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Fandom:
Relationship:
Character:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-06-02
Words:
1,539
Chapters:
1/1
Hits:
4

A luz através da Tempestade

Summary:

Alerkin sempre soube que nasceu para os céus. Jovem e dono de um talento bruto e inexperiente, ele vê sua vida mudar quando o desejo pela liberdade o lança em uma disputa para vencer uma competição. Mas o que começa como uma busca pela glória logo se torna uma luta pela sobrevivência. No rastro das nuvens, Alerkin descobre que o mundo é movido tanto por amores avassaladores quanto pela crueldade implacável dos homens. Agora, ele precisará decidir o que está disposto a sacrificar: seus ideais, seu coração ou a própria vida.
Tempestade em aproximação Visibilidade reduzida Prova mantida a voz insistia, tremida.
Anakin ergueu o rosto e olhou através do para-brisa. A areia já desenhava riscos finos no vidro, como unhas impacientes. Os faróis, acesos, pareciam duas lâminas tentando cortar um mar de poeira.

Notes:

Estou atrasada eu sei, mas não poderia deixar o dia 4 de maio passar em branco por aqui! Sou fã Star Wars Day e eu queria deixar minha pequena homenagem a essa saga que atravessa gerações e nos ensina tanto sobre coragem, esperança e o equilíbrio da Força. Seja você do Lado Luz ou do Lado Sombrio, que a Força esteja sempre com vocês! ⚔️✨May the 4th be with you! 🖖 (Ops, emoji errado? rs) 🛰️

Work Text:

O deserto não avisou. Ele simplesmente mudou de humor.
Um minuto antes, as dunas pareciam ondas douradas, imóveis sob um céu azul claro. No minuto seguinte, o horizonte foi engolido por um véu espesso, e o vento começou a uivar como se tivesse sido acordado à força. A areia subiu do chão em redemoinhos nervosos, invadiu cada fresta, riscou a pele, bateu nos capacetes, cobriu a pista como uma cortina. A tempestade de areia tinha chegado.
Anakin já estava dentro do carro quando tudo começou a ficar branco.
O painel vibrava com o ronco do motor, e a cabine cheirava a metal quente e combustível. Ele ajustou as luvas uma última vez, apertou o cinto até sentir o peito firme e encostou a testa no volante por um segundo — um hábito antigo, como uma oração silenciosa.
Lá fora, a equipe corria para prender lonas, amarrar ferramentas, proteger equipamentos. Os mecânicos gritavam ordens uns aos outros, e os alto-falantes estouravam com avisos do diretor de prova.
— Tempestade em aproximação… Visibilidade reduzida… Prova mantida… — a voz insistia, tremida.
Anakin ergueu o rosto e olhou através do para-brisa. A areia já desenhava riscos finos no vidro, como unhas impacientes. Os faróis, acesos, pareciam duas lâminas tentando cortar um mar de poeira.
É isso!
No fundo, ele sabia: naquele deserto, a única esperança era a luz. Faróis e coragem.
Apesar da pouca idade, Anakin tinha uma confiança que não vinha de arrogância. Vinha de prática. De quedas. De voltar pra casa com areia no cabelo e sangue no joelho. Vinha de treinos em estradas de terra, de curvas feitas na base do instinto.
— Cuidado não é medo. Cuidado é inteligência.
A lembrança veio rápida. A voz da mãe sempre vinha quando o mundo ficava barulhento.
Do lado, em outra fileira do grid, um carro preto com detalhes vermelhos se posicionou. Anakin reconheceu o número antes mesmo de ler: 17.
Era um veterano. Chamavam-no de Ramos.
Ramos tinha fama de rápido e de sujo. Um tipo de piloto que fazia a curva olhando mais para o retrovisor do que para a própria trajetória — sempre pronto para fechar, tocar, empurrar, o que fosse necessário para manter a posição. Muitos reclamavam, poucos provavam. E ele continuava ganhando.
Anakin tentou não olhar por tempo demais, mas sentiu, do outro lado da pista, o peso daquela presença.
O alto-falante chiou de novo.
— Pilotos em posição. Atenção para a largada.
O silêncio antes do começo tinha um som próprio. Um silêncio que só existe quando muitas pessoas respiram ao mesmo tempo.
Anakin fechou os dedos no volante.
“Eu pertenço a essa pista”, repetiu para si. “Eu pertenço.”
As luzes de largada acenderam.
Vermelho.
Vermelho.
Vermelho.
E então… apagaram.

Anakin acelerou.
E errou.
Por um instante curto demais para caber numa frase, o carro perdeu tração. A traseira escapou, como se a pista tivesse virado gelo. Anakin corrigiu no reflexo, mas o dano já estava feito: quando recuperou o alinhamento, três carros já tinham passado como flechas na poeira.
Uma saída.
O tipo de erro que não perdoa.
Anakin sentiu o estômago afundar. Ouviu o próprio coração por trás do capacete. Por um segundo, a tempestade pareceu maior do que ele.
Mas ele não freou. Não hesitou.
Endireitou o carro, manteve a aceleração e deixou o medo escorrer para baixo do banco, junto com a areia que entrava por cada cantinho do carro.
A corrida tinha começado — e agora ele só tinha duas escolhas: aceitar a desvantagem ou caçar um por um.
Ele escolheu caçar.
A visibilidade era um insulto. À frente, só sombras. Luzes piscando no branco. A pista parecia mudar de lugar a cada rajada de vento, como se o deserto brincasse de esconder o caminho.
Anakin se guiava pelo que podia: o relevo, o som dos motores, a posição dos faróis adversários, o instinto. Respirava curto. Mantinha a mão leve no volante e o pé firme no acelerador. Qualquer excesso, naquela areia solta, virava um convite para girar.
Ele alcançou o primeiro carro quando uma curva fechada se aproximou. Por dentro, um piloto hesitou ao sentir o vento empurrar. Anakin não.
Fez a linha certa, “mordeu” o ápice, segurou o carro como quem segura uma verdade e saiu da curva já à frente.
Uma ultrapassagem.
Logo depois, outra. E mais outra.
Os carros surgiam e sumiam como animais em meio a uma neblina de pó. Anakin os caçava com paciência. Não era pressa. Era precisão.
Quando percebeu, já estava em terceiro. A tempestade parecia menos um monstro e mais um obstáculo — grande, sim, mas possível.
Anakin manteve o ritmo. Sentiu as mãos suarem dentro das luvas. Ouviu a areia bater no fundo do carro como chuva grossa. O motor gritava, mas o carro respondia.
Mais uma curva.
Mais uma reta curta.
E então ele viu: só havia dois carros na frente.
O segundo colocado estava ao alcance. Anakin aproximou devagar, como quem chega perto demais de um animal arisco. Esperou o erro. Esperou a brecha. Na saída de uma curva mais aberta, o rival abriu a linha por medo de derrapar.
Anakin foi por dentro.
A ultrapassagem veio limpa, bonita, como um desenho.
Agora era segundo.
E logo à frente, quase misturado à tempestade, estava o carro preto com detalhes vermelhos: o número 17.
Ramos.
Anakin engoliu em seco.
“Cuidado não é medo.”
Ele aproximou, medindo cada metro. A distância diminuía. A areia fazia o carro da frente parecer um fantasma.
Ramos, então, fez o que todo mundo dizia que ele fazia.
Quando Anakin tentou colocar o carro ao lado, Ramos deu uma fechada brusca, tirando espaço como quem puxa a cadeira de alguém. Anakin quase perdeu o controle, mas segurou firme.
Na tentativa seguinte, Ramos não apenas fechou.
Ele bateu.
Um toque lateral. Seco, calculado. O carro de Anakin tremeu, o volante vibrou como se quisesse escapar das mãos. O mundo inclinou por um segundo e a areia engoliu o para-brisa numa explosão branca.
Anakin ouviu o próprio grito abafado dentro do capacete — não de dor, mas de susto.
Ramos estava tentando tirá-lo da pista.
O deserto inteiro parecia prender a respiração.
Anakin corrigiu. Endireitou. Manteve.
Não cedeu.
Na curva seguinte, Ramos tocou de novo, como um aviso: -Aqui, quem manda sou eu.
Anakin sentiu raiva subir quente, mas não a deixou guiar. Raiva, naquele terreno, era um erro com rodas.
Ele esperou.
Esperou o instante em que Ramos, confiante demais, fosse exagerar.
E esse instante chegou..
A próxima curva era traiçoeira, com areia mais fofa no lado externo. Ramos entrou rápido demais, tentando impedir qualquer tentativa de ultrapassagem. O carro preto derrapou um pouco, abriu mais do que devia.
Anakin viu a brecha como quem vê uma porta se abrir.
E foi.

 

Anakin colocou o carro por dentro e acelerou no limite. O motor respondeu com um rugido que parecia maior do que o próprio carro. A areia voou, a traseira tentou escapar, mas ele segurou a linha com a delicadeza de quem segura um segredo.
Ramos tentou fechar.
Tarde demais.
Os dois carros quase se tocaram outra vez, mas Anakin já estava à frente. A ultrapassagem aconteceu no fio do impossível — e, por um segundo, tudo ficou leve.
Como se a tempestade tivesse esquecido de soprar.
Anakin olhou à frente e viu a reta final surgir aos pedaços. A linha de chegada parecia um risco distante, tremendo atrás de uma cortina de poeira. O estádio, escondido, rugia como um bicho enorme.

A última curva chegou como um golpe.
Atrás, carros se aproximavam. Tentavam, desesperados, usar a confusão da tempestade para empurrá-lo. Um toque aqui, outro ali. O carro de Anakin balançou. A tempestade ficou mais forte, desaparecendo tudo a o redor. Cobrindo a arquibancada, a pista e a linha de chegada.

Anakin não brigou com o volante. Não deu o que o deserto queria — pânico.
Fechou os olhos e deixou seguir, a força conduziu ele
O motor gritou.
Os faróis cortaram o branco.
A linha de chegada veio ao encontro dele — e, quando passou, o mundo explodiu em som.
Primeiro lugar!
Por um segundo, Anakin não acreditou. A mente demorou a encaixar a realidade no corpo. Ele desacelerou como quem acorda de um sonho e, quando parou, percebeu que estava tremendo.
Abriu o cinto com dificuldade. Saiu do veículo com as pernas moles.
A família e os amigos vieram correndo, atravessando a área permitida, ignorando regras, ignorando tudo. Alguém o abraçou por trás. Alguém gritou seu nome. Outro bateu no teto do carro como se aquilo fosse um tambor.
Ele sentiu algo doce na boca, como se a vitória tivesse gosto. Tinha gosto de areia...
E então, num intervalo breve entre duas rajadas, ele viu a arquibancada.
Viu gente em pé. Braços no ar. Bandeiras batendo no vento.
E viu ela.
Sua querida mãe.
Sorrindo.
Não era um sorriso de “eu sabia”. Era um sorriso de “eu acredito em você”. Um sorriso que cabia dentro do peito dele como se sempre tivesse morado ali.
Anakin foi levantado do chão.
O estádio reverberava:
— A-na-QUIk! A-na-QUIk! A-na-QUIk!

 

A tempestade continuava lá fora, uivando no deserto.
Mas dentro do peito de Anakin, pela primeira vez, havia silêncio.
E nesse silêncio, uma certeza:
A vitória de um garoto improvável não era um acidente.
Era começo de algo novo