Work Text:
Hoje estava sendo um dia cansativo, tanto para Mim quanto para View, cada uma imersa nos preparativos para seus próximos projetos.
Mim finalizava o treino pensando só em ir para casa comer. Já fazia dias que treinava pesado para as cenas de perseguição na mata do seu próximo filme de terror.
Quando seu treino finalmente acabou, a primeira reação da Mim foi pegar o celular. Logo abriu o app de mensagem e tocou no nome da parceira de cena, View. Sem demorar muito, digitou sobre seu treino puxado e perguntou como andava o ensaio da mais velha pro show.
Mim: Terminei o treino finalmente, não aguentava mais.
Mim: E você, como ta o ensaio por ai?
A resposta não demorou cinco minutos. View estava numa breve pausa em seu ensaio para seu próximo show. Apesar de ter pouco tempo para descansar ela estava disposta a usar esse tempo para responder a Mim.
No fundo, View só queria ir para casa, comer e deitar na sua cama, mas a cada troca de mensagens, ela só queria estar lá, vendo pessoalmente ela falar, gesticular e aquele sorriso que vinha enquanto tentava achar as palavras certas.
View: Finalmente né. Por aqui ainda está com tudo, não sei nem se ainda tenho voz pra cantar.
Quando recebeu a resposta um pequeno sorriso apareceu no rosto da pequena.
Mim: Hoje eu fiz tanto cardio, pelo visto vão me colocar pra correr na floresta inteira.
Depois de explicar um pouco sobre o que cada parte do seu treino servia, ela decidiu de maneira inocente... ou nem tanto, que seria bom mandar uma foto no espelho para View poder ver o resultado de seu treino.
Mim: *foto*
Mim: Nunca estive tão cansada como estou hoje.
Mim usava uma calça moletom cinza, com listras brancas discretas na lateral e a logo da marca perto do bolso, um top preto justo, da mesma marca da calça. Seu abdômen definido pelo esforço, suor ainda escorrendo pela testa, pescoço e até um pouco descendo pelo colo, não que View tenha reparado, é claro.
View estava desestabilizada pela imagem a sua frente, ela sentiu o calor subindo pelo seu pescoço, e a sensação quente na ponta das suas orelha, que provavelmente estavam vermelhas.
Por alguns segundos ela sentiu sua garganta secar, sem saber o que responder.
Ela levantou o celular, olhou a foto de novo e desligou o celular em seguida. Tentou novamente, ligou o aparelho, com o dedão parado sobre o teclado sem saber o que responder, e falhou em responder mais uma vez.
Era totalmente ridículo alguém como ela, com tantos fãs flertando a sua volta não saber responder uma única foto, não era algo tão difícil assim.
Depois de dois minutos sem uma resposta de View, Mim sabia o efeito que tinha causado na mais velha. Ela já conseguia imaginar o rosto corado de sua parceira de cena, que poderia agora estar morrendo do outro lado do celular apenas com uma única foto de Mim suada no espelho.
Mim: P' ainda está aí?
Mim: acabou seu tempo de descanso?
View: Mim você ainda vai demorar a ir pra casa?
View: Eu saio daqui em 40 minutos, posso ir te ver?
View não sabia o que deu nela mesma, mas ela não ia deixar de correr o mais rápido possível pra ver Mim. A mente dela estava em branco total, a única coisa que passava pela sua cabeça era a foto de Mim e aquele sorriso, e a imensa necessidade de correr para a pequena.
Antes mesmo de ter uma resposta do outro lado da linha View ouviu alguem a chamando, seu gerente a avisou que estava na hora de voltar para o ensaio. Ela não sabia que resposta a guardava, mas sabia que quanto mais rápido o ensaio acabar mais rapido ela poderia ver sua parceira de cena.
Enquanto View já tinha voltado pro ensaio, Mim estava parada na frente de seu celular tentando entender o que aquela mensagem significava, ela já tinha percebido antes por algumas vezes que sua aparência tirava boas reações de View, mas ela não pensava que veria a sua colega correr pra ver por causa de uma simples foto.
Uma serie de perguntas apareceu em sua mente. Será que View foi de alguma forma foto afetada por sua foto? Será só curiosidade?
Ela queria apenas ver Mim pessoalmente?
O por que de View querer ver ela ainda hoje se elas se encontrariam para um projeto em conjunto amanhã?
Mim: P'View nos vamos nos ver amanhã, não precisa vir me ver em casa.
Mim juntou suas coisas pra ir pra casa, pensando se o motivo das mensagens de View parecerem eufóricas era pela foto ou outro motivo que ela ainda não tinha percebido.
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Depois de comer e tomar um banho, Mim ouve duas batidas na porta do seu apartamento. Sem demorar muito ela vai a porta atender, apenas pra se deparar com uma vista um tanto quanto interessante.
View, em roupas largas e casuais, suor ainda notável em suas têmporas e um ar de ansiedade à sua volta.
View: Mim, desculpa não responder, já tinha voltado pro ensaio e só vi sua mensagem no carro.
View: Queria muito te ver, não sei se poderia esperar até amanhã.
Ao olhos de Mim naquele momento View parecia um cachorrinho molhado e perdido na rua. Antes de responder ela abria mais a porta dando espaço para a mais velha entrar.
Mim: Primeiro senta e bebe água, você parece... agitada.
Mim falou enquanto ia em direção a cozinha pegar um copo de água.
View: Obrigada.
View não sabia o que fazer ou falar, então apenas se sentou no sofá esperando que Mim iniciasse a conversa novamente.
Mim: Algum motivo pra não poder esperar até amanhã pra me ver?
Mim falou com um pequeno sorriso se formando. Ela já sabia o motivo, mas precisa ouvir da boca de sua parceira de cena.
Mim: Sua água.
View: E que-
Mim: Bebe primeiro.
O silêncio parecia ensurdecedor enquanto View bebia a água, e tentava pensar em uma resposta na sua cabeça.
Mim se sentou do lado de sua colega, o que deixou View ainda mais nervosa. Ela não deveria ter deixado os seus instintos a dirigirem até aqui sem nada além daquela foto na sua mente.
O impulso que trouxe View a tal ponto não foi uma coisa nova ou única, havia mais vezes que isso aconteceu, mas nunca dessa forma tão fora do controle. Alguns elogios já foram ditos de formas que expos como View realmente via a sua colega.
Bonita, doce e até deslumbrante, nada disso é mentira, mas View não sabia se seu status era apropriado para elogiar Mim de tal maneira.
Mim: View você está bem? Parece estar afobada.
View: Eu tô bem, e só que não sei como dizer, mas eu queria muito te ver hoje ainda.
View: Amanhã nos vamos se ver, mas e pra trabalho, é diferente.
Mim: Então quer me ver fora do trabalho? Algum motivo pra isso?
Mim falava com um sorriso que não aguentava segurar mais, ela já tinha em mente o que queria, e agora ela só queria fazer View admitir que o motivo dela estar lá é a foto.
Mim: A sua demora pra me responder me faz ter ideia erradas sobre o seu motivo.
View: Não e nada de errado.
O desespero de se explicar foi mais rapido e View começou a falar, quase sem pausar pra respirar.
View: E que você tava falando com tanta empolgação sobre seu novo projeto que eu queria te ver e seus exercícios, o treino e tudo mais... Acho que me empolguei também.
Mim: View, respira, eu não vou sair correndo, tudo bem.
Mim falava entre algumas gargalhadas ao ver a euforia e medo de não ser entendida da mais velha.
Mim: Então não tem nada a ver com a foto? Ou com suas orelhas vermelhas?
Os olhos de View se arregalaram e ela rapidamente cobriu os ouvidos com o seu longo cabelo.
O silêncio da mais velha dizia muito sobre a situação pra Mim. Dando uma oportunidade que ele procurava há tempos. A oportunidade de atacar, de ver até aonde os limites de View se estendia, ver até onde o relacionamento delas de apenas "colegas" podia ir.
Mim cruzou as pernas, dando um pouco mais de tempo para View pensar, mas isso não a impedia de caçar cada mínima reação de sua colega.
View: Mim...
Chamar seu nome era a única opção disponível para responder sem se entregar. No final ela abriu a boca. Nada saiu. Fechou a boca novamente engolindo em seco as palavras que não queriam sair.
Mim: O ambiente está quente demais pra você conseguir pensar, você ta suando muito P'View.
Mim sabia como usar coisas simples para pressionar, apesar de não usar com frequência essa habilidade.
O suor que descia pelo pescoço de View não era mais pelo calor do treino, e sim pela tensão do lugar. Essa tensão estava começando a sufocá-la, sem conseguir ver ou até pensar direito.
O cheiro da Mim, recém-saida do banho também não a ajudava.
View: Acho que estou atrapalhando seu descanso, é melhor eu ir Mim.
Mim: Não está, sua companhia é boa, e é engraçado ver você, que sempre implica comigo por me embaralhar nas palavras em silêncio. Talvez até por medo de dizer a verdade... brincadeira.
Mim: Deve estar cansada né, por isso o silêncio.
Por um momento View pensou que havia achado uma saída, falar que estava cansada e sair era a melhor opção, mas por algum motivo parecia fácil demais.
View: Sim, cansaço. Minha mente não ta boa, acho melhor eu ir pra casa descansar.
View começou a se levantar para ir embora, mas antes de completar a ação, algo a fez sentar novamente.
Mim: Humm. Pessoas cansadas não dirigem tarde da noite pra vir até meu apartamento sentar no meu sofá e gaguejar.
O sorriso de alguém prestes a conseguir escapar da View caiu rapidamente.
Ela não tinha mais respostas e nem saída, apenas a opção de contar a verdade ou correr. Era tarde demais pra correr, View só não sabia ainda.
Mim: Então?
O ar ao redor estava tão tenso que poderia ser cortado com uma faca.
View: Não sei o que está pensando mas com certeza não e isso.
Ela tinha certeza que Mim estava pensando exatamente o que estava descrito na expressão da View.
Ela se sentia atraída de forma inegável pela Mim, se escondendo atrás de desculpas ligadas ao trabalho e a forma que ela tratava a mais nova por serem uma casal de cinema.
Mim: O que acha que estou pensando?
Quanto mais perguntas Mim fazia mais difícil era para a mais velha de escapar.
Ela sabia muito bem o jogo que estava jogando, e ela estava ganhando muito mais que o prêmio principal.
Mim: Sabia que o seu silêncio me conta muito mais que suas respostas vagas?
Os olhos de View caíram, o único lugar que ela conseguia olhar agora era para o chão.
A verdade estava cada vez mais perto, ou ela admitia agora, ou ela deixava a Mim a desmascarar-la.
View: Bem é que...
Um suspiro que parecia que segurava há dias foi solto pela View.
View: A sua foto... você estava linda.
Mim: Você fez esse caminho todo só pra me elogiar? Ou queria ver essa beleza pessoalmente?
Mais uma vez View estava incrédula, sem saber o que fazer. Era inevitável que ver pessoalmente não era o suficiente, ela precisava sentir essa tal beleza contra sua pele.
Esse pensamento fez a mais velha ficar cada vez mais vermelha e sem ar.
Não havia um segundo em que Mim deixou de observar os sinais claros que o corpo da mais velha mostrava. O pescoço vermelho, o suor nas têmporas e a respiração pesada.
Tudo indicava que ela estava ganhando, que View estava encurralada, e que aquela amizade não era só sobre trabalho.
Mim: Foi o suficiente vir até aqui pra me ver pessoalmente? Ou seria melhor tocar?
Mim se levantou do sofá, parando em pé na frente da sua tão dita colega. Estar em pé na frente de View só a deixava mais intimidadora, e ela estava fazendo de propósito.
Ela se inclinou levemente pra frente, sem tocar e dando espaço o suficiente pra View.
View se inclinou, só que pra trás, tentando manter sua distância. O medo do impulso tomar novamente e ela fazer algo sem pensar estava escrito em seus olhos, que estavam arregalados.
Mim: Ainda estou linda? Ou só quando estava sem blusa P'View.
O jogo que Mim estava jogando não era justo, mas era exatamente o que ela queria. Ela queria uma resposta, e um silêncio não era mais o suficiente pra ela. Usar honorifico era só uma maneira de mostrar que a mais velha não está no controle de nada.
View: Mim, não e isso-
Mim: Foi uma pergunta de sim ou não P'.
Nesse momento View tinha sentido sua alma sair do seu corpo. Ela quase conseguia ver sua própria alma zombando de sua situação.
Ela não podia responder, a mente dela ja havia se desviado, e o olhar também. View estava encarando os lábios da mais nova, que estava perto mas não o suficiente pra ela fazer o que tanto desejava. Mesmo que seja impulso.
Mim: Se você continuar me encarando acho que vou confundir com um pedido pra tirar a camisa de novo. Quer tanto assim relembrar pra poder me responder?
View: Não!
Foi alto e por puro impulso, View não aguentaria o que fazer ou pra onde olhar se Mim tirasse a camisa, mas o não infelizmente não foi o suficiente.
Em uma forma de fazer a mais velha finalmente falar uma frase completa, Mim voltou a sua posição normal. Não por muito tempo. Ela começou a mover as mãos de forma que mostrava que ela ia tirar a camisa.
Finalmente em forma de desespero View fala uma frase completa para parar Mim.
View: Não Mim, não e isso. Você ainda está linda, ainda mais pessoalmente, só por favor não tira a camisa. Não precisa.
Um sorriso satisfeito apareceu no rosto de Mim. Não um que significa que estava feliz com a resposta. Um que significa que o que ela tanto queria estava para chegar.
Mim: Ainda não respondeu minha primeira pergunta P'View. Não quer tocar pra ver se é real?
Mim observava todas as minúsculas reações no corpo da mais velha. Ela percebeu a mão de View tremendo no seu próprio colo, e o jeito que seu dedo até se esticou com hesitação.
Ela sabia que View queria tocar, mas não tinha a coragem, e provavelmente achava que não tinha permissão.
Mim: Se quiser P'View, você só precisa pedir. Só precisa olhar nos meus olhos enquanto pede.
Apesar de querer tanto esse toque, View não conseguia parar de encarar as mãos, com medo de sair da linha. Linha essa que ela mesmo desenhou para proteger a mais nova de seus desejos.
Mim: Olha pra mim View.
Não era um pedido, e sim uma ordem, e View obedeceu. Ela olhou pra cima devagar, seu olhar agora fixado na mais nova. Recuar era uma opção que não existia a muito tempo atrás.
Mim: Boa garota.
Duas palavras. O suficiente para quebrar algo dentro da View. Não foram ditas altas, mas o suficiente para algo dentro da mais velha mudar. Era exatamente o que Mim queria, que a linha que View desenhou no relacionamento delas fosse quebrada pela própria criadora.
View: Eu posso tocar?
Apesar de parecer valente, sua voz estava trêmula, ela mesmo não sabia o que realmente queria com essa pergunta.
View conseguiu sentir a coleira no seu pescoço quando viu o sorriso no rosto de Mim aumentar. Ela percebeu que estava jogando o exato jogo que Mim tinha criado desde o início.
Só que Mim não sabia que View estava mais que disposta a ser seu pião, apenas para poder ter a proximidade que apesar de evitar ela sempre sonhou em ter.
Mim: É claro.
Simples assim? Não podja ser tão simples.
View não acreditava naquelas palavras, mas ela não podia perder essa chance.
A mais velha levantou a mão devagar, mas não ousou tocar. Ela precisava ter certeza de que aquilo era real, que tudo era consentido. View não desviou o seu olhar de Mim nem por um único segundo.
Vendo View congelada, esperando algo que nenhuma das duas sabiam o que era, Mim decidiu guiar a mais velha. Em um movimento lento Mim pegou na mão de View, trazendo em um movimento limpo a curva do seu pescoço. Apenas um dedo de View a tocava, descendo em um toque leve como o de uma pena até sua clavícula.
Um movimento guiado, um tanto quanto interessante, View não queria passar dos seus limites e isso era o melhor para ela. O que não a impedia de querer mais, mesmo sabendo que era a opção mais segura.
Os olhos dela que estavam fixos na mais nova agora vagavam pela pele branca da menor, pelas suas roupas largas, seus músculos, e por fim, voltando para o lugar que mais desejava tocar... seus lábios.
Como alguém que ditava esse jogo, Mim não ia deixar de perceber que os olhos da maior estavam explorando áreas não permitidas, não ainda.
Mim: Eu deixei me tocar, não me devorar com o olhar.
View já tinha perdido a conta de quantas vezes a sua boca tinha secado naquele dia, mas essa era mais uma das vezes.
View: Não fiz de propósito, Mim.
Mim: Então admite que fez, e que não sabe nem se controlar.
Não era mais uma pergunta, ambas sabiam que era um fato, fato que não podia ser mudado. A cada verdade citada View se sentia mais e mais presa e encurralada, mas por que isso não a incomodava nem um pouco?
Mim afastou um pouco a mão de View, apenas para ter espaço para a próxima jogada. Mim solta a mão da mais velha, apenas para colocar sua mão no queixo de View, a fazendo olhar para ela.
Mim: Acho que seus olhos já vagaram demais. Me pergunto se estão procurando algo. Talvez algo que você queira?
Era a oportunidade que View esperava, mas ela não queria cair no jogo da mais nova. Ela não podia perder fácil assim, mesmo que não pareça tão ruim. View ainda queria lutar, queria ter o prazer de conquistar Mim, não só ser jogada. Mais do que tudo, ela não queria ser passiva nesse jogo do amor.
View: O que eles procuram, se eu disser, vai poder me dar?
Era o único espaço disponível para esse pião se mover para sair desse beco sem saída que estava presa desde que foi atraída para lá. Por uma simples foto.
Mim: Se você veio até mim, eu devo ser a única que pode te oferecer o que quer... ou estou errada?
Por um momento View achou que podia sair por cima. Só tinha esquecido que desde o início ela era a única que estava dançando na mão da menor.
A cada segundo que a mais velha gastava tentando se recuperar, era um pouco mais que Mim se aproximava, parando a menos de um palmo de View. Era inevitável não sentirem a respiração uma da outra a essa distância, quente e envolvente. Colocando ambas em uma cortina de tensão que não podia ser dissolvida.
O calor só subia, a tensão cada vez mais densa, e por alguns segundos o silêncio era desconfortável. Não porque não queria estar ali, mas sim porque ficava cada vez mais difícil se conter. De conter tudo àquilo que esconderam por baixo de apelidos entre colegas, cenas românticas para as câmeras, carinho disfarçado de cuidado, tudo isso que agora era inevitável de esconder.
View: Mim, nunca teve qualquer outra pessoa que pudesse me dar o que eu tanto quero.
Não foi o calor do momento. Foi o que estava guardado há tempos, todas as mentiras se dissolvendo nesse calor que não queimava, mas sim as faziam mais próximas.
Mim: Então me conta o que é, me diz o que você guarda, baixa as suas defesas. E eu abaixarei as minhas.
Em meio a palavras tão ternas, a proximidade não era apenas de coração. Sem que percebessem, suas testas se tocavam levemente.
Não havia mais competição. Tinha acabado há muito tempo, sem que percebessem tudo se tornou real e frágil.
Tão delicado que qualquer mentira poderia quebrar esse momento de tamanha pureza.
View: Mim...
As mãos de View qua ja tinham voltado pro seu colo se ergue novamente. Elas estavam trêmulas, parando no meio do caminho.
O silêncio após o nome de Mim ser chamado de forma tão delicada mostrava o quanto tudo aquilo era pesado demais. Não era mais só desejo, era sentimento.
A mão da mais velha tentou alcançar Mim de novo, mas não sua clavícula, não seu pescoço, ou qualquer outra parte exposta do corpo da menor, mas sim a sua bochecha. Ela não queria tocar pra dominar, mas sim pra transmitir, transmitir tudo o que sentia.
Por alguns segundos View pensou em todos os momentos delas juntas, e todo o medo que sempre teve de cruzar a linha. E isso doeu, tanto que deixou seu coração nu. Apenas a verdade, que só palavras podiam alcançar. Só o consentimento podia desfazer View desse medo.
View: Mim... eu quero poder te tocar, te segurar, te abraçar...
Os olhos de View estavam fechados em uma linha apertada, apenas o coração a guiando.
View: Quero poder parar de me esconder, parar de correr da verdade.. do que eu sinto. Quero poder ser sincera e dizer que a sua amizade tem muito mais importância que qualque outro amigo teria. Que sem sua presença na minha vida... eu não sei nem mais me imaginar sem você.
E antes de dar a sua palavra final, para completar sua declaração:
Mim: Eu te amo View...
Silêncio.
Por um segundo.
Dois.
Cinco.
Mim: Você sempre foi mais que uma amizade pra mim, você sempre foi meu apoio.
View: Eu também te amo, e quero ser sempre seu apoio... Mim, eu te amo.
Consenso deixou de ser necessário nesse momento. Pois a ternura abandonou o que as impedia. O medo foi cegado, antes que percebessem. Ambas se aproximaram, desaparecendo com o mínimo espaço que existia entre elas.
Os seus lábios colidiram, com hesitação no início, que foi se dissolvendo em afeição.
Um beijo que carregava bem mais que o desejo de uma foto. Carregava anos de um carinho que aos poucos foi se transformando em um laço que não pode ser quebrado facilmente. Se tornando amor.
