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"Aqui está seu latte gelado.” — Sanji disse com um sorriso.
Ele empurrou o copo de café gelado pelo balcão em direção ao cliente, que lhe retribuiu com um sorriso cansado.
“Tenha um ótimo dia!” — acrescentou quando a pessoa pegou a bebida.
Com um sorriso profissional estampado no rosto, observou o cliente sair da cafeteria enquanto o sino da porta tilintava.
Assim que a porta se fechou novamente, ele deu uma olhada ao redor da cafeteria.
O dia estava calmo, dado o fato de ser um dos dias mais quentes do verão.
Os poucos clientes que apareciam de vez em quando pareciam prestes a desmaiar de calor, pegando desesperadamente qualquer bebida gelada do cardápio e saindo correndo.
Sanji agradecia por ter gasto um dinheiro extra para instalar um bom ar-condicionado na cafeteria.
Caso contrário, estaria igual a todo mundo lá fora, ofegante por causa do calor.
O ar não o protegia completamente, mas pelo menos ele não estava prestes a desmaiar.
Como a loja estava vazia, foi para os fundos e sentou-se em frente a um ventilador para refrescar a pele suada.
Provavelmente acabaria pegando um resfriado fazendo aquilo, mas, naquele momento, simplesmente não se importava.
Abanando com força a própria camisa social branca, Sanji sentiu uma gota de suor escorrer por suas costas.
Que nojo.
Com as mangas dobradas até os cotovelos, abaixou a cabeça e apoiou a mão livre na grade do ventilador.
De quem foi a ideia de abrir a loja hoje?
Que ideia horrível.
Enquanto se refrescava, o olhar do barista foi naturalmente atraído para o próprio pulso. Mais precisamente, para as palavras escritas na pele pálida do pulso.
Quase abraçando o ventilador de tão perto, Sanji examinou preguiçosamente a frase pela milésima vez naquele dia — como fazia todos os dias.
Às vezes, ele realmente duvidava dessa história de almas gêmeas e das primeiras palavras.
Claro, bilhões de pessoas haviam encontrado o amor verdadeiro graças a isso.
Mas esse definitivamente não era o caso dele.
Tinha certeza de que fazia parte do pequeno grupo de pessoas que jamais encontrariam sua alma gêmea. E havia dois motivos para acreditar nisso.
Primeiro: ele já tinha vinte e seis anos.
Segundo: as primeiras palavras da sua alma gêmea eram completamente absurdas.
Quando a frase apareceu em seu pulso, ainda adolescente, Sanji ficou completamente perdido.
Literalmente.
Por que diabos sua alma gêmea diria aquilo para ele?
Agora, aos brilhantes vinte e seis anos, sendo coproprietário de uma cafeteria, ele tinha certeza de que aquilo era uma das maiores crueldades que o universo podia lhe fazer.
Todo o entusiasmo que sentia na adolescência para encontrar a pessoa destinada a ele havia desaparecido há muito tempo, deixando apenas um gosto amargo.
Afinal, ele ouvia as palavras:
"Um mocha gelado grande com calda extra de chocolate."
Todos.
Os.
Malditos.
Dias.
Fazendo uma careta de desgosto, Sanji encarou o próprio pulso.
Se todo mundo no mundo não soubesse que aquelas eram as primeiras palavras da sua alma gêmea, provavelmente pensariam que ele simplesmente havia anotado um pedido de café no braço.
As palavras pareciam zombar dele, gravadas profundamente em sua pele.
Ele odiava aquilo.
Odiava principalmente o fato de que essa nem era a pior parte.
A esperança idiota que sentia toda vez que um cliente dizia exatamente aquele pedido fazia com que se sentisse um completo tolo.
Sem exceção, seu coração sempre acelerava.
E, logo em seguida, a decepção o atingia em cheio quando percebia que o cliente nem sequer olhava para o próprio pulso.
Talvez estivesse destinado a nunca encontrar sua alma gêmea.
Com o humor ainda pior do que antes, Sanji aumentou o ventilador para a terceira velocidade.
As hélices passaram a girar mais rápido, proporcionando um alívio um pouco maior.
Meu Deus...
Seu sangue parecia estar fervendo.
Estava um calor infernal.
Quase derretendo junto com o ventilador, o barista ouviu ao longe o tilintar da porta anunciando a chegada de um novo cliente.
A contragosto, ele se afastou do ventilador, endireitou a postura antes de voltar para a frente da cafeteria.
“Um affogato e um macchiato com calda extra de caramelo, certo?” Sanji repetiu o pedido do cliente, conferindo.
“Isso! Ah, e um cookie de chocolate também,” confirmou o cliente animado.
“Certo! Isso vai dar 5.000 berries”
Virando o leitor de cartão na direção do cliente, Sanji esperou a confirmação aparecer no sistema antes de imprimir o recibo e entregá-lo.
Observou enquanto o cliente caminhava até a área de espera e então voltou sua atenção para o próximo — e, no momento, último da fila.
Um homem de altura mediana se aproximou do balcão, com uma aparência… bem atraente, se tivesse que admitir.
O homem estava ocupado falando ao telefone, com um ar sombrio, claramente irritado com o assunto da conversa. Não olhou para Sanji , mantendo o rosto virado de lado.
Abrindo a boca para cumprimentá-lo — e interromper a ligação — Sanji não conseguiu dizer nada antes de ser imediatamente silenciado pelo olhar cortante do homem.
Em vez de pausar a chamada por um segundo, o homem tirou um papel do bolso e o entregou. Nele estava o pedido: oito bebidas. Provavelmente para viagem.
Forçando um sorriso apesar da grosseria, Sanji registrou o pedido e informou o valor. Um toque de cartão e pronto.
Ambos se viraram sem trocar uma palavra: o cliente foi para a área de espera e o barista começou a preparar as bebidas.
Um tempo considerável depois, quando Sanji já havia entregado o pedido anterior e atendido outro cliente, finalmente terminou o pedido grande.
Colocando todas as bebidas com suportes no balcão, ele sorriu quando o homem bonito se aproximou.
Ele ainda estava ao telefone — o que era estranho. Como uma ligação podia durar tanto?
Sanji observou, meio divertido, enquanto o homem tentava pegar todas as bebidas com uma mão, enquanto a outra segurava o celular.
Felizmente — ou infelizmente para seu entretenimento — o homem conseguiu equilibrar tudo empilhando os copos.
Logo depois, saiu praticamente correndo pela porta, sem que Sanji conseguisse se despedir.
“Esse idiota grosseiro…”
Estalando a língua, decidiu ignorar aquilo e voltar ao trabalho.
Afinal, não era o primeiro cliente rude que ele atendia — e definitivamente não seria o último.
Sanji já estava apostando que o universo inteiro estava contra ele. Não sabia o que tinha feito para merecer isso, mas aparentemente não bastava ter uma alma gêmea impossível de encontrar.
Durante os últimos dois meses — praticamente todo o verão — ele havia sido condenado a servir o mesmo homem rude… porém bonito.
A cada dois dias, quando estava no turno dele, o homem aparecia na cafeteria e fazia o mesmo grande pedido.
Sempre cafés diferentes, e ele nunca, nunca falava com Sanji . Metade do tempo, o barista sentia como se fosse o namorado ignorado do cliente, recebendo o tratamento do silêncio.
Como alguém podia ser tão rude?
Nem um “olá” ou “obrigado” saía da boca dele. Estava sempre ocupado com ligações irritantes, com aquela expressão fechada.
Sanji temia a chegada dele em cada turno, torcendo para que aquele dia não fosse o dia em que ele apareceria.
Era inútil desejar isso, mas ele estava desesperado
Secando algumas canecas recém lavadas, Sanji balançava levemente ao som da música ambiente.
O verão finalmente estava começando a dar lugar a noites mais frescas e suportáveis.
Para sua sorte, menos pessoas pediam bebidas geladas, o que o poupava do trabalho constante com gelo e liquidificador.
Sem mais tantos lattes e cappuccinos gelados — pelo menos não tantos.
Enquanto guardava as canecas, ouviu o sino da porta tocar. Limpando as mãos no pano, foi até o balcão.
Seu bom humor desapareceu imediatamente ao ver que era o homem bonito e rabugento. Lá se vai o dia tranquilo.
Forçando um sorriso de atendimento ao cliente, ele se aproximou.
O homem acenou levemente em cumprimento. Para sua surpresa, não estava falando ao telefone — algo inédito.
Ele resmungou em resposta ao cumprimento, sobrancelhas ainda franzidas. Em vez de entregar um papel, abriu a boca para falar pela primeira vez em dois meses.
“Um mocha gelado grande com calda extra de chocolate.”
A voz bonita fez algo estranho se mexer no estômago de Sanji , mas ele ignorou isso rapidamente.
Ficou aliviado pelo pedido simples e curto.
Só isso? Nada de oito bebidas desta vez? E ele falou?
Milagre.
Provavelmente bateu a cabeça em algum lugar hoje.
Enquanto digitava o pedido, percebeu algo: aquele era o único item que nunca mudava na lista.
De qualquer forma, era interessante. Um homem tão sério e carrancudo bebendo algo tão doce.
Parecia mais o tipo de pessoa que tomaria expresso duplo e fumaria cigarro.
Mas ele era bonito demais até para isso — o doce combinava melhor, se ignorasse o temperamento horrível.
Irritado, Sanji não conseguiu segurar o comentário:
“Tanto açúcar e ainda assim continua tão mal-humorado… que lindo irritante.”
O homem imediatamente arregalou os olhos.
Em vez de responder, começou a se mexer estranhamente, inquieto, alternando o olhar entre o próprio braço e Sanji.
Sanji tentou manter a postura profissional e continuou o atendimento.
“Imagino que seja para viagem.”
Nenhuma resposta.
“Isso vai dar 2.000 berries”
O homem fechou a boca com um clique e assentiu, pegando o cartão.
Ele claramente estava nervoso — até errando a senha.
Sanji começou a se preocupar.
Será que o comentário o afetou tanto assim?
Se sim, talvez estivesse prestes a levar uma reclamação e uma bronca de Zeff.
Ainda assim, algo estava estranho. Muito estranho.
Depois de pagar, o homem se virou e foi até a área de espera enquanto Sanji começou a preparar o café, tentando distrair a mente do comportamento estranho do cliente.
O pedido saiu mais rápido do que o normal — provavelmente porque ele estava nervoso.
Ele colocou o copo no balcão e sorriu quando o homem se aproximou para pegar.
Era difícil ignorar como a postura dele havia mudado completamente. O rosto não estava mais fechado como antes.
As sobrancelhas estavam levemente franzidas, mas agora pareciam mais preocupadas do que irritadas. Os lábios estavam pressionados em um pequeno biquinho.
Quase… fofo.
Mas não era hora de pensar nisso.
“Obrigado por vir! Aproveite seu café!” Sanji disse rapidamente, tentando soar profissional.
“…Ah. Obrigado…” o homem respondeu baixinho.
Sanji já estava pronto para se virar e fugir para os fundos quando foi parado pelo homem dando um passo à frente, se aproximando do balcão.
Lá vem problema.
“Posso ajudar em mais alguma coisa?” perguntou, com a voz estranhamente instável.
“Não é… eu só—” o homem hesitou, claramente nervoso.
“…Posso ver seu pulso?” perguntou o mais baixo finalmente, sério.
“Meu pulso? Por quê?”
Que tipo de golpe de artes marciais era esse?
Será que ele vai arremessá-lo por cima do balcão? Sanji hesitou, por um motivo óbvio.
“Por favor?” veio o pedido.
E aquilo foi suficiente.
Sanji estendeu o braço sem pensar.
Não sabia o que esperava, mas certamente não era o homem puxando a manga dele para olhar as palavras gravadas em sua pele.
…Espera. O quê?
Sua suspeita foi confirmada quando o homem levantou a própria manga.
A frase no pulso dele dizia:
“Tanto açúcar e ainda assim continua tão mal-humorado… que lindo irritante.”
Sanji ficou olhando por um longo momento, depois olhou para o próprio pulso.
“Um mocha gelado grande com calda extra de chocolate.”
Ele não sabia qual dos dois era mais absurdo.
Que bagunça.
Esfregando o rosto com as mãos, Sanji se sentiu um idiota.
Justo quando ele finalmente perde a compostura… era com a própria alma gêmea.
De repente, se arrependeu profundamente do comentário.
O homem também parecia envergonhado, inclinando a cabeça sobre o balcão.
“Desculpa,” ele disse com voz baixa.
“Ei, não faz isso. Por que você tá pedindo desculpa? Eu que devia—”
“Posso pegar seu número?” o homem interrompeu.
“Sim? Sim, claro— deixa eu só— posso escrever no recibo ou…?”
O homem entregou o celular.
Sanji digitou o número, ainda confuso, enquanto tentava decidir se deveria se apresentar como “Sanji ” ou “alma gêmea”.
“MC,” disse o homem.
“...O quê?”
“Esse é meu nome.”
“Ah… eu sou Sanji ,” ele respondeu, apontando para o crachá.
Eles trocaram números.
Sanji estava completamente perdido — não sabia como agir.
“Como você percebeu que eu era sua alma gêmea?” Sanji acabou perguntando, puxando assunto.
“Eu já ouvi milhares de pessoas dizerem exatamente o que está no meu pulso... então...”
MC o encarou.
“Que tipo de homem chama outro homem de lindo do nada ?”
Sanji riu.
“Então foi o comentário estranho?”
“Tsk. Você é estranho demais.”
“Obrigado,” Sanji disse com ironia. “Então… te mando mensagem pra nosso encontro?”
“Sim. Terminei um trabalho de verão, vou ter tempo livre.”
“Que conveniente. Então… encontro na cafeteria?”
O olhar de MC ficou ainda mais fechado.
Tá bom, tá bom. Calma, meu amor, estou brincando”, ele acabou recuando, com as mãos erguidas em sinal de rendição.
MC apenas bufou ao ouvir suas palavras, com o rosto vermelho e virado para o lado como uma criança emburrada. Com um sorriso afetuoso, Sanji decidiu que era hora de mandá-lo embora, principalmente porque avistou pessoas se aproximando da loja.
"Vou te mandar uma mensagem. Até querido”, murmurou ele, dando um passo para trás.
Mas, em vez de retribuir a despedida, o homem mais baixo se virou para encará-lo. Seu maxilar estava cerrado, os dedos cravados na xícara de mocha meio derretido.
Com aquele leve rubor nas bochechas, ele parecia quase tímido. Com os olhos fixos no chão, MC finalmente abriu a boca, poupando o mais alto de ter que fazê-lo ele mesmo.
“…Você faz um mocha muito bom, Sanji -san.”
E então saiu rapidamente.
Sanji ficou parado.
O rosto ficou vermelho num instante.
“Esse idiota…” ele murmurou, sorrindo sozinho.
cobrindo o rosto com a mão, ele sorriu para si mesmo, eufórico. Afinal, ele conseguiu resolver seus dois maiores problemas de uma só vez. Que eficiente.
Em vez deles, ele agora tinha dois problemas diferentes para resolver. Um era encontrar roupas bonitas para o seu encontro, e o outro era praticar para deixar seus mochas mais saborosos.
Quem diria que ele encontraria sua alma gêmea? O primeiro encontro não foi dos mais românticos, mas isso pode ser compensado com encontros.
Afinal, Sanji está determinado a fazer deste belo homem seu. As pequenas reações de MC eram simplesmente hipnotizantes.
O coração dele também parecia gostar dele, a julgar pelo fato de ainda estar batendo. Ele realmente precisa praticar fazer corações de calda de chocolate com chantilly.
Ele presume que fará isso com frequência daqui para frente.
