isolada, uma bolha de solidão em meio àquele ajuntamento estranho.
- Você está bem? - Itachi perguntou, a formalidade de sua educação ninja moldando suas palavras. Embora sua voz não carregasse calor ou preocupação genuína, havia uma ponta de interesse em sua pergunta, uma necessidade de entender aquela conexão silenciosa.
- Sim, estou - respondeu o menino, sua voz abafada e desprovida de qualquer emoção que pudesse indicar tristeza ou medo. Era um tom plano, quase resignado, como se a apatia fosse seu estado natural.
Itachi manteve seu silêncio, seus olhos ônix fixos na figura encolhida, sua mente analítica trabalhando para desvendar o enigma daquela familiaridade incômoda. Ele tentava encontrar algum traço, alguma peculiaridade que pudesse explicar aquela inexplicável sensação de reconhecimento.
Seu olhar percorreu os curativos improvisados e descuidados que cobriam os braços e as pernas do menino, bandagens sujas e mal ajustadas que sugeriam negligência ou autossuficiência forçada. Apesar de sua postura defensiva, Itachi percebeu que o garoto não irradiava medo. Em vez disso, havia uma aura de tédio quase palpável ao seu redor, como se estivesse suportando uma situação enfadonha e estivesse à beira de sucumbir ao sono.
- Qual o seu nome? - Itachi perguntou novamente, quebrando o silêncio contemplativo.
- Hidan - o menino respondeu, acompanhando a resposta com um bocejo amplo e desinteressado. Ele se levantou lentamente, acompanhando o movimento de Itachi, seus olhos percorrendo o salão com uma expressão apática. - Que lugarzinho estranho, hein? Mas, para ser sincero, parece ser bem mais divertido e agitado que minha vila idiota. Lá não acontece nada de interessante.
Uma leve carranca de desaprovação, sutil, mas inegável, crispou as feições geralmente impassíveis de Itachi. Era uma reação instintiva que ele não conseguiu reprimir completamente.
Desde a mais tenra idade, Itachi fora imbuído dos valores da lealdade incondicional para com sua aldeia e seu clã. Mesmo que secretamente discordasse das discussões acaloradas de alguns membros do clã que criticavam seu pai por não ter sido escolhido como o Quarto Hokage, ele sempre mantivera um silêncio respeitoso, honrando a hierarquia e a tradição.
Ouvir aquele menino falar com tanto desdém e aberta rejeição sobre sua própria casa, sua própria comunidade, despertou uma ponta de irritação no jovem Uchiha. Era uma falta de apreço que ele considerava inaceitável.
- Eu sou Uchiha Itachi - ele disse, sua voz mantendo um tom frio e inexpressivo, estabelecendo sua própria identidade e origem. - De Konoha.
- Konoha, hein? Ah, legal! Ouvi dizer que tem vários ninjas fortes por lá, uns caras bem barra pesada! - o platinado exclamou, um sorriso surpreendentemente largo e animado iluminando seu rosto pálido. - Minha vila, infelizmente, anda numa vibe de "paz e amor", sabe? Estão preferindo essa história de menos violência. Juro pra você, às vezes dá uma vontade enorme de acabar com aqueles hipócritas.
Itachi permaneceu em silêncio, um nó de arrependimento se formando em seu interior por ter iniciado aquela conversa com o garoto tagarela cuja mente parecia obcecada por violência gratuita. A carranca em seu rosto se aprofundou. Como alguém tão jovem poderia falar com tanta leviandade sobre atos tão brutais? Era óbvio que aquele menino não tinha a menor compreensão dos horrores da guerra, das perdas e do sofrimento que ela inflige.
Uma onda crescente de irritação percorreu Itachi. Aquele encontro inesperado o deixava desconfortável e perturbado.
- E você não vai acreditar, cara! Na minha última "peregrinação" pelo Vale do Inferno, sabe? Aquele lugar fedorento perto da vila... - Hidan prosseguiu, sua voz tagarela e animada contrastando grotescamente com o teor macabro de suas palavras. - Vi vários cadáveres jogados por lá. Alguns já estavam bem... digamos... avançados no processo. O cheiro, meu amigo, era simplesmente nauseabundo, de embrulhar o estômago, diga-se de passagem. Ah, e tinha uns vermes gorduchos se banqueteando neles, uma visão bem... peculiar, sabe? Quase me deu vontade de vomitar, mas consegui segurar a onda. É impressionante como a carne humana se decompõe rápido, não acha? E o pior é que ninguém se importa! Deixam os corpos lá, apodrecendo ao sol e atraindo todo tipo de bicho nojento. Se fosse por mim, eu daria um jeito mais... digno para eles, entende? Mas a vila... ah, a vila é uma piada! Ninguém liga pra nada!
A cada palavra grotesca e entusiástica que saía da boca de Hidan, a carranca no rosto de Itachi se aprofundava. Uma onda de repulsa percorria seu corpo. As imagens vívidas que o garoto pintava com suas palavras eram perturbadoras, evocando memórias sombrias que ele se esforçava para manter sob controle. A casualidade com que Hidan descrevia a morte e a decomposição era chocante, revelando uma visão de mundo distorcida e perturbadora.
Itachi cerrou os punhos discretamente, lutando para manter a compostura. Aquele encontro estava se tornando cada vez mais desagradável. A tagarelice incessante de Hidan, combinada com o conteúdo chocante de suas histórias, era um assalto aos seus sentidos e aos seus valores. Aquele garoto parecia alheio à seriedade da vida e da morte, tratando a violência e a morbidez com uma leveza assustadora. Itachi ansiava pelo silêncio, pelo fim daquela perturbadora e indesejada conversa.
- Ah, aí está você!
Itachi sentiu um alívio percorrer seu corpo, como se um peso tivesse sido retirado de seus ombros ao ouvir aquela voz familiar romper o monólogo perturbador. Ele agradeceu silenciosamente aos céus por aquela interrupção oportuna.
- Shisui!
Ele sentiu o braço reconfortante do outro Uchiha envolver seus ombros, puxando-o para perto. Shisui sorria calorosamente, seus olhos expressando um carinho fraterno.
- Não suma assim, 'Tachi. Fiquei preocupado quando não te vi por perto - disse Shisui, afagando os cabelos negros e lisos do menino com um gesto suave.
- Não é como se eu tivesse sumido. Eu só... estava ali - respondeu Itachi, inclinando-se ligeiramente para o toque familiar do primo, buscando um conforto tácito.
- Hahaha, fico feliz que você esteja fazendo amizades! - Shisui exclamou com um sorriso ainda mais largo, lançando um olhar amigável para o garoto de cabelos platinados parado atrás de Itachi.
Itachi revirou os olhos discretamente. Ele ainda não conseguia entender o impulso que o levara a se aproximar de Hidan em primeiro lugar. E, apesar daquela estranha sensação de conexão que o perturbava, ele se recusava categoricamente a considerar Hidan um amigo.
Hidan, por outro lado, sentia-se entediado e um pouco irritado. A chegada repentina daquele novo menino, aparentemente chamado Shisui, havia cortado abruptamente sua interessante conversa com Itachi.
Por uma razão que ele não conseguia articular completamente, Hidan gostava de falar com Itachi. O olhar de julgamento e um certo nojo que emanava do menino de cabelos pretos lhe proporcionava uma onda de prazer inexplicável, uma reação intensa que ele raramente provocava em outras pessoas.
Ele ansiava por compartilhar mais sobre sua viagem macabra, por verbalizar seus pensamentos sombrios e retorcidos.
Ele queria, de alguma forma, pertencer a algum lugar, sentir um laço que nunca experimentara em sua própria vila, e ele sentia, de maneira confusa e visceral, que o Uchiha poderia ser parte daquele lugar.
- E aí, cara! Prazer em te conhecer, eu sou Uchiha Shisui - Shisui se apresentou com um sorriso aberto e sincero, estendendo a mão em um gesto amigável.
- Hidan - respondeu o platinado, sua voz seca e desinteressada, sem fazer nenhum esforço para retribuir o sorriso ou o aperto de mão.
Ele não via sentido em dirigir a palavra àquele intruso que havia interrompido sua interação com Itachi; simplesmente não se importava o suficiente.
Shisui observou a interação entre os dois meninos, uma ponta de confusão em seus olhos.
Ele não conseguia decifrar como Itachi e aquele garoto aparentemente estranho poderiam ter se aproximado a ponto de se conhecerem.
Mais cedo, de longe, ele havia vislumbrado o garoto platinado falando com Itachi de uma maneira surpreendentemente íntima, como se fossem velhos amigos.
Aquilo era estranho, já que Shisui conhecia todos os amigos de Itachi.
Um arrepio percorreu sua espinha, uma sensação incômoda de que a interação de Itachi com aquele menino não era natural, de que qualquer tipo de relacionamento entre eles poderia resultar em algo ruim, algo imprevisível e perigoso.
Inconscientemente, Shisui apertou o braço em torno dos ombros de Itachi, aproximando-o ainda mais. Uma sensação ruim, um pressentimento sombrio, pairava sobre ele.
Em outro ponto do salão, o Kazekage, Rasa, mantinha-se em seu canto, acompanhado de sua esposa, Karura, e seu leal cunhado, Yashamaru.
Seus olhares estavam fixos na movimentação que se intensificava ao redor da esposa do Hokage, observando a cena com uma cautela calculada.
A atmosfera tensa e a preocupação visível nos rostos dos ninjas de Konoha não passavam despercebidas por eles.
- Espero sinceramente que o bebê nasça saudável e traga alegria para o Yondaime e Kushina-san - Yashamaru comentou com um sorriso gentil, sua natureza amável sempre buscando o lado positivo das situações. Karura atual com ele, um leve aceno de cabeça adornando seus traços delicados.
Rasa, por sua vez, analisou a situação com sua mente estratégica, avaliando os riscos e as oportunidades.
A disparidade numérica entre os ninjas de Suna e Konoha era gritante, e acima de tudo, a segurança de sua esposa grávida era sua principal prioridade.
Ele não poderia se dar ao luxo de se envolver em qualquer tipo de confronto ou confusão naquele ambiente incerto.
- Concórdia. O melhor curso de ação é permanecermos discretos em nosso canto, por enquanto - o Kazekage declarou com firmeza, segurando a mão de Karura com um gesto protetor.
- Sim, meu amor. Só não consigo evitar me preocupar com Temari e Kankuro. Espero que estejam seguros e bem - a mulher respondeu, sua voz transmitiu de uma ansiedade materna compreensível.
- Não se preocupe tanto, minha querida irmã - Yashamaru interveio com um sorriso reconfortante. - Tenho certeza de que nossos pequenos estão se comportando e que tudo ficará bem. Eles são mais espertos do que imaginamos.
Minato estava…
Por quanto tempo iriam ficar ali? Ele tava prestes a ter seu filho naquele lugar.
"Olá, recebi ter que interferir nessa situação."
