Chapter Text
Will POV
William Andrew Solace era o queridinho do diretor da faculdade de medicina.
Era filho de um militar conhecido pelos seus feitos no governo, sua mãe era uma dama maravilhosa e muito bem cuidada.
O pequeno sol tinha a vida praticamente feita assim que veio ao mundo, nunca teve que ralar para conseguir nada.
Will caminhava pelo centro da cidade de São Paulo enquanto tentava arrumar o cabelo cacheado.
Ele encarou ao redor, vendo as frases e cartazes que preenchiam todo o centro: "comam os ricos!" "o diabo veste farda" entre outras frases claramente ofensivas e o símbolo anarquista
O Solace revirou os olhos, ele realmente não entendia como alguém não gostaria do governo militar!
O loiro foi tirado de seus pensamentos quando ouve o barulho de sirenes e gritaria ... Will desviou o olhar dos cartazes e encarou a multidão correndo.
Assim que percebeu ele segurou com força a bolsa em sua costa, afinal, aquilo era um manifesto contra o governo militar.
O Solace olhou ao redor procurando um lugar que não tinha protestantes e não achou, até que ele acabou sendo empurrado para dentro da multidão.
Will soltou um resmungo encarando as pessoas ao seu redor, e começava a empurrar as pessoas para sair da multidão...
O Solace acabou pisando em alguns pés aqui e ali, enquanto tentava respirar conforme o calor e a muvuca parecia só aumentar.
Até que ele finalmente saiu da multidão.
Mas acabou parando na primeira fila de frente para um grupo de pessoas gritando.
Seus olhos pararam especificamente em uma pessoa em específico, um garoto com cabelo ondulado preto, que apontava para um carro militar atrás de si.
── ELES VENDEM UMA SOLUÇÃO MENTIROSA! ── Sua voz era autoritária e agressiva, enquanto subia no capô do carro militar. ── ENQUANTO MAIS JOVENS SOMEM!
Will sentiu o mundo parar enquanto encarava o garoto anarquista de fios pretos.
Era como se ele estivesse se perdendo em um abismo, mas ele nunca iria admitir isso.
Aquele que era o líder do manifesto comunista?
Will sentiu um calor subir pelo pescoço, enquanto encarava o garoto encima do capô que era claramente mais novo.
Até que de repente os empurrões voltaram, e ele ouviu gritos novamente.
── OS MILITARES! ── O Solace viu um garoto loiro com uma cicatriz ao lado da boca aparecer gritando, enquanto ajudava o líder do manifesto descer do capô.
Will parecia completamente perdido no meio do empurra empurra, até que ele acaba caindo de cara no chão, sentindo uma ardência em seus joelhos.
── Merda... ── O loiro murmurou, enquanto tentava levantar, até que alguém puxa seu braço.
── Você tá bem?! ── Era o líder do manifesto, ele parecia claramente preocupado.
O Solace encarou a mão do outro em seu braço, e sentiu seu sangue ferver, porque um terrorista tá tocando nele? Ah, ele iria morrer na mão do pai.
── NICO! É O FILHO DO FASCISTA! ── Um garoto moreno de cabelo cacheado gritou, e no mesmo segundo Will foi empurrado novamente, dessa vez pelo garoto que o ajudou.
Will simplesmente congelou, ainda tentando processar o toque de um criminoso que ele mesmo via nas notícias.
── Que porra você tá fazendo aqui?! ── O loiro levantou o olhar, encarando o garoto pálido a sua frente, que agora parecia ser Nico, certo?
"Nico?" parecia irritado o bastante para quebrar o maxilar de alguém e Will teve a nítida sensação de que esse alguém seria ele.
Espera ele limpou a mão porque tocou no Will?
── Me empurraram pra cá! Não foi minha intenção! ── O Solace revidou , encarando o garoto menor nos olhos.
── NÃO IMPORTA, você nunca entendeu o motivo de falarem pra NÃO se aproximar de uma manifestação se não for pra participar??? ── Nico apontou para a multidão desesperada, e por um segundo Will sentiu uma pontada de culpa.
── Você tá preocupado comigo, terrorista? ── Will falou sem sequer pensar, e engoliu em seco quando viu o rosto do anarquista se contorcer.
O Solace levou outro empurrão, com o líder do manifesto encarando ele de forma raivosa.
── Esse não é seu mundo, fascista. Vaza daqui, porra. ── O loiro congelou, enquanto via a cabeleira negra se misturar na multidão.
Até que sentiu sua nuca queimando com olhares.
E então Will percebeu o peso do "filho do facista" e pareceu se desesperar levemente.
Enquanto empurrava pessoas cada vez mais, tentando sair.
Até que outro braço o puxa pra um beco, Will automaticamente coloca os braços na frente do rosto.
── Você eh idiota? ── Octavian diz, arqueando uma sombrancelha, e Will sente um suspiro que ele nem sabia estar prendendo sair.
Will encarou Reyna e Octavian, como se eles tivessem acabado de salvar sua bunda, e eles salvaram mesmo!
── Cara! Eu quase morri naquele lugar... ── Will ficou acocado, abraçando os próprios joelhos em frente aos dois amigos. ── Mas... Oque vocês fazem aqui?
Reyna deu uma risadinha fraca.
── Acabamos de sair da universidade, entramos aqui pra cortar caminho mas ficamos preso aqui por causa do protesto ── Reyna explicou, cruzando os braços.
Will soltou um suspiro.
── Esses protestos são horríveis! Entendi porque meu pai pediu pra eu nunca me aproximar de um...
── Então por que você tá aqui? ── Octavian debochou , arrancando um cartaz anarquista da parede e amassando.
── não foi por escolha própria! ── O loiro se defendeu, sentindo seu rosto ficar levemente avermelhado.
Reyna observava a rua, esperando uma oportunidade.
── Ei, Will... Seu pai tá trabalhando hoje?
── Não. Ele ta de folga. ── Will respondeu , se levantando e ficando ao lado de Octavian vendo os cartazes.
── Mas outro militar pode te reconhecer ne?
── Uhum! De vez em quando eu vou pra reuniões e para a base acompanhar meu pai. ── Will falou, tentando entender oque tava escrito em um cartaz ── Que diabos? Essa pessoa é disléxica ou oque?
Octavian arrancou o papel e amassou.
── Não me importo com terroristas disléxicos, tem um plano, Reyna? ── Octavian falou , se afastando da parede.
Um militar parou na frente dos 3 jovens, e pareceu analisar a situação: os 3 com bolsa universitária, cartazes amassados no chão e...
O militar arqueou a sombrancelha, encarando os 3.
── Ei, loiro. Qual seu nome? ── O militar falou, apontando a arma pra eles.
O trio automaticamente colocou as mãos para cima, e Will sentiu seu coração pular uma batida.
── William... Solace, senhor. ── O loiro murmurou, ainda tentando processar oque aconteceu.
── Você é o filho de Apollo Solace! Oque você tá fazendo aqui, pirralho? ── O militar sorriu, se aproximando e fazendo carinho nos cachos de Will.
── Aah, acabei me metendo sem querer, pode nos escoltar pra fora? ── O loiro comentou sorrindo, enquanto arrumava o cabelo.
── Claro! Me sigam. ── E então os 3 seguiram o militar.
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Naomi pareceu confusa quando uma cabeleira loira conhecida se jogou no sofá.
── Tá batendo cabeça com oque agora? ── Naomi se aproximou tirando os cachos do rosto de Will, deixando uma xícara de café na mesinha em frente o sofá.
Porém a mulher percebeu uma hesitação antes do loiro finalmente responder.
── Anarquistas... ── Will murmurou, colocando as mãos no rosto.
Naomi congelou por cinco segundos, antes de soltar uma risadinha nervosa.
── Por que? Eles fizeram algo pra você? ── Naomi viu Will se levantar e ajudou ele a tirar o casaco para pendurar.
── Acabei me metendo em uma manifestação... Piores momentos da vida! ── Will comentou, puxando sua mãe para perto e colocando o rosto no ombro dela, ainda resmungando.
Naomi soltou uma risadinha e fez carinho no cabelo cacheado.
── Seu pai iria ficar incomodado se visse você desse jeito. ── Will soltou um gemido frustado em resposta.
── Então porfavor me deixe aproveitar o abraço da minha mãe enquanto ele não chega... ── Will praticamente choramingou no ombro de sua mãe, que apenas riu.
── Tudo bem... A mamãe tá aqui, minha criança.
Will quase cochilou nos braços de sua mãe.
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Aquela madrugada foi barulhenta.
As sirenes preenchiam as ruas como se fizessem parte.
Will lia um livro de anatomia até que começou a ouvir o noticiário sem querer, talvez não estivesse prestando tanta atenção no livro assim.
" As autoridades confirmam a identificação de um jovem presente no ato considerado subversivo no centro de São Paulo... "
── Ainda nisso? ── Will soltou um resmungo.
" ...filho de uma figura militar conhecida... "
Will trava, e de repente o livro perdeu toda a graça.
" o caso gerou repercussão entre estudantes da área médica... "
O Solace encara a TV incrédulo, a universidade já tinha informações? Aconteceu literalmente hoje!
" o nome do jovem ainda não foi oficialmente divulgado, mas circula informalmente entre estudantes... "
Will se levantou da cadeira automaticamente, enquanto sua mente vagava em todos os momentos daquele dia.
E seus malditos pensamentos pararam naquele lindo abismo.
── Maldito! ── Will bateu com força a mão na mesa, enquanto sua respiração falha um pouco.
Até que ele ouve batidas em sua porta.
── William. Precisamos conversar. ── Apollo Solace realmente era intimidador quando queria.
Ah, seu pai iria o matar.
