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Delícia/Luxúria (Eu Não Sei Te Deixar)

Summary:

Um adolescente em uma série de desventuras com seu melhor amigo começa a desconfiar da própria sexualidade, tendo que lidar com suas desilusões e dúvida sobre identidade própria sendo um garoto crente.

Notes:

oi eu basicamente só to postando isso no ao3 pra guardar pra melhor visualização pros meus amigos, é uma fanfic sobre dois meninos que tão tipo lowk apaixonados só que não aceitam isso infelizmente :/ só deixando avisado que tipo eles não vão ser canonicamente como eles são na vida real mas eu tentei meu maximo eu juro.essa é minha primeira vez escrevendo uma fanfic que não é uma oneshot q nao tem plot entao nao é uma das melhores coisas do mundo ok me deem um crédito.

Chapter 1: Earl e Rich

Summary:

heitor reflete sobre a sua vida e tenta conversar com seu melhor amigo

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

   Ei Heitor. É o João,

Heitor gostava de pensar que ele era um rapaz esperto, uma boa criança.

Ele não se considerava especialmente inteligente, mas esperto? Sem dúvidas ele era. Obedecia às autoridades, respeitava a hierarquia e não questionava. Ele era tão certinho quanto um adolescente poderia ser. Mesmo que até pessoas com mentes sãs fizessem coisas estúpidas, ele era capaz de acreditar que seria diferente de tal gente.

Mas era inegável o jeito que ele se sentia cada vez mais perdido, desesperado e bobo quando estava próximo do seu 'melhor amigo'. João completava o que Heitor um dia pensou que faltava dentro dele. Por mais estranho que pareça, tem sido a experiência mais próxima que Heitor já teve daquela sensação nauseante de "borboletas no estômago" da qual as pessoas sempre falavam. Aquela mistura intensa de nervosismo e admiração.

Se não fosse tamanha insanidade, seria engraçado: Toda vez que a sua pele encontrava-se com a dele era como se um choque elétrico percorresse pelo seu corpo inteiro. Não era certeiro dizer quando Heitor começou a se sentir assim, mas não importava, porque era fato de que não havia possibilidade alguma de ser recíproco.

De qualquer maneira, não era tempo de ponderar sobre aquilo. Com uma rápida espiada no horário, o relógio já marcava 02:20 e era inevitável sua ida à escola amanhã. No escuro do seu quarto, Heitor deixou o clima frígido do seu ar condicionado nina-lo a um sonho invadido pelos pensamentos que mantinham-no anteriormente acordado.

 

A manhã se arrastou preguiçosamente no começo, seguindo a mesma dança. Heitor, que já havia decorado essa coreografia, deixou seus movimentos se automatizar. Foi preciso uma partida de pingue-pongue para sentir sua mente realmente acordar. O som rítmico da bola e da raquete silenciava o turbilhão dos pensamentos dele.

Um, dois. (Será que o João vem hoje?) Três, quatro. (É claro que sim. É terça. Tem prova. Ele não pode faltar.) Cinco, seis. (Por que ele tá atrasado? É possível que e-) Sete, (...)

— Um à zero. — Uma voz interrompeu-o, era seu adversário e 'amigo' Mini Bidu, a bolinha laranja não demorou para ser jogada de volta a ele, vinda junto de uma ordem — Saca. 
O jogo prolongou-se, (0-1?) (0-3?) (2-2?) (4-3?)... nem conseguia recordar se ele havia perdido ou ganhado.

Heitor agradeceu aos céus quando seus olhos encontram-se com tal visão agraciadora diante de si:
— E aí. — O som de um estalar de mãos sobressaiu-se sobre o burburinho das conversas variadas. Heitor deixou a bolinha quicar pra fora da mesa, seus lábios se curvando em um sorriso assim que seus olhares se cruzaram. Um 'aperto de mão' perdura e é puxado pra um abraço.

— Ou, Jão! 'Cê demorou pra vir por quê?

— Era o trânsito, só. — O abraço se desfez.

Era fácil sentir os olhares dos outros alternando entre eles. A conversa também morreu facilmente. Heitor se ocupou em guardar os instrumentos do pingue-pongue, João seguiu com os cumprimentos.

Pós-prova, durante a aula de Biologia, Heitor não podia fazer nada além de olhar de relance para João no fundo da sala. Era como se houvesse uma muralha presente entre eles e Heitor sabia que tudo — menos essa separação que só parecia crescer cada vez mais — estava prestes a desmoronar. Ele estava completamente desamparado.

 

Com a mochila na frente de seu torso, Heitor levantou de sua cadeira e foi até a de seu melhor amigo, era quase que impossível manter a casualidade enquanto ele aproximava seu rosto ao do outro para sussurrar.

— Senta aí que eu não tô te ouvindo, viado.

Ao invés de pegar uma nova cadeira e sentar lado a lado, Heitor simplesmente sentou-se no espaço que restava da cadeira de João, João ergue a mão e se agarrou no ombro de seu parceiro para mantê-los firme. 

— Ei. 'Cê lembra do quê a gente falou esses dias atrás? 

João se fez de confuso, inclinando a cabeça.

Logo após, um brilho preencheu seus olhos majestosamente. — Boto fé. Cinema amanhã né?

— Não cara. A gente falou pelo celular. — Ele aguardou um momento, como se esperasse que o outro compreendesse, em resposta ele franziu a testa, Heitor sentiu sua língua pesada, ocupando suas mãos em arrancar fora a pelinha do seu dedão. — Aquele 'bagulho'... Que a gente falou que a gente não ia mais falar sobre, lembra? De como você 'tava se sentindo sobre... aquilo, sabe? — Ele fez uma pausa, evitando dizer o óbvio.

João continuava a encará-lo com a testa franzida, porém com um olhar mais defensivo do que antes. Heitor abriu a boca para continuar depois de um breve silêncio constrangedor, mas foi interrompido:

— Oh, viado. Se a gente combinou de quê não ia falar mais sobre é porque a gente não vai mais falar sobre. — O tom dele cresceu, o "apelido" parecia pessoal, direcionado e hostil. João olhava em volta com preocupação, como se ambos estivessem sendo observados naquele exato momento, a mão agarrada em seu ombro apertou um pouco mais antes de solta-lo por completo.

João levantou abruptamente com um empurrão da cadeira que quase fez Heitor cair da onde agora apenas ele sentava. Heitor pensou em clamar por ele de volta, porém não seria bom para ninguém causar intrigas justamente na hora da saída.

Apesar de tudo, Heitor levantou-se e foi logo em seguida atrás dele, o amontoado de pessoas na porta fazendo com que a intensidade da sua voz se abaixasse.

— A gente ainda vai se encontra amanhã, né? — A insegurança na sua voz era quase que imperceptível.

— Vamo vendo...

João nem sequer olhou em seus olhos. O sino bateu e Heitor teve que apertar o passo para conseguir manter-se ao menos atrás do vulto que João havia se tornado.

— Oh, João!

 

— João!...

 

João Pedro!

 

Cansado de insistir, deixou-o fugir do seu campo de visão, Heitor não se importava de ficar um pouco sozinho. Ao menos assim ele não se deixaria cair em tentação, não se deixaria cair em desgraça. Não ia ser por um menino idiota que ele perderia o seu valor como homem.

Ajoelhado no genuflexório da igreja de seu pai, Heitor reconhecia a verdadeira grandeza de Deus. Expressou sua gratidão por Suas bênçãos, rezou um Pai-Nosso e um Ave-Maria, e refletiu sobre a sua semana. Heitor sentiu lágrimas queimarem por trás de seus olhos, ele manteve suas pálpebras fechadas e suas mãos entrelaçadas com força e orou por misericórdia, orou por perdão e orou por força para não pecar novamente. Orou pela sua família, amigos, saúde e por quem mais precisasse...

O caminho de volta pra casa no banco de trás do carro foi silencioso, vendo as luzes dos carros que passavam, se perguntando o tempo que faltava para enfim chegar no aconchego do seu quarto. Ele retirou do bolso o seu celular e hesitantemente abriu a conversa com "João P":


sexta-feira

Eu não so bicha

Só to perguntando pq naquela hora q vc ficou segurando na minha nuca

Sla mano

Aql N foi do bem

Vc ficou me encarando de um jeito estranho

🛇 Mensagem apagada

🛇 Mensagem apagada

🛇 Mensagem apagada 

Mas nada aconteceu entre a gnt

Mesmo se tivesse N importa

N é da conta de ninguém além da nossa

🛇 Mensagem apagada

🛇 Mensagem apagada


hoje

João

Esquece oq eu te falei hoje na escola

Quer jogar uma partida de Fifa?


Heitor encarou as mensagens daquela conversa pelo o que pareceram longas horas até que ele ouviu as portas de motorista e passageiro do carro abrirem. Carregando a mochila em uma mão, ele seguiu para dentro de casa.

— Como foi o seu dia, Heitor? — Sua mãe tentou perguntar, sua voz convidativa e calorosa, mas ele não estava com a cabeça pra conversas sem fim agora.

— Foi legal. — E ele subiu os degraus da escada que davam pro seu quarto de dois em dois. Seu pai disse algo na distância, como Heitor não conseguiu ouvir, ele simplesmente ignorou-o.

Assim que a porta se fechou, ele jogou a mochila em um canto qualquer, puxando seu uniforme por cima da cabeça e tirando o que for que estivesse no bolso dos seus shorts, seu celular, carteira, papéis... Uma notificação fez a tela do seu celular brilhar.

 

João P • agora

bora

dsclp por ter sido meio fdp

Heitor sentiu seu coração aquecer dentro do seu peito, um suspiro enfim fazendo seus ombros relaxarem, como se ele estivesse prendendo a respiração esse tempo todo e nem havia percebido, um sorriso enorme tomou conta de seu rosto, assim como uma vontade incessante de soltar um longo e intenso grito.

me convida ae

Não foi preciso ler mais nada, ele foi correndo ligar o seu PS5, ainda de pé, com uma mão no controle selecionou uma conta e abriu o jogo, com a outra, ligou para o João de chamada de voz. Seu celular tocou apenas uma vez antes dele atender.

Talvez ele nunca tivesse realmente conhecido João, talvez um dia ele pudesse.

Ou talvez estivesse tudo bem se as coisas simplesmente terminassem assim.

Heitor decidiu que estava tudo bem não ter certeza.

 

   Eu não faço ideia se isso vai chegar até você, mas era o único jeito que pensei que conseguiria te contatar.

Notes:

Levítico 20:13 "Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles."

Levítico 18:22 "Com homem não te deitarás; é abominação; é impureza."