Work Text:
Initium Noctis
Dies Jovis, quem são? De onde vieram? E o que faziam? Várias perguntas surgem a respeito da trupe, mas ninguém sabe ao certo suas respostas, mínimas coisas eles ganham a cada show. A cada história. A cada performance. Detalhando aos poucos quem forma a Dies Jovis.
Sean, o criador da trupe, um centenário vampiro que não se importa muito com o tempo passado, mas que aparentemente carrega um sentimento profundo por seus irmãos. Calmo, charmoso e simpático, conquistava presas com suas palavras e canções. Um devido gentleman.
Lazarus… que por muitos anos fora confundido com um lobisomem, por conta de seu comportamento animalesco e agressivo se revelou em uma de suas performances como outro vampiro, além de irmão de Sean.
Jimmy, a criaturinha vibrante do conjunto que também era conhecido por sua raça anciã, que herdará se seus irmãos vampiros. Com um sorriso doce e presas que pareciam inofensivas, era por diversas vezes confundido pelas atrativas sereias.
Camilla, elegante, gentil e doce elfa, que se juntou à trupe pouco após seu término com Sean, o passado dos dois era uma sombra para as pessoas, mas todos sabiam que tinha algo ali.
E por fim Cinthia, a mística e taróloga elfa que finalizou este quinteto com a sua voz encantadora e atraente, dando o toque que faltava e o ar misterioso que completava o grupo…
Initium Noctis foi um dos maiores sons deles, escrito por cada um, em pelo menos uma de suas linhas, que contava uma singela e curiosa aventura da trupe.
Numa torre elevada, em uma noite fria, o grupo se reunia para a escrita de sua próxima canção, o início de “Initium Noctis”, Sean recebia seus convidados com um sorriso cavalheiro e comida à sua própria maneira, também para agradar as donzelas que dividiam o ambiente. Camilla em seu vestido delicado e caloroso dedilhava sob o piano por entre os escombros do palácio vampiresco.
Camilla - “Vocês vivem aqui?”
Lazarus - “... Passamos a noite. Quando precisamos de inspiração…”
Diz o morcego enquanto adentrava a janela da torre para se juntar ao banquete privado que os esperava. Sentado próximo a Cinthia que friamente corria seus olhos pelo ambiente com um interesse mórbido e peculiar.
Cinthia - “Acho que se vocês espalhassem mais alguns cristais de rubi e pó de ametista por aqui daria para fazer um excelente ritual de invocação com a energia deste local.“
Sean - “Acho que seria uma boa tentativa para nossas próximas sessões de escrita.”
Anunciou Sean brevemente antes de todos notarem a falta de um elemento. Jimmy não se encontrava entre eles naquela noite. Onde poderia ter ido o querido vampirinho? Bem, como seus irmãos já o haviam ensinado, a noite era apenas uma criança, assim sempre o animando a explorar os locais por onde a trupe passava.
E aquela vez não fora diferente. Após encarar as estrelas com uma curiosidade avassaladora, o morceguinho desceu de seu posto ao topo da quebrada torre, e partiu floresta adentro, respirando o delicado perfume natural da floresta com as gentis gotículas de sereno que plainavam no ar. Por fim avistou a alegria de seus olhos, uma nascente, com águas puras e resplandecentes sob a luz do luar, era fascinante ver aqueles pequenos peixinhos nadando e circulando sua própria sombra, até o farfalhar das folhas fazer o jovem se esconder… vendo então o primeiro humano se seus breves séculos de vida.
O rapaz era um pescador que parecia se atrapalhar com a rede em suas mãos enquanto sua expressão murchava por não ter pego nada, ele era alto, magro, de longos cabelos lisos e pretos, com uma pele próxima ao tom das amêndoas que Camilla o apresentou uma vez. Jimmy estava encantado suficiente para juntar sua aventura à letra de Initium Noctis, até seu pé escorregar e ele cair na água.
Humano - “Ahn? Quem tá aí…?
Jimmy - “Uh… I… I…”
O pequeno vampirinho estava coberto por raízes e encharcado pela água, mas ainda assim era o suficiente para fazer o coração do jovem humano saltar, aquela beleza pálida, com aquele fofo e bagunçado cabelo preto que ia até seus ombros.
Jimmy - “H-Hello…?”
Humano - “Uh… Are you okay?”
O humano começa gentilmente se aproximando com cautela para ajudar o jovem a se levantar.
Com um tímido aceno de cabeça Jimmy se levanta segurando as mãos quentes dele e o encarando com aqueles curiosos e distrativos olhos vermelhos, característicos de vampiros.
Jimmy - “Who… who are you…?”
Humano - “Oh… I’m… I’m Rafael… and you? Oh! Haha… Slow down… you might fall again…”
Jimmy - “Ah… S-Sorry… uh… I’m… Jimmy…”
A troca foi breve, mas suficiente para ambos olhares serem trocados por segundos demais, com um silêncio acolhedor que significava apenas uma coisa… como cada um acelerava o coração do outro, passo torto e sem querer o vampiro caiu sobre o rapaz e com uma leve risada começou uma nova amizade, delicada e incomum. Assim Jimmy voltou molhado, sujo e muito feliz para ajudar seus irmãos e amigas a escreverem a canção sobre o início daquela noite.
Vamos ignorar o fato de que talvez um humano não seja muito bem vindo naquela trupe.
Fim.
