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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 2 of llegaste tú (y todo cambió)
Collections:
Anonymous
Stats:
Published:
2026-07-24
Words:
2,302
Chapters:
1/1
Comments:
15
Kudos:
18
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3
Hits:
108

quiero pertenecerte, ser algo en tu vida (que me puedas amar)

Summary:

— Você não acha que eu mereço uma recompensa depois? — Adicionou em uma voz mais baixa.

Seu capitão deu um suspiro e bagunçou o cabelo de Maurício em resposta.

— Vou pensar no seu caso…

ou

Maurício fez dois gols no jogo de retorno do Campeonato Brasileiro e quis comemorar com Gómez.

Work Text:

Mesmo depois de finalizadas todas as comemorações pós vitória contra o Coritiba, Maurício ainda não conseguia se desvencilhar totalmente da euforia de ter feito dois gols e ter ajudado o time a ganhar outro jogo fora de casa.

Apesar de ter sido substituído já na metade do segundo tempo, ele saiu de campo após a última entrevista com a energia de alguém que havia jogado até o último minuto dos acréscimos. A alegria era tanta, que ele desceu a escada que levava aos vestiários cumprimentando animadamente todos que via pelo caminho, inclusive os cinegrafistas da equipe que filmavam os momentos dos bastidores do time.

Quando Maurício viu Sosa no corredor sendo entrevistado por um dos membros da equipe de mídia do Palmeiras, aproximou-se dele e retribuiu o beijinho no cabelo que havia recebido anteriormente, parabenizando-o pelo seu próprio gol.

— Parabéns, Ramonzinho! — disse entre risos, e depois adicionou outro elogio em espanhol ao amigo, já que ultimamente estava tentando se comunicar mais no idioma com todos os estrangeiros do time e estava aprendendo mais guarani com Sosa e Gómez.

Gómez, que estava um pouco à frente de Maurício e quase já dentro do vestiário, assistiu à interação anterior com um pequeno sorriso no rosto. Ele sacudiu um pouco a cabeça para Maurício assim que seus olhares se encontraram.

Maurício bem tinha vontade de se aproximar de seu capitão e também lhe dar um beijo – com a diferença de que não seria no cabelo – mas se contentou em lhe dar um breve abraço de lado já que ali não era o momento nem o local certo.

— Fui bem hoje né, Papi? — Maurício perguntou com um sorriso, enquanto parou na frente de Gómez.

— Preciso mesmo dizer? — Gómez deu um pequeno riso. — Você sabe que fez um ótimo jogo e que ajudou muito a equipe.

— Ah, mas ouvir isso do capi deixa tudo mais especial — sorriu mostrando ainda mais os dentes. Suas palavras misturavam um pouco de espanhol e português, e Maurício tinha a sensação de que seu tom de voz ficava mais sugestivo ainda em espanhol (que era exatamente o que ele queria). — Você não acha que eu mereço uma recompensa depois? — Adicionou em uma voz mais baixa.

Seu capitão deu um suspiro e bagunçou o cabelo de Maurício em resposta.

— Vou pensar no seu caso…

Essa resposta de Gómez fez com que Maurício ficasse agitado de outra maneira, ansioso por descobrir se ele realmente seria recompensado ou não. Maurício então deu com o ombro no ombro de Gómez, empurrando-o bem levemente, mas se afastou dele antes que acabasse beijando-o como era sua vontade há algum tempo. As pessoas não faziam ideia do quão forte ele era para resistir à tamanha tentação diariamente!

— Pensa com carinho — completou piscando um dos olhos.

Antes mesmo que Maurício finalmente entrasse no vestiário para trocar de roupa, ele acabou sendo ‘sequestrado’ por um cinegrafista do time que também quis perguntá-lo sobre o jogo e sobre seus gols. Ele respondeu as perguntas com uma expressão feliz, e continuou se sentindo dessa maneira quando seus companheiros de time começaram a lhe parabenizar dentro do vestiário.

(Ele ficou especialmente contente quando Gómez, sem camisa, segurou sua mão por mais tempo do que o normal brincando de impedi-lo de poder cumprimentar os outros.)

Toda a locomoção da ida até o aeroporto acabou ajudando Maurício a se distrair da situação e desacelerar o ritmo um pouco. Assim que passaram por todas as etapas de segurança do aeroporto, Maurício agradeceu pelo momento em que pôde sentar-se no assento do avião para fazer a última viagem do dia.

Logo todos estariam em casa, finalmente.

Esperando Sosa ou Bruno chegarem para sentar ao seu lado durante o vôo, Maurício se surpreendeu quando viu Gómez se acomodando na poltrona à sua direita. Disfarçando ao máximo o sorriso que queria exibir ao ver o que estava acontecendo, Maurício optou por assentir para Gómez em cumprimento.

— Veio passear por aqui hoje, Papi? Geralmente você se senta mais à frente…

— Hoje eu queria um pouco de paz longe da bagunça e vi que você estava mais quieto, então pedi para trocar de lugar com os outros dois.

—- Hmmm, eu consigo ficar bem quietinho mesmo — Maurício sinalizou com a mão como se estivesse passando um zíper por sua boca. Ele então virou de lado em seu assento e começou a encarar Gómez.

Gómez sacudiu a cabeça em negação para si mesmo, antes de pegar um fone de ouvido estilo headphones e colocar no pescoço, ignorando o outro. Maurício fez um beiço ao ver que seu capitão estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante e então soltou um suspiro dramático.

Depois que todos já estavam sentados em seus lugares, utilizando seus cintos de segurança, e o avião começou a se mexer para decolar, Maurício abriu um jogo em seu celular e pensou em começar a se distrair com ele até o fim da viagem. Porém, não havia nem dado tempo dele abrir o aplicativo direito antes de Gómez aproximar seu rosto do dele.

— Você está com sono? Não quer dormir ou descansar um pouquinho? — Perguntou em um quase sussurro.

Maurício tentou ignorar a vontade que tinha de gemer ao ouvir a voz de Gómez sussurrada daquele jeito e olhou para ele com um pouco de confusão em sua expressão.

— Hm? Dormir?

Ele só entendeu bem o que Gómez quis dizer quando viu seu capitão erguer o fone de ouvido que estava em seu pescoço até as orelhas.

— Pode encostar aqui, se quiser — Gómez apontou para seu ombro, que realmente estava bem próximo de Maurício e que era o lugar perfeito para ele poder encostar sua cabeça para descansar.

Então Maurício o fez. Ajeitou seu corpo um pouco de maneira que conseguisse apoiar sua cabeça sobre o ombro de Gómez. Aproveitou para tirar uma casquinha antes de se acomodar totalmente e deixou um beijo rápido no pescoço dele.

— Mau — Gómez advertiu.

— ‘Tô dormindo — Maurício respondeu contra a camisa de Gómez.

Maurício havia percebido que as poltronas do outro lado do corredor estavam vazias, então por isso havia arriscado um pequeno beijinho. Porém fazer qualquer coisa além disso deixaria os dois preocupados à toa com quem teria visto ou não, então ele decidiu que iria apenas descansar ali mesmo.

Entretanto, ao mesmo tempo em que Maurício sentia seu corpo relaxar perto de Gómez, sentir o cheiro dele daquela forma não estava ajudando muito a acalmar seus pensamentos. Mas enfim, ele já havia ficado um bom tempo sem poder encostar em seu capitão desde que haviam viajado para o jogo, então iria aproveitar para focar na proximidade permitida entre eles naquele momento.

De olhos fechados, Maurício não viu e apenas sentiu o momento em que Gómez se ajustou no próprio assento, erguendo o braço que estava mais próximo de Maurício e colocando-o sobre o ombro dele. Maurício sentiu os dedos de Gómez massageando levemente sua nuca e alguns fios de cabelo atrás de sua cabeça.

Ele estava recebendo um cafuné.

Maurício tinha a certeza de que agora sim havia gemido quando sentiu o carinho em sua cabeça, mas se Gómez havia fingido não ouvir, ele fingiria não ter soltado o som também!

Passados alguns minutos, Maurício estava realmente quase dormindo, tão fora de si que nem percebeu que o piloto já estava avisando que o avião iria logo pousar em São Paulo.

Maurício despertou no susto e então levantou sua cabeça de onde estava, mexendo o pescoço para se espreguiçar um pouco. Depois, voltou a apoiar sua cabeça sobre o ombro de Gómez para suspirar.

Agora sim sentia que o cansaço do dia estava lhe alcançando.

Gómez deu alguns leves tapas em sua cabeça, antes de esticar um pouco seus braços na frente do próprio corpo.

— Gostou da recompensa? — Ele perguntou tranquilamente, disfarçando como se estivesse falando da temperatura ou coisa simples assim.

Maurício ficou perdido por um tempo até perceber do que se tratava. Gómez havia sentado do seu lado só para agradá-lo por causa do que ele havia falado mais cedo.

Porra, Maurício achava que realmente ama—

— Hmmm — ele assentiu contra o ombro de Gómez. Depois, ergueu sua cabeça e apenas apoiou o queixo sobre o ombro do mais velho. — Gostei. Mas senti que faltou só uma coisinha pra ter sido a recompensa perfeita — desviou o olhar para os lábios de Gómez, antes de erguer sua cabeça de onde estava e se ajustar totalmente em seu assento, suspirando — só que essa é mais complicada de conseguir, então tenho que esperar.

— Está aprendendo a ser paciente, é? — Gómez brincou. — Quem sabe a oportunidade vai aparecer quando você menos esperar…

Maurício não teve tempo de tentar interpretar o que aquilo significava ou até mesmo de tentar responder, pois logo o avião já estava descendo e todos já se preocupavam com o momento da saída.

Do momento do desembarque até a chegada no centro de treinamento, Maurício fez tudo no automático, e somente sentia que queria muito logo poder esticar as pernas em uma cama e deixá-las paradas por algumas horas. Mas antes disso, ele precisava pegar seu carro e dirigir até sua casa… Ugh. Quanto empenho!

Maurício despediu-se dos companheiros que ficaram do lado de fora do CT, também daqueles que acabariam dormindo por ali mesmo, e então foi até o estacionamento atrás de seu carro. Quando chegou lá, reparou que o carro que geralmente ficava estacionado do lado do seu não estava ali. Decidiu mandar uma mensagem para Gómez perguntando se ele ficaria por ali mesmo já que aparentemente ele havia deixado o carro em sua casa.

“por que? quer me dar uma carona?” Dizia a mensagem dele. “vou dormir por aqui hoje.”

Maurício encarou a tela do celular por alguns instantes antes de responder com um “só vem que eu te explico”. E não demorou muito para que Gómez chegasse até onde estava o carro de Maurício. Ele abriu a porta do passageiro, sentou-se no banco e fechou a porta novamente. Acendeu a luz do teto do carro.

— Quer que eu te leve pra casa? Seu apê é mais perto do que o meu… — Maurício perguntou.

— Não — Gómez recusou — não vou embora a essas horas.

— Entendi — Maurício tentou disfarçar um pouco a decepção que sentia ao não poder passar mais tempo na companhia de Gómez, porém sabia que era normal que ele ficasse no CT nas noites em que eles voltavam de viagem de madrugada.

— Só vim aqui te dar uma coisa — Gómez falou antes de apertar o botão para desligar a luz novamente.

Na escuridão de dentro do carro – o vidro continha proteção em forma de película escura que impedia a luz de fora de entrar totalmente – Maurício ouviu o barulho de algo roçando no couro do assento e ao sentir as mãos de Gómez tocando seu rosto tentativamente, percebeu o que estava acontecendo.

Maurício se curvou para frente, e então logo depois disso sua boca encontrou a boca de Gómez em um beijo que ele finalmente pôde apreciar depois de ter esperado o dia todo. Depois de ter começado o beijo, Gómez deixou que Maurício tomasse o controle da situação por um tempo, beijando ele de forma um pouco desesperada, até Gómez voltar a puxar o mais novo para perto de si, dominando o beijo e lambendo o céu de sua boca.

Os sons do encontro de seus lábios ecoavam por dentro do carro, e os dois somente se deram conta que não estavam totalmente sozinhos quando algumas luzes de faróis de carro começaram a brilhar nas vagas do estacionamento à frente de onde estavam. Os dois se separaram um do outro um pouco assustados.

A luz voltou a ser acesa.

— Então. Hmmm — Maurício tentou começar a falar, mas ainda estava impactado pelos beijos recebidos e não sabia muito bem como formar palavras.

— Hmm, bom, eu vou voltar para o CT… Daqui a pouco todos os outros vão ter ido embora e aí vão me deixar para fora — Gómez resmungou em tom de brincadeira.

— Ninguém deixaria você pra fora, Papi — Maurício protestou. — Mas vai lá… Você precisa descansar também, jogou durante os noventa minutos e deve estar muito cansado.

Gómez assentiu para Maurício, abrindo a porta do carro.

— Até amanhã, Maurício — disse com a voz um pouco grave.

Maurício respirou fundo. Tirou a chave da ignição do carro.

— Quer saber? Acho que eu ‘tô com muito sono pra dirigir a essas horas também — abriu a porta do lado do motorista e voltou a olhar fixamente para Gómez — Que tal te fazer companhia por mais algum tempo até conseguirmos dormir?

Gómez riu, antes de descer do carro sem responder nada. Maurício também desceu do carro, pegou sua nécessaire, travou as portas e seguiu Gómez na direção do dormitório do centro de treinamento.

— Não se esqueça de que temos um combinado quando estamos aqui e quando temos treino logo no dia seguinte — Gómez relembrou, antes de abrir a porta do dormitório.

Algumas pessoas do staff estavam por perto, esperando os jogadores voltarem para arrumar tudo, mas não estavam perto o suficiente para entender a conversa dos dois.

E claro que Maurício não iria esquecer do combinado de que ambos deveriam estar focados no futebol durante a semana e não exagerar no exercício extra campo.

— Tudo certo, capi — ele fez o sinal de positivo com o polegar, seguindo Gómez até o corredor onde ficavam os quartos dos jogadores.

 

(No final das contas, ambos estavam exaustos da viagem e não puderam fazer muita coisa além de trocar alguns beijos e carícias antes de irem dormir cada um em seu quarto.

Mas, assim, se essa foi a recompensa por fazer dois gols em um jogo, Maurício iria se esforçar ao máximo para colocar a bola na rede em todos os jogos a partir de agora. Cara, ele vai trazer taças de campeão dos próximos campeonatos para o Gómez com as próprias mãos, se for preciso.)

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