Chapter Text
— Mas você não percebe, Oomori?
— Eu não sei dizer… Percebo o que?
— Ele sempre age assim! Eu tô de saco cheio do Takeuchi
— Hirose… Argh… — ele coça a nuca — Eu acho que é só o jeitão dele, sabe? Não tem o que fazer.
Isso deixou hirose com uma raiva evidente. A expressão do amigo de infância assustou Oomori.
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Hirose é uma pessoa agradável e sociável por natureza. Mas tudo tem seu limite, assim como a paciência de Hirose.
Uma piadinha sem graça, como tantas outras que ele já fez.
Mas que juntas a fingir ser seu namorado, a imprudente e falta de consideração. Desencadearam numa briga. Que pareceu do nada para os amigos de Hirose.
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— Oomori…
— M-M-mas é verdade! Takeuchi é assim! Eu entendo que te incomodou mas…
Hirose suspira
— Eu sei! O que to tentando te dizer é que eu tô cansado disso, Oomori!
O silêncio paira na sala de aula vazia.
— Sabe… Eu mesmo não me importo tanto com isso assim. Mas você-
Hirose não conseguia escutar o resto, pra ele agora não era relevante.
“Eu não me importo com isso”
Isso fez com que ele se sentisse traído. Sozinho.
Ele foi embora da sala rapidamente, batendo os pés indignado.
Já era a hora da saída, não tinha ninguém lá fora. O som dos passos ecoou pelos corredores.
No fundo sabia que estava exagerando mas…
— E-espera aí!
A verdade é que as palavras de Nakamura durante a viagem deixaram ele reflexivo.
Evitar situações em que ele não queria se envolver.
Reconhecer que se sentia desconfortável.
Fez com que ele se sentisse sozinho.
E agora seu amigo de infância não queria dar atenção pra insatisfação dele.
Isso reafirmou sua solidão.
Será que Nakamura revelou que estava numa situação tão ruim assim?
Nakamura…
…
Nakamura…
…
Nakamura era um amigo pra essas coisas.
Nakamura era alguém que talvez fosse o escutar…
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Não esperava encontrá-lo mas… talvez fosse o universo conspirando a favor dele.
Lá estava ele, Nakamura, colocando seus sapatos.
Ele pensou em falar com ele primeiro mas… não sabia como tocar em assuntos pessoais.
— Ah! Oi, Hirose!
Ele só tinha ficado parado lá o observando… Tomara que Nakamura não tenha achado isso estranho.
— E ai, Nakamura!
O mesmo sorriso de sempre. Mas dessa vez ele estava sem jeito.
Ambos permaneceram em silêncio.
— …H-hirose?
Geralmente ele ficaria ansioso seu amorzinho o encarando dessa forma.
Mas Nakamura percebeu que tinha algo errado.
— Tá afim de voltar pra casa comigo hoje?
((O QUE!?))
— AH, SIM CLARO!
((EU SÓ POSSO TÁ SONHANDO, SEM MOTIVO NENHUM!?!! DE NOVO!?? Ou… Será que tem motivo.))
Por que ele sempre tinha esse jeito?
… Bem, não é como se isso fosse algo que incomodasse Hirose. Ele só deveria estar feliz por ter companhia… Hirose também estava.
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Nakamura ainda um pouco desconfiado tentou procurar pistas de que Hirose não estava bem enquanto caminhavam em direção a saída.
Estava com os joelhos flexionados olhando por debaixo do queixo de Hirose.
— Que cê tá olhando? — Ele riu de forma doce.
— AH! — Ele deu um salto pra trás. — Na-Nada não é só que… — Ele coçou a nuca. — Por que quis ir embora comigo hoje?
— …
Queria dizer, mas por algum motivo se sentiu relutante… Talvez por que já teve suas preocupações deixadas de lado hoje.
— Aaahhh~ eu tava afim de conversar com você na verdade! Faz tempo que a gente não se vê, não é?
((BA BA BA BA BA O O O QUE?!?!!?? O HIROSE QUERIA ME VER!?))
Hirose não estava afim de falar sobre aquilo.
— S-S-sério mesmo!? Di-digo, é verdade a gente não se fala faz um tempinho já hehehe.
(( NAKAMURA SE CONTROLA. NÃO VAI ESTRAGAR ESSE PRESENTE DOS CÉUS!))
— Você conheceu minha irmã, né? Que cê achou dela?
— Ooh ela me pareceu uma pessoa bem gentil…
Apesar disso, Nakamura não conseguiu evitar de pensar em como ele estava mais cedo… Por via das dúvidas, ele preferiu permanecer vigilante.
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De alguma forma, estavam na metade do caminho e não houve nenhuma gafe.
Nakamura ainda se sentia nervoso, mas conforme conhecia melhor Hirose, mais fácil era falar com ele.
— E também, Hirose! Na verdade, os caranguejos também podem ser animais sociáveis! Algumas espécies tem um sistema complexo de hierarquia!
Hirose deixou Nakamura tagarelar e tagarelar…
O que era bom, isso era um evento raro, mas dessa vez ele não estava muito no clima de tagarelar ele mesmo.
E aquilo lhe tirou da espiral de pensamentos em que estava.
Realmente, não era nada difícil lidar com ele, era uma pessoa extremamente agradável.
— Mas claro, muitos deles são criaturas solitárias!
— Você pesquisou sobre caranguejo só pra falar sobre comigo?
— A-ah NÃO CLARO QUE NÃO!
Sim, é claro, é claro que ele tinha sim.
— Pfff hahahaha eu to brincando com você hahaha….
((AH MEU DEUS ESSA FOI POR POUCO! Aí ai… ele é tão atrevido parece que eu vou explodir!))
Hirose suspira fundo.
— Criaturas solitárias é… — Ele deu um sorriso triste.
— …
De repente só se ouviam os passos e o som da bicicleta.
A suspeita de Nakamura estava certa.
— Hirose, tá tudo bem?
O moreno o olhou de canto de olho. Como se não quisesse olhar diretamente…
Mas ao ver que a expressão do outro era de preocupação genuína sentiu seu coração esquentar um pouco.
— Eu fico pensando na vez que a gente foi no aquário e no que você me falou quando o Takeuchi queria me chamar pra ir no barco... Sobre eu não precisar estar onde eu não quero estar.
E sei lá, eu não consigo parar de pensar nisso. E agora eu tô me sentindo… Meio…
— …Solitário?
— …
Aos poucos ambos pararam de andar, Nakamura sentiu um pedaço de si sendo arrancado ao ver o outro tão triste assim…
((E… Ele queria ir comigo pra isso? Pra conversar? Ao invés dos outros…
Ah meu Deus. Isso quer dizer que ele confia em mim o bastante pra se abrir!?))
— …
Hirose olhava pro chão, sem dizer uma palavra.
((Aí meu Deus que droga! Eu não sei o que dizer pra ele! Como eu vou posso consolar ele!? Pensa pensa pensa pensa NAKAMURA BOTA ESSA CABEÇA PRA PENSAR!!! O QUE O MAKUNOCHI SENSEI FARIA!??
Ele confia em mim! Confia pra falar essas coisas eu não posso decepcionar ele!))
— Hirose… Eu…
Hirose percebeu que abaixou o clima que antes estava tão leve.
— Ah, deixa pra lá… Não é tão importante assim.
— Eu vou estar aqui se você precisar, mesmo que você se sinta solitário.
Hirose arregalou os olhos e encarou o outro fixamente. Ele tinha um olhar de determinação, ele falava sério, do fundo do coração.
Sentiu seu corpo se aquecer um pouco indo do centro do peito até às…
…Bochechas?
Isso era estranho...
— Nakamura…
Por que… Porque seu rosto parecia mais quente de repente?
— Muito obrigado… hehe… Obrigado mesmo.
((AAAAAAHHHH EU CONSEGUI EU CONSEGUI CHUPA! CHUPA SOCIEDADE! EU SOU UM BOM AMIGOOOOO!!))
… S-S-será que eu posso dar um abraço nele? A-abraço de consolo de amigos? Ou vai ser muito estranho?))
Hirose sorriu e colocou a mão no ombro do mais alto. Ele dá leves batidinhas.
((Aaaahhhhhhh AAAAAAAAHHH MEU DEUS!))
Hirose desvia o olhar e suspira.
— Sabe, você é uma pessoa muito gentil. Eu acho que eu realmente só posso contar com você pra esse tipo de coisa. Obrigado mesmo.
((...))
Cada vez mais o tom ficava mais pesado, a empolgação de Nakamura aos poucos se esvazia e restava apenas preocupação.
((Então… Acho que não tem problema certo?
… E-e-eu não acredito que vou fazer isso…))
Nakamura puxa Hirose pra um abraço.
De novo… Aquela sensação das bochechas esquentando, mas dessa vez Hirose também sentia seu coração palpitar. Era tão confortável.
Que esquisito…
— E-e-eu vou estar aqui por você Hirose!
Rapidamente ele se separou. Os ombros quase tocavam as orelhas de tão tenso que estava.
Ficou ainda mais nervoso ao ver o sorriso dele… tinha a leve impressão de que as bochechas dele estavam coradas.
Não é possível aquilo deveria ser coisa da cabeça dele.
— Nakamura, a gente deveria fazer alguma coisa um dia desses, sabia? Um rolê. Eu gostei bastante do aquário!
— SIM! A-a gente deveria com certeza!
— Sim, vamos marcar alguma coisa, viu? Me passa o seu contato! Eu vou pesquisar algum lugar pra gente ir depois.
((EU NÃO ACREDITO QUE ISSO TA ACONTECENDO EU NÃO ACREDITO EU NÃO ACREDITO DEUS OBRIGADO!!))
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Já era noite.
Nakamura não precisou ficar na sua batalha interna pra saber se deveria mandar mensagem primeiro. Hirose mandou mensagem primeiro, perguntando se o outro tinha problema em ir em um lugar mais calmo.
Depois de discutir um pouco sobre o assunto…
… Ou seja, Hirose mandando ideias de lugares e Nakamura concordando com todas sem reclamações.
Decidiram que iriam em outro aquário próximo da cidade.
“Então tá combinado! Só que talvez demore um pouquinho pq eu tô sem dinheiro kakskskakakskskqkjsksudhww”
Após essa última mensagem ele jogou a cabeça no travesseiro e foi dormir.
…
…
Nakamura…
Por algum motivo não conseguia tirar ele da cabeça.
Poxa como estava ansioso pra vê-lo de novo amanhã…
