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Português brasileiro
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Published:
2026-05-31
Words:
3,083
Chapters:
1/1
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1
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105
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930

You were the only safe haven that I've known

Summary:

Após oito anos juntas, o aniversário de Ana Maria das Graças traz à tona alguns desejos antigos

(Ou a história de como elas decidiram aumentar a família)

Notes:

Escrevi a oneshot "You put your arms around me and I'm home" e, por insegurança, decidi deixar como orphan_account, mas alguém nos comentários falou que gostaria de ver algo sobre ela decidindo ter filhos e isso me inspirou a escrever mais um pouco e eu criei uma conta nova só para isso.

Work Text:

— Bóris! Chegamos. — Disse Lorena ao cruzar a porta. Ela deixou sua bolsa e casaco pendurado no cabideiro e se abaixou para pegar no colo o gato que havia saído do sofá e indo em direção a morena. — Vou te dar sua janta, Gorducho.

Eduarda olhava a cena com um sorriso no rosto. A verdade é que todo o tempo em que as duas moravam juntas, nunca foram apenas elas. O gato gordo que já era da Eduarda apenas seguiu a mãe quando ela se mudou da casa dos pais e passou a viver com a amada. Contudo, pouco foi o tempo em que Bóris tratou Lorena como madrasta. O gato simplesmente passou a ter Lorena como a sua tutora favorita, procurando-a pelo apartamento e ficando ao seu lado sempre que possível e Lorena correspondeu, sempre que possível estava o mimando e enchendo de comida.

Sobrou nada pra Juquinha.

Oito anos haviam se passado e, embora Bóris já fosse um senhor, não tão ágil como era, sua essência ainda continuava a mesma, continuava gordo, rabugento, homofóbico e adorador da Lorena.

Enquanto o gato comia, Lorena aproveitou para sentar na poltrona e tirar os saltos.

— Duda, pega meu celular na bolsa, por favor.

Eduarda, que estava na ponta do sofá mais próxima da porta, atendeu o desejo da esposa. Aproximou-se da morena com o celular em mãos e aproveitou para roubar um selinho enquanto entregava.

— Estou só avisando minha mãe que chegamos bem. — Enquanto digitava, viu a esposa se jogar no sofá e fechar os olhos, completamente exausta. — Isso tudo aí é por causa das crianças?

Elas tinham acabado de retornar da festa de aniversário de Ana, filha de Joelly e de Raúl, que completava 8 anos, que fez uma festa enorme na mansão da Aclimação com vários amiguinhos da escola e Paulinho, avôdrasto de Aninha, havia convocado Duda para organizar as brincadeiras e a policial podia jurar que nem os piores bandidos da delegacia davam tanto trabalho quanto aquele grupo de 10 crianças. Somado a esse cenário de guerra, Eduarda tinha emendado um plantão na delegacia com a festa, estava mais de 24 horas acordada e seu corpo pedia por clemência.

— Você fala isso porque só ficou com o Theo e ele é super tranquilo. — Theo era o filho de Viviane e Leonardo. Poucos anos antes os dois decidiram entrar na fila de adoção para realizarem o sonho de serem pais e adotaram um casal de irmãos Theo, na época com 1 ano, e Lívia, uma menina linda de cabelos cacheados de 7, que instantaneamente havia virado melhor amiga de Ana, tal qual Vivi e Gerluce. — Eu juro para você que a Ana e a Lívia juntas parecem que combinam baterias e não esgota nunca.
Lorena só conseguia dar risada da sua policial cascuda completamente vencida por um bando de crianças sub10. Saiu da poltrona e se sentou ao lado de Eduarda e puxou seus ombros dando uma massagem para diminuir um pouco a miséria de sua esposa.

— Dá para acreditar que a Ana já tem 8 anos? — Disse Lorena.

— Passou muito rápido mesmo. O que me lembra também que faz oito anos desde que nós fomos para Campos pela primeira vez.

— O dia que em que eu fui sua e você foi minha pela primeira vez. — Disse Lorena de forma sedutora enquanto distribuía beijos e mordidas pelo pescoço de Juquinha.

— Eu gosto de pensar que eu fui sua desde o primeiro dia que eu te vi na Galeria, mas, de fato, fisicamente falando foi o dia que eu te algemei pela primeira vez e você ficou à minha mercê. — Falou Eduarda com um sorriso travesso. Lorena deu um tapa no braço de Eduarda que respondeu gargalhando. — Que foi? Foi você mesma que fez questão de pegar a algema na minha bolsa naquele dia.

— Até parece que você não levou com essa intenção.

— Claro que não, Lorena. Eu levei por precaução policial, vai que eu precisasse prender alguém.

Lorena segurou o rosto de Eduarda e falou com os lábios já encostando:

— Que bom que eu fui a única a ter esse privilégio.

O beijo começou intenso. Eduarda havia girado e estava deitada por cima de Lorena, apoiando o braço no sofá para não esmagar a esposa com o próprio peso, já Lorena puxava Duda para ficar o mais próxima possível segurando sua nuca e guiando o beijo. Continuaram dando uns amassos no sofá sem muita pressa, mas Lorena sentia a exaustão da própria esposa no beijo. Ela então separou os lábios e seguiu a trilha de beijos pelo rosto e pescoço de Juquinha.

— Vamos amor, você realmente está exausta. Banho e cama.

A ruiva resmungou algo que parecia um “mas tá tão gostoso aqui”, mas que Lorena não conseguiu entender. As duas seguiram juntas até o quarto e separaram suas roupas de dormir. Para otimizar o tempo e evitar qualquer tentação que um banho em conjunto poderia oferecer, Lorena usou o banheiro da suíte enquanto Duda utilizou o do corredor.

Juquinha terminou primeiro e ficou esperando Lorena terminar seu skin care lutando bravamente contra os olhos pesados. Não demorou muito para a morena aparecer e deitar ao lado da esposa, dando risada do estado da ruiva.

— Acho que eu nunca te vi tão cansada assim.

Eduarda abraçou o corpo de Lorena por trás, na tradicional pose de mochilinha que estavam tão habituadas a dormirem e deu um beijo estalado na nuca da morena.

— O bom que eu já vou me acostumando porque já já é a nossa vez.

Com essas palavras parece que a ruiva imediatamente pegou no sono, já Lorena sentiu uma onda de choque passar por todo o seu corpo.

Certamente não era a primeira vez que ambas falavam de filhos, pelo contrário, sempre foi um tópico presente nas conversas delas ainda quando namoravam, mas por algum motivo aquelas palavras a pegaram de uma maneira diferente naquela noite. Talvez fosse por ter passado a tarde inteira cercada de pequenos seres humanos ou talvez por ter visto Eduarda no seu lado mais maternal por tanto tempo. De qualquer forma, Lorena demorou a pegar no sono com as palavras de Duda ainda rondando a sua mente.

*
Lorena acordou sentindo frio pela ausência do calor corporal de Eduarda. Virou na cama procurando a esposa, mas não a encontrou. Não era incomum que a policial fosse a primeira a levantar, na verdade era a dinâmica mais provável, por esta razão Lorena decidiu só puxar o cobertor e voltar a dormir.

— BÓRIS! — Quase ao mesmo tempo que um barulho de vidro quebrando.

Ok, melhor levantar então.

Levantou da cama calçando os chinelos listrados e foi direto ao banheiro para jogar um pouco de água no rosto. Curiosa demais para esperar saiu ainda com a escova de dente e a boca cheia de espuma para verificar qual era o caos da manhã.

Na cozinha, encontrou Eduarda varrendo terra e os cacos de vidro do vaso de planta vermelho que ficava em cima da bancada da cozinha. A planta que costumava ficar ali parece já ter sido alocada em outro vaso e não parecia ter sofrido nenhum dano evidente.

Não demorou muito para Juquinha reparar na presença de Lorena na cozinha e começar a se sentir culpada.

— Te acordei, amor? Desculpa, eu realmente não queria ter gritado, mas esse gato decidiu testar minha paciência logo de manhã.

Lorena sacudiu a cabeça fazendo que não, passou a mão pelos braços da esposa e foi ao banheiro do corredor terminar de escovar os dentes.

— Tá tudo bem, linda, eu já estava acordada, senti sua falta. — Disse ela abraçando a ruiva por trás enquanto ela enrolava os pedaços do vaso quebrado em um jornal. — Mas o que deu nele em? Ele não é de fazer isso. Será que é saudades sua por ter ficado tanto tempo fora?

— Não faço ideia. Acho que ele de vez em quando quer nos lembrar que é filho da Teca também.

Lorena congelou mais uma vez. Os braços ficaram rígidos no abraço, a respiração tensa e Eduarda logo notou.

— Ai amor, desculpa. Não queria falar nessa demônia tão cedo. Sério, não precisa ficar chateada, eu nem penso nela com frequência foi só porque eu estou com raiva dele.

Eduarda provavelmente continuaria se explicando sabendo como sua mulher era ciumenta, mas Lorena impediu colocado a mão na frente da sua boca.

— Não, Duda, tá tudo bem. Tem nada a ver com a Teca.

— Então o que é? — Disse Eduarda enquanto fazia um carinho terno em seu rosto.

— É só que você falou filho.

— E o que tem? A gente sempre chamou o Bóris assim. Algum problema com isso?

— Não é exatamente um problema, é que.... — Lorena ficou sem palavras. A verdade é que não sabia exatamente como iniciar o assunto, não sabia nem se sequer queria começar. — Acho que desde ontem eu fiquei um pouco pensativa com isso.

— Com o Bóris? — Disse Eduarda confusa e Lorena sacudiu a cabeça em sinal de negativa.

Lorena puxou sua mão conduzindo-a até a sala, mas antes de alcançar o sofá pegou um porta-retrato que estava na estante e deu para Eduarda enquanto sentaram encarando uma a outra.

— Tem a ver com isso.

— Com a nossa família?

A foto emoldurada em particular era uma foto já antiga, do casamento de Zenilda e Rogério. Na foto estavam os filhos do casal e suas respectivas noras, mas o detalhe que fazia com que o coração de Lorena explodisse de amor por aquela foto a ponto de emoldurar era que, ao invés de estar no colo dos pais, quem segurava a pequena Ana era Eduarda.

Lorena se lembrava daquele momento como se fosse ontem. Ana havia parado no colo da Duda de forma completamente despretensiosa. Primeiro Rogério e Zenilda chamaram Raul, Lorena e Leonardo para tirarem uma foto. Depois, quando chamaram as noras, Zenilda falou: “a nossa netinha também”. Então, como Eduarda era quem estava mais próxima de Gerluce, que segurava a bebê de 2 anos, a pequena foi transferida para os braços da Tia Juquinha.

Aquele momento foi talvez um dos primeiros momentos que Lorena pensou que Eduarda seria uma mãe incrível. Ana estava completamente inquieta com a avó, chorando muito, e continuou assim quando foi trocada de colo. Só que enquanto todos se encaminhavam e posicionavam para a foto, Eduarda tentava fazer a Ana se acalmar, falando várias palavras de conforto e fazendo algumas gracinhas. Quando a foto foi tirada, Ana não estava mais abrindo o berreiro, mas cultivava um sorriso bobo olhando diretamente para Juquinha.

Joelly até tentou pegar a filha depois que a foto foi tirada, mas a pequena ameaçou chorar novamente. Resultado: Ficou no colo de Duda até pegar no sono.

— Duda, ontem você falou algo sobre nós termos filhos logo, você estava falando sério?

Foi a vez de Eduarda ficar sem palavras. Não é como tivesse quisesse, de fato, ter falado aquilo na noite anterior. Nem lembrava direito de ter falado algo, estava praticamente drogada de sono, mas não é como se a ideia lhe fosse ruim.

Na verdade, Eduarda já pensava no assunto a algum tempo. Sempre teve o sonho de ser mãe e isso não era nenhum segredo. As duas falavam sobre terem filhos um dia, mas esse dia nunca tinha ficado claro quando seria.

Pouco depois do casamento, o assunto surgiu pela primeira vez entre as duas e a decisão foi fácil: como haviam casado com menos de 1 ano de namoro queriam aproveitar a vida a duas primeiro. Além disso, Juquinha ainda tinha pouco tempo ainda na delegacia e Lorena ainda buscava sua vida profissional.

Quase 2 anos depois Lorena tomou a decisão de retornar para a faculdade de Letras, mantendo seu emprego na Fundação Três Graças, mas finalmente deixando o trabalho de garçonete no Bar de Adelson. A decisão, embora muito lógica, não veio de forma fácil. Para Lorena sair do emprego que conseguiu por conta própria e não possuía qualquer laço com o seu pai e ficar na sua posição na Fundação, que obviamente ocupava em razão da sua mãe, era quase como um retrocesso na sua independência. Foram muitas conversas com Duda para ela finalmente entender que seria o mais fácil para conciliar com os estudos e nem tudo relacionado a fundação precisava ser encarado como legado familiar.

Quando concluiu a graduação 3 anos depois, também não parecia um bom momento para o tópico filhos. Lorena tinha sido efetivada na editora em que estagiava, trabalhava de professora voluntária na Fundação e no escasso tempo livre se dedicava ao seu livro de poesias. Já Eduarda, além do orgulho imenso que carregava no peito pelas conquistas da esposa, começou a se ver inquieta na delegacia.

Amava ser investigadora, mas a pressão começava a pesar. Era filha de um desembargador e ninguém conseguia segurar esse fato por muito tempo. O cargo de investigadora, para a maioria dos seus colegas lhe parecia pouco. Além disso, sabia que sua profissão era um tópico de ansiedade para Lorena.

No início de tudo, a carreira da ruiva era um ponto atrativo, a autoridade do distintivo, o poder da arma e das algemas, eram motivos para deixar a morena maluca por ela. Quando passou a amar Eduarda, os perigos inerentes da profissão passaram a ser um medo, mas ainda assim muito teórico. Até acontecer o primeiro acidente, então tudo virou concreto, o pavor virou tópico na terapia semanalmente e a ansiedade parece nunca ir embora.

E Eduarda sabia disso. Sabia quando falava para a esposa que estava saindo em uma operação e Lorena ficava a noite em claro esperando qualquer retorno. Sabia quando lia as poesias escritas pela morena, o momento em que o mais íntimo do seu ser era transportado para as páginas, e a palavra medo era presença constante. Sabia quando, mesmo estando brigadas, Eduarda nunca saia para trabalhar sem um beijo e um “eu te amo”. Sabia de tudo isso quando tomou a decisão: iria prestar o concurso para delegada.

Obviamente sabia que não eliminava os riscos completamente, mas passaria a participar menos de diligências na rua e ficar menos exposta aos perigos. Depois de alguns anos de dedicação para o concurso, era oficialmente Delegada Eduarda Fragoso.

Finalmente, a vida parecia estar se estabilizando, então por que não começar a bagunçar tudo de novo?

Eram esses os pensamentos que começavam a rondar a cabeça de Duda. Ainda mais porque Lorena cada vez mais parecia mais dedicada na sua tarefa de tia, cuidando dos seus 3 sobrinhos sempre que lhe era solicitada.

— Amor, não vou mentir para você, acho que nesses últimos tempos tenho pensado no assunto sim. Acho que finalmente nossa vida deu uma acalmada e sinto que de todos esses anos esse seria o momento ideal para nos expandirmos a nossa família. Só que ontem eu realmente falei brincando. Não quero que você se sinta pressionada a nada. Sei que você disse que queria ter filhos, mas tá tudo bem se você mudou de ideia, faz parte, eu deixo essa história quieta.

— Não mudei, Duda. Acho que só que pela primeira vez eu comecei a pensar nisso de forma concreta e não só algo no plano das ideias. — Lorena substituiu o retrato das mãos de Duda pelas suas próprias mãos. A ruiva instintivamente puxou para perto e deixou um beijo delicado na aliança.

— E o que você pensou, meu amor?

— Ontem, depois que você falou disso, eu acho que eu senti muita vontade de realizar esse sonho e comecei a imaginar um pouco como seria. Pensei que eu gostaria de gestar sabe? Adoção seria incrível também, mas acho que gostaria de passar por essa experiência.

Enquanto ela falava, a imagem mental de Lorena grávida começou a surgir na mente de Eduarda e lágrimas começaram a se formar em seus olhos.

— Ah não, Duda. Você já está chorando?

— Como não chorar pensando em você toda linda carregando nosso bebê?

Lorena puxou Eduarda para perto do seu peito e ficou “consolando” a esposa e fazendo carinho no seu cabelo.

— Eu falei dos meus sonhos, mas e os seus?

Eduarda ainda apoiada no peito de Lorena ficou pensativa.

— Acho que eu não tinha pensado em nada muito detalhado assim. Sinto que não faço questão de experimentar a gravidez, acho que prefiro ser o seu suporte nesse momento. Também com a minha profissão é um pouco mais complicado.

— É, eu pensei nisso também. Desde muito cedo você seria vetada de ir em operações para evitar qualquer risco. Sabe o que eu imaginei ontem também?

— O que? — Disse Eduarda se virando para encarar Lorena com os seus olhinhos brilhantes.

— Você sabe o que é fertilização recíproca? — Eduarda fez que não com a cabeça, então Lorena continuou. — É quando se usa o útero de uma das mães e o óvulo de outra. Eu pensei que poderíamos fazer dessa forma, assim eu vou ter a mini Duda que eu sempre quis.

— Ah não, meu amor, eu quero uma cópia sua também.

— Só se for para o bebê número dois.

As duas gargalharam. Talvez aquela fosse a conversa mais importante da vida delas, mas sempre uma com a outra tudo parecia mais leve e fácil. O peso de uma decisão tão importante era quase inexistente.

— Vamos sobreviver ao nosso primeiro filho primeiro e depois a gente vê sobre o segundo, tá bem?

— Tá bem, meu amor. — Disse Lorena puxando Eduarda para um beijo. Surgiu um pensamento em sua cabeça muito urgente para não ser compartilhado. — Hm, será que a gente vai precisar se mudar?

— Acho que não. A gente pode transformar o quarto de hóspedes no quartinho do bebê. Se eventualmente a gente tiver outros, ainda tem o seu escritório.

Eduarda então levantou do sofá e estendeu a mão.

— Vem! Vamos tomar café e discutir um pouquinho mais essa ideia. Depois a gente pode já começar a fazer algumas pesquisas sobre clínicas e marcar algumas consultas só para conversar mesmo.

Lorena ficou de pé e segurou a cintura de Eduarda.

— Mal posso esperar para fazer a nossa família aumentar.

— Mal posso esperar para segurar uma ruivinha no colo.

— Não, não, não. Vai ser um bebê de olhos verdes e covinhas.

— Amor, o útero é meu e eu escolho o óvulo que eu quiser.

— E o óvulo é meu, ué.

O tom de provação da conversa era leve e bobo, enquanto Lorena conduzia Eduarda até que suas costas batessem na mesa.

— Eu te amo tanto, Eduarda.

— Eu te amo mais, Lorena.

Elas se beijaram de forma apaixonada selando um pacto que produziria frutos quase um ano depois daquela manhã, multiplicando o amor entre as duas.