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Dia Difícil

Summary:

Gen chega exausto em casa e é recebido pelo marido, que teve um dia difícil.

Notes:

Mais uma pequena oneshot deles e com um dos meus headcanons favoritos, que é o Senku Autista.

Ele está levemente ansioso, mas Gen é um ótimo marido ^^

Um pouco OOC, mas dá pra relevar, haha

Work Text:

Gen se jogou no sofá assim que chegou no apartamento. O dia foi extremamente cansativo — gravações que duraram horas, pessoas insuportáveis, o calor absurdo que fazia naquele dia e, para completar, Gen ainda queimou a língua com o café.

 

Tudo o que ele queria no momento era seu sofá e seu marido, que provavelmente estava no quarto ou no laboratório improvisado.

 

Gen soltou um longo suspiro, seguido por um resmungo, e se afundou um pouco mais no sofá macio. Ele ficou apenas respirando de olhos fechados e tentando encontrar forças para levantar.

 

Foi quando ele ouviu o rangido da porta do quarto que compartilhava com Senku — aquela porcaria precisava ser trocada o mais rápido possível, mas ambos sempre se esqueciam.

 

Ele ouviu os passos leves de Senku até a entrada da sala. Gen abriu os olhos e viu seu marido com uma grande camiseta com estampa de Doraemon. O cabelo caía sobre os ombros e ele vestia apenas uma boxer, já que as pernas estavam expostas.

 

Gen sorriu ao vê-lo tão caseiro e um calor agradável irradiou em seu esterno.

 

Mas a alegria durou pouco quando ele percebeu que Senku estava inquieto e muito calado. Normalmente, ele já teria falado sobre seus experimentos e novas descobertas no trabalho, mas apenas ficou ali — parado e desviando o olhar constantemente.

 

Quando Gen ia abrir a boca para perguntar se ele estava bem, Senku andou até ele, o olhar ainda baixo. O bicolor ergueu as mãos e segurou as de Senku, envolvendo os dedos ásperos e calejados em sua palma macia. O loiro suspirou baixo, como quem está guardando algo há muito tempo.

 

Gentilmente, Gen puxou Senku para seu colo, esperando apenas um instante.

 

Se Senku não quisesse, bastaria dar um passo para trás.

 

Mas ele veio.

 

O cientista se aconchegou no marido, abraçou-o pelos ombros, enterrou o rosto na curva do pescoço e soltou um longo suspiro entrecortado.

 

Gen o abraçou de volta, com cuidado, acariciando as costas de Senku lentamente, apenas como um lembrete de que ele não estava sozinho.

 

“Dia difícil?” Gen perguntou e recebeu um aceno fraco. Dias assim não eram novidade.

 

“Todas as probabilidades de fracasso aconteceram hoje.” Senku resmungou, enterrando ainda mais o rosto em Gen. Sua voz era fraca e parecia sustentada por um fio. Se esse fio rompesse, Senku desabaria em lágrimas ali mesmo.

 

“Você quer conversar sobre isso?” Ele acariciou os cabelos do cientista carinhosamente, desembaraçando os fios e enrolando os cachos.

 

Senku hesitou antes de responder um “não” abafado e abraçar Gen um pouco mais forte.

 

“Tudo bem. Podemos ficar aqui, então. Ou você prefere ir para o quarto?” Senku não respondeu, apenas murmurou baixinho algo que Gen já havia aprendido a decifrar como “tanto faz”.

 

Sorrindo fraco, Gen segurou as pernas de Senku e se levantou do sofá com um pouco de esforço — a academia realmente tem seu valor.

 

Com Senku agora parecendo um coala agarrado a Gen não só com os braços, mas também com as pernas, o mais velho seguiu para o quarto. Ele fechou a porta com o pé — e ela rangeu em resposta — e sentou-se na cama, antes de se deitar de costas.

 

Senku agora estava deitado em cima de Gen, o que não era nenhum problema para ele, já que o cientista é leve — até mais do que deveria ser para sua altura e idade. Eles apenas ficaram abraçados por um longo tempo. Minutos? Horas? Gen realmente não sabe, mas não se importa. Apenas ter Senku em seus braços, permitindo que ele o tocasse quando mais ninguém podia e acariciando seu cabelo macio e encaracolado era o suficiente para ele.

 

“Me desculpe.” Senku disse baixinho.

 

“Pelo quê, meu amor?” Gen usou o tom de voz mais doce que tinha e o abraçou mais forte. Senku não respondeu, não sabia o que responder.

 

Por que estava se desculpando, afinal?

 

Por não concluir um experimento? Por derrubar um equipamento caro e não poder pagar por isso? Por perder um contrato importante? Por ter precisado ir embora mais cedo quando o barulho se tornou insuportável?

 

“Se continuar pensando tanto, seu cérebro vai explodir, Senku-chan”, Gen riu, interrompendo a linha de pensamentos autodestrutivos do cientista. “Você não tem que me pedir desculpas, ok? Eu sou seu marido, estou do seu lado e continuarei aqui em todas as ocasiões. E está tudo bem se sentir fraco, você não precisa acertar dez bilhões por cento das vezes, Senku-chan. Mas saiba que você tem a mim, e eu sempre vou te ajudar a se levantar, assim como você me ajuda a levantar. Somos um casal, nós nos amamos e é isso que importa. Entendeu?”

 

Era exatamente disso que Senku precisava. Ele não podia agradecer mais a quem quer que o tenha colocado em sua vida. Ele apenas assentiu e o abraçou mais forte.

 

Eles ficaram abraçados por mais um longo tempo.

 

A respiração do Senku começou a desacelerar. Os ombros deixaram de estar tensos. As mãos, que antes seguravam a camiseta de Gen com força, afrouxaram aos poucos. Ele adormeceu, o cansaço do dia finalmente o vencendo e o fazendo descansar. Gen virou Senku na cama, ainda abraçado a ele, mas agora ambos de frente um para o outro.

 

“Eu te amo, Senku-chan.” Ele deixou um beijo casto na testa do cientista adormecido, o aconchegou mais perto em seu peito e, pouco depois, acabou adormecendo também.

 

Gen não poderia agradecer mais a quem quer que o tenha colocado em sua vida.